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O Senegal sagrou-se campeão do Campeonato Africano das Nações (CAN-2025) ao vencer o país anfitrião Marrocos por 1-0 numa final marcada por emoção, polémica e futebol de qualidade. Esta é a segunda vez que a selecção senegalesa conquista o CAN, repetindo o feito de 2021.

O único golo da partida surgiu aos quatro minutos do prolongamento, quando o médio do Villarreal, Pape Gueye, finalizou com precisão, garantindo o triunfo e coroando uma campanha praticamente perfeita.

Ao longo do torneio, o Senegal marcou 13 golos e sofreu apenas um, exibindo um futebol colectivo consistente, com transições rápidas, passes eficazes e leitura de jogo que conquistou adeptos pelo continente.

Apesar da vitória, a final esteve longe de ser tranquila. Durante o tempo regulamentar, um golo do Senegal foi anulado por erro do árbitro, gerando indignação junto do público.

Pouco depois, um penálti assinalado a favor de Marrocos aos 98 minutos, devido a uma falta cometida pelo defesa sénior El Hadji Malick Diouf sobre Brahim Díaz, levou a equipa senegalesa a abandonar temporariamente o campo em protesto, numa decisão do treinador Pape Bouna Thiaw.

O regresso ao relvado ficou a dever-se a Sadio Mané, que num gesto de maturidade e liderança, chamou os colegas, numa atitude decisiva para manter a equipa concentrada.

Aos 114 minutos, Brahim Díaz falhou a cobrança do penálti, defendida pelo guarda-redes Edouard Mendy, e quatro minutos depois Pape Gueye marcou o golo decisivo, garantindo o segundo título do CAN ao Senegal, após momentos de tensão no final do tempo regulamentar.

O episódio gerou polémica e estendeu-se à conferência de imprensa, onde Thiaw acabou por abandonar a sala após confrontos com jornalistas marroquinos.

No momento de levantar o troféu, o capitão Kalidou Koulibaly entregou-o à Sadio Mané, em sinal de respeito, permitindo que a lenda africana encerrasse a sua história no CAN com um gesto simbólico.

Individualmente, a edição de 2025/26 destacou ainda os melhores jogadores: Sadio Mané foi eleito Melhor Jogador, Bono garantiu o prémio de Melhor Guarda-Redes e Ibrahim Díaz terminou como Melhor Marcador, com cinco golos. Marrocos recebeu o prémio Fair Play.

O Senegal tornou-se a primeira selecção desde 2013 — e a primeira na era das 24 equipas — a vencer o CAN sem necessidade de recorrer a desempates por penáltis. Nos últimos quatro torneios, os “Leões” disputaram três finais e conquistaram dois títulos (2021 e 2025/26), demonstrando consistência, qualidade e evolução.

A equipa senegalesa tem sido guiada por treinadores nacionais de referência, antigos jogadores da selecção: Aliou Cissé, que liderou o Senegal ao primeiro título no CAN em 2021, e Pape Bouna Thiaw, responsável pelo segundo triunfo em 2025/26. Ambos fizeram parte da histórica selecção de 2002, que participou no primeiro Mundial do país, reforçando a tradição e o legado do futebol senegalês.

O terceiro lugar do CAN 2025 foi conquistado pela Nigéria, que venceu o Egipto nas grandes penalidades, enquanto Marrocos continua à espera de quebrar um jejum de 50 anos sem conquistar o torneio.

CAN-2025: Presidente da FIFA condena “cenas deploráveis” da final

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, condenou as “cenas deploráveis” ocorridas durante a final do Campeonato Africano das Nações (CAN) de futebol, na qual o Senegal abandonou momentaneamente o relvado, em protesto contra uma decisão do árbitro.

“Condenamos firmemente o comportamento (…) de alguns jogadores e membros da equipa técnica do Senegal. É inaceitável abandonar o terreno de jogo daquela maneira e a violência não será tolerada no nosso desporto”, disse o presidente da FIFA, em comunicado.

Pape Gueye marcou o golo que garantiu o triunfo do Senegal, aos 94 minutos, depois de Brahim Díaz, melhor marcador do torneio, com cinco golos, ter desperdiçado um penálti no último lance do tempo regulamentar, após mais de 15 minutos de interrupção, devido ao protesto dos senegaleses.

“As cenas deploráveis que testemunhámos ontem [domingo] devem ser condenadas, para que não voltem a repetir-se”, advertiu o Infantino, que apelou às instâncias disciplinares da Confederação Africana de Futebol para “tomarem as medidas apropriadas” à gravidade dos factos.

O triunfo do Senegal na final frente à selecção anfitriã apenas tem paralelo em três das 35 edições da Taça das Nações Africanas, duas delas protagonizadas pelo Gana, na Tunísia, em 1965, e na Líbia, em 1992. Em 2000, os Camarões conquistaram o título diante da Nigéria, que co-organizou o torneio com o Gana.

A Confederação Africana de Futebol, CAF, vai incrementar o valor destinado às federações nacionais de futebol, passando dos actuais 200 mil dólares para um milhão, equivalente a 65 milhões de meticais por ano. A medida visa contribuir na melhoria dos projectos de desenvolvimento de futebol.

A Confederação Africana de Futebol continua a dar passos significativos, tendo como foco o desenvolvimento do futebol africano. Desta vez, a CAF anunciou o incremento do valor destinado às federações nacionais de futebol. 

Dos actuais 200 mil dólares, o organismo que gere o futebol africano passará a desembolsar um milhão, equivalente a 65 milhões de meticais por ano, num aumento de 400 por cento. 

A CAF pretende com o incremento impulsionar o futebol africano, através da aposta em vários projectos dos países membros da agremiação, sobretudo com foco nas infra-estruturas.  

Esta não é a primeira vez que o órgão reitor do futebol continental, sob liderança do sul-africano Patrice Motsepe, incrementa o orçamento para as federações. 

A CAF tem levado a cabo também vários projectos de transformação do futebol africano, de modo a tornar a modalidade mais competitiva e com uma melhor qualidade. 

Luís Miquissone foi eleito melhor jogador do Moçambola-2025, juntando o prémio ao do melhor marcador da prova. Com os dois títulos individuais arrecadados, o avançado da União Desportiva de Songo acumula uma premiação monetária de um milhão de meticais.

Texto: Redacção

Foto: O País

Apesar do fim prematuro do Moçambola-2025, ainda com quatro jornadas por disputar, os prémios para os melhores da prova já foram definidos. A União Desportiva de Songo é a que arrecada o maior número de prémios da HCB, entre colectivos e individuais.

A nível colectivo, os “hidroeléctricos” encaixam um prémio de sete milhões e quinhentos mil meticais pelo título de campeões nacionais, contra os três milhões da Black Bulls, como vice-campeã, e um milhão e quinhentos mil meticais do Ferroviário da Beira, que terminou em terceiro lugar.

Os “locomotivas” de Chiveve ficaram ainda com o prémio de equipa Fair-Play da prova.

A nível individual, Luís Miquissone foi eleito o melhor jogador do campeonato, após ter sido eleito cinco vezes melhor em campo, assegurando o prémio de 550 mil meticais, superando a concorrência de Chester, colega na UD de Songo, em segundo e com direito a 250 mil meticais, e de Ângelo Cantolo, que ficou em terceiro, e recebe 125 mil meticais.

Miquissone foi ainda coroado melhor marcador da prova, com 15 golos marcados, superando a concorrência de Ângelo Cantolo (Chingale de Tete), segundo com 11 golos, e Tomás (AD Vilankulo), com nove. O avançado de Songo recebe 400 mil meticais de prémio, o jogador do Chingale, 200 mil, e do do Vilankulo recebe 100 mil meticais.

Quanto aos guarda-redes, o do Ferroviário de Maputo, José Guirrugo, venceu o prémio da Luva de Ouro, ao sofrer menos golos e arrecada 350 mil meticais, deixando para trás Ebrima, da UD Songo, que recebe 125 mil, e Crimildo, do Ferroviário da Beira, que fica com 100 mil meticais.

Daúde Razaque, treinador dos campeões nacionais, foi eleito melhor treinador, levando para casa um prémio de 300 mil meticais, superando Abdul Omar, da AD Vilankulo, e Antoninho Muchanga, do Ferroviário de Lichinga, segundo e terceiro classificados respectivamente, que ficam com 125 e 100 mil meticais.

O presidente da UD Songo, Francisco Xavier, foi eleito Dirigente do Ano por ter liderado a equipa a um recorde histórico de 17 vitórias consecutivas.

As premiações são anunciadas quando há clubes que ainda reclamavam pela não conclusão da prova, uma vez que ainda tinham hipóteses de garantir a manutenção, ou terminar no topo da prova.

Para já, a Federação Moçambicana de Futebol e a Liga Moçambicana de Futebol vão discutir o futuro do Moçambola-2026 na próxima quarta-feira, 21 de Janeiro.

Senegal e Marrocos são finalistas do Campeonato Africano de Futebol, jogo que será disputado no próximo domingo. As duas equipas eliminaram ontem,  nas meias-finais, o Egipto e a Nigéria. 

Se antes era uma incógnita, agora é uma realidade. Dúvidas dissipadas em relação aos finalistas do CAN. O Senegal buscou forças até onde parecia que não existiam e foi a primeira selecção a garantir um lugar na final. 

Lutou e aceitou sofrer perante o Egipto, selecção bem organizada defensivamente e que também sonhava com a final. Sadio Mané vestiu-se de génio e apresentou a solução para uma equação complicada. Depois do golo, o Senegal não mais desacelerou perante um Egipto que lutou até onde o coração aguentou. 

Por um lado a Nigéria com o melhor ataque da prova, por outro o Marrocos com a melhor defesa. Jogo equilibrado, mas com os marroquinos a deixarem o primeiro aviso e os nigerianos responderam à altura. 

Os guarda-redes das duas equipas é que estavam destinados a brilhar. Defenderam tudo quanto era remate. E tudo acabou sendo decidido nas grandes penalidades, onde Bono foi gigante. 

O estádio Prince Moulay Abdellah é o palco escolhido para a batalha dos gigantes na luta pelo título africano.

A derrota do Real Madrid diante do Barcelona na final da Supertaça, no último domingo, foi apenas um dos motivos da demissão de Xabi Alonso do clube madrileno. Mas há mais: a quebra da autoridade demonstrada por Kylian Mbappé no final do jogo, instando os colegas do Real Madrid a não fazerem guarda de honra ao Barcelona, é outro motivo. Fecha-se uma porta e o Real Madrid procura abrir outra… na Alemanha.

A saída de Xabi Alonso do Real Madrid continua a ser tema dominante em Espanha e nas últimas horas surgiu um vídeo no qual se pode ver aquele que terá sido o momento exacto da ruptura do treinador espanhol com o plantel.

Após a derrota na final da Supertaça de Espanha, diante do rival Barcelona (2-3), na Arábia Saudita, o treinador merengue tentou liderar os jogadores para fazerem a guarda de honra aos vencedores, mas viu a sua autoridade ser colocada em causa. 

Como é possível verificar através das imagens captadas a partir das bancadas, Kylian Mbappé decidiu ir contra a decisão de Xabi Alonso e instou os colegas de equipa a abandonarem aquela zona do relvado, contrariando as indicações dadas pelo treinador. 

Mal saiu do palco, onde recebera a medalha de finalista vencido, Mbappé olhou para trás e começou a dirigir palavras para o grupo que se preparava para prestar um gesto de desportivismo para com o Barcelona.

Após uma curta troca de palavras, Xabi Alonso também cedeu às exigências de Mbappé e abandonou o local com uma mão no bolso. 

 

Entre despedidas e silêncio

Curiosamente, Kylian Mbappé foi dos primeiros a reagir ao despedimento de Xabi Alonso, oficializado menos de 24 horas depois do sucedido, deixando uma mensagem de agradecimento nas redes sociais. 

“Foi por pouco tempo, mas foi um prazer jogar para si e aprender consigo. Obrigado pela confiança desde o primeiro dia. Vou recordá-lo como um treinador com ideias claras e muito conhecimento. Muita sorte no novo capítulo”, escreveu o craque francês.

Esta mensagem parece, porém, não combinar com o gesto protagonizado na noite anterior, no qual ficou visível que ignorou as ordens dadas por Xabi Alonso.

Assim sendo, trata-se de mais um sinal claro de que Xabi Alonso não era um treinador consensual no balneário do Real Madrid. De resto, são sete os jogadores que ainda estão em total silêncio desde que fora anunciada a saída do técnico de 44 anos. 

Trent Alexander-Arnold, Éder Militão, Mendy, Jude Bellingham, Vinícius Júnior, Franco Mastantuono e Brahim ainda não se pronunciaram publicamente sobre a troca no comando técnico, agora ocupado por Álvaro Arbeloa. 

Em sentido inverso, Rodrygo, Courtois, Lunin, Dani Carvajal, Camavinga, Gonzalo García, David Alaba, Asencio, Álvaro Carreras, Fran García, Antonio Rüdiger, Huijsen, Valverde, Tchouameni, Arda Güler e Dani Ceballos seguiram o exemplo de Mbappé e quiseram deixar uma mensagem de agradecimento ao agora antigo treinador. 

 

Xabi Alonso também já reagiu 

Por sua vez, Xabi Alonso quebrou o silêncio na manhã desta terça-feira, garantindo sair do Santiago Bernabéu, onde havia brilhado como jogador, com o sentimento de dever cumprido. 

“Concluída esta etapa profissional, que não correu como queríamos. Treinar o Real Madrid foi uma honra e uma responsabilidade. Agradeço ao clube, aos jogadores e, acima de tudo, aos adeptos pela sua confiança e apoio. Saio com respeito, gratidão e orgulho de ter feito o melhor que consegui”, escreveu o técnico espanhol, de 44 anos, que agora fica livre no mercado. 

Xabi Alonso tinha contrato por mais dois anos e meio – ou seja, até Junho de 2028 –, mas chegou a acordo com Florentino Pérez para uma rescisão amigável. 

 

Real Madrid quer Jürgen Klopp para substituir Xabi

O Real Madrid acertou a saída do técnico Xabi Alonso e já nomeou Álvaro Arbeloa como o sucessor. Entretanto, a directoria possui outros nomes em sua lista de desejos para assumir o comando da equipa em breve.

De acordo com Santi Aouna, do portal Footmercato, o presidente Florentino Pérez tem dois nomes na mira: Enzo Maresca, que deixou o Chelsea recentemente e Jürgen Klopp, ex-Liverpool, que se juntou ao grupo Red Bull.

Porém, Klopp é o objectivo dos sonhos do clube e seria a primeira opção de escolha para substituir Xabi Alonso.

Klopp está no grupo do Red Bull como director de futebol e nas últimas horas, foi ligado ao Real Madrid. De acordo com o jornalista Sacha Tavolieri, os dirigentes do clube merengue sabem que o ex-comandante poderia estar interessado nessa possibilidade.

Perdeu a vida, nesta terça-feira, o antigo internacional moçambicano Aly Hassane, vítima de doença. O antigo jogador do Sporting Clube de Portugal, único moçambicano que já defrontou o astro argentino Diego Armando Maradona, esteve internado numa unidade sanitária do país e encontrava-se em coma induzido há alguns dias.

Aly Hassane foi treinador de futebol, com destaque para a Liga Desportiva de Maputo e, mais tarde, comentador da STV, nos programas desportivos como “Ao Ataque” e “Mais Desporto” e nos últimos meses padecia de doença, à qual não resistiu nesta terça-feira.

O futebol moçambicano fica, assim, de luto, pela morte do antigo médio defensivo internacional pela selecção nacional, que marcou uma geração com a sua entrega, disciplina táctica e amor à camisola nacional.

Figura respeitada dentro e fora dos relvados, Ali Hassan é lembrado como um verdadeiro guerreiro do meio-campo, que sempre honrou Moçambique nas competições internacionais.

Nascido a 4 de Junho de 1964, Ali Mahomed Hassane iniciou a carreira no Grupo Desportivo Maputo e, fruto das suas exibições e qualidade, foi chamado para fazer testes no Benfica, mas acabou por assinar pelo Sporting, onde cumpriu duas épocas.

Para além do Sporting (de 1989 a 1991), em Portugal Ali Hassane jogou pelo Vitória de Setúbal (1991/92); Amora (1992/93); Académico de Viseu (1993 a 1995) e Torres Novas (1995/96), tendo posteriormente regressado ao país, onde assumiu as funções de treinador de futebol.

Como treinador, assumiu o comando da Liga Desportiva de Maputo por sete anos, tendo mais tarde treinado o Grupo Desportivo Mahafil.

O CAN 2025 está cada vez mais perto de chegar ao fim, e as meias-finais, a serem disputadas nesta quarta-feira, contam com quatro grandes selecções. Inicialmente entre as favoritas a ganhar a competição, Egipto, Senegal, Nigéria e Marrocos encontram-se na corrida para garantir um bilhete para a final, e prometem uma decisão inédita independentemente do resultado nas ‘meias’.

De um lado o Egipto encontra o Senegal quando forem, 18h00, num duelo equilibrado que promete um espectáculo de futebol. Mohamed Salah comanda os Faraós – maiores vencedores do CAN com sete triunfos, sendo o último em 2010 – na tentativa de conquistar o seu primeiro troféu, terminando a seca de 16 anos do Egipto. Salah tem estado em grande forma neste CAN, somando 4 golos e uma assistência, e tem mostrado que o seu declínio não passa de uma ilusão.

O rei egípcio reencontra um velho amigo nas ‘meias’ com Sadio Mané a defender as cores do Senegal. Ex-companheiros no Liverpool, marcaram uma era na Premier League e agora estão frente a frente no CAN.

O Egipto terá de enfrentar fantasmas do passado para chegar à final, uma vez que em 2021 ficaram em segundo lugar ao perderem… frente ao Senegal.

A outra meia-final marcada para as 21h00, entre os anfitriões Marrocos e a Nigéria, coloca a melhor defesa frente ao melhor ataque. Os Leões do Atlas, em casa ao longo de todo o torneio, apontaram um registo defensivo fantástico – apenas um golo sofrido na fase de grupos –, mas agora enfrentam a máquina de golos da Nigéria.

Um ataque composto por Victor Osimhen e Ademola Lookman, com o apoio da dupla do Fulham, Alex Iwobi e Samuel Chukwueze, tem estado em grande somando 16 golos na competição.

Contudo, Marrocos conta com um dos melhores jogadores desta edição do CAN para chegar à final em casa. Brahim Díaz tem sido decisivo e mostra que a falta de minutos no Real Madrid não é justificada, contando com 5 golos na prova.

Dos dois jogos desta quarta-feira, uma pergunta paira no ar: quem vai chegar à final de domingo?

O internacional moçambicano publicou, nas suas redes sociais, uma carta de despedida que diz ter escrito “com o coração cheio de gratidão, emoção e respeito”.

Reinildo Mandava, que anunciou a sua despedida dos Mambas no último dia da participação da selecção nacional no CAN de Marrocos, no passado dia 05 de Janeiro, decidiu despedir-se de forma mais oficial.

Numa carta aos seus fãs e adeptos moçambicanos, Mandava escreve que “foram muitos anos de entrega total à camisola da nossa Selecção Nacional”, uma jornada que começou quando ainda era um miúdo, “cheio de sonhos e vontade de honrar o nome do nosso país”.

Aos 31 anos de idade (vai completar 32 dentro de alguns dias), o lateral-esquerdo diz reconhecer que ainda tinha muito para dar nos Mambas, olhando para a idade que tem, mas diz também “não tem nada haver com isso, mas sim pela lesão grave que eu tive, e está na hora de ouvir o meu corpo”.

Acrescenta que é chegada a hora de fechar o ciclo que considera bonito e marcante da sua vida.

“Ao longo desta caminhada, vivi alegrias e desafios profundos. Perdi a minha mãe, o meu pilar, numa fase em que o futebol já me levava longe de casa, casei, construí uma família, e hoje sou pai de dois filhos maravilhosos e de uma bebé recém-nascida que me enche o coração de força e responsabilidade. Tudo o que conquistei devo também a eles, porque são o meu maior motivo para continuar a lutar e a inspirar”, escreve.

Com passagens por clubes de Portugal e França, onde conquistou vários títulos e jogou ao mais alto nível, nomeadamente na Liga dos Campeões, Reinildo Mandava  representa agora o Sunderland da Inglaterra. Assume que a lesão que sofreu diante do Real Madrid, ainda ao serviço do Atlético Madrid, foi o motivo que o levou a tomar a decisão de prescindir da selecção para se dedicar ao seu clube.

“Essa lesão mudou muito a minha forma de ver o futebol e a vida. Aprendi que o corpo tem limites e que o tempo nos ensina a escolher com sabedoria, desde então, tenho-me esforçado ao máximo para dividir o meu compromisso entre o clube e a selecção, mas com o passar dos anos tornou-se cada vez mais difícil com a lesão grave que tive as longas viagens entre continentes, voos apertados e os fusos horários, o desgaste físico e emocional”, escreve, realçando que é por amor e respeito pela selecção que decidiu que “é tempo de deixar espaço para os mais novos”.

O jogador formado no Ferroviário da Beira enaltece todo o trabalho que desempenhou ao serviço dos Mambas e salienta que “queria sair de campo com a alma leve, sabendo que dei o melhor de mim ao meu país, e assim o fizemos”.

Destacou ainda as várias homenagens que recebeu ao longo do tempo, com ênfase na Medalha de Mérito Desportivo, “um dos maiores reconhecimentos que um atleta pode sonhar em receber”, mas diz que há memórias que leva sempre consigo: “o hino antes de cada jogo, os sorrisos dos adeptos, os abraços no balneário, as lágrimas das vitórias e das derrotas”.

Por fim, deixou agradecimentos a todos os que contribuíram e o apoiaram nesta passagem pelos Mambas, frisando que “saio com o coração cheio e com a cabeça erguida. Orgulhoso do que vivi, do que conquistei e do que representei”, destacando ainda que continuará a torcer pelos Mambas, agora como adepto.

Reinildo Mandava contabiliza pelos Mambas 54 jogos, dos quais 52 a titular e dois a substituir, tendo alcançado 24 vitórias, 21 derrotas e 12 empates. Ao longo da carreira nos Mambas, marcou cinco golos, sendo o mais destacado apontado diante do Gana no CAN 2024, no último minuto do jogo, que deu o empate a dois golos.

A Federação Moçambicana de Futebol (FMF) anunciou ontem que vai assumir a condução e coordenação das decisões sobre o futuro do campeonato nacional de futebol da primeira divisão (Moçambola), prova que no ano passado  2025 não chegou ao fim.

Através de um comunicado, a FMF explica que tomou a decisão enquanto órgão máximo regulador do futebol nacional, nos termos dos seus estatutos e dos regulamentos internacionais. Na mesma nota, o órgão reitor do futebol moçambicano refere que o contrato de delegação de poderes com a Liga Moçambicana de Futebol (LMF), entidade que organizou as duas últimas edições do Moçambola, assinado em 12 de Março de 2024, cessou os seus efeitos no 31 de Dezembro de 2025.

A FMF indica ainda que o Moçambola 2025, que marcado por suspensão da competição, problemas logísticos e dívidas dos clubes às Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) “foi objecto de uma interrupção repentina e não chegou ao seu termo, mantendo-se, até à presente data, por resolver matérias de elevada relevância e impacto desportivo”, como a atribuição e homologação do título de campeão nacional, as decisões relativas às descidas de divisão e a indicação dos clubes representantes nas competições africanas”, lê-se. 

Nesse sentido e no exercício das suas competências estatutárias, a direcção executiva da FMF liderada por Feizal Sidat deliberou que a o organismo “passa, a partir da presente data, a assumir a condução e coordenação integral do processo, com vista a uma análise aprofundada, responsável e institucional da situação”, lê-se. 

A FMF decidiu ainda criar uma comissão de trabalho, que a instituição lidera e que integrará representantes da LMF e outros intervenientes relevantes, tendo como principais atribuições a análise das circunstâncias e os fundamentos que conduziram à não finalização do Moçambola 2025 e avaliar de forma objectiva e devidamente documentada, as causas financeiras, administrativas, organizacionais e desportivas que estiveram na origem da interrupção da competição.

A referida comissão deverá ainda “analisar o formato competitivo mais adequado para Moçambola 2026 e épocas subsequentes, apresentando propostas e recomendações, tendo em conta a sustentabilidade, a integridade competitiva e a realidade atual do futebol nacional”.

Igualmente, este órgão vai analisar a existência de condições e os respectivos termos para uma eventual renovação do contrato de delegação de poderes com a LMF para a organização do Moçambola 2026.

“A FMF esclarece que lhe cabe, em exclusivo, a apreciação e decisão final sobre todas as matérias objecto de análise, incluindo quaisquer deliberações com impacto desportivo, organizacional e regulamentar, nomeadamente no que respeita à eventual alteração do formato competitivo”, conclui. 

Recorde-se que a Liga Moçambicana de Futebol decidiu, no dia 19 de Dezembro, encerrar a edição de 2025 do Moçambola após 24 das 26 jornadas por dificuldades financeiras e administrativas, confirmando a União Desportiva do Songo como campeã nacional.

Na altura, a  LMF justificou que a decisão resultou da incapacidade de assegurar o pagamento das deslocações aéreas das equipas, sustentando ainda que o fim da época futebolística, a 20 de Dezembro, e o fim dos contratos da maioria dos jogadores, a 30 de Novembro, não permitiam a continuidade da prova.

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