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Entre esta sexta-feira e domingo, a Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, capital portuguesa, acolhe a terceira Mostra de Artistas Residentes PROCULTURA, um programa de dança contemporânea que reúne os artistas Pak Ndjamena, Mai-Júli Machado e Francisca Mirine (Moçambique) e Nuno Barreto, Djam Neguin e Rosy Timas (Cabo Verde).

Segundo pode-se ler no site da Fundação Calouste Gulbenkian, serão apresentadas criações recentes, que resultam do trabalho realizado nas residências promovidas pelo programa de mobilidade de artistas PROCULTURA, que, em geral, abrange artistas dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor Leste.

“Este é um programa vibrante, que dá a conhecer um conjunto de práticas coreográficas de artistas africanos, no cruzamento entre tradição e dança contemporânea. A mostra promove um espaço de apresentação e partilha destas criações e o diálogo com outros contextos de criação contemporânea, incentivando a circulação internacional dos artistas participantes”, avança o site da Fundação Calouste Gulbenkian.

A partir das 18h30 desta sexta-feira, na Sala 1, na Fundação Calouste Gulbenkian, Francisca Mirine vai apresentar “Reflexos”, uma peça de dança que aborda questões sociais, reflectindo sobre o comportamento humano face às dificuldades de sobrevivência em sociedade.

A coreógrafa e bailarina Francisca Mirine examina o funcionamento do pensamento humano perante situações adversas, tendo em conta a actualidade moçambicana.

Francisca Mirine é uma bailarina freelancer, intérprete, professora de dança e coreógrafa moçambicana. Tem vindo a trabalhar com artistas nacionais e estrangeiros e a participar em festivais, workshops, criações de dança e residências artísticas e em programas de intercâmbio. Desenvolve as suas próprias criações de dança e escreve os seus projectos.

No domingo, a partir das 17:30, no estúdio do Centro de Arte Moderna Gulbenkian, Pak Ndjamena vai apresentar “dEUs nOS aCudI”, um espectáculo de dança criado pelo artista, que reflecte sobre as sociedades de consumo e o lugar do corpo na actualidade.

“O corpo contemporâneo é livre ou controlado? Original ou imitado? A experiência do corpo é influenciada pelo padrão cultural no qual está inserido? Partindo destas questões, ‘dEUs nOS aCudI’ procura também investigar a forma como a religiosidade secularizada, as crenças, as divindades, os rituais e os mitos estão interligados no quotidiano. O artista questiona como estes podem ser utilizados como estratégia de controlo social, afectando directamente os corpos e a sociedade, através de regras e padrões”.

Pak Ndjamena, natural de Maputo, é um artista multifacetado. Bailarino, coreógrafo, professor de dança contemporânea, actor, realizador de filmes de dança contemporânea e músico. Tem vindo a desenvolver um conjunto de técnicas de dança híbrida. Coreografou e interpretou mais de 20 peças e foi o vencedor do Mozal Arts & Culture Award 2019, na categoria de dança, em Maputo. Tem levado a cabo as oficinas de Tremuria Project, uma nova terapia através do corpo dançante em África, Europa e América do Sul. Já se apresentou em vários festivais internacionais de renome.

Ainda no domingo, no caso, a partir das 19 horas, no Palco Grande Auditório, Mai-Júli Machado vai apresentar “AMELLE”, uma performance que aborda histórias sobre experiências e processos de desenvolvimento corporal, psicológico e espiritual partilhados pelas mulheres, constrangidas por questões fisiológicas, sociais e políticas relacionadas com padrões predefinidos.

AMELLEAtitude, Maturidade, Elegância, Legado, Liberdade e Esperança – é um ritual passado de geração em geração, atravessado por memórias comuns, vivências do passado, presente e futuro próximo. Com esta criação, Mai-Júli Machado invoca memórias de passagem de menina a mulher e denuncia as restrições impostas às mulheres cujos ideais não cabem em normas definidas pela sociedade. Neste pequeno ritual, a artista convida-nos a despertar a AMELLE que reside dentro de nós”, adianta a o site da Gulbenkian.

Mai-Júli Machado começou a dançar como profissional na Companhia Municipal de Canto e Dança Tradicional da Matola. Teve formação em técnicas de dança contemporânea na Casa da Cultura, em Maputo, e na Culturarte, com o coreógrafo Panaibra Canda. Em 2022, a sua primeira peça de dança foi apresentada no Festival Kinani, seleccionada e financiada pelo Instituto Francês. Em 2023, participou da peça da coreógrafa francesa Mathilde Monnier, intitulada “Black Lights” e foi seleccionada para representar Moçambique na competição de dança contemporânea no Burquina Faso.

 

O escritor e editor Dany Wambire vai participar na 62ª edição da Feira do Livro Infantil de Bolonha , que decorre entre 31 de Março e 3 de Abril, em Itália.

De acordo com o comunicado de imprensa da Editorial Fundza, no evento, Dany Wambire vai reunir-se com agentes literários e editores de livros infanto-juvenis de alguns países, com o objectivo de divulgar o catálogo de obras infanto-juvenis da sua editora e adquirir direitos para publicação de obras do mesmo género em Moçambique.

Em Bolonha, além de comprar e vender direitos, Dany Wambire, que também é curador do principal festival literário para a camada infanto-juvenil em Moçambique, o Festival do Livro Infantil da Kulemba (FLIK), espera “colher experiências e estabelecer parcerias que agreguem valor acrescido” ao evento que se realiza anualmente na Cidade da Beira.

“A Feira do Livro Infantil de Bolonha é o maior evento literário dedicado ao público infanto-juvenil e fazer parte desta feira é uma oportunidade ímpar para aprender modos de pensar e fazer uma festa literária para crianças”, considerou Dany Wambire, citado no mesmo comunicado de imprensa.

Além da Feira do Livro Infantil de Bolonha, no mesmo período e na mesma cidade, serão realizadas duas actividades paralelas, designadamente, Bologna BookPlus (BBPlus), uma extensão dedicada à publicação comercial geral; e a Bologna Licensing Trade Fair/Kids (BLTF/Kids), um evento de licenciamento da BCBF para direitos subsidiários de marcas e propriedades para crianças, adolescentes e jovens adultos.

A participação de Dany Wambire na Feira do Livro Infantil de Bolonha conta com o apoio e a colaboração da Agência Italiana de Comércio, baseada em Maputo.

Dany Wambire nasceu em 1989. É mestre em Comunicação e licenciado em Ensino de História. É escritor e fundador da Editorial Fundza. “A adubada fecundidade e outros contos”, seu livro de estreia, foi distinguido com menção honrosa no Prémio Internacional José Luís Peixoto (2013). Também publicou “O curandeiro contratado pelo meu edil” (2015), “Quem Manda na Selva” (2016), “A mulher sobressalente” (2018), “O Toninho e a vaca letreira” (2020), e “A arte de pilar medos” (2024).

 

Severino Ngoenha e Padre José Luzia defendem que há uma necessidade de se revisitar a história da intervenção da Igreja Católica na vigência do colonialismo português em Moçambique, numa altura em que se vive a terceira vaga da colonização. Os dois falavam durante o lançamento da obra “Moçambique: da colonização à guerra colonial, a intervenção da Igreja Católica”.

Uma obra escrita por dois escritores portugueses, Manuel Vilas Boas e Amadeu de Araújo, que retratam a intervenção da Igreja Católica no período colonialismo português em Moçambique. Uma intervenção que ajudou o país a perceber a ligação que existia entre a religião e a política.

Padre José Luzia, um dos entrevistados no livro é convidado a fazer comentários no lançamento do livro, disse que havia uma ligação directa entre a política e a religião, tal como a relação entre Dom Manuel Vieira Pinto, então Bispo de Nampula, e Samora Machel, então presidente da República.

“Quero dizer, o testemunho que temos, sobretudo do Vieira Pinto e o meu, não é tanto do tempo colonial. Atenção, que o Vieira Pinto ainda ficou até 2001. Portanto, é toda a relação de Vieira Pinto com Samora Machel”, disse o Padre José Luzia.

O sacerdote revelou ainda que o conteúdo do livro deve levar os leitores a uma percepção profunda da ligação entre religião e política. “Neste momento, nós precisamos de, ao ler este livro, perceber a profundidade, por um lado, do Evangelho de Jesus, porque agora às vezes aparece aí nas redes sociais que eles vieram com o Evangelho, mas ficaram com a terra e nós ficamos com a religião. Não é verdade”, revela. 

E dá exemplo do que acontece com o próprio, quando diz que “aquilo que sou, politicamente, e sou profundamente político, não sou capaz de fazer uma homilia sem meter a mão na política. Não sou capaz. Porque, de facto, a fé e a política estão dentro de mim como alguma coisa que actua permanentemente. E eu não sou um crente a olhar celestialmente para as nuvens. Eu sou crente na conjuntura, e por isso fui o primeiro a ser expulso de Moçambique, a seguir à independência”.

Já Severino Ngoenha, que foi chamado para fazer a apresentação do livro, começou por dizer que  as apresentações dos livros não têm que dizer o que os autores querem trazer, “têm que dar razões para as pessoas irem ler livros”.

Ngoenha disse que o livro “Moçambique: da colonização à guerra colonial, a intervenção da Igreja Católica” é um convite para rever uma parte da história moçambicana, mas também para revisitar a historiografia nacional.

“Estamos a 150 anos da terceira vaga da colonização, aniversário da escravatura, estamos a 50 anos de independência, o que foi a missão cristã. Recordar-se que em 1962, Paulo VI foi o primeiro a receber Agostinho Neto, Amílcar Cabral e Marcelino dos Santos, a dizer que, de um lado, o cristianismo não tem nenhuma novidade para os povos africanos, porque afinal de contas, a primeira terra do cristianismo foi a África, desde o primeiro século do cristianismo, e em segundo lugar a dizer que é legítimo que os africanos lutem pela independência, e foi a primeira grande personalidade a levantar-se contra a colonização e o aparecimento de libertação. Então, a Igreja tem os seus pecados, tem as suas virtudes, tem uma historiografia complexa e muitas vezes é tomada com demasiada simplicidade. Então, isto é um convite para revermos uma parte da nossa história e um convite da historiografia nacional para tomar a sério este tema”, revelou o filósofo.

O lançamento do livro, que já está à venda nas livrarias, contou com a participação de académicos, religiosos e estudantes.

 

No próximo dia 3 de Abril, às 17h30, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, a Gala-Gala Edições vai lançar “Poemas de Revisitação do Corpo Seguido de Apoteose do Nada”, de Sangare Okapi 

O poeta Sangare Okapi entregou-se à produção literária há 20 anos. Para celebrar a determinação e delicadeza do autor, a Gala-Gala Edições vai lançar o livro “Poemas de Revisitação do Corpo Seguido de Apoteose do Nada”, que reúne os dois primeiros livros do autor, em ordem de escrita.

A edição literária da Gala Gala, segundo uma nota de imprensa, oferece aos leitores a oportunidade de revisitar os primeiros passos de um poeta que, desde cedo, demonstrou uma capacidade ímpar de executar a poesia por meio de uma linguagem singular e primorosa. Pode-se ler no documento: “O texto do Sangare Okapi é uma imersão nas raízes da poesis, onde o corpo e o vazio se cruzam num baile que nos confronta com a nossa própria fragilidade e transcendência. Esta obra revela-nos um Sangare iniciante e avant-gardian, um enfant terrible que, desde o início, se destacou pela ousadia e originalidade, explorando temas como o corpo, a identidade, a memória e a morte com uma acuidade que nos deixa sem fôlego”, afirma o editor da editora, Pedro Pereira Lopes.

O livro de Sangare Okapi integra a colecção “Biblioteca de Poesia Rui de Noronha”, e será apresentado ao público numa cerimónia que contará com a participação dos professores universitários e ensaístas Sara Jona Laisse e Lucílio Manjate, que vão partilhar as suas reflexões sobre a obra e a importância de Sangare Okapi para a literatura moçambicana.

Sangare Okapi nasceu em Maputo, em 1977. É bacharel em Ensino de Português e professor. Publicou os livros de poesia “Inventário de Angústias ou Apoteose do Nada” (2005), “Mesmos Barcos ou Poemas de Revisitação do Corpo” (2007), livros para a mente e o coração “Mafonematográfico Também Círculo Abstracto” (2011), “Os Poros da Concha” (2018) e “Fleuma” (e-book, 2024). É co-autor dos livros “Era uma vez…” (2009) e “Antologia

Inédita — Outras vozes de Moçambique Maputo” (2014). Está representado na revista brasileira “Poesia Sempre” (2007). Co-produziu e encenou a peça “Pereto de Onti”, distinguida com mérito no Festival Regional de Teatro Amador Zona Sul, organizado pela Casa da Cultura do Alto-Maé (1996). Foi distinguido com o Prémio Revelação FUNDAC Rui de Noronha (2002) e o Prémio Revelação de Poesia AEMO/ICA (2004).

Em 2008, foi Menção Honrosa no Prémio José Craveirinha de Literatura.

 

Um grito de revolta poético e empenhado para construir pontes entre culturas e acabar com os medos instrumentalizados que impedem o mundo de dar a volta. É esse o mote do espectáculo que, segundo uma nota de imprensa, resulta da colaboração entre Mia Couto e a companhia multicultural Théâtre Spirale, dirigida por Patrick Mohr. 

“Murar o medo” ou “Murer la peur”, na forma como está a rodar em França e na Suíça, neste mês, aborda a questão dos medos que inibem os seres humanos, mas que fazem o negócio daqueles que têm interesse em mantê-los vivos. 

O medo do desconhecido, o medo dos outros, o medo de perder o emprego ou de não o encontrar, adianta a nota de imprensa, todos estes medos são como muros construídos no nosso caminho. Mas, e se os fechássemos e avançássemos juntos?

“Há, na obra, citações de palavras poderosas de Mandela, Gandhi, Sankara e outros, bem como a música do estilo jazz, o slam e melodias africanas. Murer la peur é um verdadeiro manifesto optimista, cheio de vitalidade e humor, que denuncia os fracassos do nosso mundo e imagina alternativas poéticas e dissidentes”, adianta a nota de imprensa.

Combinando teatro, música e dança, o espectáculo reúne oito actrizes e cinco músicos de uma vasta gama de origens culturais, maioritariamente do Senegal. 

O elenco é enriquecido pela participação de artistas suíços, franceses, italianos, cubanos, burquinenses, sul-africanos e malineses. 

Desde a sua criação, o Théâtre Spirale estabeleceu vínculos valiosos e duradouros com artistas de todas as esferas da vida, especialmente da África. Esta nova criação é uma oportunidade de fortalecer esses laços unindo forças.

Entre actrizes, músicos e dançarinos estão Ami Badji, Mame Diarra, Cathy Sarr, Aissatou Syla, Maimouna Doumbia e Amanda Cepero. E ainda a participação de Khalifa Mbaye, Papis Diabaté, Adama Diop, Fallou Diop, na composição e música. A coreografia é montada por Diwele Lubi e Aïssatou Syla.

A 17ª exposição individual de cerâmica de João Donato tem como título “Alternativas estratégicas: breve manual para os iniciados no n’txuva”. A exposição será inaugurada na quinta-feira, às 18 horas, na galeria do Museu Mafalala, Cidade de Maputo

Com um percurso marcado por exposições no Brasil, Portugal, Reino Unido, Espanha, Suíça, Estados Unidos da América e Moçambique, João Donato, na sua nova individual, apresenta um conjunto de 24 peças inspiradas no n’txuva – um jogo tradicional moçambicano, também conhecido como “xadrez africano”, devido à sua complexa estratégia e cálculos matemáticos.

Na nota de imprensa sobre a cerimónia de inauguração da exposição, pode-se ler que o conceito que guia a exposição nasce das memórias e vivências do artista, entrelaçando o seu imaginário estético com os hábitos e costumes das comunidades moçambicanas.

“Amplamente jogado na costa oriental africana, o n’txuva simboliza a riqueza da diversidade cultural presente na Mafalala, reflectindo séculos de cruzamentos e influências no Oceano Índico. Entusiasta da moçambicanidade, Donato utiliza a sua verve criativa para nos conduzir a uma reflexão sobre memória, identidade e conhecimento tradicional africano. Nesta exposição, ele propõe uma simbiose entre cerâmica e poesia, convidando o poeta Mauro Brito a agregar uma dimensão ilustrativa e poética às peças expostas”, pode-se ler na nota de imprensa.

A curadoria da exposição de João Donato é de Ivan Laranjeira, e “Alternativas estratégicas: breve manual para os iniciados no N’txuva” estará patente no Museu Mafalala até 21 de Abril.

O professor universitário Elísio Macamo lançou, esta sexta-feira, na UP-Maputo, o livro Fazer as coisas com a cabeça. Ao longo da cerimónia, o autor defendeu que nenhuma causa pode ser nobre se para a sua materialização tiver que violar direitos dos outros, referindo-se às incidências da vida social e política em Moçambique 

Entre 1982 e 1984, Elísio Macamo estudou no Instituto de Línguas. Nessa altura, as aulas eram leccionadas na actual instalação da Universidade Pedagogica de Maputo (UP-Maputo), no Campus do Museu. Entre memórias e emoções, nesta sexta-feira, o sociólogo voltou a “casa” para lançar o seu mais recente livro, Fazer as coisas com a cabeça, editado pela Ethale Publishing. 

Durante a sessão, o sociólogo teve a oportunidade de se referir ao seu novo livro, às suas motivações e de conversar com o público, sobretudo estudantil, que esteve na Biblioteca Central da UP-Maputo.

Entre vários assuntos tratados, e respondendo a perguntas colocadas pelo moderador da sessão, Duarte Amaral, e pelo auditório, Macamo falou de tudo um pouco: de livros, do tempo, do espaço, da vida universitária e de Moçambique.

 Ao pensar o país, o académico não ignorou o actual contexto social e político, tendo dito que uma das formas mais seguras de validar o que se pensa saber é através da ciência. Para o autor, na ciência não é válida a percepção de que se deve reger pelo modelo democrático, ou seja, o que a maioria decide é o que está correcto. Não. A ciência, lembrou, faz-se valer de acordo com os seus próprios critérios.

Ainda sobre a democracia, Elísio Macamo afirmou que há muita gente que pensa que o bem-estar, numa sociedade democrática, decorre apenas da aprovação de uma constituição. No entanto, é sempre necessário lutar-se pelos direitos constitucionais, pois nada, em política, é dado de bandeja. “O problema é que isso traz outro problema, da resposta da violência contra a violência. Mas os países mais estáveis são os que mudaram o seu sistema político de forma pacífica. Por isso eu sou mais pela reforma e pela via pacífica, porque nenhuma causa pode ser nobre se para sua materialização tiver que violar direitos dos outros. Por isso nunca estaria a favor da violência para alterar o sistema político”, garantiu.

 No entendimento de Macamo, “uma sociedade morre, quando não se preocupa em debater os métodos das questões”. Até porque no país, disse, articula-se muito a opinião de uma pessoa com a pessoa. “Temos dificuldade de separar o que a pessoa está a dizer com quem é”. E a certa altura da conversa, reforçou: “é sensato que se procure compreender como se pode pensar o país de maneira que se limite os danos das pessoas que cometem erros”.

O livro Fazer as coisas com a cabeça, de Elisio Macamo, foi apresentado (de forma virtual) por Patrício Langa, para quem o exército de debater na esfera pública é similar ao exercício físico, como ir ao ginásio. Nesse sentido, defendeu Langa, Macamo é um intelectual que privilegia o país, porque se preocupa com o intelecto dos moçambicanos. 

Para Patrício Langa, Fazer as coisas com a cabeça é uma excelente indução à arte de argumentar, principalmente porque “Vivemos um momento particular, em que a esfera pública é dominada pela opinião”. E o apresentador do livro acrescentou: “A sociedade se constitui e se faz no debate de ideias”. 

O anfitrião da sessão de lançamento do livro foi o Reitor da UP-Maputo. Para Jorge Ferrão, o livro Fazer as coisas com a cabeça “é um convite para entender que, nos tempos em que vivemos, com abundância de informação, precisamos de nos cuidar”. 

Igualmente, o reitor da UP-Maputo prometeu que este será um ano de muita celebração e convívio académico, com várias sessões e debates para ajudar a serenar a sociedade. “A universidade tem ajudar a serenar as mentes”, sublinhou Jorge Ferrão, reforçando, de seguida, que Elisio Macamo “é um dos expoentes da vida acadêmica e pública em Moçambique. Uma cabeça brilhante. Um dos nossos melhores intelectuais”. 

Para a Ethale Publishing, representado Jennifer Banze, Fazer as coisas com a cabeça reúne textos que constituem força motriz para mudança de mentalidades. “Por isso apostamos nos seus [Elísio Macamo] trabalhos, pela capacidade crítica e reflexiva [que despertam], para não tomarmos opiniões precipitadas ou erradas”. 

 

“Oxigeniosia”, da autoria de Franklin Gravata, e “O Clamor do Tambor Negro”, da autoria de Vally Moronvick, serão lançados no dia 28 deste mês, no Centro de Interpretação Samora Machel, na cidade de Tete, a partir das 16 horas.

“Em ‘Oxigeniosia’, Franklin Gravata apresenta uma poesia de amparo para os dias cada vez mais sombrios que todos nós, em algum momento, encaramos nas nossas vivências”, adianta a nota de imprensa da Mapeta Editora, que acrescenta: “É uma proposta para rir, chorar, amar e odiar, sendo, enfim, um pilar para aqueles que, mesmo vergados pelas dificuldades, continuam a sua caminhada”.

Franklin Gravata, nascido a 27 de Abril de 1991, na cidade de Chimoio, província de Manica, é leitor e curioso na arte da escrita. É formado em Relações Internacionais e Diplomacia pelo então Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI) de Maputo. Publicou o livro de poesia Sereia do Zambeze (2020).

Em “O Clamor do Tambor Negro”, Vally Moronvick desafia as correntes que a sociedade impõe ao modo de vida, convidando o leitor a reavaliar o mundo ao seu redor. Cada poema é uma batida firme do tambor, ressoando com uma urgência que nutre o espírito, enquanto questiona as normas e provoca uma revolução silenciosa na mente.

Vally Moronvick é o pseudónimo de Valissóvia Felizardo Alexandre Paiva. É formado em Ensino de Português pela extinta Universidade Pedagógica – Delegação de Tete, e em Português como Língua Segunda pela Universidade de Santiago, em Cabo Verde. É também formado em Teologia pela Universidade Teológica de São Paulo – UNITESP, Brasil. Actualmente, é docente na Escola Secundária de Fonte-Boa-Tsangano, em Tete.

Ambos são livros de poesia, editados pela Mapeta Editora.

“Conhecimento Religioso: Entre a fé e a razão” é o título da obra de estreia de Joel Macedo, a ser lançada no dia 27 deste mês, no Centro Cultural Português da Beira, a partir das 18 horas.

Segundo uma nota de imprensa, a obra aborda a intrincada relação entre o invisível e o visível, o confronto eterno entre a fé e a razão, num percurso que atravessa os primórdios da humanidade, muito antes do surgimento da Filosofia e da Literatura.

“O autor explora temas que desafiam a percepção comum da divindade, propondo até a possibilidade de que o universo seja fruto de um jogo divino, repleto de enigmas e questionamentos sobre o propósito da existência”, pode-se ler na nota de imprensa.

Joel Macedo é formado em Ciências da Educação com habilitação em Educação de
Adultos, pela Universidade Licungo. Desde cedo, demonstrou um profundo interesse por questões existenciais, que foi intensificado pelo seu encontro com a Bíblia e a Filosofia, que o inspiraram a buscar respostas e a compreender o sentido da vida.

Com a chancela da chancelada Mapeta Editora, a apresentação estará a cargo do académico Edu Manuel, Doutor em Ciências da Educação com especialização em Organização do Ensino, Aprendizagem e Formação de Professores pela Universidade de Coimbra, em Portugal.

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