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O País – A verdade como notícia

“Estamos cada vez mais num sistema em que já não temos palavra a dizer nas decisões do quotidiano, temos apenas de executar”, queixam-se funcionários e até executivos da FIFA, que se revoltam contra Gianni Infantino.

A proposta de criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), subsidiária que seria aberta a investimento privado e que teria como objectivo concentrar as operações comerciais das provas organizadas pelo organismo (entre elas, o Campeonato do Mundo), está a deixar Gianni Infantino numa posição cada vez mais insustentável, inclusive, no seio da própria FIFA.

A estação televisiva francesa RMC Sport emitiu, nesta segunda-feira, uma reportagem que teve como base testemunhos dados sob garantia de anonimato por parte de funcionários e até executivos do organismo que rege o futebol internacional, que já não escondem a revolta com os métodos de trabalho do próprio presidente.

“Nós adoramos o futebol, é a nossa vida, e, agora, estamos a ser retratados como assassinos do futebol, por causa de uma pessoa”, lamentou um assalariado da FIFA, que trabalha na sede, em Zurique, na Suíça, e que só recentemente regressou na Europa, depois de ter passado semanas na América do Norte, nos ‘bastidores’ do Mundial 2026.

Este colaborador assumiu que “vários incidentes” ocorridos durante a prova possam ter “ofendido” o público geral. A expectativa era de que o organismo tivesse “limitado os danos” provocados por estas polémicas, mas apontou a iniciativa da FFE como “a gota de água” para a credibilidade planetária do mesmo.

“Ele envergonha-nos. Estou a dizer isto sem rodeios, é uma vergonha total”, acrescentou, claramente indignado para com os métodos utilizados pelo advogado ítalo-suíço, que colocam, agora, inclusive em causa a reeleição no cargo, no sufrágio que está agendado para o próximo dia 18 de Março de 2027.

“JÁ NÃO TEMOS UMA PALAVRA A DIZER”

A publicação chegou também à fala com um alto quadro da FIFA, que sublinhou que Gianni Infantino tem cada vez menos apoiantes entre aqueles que o rodeiam: “Nós temos uma conversa de grupo, no WhatsApp, com outras pessoas que trabalham na FIFA, a não ninguém a apoiar aquilo que ele fez”.

“É importante compreender que estamos cada vez mais num sistema em que já não temos palavra a dizer nas decisões do quotidiano, temos apenas de executar”, relatou, alertando para a importância de levar a cabo uma profunda alteração da liderança do organismo, o mais depressa possível.

“Nós somos vistos como uma federação internacional que só pensa em dinheiro, que tem um presidente que fez milhões de quilómetros num jato privado, no Campeonato do Mundo, e que vive como um milionário, e vocês acham verdadeiramente que o futebol é uma prioridade e que estamos a passar uma boa imagem aos apaixonados do futebol?”, concluiu.

PAÍS DE GALES, INGLATERRA E SÉRVIA VIRAM AS COSTAS A INFANTINO

As federações de País de Gales e Inglaterra tornaram-se, nesta segunda-feira, nas duas primeiras a fazer saber que irão retirar o apoio a Gianni Infantino relativamente à candidatura à presidência da FIFA para o mandato de 2027 a 2031. No entanto, a revolta não deverá ficar por aqui, e espera-se que a decisão seja partilhada por várias outras das 211 federações-membro que compõem o organismo.

A Federação de Futebol da Sérvia (FSS) recuou no posicionamento face ao sufrágio para o papel de líder máximo do organismo que rege o futebol internacional, que está agendado para 18 de Março de 2027 (sendo o prazo limite para a apresentação de novas candidaturas o próximo dia 18 de Novembro).

“A Federação de Futebol da Sérvia retirou o seu apoio a Gianni Infantino para um novo mandato enquanto presidente da FIFA. Gostaríamos de recordar que oferecemos ao Sr. Infantino apoio escrito, a 25 de Maio deste ano, mas, depois de considerarmos cuidadosamente os eventos que danificaram seriamente a reputação, quer da FIFA, quer do seu presidente, no passado recente, esta é a única decisão lógica e racional”, pode ler-se.

“A Federação de Futebol da Sérvia acredita que o futuro do futebol mundial deve ser baseado na transparência, no diálogo, no respeito mútuo e na parceria entre todas as confederações e federações nacionais. Acreditamos que nenhuma decisão de importância estratégica para o futuro do futebol deve ser tomada sem um amplo consenso e uma consulta aberta com todos os ‘stakeholders’ relevantes”, prossegue.

“A Federação de Futebol da Sérvia permanece comprometida com a cooperação com a FIFA, a UEFA e todas as federações nacionais, de maneira a desenvolver e fazer evoluir o futebol, mas acredita que, desta feita, uma nova confiança, uma nova abordagem e uma nova liderança são necessárias para contribuir para a renovação do diálogo, da união e da credibilidade das instituições futebolísticas internacionais”, completa.

A UEFA anunciou que poderá boicotar todas as competições organizadas pela FIFA caso avance a proposta do presidente do organismo, Gianni Infantino, de criar uma empresa destinada à gestão dos direitos comerciais dos Campeonatos do Mundo, aberta ao investimento privado.

A decisão foi tomada por unanimidade pelas 55 federações que integram o organismo europeu, entre as quais a Federação Portuguesa de Futebol, durante uma reunião realizada na quinta-feira, 30 de Julho. Em comunicado, a UEFA considera que o Campeonato do Mundo constitui um património colectivo do futebol e não pode ser transformado num activo financeiro ao serviço de investidores privados.

“O Campeonato do Mundo não está à venda”, sublinha o organismo liderado por Aleksander Čeferin, defendendo que a competição foi construída ao longo de gerações por jogadores, selecções nacionais e adeptos de todos os continentes. Para a UEFA, a proposta representa uma grave falha de liderança por parte da FIFA, por ter sido preparada sem uma consulta alargada às federações nacionais.

Os dirigentes europeus afirmam ainda que nenhuma selecção filiada na UEFA participará em competições da FIFA enquanto a proposta se mantiver em discussão, salvo se esta vier a ser integralmente retirada. A posição coloca em risco provas como o Campeonato do Mundo de Clubes de 2027, o Campeonato do Mundo Feminino de 2027, no Brasil, o Mundial de Futsal de 2028, no Qatar, e o Campeonato do Mundo de 2030, cuja organização será partilhada por Portugal, Espanha e Marrocos.

Segundo a UEFA, a entrada de investidores privados na propriedade das competições internacionais faria com que o futebol passasse a responder prioritariamente aos interesses dos accionistas, comprometendo a integridade e o legado histórico do Campeonato do Mundo.

A contestação ao projecto não se limita à Europa. A Confederação Norte, Centro-Americana e das Caraíbas de Futebol (CONCACAF) e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) manifestaram igualmente reservas quanto ao facto de a proposta ter sido apresentada sem uma consulta prévia às 211 federações filiadas na FIFA. Já a Confederação Africana de Futebol (CAF) anunciou que irá reunir as suas associações-membro para analisar a iniciativa.

Infantino defende proposta

Gianni Infantino sustenta que a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE) continua a ser apenas uma proposta e não uma decisão definitiva. O projecto prevê a constituição de uma empresa responsável pela exploração comercial dos Campeonatos do Mundo e do Mundial de Clubes, incluindo direitos televisivos, patrocínios, bilhética, licenciamento e organização de eventos.

Para entrar em vigor, a iniciativa necessita do apoio da maioria das 211 federações-membro e da aprovação das alterações estatutárias pelo Conselho da FIFA.

O presidente da FIFA rejeita as críticas e garante que a governação do futebol permanecerá nas mãos do organismo mundial, sem interferência dos investidores privados. Como exemplo dos benefícios do modelo, recorda que o programa FIFA Forward permitiu reforçar o apoio financeiro a países como Cabo Verde, Curaçau, Jordânia e Uzbequistão, contribuindo para a sua qualificação inédita para o Campeonato do Mundo.

Caso o projecto seja aprovado, a FIFA estima arrecadar cerca de 4,2 mil milhões de dólares através da venda de participações minoritárias na nova empresa. Segundo Infantino, a operação permitirá aumentar significativamente os fundos distribuídos às federações, elevando o apoio financeiro de oito para vinte milhões de dólares por cada associação entre 2027 e 2030.

Apesar dessas garantias, a oposição europeia considera que a abertura do capital da futura empresa representa um precedente perigoso e poderá alterar de forma irreversível o modelo de governação do futebol mundial.

O escritor moçambicano Sérgio Raimundo prepara o lançamento da sua mais recente obra literária, “O Docente das Notas Sexualmente Transmissíveis”, um romance que promete reacender o debate sobre o assédio e outras formas de violência enfrentadas por estudantes, sobretudo mulheres, nas instituições de ensino superior. Em entrevista concedida esta quinta-feira ao O PAÍS, o autor explicou que o livro nasce da necessidade de dar visibilidade a uma realidade frequentemente discutida nos bastidores, mas raramente enfrentada de forma aberta.

Segundo Sérgio Raimundo, a obra reúne um conjunto de histórias inspiradas em testemunhos recolhidos durante uma investigação realizada em várias universidades moçambicanas. Embora assuma a forma de ficção, o autor garante que a narrativa assenta em experiências reais relatadas por estudantes que aceitaram partilhar episódios de sofrimento vividos ao longo do percurso académico.

“O que está neste livro tem uma base factual. A literatura entra para transformar essas vozes numa narrativa, mas as histórias existem e continuam a acontecer”, afirmou.

O escritor descreve o romance como uma narrativa polifónica, construída a partir de diferentes experiências, mas contadas por um único narrador: um docente viúvo que, ao recordar diversos episódios, conduz o leitor pelos dramas vividos dentro da universidade. A opção narrativa, explicou, procura evitar uma leitura limitada apenas às vítimas, permitindo também compreender o papel, os dilemas e as responsabilidades dos docentes num fenómeno que considera complexo.

Durante a conversa, Sérgio Raimundo rejeitou a ideia de que o assédio sexual nas universidades seja um problema desconhecido. Para si, trata-se de uma realidade amplamente conhecida, mas tratada “em off”, devido ao prestígio social de muitos dos envolvidos e ao receio de comprometer a reputação das instituições de ensino superior.

Na sua perspectiva, muitas universidades produzem conhecimento científico sobre esta problemática através de teses e dissertações, mas esses estudos acabam por permanecer dentro das bibliotecas académicas, sem impacto suficiente na sociedade. Por isso, defende que as instituições devem assumir igualmente o papel de questionar e combater a violência que se produz no seu interior, em vez de concentrarem a atenção apenas nos problemas externos.

Ao longo da entrevista, o autor revelou que foi profundamente marcado pelos testemunhos recolhidos durante o processo de escrita. Disse ter ouvido histórias de mulheres actualmente bem-sucedidas, mas que carregam experiências traumáticas vividas durante a formação universitária.

Para o escritor, o diploma conquistado por muitas estudantes esconde um percurso de sofrimento silencioso, marcado por pressões, chantagens e diferentes formas de abuso que raramente chegam ao conhecimento público. A obra procura precisamente romper esse silêncio e transformar a literatura num espaço de reflexão social.

Entre as questões levantadas no romance está também a alegada existência de redes informais entre alguns docentes para pressionar estudantes que recusam ceder a propostas de natureza sexual. Sérgio Raimundo afirmou que ouviu relatos sobre práticas deste género e considera que estas denúncias exigem um debate sério por parte da sociedade e das próprias universidades.

“O corpo da mulher não pode transformar-se numa extensão do currículo académico”, defendeu, sublinhando que muitas estudantes entram na universidade apenas com o objectivo de se formarem, mas acabam confrontadas com situações que atentam contra a sua dignidade.

O escritor considera igualmente necessário compreender as razões por detrás da desistência de muitas jovens do ensino superior, defendendo que nem todos os abandonos se explicam por dificuldades económicas ou académicas. Para ele, é indispensável olhar para o impacto que diferentes formas de violência exercem sobre a permanência das mulheres nas universidades.

Quanto à recepção da obra, Sérgio Raimundo revelou que a fase de pré-venda superou as expectativas. Segundo explicou, cerca de 90 por cento dos exemplares vendidos antecipadamente foram adquiridos por mulheres, um sinal que interpreta como demonstração de identificação com o tema abordado. Acrescentou ainda que docentes universitários também têm adquirido o livro, incluindo um professor que comprou dez exemplares.

Depois do lançamento, o autor pretende apresentar a obra em várias universidades moçambicanas, procurando levar a discussão para os espaços onde, diz, o problema continua a existir. Embora já tenha convites para apresentações em Portugal e Espanha, Sérgio Raimundo afirma que a sua prioridade continua a ser Moçambique.

“Posso viver fora do país, mas escrevo para Moçambique e para o povo moçambicano”, afirmou, acrescentando que encara a literatura como um instrumento de intervenção social e de defesa daqueles que considera não terem voz.

Três medalhas conquistadas no Portugal Open G1 confirmam o crescimento do Taekwondo moçambicano, mas a Federação alerta que a escassez de financiamento, a ausência de equipamentos de competição e a dependência das famílias continuam a comprometer o sonho olímpico dos atletas nacionais.

As três medalhas conquistadas por Moçambique no Portugal Open G1 representam muito mais do que um resultado positivo para o taekwondo nacional. Num dos torneios internacionais mais competitivos do circuito mundial, a selecção moçambicana voltou a provar que possui atletas capazes de enfrentar adversários de elevado nível e disputar lugares no pódio. Contudo, por detrás do brilho das medalhas esconde-se uma realidade menos animadora: o crescimento da modalidade continua condicionado pela falta de financiamento, pela insuficiência de equipamentos modernos e pelo enorme esforço financeiro suportado pelas famílias dos atletas.

A prestação alcançada em Portugal ganha maior relevância quando se observa o nível da competição. O campeonato reuniu mais de 50 países, cerca de mil atletas e vários competidores olímpicos. Ainda assim, Moçambique regressou com uma medalha de prata, conquistada por Helena Safrão, e duas medalhas de bronze, obtidas por Laysa Kumbu e Stélvio Machava, confirmando que o país consegue competir de igual para igual com selecções que dispõem de melhores condições técnicas e financeiras.

Para o vice-presidente da Federação Moçambicana de Taekwondo, Raja Kanji, estes resultados não surgem por acaso. São consequência de um trabalho iniciado muito antes das competições internacionais, envolvendo famílias, clubes, treinadores e associações provinciais. Segundo explica, as medalhas são apenas a expressão visível de um processo de formação desenvolvido ao longo de vários anos e demonstram que Moçambique possui capacidade técnica para competir ao mais alto nível.

Um dos aspectos que mais entusiasma a direcção da Federação é o desempenho do sector feminino. Das apenas três atletas integradas na delegação nacional, duas conquistaram medalhas. Para Raja Kanji, este dado deve servir de alerta para que o país invista mais na formação e promoção do taekwondo feminino, uma vez que os resultados obtidos mostram que existe um enorme potencial competitivo ainda por explorar.

Apesar dos resultados encorajadores, o dirigente não esconde que o principal adversário da modalidade continua a ser a falta de recursos financeiros. O financiamento é apontado como o maior obstáculo ao desenvolvimento do taekwondo moçambicano, afectando desde a preparação dos atletas até à participação em competições internacionais, fundamentais para a conquista de pontos no ranking mundial.

Segundo Raja Kanji, são frequentemente as famílias que assumem uma parte significativa das despesas relacionadas com viagens, estágios e participação em torneios internacionais. Paralelamente, a Federação procura mobilizar parceiros e patrocinadores para garantir que os atletas mais promissores não fiquem impedidos de competir por falta de recursos. Ainda assim, reconhece que o esforço continua insuficiente perante as exigências do calendário internacional.

Outro desafio considerado decisivo prende-se com a ausência do Sistema Electrónico de Combate (PSS), equipamento utilizado em praticamente todas as competições internacionais de alto nível. Este sistema electrónico é responsável pela validação automática dos pontos durante os combates e constitui hoje um elemento indispensável na preparação dos atletas.

Sem acesso regular a esta tecnologia, os taekwondistas moçambicanos apenas têm contacto com o equipamento quando chegam às competições internacionais, enfrentando adversários que treinam diariamente com o sistema. Para Raja Kanji, esta diferença coloca os atletas nacionais em desvantagem competitiva logo à partida e torna ainda mais valiosas as medalhas conquistadas por Moçambique no estrangeiro.

Mesmo perante essas limitações, a Federação acredita que o sonho olímpico continua ao alcance. O Portugal Open G1 atribui pontos para o ranking internacional, factor determinante para o processo de qualificação aos Jogos Olímpicos. Helena Safrão, por exemplo, somou seis pontos importantes para a classificação mundial, enquanto outros atletas também melhoraram a sua posição, aproximando-se dos critérios exigidos pela World Taekwondo.

Para transformar este potencial em resultados consistentes, Raja Kanji considera indispensável garantir uma participação contínua em torneios internacionais de ranking. É precisamente aí que surgem novas dificuldades, uma vez que os custos das deslocações e da logística reduzem o número de atletas que Moçambique consegue inscrever nas provas internacionais.

Além do trabalho desenvolvido com a selecção nacional, a Federação destaca avanços alcançados nos últimos anos ao nível da organização interna da modalidade. Entre eles figuram a criação de associações provinciais nas onze províncias do país, a formação de árbitros e treinadores certificados internacionalmente, a realização de grandes eventos regionais em território nacional e o crescimento exponencial do número de praticantes, que passou de cerca de dois mil para mais de dez mil atletas.

No segundo mandato da actual direcção, o objectivo mantém-se claro: conquistar mais pontos internacionais, atrair novos investimentos, adquirir o sistema electrónico de combate e colocar atletas moçambicanos nos Jogos Olímpicos da Juventude e, posteriormente, nos Jogos Olímpicos seniores. A convicção da Federação é que o talento já existe. O que continua a faltar são condições para que esse talento possa competir em igualdade de oportunidades com o resto do mundo.

As medalhas conquistadas em Portugal mostram que o taekwondo moçambicano já deixou de ser uma promessa. O desafio agora é outro: impedir que a falta de investimento transforme conquistas internacionais em episódios isolados, quando poderiam representar o início de uma nova página na história do desporto nacional.

 

Antigo jogador gaulês é o novo seleccionador francês, regressando ao activo cinco anos depois. Zidane tinha o sonho antigo de comandar uma selecção na qual brilhou como jogador e inicia o ciclo pós-Didier Deschamps.
Agora é oficial. Zinedine Zidane é o novo seleccionador de França, confirmou a Federação Francesa de Futebol (FFF), nesta terça-feira. A lenda do futebol francês, que vestiu a camisola da selecção por mais de 100 ocasiões, sucede a Didier Deschamps no cargo, tendo sido formalmente apresentado pelo presidente Philippe Diallo e assinado um contrato válido até 2030.
“Vivemos nesta manhã um momento excepcional. Há quase 14 anos que a Federação não enfrentava uma situação deste género. E é também um momento especial pela pessoa que está aqui ao meu lado”, afirmou o líder máximo da FFF, na hora de apresentar Zidane.
Sem clube desde 2021, depois de deixar o Real Madrid, o técnico francês de 54 anos foi associado, ao longo dos últimos anos, a vários clubes europeus e da Arábia Saudita, mas o sonho de comandar a seleção pela qual tanto brilhou falou mais alto, tendo aguardado pelo momento certo para ocupar o lugar deixado por Deschamps.
PRIMEIRAS PALAVRAS DE ZIDANE
Depois de Diallo ter dado o arranque à cerimónia de apresentação do novo seleccionador, Zidane tomou a palavra para deixar um agradecimento especial, ainda antes de responder às questões dos jornalistas presentes, e uma palavra de apreço aos bombeiros que se encontram a combater os fogos que têm assolado o país.
“Queria começar por deixar uma mensagem de apoio a todos os bombeiros. Muitas famílias estão a viver um momento difícil. Quero também agradecer a confiança que foi depositada em mim, agradecer ao Comité Executivo, com quem estive reunido nesta manhã, e a todos os colaboradores da Federação Francesa de Futebol pelo trabalho que desenvolvem diariamente”, começou por referir Zidane.
“Hoje é um dia que representa a continuidade de um sonho. Ao longo dos últimos quatro ou cinco anos recebi propostas para assumir clubes, mas recusei todas porque a selecção francesa era a única coisa que queria treinar. Conheço esta casa desde criança: comecei nos escalões jovens, fui subindo todas as etapas até chegar à seleção principal. Vou dar tudo para que esta equipa continue a vencer. É isso que me move”, garantiu o novo selecionador francês.
ESTREIA AGENDADA PARA SETEMBRO
Zinedine Zidane não terá muito tempo para preparar a estreia oficial, que acontece já no fim de Setembro, em jogo da fase de grupos da Liga das Nações.
A selecção gaulesa vai defrontar a Turquia a 25 de Setembro, visitando a Bélgica três dias depois. A estreia em solo francês acontecerá já em Outubro, dia 2, frente à Itália, seguindo-se um novo embate com os belgas, desta vez em casa, a 5 de Outubro.
LEGADO DE DESCHAMPS
Didier Deschamps despediu-se do cargo de seleccionador de França no passado sábado, com uma derrota diante da Inglaterra (4-6) na luta pelo terceiro lugar do Mundial 2026.
O experiente treinador de 57 anos esteve ao leme dos Blues ao longo dos últimos 14 anos e conquistou um Campeonato do Mundo (em 2018) e uma Liga das Nações (em 2021). Ainda antes do embate com os ingleses, Deschamps garantiu que iria “sentir saudades” de “representar França” enquanto selecionador.
“Sei muito bem que é o fim. Ninguém vai chorar, mas sei que vou ter saudades da selecção. Tive o privilégio de viver momentos mágicos e outros mais difíceis por 25 anos [11 como jogador]. Representar a França foi o melhor que me aconteceu e isso deixa uma marca ainda maior, pois ficam lembranças inesquecíveis, mas sou uma pessoa positiva por natureza e o importante é o que se segue”, afirmou.
No currículo de Deschamps ficam, ainda, as finais perdidas no Euro 2016, como anfitriões e diante de Portugal (1-0, após prolongamento), com um golo do suplente Éder, e do Mundial 2022, no desempate por penáltis com a Argentina (4-2, depois da igualdade 3-3 no fim dos 120 minutos), no Qatar.

A Fivestar Optica Racing, representada pelos pilotos Paulo Collison, Nico Banze e Jeffrey Novela, conquistou no último fim-de-semana a vitória na 3.ª prova do Troféu ATCM e nas 2 Horas das 4 Horas de Maputo, disputadas no Autódromo Internacional de Maputo. O triunfo reforça a candidatura da equipa à conquista do título da classe SP.

A prova ficou igualmente marcada pelo regresso, 30 anos depois, dos históricos monolugares Formula V às pistas moçambicanas, proporcionando um momento de grande simbolismo para o automobilismo nacional. O evento contou ainda com a participação regular dos pilotos nacionais das classes SP e Modificados Grupo M, bem como dos pilotos sul-africanos do Campeonato de Velocidade Backdraft.

A terceira ronda do Troféu ATCM registou um novo recorde de participação, reunindo 44 pilotos na grelha de partida, distribuídos por seis classes, tornando-se na corrida com maior número de participantes da história do campeonato.

Na classe SP, a Fivestar Optica Racing alinhou com duas equipas e acabou por dominar a competição, assegurando a vitória tanto na 3.ª prova do Troféu ATCM como na corrida de duas horas integrada nas 4 Horas de Maputo. O resultado permite à formação de Paulo Collison, Nico Banze e Jeffrey Novela dar um passo importante na luta pelo título da temporada.

A Moov Racing, de Frederico Jonet, terminou na segunda posição da classificação geral, enquanto a Blutech Recargkai, de Rui Vilela, completou o pódio com o terceiro lugar.

Na classe E, os pilotos da Academia de Velocidade do ATCM, Lagson Leão e Rubén do Vale, conquistaram a vitória, ao passo que Delfim da Silva e Gabriel Figueiredo asseguraram a segunda posição.

Já a KIA Racing Team, atual líder do Troféu ATCM na classe SP, também deixou a sua marca na competição, com Pedro Garcia e Manuel Barbosa a conquistarem o prémio Index Performance.

A 4.ª prova do Troféu ATCM está agendada para o próximo dia 15 de agosto, no Autódromo Internacional de Maputo, e contará com a participação de pilotos nacionais e sul-africanos que competem no Campeonato de Velocidade Silver Cup.

O Presidente da República, Daniel Chapo, felicitou a Selecção Nacional de Futebol Sub-17, os “Mambinhas”, pela conquista da 3.ª edição da Cascais Luso Cup, disputada em Portugal, onde a equipa moçambicana revalidou o título alcançado na edição anterior.

Numa mensagem de felicitação, o Chefe do Estado enalteceu o desempenho dos jovens atletas, da equipa técnica liderada pelo seleccionador Luís Guerreiro e de todos os que contribuíram para a conquista, considerando que o feito constitui motivo de orgulho para todos os moçambicanos.

Daniel Chapo sublinhou que a vitória demonstra o crescimento sustentado do futebol nacional nos escalões de formação e ganha um significado acrescido por ter sido alcançada numa competição que serviu de preparação para o Campeonato do Mundo Sub-17, a realizar-se no Qatar, em Novembro de 2026.

Segundo o Presidente da República, este resultado reforça a confiança nas capacidades da selecção para representar condignamente Moçambique na maior competição mundial de futebol juvenil.

O estadista manifestou ainda o desejo de que a conquista sirva de inspiração para a juventude moçambicana, incentivando os jovens a perseguirem os seus sonhos com disciplina, dedicação e espírito de equipa.

“Parabéns a todos os envolvidos por mais esta conquista. Moçambique está de parabéns!”, concluiu Daniel Chapo.

O presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF), Patrice Motsepe, declarou ontem estar orgulhoso do desempenho das selecções nacionais dos 10 países africanos na Copa do Mundo da FIFA 2026.

A África foi representada por Argélia, Cabo Verde, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Egito, Gana, Marrocos, Senegal, África do Sul e Tunísia.

Das dez seleçcões africanas, 9 (90%) se classificaram da fase de grupos para as eliminatórias da prova.  

“Isso é notável, pois representa a maior porcentagem da história da competição. A África representou 20,8% das 48 seleções nacionais que participaram da Copa do Mundo da FIFA de 2026, mas constituiu 28,1% das seleções nacionais que se classificaram da fase de grupos para os 32 avos de final”, disse Patrice Motsepe.

Essa conquista só ficou atrás da UEFA, que teve 40% de suas selecções nacionais classificadas da fase de grupos para os 16 avos de final.

Egipto e Marrocos chegaram aos oitavos-de-final.  Marrocos alcançou um feito notável na Copa do Mundo da FIFA 2026 ao se classificar consecutivamente para os quartos-de-final.

Na Copa do Mundo da FIFA de 2026, também houve actuações impressionantes de Cabo Verde, Senegal, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, África do Sul, Gana e Tunísia.

O presidente da CAF considera que “as selecções africanas alcançaram progressos e sucessos significativos na Copa do Mundo da FIFA 2026 e estou muito orgulhoso de suas performances. As nove selecções africanas que se classificaram da fase de grupos para os oitavos-de-final fizeram história na prova, representando 90% das selecções africanas participantes, e a maior percentagem de classificação até hoje”, acrescentou, reforçando que “as percentagens anteriores de classificações das Selecções Nacionais Africanas para a Fase Eliminatória foram: 40% em 2022, nenhuma em 2018 e 40% em 2014. Também identificámos áreas específicas onde existe margem para melhorias e estou confiante de que os treinadores, as equipas técnicas e os jogadores implementarão as melhorias necessárias.”, anota.

Disse ainda que “isso garantirá ainda mais sucesso para as Selecções Nacionais Africanas nas futuras Copas do Mundo da FIFA. A CAF realizará uma conferência e convidará os técnicos de todas as selecções, as comissões técnicas, ex-jogadores das selecções Africanas e outros especialistas e partes interessadas do futebol para avaliar o desempenho na Copa do Mundo da FIFA de 2026, com o objectivo de fazer recomendações que garantam que elas sejam ainda mais bem-sucedidas na Copa do Mundo da FIFA de 2030”.

A CAF tem estado a aumentar o financiamento para a formação de treinadores em todos os níveis e realizará diversos cursos de formação de treinadores em cada uma das seis regiões ou zonas da CAF no continente africano.

A CAF também está focada em aumentar também a qualidade e a competitividade do Campeonato Africano de Futebol Escolar da CAF, pois esta é uma plataforma e iniciativa importante para o desenvolvimento e crescimento do futebol juvenil africano.

“Também fortaleceremos e expandiremos as parcerias entre nossas Associações Membro, os governos e o sector privado para desenvolver, apoiar, patrocinar e promover o futebol em cada um dos 54 países africanos. Essas parcerias também são importantes para a construção, modernização e manutenção da infraestrutura e das instalações de futebol em cada um dos países onde temos associações-membros.”

O piloto moçambicano Rodrigo Almeida voltou a destacar-se no automobilismo internacional ao conquistar uma vitória e um novo pódio na terceira jornada do Campeonato de Portugal de Velocidade, disputada entre os dias 10 e 12 de Julho, no Circuito Internacional de Vila Real, em Portugal.

Na sua estreia naquele traçado urbano, considerado um dos mais exigentes da Europa, Rodrigo Almeida, ao lado do português Francisco Mora, levou a Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal ao triunfo na primeira corrida do Supercars Endurance, ao volante de um Toyota GR Supra GT4 EVO2.

A equipa terminou o fim-de-semana com uma vitória absoluta e dois resultados entre os quatro primeiros classificados, consolidando a liderança do campeonato.

Na primeira corrida, Francisco Mora partiu da pole position e manteve a liderança durante o primeiro turno. Após a paragem obrigatória nas boxes e a troca de pilotos, Rodrigo Almeida assumiu o volante, conservando o comando da prova até à bandeira de xadrez, apesar da forte pressão dos adversários nas voltas finais.

Na segunda corrida, marcada por diversos incidentes e sucessivos períodos de neutralização, a dupla voltou a evidenciar competitividade, terminando na quarta posição da classificação geral e alcançando o terceiro lugar na categoria GT4 Bronze.

Com os resultados obtidos em Vila Real, Rodrigo Almeida reforçou a vantagem na liderança do Campeonato de Portugal de Velocidade, numa prova integrada na 55.ª edição do Circuito Internacional de Vila Real, que reuniu milhares de espectadores.

Citado numa nota divulgada após a prova, o piloto manifestou satisfação pelo desempenho alcançado, sublinhando que a estreia naquele circuito representou um desafio exigente, ultrapassado graças ao trabalho conjunto da equipa.

Rodrigo Almeida destacou ainda a importância dos pontos conquistados para as contas do campeonato e agradeceu ao companheiro de equipa, Francisco Mora, à Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal e aos patrocinadores pelo apoio prestado ao longo da temporada.

Esta é a primeira época do piloto moçambicano ao serviço da Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal, mantendo uma trajectória consistente que o coloca entre os principais candidatos ao título.

A próxima prova do Supercars Endurance está marcada para os dias 25 a 27 de Setembro, no Circuito Ricardo Tormo, em Valência, Espanha, onde Rodrigo Almeida procurará consolidar a liderança do campeonato.

 

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