Skip to main content

O País – A verdade como notícia

A música moçambicana está de luto. Morreu, na noite desta quarta-feira, Salimo Muhamad. O autor de “Mamana Maria” e “Sambrowera fandango” estava internado no Hospital Central de Maputo há mais de uma semana.

Domingos Simeão Mazuze Júnior é o seu nome de registo, tendo passado a ser chamado Salimo Muhamad quando se converteu ao Islão. Nasceu a 13 de Agosto de 1948, em Xai- Xai, Gaza, e completaria, dentro de dias, 76 anos de idade.

Desde novo que revelou interesse pela música, mas foi nos anos 1970, cumprindo o serviço militar na Força Aérea, em Portugal, que fez as suas primeiras gravações. E depois seguiram vários discos.

De regresso ao país, em 1974, Salimo Muhamad passou a actuar, inicialmente, com o seu irmão Alexandre Mazuze, uma colaboração que durou até 1977, quando foi detido e conduzido ao campo de reeducação, em Bilibiza, Niassa. Ali eram mantidos os que as autoridades da época consideravam subversivos.

Novamente em Maputo, finda a punição em Niassa, na década de 1980, forma, com Pedro Langa e outros artistas, o grupo Xigutsa Vuma, que dura pouco, mas marca a produção da chamada música ligeira moçambicana.

Entre as suas canções, abarcando temáticas de amor, crítica social ou activismo político, contam-se “Mamana Maria”, “Bilibiza”, “Xantima ibodlela”, “Magubane”, “Gungula nhautomi”, “Sambrowera fandanga”, entre outras.

A canção “Xantima ibodlela”, tida como apelo à reconciliação, gravada na década de 1980, em plena guerra civil em Moçambique, foi banida das emissões de rádio. Nela, o cantor convidava as partes em guerra (Frelimo e Renamo) a trocarem as armas pelo diálogo, o que veio a acontecer em 1992, em Roma, depois de um milhão de mortes e muita destruição.

O amante da música via no país muito talento, mas pouco investimento.

Além de cantar, Muhamad, que era também formado em pintura decorativa, foi actor de cinema, com participação na longa-metragem Tempo dos Leopardos, uma produção de 1985.
Na política, Salimo Muhamad foi deputado da Assembleia Municipal da Matola, como membro do partido MDM.

A poestisa e activista social Énia Lipanga vai participar, neste Agosto e em Setembro, em várias actividades artísticas no Brasil. A autora de Ensaios da partida espera promover a sua obra e a arte moçambicana naquele país.

Há alguns anos que Énia Lipanga alimenta esse desejo de levar o seu trabalho ao Brasil. Nada por acaso. O país de Machado, Caetano e Senna… o país de Elis, Bethânia e Rebeca sempre acolheu a arte da poetisa moçambicana com entusiasmo. “Com a chegada das redes sociais, comecei a perceber um aumento significativo no consumo dos meus escritos por leitores brasileiros. Recebi diversos convites ao longo do tempo, mas sempre quis fazer uma viagem completa, onde pudesse interagir de forma mais profunda com partes do Brasil, onde já sinto que tenho raízes”, Gracejou.
Com naturalidade, surgiu o convite da Secretaria de Cultura, Artes e Esportes da Universidade Federal de Santa Catarina, como que um impulso que, afinal, a poetisa precisava. “Alinhado à minha vontade e à disponibilidade de tempo, decidi aceitar este convite e aproveitá-lo para unificar outros convites que já tinha recebido anteriormente”.

Com efeito, neste mês de Agosto e em Setembro, Énia Lipanga vai, finalmente, realizar a sua primeira digressão internacional no Brasil, designadamente, em São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Santa Maria e Boa Vista. O pretesto, para o efeito, é “Composta de Ti(s)”, que é o conceito da digressão que pretende levar uma série de eventos que misturam poesia, activismo e trocas culturais.

No Brasil, começando por São Paulo, Énia Lipanga será recebida por poetisas feministas numa sessão que inclui roda de conversa com a União de Mulheres de São Paulo, abordando o tema “Arte que salva” e o sarau cultural “Palavras são palavras, já conhecido em Maputo”.

No Rio de Janeiro, a marca GDarkestampas apresentará uma amostra da colecção de roupas “Sou África”, criada em homenagem à escritora em 2018. E não se ficará por aí. A activista também vai apresentar, em Niterói, uma edição especial do sarau “E quando me tornei corpo?” e participar numa conversa na Universidade Federal Fluminense. “Um dos destaques desta viagem poderá ser o encontro à porta fechada com a renomada escritora Conceição Evaristo, onde ambas partilharão as suas experiências e perspectivas sobre literatura e activismo”, lê-se na nota de imprensa sobre a digressão.

Em Florianópolis, Énia Lipanga tem agendados eventos na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), vai ministrar uma palestra sobre as vozes femininas moçambicanas e, numa nova sessão de “E quando me tornei corpo?”, o sarau da poetisa vai contar com a participação especial da escritora Eliane Debus.

Por fim, na Boa Vista, Énia Lipanga fará uma conversa sobre os seus livros e sobre o que julga ser moçambicanidade. Nesse caso, a artista pretende proporcionar uma oportunidade de os brasileiros conhecerem mais a sua obra e as perspectivas culturais nacionais.

A propósito de se dar a conhecer no Brasil, Énia Lipanga afirma o seguinte: “Espero ampliar a minha voz num país onde Moçambique ainda é pouco conhecido. Desejo que esta digressão sirva como uma ponte cultural, onde possa partilhar a riqueza da poesia moçambicana e, ao mesmo tempo, aprender e interagir com os poetas e escritores brasileiros. Já colaborei com alguns deles em antologias e outros projectos, mas esta será a primeira vez que teremos a oportunidade de nos encontrar pessoalmente e trocar experiências de forma mais directa”.

De igual modo, Énia Lipanga espera que a viagem reforce a importância da literatura como ferramenta de activismo social, especialmente em questões de género e direitos humanos. A artista quer que o público brasileiro conheça mais sobre as lutas e conquistas das mulheres moçambicanas e como a poesia pode ser um meio poderoso de resistência e transformação. E garante: “Levo comigo a minha poesia livre, erótica e de intervenção social. Levo a minha africanidade e moçambicanidade. Estou ansiosa para partilhar a beleza e a profundidade da nossa cultura através dos meus escritos e das performances que farei”.

Énia Lipanga tem a ideia de implantar o sarau cultural “Palavras são palavras” no Brasil. Por isso mesmo, quer tratar de explorar essa possibilidade.

Não menos importante, a poetisa e activista pretende, com a digressão no Brasil, trazer de volta uma bagagem repleta de novas experiências, conhecimentos e amizades. Quer aprender com os poetas e escritores brasileiros, absorver a diversidade cultural do Brasil e trazer essas influências para o seu trabalho. “Acredito que esta troca enriquecerá a minha perspectiva e a minha arte, proporcionando-me novas inspirações e ideias para futuros projectos. Espero também fortalecer os laços entre os movimentos de poesia e de mulheres dos dois países, criando uma rede de apoio e colaboração que possa perdurar para além desta digressão”.

 

Às 19 horas de hoje, a Sala Grande do Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM) será o palco de uma celebração da diversidade e inclusão com a apresentação da performance “Queer Scenes”, dirigida e coreografada por Yuck Miranda.

Produzida pela ULAYO – Plataforma Queer, e apoiada pelo Institut Français, a performance explora a Xitchuketa e outras danças tradicionais moçambicanas, oferecendo uma plataforma para a troca de memórias e experiências e abrindo espaço para uma discussão sobre as “cenas queer” em Moçambique.

Além dos movimentos corporais, a performance incorpora a utilização de instrumentos musicais, e contará com a participação especial do músico Radjha Ally, que enriquecerá o espectáculo com a sua voz.

“Queer Scenes”, de Yuck Miranda, evoca uma nostalgia para aqueles familiarizados com as danças de bairro e os espaços periféricos, ao mesmo tempo que oferece uma interpretação contemporânea da expressão queer no país.

Yuck Miranda é um actor e performer moçambicano cujo trabalho abrange representação em cinema/TV, teatro, música, movimento, dança, coreografia, realização e ensino. Unindo versatilidade e experiência na realização, performances centradas no corpo e na sua expressão através do movimento, e facilitação de diálogos complexos, cria obras que defendem os direitos LGBTQIA+ e das crianças. A sua pesquisa centra-se em figuras queer que existiram antes, durante e depois do colonialismo na África Subsaariana, próximas das suas experiências como pessoa queer no mundo.

Esta quarta-feira, às 18 horas, a Fundação Fernando Leite Couto (FFLC), na Cidade de Maputo, vai inaugurar a exposição “Fragmentos da vida II”, de Titos Pelembe.
Podendo ser visitada até dia 31 deste mês, a exposição reúne obras concebidas por diferentes técnicas, entre a pintura em tela, até às esculturas em cerâmica e papel.
De acordo com a FFLC, “Fragmentos da Vida II” realiza-se na sequência da primeira exposição que teve lugar em Agosto de 2018, no mesmo espaço.

Na nova mostra, explorando temas actuais, Titos Pelembe usa diferentes abordagens técnicas, diversos materiais e conceitos inovadores, criando formas com consistência e precisão que lhe atribuem um perfil contemporâneo, mas também, tradicionalista. “Os diferentes materiais desde os processos de transformação natural do barro à cerâmica, a pintura e até a (re)utilização de resíduos em forma de pasta de papel ou pedaços de plástico, todo este ciclo, contempla o meu percurso, actual estágio criativo e um pensamento crítico e curatorial partilhado por este meio”, afirma Titos Pelembe, em nota de imprensa.

Na mesma nota, a curadora Yolanda Couto avança que nas obras em exposição encontra-se o “presente e o passado” e recorda, “A cerâmica, que tem em Moçambique uma longa tradição, é uma das modalidades das artes visuais que volta aqui a assumir um importante papel”.

“Através de máscaras e esculturas figurativas que antes apareciam ligadas a elaboradas cerimónias e costumes que guiavam a sociedade, hoje, os artistas apropriam-se desses valores para os modernizar. Nesta exposição multidisciplinar e nesta etapa importante do desenvolvimento da sua vida de artista, a diversidade cultural e histórica em Moçambique reflecte-se nas formas de expressão temperadas de exigente consciência oficinal e moldadas pelo olhar do investigador”, diz Yolanda Couto.

Titos Pelembe nasceu em 1988, em Maputo. É artista multidisciplinar e curador investigador independente. Doutorando em Educação Artística, Mestre em Arte e Design para o Espaço Público e graduado no curso de Especialização em Design de Tecnologias para a Saúde pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Licenciado em Artes Visuais pelo Instituto Superior de Artes e Cultura, graduado nos cursos médios de Cerâmica e Formação Psicopedagógica pela Escola Nacional de Artes Visuais (Maputo). Membro activo do Colectivo de Investigação ID – Identidades (Porto). Realizou estágio de curadoria na Fundação Calouste Gulbenkian e na Escola de Artes da Universidade Católica do Porto (2022).

 

O estilista Nivaldo Thierry considera que a internacionalização da moda moçambicana permite abrir janelas para o desenvolvimento da economia criativa nacional com ganho a curto, médio e longo prazo.

O estilista acredita que a exposição internacional de produtos moçambicanos permite grande fluxo de vendas e cria espaço para a procura por artigos de moda Made in Mozambique. O conceituado estilista fez estas considerações a quando da sua participação na CPLP Fashion Week 2024(CPLPFW), Portugal.

A semana da moda dos países falantes da língua portuguesa teve lugar no Hotel Real Palácio, em Lisboa, e foi corporizada por desfile principal, palestras e talks com várias personalidades. Houve também o “Fashion Business Connect”, um espaço que visava a valorização e integração de empreendedores e pequenos negócios no próprio evento, com o intuito de dar mais abertura a novos mercados, quebrar tabus sobre o segmento e inserir pequenos negócios no maior evento de moda da comunidade de países de língua oficial portuguesa.

Segundo uma nota de imprensa, Thierry não só usou o espaço para exibir as suas criações, mas para dialogar sobre a moda e mostrar o conceito moçambicano sobre produção e economia do sector.

Para o estilista, carregar a bandeira de Moçambique para o evento constituiu uma grande responsabilidade pelo facto de Moçambique ter um mercado vasto da moda, mas, sobretudo, porque mais uma vez o espaço foi útil para exibir as novas tendências da moda moçambicana e mostrar através de troca de saberes e peças de vestuário, a evolução que o País tem estado a alcançar no campo da moda. “Queremos continuar a trabalhar a favor da indústria da moda em Moçambique. Estar num dos mais prestigiados eventos dos países falantes de língua portuguesa é encorajador e sinónimo de que as marcas moçambicanas têm espaço no mercado internacional. A marca Nivaldo Thierry representou com honra a nossa pátria amada”, disse o estilista.

De acordo com a organização do evento, a semana da moda dos países da CPLP tem como principais objectivos divulgar o trabalho dos criadores, unir sinergias na divulgação da produção de moda nos países da CPLP, internacionalizar os desfiles e fomentar novos negócios.

O evento tenciona igualmente criar uma experiência interactiva e imersiva que não apenas diverte, mas também educa os participantes sobre a importância da moda sustentável e da tecnologia na criação de uma indústria da moda mais responsável e ética.

O CPLPFW é um evento anual, que reúne estilistas e marcas de dos países de língua portuguesa, super modelos, celebridades, convidados e importantes compradores do universo fashion, e realizou-se neste princípio de Agosto.

A nona edição do Festival Nacional de Hip-Hop “Punhos no ar” vai arrancar às 15h do próximo sábado, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, na Cidade de Maputo. Desde a sua criação em 2016, fruto da colaboração entre a Nexta Vida Entertainment, o Café Bar Gil Vicente e o Centro Cultural Franco-Moçambicano, o festival tem sido um pilar fundamental na promoção do Hip-Hop nacional.

Para este ano, pela primeira vez, todas as 11 capitais provinciais do país, incluindo alguns distritos, estarão unidas para a maior festa de Hip-Hop nacional.

“Com uma programação repleta de artistas revolucionários, o evento promete elevar a cultura urbana a novos patamares, contando com apresentações musicais, batalhas de freestyle e demonstrações de graffiti”, avança a nota de imprensa.

Dentre os vários rappers agendados para esta edição, destacam-se Flash Enccy, Konfuzo412 e Denny OG (Matola); Dygo Boy, Trez Agah, Hernani, Gina Pepa e Khronic (Maputo); 2Head (Nampula) e Stupa Serious (Quelimane).

O evento não só enaltece a cultura Hip-Hop, mas também promove a integração e o intercâmbio entre fãs e praticantes de todas as províncias do país.

No próximo dia 24 deste mês de Agosto, Venâncio Calisto vai estrear “O casal Palavrakis”, no Teatro Avenida. Na Cidade de Maputo, o espectáculo teatral será apresentado até dia 31 de deste mês. Já em Setembro, entre 20 e 25, o espectáculo será apresentado na Beira. De 26 a 27 de Setembro, o espectáculo será visto no Chimoio e, finalmente, entre 1 e 9 de Novembro será apresentado em Cabo Verde.

“O casal Palavrakis” é um drama da autora espanhola Angélica Liddell, que conta a turbulenta vida conjugal de Elsa e Matteo. Os dois foram vítimas de maus-tratos, na infância, e vivem um em função do outro, principalmente depois que tiveram a filha assassinada. O mundo é cruel. O trauma é do tamanho do abismo que se repete.

“Em ‘O casal Palavrakis’ nos deparamos com o quotidiano de Elsa e Mateo Palavrakis, que nos chega por via de uma narrativa fragmentada que avança e recua no tempo. Uma voz em off, um narrador como um deus tece e destece a trajectória do jovem casal, que, enquanto tenta vencer um concurso de dança, precisa lidar com a responsabilidade do nascimento de sua primeira filha”, lê-se na nota de imprensa, na qual se destaca, igualmente, que “Pouco a pouco, o público é introduzido numa atmosfera de violência e de pesadelo, em que já não se pode mais fugir”.

No espectáculo “O casal Palavrakis”, Venâncio Calisto desafia-se a estabelecer uma narrativa que dialoga com a realidade moçambicana actual e as questões universais presentes num drama contemporâneo e cuja força reside na denúncia da condição humana. “Em termos formais, estamos diante de uma releitura de “O casal Palavrakis”, num exercício de dramaturgia experimental, cuja escrita resulta do trabalho cénico, os actores e o encenador/dramaturgo no contacto com o palco buscam um discurso que seja a ponte entre o texto original e a multiplicidade de interpretações que a sua realização hoje em Moçambique implicam, o que resulta na versão “O casal Palavrakis ou os leprosos”, lê-se na nota de imprensa.

Referindo-se ao contexto de produçao, Venâncio Calisto avança que, “Em 2017, por intermédio de António Cabrita, na época meu professor de Dramaturgia, na ECA, e grande agitador da poesia que me impelia a responder com o engenho do belo à nossa precariedade social e humana, li, pela primeira vez, Angélica Liddell. A sua Trilogia do Infinito era precisamente a tradução perfeita da nossa aterradora condição existencial. O mundo sombrio e caótico habitado pelos seus personagens correspondia à nossa desolação diária. A dramaturgia da Angélica Liddell chegou-me como soco inesperado, fiquei num estado de espanto, do qual nunca mais me recuperei e ainda bem, e isso serviu-me de impulso para a levar aos palcos de Maputo e Beira, uma parte da obra desta grande voz do teatro contemporâneo. Para essa primeira emprestada cénica de Angélica Liddell, em Moçambique, escolhemos ‘O casal Palavrakis’ , na época interpretado por Assucena Daniel e Sidónio Mondlane”, disse o encenador, acrescentando: “Hoje, passados sete anos, e quase cinco da minha errância por outros mares, regresso a este lugar de partida. ‘O casal Palavrakis’ volta a acontecer em Maputo, desta vez com outros protagonistas, mas com a força do espanto inicial”.

A propósito de protagonistas, a interpretação do espectáculo foi confiada a Lizha Fox e Adelium Castelo, com cenografia de Coisas de Madeira e Tal, apoio a figurinos de Henriqueta Macuácua e criação de luz de Phaira Balói.

De acordo com a mesma nota de imprensa, a criação do espectáculo “O casal Palavrakis” marca a estreia em Moçambique do Movimento de Teatro da Experimentação dos Sentidos (TES), um colectivo artístico multidisciplinar que surge em resposta à problemática da fome num mundo em constante convalescença. Criado em 2020, no auge da pandemia da COVID-19, por um colectivo de artistas multidisciplinares e oriundo de diferentes países da CPLP.

 

SOBRE O ENCENADOR
Venâncio Calisto nasceu a 08 de Julho de 1993. É actor, encenador e dramaturgo. Formou-se em Teatro pela Escola de Comunicação e Artes, da Universidade Eduardo Mondlane, e é mestre em Teatro, especialidade em Teatro e Comunidade, pela Escola Superior de Teatro e Cinema, Instituto Politécnico de Lisboa.

Com um percurso teatral que passa por Moçambique, Brasil, Itália, França e Portugal, dedica-se à encenação e à escrita para a cena enraizada no teatro experimental e na criação colectiva. É fundador e director artístico do Movimento de Teatro da Experimentação dos Sentidos. Colaborou com o Teatro Nacional Dona Maria II, na criação da peça Viagem Por Mim Terra, no âmbito da Odisseia Nacional (2023). Foi assistente de encenação do espectáculo “As areias do Imperador”, de Mia Couto, com encenação de Victor de Oliveira (2023). Estagiou no Teatro de Odéon em Paris e no Festival d’Avignon, como assistente de encenação em La Cerisaie de Anton Tchekov, uma encenação de Tiago Rodrigues (2021).

Publicou os seguintes livros: |Teatro| – “Nas Traseiras do Horizonte” (Edição de autor, 2023), “Dentro do estômago do mundo|dentro do vazio, para ser mais exacto” (Edições Húmus, 2022); “O alguidar que chora ou a história das pedras que falam” (edição de autor, 2020, Húmus, 2021, Exclamação, 2023 e Cavalo do Mar, 2023), |Literatura Infantojuvenil| – “O embondeiro e a cobiça do senhor Hiena” (Fundza, 2021); “A aldeia dos Cajueiros mágicos, O Artesão e os macacos malabaristas e O Cão, a Lebre e o Pássaro” (colecção Ler para Começar da AIDGLOBAL, 2022).

Participou nas antologias: “Contos e crónicas para ler em casa – Volume I” (Literatas, 2020) e “Idai – marcas em verso e prosa” (Gala Gala Edições, 2020). Em 2018, foi distinguido com o Prémio de Artes e Cultura da Mozal, na Categoria de Teatro, e ficou em Primeiro Lugar no concurso de poesia Ponte Maputo-Ka Tembe, promovido pelo Centro Cultural Moçambicano Alemão (CCMA).
Actualmente é professor de Dramaturgia na Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo.

 

 

Dez países africanos tiveram casos de varíola dos Macacos este ano, com destaque para a República Democrática do Congo, que tem mais de 10 mil casos. O vírus letal tende a aumentar em África, alertam as autoridades da Saúde.

A República Centro-Africana foi a primeira a confirmar um novo surto na segunda-feira, passada, que já se estende à sua capital Bangui.

Na quarta-feira, o Ministério da Saúde do Quénia disse ter detectado a infecção da varíola dos macacos num passageiro que viajava do Uganda para o Ruanda, num posto fronteiriço no sul do país, o que coloca em alerta as autoridades sanitárias africanas, que afirmam que um único caso é suficiente para declarar-se surto da doença.

Os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças avançam que o vírus já foi detectado em 10 países africanos, este ano, e que os casos aumentaram em mais de 160%, o que pode vir a piorar devido à falta de tratamento e vacinas eficazes no continente.

Dos mais de 14 mil casos notificados ao CDC África, mais de 96 por cento destes ocorreram na República Democrática do Congo, onde também houve mortes. Ou seja, este país é o mais atingido, estando agora com mais de 10 mil casos registados, incluindo 450 mortes.

“Metamiserismo – uma nova escola literária” é o título do livro de Deusa d’África e Dom Midó das Dores, que será lançado no próximo dia 08 de Agosto, pelas 17h30, no Camões, Centro Cultural Português, em Maputo.

Escrito a quatro mãos, “Metamiserismo – uma nova escola literária” é um livro que é publicado sob a chancela da Alcance Editores, contando com o prefácio do ensaísta e professor universitário Sávio Freitas. Já a apresentação, no Camões, será feita pelo ensaísta Francisco Noa.

Segundo uma nota de imprensa, “‘Metamiserismo’ é uma proposta de reflexão impactante, de autoria de Deusa d’África e Dom Midó das Dores, a que estes dois poetas erguem a possibilidade de reconstrução da sociedade. Descrevem o caos que afecta a humanidade, por via de pandemias, guerras, crimes ambientais, neocolonialismo invasor, novas ditaturas, feminicídios, racismos, homofobia, transfobia, negacionismos, necropolítica”, acrescenta a nota: “Estes poetas representam uma fase neo-combate na literatura moçambicana. Esta fase surge para reivindicar o lugar de uma literatura de protesto estético e ideológico frente aos novos rumos de discussão que a arte vem tomando no mundo e cada vez mais hasteando uma bandeira de humanitarismo”.

Os auto-designados “Poetas Metamiseristas”, Dom Midó das Dores e Deusa d’África, avança a nota de imprensa, entregam uma colectânea de poesias que fazem (re) pensar temas por demais polêmicos se tratando da cartografia de escrita literária moçambicana de uma fase neo-combate.

Assinando em autoria, os autores inauguram o que acreditam ser a possibilidade de humanitarismo literário que se constrói por quatro mãos e duas mentes insatisfeitas com o sistema político machista, opressor e desumano que torna escatológica qualquer forma de viver que esteja fora do padrão.

A colectânea de poemas Metamiserismo não só continua o trabalho da Associação Xitende, para além disso, recupera a fase nacionalista moçambicana ao ponto que representa a voz de uma colectividade de artistas que, sob ritmo do xitende, traz à baila a voz de tantos ancestrais invisibilizados pelo memoricídio de uma colonização sangrenta, desumana e oportunista. Uma colonização que continua sendo reproduzida por um neocolonialismo opressor e sistematizador de classes, de raças e de género, lê-se na nota de imprensa.

Para os autores, “o metamiserismo nasce da constatação axiológica de que a miséria do Homem moçambicano vem de dentro. Não é possível combater a miséria sem uma fenomenologia do Homem moçambicano. A disposição espiritual do Homem moçambicano determina a sua acção material e nessa dialéctica podemos ver a desgraça, a indigência, a corrupção material e moral, a aculturação e a promoção das perversões como uma cultura de tudo dependente ou é consequência da miséria espiritual”.

Sobre os autores

Dom Midó das Dores é Doutorando em História de África Contemporânea pela Universidade Pedagógica, Mestre em Ciências Políticas e Estudos Africanos, Licenciado em Relações Internacionais e Diplomacia. Nascido a 05 de Fevereiro de 1978, em Xai-Xai. É Autor do romance editado pela Índico Editores, em 2009, intitulado “A Bíblia dos pretos”. Em 2000, Dom Midó venceu o prémio literário Teatro Rádio Fónico da Rádio Moçambique. Docente na universidade Pedagógica, foi Deputado na Assembleia da República, foi Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Xai-Xai e é Administrador do Distrito de Mandimba. É co-fundador do Núcleo Literário Xitende. Actualmente ocupa o cargo de Revisor e Conselheiro da Associação Xitende.

Tem publicações em revistas nacionais e internacionais. Tem textos antologiados pela Editora de Letras “Vozes do Hiterland”, em 2015, antologiado na Espanha em “Galiza-Moçambique: Numa Linguagem e Numa Sinfonia”, em 2016, foi antologiado em 2020, pela Xitende, em “Fique em Casa, Amor!” e “19 Cartas para Covid19”.

Deusa d’África é Mestre em Contabilidade e Auditoria e mestranda em Língua Portuguesa Aplicada ao Ensino. Docente na Universidade Save e Contabilista do Fundo Global – Malária. Possui textos (prosa, ensaios e poesia) publicados na imprensa nacional e estrangeira.

Coordenadora-Geral da Associação Cultural Xitende, curadora do Festival Internacional de Poesia, de saraus culturais, feiras de livro, concursos de poesia, palestras escolares, semanas literárias, oficinas de escrita e mentora do projecto Círculo de Leitores, desde 2011. Viu alguns dos seus trabalhos traduzidos para sueco, inglês e mandarim.

É autora de seguintes obras: “A Voz das minhas entranhas” (poesia), editada pelo FUNDAC, em 2014; “Equidade no Reino Celestial” (romance), pela Editora de Letras, em 2014; “Ao encontro da vida ou da morte” (poesia), pela Editora de Letras, em 2014; “Cães à estrada e poetas à morgue’’, pela Alcance Editores, em 2022, e “Uma onça na cidade”, pela Alcance Editores, em 2023;

Foi distinguida pelo Governo Provincial de Gaza, como Personalidade do Ano, 2016, em reconhecimento do seu patriotismo e pela sua contribuição no desenvolvimento e promoção das artes e cultura.

Em Março de 2017 representou Moçambique no Festival Literário de Macau.

Escreveu o hino para o Festival Nacional de Jogos Escolares e Desportivos em Moçambique em 2017. É membro do Conselho Editorial da Revista Kilimar.

 

 

+ LIDAS

Siga nos

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE