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O País – A verdade como notícia

Cerca de cinco mil contribuintes da segurança social estão a falhar no cumprimento das suas obrigações. O facto foi confirmado pelo delegado do Instituto Nacional de Segurança Social em Cabo Delgado, que se mostrou preocupado com a situação que se agravou com terrorismo

“Dos nove mil e seiscentos e vinte e três inscritos, quatro mil e quinhentos e seis é que pagam, é preocupante”, revelou Chomar Selemane, delgado do INSS em Cabo Delgado.

Outra situação que está a preocupar a segurança social em em Cabo Delgado, está relacionada com a fraca aderência aos decretos do governo que perdoam parcialmente, as dívidas dos contribuintes com a segurança social, que ainda está muito longe das expectativas.

“Temos cinco mil e treze devedores, só aderiram seiscentos e oitenta, muito abaixo do que era esperado, que são cerca cinquenta por cento”, explica.

A maior parte dos contribuintes estão cientes da dívida, mas outros nem sabem da falta de pagamento da segurança social, e alguns chegam mesmo a exigir os seus direitos ao Instituto Nacional de Segurança Social em Cabo Delgado.

“Chegam aqui trabalhadores a solicitar seus direitos, mas não podemos conceder por falta de pagamento das contribuições, principalmente empresas de segurança privada, que fazem os descontos mas não canalizam ao INSS”, denunciou Chomaf Selemane, delegado do INSS, em Cabo Delgado.

A dívida dos contribuintes com a segurança social em Cabo Delgado ultrapassa os duzentos milhões de meticais, sendo mais da metade pertencente a empresa extintas pelo Estado.

Vozes, música e muita animação marcaram uma noite de espectáculo que juntou moçambicanos e sul-africanos no Pretoria State Theatre, num concerto que transformou a música coral num espaço de encontro entre os dois povos.

A jornada começou cedo, com os participantes a reunirem-se para iniciar juntos o percurso até ao local do espectáculo. Antes da partida, houve tempo para um pequeno-almoço, numa preparação para um dia marcado por várias horas de actividades.

Chegados ao Pretoria State Theatre, os grupos aproveitaram os primeiros momentos para registar a ocasião através de fotografias, vídeos e cumprimentos, antes de iniciarem a última fase de preparação: o ensaio geral.

Durante o ensaio, cada entrada, voz e movimento foi cuidadosamente trabalhado. Depois de meses de preparação, os participantes procuraram garantir que todos os elementos estivessem sincronizados para o momento em que as cortinas se abrissem.

Concluídos os ensaios, seguiram-se os últimos preparativos. Os participantes cuidaram da apresentação, com atenção às roupas e aos restantes detalhes, enquanto o público começava a ocupar a sala.

Entre os espectadores estavam pessoas vindas de diferentes pontos, incluindo Moçambique. Alguns atravessaram a fronteira para assistir ao concerto e prestar homenagem ao compositor de música coral Daniel Marvat.

À medida que a sala ficava cheia, crescia também a expectativa para o início do espectáculo. Telemóveis preparados para registar os momentos, olhares atentos e silêncio na sala antecederam a entrada dos artistas em palco.

O concerto foi dividido em três momentos. A primeira parte foi dedicada à música clássica erudita, seguindo-se uma homenagem ao compositor Daniel Marvat. A última parte trouxe música folclórica africana, numa celebração da diversidade cultural e musical.

Em palco, dezenas de vozes e instrumentistas juntaram-se sob a orientação dos maestros. A concentração dos músicos e a harmonia entre os diferentes naipes vocais deram corpo a um espectáculo marcado pela disciplina, emoção e sentimento.

A resposta do público foi crescendo ao longo da noite. Aos aplausos juntaram-se, em vários momentos, espectadores que se levantaram das cadeiras para celebrar as actuações.

No final, participantes e público fizeram uma avaliação positiva do espectáculo. Para os coralistas, a apresentação representou o resultado de mais de um ano de preparação e ensaios.

A noite terminou com um sentimento de missão cumprida e com a música a reforçar os laços entre os dois países. Mais do que um concerto, o encontro deixou como memória uma noite em que Moçambique e África do Sul uniram as suas vozes através da música coral.

Quatro anos depois da primeira edição, o Festival de Vozes está de regresso, reunindo 20 grupos que, ao longo de três meses, vão disputar o título numa competição marcada por 11 galas.

A segunda edição do programa decorre na Arena 3D, na Catembe, onde os participantes tiveram, esta sexta-feira, o primeiro contacto com o palco que acolherá os desafios, avaliações e apresentações ao longo da competição.

Para alguns concorrentes, esta é a primeira experiência num concurso do género, aumentando a expectativa e a ansiedade antes da estreia. Outros chegam com experiência adquirida em anteriores reality shows, encarando a competição com a ambição de voltar a vencer.

O primeiro encontro serviu essencialmente para a integração dos grupos e preparação para as próximas fases. Contudo, o júri aproveitou a ocasião para identificar aspectos a melhorar, entre críticas e elogios às capacidades vocais e à presença em palco dos concorrentes.

Os jurados defendem que o Festival de Vozes deve servir não apenas para descobrir talentos, mas também para os aperfeiçoar. Segundo a organização, existem entre os participantes vozes com potencial, embora alguns grupos ainda precisem de desenvolver técnicas de canto, postura, apresentação e interpretação.

A imagem e a forma de apresentação em palco também fazem parte dos aspectos que serão avaliados e trabalhados durante a competição. O objectivo é que, à medida que as galas avancem, os grupos apresentem maior organização, domínio do canto coral e capacidade de se afirmarem no mercado musical.

A segunda edição traz igualmente novidades. Ao contrário da primeira, em que apenas seis elementos de cada grupo podiam actuar em palco, nesta edição cada formação poderá apresentar entre oito e 15 elementos em cada gala.

Os grupos terão ainda liberdade para efectuar substituições entre os seus integrantes e explorar diferentes possibilidades de apresentação, numa tentativa de tornar as actuações mais dinâmicas.

Com a primeira gala já à porta, os 20 grupos intensificam os ensaios e a preparação para uma jornada que irá testar não apenas as suas capacidades vocais, mas também a interpretação, o trabalho em equipa, a presença em palco e a capacidade de conquistar o público.

O Ministério da Educação e Cultura iniciou em Pemba, província de Cabo Delgado, o processo de Auscultação Nacional para a elaboração do Plano Estratégico da Cultura 2027-2036, que deverá orientar as políticas públicas do sector durante a próxima década.A iniciativa pretende recolher contributos dos diferentes actores da Cultura, com vista à definição participativa das prioridades e orientações estratégicas para o desenvolvimento do sector.

A cerimónia de abertura foi dirigida pela Secretária de Estado das Artes e Cultura, Matilde Muocha, e contou com a participação de representantes do Governo central e provincial, artistas, criadores, gestores culturais, empreendedores das áreas culturais e criativas, instituições públicas, associações culturais, organizações da sociedade civil, universidades e parceiros de cooperação.

Na ocasião, Matilde Muocha defendeu que a auscultação pública deve constituir uma etapa efectiva na definição das políticas para o sector, sublinhando que a participação dos cidadãos é fundamental para a elaboração de um plano ajustado às diferentes realidades do País. “As auscultações públicas não são uma formalidade, mas sim a materialização de um valor central do nosso Governo: o de que o povo sabe, o povo fala, e o povo deve ser ouvido”, afirmou.

A governante destacou ainda a necessidade de o Plano Estratégico partir das realidades concretas das comunidades e dos diferentes territórios, incluindo os distritos de Pemba, Mueda, Ibo e Mocímboa, em Cabo Delgado, bem como das restantes províncias. “Um Plano Estratégico que não nasça da escuta activa dos seus destinatários será sempre um plano incompleto”, afirmou Matilde Muocha, apelando à participação dos artistas, criadores, gestores, instituições, comunidades e demais intervenientes do sector.

 

DIAGNÓSTICO NACIONAL

Segundo o Ministério da Educação e Cultura, o processo de auscultação deverá contribuir para a realização de um diagnóstico abrangente do sector, permitindo identificar necessidades, propostas, recursos disponíveis, desafios, oportunidades e lacunas institucionais. Entre as áreas que deverão merecer atenção estão o património cultural material e imaterial, artes performativas e visuais, indústrias culturais e criativas, cultura e economia digital, turismo cultural, acesso à Cultura e descentralização de infra-estruturas culturais.

A formação artística, desenvolvimento de competências, capital humano, governação, inclusão e participação cultural, bem como a sustentabilidade do sector, também integram as áreas estratégicas previstas no processo. A auscultação deverá igualmente recolher propostas sobre mecanismos de financiamento, mobilização de recursos e estabelecimento de parcerias, além de identificar boas práticas, experiências inovadoras e soluções desenvolvidas localmente.

 

O processo, que irá abranger as 11 províncias do País, pretende criar uma base de diálogo nacional para a construção de um instrumento estratégico que tenha em conta a diversidade cultural, territorial e comunitária de Moçambique. O Plano Estratégico da Cultura 2027-2036 deverá orientar as políticas públicas do sector na próxima década, com enfoque na valorização do património, promoção das artes, fortalecimento das indústrias culturais e criativas, desenvolvimento do capital humano e ampliação do acesso à Cultura.

 

A Associação Cultural da Universidade Pedagógica de Maputo (ACUP) lançou, no Campus da Lhanguene, na Cidade de Maputo, o projecto EcoArte Jovem, uma iniciativa que pretende recorrer à arte e à cultura para sensibilizar a sociedade, particularmente os jovens, sobre a necessidade de reduzir o desperdício de electricidade e promover o uso eficiente da energia.

Promovido em parceria com a Electricidade de Moçambique (EDM), o projecto procura, igualmente, estimular a criatividade e a competitividade artística dos jovens, através das categorias de teatro, poesia e música.

Durante a cerimónia de lançamento, o presidente da ACUP, Ézar Nharreluga, destacou a importância da parceria com a EDM, considerando que a iniciativa permitiu aproximar os sectores da electricidade e da cultura e criar novas oportunidades para a expressão e criatividade juvenil.

“Quando damos espaço à criatividade de um jovem, não estamos apenas a formar um artista, estamos a formar alguém capaz de imaginar um futuro diferente”, afirmou Ézar Nharreluga.

Por seu turno, a representante da EDM apelou aos jovens participantes para assumirem o papel de embaixadores da eficiência energética nas suas comunidades, contribuindo para a sensibilização da sociedade sobre a importância de uma utilização mais consciente da electricidade.

Os participantes consideram a iniciativa uma experiência enriquecedora, destacando os conhecimentos adquiridos sobre eficiência energética e os impactos negativos da vandalização e do roubo de energia eléctrica.

Jéssica Vidal, participante na categoria de poesia, destacou as actividades de formação realizadas no âmbito do projecto, particularmente as aulas específicas para cada categoria artística.

“Como escolhi a poesia, aprendemos a explorar a nossa veia artística para transmitir mensagens, usando a linguagem corporal, pois o corpo também expressa”, explicou.

O Reitor da Universidade Pedagógica de Maputo, Jorge Ferrão, felicitou a ACUP pela iniciativa e recordou o projecto anterior, denominado Histórias por Contar, que culminou com o lançamento de um livro com textos produzidos por estudantes participantes.

Ferrão manifestou a expectativa de que o EcoArte Jovem resulte igualmente num produto concreto e apelou à continuidade da ligação dos jovens à universidade.

A iniciativa entra agora numa nova fase, com a realização do Festival EcoArte Jovem, sob o lema “Arte e cultura com energia”.

O projecto pretende consolidar a arte e a cultura como instrumentos de sensibilização dos jovens e das comunidades para uma utilização mais consciente e eficiente da energia eléctrica.

Moradores de Olifantsfontein, na África do Sul, realizaram uma vigília em memória de uma mulher cujo corpo foi encontrado a flutuar num rio, em Clayville, a leste de Joanesburgo.

A mulher, que se acredita ter cerca de 20 anos, foi encontrada morta no dia 7 de Setembro, nas proximidades do centro comercial Mall of Thembisa. Até ao momento, a sua identidade não foi divulgada.

Os moradores concentraram-se junto a uma esquadra da Polícia, de onde seguiram em cortejo até ao local onde o corpo foi encontrado. Durante a vigília, rezaram, cantaram hinos e acenderam velas em homenagem à vítima.

Os participantes exigiram às autoridades maior empenho na investigação e apelaram à Polícia para identificar e levar à justiça os responsáveis pela morte da mulher.

O caso passou a integrar uma investigação mais ampla sobre a morte de mulheres cujos corpos foram encontrados em diferentes pontos de Ekurhuleni e arredores, nos últimos dois meses. A Polícia procura determinar se os casos estão relacionados.

A investigação abrange actualmente nove mulheres, cujos corpos foram encontrados em zonas como Kempton Park, Clayville, Olifantsfontein, Rhodesfield, KwaThema e Dawn Park.

A possibilidade de os crimes estarem ligados a um único autor aumentou os receios de que possa estar em actividade um alegado assassino em série. Contudo, as autoridades sublinham que, até ao momento, não foi estabelecida qualquer ligação definitiva entre os casos nem identificada a responsabilidade de um único suspeito.

Para reforçar as investigações, foi criada uma equipa multidisciplinar especializada. A Polícia apelou ainda às famílias de pessoas desaparecidas para que comuniquem os casos às autoridades, de modo a contribuir para a identificação das vítimas.

Para os moradores que participaram na vigília, o acto serviu não apenas para prestar homenagem à vítima, mas também para exigir respostas e maior segurança para as mulheres na região.

O escritor moçambicano Eduardo Quive apresenta, na próxima terça-feira, 22 de Setembro, em Maputo, o seu primeiro romance, “A cor da tua sombra”, numa sessão que promete aproximar o autor dos leitores e colocar em debate temas como memória, identidade, trauma e relações humanas.

O lançamento terá lugar às 17h30, no Business Lounge by Nedbank, em Maputo, sob a chancela da Catalogus.

O encontro contará com a participação do autor numa conversa com a jornalista Leia Chingubo, além de momentos de leitura conduzidos por Negro. A iniciativa pretende proporcionar aos leitores um contacto directo com Eduardo Quive e com o universo ficcional que sustenta a sua estreia no romance.

Autor de obras de poesia e contos, entre as quais “Mutiladas”, finalista do Prémio Mia Couto, em 2026, Quive tem desenvolvido um percurso literário marcado por uma abordagem ficcional e poética de questões ligadas à memória, às identidades, às tensões sociais, à família e às relações humanas, explorando também a forma como as experiências individuais se cruzam com a história colectiva.

Ambientado num Moçambique contemporâneo, “A cor da tua sombra” percorre diferentes espaços e realidades, da Zambézia a Maputo. A narrativa parte de uma família desestruturada por sucessivas tragédias e desenvolve-se entre memórias fragmentadas, dilemas identitários e desafios sociais que tornam mais complexas as relações entre as personagens.

No centro da história está uma família estilhaçada, onde o passado permanece como uma ferida aberta. A narrativa é construída a partir de duas vozes: a de Eurípedes, que carrega consigo a imagem da irmã à beira do suicídio, e a de Anchia, marcada desde cedo pelo abandono, pelo preconceito e por uma violência que parece acompanhá-la ao longo da vida.

Unidos por uma dor comum, os dois protagonistas vêem-se confrontados com acontecimentos que julgavam enterrados, entre eles o regresso do pai de Anchia, o mesmo homem que, no passado, tentou vendê-la para um ritual de sacrifício.

Entre o trauma e a resistência, a culpa e a sobrevivência, “A cor da tua sombra” propõe uma travessia por algumas das zonas mais profundas da condição humana, ao mesmo tempo que interroga as marcas que o passado deixa sobre os indivíduos e as famílias.

Com esta obra, Eduardo Quive estreia-se no romance, ampliando um percurso literário já reconhecido na poesia e no conto e trazendo para a narrativa longa uma escrita centrada nas feridas da memória, nos conflitos identitários e nas múltiplas dimensões das relações humanas.

Os partidos políticos marroquinos estão a intensificar as suas acções de campanha à medida que o país se aproxima das eleições legislativas. Num desses actos eleitorais, Faouzi Lekjaa e Mehdi Bensaid, Ministro da Juventude, Cultura e Comunicação, juntamente com outros candidatos do Partido da Autenticidade e Modernidade (PAM), deslocaram-se a Rabat no passado dia 14 de Setembro para um encontro presencial com os habitantes locais.

Os eleitores marroquinos irão às urnas a 23 de Setembro para eleger a nova Câmara dos Representantes, naquela que será a primeira eleição legislativa desde que eclodiram os protestos liderados pelos jovens no Outono de 2025.

Faouzi Lekjaa, Presidente da Federação Real Marroquina de Futebol e membro do PAM (sigla do francês Parti Authenticité et Modernité), afirmou que a sua formação política está ciente do elevado custo de vida. «Queremos utilizar todos os meios legais para restabelecer o nível de vida ao patamar normal, como se verificava anteriormente», acrescentou.

Inicialmente, previa-se que Lekjaa se candidatasse pela sua região natal, Berkane, mas o responsável decidiu posteriormente não concorrer a um lugar no Parlamento. Em alternativa, tem participado activamente na campanha do partido e prestado apoio aos seus candidatos.

O escrutínio decorre numa altura em que Marrocos se prepara para co-organizar o Campeonato do Mundo de Futebol de 2030, conjuntamente com Espanha e Portugal, enquanto as forças políticas procuram atrair o eleitorado em particular a juventude, num contexto de profunda preocupação com o desemprego e os serviços públicos. 

 

A Universidade Eduardo Mondlane, atribuiu, a título póstumo, o grau de Doutor Honoris Causa ao falecido artista plástico Malangatana Valente Ngwenya. Segundo a instituição a distinção constitui um reconhecimento do seu contributo para as Letras, as Artes e a Cultura e do seu papel na projecção internacional de Moçambique.

O artista plástico moçambicano Malangatana Valente Ngwenya foi distinguido, a título póstumo, com o grau de Doutor Honoris Causa pela Universidade Eduardo Mondlane. 

A homenagem reconhece o percurso de um dos mais importantes nomes das artes plásticas nacionais e o seu contributo para a cultura e para a projeção internacional de Moçambique.

A cerimónia decorreu esta segunda-feira, na cidade de Maputo, mais de uma década depois da morte do artista, ocorrida em 2011.

Para a Universidade Eduardo Mondlane, a distinção pretende valorizar um legado que permanece atual e reconhecer as artes e as letras como formas de produção de conhecimento.

“Honoris causa significa literalmente por causa da honra e a UEM honra Malangatana pelo extraordinário contributo que prestou às letras, às artes e à cultura”, explicou o reitor da UEM, Manuel Guilherme.

Manuel Guilherme destaca ainda a construção de uma linguagem artística própria e a capacidade de Malangatana de valorizar a cultura moçambicana nas suas diferentes manifestações.

“É a grandeza da sua obra que dá sentido ao título que hoje lhe conferimos”, afirmou.

Ao longo da sua carreira, Malangatana acompanhou, através da sua obra, diferentes momentos da história de Moçambique. Depois da independência nacional, colocou o seu talento ao serviço da construção cultural do novo país, participando na criação e dinamização de instituições culturais e na promoção das artes nacionais.

Para a família, representada no evento pelo filho de Malangatana, Mutxine Ngwenya, o reconhecimento ultrapassa a dimensão artística e constitui uma oportunidade para refletir sobre a responsabilidade de preservar e valorizar o património cultural deixado pelo artista.

“Que este reconhecimento possa ser o princípio de uma política mais consequente de identificação, proteção e valorização do nosso património cultural.”

Mutxine defende também que a preservação do legado de Malangatana deve ir além da transformação do artista num símbolo oficial.

“Não pedimos que se faça de Malangatana um símbolo oficial. Pedimos que se assuma a responsabilidade por aquilo que ele deixou ao país. Porque uma nação também se constroi através daquilo que se decide preservar. Constroi-se através das suas memórias, dos seus lugares, das suas obras, dos seus saberes e das pessoas que soube reconhecer”.

A cerimónia contou com a presença de várias personalidades, entre as quais os antigos Presidentes da República Armando Emílio Guebuza e Joaquim Chissano.

Malangatana havia recebido anteriormente o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Politécnica de Moçambique, em 2007. A distinção agora atribuída pela Universidade Eduardo Mondlane acrescenta-se, assim, ao conjunto de reconhecimentos nacionais e internacionais à obra de um dos maiores expoentes da cultura moçambicana.

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