O País – A verdade como notícia

O Centro Cultural Português, a Faculdade de Ciências da Linguagem, Comunicação e Artes da UP-Maputo e o Centro de Língua Portuguesa – Camões, instalado naquela universidade, comemoraram o Dia Mundial da Língua Portuguesa através da realização da Grande Final da 22.ª edição do Prémio Eloquência Camões.

De acordo com uma nota de imprensa, o júri, composto pela actriz Ana Magaia, pela professora universitária Paula Cruz e por José António Marques, Leitor do Camões, ICL, na UP-Maputo, avaliou as habilidades oratórias dos 10 concorrentes finalistas, tendo concedido o primeiro lugar a Antonieta Matsinhe, o segundo lugar a Leonel Maísse e o terceiro lugar a Dionísia Munguambe, estudantes do Curso de Licenciatura em Ensino de Português da UP-Maputo. Foi ainda agraciado com uma Menção Honrosa o estudante do Curso de Literatura Moçambicana na Universidade Eduardo Mondlane, Deus Taímo.

Os dez finalistas, além de terem beneficiado de um curso de formação na arte da expressão oral, ministrado pela actriz Ana Magaia, receberam também um pacote de livros oferecido pela Plural Editores. O Camões – Centro Cultural Português em Maputo atribuiu, ainda, prémios pecuniários aos três primeiros classificados.

Criado em 2002, o Prémio Eloquência Camões pretende motivar os estudantes para a importância da oralidade em português no mercado de trabalho, em áreas tão variadas como a comunicação social, a docência, a publicidade, o teatro, o cinema, entre outras.

 

Nesta quarta-feira, Albino Mahumana e Renaldo Siquisse vão inaugurar a exposição de pintura “Fora da Caixa”, às 18 horas, na Fundação Fernando Leite Couto. 

Para a organização da mostra, as obras de Albino Mahumana retratam o quotidiano e as vivências dos moçambicanos, essencialmente através de imagens de mulher e de crianças.

“Mulheres com fardos na cabeça, nos mercados locais, a regressarem das suas quintas ou da busca de água, a prepararem comida, a cuidarem dos filhos, etc., bem como crianças a brincar. A partir do trabalho de Mahumana pode se enxergar os laços e afectos, a luta e a resiliência das pessoas de vida simples e comum, dando-lhes, o artista, a visibilidade e a humanidade que por vezes as notícias do dia-a-dia não lhes atribuem”, avança o comunicado da Fundação Fernando Leite Couto.

Quanto à obra de Renaldo Siquisse, o poeta Álvaro Fausto Taruma, citado na nota de imprensa da Fundação Fernando Leite Couto, escreve: “A linguagem plástica de Siquisse é profundamente táctil: a matéria da tela é ferida, arranhada, quase arqueológica, como se revelasse um tempo subterrâneo, anterior à imagem. A paleta densa e terrosa contrasta com explosões de cor simbólica, o vermelho dos lábios ou da flor, o branco que cega ou ilumina. Nessa tensão entre contenção e excesso, o artista nos propõe uma travessia: olhar de dentro para fora, ou vice-versa”.

Para a Fundação Fernando Leite Couto, o encontro entre os dois artistas poderá conferir ao espectador uma experiência de vislumbre do belo, do imersivo, do grito e da ternura, para além de toda a diversidade humana e de sentimentos que tanto Mahumana como Siquisse, transformam em obras de arte.

Yolanda Couto é a curadoria da exposição colectiva. 

 

Perpétua Gonçalves, Gilberto Matusse, Virgília Ferrão, Eduardo Quive e Mélio Tinga reuniram-se, nesta segunda-feira, no simpósio “A Língua Portuguesa de Moçambique nos Estudos Linguísticos e Literários”, organizado pelo Centro de Língua Portuguesa – Camões/UEM. O evento serviu para assinalar o Dia Mundial da Língua Portuguesa, com alusão às pesquisas produzidas na área em questão e ao processo criativo dos escritores convidados.

 

O Anfiteatro 1502 é um dos espaços importantes na promoção de debate de ideias. Concebido para reunir a comunidade académica e todos os interessados pela partilha do saber, na manhã desta segunda-feira, 5 de Maio, de facto, a sala da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane funcionou como uma espécie de acrópole. Os professores universitários, pesquisadores e escritores, tendo como pretexto o Dia Mundial da Língua Portuguesa, aproveitaram a ocasião para pensar Moçambique nestes 50 anos de independência.

Essencialmente, o simpósio “A Língua Portuguesa de Moçambique nos Estudos Linguísticos e Literários” teve dois momentos. No primeiro, houve duas apresentações. A Professora Catedrática Perpétua Gonçalves desenvolveu o tema “50 anos de pesquisa sobre o Português de Moçambique”, ora numa perspectiva historiográfica, ora referindo-se às principais áreas de pesquisa. Segundo disse, existem cerca de 600 títulos sobre estudos inerentes ao português de Moçambique e que, actualmente, o grande projecto sobre o tema é o que está a ser desenvolvido pela professora universitária Inês Machungo, que é um dicionário sobre o português de Moçambique.

Para Perpétua Gonçalves, quando se fala de pesquisas sobre o português de Moçambique, os dados variam, até porque os moçambicanos estão expostos ao português europeu, em contextos formais, e ao de Moçambique, em contextos informais. Ambos os casos, na verdade, revelam que “O português de Moçambique está em formação”, pois, acrescentou a pesquisadora, alguns aspectos ainda não estão efectivamente consolidados.

Na sua intervenção, Perpétua Gonçalves afirmou ainda que o facto de os moçambicanos, muitas vezes, serem bilingues deve ser visto como uma vantagem, pois “Isso só nos valoriza. Não é um problema”.

Ainda na parte inaugural do simpósio, a segunda apresentação foi feita pelo professor universitário e crítico literário, Gilberto Matusse. Partindo de uma premissa aproximada à da Professora Catedrática Perpétua Gonçalves, Matusse esclareceu que os 50 anos de independência são dominados por uma vertente genérica em relação ao estudo da literatura moçambicana, com tentativas de se traçarem periodizações. Nesse sentido, o crítico referiu-se aos autores e aos estudos que foram marcando a arte literária no país, como é o caso de Fátima Mendonça. 

O professor universitário disse que a grande expansão de estudos sobre literatura moçambicana começa nos anos 90, resultado das formações naquela área. O facto de a UEM ter introduzido o curso de Linguística, em 1989, com a componente na área de estudos literários, favoreceu a área, pois muitos estudantes fizeram a culminação do curso em literatura moçambicana. Aliado a isso, as universidades portuguesas e, principalmente, as brasileiras, reforçou, têm vindo a consolidar a promoção das obras de escritores moçambicanos.

De acordo com Gilberto Matusse, os graduados da UP-Maputo e, sobretudo, da UEM são os que mais contribuem para o repertório de estudos sobre literatura moçambicana. Entretanto, a escassez de estudos sobre literatura, no país, deve-se ao facto de as pessoas, em geral, não lerem obras literárias. Paralelamente, o crítico sublinhou que a maior parte dos estudantes produzem estudos sobre literatura moçambicana porque são obrigados, quer dizer, objectivando a obtenção do nível académico. Logo, o que se deve fazer é desenvolver projectos que coloquem as pessoas a ler, porque, assim, as inquietações resultantes da leitura podem proporcionar ensaios.

Se no princípio a maior parte dos estudos sobre literatura moçambicana se dedicava a questões genéricas, como identidade e periodizações, para Matusse, agora começa a haver estudos sobre autores específicos. E o professor universitário deu exemplo de “Geração XXI”, de Lucílio Manjate.

Outro registo captado por Matusse tem a ver com o entendimento de que a literatura deve ter o compromisso com o real, com a abordagem à representatividade do espaço social e à configuração da imagem da mulher.

Entre os autores mais estudados no país, Matusse mencionou, tendo em conta a lista da Cátedra de Português, Mia Couto, Paulina Chiziane, José Craveirinha, Ungulani ba ka Khosa, Luís Bernardo Honwana e Aldino Muianga.

A concluir, Gilberto Matusse também disse que a crítica literária em Moçambique é deficitária e que a publicação de um estudo sobre a história da literatura moçambicana seria oportuna, porque funcionaria como um guia para os professores e estudantes de literatura moçambicana.

Quanto à segunda parte do simpósio, teve como principais protagonistas três escritores, nomeadamente, Mélio Tinga, Virgília Ferrão e Eduardo Quive. Na mesa redonda “A oficina da língua: processos e possibilidades”, os autores mencionaram alguns aspectos decisivos na produção literária.

O laureado escritor na quarta edição do Prémio INCM/Eugénio Lisboa, Mélio Tinga, autor de “Névoa na sala”, “Marizza” ou “A engenharia da morte”, revelou o interesse em garantir, durante a escrita, uma relação entre a sua intuição criativa e o contexto. Para o escritor, que recentemente publicou um livro em Portugal, “Arder no gelo”, a língua, a língua portuguesa em particular, tanto é uma ponte para apreender determinadas realidades como também para gerar realidades sugeridas.

A condizer com Tinga, Eduardo Quive acrescentou que o som e o ritmo também são elementos que o ajudam a escrever. Em muitos casos, disse, a língua, como instrumento de trabalho, se conecta com uma memória de infância, na qual as histórias lhe eram contadas pela avó que não falava português, língua materna do escritor, mas changana. A imagem da avó, de forma categórica, sustenta a preocupação do autor de “Para onde foram os vivos” por temas ligados à mulher, e o livro “Mutiladas”, resultado da participação do escritor numa residência literária em Lisboa, há três anos, comprova tal constatação.

No caso de Virgília Ferrão, a autora de “Os nossos feitiços”, vencedora do Prémio Literário TDM 2019, e que também organiza antologias de contos com autores africanos, o espaço urbano revela-se inspirador. Por isso mesmo, as suas personagens não deixam de personificar hábitos e costumes de uma classe média ou alta com uma percepção mais actual sobre as coisas. Ainda assim, confessou a escritora, questões como espiritualidade e “miscigenação” linguística, sobretudo com a língua inglesa, não lhe são indiferentes.

Numa sessão concorrida, com intervenções presenciais e virtuais, via Zoom Meeting, Virgília Ferrão, Mélio Tinga e Eduardo Quive concordam que, num contexto em que os estudos literários ainda são deficitários, segundo disse o professor universitário Gilberto Matusse, serem criticados e/ou serem editados no estrangeiro tem sido importante porque os escritores também se constroem com a opinião dos outros: editores, ensaístas ou mesmo leitores comuns.

 

A SESSÃO DE ABERTURA   

O simpósio “A Língua Portuguesa de Moçambique nos Estudos Linguísticos e Literários” foi declarado aberto pelo director da Faculdade de Letras e Ciências Socias (FLCS) da UEM. No seu discurso, Samuel Quive disse que a língua portuguesa, na FLCS, é um factor de ensino e de formação: “Como parte da UEM, queremos manifestar a nossa satisfação sobre a celebração desta data [Dia Mundial da Língua Portuguesa]. Que o dia sirva para os estudantes entenderem o que, depois de uma formação em língua portuguesa, podem fazer. Usem a língua portuguesa para tudo e nunca esqueçam que a nossa cultura se pode manifestar com esta língua. Que o simpósio seja uma contribuição enorme para as pesquisas”, sugeriu aos estudantes de vários cursos que lotaram o Anfiteatro 1502.

De seguida, interveio o embaixador de Portugal em Moçambique. António Costa Moura lembrou que a proximidade linguística favorece a aproximação entre os países. “É o que acontece entre Moçambique e Portugal”.

Igualmente, o embaixador de Portugal em Moçambique lembrou que o português é uma das línguas mundiais de maior peso, em parte, graças ao Brasil e aos estados africanos. Frisou António Costa Moura, ao referir-se à relevância do Dia Mundial da Língua Portuguesa: “Português é língua franca, usada na diplomacia e no comércio internacional”, acrescentou ainda, “e com uma das maiores taxas de crescimento”.  

Por ser um património comum, que todos foram construindo, dispor do português, língua de unidade nacional e de dimensão internacional, consolida a identidade dos moçambicanos, que a escolheram por iniciativa própria como língua oficial. Portanto, “A comunidade falante tem responsabilidades na sua preservação e divulgação”. Conforme se realçou durante o simpósio, a arte literária cumpre um papel muito importante nesse processo.

A Associação Kulemba vai realizar, no próximo dia 22, na Cidade da Beira, uma gala beneficente.  A inicitiva enquadra-se na celebração dos 10 anos de existência daquela entidade. 

Segundo a organização, com a gala que deverá juntar autoridades governamentais, artistas, filantropos e empresários, a Associação Kulemba pretende, entre outros objectivos, angariar fundos para patrocinar cursos profissionalizantes para as raparigas que se destacaram nos concursos literários promovidos pela agremiação e adquirir livros para apetrechamento da biblioteca da Escola Básica do Aeroporto, na Cidade da Beira.

Assim, o evento terá três momentos distintos, designadamente, apresentação da Kulemba e das suas conquistas ao longo de uma década, a distinção dos seus fiéis patrocinadores e um leilão de obras de artes plásticas.

O leilão, adianta um comunicado de imprensa, conta com o apoio dos artistas Naguib, Silva Dunduro, Walter Zand e Alexandre Dunduro, que cederam as suas obras, devendo o valor das vendas reverter-se a favor das causas da Associação Kulemba.

A Associação Kulemba foi fundada em 2015, com o objectivo de promover essencialmente a literatura em ascensão, bem como desenvolver a produção literária no seio da comunidade infanto-juvenil. 

Em Maio de 2024, a agremiação foi distinguida, pelo Governo da Província de Sofala, como a melhor instituição literária local.

Actualmente, a Associação Kulemba encabeça algumas das mais importantes iniciativas literárias do país, designadamente, o Prémio Literário Mia Couto, o Festival do Livro Infanto-Juvenil (FLIK), o Prémio Nacional de Literatura Infanto-Juvenil, a Revista Soletras e a Feira do Livro da Beira (FLIB).

 

O concerto internacional de música coral proporcionou um verdadeiro espetáculo, neste sábado, na arena 3D, na Katembe. O grupo coral moçambicano e sul africano cantou e deixou o público a vibrar.          

Os portões abriram pouco antes das 13 horas deste sábado e várias pessoas entraram na arena 3D na Katembe.

Enquanto a plateia ainda se aglomerava, nos bastidores o coral registava os primeiros momentos em fotografias.  Já com tudo pronto, arrancou o espetáculo da música gospel Moçambique e África do Sul. 

O Presidente da Associação Mosa International Coral, (MOSA) Henrique Cossa, subiu ao palco para partilhar o projecto. 

“Eu conheci o prestigiado maestro sul africano há cerca de 10 anos.Por meio deste senhor tive o privilégio de conhecer o doutor Obreykhosa,meu irmão mais novo, meu irmão da África do Sul, cuja experiência e dedicação à música coral foram fundamentais para estruturar este projeto. Desde os primeiros passos, contamos com o apoio generoso de vários amigos que acreditaram na ideia e a fortaleceram com o seu entusiasmo. Mais tarde, partilhei o projeto com os meus amigos Daniel David e Carlos dos Santos, que prontamente aceitaram integrar esta jornada e hoje desempenham as funções de administradores do Moça, com muita dedicação”, explicou Henrique Cossa, Presidente do Conselho de Administração da Associação MOSA. 

Para o Maestro Sul Africano, o concerto MOSA marca uma verdadeira expressão artística de Moçambique e África do Sul. Acreditamos, firmemente, que este grupo coral, composto por talentosos coristas da África do Sul e de Moçambique,  tem potencial para atingir o alto nível no cenário da música coral internacional.  A música clássica, como Henrique Cossa disse”. 

Os primeiros passos do Mosa foram também elogiados pelo Administrador delegado do Standard Bank, Bernardo Aparicio. “Hoje não celebramos apenas o início de uma nova iniciativa cultural, celebramos o encontro de vozes, de histórias e de duas nações. Celebramos o talento que vive nos nossos bairros, nas nossas comunidades, nas escolas e nos corações dos jovens de Moçambique e da África do Sul, disse.                 

A primeira edição do concerto internacional da música coral começou com a actuação da maestrina Helena Rosa. Com a  força do seu soprano, a maestrina levantou a voz na Arena 3D, na Katembe, para  anunciar o início de uma tarde memorável.

Depois de Helena Rosa, seguiu-se Beldumar Phaia que exibiu a vivacidade do seu tenor.

O palco começava a aquecer e bastou a soprano de Miranda e Beldumar Phaia aguentarem o momento.  Juntos interpretaram a música “Ave Maria” de Franz Schuber.

A banda Xilombo, os tenores Mulissa e Maxwell deram vida à música clássica. Num dos momentos mais esperados, os coristas moçambicanos e sul africanos subiram ao palco da arena 3D para realizar o espetáculo.

O maestro Sul Africano e a maestrina Helena Rosa subiram ao palco para conduzir a harmonia do grupo coral. Para aproximar-se mais do público, o grupo coral foi buscar a música gospel e através da dança animou ainda mais o evento. 

O público também cantou e dançou, este dividia-se em registar o momento para posteridade. O grupo coral que junta Moçambique cantou, dançou, cantou de novo e o público acompanhou.

Enfim, o grupo coral desceu do palco mas o público continuou a vibrar. 

Anualmente, a 5 de Maio, celebra-se o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Para a celebração da efeméride, neste ano, o Centro de Língua Portuguesa – Camões/UEM realiza, nesta segunda-feira, o simpósio “A Língua Portuguesa de Moçambique nos Estudos Linguísticos e Literários”.

A iniciar às 08h30, no Anfiteatro 1502 da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane, no Campus Principal, Cidade Maputo, o simpósio pretende criar um espaço de reflexão sobre o papel da língua portuguesa nos estudos linguísticos e literários, na produção científica e na literatura contemporânea de Moçambique.

Ao promover a análise e a discussão sobre as particularidades do português falado e escrito no país, o evento pretende fomentar o intercâmbio de ideias entre especialistas, escritores e o público interessado, contribuindo para a valorização e compreensão da diversidade linguística de Moçambique e da sua literatura.

Assim, o evento terá início com duas conferências centrais, que estabelecerão o enquadramento teórico e crítico para as discussões subsequentes.

A primeira conferência, “50 anos de pesquisa sobre o português de Moçambique (1975-2024)”, proferida pela Professora Catedrática Perpétua Gonçalves, abordará a evolução dos estudos linguísticos, analisando desafios e dinâmicas da pesquisa sobre o português de Moçambique.

Já a segunda conferência, “50 anos de estudos sobre Literatura Moçambicana: um olhar panorâmico”, a cargo do crítico literário e professor universitário Gilberto Matusse, centrar-se-á nos estudos literários, explorando a trajectória da crítica literária e da literatura moçambicana e o seu desenvolvimento ao longo dos últimos anos.

Depois das conferências iniciais, realizar-se-á a mesa redonda intitulada “A oficina da língua: processos e possibilidades”, que contará com a participação dos escritores Mélio Tinga, Virgília Ferrão e Eduardo Quive, com a moderação do crítico literário José dos Remédios.

Segundo a organização, “Espera-se que esta mesa-redonda promova um espaço de diálogo e de reflexão sobre os processos criativos e as múltiplas possibilidades que a língua portuguesa oferece à construção do texto literário no contexto moçambicano. Os escritores serão convidados a partilhar as suas experiências na construção do texto literário, explorando questões como a influência das línguas bantu na escrita literária, a inovação estilística e a identidade cultural expressa através da língua portuguesa”.

Ainda de acordo com a organização do simpósio, a sessão será uma oportunidade para o público compreender os desafios e as potencialidades do uso da língua portuguesa na literatura moçambicana contemporânea, destacando a sua diversidade e o seu impacto no panorama literário dos PALOP e da CPLP.

A realização da mesa-redonda com escritores insere-se na valorização da língua portuguesa como veículo de expressão e criação literária, bem como na promoção do debate académico e cultural.

Com a iniciativa, refere uma nota conceptual da organização, pretende-se não apenas celebrar a riqueza da literatura moçambicana, mas também inspirar novas gerações de escritores e leitores a explorar e expandir os horizontes da escrita em língua portuguesa.

O simpósio “A Língua Portuguesa de Moçambique nos Estudos Linguísticos e Literários” vai realizar-se entre as 8h30 e as 12h.

A Festa do Livro em Gaza (FELGA), que decorreu entre 17 de Abril e 3 de Maio, na Cidade de Xai-Xai e no Distrito de Chongoene, em celebração do Dia Mundial do Livro, homenageou o escritor Sebastião Alba, segundo a Associação Xitende, que organizou o evento, um poeta que reúne consensos sobre a sua fineza na escrita que continua a inspirar o mundo através de seus livros.

Assim, foi apresentado aos leitores, sexta-feira, o livro “Todo o Alba”, da autoria de Sebastião Alba, no ginásio do Instituto de Formação de Professores Eduardo Mondlane, na Cidade de Xai-Xai.

O livro “Todo o Alba” foi apresentado a título póstumo, com comentários de Cheina (irmão do autor) e moderação da escritora Deusa d’África.

“Todo o Alba” foi editado em Lisboa, sob a chancela da Imprensa Nacional, em 2023, conta com 560 páginas e reúne textos de livros como: a noite dividida, o ritmo do presságio, o limite diáfano, Albas e ventos da minha alma.

No livro, reúne-se textos publicados em outros livros e também inéditos, bem como os textos com base nos manuscritos recuperados com emendas feitas pelo autor no exemplar que dedica às suas filhas.

Em “Todo o Alba”, adianta a nota de imprensa da Associação Xitende, recupera-se o que foi rasurado pelo autor em 1966, sob o título “poemas e poesias” e publicam-se poemas não incorporados em “a noite dividida”. Em textos de “Albas” e “Ventos da Minha Alma”, foram incorporadas as datas dos fragmentos publicados a partir dos textos que o autor escrevia e entregava às pessoas mais próximas. Para tal, surge o “Todo o Alba”, reunindo todos os textos das edições anteriores e incorporando os textos inéditos e aspectos como datas que não haviam sido inclusos em outras edições, permitindo reencontrar o Alba mais completo e com possibilidades ainda maiores de o compreender, através dos seus pensamentos e a sua compreensão do
mundo que se encontra nestes textos.

A FELGA também esteve no distrito de Guijá, no dia 23 de Abril, com o objectivo de massificar a literatura e promover a leitura. Em parceria com a Escola Básica de Mpelane, realizou um workshop intitulado “Ler para crescer: importância na infância”, orientado pelo escritor Almeida Cumbane, que exerce o cargo de Delegado de Xitende em Chôkwé. O workshop foi realizado no dia 23 de Abril, Dia Mundial do Livro. O evento contou com o recital de poesia que foi feito pelos poetas xitendianos, nomeadamente: Mupfana wa Xithokozelo, Acácio Massingue, Edson Pereira e Jordão Domingos.

Ainda nesta edição, no dia 21, a FELGA escalou a Escola Secundária de Inhamissa, na cidade de Xai-Xai, onde realizou uma oficina sobre “benefícios de leitura” orientada por Deusa d’África e Elísio Miambo, e, no dia 17 de Abril escalou a Universidade Save e a Biblioteca Provincial, onde apresentou o livro “Metamiserismo, uma nova escola literária”, da autoria de Deusa d’África e Dom Midó das Dores, apresentado pelo ensaísta José dos Remédios.

 

 

 

 

O Instituto Guimarães Rosa, na Cidade de Maputo, inaugura, esta segunda-feira, pelas 18h, a exposição “A nossa língua”: Obras do acervo do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa, inspirada em poemas de língua portuguesa. 

A mostra foi apresentada pela primeira vez no Instituto Guimarães Rosa, em Março de 2018. É reeditada, neste ano, em celebração ao Dia Mundial da Língua Portuguesa. 

A exposição reúne obras criadas a partir de poemas de autores da língua portuguesa, seleccionados pelo Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa (FBLP). Inspiradas em poemas nessa língua, as obras resultam do trabalho de 18 artistas, entre moçambicanos, brasileiros e portugueses, nomeadamente, A. Pedro Correia, Carmen Maria, Eneas Mapfala, Famós, Fornasini, Gemuce, Ídasse, Isa Bandeira, Larissa Ferreira, Marcos Muthewuye, Mudaulane, Nelsa Guambe, Saranga, Sílvia Bragança, Sónia Sultuane, Tomo, Ulisses e Walter Zandamela.

Concebida pelo presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa, Nataniel Ngomane, com curadoria de Jorge Dias, Coordenador-Geral do IGR – Maputo, a exposição conforma um diálogo entre a literatura e as artes visuais. 

Os escritores dos textos que falam da língua portuguesa são Caetano Veloso, Carla Veríssimo, Clarice Lispector, Deodato Pires, Desiré Leopold Essoh, Fernando Pessoa, Gilberto Mendonça Teles, Honório Roque, José Craveirinha, Mudungazi, Mutimati Barnabé João, Natália Correia, Olavo Bilac, Oswald de Andrade e Paulo Gondim.

As obras são acompanhadas de ambientação com aúdio, com leitura dos poemas seleccionados. 

A exposição é uma iniciativa da Embaixada do Brasil em Moçambique, do Instituto Guimarães Rosa Maputo e o Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa. Pode ser visitada até ao dia 07 de Junho, no Instituto Guimarães Rosa – Maputo, de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h e sábados das 10h às 14h.

 

Grupos corais de Moçambique e da África do Sul realizaram, nesta quinta-feira, um ensaio conjunto rumo ao concerto internacional de música coral, o MOSA. Emoção e harmonia marcaram o primeiro encontro.

“Niranguele Tatana” significa Deus na dianteira, e esse foi um dos coros que marcaram o encontro entre alguns membros dos grupos corais moçambicano e sul-africano.

Numa verdadeira prova de que a música não conhece fronteiras, os dois grupos corais  uniram as suas vozes num único ritmo.  

O encontro, que faz parte de um projecto de intercâmbio cultural entre Moçambique e África do Sul, não deixou dúvidas do que está por vir.

“Nós queremos trazer para este concerto uma diversidade de géneros musicais. O público poderá viajar connosco neste concerto. O desafio, neste momento, está no equilíbrio das vozes, tendo em conta o número e o género, mas estamos preparados. Gostamos de desafios e estamos aqui para isso”, afirmou Helena Rosa, maestrina moçambicana.         

Porém, antes do desafio, os coristas participaram em rodas de conversa, compartilharam experiências e trocaram impressões  sobre a vivência coral nos seus respectivos países.

Além de uma agradável recepção e apresentações, o ponto alto da tarde desta quinta-feira foi a execução conjunta dos ensaios.

Helena Rosa voltou a fazer o primeiro remate num ensaio conjunto dos corais. O maestro sul-africano, por sua vez, colocou os corais numa outra performance.

E assim será nos próximos dois dias até à chegada da primeira edição realizada da Arena 3D, em KaTembe.

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