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O País – A verdade como notícia

A artista visual Patrícia Costa inaugura, na quarta-feira, 21 de Outubro, na Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo, a exposição O Sol da Meia-Noite, um projecto artístico que parte da fotografia documental para reflectir sobre a luz, a esperança e a capacidade humana de resistir às adversidades.

A exposição reúne imagens produzidas ao longo de mais de duas décadas de contacto da artista com comunidades marcadas pela pobreza, conflitos e desigualdades, no âmbito do seu percurso profissional nas áreas do desenvolvimento comunitário e da comunicação para o desenvolvimento. Inicialmente utilizadas como instrumentos de documentação e memória, estas fotografias dão agora origem a uma investigação visual sobre a forma como observamos e interpretamos a realidade.

Em O Sol da Meia-Noite, a fotografia documental cruza-se com a colagem contemporânea, a folha de ouro, os padrões inspirados em África e na Índia e outros elementos simbólicos. Através desta combinação, Patrícia Costa procura revelar dimensões de esperança, força e humanidade que coexistem com situações de vulnerabilidade, sem ocultar as feridas ou suavizar as dificuldades retratadas.

A folha de ouro assume particular importância no conceito da exposição, surgindo como metáfora de transformação. Inspirada na tradição japonesa do kintsugi, que valoriza as fracturas em vez de as esconder, a artista propõe um olhar que reconhece as marcas da experiência como parte integrante das histórias individuais e colectivas.

Nascida em Portugal, Patrícia Costa cresceu entre diferentes países e culturas, incluindo Moçambique, Brasil, Reino Unido, África do Sul e Angola. É formada em Psicologia pela Brunel University, em Londres, e mestre em Development Management pela London School of Economics. Ao longo de mais de vinte anos, trabalhou com organizações nacionais e internacionais em áreas como saúde, educação, conservação, género e desenvolvimento comunitário.

Actualmente a viver e trabalhar em Maputo, a artista desenvolve uma prática que articula fotografia, percepção e construção de significado.

Com O Sol da Meia-Noite, Patrícia Costa convida o público a desacelerar o olhar e a questionar as narrativas construídas em torno da realidade, reconhecendo a coexistência entre luz e escuridão, dor e esperança, fragilidade e resistência.

O presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Lutero Simango, considera que o Diálogo Nacional Inclusivo constitui a principal oportunidade para a refundação do Estado moçambicano e para a resolução dos problemas do país. O dirigente falava em Maputo, durante uma sessão de formação de quadros do partido, com a duração de dois dias, dedicada à reflexão sobre o processo eleitoral para o ciclo de 2028-2029.

Lutero Simango rejeita a necessidade de uma Assembleia Constituinte para redefinir a Constituição da República e o modelo de governação, defendendo que a solução deve ser encontrada através do Diálogo Nacional Inclusivo.

Na sua intervenção, o líder do MDM afirmou que a proposta de criação de uma Assembleia Constituinte foi rejeitada pelos Acordos de Lusaka, em 1974, considerando que a sua concretização implicaria um regresso à estaca zero na definição dos fundamentos do Estado moçambicano.

Simango recordou ainda que, naquela altura, algumas figuras defendiam a realização de uma Assembleia Constituinte para decidir o rumo da governação do país, uma possibilidade que, segundo afirmou, não chegou a concretizar-se.

O presidente do MDM defende que o Diálogo Nacional Inclusivo deve permitir a construção de um Estado apartidário, assente nos princípios da democracia, do respeito pelas liberdades e da inclusão.

No domínio eleitoral, Lutero Simango defendeu a realização de eleições transparentes e livres de manipulação, bem como uma Constituição que garanta os direitos e as liberdades de todos os moçambicanos.

O dirigente considera ainda que o processo de diálogo deve contribuir para a reconciliação nacional e para o fortalecimento do Estado de Direito democrático.  A sessão de formação de quadros de alto nível do MDM termina este sábado, em Maputo.

Atanásio Luciano, conhecido como Professor Jaleia, leciona no ensino primário no distrito de Luabo, província da Zambézia, e desenvolve ações de apoio a comunidades vulneráveis, com atenção especial às crianças, aos idosos e às famílias de baixa renda.

Além da atividade docente, Jaleia participa em iniciativas comunitárias voltadas para a promoção da educação e a prevenção dos casamentos prematuros. O professor defende a permanência das crianças na escola e a proteção das raparigas contra práticas que limitam o seu desenvolvimento e as suas oportunidades de formação.

Em Luabo, muitas famílias dependem da pesca e da agricultura. As dificuldades económicas dificultam a compra de uniformes e material escolar, contribuindo para o abandono ou a interrupção dos estudos.

“Uma das grandes necessidades das nossas crianças em Luabo, é mesmo a falta de roupa, calçados para o seu quotidiano. Muitas vezes estas crianças têm apenas um calção roto e não têm chinelos. Para sair de casa para escola, enfrentam grandes distâncias descalças. Neste tempo que está sol, uma criança com roupa rota e outras necessidades, torna suas vidas muito mais complicadas” disse Jaleia para quem precisa-se de apoio urgente para minimizar o sofrimento das crianças.

Perante esta realidade, Jaleia procura mobilizar apoios para crianças carenciadas e sensibilizar as comunidades sobre a importância da educação. A sua intervenção inclui também o acompanhamento de idosos e de outras famílias em situação de vulnerabilidade.

A Vivo Energy disponibilizou 400 kits escolares para crianças carentes de Luabo. O apoio pretende reduzir os encargos das famílias e contribuir para a permanência dos alunos no sistema de ensino.

Por meio do trabalho comunitário, o Professor Jaleia procura reforçar a responsabilidade colectiva na protecção da infância, na prevenção dos casamentos prematuros e no apoio às famílias mais necessitadas.

 

As Forças Armadas dos  Estados Unidos elaboraram planos de ataque contra o Irão e que poderão usar a bomba conhecida como “mãe de todas as bombas”.  A informação foi divulgada pela CNN Internacional nesta quinta-feira.

Oito meses depois dos Estados Unidos da América e Israel lançarem um ataque conjunto contra vários locais no Irão, desencadeando o actual conflito entre estes países, os Estados Unidos cogitam agora usar uma bomba conhecida como mãe de todas as bombas contra o Irão, que é a bomba GBU-43/B .

Os alvos poderão ser instalações nucleares e a infra-estrutura energética do país. Os ataques deverão ocorrer caso o presidente Donald Trump ordene a retomada das operações militares.

O uso da maior bomba não nuclear do arsenal americano poderá representar uma escalada significativa do conflito.

O Irão, por sua vez, reitera que não quer uma guerra interminável, mas garante que continuará a lutar até que Washington aceite as exigências iranianas. 

Esta quinta-feira, houve um ataque a mais dois navios no Estreito de Ormuz, canal marítimo partilhado por vários países do médio oriente, incluindo o Irão, e por onde passam combustíveis que abastecem vários países. E é mesmo por estes ataques no contexto da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irão que disparam preços dos combustíveis em vários países.

O Conselho Municipal de Maputo realiza, na quarta, quinta e sexta-feira, no Paços do Município e no Jardim Tunduru, a Feira do Livro de Maputo. A presente edição homenageia Luís Carlos Patraquim e tem como patrona Noémia de Sousa.

Uma vez mais, a Feira do Livro de Maputo vai honrar o compromisso de promover a literatura moçambicana e, por conseguinte, garantir a partilha de leituras entre diferentes personalidades e munícipes. Como tem sido habitual, ao longo de três dias, a iniciativa do Conselho Municipal de Maputo vai proceder ao lançamento de livros, à realização de mesas redondas e de oficinas criativas e ainda celebrar autores que se revelam determinantes para a afirmação da arte literária no país.

Na presente edição, o grande momento da Feira do Livro de Maputo será a homenagem a Luís Carlos Patraquim, poeta que há meio século faz da escrita a arte de pensar e projectar a humanidade. A sessão de homenagem está marcada para sexta-feira, às 16h, no Salão Nobre do Conselho Municipal.

Natural de Maputo (1953), o poeta, escritor, guionista, dramaturgo e jornalista, Luís Carlos Patraquim, iniciou-se nas letras ainda novo. Aos 17 anos de idade, começa a colaborar com o jornal A Voz de Moçambique, mas o ambiente que se vivia em Moçambique leva a que, em 1973, com apenas 20 anos de idade, procure refúgio na Suécia. No início de 1975, entretanto, com a independência a poucos meses de distância, regressa à Cidade de Maputo, integrando os quadros do jornal A Tribuna. Patraquim é um dos membros do núcleo fundador da Agência de Informação de Moçambique (AIM) e faz também parte da fundação do Instituto Nacional de Cinema, no qual exerce, entre 1977 e 1986, a função de roteirista, argumentista e redactor principal do jornal cinematográfico Kuxa Kanema.

Luís Carlos Patraquim também coordenou a prestigiada Gazeta de Artes e Letras da revista Tempo, órgão que muito ajudou a promover e a renovar a literatura moçambicana. No entanto, além da actividade de jornalista, encontrou na poesia uma paixão. Em 1980, estreia-se nos livros e publica Monção, para muitos estudiosos, um marco importante no que concerne à poesia que era produzida e passará a ser produzida nos anos seguintes. Cinco anos depois de Monção, o autor publica outro livro icónico, A inadiável viagem. Em 1986, fixa-se em Portugal e passa a colaborar com meios da imprensa portuguesa, como o Jornal de Letras, o Diário de Lisboa, o Expresso ou o Público. Também é autor de Vinte e tal novas formulações e uma elegia carnívora (1992) ou O osso côncavo e outros poemas (2005).

Em 2010, investe no romance com A Canção de Zefanías Sforza e, nos anos seguintes, também publica Matéria concentrada (2011), O cão na margem (2017) e o deus restante (2017).O lema para a presente edição da Feira do Livro de Maputo é Se me quiseres conhecer, vem sonhar com o livro. A proposta é inspirada no poema “Se me quiseres conhecer”, do livro Sangue negro, de Noémia de Sousa, a patrona deste ano. Essencialmente, o lema invoca e convoca o leitor a sintonizar-se com o legado da autora que, se estivesse viva, teria completado 100 anos de idade no passado dia 20 de Setembro. Portanto, o tributo à ‘mãe dos poetas moçambicanos’ justifica-se pelo excelente contributo para as letras nacionais e pela inspiração inequívoca aos autores de Moçambique e do mundo.

A Feira do Livro de Maputo é uma iniciativa do Conselho Municipal de Maputo, que, há duas décadas, constitui um espaço de promoção da língua portuguesa, da literatura e do intercâmbio cultural entre países africanos, europeus, americanos e asiáticos. Ao reunir diferentes intervenientes das indústrias criativas, como escritores, poetas, ensaístas, editores nacionais e internacionais, livreiros, bibliotecários, professores, gestores, jornalistas e leitores de todas as idades, o evento tem, inclusivamente, contribuído para tornar Maputo uma cidade criativa.

Durante três dias, o evento do Conselho Municipal tem funcionado como uma plataforma de lançamentos de livros, oficinas, actividades infantis, sessões de autógrafos, exposições, debates e apresentações artísticas, criando um ambiente de intercâmbio cultural e de valorização do livro como instrumento de desenvolvimento humano e, consequentemente, social.
À semelhança dos anos anteriores, a Feira continua privilegiar iniciativas que consistem em levar a arte literária às escolas, no caso deste ano, através da Festa do Livro de KaNyaka, no Distrito Municipal KaNyaka, e o A caminho da feira, no Distrito Municipal KaMpfumo.

Em ambos os casos, os encontros permitiram que os alunos exprimissem as suas sensibilidades literárias através da partilha de textos poéticos que, depois da selecção e edição, serão editados em livro pela Kuvaninga Cartão d’Arte durante o evento. Assim, com efeito, mais alunos primários tiveram com quem partilhar o talento que possuem e complementar o processo de ensino e aprendizagem através da actividade extracurricular promovida pela Feira do Livro de Maputo.
Ciente da importância do vosso órgão, solicitamos a divulgação da informação e a respectiva cobertura.

O Japão vai disponibilizar 1,8 milhões de dólares para assistência alimentar a 94 mil pessoas afetadas pelo conflito em Cabo Delgado, norte de Moçambique, através do Programa Alimentar Mundial (PAM).

“Esta contribuição permitirá apoiar cerca de 94 mil deslocados internos e outras pessoas afetadas pelo conflito em Cabo Delgado através da distribuição de arroz e conservas de peixe”, disse o embaixador do Japão em Moçambique, Keiji Hamada, citado pela Lusa, na cerimónia de assinatura do financiamento, formalizado ontem, em Maputo.

Segundo o diplomata, a assistência será assegurada através da distribuição de arroz produzido localmente e conservas de peixe, procurando ajudar as famílias afetadas pelo conflito a satisfazer as suas necessidades alimentares básicas.

Keiji Hamada acrescentou que, desde 2019, o Japão contribuiu com cerca de 21,38 milhões de dólares  para as operações do PAM em Moçambique.

A diretora nacional do PAM no país, Claire Conan, que também assinou este acordo, afirmou que o financiamento chega numa altura em que as necessidades humanitárias permanecem elevadas e os recursos disponíveis continuam insuficientes para responder à totalidade das populações vulneráveis.

“Permitirá ao PAM prestar assistência alimentar a 94 mil pessoas, ajudando famílias vulneráveis a satisfazer as suas necessidades alimentares básicas”, afirmou Claire Conan.

Segundo a responsável, o apoio pretende evitar que os agregados familiares recorram a estratégias prejudiciais para lidar com a escassez de alimentos.

A assistência irá combinar produtos adquiridos em Moçambique com conservas de peixe, contribuindo simultaneamente para o apoio às populações afetadas e para a dinamização dos mercados locais.

“Este apoio do Japão não é apenas oportuno, é profundamente significativo”, afirmou a representante do PAM, agradecendo ao Governo japonês pela contribuição.

Claire Conan alertou ainda para os possíveis efeitos do fenómeno El Niño, considerando que um agravamento da seca poderá aumentar o número de famílias em situação de insegurança alimentar numa altura em que o financiamento humanitário enfrenta fortes constrangimentos.

Por sua vez, o vice-presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Gabriel Monteiro, destacou a cooperação japonesa na assistência humanitária e na prevenção de desastres, referindo o apoio à construção de sistemas de drenagem na cidade da Beira, província de Sofala, e os estudos em curso para encontrar soluções para as inundações urbanas em Maputo e Matola.

A província de Cabo Delgado, rica em gás natural, enfrenta desde 2017 uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e mais de 1,2 milhões de deslocados, segundo organizações internacionais.

Atualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas continuam a viver com os efeitos do conflito, incluindo aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil pessoas regressadas às suas zonas de origem.

Os incidentes associados à insurgência aumentaram 10% no primeiro semestre de 2026 face ao mesmo período do ano anterior.

A escritora e poeta moçambicana Sónia Sultuane assinala este ano 25 anos desde a publicação do seu primeiro livro. A efeméride foi assinalada esta terça-feira, 6 de Outubro, no Camões – Centro Cultural Português, em Maputo, durante uma sessão do “Escritor do Mês”, iniciativa que conta com a parceria do BCI.

O encontro reuniu escritores, analistas, declamadores e outros representantes do meio artístico e cultural, além de leitores e interessados em literatura. A sessão incluiu a apresentação do percurso literário da autora, feita pelo escritor Eduardo Quive, leitura de poemas, testemunhos e um debate sobre literatura, criação e vida literária.

Durante o encontro, Sónia Sultuane recordou diferentes momentos da sua trajectória, as referências que influenciaram o seu percurso e as pessoas envolvidas na edição das suas obras. A escritora destacou também a produção literária moçambicana. “Nós temos uma literatura belíssima”, afirmou.

A Directora Central de Marketing do BCI, Ana Zara Fateally, referiu-se à trajectória da autora e à relação entre o banco e Sónia Sultuane, iniciada em 2001, com o lançamento de “Sonhos”. A parceria incluiu ainda a exposição “Pancho: Outras Formas e Olhares”, em 2019, e o lançamento de “O Lugar das Ilhas”, no Auditório do BCI, em 2021.

A representante do BCI afirmou que a instituição apoia a iniciativa “Escritor do Mês” por considerar importante a divulgação e o debate em torno da obra de escritores de língua portuguesa e o incentivo à leitura.

A sessão decorreu num ano em que Sónia Sultuane completa 25 anos desde a publicação do seu primeiro livro, num encontro dedicado à sua produção literária e ao seu percurso enquanto escritora e poeta.

A falta de alimentos e abrigo dominam as preocupações de deslocados e retornados em Moçambique, num período em que apenas 30% das situações reportadas através dos mecanismos humanitários tiveram resolução registada, segundo dados oficiais.

As conclusões constam de um estudo do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) relativo ao segundo trimestre deste ano, divulgado nesta quarta-feira e citado pela Lusa, que analisou informações recolhidas entre Abril e Junho em dez países da África Oriental e Austral, em que Moçambique contribuiu com 4.570 interações de comunidades afetadas por deslocação forçada, correspondentes a 9,2% do total regional.
De acordo com o relatório “Regional Community Feedback Analysis”, a maioria dos registos esteve relacionada com pedidos de assistência e serviços, que representaram 2.882 das interações recolhidas no país, seguindo-se os pedidos de informação, com 894 casos.

Entre as principais preocupações identificadas no estudo destacam-se a segurança alimentar e nutrição, com 748 ocorrências, o acesso a abrigo e bens não alimentares, com 741, questões ligadas a registo e documentação, com 580, e problemas relacionados com água, saneamento e higiene, com 517 casos.
“A maioria dos pedidos de assistência e serviços em Moçambique esteve relacionada com alimentação, abrigo e apoio básico”, refere a análise, que identifica estas áreas como as necessidades mais frequentemente reportadas pelas comunidades.

Os dados revelam igualmente fragilidades na capacidade de resposta aos pedidos recebidos, já que apenas 30% dos casos reportados em Moçambique foram registados como resolvidos, valor muito inferior à média regional de 62%.
Segundo o documento, os diferentes mecanismos de recolha e gestão de ‘feedback’ no país continuam a funcionar de forma “largamente autónoma”, dificultando o
acompanhamento dos casos e a harmonização das respostas prestadas.

O relatório recomenda, por isso, uma maior integração dos sistemas de gestão de reclamações e pedidos de apoio, bem como o reforço dos mecanismos de encaminhamento e acompanhamento para melhorar a taxa de resolução.

A análise mostra ainda que os retornados representaram o maior grupo de utilizadores dos mecanismos de ‘feedback’ em Moçambique, com 51,6% das interações, seguidos pelos deslocados internos, responsáveis por 31,8% dos contactos registados.

A predominância de deslocados internos e retornados entre os utilizadores destes mecanismos reflete o impacto continuado da crise em Cabo Delgado, província do norte de Moçambique, afetada desde outubro de 2017 por ataques de grupos insurgentes, que provocaram mais de 1,2 milhão de deslocados e cerca de 6.600 mortos, segundo organizações internacionais, desencadeando uma prolongada crise humanitária.

As mulheres corresponderam a 61% dos utilizadores destes mecanismos no país, acima da média regional, entre as quais 21% tinham mais de 60 anos, a percentagem mais elevada entre os dez Estados abrangidos pelo estudo.
Moçambique registou igualmente o maior número de reclamações formais entre os países analisados, com 244 casos, superando os totais registados na Etiópia e no Sudão do Sul.

A nível regional, o relatório conclui que a insegurança alimentar, as dificuldades económicas e os efeitos combinados de conflitos armados e choques climáticos continuam a dominar as preocupações das comunidades afectadas por deslocações forçadas.
O documento assinala ainda que o acesso a meios de subsistência, documentação e serviços básicos permanece um dos principais desafios para refugiados, deslocados internos e retornados nos dez países analisados, apesar de alguns progressos registados nos processos de regresso e integração comunitária.

A cantora moçambicana Tchakaze, nome artístico de Teresa da Graça Rangel Semende, foi distinguida com o galardão “Escudo de Prata”, sendo nomeada embaixadora da Casa de Moçambique em Portugal. A cerimónia decorreu durante a segunda edição do projecto “Só Elas em Palco”, que encheu o Estúdio Auditório da Rádio Moçambique, em Maputo.

Com data de 29 de Setembro, a distinção foi subscrita pelo presidente da direcção da instituição, Enoque João, e pelo presidente da Assembleia Geral, Simão João, destacando o contributo da artista na divulgação da cultura moçambicana no estrangeiro e o seu impacto social. Ao receber o prémio, Tchakaze dedicou o reconhecimento a todas as mulheres, assumindo o papel como um privilégio e uma responsabilidade.

O evento serviu igualmente para reafirmar a importância da difusão cultural pela emissora pública, através de uma intervenção de Ivan Obedias, chefe da Rádio Cidade, no âmbito da parceria com a Plataforma Mbenga Artes e Reflexões no Mbenga Live Session.

Perante um auditório lotado, o espectáculo contou com uma estrutura exclusivamente feminina em palco, articulando música, dança, poesia e teatro. A abertura esteve a cargo do grupo Hody, seguindo-se a interpretação de temas como “Zula” e “Mulher tem Força” por Tchakaze. A noite incluiu actuações individuais das artistas convidadas Kátia Tembe, Rukan Rosy, Wilma Williamo, Vânia Óscar e Juliana de Sousa, culminando num momento colectivo com a canção “No Time to Loose”.

Com formação em Psiquiatria e Saúde Mental, experiência na representação na série “A Infiltrada” e um percurso musical iniciado aos 17 anos — consolidado com sucessos como “Nkata” e o álbum “Tchukela” —, Tchakaze reafirma o seu papel dinamizador na arte nacional. O projecto “Só Elas em Palco” prolonga-se através de transmissão radiofónica pela Rádio Cidade 97.9 FM, estando já prevista a realização de uma terceira edição.

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