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O País – A verdade como notícia

No próximo dia 2 de Dezembro, a partir das 15 horas, o escritor Adelino Timóteo irá lançar o seu mais recente livro na Livraria Castro e Silva, em Lisboa, Portugal.
Intitulado “Jorge Jardim – o ano do adeus ao ultramar”, o autor pretende fazer do livro um farol, com material inédito, buscando iluminar os acontecimentos do pós-25 de Abril de 1974, assim como o episódio trágico de 7 de Setembro, em Lourenço Marques, do mesmo ano.

Com enfoque no Engenheiro Jorge Jardim, trata-se, segundo uma nota de imprensa, de um ângulo inédito e distinto de contar também sobre os derradeiros momentos da luta armada de libertação e os demais acontecimentos que lhe sucederam, vinculando-o a uma tentativa humana e de redenção de se acercar à FRELIMO, através do «Programa de Lusaka», com que buscava evitar a debandada de 250 mil brancos de Moçambique.

Debaixo da lenda desta personalidade e com informação devidamente contextualizada, o autor esmiuça os factos, que marcaram o fim do Ultramar português e a emergência de um novo conflito, debaixo da consigna da guerra fria.

“Afamado como uma das mais ímpares e insignes personalidades da África Austral, purgado pela Junta de Salvação Nacional, dos capitães de Abril, Jorge Jardim, tratado como um monstro, esgrime os seus argumentos, mas não consegue impor o seu plano em cima da mesa, no tratado de Lusaka. Daí resvala-se para um plano secundário e assiste desencantado o processo dramático e trágico da descolonização desde a periferia.

Cinquenta anos depois, olhando para o pensamento de Jorge Jardim, é possível depreender que, mais do que votar-lhe ao ostracismo e ao tabu, Jorge Jardim foi um nacionalista, que pretendeu contribuir com o seu pensar particular, que mantivesse a dignidade da maioria e dos derrotados, numa harmonia comum, sem se ferirem uns aos outros”, lê-se na nota de imprensa.

No seu livro, ao desenterrar o perfil de um homem complexo, de acordo com a sinopse, pretensamente anti-racista, com as suas contradições e partes encantadoras, como todos os seres humanos comuns, o autor oferece a oportunidade de se esgravatar sobre a documentação e testemunhos interessantes de uma figura enigmática, esclarecendo sobre os momentos que mediaram a morte de Eduardo Mondlane, com isto demonstrando que a história é um processo dinâmico, em permanente construção.

“A relevância de documentar com intensidade esse período de ouro da história contemporânea é um serviço à Nação”, assume Adelino Timóteo.

Sobre o autor

Adelino Timóteo nasceu a 3 de Fevereiro de 1970, na Beira. É formado na área de docência em Língua Portuguesa, mas não exerceu a profissão. Ingressou no Jornalismo em 1994, na cidade da Beira, no Diário de Moçambique, e, mais tarde, tornou-se correspondente do semanário Savana, na mesma cidade. É licenciado em Direito e exerce a função de jornalista no semanário Canal de Moçambique. Além disso, é artista plástico e já realizou várias exposições individuais de artes, em Moçambique e no estrangeiro. Obras publicadas, entre poesia, romances e biografias: · Os segredos da arte de amar. Maputo: AEMO, 1998. · Viagem à Grécia através da Ilha de Moçambique. Maputo: Ndjira, 2002. · A fronteira do sublime. Maputo: AEMO, 2006. · Mulungu. Maputo: Texto, 2007. · A Virgem da Babilónia. Maputo: Texto, 2009. · Nação pária. Maputo: Alcance, 2010. · Na aldeia dos crocodilos. Maputo: Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa; Barcelona: Fundació Privada Contes pel Món, 2011. · Dos frutos do amor e desamores até à partida. Maputo: Alcance, 2011. · Não chora Carmen. Maputo: Alcance, 2013. · Nós, os do Macurungo. Maputo: Alcance, 2013. · Livro Mulher. Maputo: Alcance, 2013. · Apocalipse dos predadores. Lisboa: Chiado, 2014. · Corpo de Cleópatra. Maputo: Alcance, 2016. · Os oito maridos de Dona Luíza Michaela da Cruz. Maputo: Alcance, 2017. · Os últimos dias de Uria Simango. Maputo, 2018. · Na aldeia dos crocodilos. Contos de Moçambique, v. 7. São Paulo: Kapulana, 2018. · Os últimos dias de Uria Simango. Maputo, 2018. · Volúpia da pedra. Maputo, 2018. · Afonso Dhlakama – a longa luta em defesa da democracia. 2019 . O Feiticeiro Branco, 2020 .

A Khuzula expande actividades da Incubadora de Negócios Culturais e Criativos, a X-Hub, no âmbito do projecto Advers arts, subvencionado pela embaixada dos Estados Unidos da América em Moçambique e que está a ser implementado na província de Cabo Delgado, com principal incidência na casa Provincial de Cultura e no Distrito de Metuge.

Como forma de expandir actividades da X-Hub, a Khuzula encontra-se a implementar acções de apetrechamento de salas de formação em iniciação artística, onde serão leccionadas disciplinas como dança, artes visuais e música e um estúdio de gravação de conteúdos áudios visuais, com particular enfase na produção de músicas, podcasts, radionovelas e voz offs, audiobooks.

O projecto implementado pela Khuzula inclui igualmente uma académia móvel que levará sessões formativas às comunidades do Distrito de Metuge, local que acolhe deslocados do terrorismo.

Nos aspectos atinentes aos programas de incubação, a Khuzula, por intermédio da X- Academy, iniciativa da X-Hub, desenvolveu módulos de iniciação artísticas destinadas às disciplinas de dança, artes visuais e música, onde experts na matéria participaram com intuito de tornar as formações realística para as comunidades locais, garantindo, deste modo, uma implementação acessível e eficaz em Pemba.

Com a expansão da X-Hub para Cabo Delgado, perspectiva-se a criação de um segmento que facilitará a solidificação de mercados e negócios da indústria criativa, direccionados aos criativos da província para que conheçam e alcance nos nichos de negócios.

Como segmento de suporte, a X-Hub almeja potencializar a indústria com a produção de conteúdos audiovisuais para efeitos de distribuição em diversas plataformas nacionais e internacionais de streaming, criação de lojas virtuais de venda de artes visuais, edição e publicação de obras literárias e prestação de assessoria empresarial e artística.

Estão previstas diversas iniciativas no âmbito do projecto Advers Arts, subvencionado pela Embaixada dos Estados Unidos da América e implementado pela Khuzula, sessões de terapia artística, workshops de expressão criativa, formações em iniciação artistica, realização de espectáculos culturais e exposições de arte.

A implementação deste projeto de caráter social, cultural e de apoio psicológico tem duração de 18 meses. A Khuzula está comprometida em garantir que o projeto atenda às necessidades culturais específicas das comunidades e que haja um envolvimento activo dos membros locais em todas as etapas do processo para que assim se promova o crescimento da economia criativa na província e na região.

A Khuzula é uma empresa vocacionada em produção de eventos, desenvolvimento e agenciamento de artistas, edição de obras literárias, comunicação e consultoria em projectos criativos. No leque das iniciativas que a Khuzula tem levado a cabo, destaca-se a instalação da primeira incubadora de Negócios culturais e criativos- XHUB, a produção do Festival Azgo, por sinal o maior festival internacional de artes que é realizado na cidade e província de Maputo, anualmente, e no âmbito da décima edição, foram criados dois murais onde um homenageia os icónicos músicos nacionais fixado nos pilares do viaduto Alcântara Santos e o segundo resulta de uma residência artística sobre a cidade de Maputo, que juntou cerca de 7 artistas plásticos nacionais e inaugurado a 10 de Novembro de 2023, no âmbito das festividades do dia da cidade das acácias.

Numa outra perspectiva, a Khuzula dedica-se no pleno desenvolvimento das artes e seu negócio inclusivo associado aos seus fazedores como uma ferramenta para criar um impacto positivo nas suas vidas. Através de projectos inovadores e parcerias estratégicas, a Khuzula busca fortalecer as comunidades e promover o bem-estar da criatividade nacional.

Nesta sexta-feira, às 17 horas, a Editorial Fundza vai lançar, na Livraria Fundza, Cidade da Beira, o livro “Bebé O e a descoberta do mundo azul”, da escritora Emília Paulino.

De acordo com o comunicado de imprensa da Editorial Fundza, trata-se de um livro infanto-juvenil que aborda a história inspiradora de um bebé com espectro autista, que, com o apoio de médicos, familiares e, em especial, de sua irmã mais nova, desenvolve habilidades essenciais e valores como o amor, a inclusão e a união.

A autora avança que o livro traz uma mensagem de esperança e reforça a importância do apoio familiar e social no processo de desenvolvimento de uma criança autista, conforme se pode ler na nota de imprensa: “Com esta obra, pretendo abraçar, mesmo que de longe, os pais de filhos especiais e todos os meninos autistas para dizer-lhes que não estão sozinhos, que o autismo não é um segredo e que juntos somos mais fortes”, reforça a escritora.

Na cidade da Beira, a obra será apresentada por Rodrigues Germano, especialista na terapia da fala e que assiste muitas crianças com necessidades especiais.

Emília Paulino, natural da cidade da Beira, é advogada e docente universitária. Tem um mestrado em Direito e outro em Sistemas de Informação Geográfica, além de formação em neurociências do autismo e em ABA e estratégias naturalistas.

A cantora já não vai celebrar os 50 anos de carreira em concerto, este ano. Ao contrário do previsto, Elvira Viegas teve de adiar para o primeiro semestre de 2025 o concerto anteriormente agendado para o dia 21 de Novembro corrente, no Centro Cultural Moçambique-China.

Segundo a organização, a alterção deve-se a sequência de manifestações que estão a decorrer no país, por isso, a cantora, junto da equipa de organização, optou por adiar o concerto para primeiro semestre do proximo ano, com o intuito de melhor celebrar o quinquagésimo aniversario de carreira em verdadeiro ambiente de festa.

“A manunteção da data de celebração não traria melhor sentido de festa, visto que, o país não se encontra em momento oportuno de celebração. Até porque, perspectiva-se que seja uma verdadeira festa que fará uma viagem musical que vai narrar a rica história da carreira de Elvira Viegas, destacando as suas influências e contribuições significativas para a cultura artística do país”, lê-se na nota de imprensa.

A cantora recomenda aos “fãs, admiradores e seguidores que já adiquiriram bilhetes, em diferentes plataformas digitais, estimados em cerca de 400, para conservar muito bem, para aposterior uso na data que será realizada a festa dos 50 anos de carreira.

No concerto não será apenas celebrado o talento inegável de Elvira Viegas, mas também reconhecer a sua dedicação e o impacto duradouro que a cantora teve no panorama musical de Moçambique.
A celebração perspectiva-se que seja única, onde a artista promete proporcionar os expectadores uma noite repleta de emoção e recordações, dos grandes êxitos que perfazem os seis álbuns lançados, intitulados “Ndzi Xikala Vitu”, “Tlanga U Pimela”, “Kusuhi na Mine”, “The Best of Elvira Viegas”, “Tsendeleka” e o ultimo “Ora Chegou”.

O portfólio artístico da Elvira Viegas é composto por mais de 100 músicas registradas. 99% dessas músicas provêm dos poemas escritos em português, que foram posteriormente traduzidos e moldados para composição musical num exercício exclusivamente realizado pela artista.

 

Num contexto em que o país enfrenta uma situação política e social complexa, o artista moçambicano Bruno Akani irá lançar o seu novo single, esta sexta-feira. Intitulado “Give Me The Chance” , a música, que conta com a participação especial do icónico guitarrista Jimmy Dludlu, que também a co-produziu, traz uma mensagem de renovação e esperança, destinada a inspirar pessoas a acreditarem em segundas oportunidades e recomeços.

Escrita há cinco anos, “Give Me The Chance”, em português “Dá-me uma nova chance”, tem um significado especial para Bruno Akani, segundo avança uma nota de imprensa: “Sempre senti que esta música veio até mim por uma razão. É uma música sobre humildade, sobre levantar-se após tempos difíceis e encontrar forças para seguir em frente. A música fala a diferentes pessoas de maneiras únicas: para alguns, trata-se de um novo começo, e para outros, uma chance de se reconectar com seus sonhos e esperanças”.

Além disso, a música também reflecte a visão de Akani sobre a importância de acreditar em dias melhores, particularmente em um contexto em que muitos enfrentam desafios pessoais e colectivos. O cantor enfatiza que “Give Me The Chance” não é uma canção de confronto, mas sim uma celebração da resiliência humana e da capacidade de superar dificuldades com o apoio de outros. Lê-se ainda na nota de imprensa: “Hoje é um momento para olharmos para frente, acreditarmos em nós mesmos e nos apoiarmos mutuamente. Esta música destina-se a todos que precisam de uma palavra de encorajamento, seja a nível pessoal ou no âmbito das suas vidas profissionais e comunitárias”.

A mensagem de “Give Me The Chance” é igualmente relevante no cenário global, num momento em que muitas pessoas continuam a lidar com os efeitos da pandemia, os desafios económicos e a crise financeira mundial.

“Give Me The Chance” será lançada oficialmente pela Bhavani Entertainment and Investments (África do Sul) e estará disponível em todas as plataformas digitais. O single também será transmitido nas principais estações de rádio de Moçambique e da África do Sul.

O lançamento também marca o início da jornada para o tão esperado primeiro álbum de Bruno Akani, que está previsto para ser lançado próximo ano.
 

A Editorial Fundza vai receber, entre os dias 25 e 30 deste mês, originais para publicação ao longo do próximo ano.

A iniciativa, enquadrada na quarta chamada literária da Fundza, pretende seleccionar infanto-juvenis, romances, crónicas, poesias e contos inéditos.

Os autores interessados em participar na quarta chamada literária da Editorial Fundza deverão enviar um projecto de livro em word, uma sinopse de 10 linhas desse mesmo texto e uma biografia de cinco linhas para a editorial.fundza@gmail.com.

Para a organização, o objectivo principal da chamada literária é abrir e ampliar o espaço para a democratização do acesso à publicação de obras literárias no país, o que inclui a participação de autores de todas as províncias.

“A iniciativa tem vindo a revelar novas vozes na literatura moçambicana. Desde 2022, já foram publicados mais de 40 novos autores de todo o país. Entre as publicações, encontram-se Pétalas negras ou a sombra do inanimado (poesia), de Belmiro Mouzinho; Estórias trazidas pela ventania (conto), de Adelino Albano Luís, O encanto da poesia (poesia), de Assane Cadry; O ardina dos sapatos gastos (contos), de Alerto Bia; O dicionário da sobrevivência (contos), de Francisco Raposo; A rapariga sem reflexo (motivacional), de Clévia Guivala; Insiste em ignorar-me (motivacional), de Argentina Banze; O amor que há em ti (romance), de Larsan Mendes; As máscaras da verdade (romance), de Almeida Cumbane; O Príncipe Suehtam e a Aruella no Tulipix (infanto-juvenil), de Andreia Edna da Silva; O peixe que sonhava comprar um barco (infanto-juvenil), de Japone Arijuane; e Makhalelo (crónicas), de Adriano Félix”, avança a nota de imprensa da Editorial Fundza.

Os originais submetidos à chamada literária da Fundza são seleccionados por um júri competente identificado pela editora.

Antes de serem publicados, todos os originais passam por um cuidadoso processo editorial. Garante a editora.

A Embaixada da Itália em Maputo e o Ntsindya – Centro Cultural Municipal, em colaboração com o Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), vão apresentar, pela primeira vez em Moçambique, o deslumbrante espectáculo de circo contemporâneo “Love”.

O espectáculo “Love” é da companhia ítalo-francesa Circo Zoé, e a apresentação terá início às 20 horas desta sexta-feira, na Sala Grande do Centro Cultural Franco-Moçambicano.

Segundo um comunicado de imprensa, “Love” convida o público a embarcar numa viagem visual e emocional, onde um grupo de viajantes explora as profundezas da conexão humana e o verdadeiro significado das suas vidas.

Com uma fusão hipnotizante de dança, acrobacias e movimentos aéreos, os artistas expressam sentimentos de solidão e a alegria dos reencontros.

O espectáculo é enriquecido por um repertório de músicas antigas, que dá vida a histórias carregadas de drama e humor.

 

O poeta Álvaro Fausto Taruma é um dos 10 finalistas do Oceanos – Prémio de Literatura em Língua Portuguesa.  O autor destaca-se na edição 2024 da iniciativa brasileira com o seu mais recente livro de poesia, Criação do fogo, editado pela Alcance Editores.

 

A notícia chegou-lhe de forma inesperada. Já tarde, a dormir, Álvaro Fausto Taruma  recebeu ligações de amigos. Quando viu que as ligações eram provenientes de pessoas do meio literário, intuiu imediatamente que se tratava de algo relacionado ao Prémio Oceanos. Até  porque o poeta sabia que a lista dos finalistas seria publicada em Outubro.

A intuição, de facto, comprovou-se. Na curta lista de 10 finalistas do Prémio Oceanos, um dos mais importantes em língua portuguesa, Criação do fogo, de Álvaro Fausto Taruma, é um dos livros cuja qualidade é reconhecida pelos membros do júri. Por isso mesmo, o poeta recebeu a notícia com muito agrado, mas sem euforia desmedida. “Acho que, depois de uma caminhada literária que já se faz longa, uma nomeação assim é, claro, algo gratificante, mas tento manter a serenidade e as expectativas equilibradas. Para mim, o mais importante é ver que o livro está a seguir o seu próprio curso, a encontrar o seu público e a realizar a sua própria viagem. Essa independência da obra é fundamental para mim, enquanto autor, e receber esta nomeação só reforça essa sensação”.

Desde que o livro foi incluído na lista dos 60 semi-finalistas do Oceanos, em Agosto, houve um momento em que Taruma pensou que poderia chegar ao fundo do oceano, quer dizer, à final do prémio. Mas esclarece: “Não é uma questão de falsa modéstia – eu confio na qualidade do livro e acredito no conceito e na mensagem que carrega. No entanto, decidi deixar que tudo seguisse o seu próprio fluxo. Curiosamente, o livro passou quase despercebido em Moçambique, até diria mal recebido, uma vez que aparentemente ninguém quer falar dele, o que poderia até desmotivar-me, mas, para mim, isso não define o seu valor”.

Na percepção de Álvaro Fausto Taruma, estar na final é, acima de tudo, uma confirmação de que vale a pena acreditar no próprio trabalho, na dose de criatividade e imaginação que deposita, mesmo que leve tempo até ser plenamente compreendido. E acrescenta: “Sinto que esta nomeação transcende o meu nome; ela representa um movimento, uma geração de escritores que está a emergir com força em Moçambique, como a malta do Kuphaluxa, que, através da dedicação e criatividade, prova que a literatura não tem idade. Esta é uma conquista para todos os que acreditam no poder da palavra e no trabalho persistente, assim como para quem tem na poesia o seu lugar de fala e de participação cívica”.

Taruma acredita, com efeito, que qualquer autor gostaria de ganhar o prémio, e, claro, essa possibilidade traz uma satisfação especial. Entretanto, mais do que o prémio em si, o autor de Criação do fogo pensa que a nomeação simboliza algo maior para a literatura moçambicana e para os leitores. “Este tipo de reconhecimento serve como um farol que nos encoraja a acreditar no nosso potencial. Estar nesta lista é, para mim, uma maneira de inspirar e de criar essa ligação com o público. Além disso, esta nomeação chega num momento especial, pois tenho um livro a ser publicado em breve, no Brasil, e, quem sabe, o facto de estar entre os finalistas ajude a abrir portas e a dar visibilidade ao meu trabalho. Sinto que, de uma forma ou de outra, esta nomeação já trouxe ganhos importantes para mim e para a literatura que represento”.
Nesta edição do Oceanos, há três africanos na final. Além de Taruma (único autor moçambicano), há um romancista, Germano Almeida (Cabo Verde) e mais um poeta, José Luiz Tavares (Cabo Verde). Rodeado de bons nomes da arte africana e da CPLP, Taruma sente orgulhoso pelo caminho que percorreu até aqui.

Nesta edição, o Prémio Oceanos recebeu 2619 livros de autores residentes em 28 países. Desse universo, 1204 são poesias, 836 são romances, 389 são contos, 156 são crónicas e 34 são dramaturgias. Os livros foram publicados por 459 editoras de seis países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Itália, Moçambique e Portugal.

Apurados os finalistas, o júri vai eleger dois vencedores, um de poesia e outro de prosa, que serão anunciados em Dezembro, em cerimónia realizada no Itaú Cultural. A premiação é de 150 mil reais (cerca de 1 650 000 meticais) para cada um dos laureados.

O Oceanos – Prémio de Literatura em Língua Portuguesa foi criado no Brasil, em 2003, inicialmente com o nome de Prémio Portugal Telecom de Literatura Brasileira.

A artista plástica moçambicana, Fauziya Fliege, actualmente a residir em Gana, participa na terceira edição da exposição “Women in Art”, cujo tema é “Encontre sua voz”. 

O evento, que ocorre desde quinta-feira (24) e prolonga-se até 1 de Dezembro, reúne 20 artistas femininas e representa um importante espaço para a expressão e a celebração da diversidade de vozes femininas na arte.

O tema “Encontre sua voz” é um chamado para que as mulheres artistas reivindiquem o seu espaço em um campo historicamente dominado por homens. A exposição, por outro lado, encoraja os participantes a libertarem-se de estereótipos e limitações, promovendo a auto-expressão e a autenticidade em suas obras. 

Fauziya Fliege, com as suas três obras – “As palhotas”, “Green maze” (labirinto verde) e “Hold together” (mantenham-se juntos) – exemplifica essa busca por voz e identidade. Utilizando a técnica acrílica e aquarela, as suas criações reflectem não apenas a sua herança moçambicana, mas também as suas experiências e perspectivas únicas como mulher artista.

Em Gana, o Centro de Mulheres nas Artes desempenha um papel crucial na promoção da equidade de género na comunidade artística. O centro oferece plataformas para que artistas femininas se conectem, colaborem e compartilhem as suas obras. Essa abordagem, não apenas empodera os artistas, mas também educa o público sobre a importância da diversidade de género nas artes. Ao criar um espaço seguro e acolhedor, o centro ajuda a cultivar um ambiente onde as vozes femininas podem ser ouvidas e valorizadas.

De acordo com a artista, exposições como “Women in Art” podem inspirar futuras gerações de artistas femininas ao proporcionar modelos de sucesso e visibilidade para o trabalho de mulheres artistas. Essas exposições celebram a diversidade de talentos e estilos, mostrando que há espaço para a criatividade feminina em todas as suas formas. Além disso, ao destacar as histórias e desafios enfrentados por essas artistas, as exposições podem motivar jovens mulheres a perseguirem suas paixões artísticas e a expressarem-se de maneira autêntica”.

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