A taxa de desemprego em Angola recua de 31,5%, em 2024, para 21,3% no primeiro trimestre de 2026, uma redução de 10,2 pontos percentuais, segundo dados apresentados, esta quinta-feira, pelo Presidente da República, João Lourenço, durante o discurso sobre o Estado da Nação, na Assembleia Nacional, em Luanda. Apesar da descida, o mercado de trabalho continua marcado pelo desemprego juvenil, pelas desigualdades de género e pelo peso da informalidade.
Ao apresentar o balanço da situação económica e social do país, o Chefe de Estado angolano destacou a evolução dos indicadores do emprego como parte dos resultados alcançados pelo Executivo nos últimos dois anos. A redução da taxa de desemprego representa uma melhoria face ao nível registado em 2024, embora os números disponíveis revelem que o acesso ao trabalho continua a constituir um dos principais desafios da economia angolana.
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), Angola tinha 2.593.206 pessoas desempregadas com idade igual ou superior a 15 anos no primeiro trimestre de 2026. No mesmo período, a população empregada era estimada em 9.562.740 pessoas, enquanto a taxa de emprego se situava em 42,3%.
Os dados oficiais mostram, entretanto, que a descida do desemprego face a 2024 não correspondeu a uma redução contínua ao longo dos primeiros meses deste ano. Comparativamente ao quarto trimestre de 2025, quando a taxa de desemprego se fixou em 20,1%, o indicador aumentou 1,1 ponto percentual no primeiro trimestre de 2026. O número de pessoas desempregadas cresceu 15,5%, correspondendo a mais 347.311 indivíduos.
O desemprego juvenil continua a ser uma das principais preocupações do mercado de trabalho angolano. Segundo o INE, a taxa de desemprego entre os jovens dos 15 aos 24 anos atingiu 40,7% no primeiro trimestre de 2026, um nível significativamente superior à taxa geral da população.
A situação evidencia as dificuldades de inserção profissional enfrentadas pelos jovens, num contexto em que a procura por oportunidades de trabalho exige respostas que articulem formação, qualificação profissional e criação de postos de trabalho.
As estatísticas revelam igualmente diferenças entre homens e mulheres. No primeiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego feminina situou-se em 23,4%, contra 19,3% entre os homens. A taxa de emprego também foi superior no grupo masculino, fixando-se em 45,6%, enquanto entre as mulheres atingiu 39,2%.
Para além do número de pessoas sem trabalho, a qualidade do emprego constitui outro desafio para a economia angolana. A elevada informalidade limita o acesso de muitos trabalhadores à protecção social e a condições laborais estáveis, tornando necessária a expansão de oportunidades formais e sustentáveis.
Em Agosto deste ano, a ministra da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, Teresa Rodrigues Dias, anunciou que Angola registou mais de 774 mil empregos formais entre 2023 e o primeiro semestre de 2026. Na mesma ocasião, a governante reconheceu a necessidade de reforçar a criação de empregos dignos, sustentáveis e acompanhados de protecção social.
Os dados relativos a 2025 indicavam que cerca de 77,7% da população empregada se encontrava na economia informal, realidade que continua a colocar pressão sobre as políticas públicas destinadas à formalização das actividades económicas.