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O País – A verdade como notícia

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, defendeu, esta quarta-feira, o aprofundamento da cooperação económica e política entre Moçambique e oito países, Cuba, África do Sul, Tailândia, Nigéria, Gana, Namíbia, Eslováquia e Dinamarca, durante as conversações mantidas, em Maputo, com os novos representantes diplomáticos destas nações, por ocasião da recepção das respectivas Cartas Credenciais.

Segundo a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela dos Santos Lucas, as conversações permitiram identificar oportunidades para elevar as relações bilaterais e reforçar a troca de experiências em sectores considerados estratégicos para o desenvolvimento de Moçambique.

Com a Tailândia, Moçambique pretende ampliar a cooperação na produção de arroz e no sector do gás natural em Cabo Delgado. Já com a Nigéria, país que mantém relações históricas com Moçambique, a aposta passa por elevar a cooperação comercial e económica ao nível das relações político-diplomáticas.

No caso do Gana, as partes destacaram a experiência daquele país na refinação de ouro e na organização da mineração artesanal, áreas nas quais Moçambique procura colher experiências para melhorar a sua própria abordagem ao sector.

Com a Namíbia, a cooperação deverá continuar a privilegiar sectores como o gás natural e as pescas, enquanto com a Dinamarca Moçambique pretende aprofundar a parceria na agricultura, aproveitando a experiência dinamarquesa neste domínio.

A relação com a África do Sul foi igualmente abordada numa perspectiva de reforço da cooperação e integração regional. Neste âmbito, foi destacada a participação de Moçambique na próxima Cimeira da SADC, onde os dois países poderão continuar a concertar posições sobre questões de interesse comum.

Moçambique e África do Sul estão também a explorar possibilidades de cooperação económica nas zonas fronteiriças, incluindo a extensão de uma Zona Económica Especial sul-africana para áreas de Moçambique e Eswatini. A iniciativa apresenta potencial para dinamizar a agricultura, a transformação de produtos e a criação de oportunidades de emprego.

As relações com a Nigéria, Gana e Namíbia deverão igualmente ganhar novo impulso ao nível da diplomacia presidencial, com estes países a manifestarem interesse na realização de visitas de Estado do Presidente Daniel Chapo.

Segundo Maria Manuela Lucas, os convites constituem uma oportunidade para aprofundar o diálogo político e conferir maior dimensão às parcerias económicas e sectoriais existentes.

Em relação à Eslováquia e à Dinamarca, ambas integrantes da União Europeia, Moçambique reiterou a importância do apoio europeu à continuidade da Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM, acrónimo em inglês), destinada ao apoio às Forças de Defesa e Segurança. O país manifestou igualmente interesse no aprofundamento da cooperação económica, com destaque para a digitalização no caso eslovaco.

Com Cuba, o Presidente Chapo reafirmou a solidariedade de Moçambique para com o povo cubano e o compromisso de manutenção do apoio entre os dois países. Com os restantes parceiros foram igualmente abordadas perspectivas de reforço das relações bilaterais e de intercâmbio de experiências.

Para Maria Manuela Lucas, o conjunto das conversações demonstra a intenção de Moçambique de utilizar as relações diplomáticas para ampliar parcerias económicas, promover a troca de experiências e fortalecer a cooperação em áreas estratégicas, consolidando os laços de amizade e entendimento com os oito países.

Duas linguagens artísticas distintas encontram-se na exposição “Configurações performativas”, patente no Centro Cultural Franco-Moçambicano, em Maputo. A mostra reúne obras dos artistas moçambicanos Ventura Mulalene e Fernando Chaleca, que, através da pintura e de instalações, exploram a relação entre o ser humano, a memória, a natureza e o espaço que o rodeia.

Nas obras de Ventura Mulalene, as plantas assumem novas formas e significados. O artista trabalha a ideia de performance associada ao movimento e à caminhada, inspirando-se na forma como as pessoas circulam em diferentes espaços, como mercados e bairros.

Fernando Chaleca, por sua vez, constrói abrigos e estruturas recorrendo sobretudo a materiais industriais e resíduos. A sua abordagem procura também chamar a atenção para a gestão dos resíduos sólidos e para a reutilização de materiais que são habitualmente descartados.

Com curadoria de Titus Pelembe, a exposição convida o público a interagir com as obras. Uma das instalações de Chaleca, por exemplo, apresenta uma estrutura semelhante a uma escadaria e a um pequeno labirinto, obrigando o visitante a movimentar-se, baixar o olhar e fazer pausas durante o percurso. A experiência procura levá-lo a reflectir sobre a ideia de abrigo enquanto espaço de protecção e acolhimento.

A mostra conta igualmente com o apoio do Millennium bim, instituição que mantém um acervo artístico e afirma investir no desenvolvimento da arte e da cultura moçambicanas, com particular atenção aos jovens artistas.

“Configurações performativas” estará patente no Centro Cultural Franco-Moçambicano de 11 de Agosto a 12 de Outubro, reunindo obras que procuram transformar formas, memórias, movimentos e materiais descartados em experiências de reflexão sobre a relação entre o indivíduo e o seu espaço.

 

O escritor moçambicano Miguel Luís lança na cidade da Beira, o seu primeiro romance, intitulado A terra ainda está zangada, na Livraria Fundza, numa sessão que marca o início de um roteiro literário que levará o autor às províncias de Manica e Maputo.

Ambientado no universo da mineração, particularmente na província de Manica, o romance acompanha Francisco, um adolescente que vê o seu sonho de continuar os estudos ameaçado depois de o pai desaparecer num desabamento ocorrido num campo de mineração. Ao lado do amigo Eurico, o jovem acaba por descobrir que uma empresa mineira, alegadamente protegida por autoridades e homens armados, pretende apoderar-se das terras, do ouro e das águas do rio Púnguè.

A narrativa aborda temas como a perda, os conflitos familiares, a ganância, a injustiça e a resistência de comunidades confrontadas com a exploração dos seus recursos naturais. Para Miguel Luís, o interesse pela mineração não está apenas no fenómeno económico ou técnico, mas sobretudo nas consequências que esta actividade produz sobre as pessoas, as famílias, os afectos e o território.

O escritor, que actualmente vive em Portugal, explica que a obra resulta também de uma ligação permanente a Moçambique e da necessidade de reflectir sobre as dores e transformações do país. O processo de escrita começou entre 2018 e 2019, quando a exploração de rubis despertou a sua atenção. No entanto, o projecto ganhou novo impulso depois de uma passagem por Maputo, em Dezembro de 2024, experiência que, segundo o autor, o levou a confrontar-se com um país marcado pela dor.

Mais do que um simples romance, Miguel Luís considera A terra ainda está zangada uma espécie de oração à sua terra natal. O título, explica, reflecte as feridas que permanecem na sociedade moçambicana depois de diferentes períodos de conflito e instabilidade, incluindo a luta de libertação, a guerra civil, os conflitos militares e a violência registada em 2024.

A ensaísta Fátima Mendonça considera a obra um romance de formação, destacando a capacidade narrativa do autor e uma escrita ancorada na realidade social moçambicana.

Depois da apresentação na Beira, Miguel Luís seguirá para Manica. Na cidade de Chimoio, o escritor estará na Escola Mwana Unerufaro, no dia 14, para uma conversa com alunos do ensino secundário. No mesmo dia, às 15 horas, a obra será apresentada aos leitores na UniPúnguè pelo escritor e editor Dany Wambire.

O programa inclui ainda um encontro com o Clube do Livro da Beira, no dia 15, uma apresentação em Maputo, no dia 20, pelo músico Stewart Sukuma, e uma conversa com estudantes de Ensino de Português da Universidade Eduardo Mondlane, marcada para o dia 25.

Nascido em Maputo, Miguel Luís é escritor e advogado. É licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e mestre em Estratégia de Investimento e Internacionalização pelo Instituto Superior de Gestão. Tem textos publicados em antologias e na imprensa moçambicana e portuguesa e foi distinguido em diferentes prémios literários. Em 2023, publicou O Desamparo das Flores, obra que foi finalista do Prémio Nacional de Literatura Infanto-juvenil de Moçambique em 2024.

O Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (INICC) está a propor a criação de um Regime Jurídico das Entidades de Gestão Colectiva dos Direitos de Autor e Direitos Conexos, com o objectivo de reforçar a legitimidade, transparência e eficiência das organizações que actuam na defesa dos interesses dos criadores moçambicanos.

A proposta surge num contexto de crescimento do número de entidades colectivas que operam no domínio da protecção dos Direitos de Autor e Direitos Conexos. Segundo o INICC, torna-se necessária a existência de um instrumento jurídico específico que estabeleça regras uniformes para a constituição, organização e funcionamento destas entidades, garantindo uma representação adequada dos titulares de direitos.

Entre os principais constrangimentos identificados estão a insuficiência de mecanismos de transparência na gestão e distribuição das receitas, a inexistência de sistemas eficazes para a cobrança de taxas resultantes do licenciamento de obras protegidas e a deficiente prestação de informação aos titulares sobre critérios de fixação de tarifários e condições de utilização das suas obras.

O INICC considera que o novo instrumento jurídico poderá contribuir para ultrapassar estas limitações e estabelecer regras claras para o funcionamento das organizações de gestão colectiva.

A aprovação do regime deverá ainda conferir maior legitimidade a entidades como a Associação Moçambicana de Autores (SOMAS), a Sociedade Moçambicana dos Direitos Autorais (SMDA) e a Sociedade Moçambicana de Autores (SMAutores), reforçando a protecção jurídica dos criadores, a equidade na distribuição de rendimentos e a responsabilização das entidades de gestão colectiva.

A proposta tem como referência experiências de países como Malawi, Angola, Quénia, Cabo Verde, Portugal e Brasil. Actualmente, o instrumento encontra-se em processo de harmonização interministerial e de consulta com instituições privadas, associações culturais, profissionais das artes e cultura e entidades de gestão colectiva que operam em Moçambique.

O processo enquadra-se na Lei n.º 9/2022, de 29 de Junho, Lei dos Direitos de Autor e Direitos Conexos, cujo artigo 93 estabelece que os poderes relativos à gestão destes direitos podem ser exercidos directamente pelos titulares, através de representantes devidamente habilitados ou por intermédio de Organizações de Gestão Colectiva autorizadas pela entidade competente que superintende a área da cultura.

 

Moçambique possui kits de protecção para eventuais casos de ébola, assegura representante da Organização Mundial da Saúde. Severino Xylander diz que a nova variante da doença é de baixo risco para o país.

O reprsentante da Organização Mundial da Saúde em Moçambique alerta que o risco do ébola na República Democrática de Congo e os países vizinhos continua alto. Mas, para o resto do mundo a situação premanece controlada.

No programa Manhã Informativa da STV, Severino Xylander admitiu que Moçambique está minimamente preparado para um eventual surto da doença.

O representante da OMS considera que nos últimos 10, Moçambique fez muito, principalmente na preparação para responder a este tipo de doenças.

Na última semana, foram registados mais de 560 novos casos do ébola nos países afectadas, onde mais da metade das pessoas perderam a vida. Neste momento, não há vacina nem cura para a nova variante da doença.

Grupo de direitos humanos alerta para assédio contra imigrantes na África do Sul

O Estado deve deter os grupos de vigilantes que estão a visar ilegalmente migrantes, empresários e comunidades, afirmou ontem a Amnistia Internacional África do Sul.

O assédio contínuo relatado contra pessoas com base em sua nacionalidade ou devido ao seu status imigratório percebido, frequentemente assumindo a forma de solicitações ilegais de documentos de identificação, intimidação, despejo forçado de empresas e residências e humilhação pública, constitui uma violação dos direitos humanos e do Estado de Direito.

Por vezes, isto acontece enquanto agentes da polícia que acompanham os manifestantes no seu percurso assistem passivamente à retirada de imigrantes suspeitos de serem imigrantes sem documentos das suas casas, tendo os seus pertences danificados ou saqueados.

Observa-se uma crescente normalização do vigilantismo em comunidades por todo o país. Vídeos que circulam nas redes sociais e reportagens sugerem que atos antes considerados inaceitáveis ​​estão sendo cada vez mais tolerados e, em alguns casos, até mesmo celebrados.

“A falha do Estado em agir de forma decisiva contra esses grupos criou uma impressão perigosa de que as pessoas têm o direito de violar os direitos dos outros simplesmente por causa de sua nacionalidade ou status imigratório percebido”, disse Shenilla Mohamed, directora-executiva da Amnistia Internacional África do Sul.

“Embora o governo tenha deixado claro que não tolerará verificações de identidade ilegais, atos de intimidação e comportamento de justiceiros, tais abusos ainda ocorrem. As autoridades devem ir além de declarações de preocupação e demonstrar, por meio de investigações, processos judiciais e medidas de responsabilização eficazes, que nenhuma pessoa ou grupo está acima da lei.”

Alegações de omissão policial em impedir comportamentos ilegais ou de cumplicidade por parte da polícia devem ser investigadas minuciosamente, e qualquer irregularidade deve ser punida com os devidos processos disciplinares e criminais.

A Lei de Imigração é clara: nenhum indivíduo ou grupo privado tem autoridade legal para realizar fiscalização de imigração, exigir documentos de cidadãos, entrar em propriedades privadas ou remover pessoas de suas casas ou empresas. Somente agentes de imigração e membros do Serviço de Polícia Sul-Africano estão legalmente autorizados a fazê-lo. Tal conduta mina o Estado de Direito e ameaça os direitos constitucionais de todos que vivem na África do Sul.

Os empresários têm o direito de exercer suas actividades profissionais sem intimidação, assédio ou perturbação. Da mesma forma, toda pessoa que vive na África do Sul tem direito à dignidade, à liberdade e à segurança, independentemente de ser cidadã, migrante documentada, solicitante de asilo ou migrante indocumentada.

“A dignidade humana não tem nacionalidade e não podemos permitir que a violação desenfreada dos direitos continue”, disse Shenilla Mohamed.

Quando houver preocupações sobre o status imigratório de uma pessoa, estas devem ser tratadas por meio de procedimentos legais que respeitem os direitos constitucionais e a dignidade humana. Mesmo que se constate que um indivíduo está em situação irregular, ele continua tendo direito aos direitos protegidos pela Constituição e pelo direito internacional dos direitos humanos, incluindo o devido processo legal, a dignidade e a protecção contra violência e abusos.

A Anistia Internacional da África do Sul, juntamente com outras organizações da sociedade civil, tem alertado repetidamente que a retórica inflamatória, a mobilização anti-imigrantes e as respostas fracas do Estado podem alimentar a discriminação, a violência e novas violações dos direitos humanos.

“A democracia constitucional da África do Sul se fundamenta na dignidade humana, na igualdade e no Estado de Direito. Esses princípios devem ser protegidos para todos”, afirmou Shenilla Mohamed.

A Moçambique Capitais rebate as declarações do governador do Banco de Moçambique sobre a intervenção no Moza Banco. A entidade afirma que a versão apresentada por Rogério Zandamela não corresponde aos factos nem à lei, considera ilegal a intervenção de 2016 e defende uma auditoria forense independente para apurar o impacto financeiro e as responsabilidades do processo.

Nesta sexta-feira, a Moçambique Capitais, S.A. reagiu, através deste comunicado, às declarações do Governador do Banco de Moçambique, segundo as quais a intervenção no Moza Banco foi em poucos segundo, seguiu a lei e foi tomada para evitar o colapso da instituição.

A Moçambique Capitais diz que as declarações do governador do banco Banco Central “não correspondem aos factos”.

“Em defesa da verdade, da sua reputação e dos seus legítimos direitos, a Moçambique Capitais considera indispensável esclarecer determinadas afirmações que, segundo a documentação disponível e as decisões judiciais proferidas, não correspondem aos factos nem ao enquadramento jurídico aplicável”, refere a instituição.

“Enquanto accionista fundadora do Moza Banco, a Moçambique Capitais sempre defendeu a protecção dos depositantes, a continuidade da instituição e a estabilidade do sistema financeiro nacional. Esse compromisso, porém, não pode ser confundido com consentimento quanto à legalidade dos actos praticados durante a intervenção, aceitação da redução da sua participação social ou renúncia aos direitos da sociedade e dos seus accionistas”.

“Contrariamente ao que foi afirmado, à data da intervenção no Moza Banco existia legislação aplicável, designadamente a Lei nº. 15/99, de 1 de Novembro (Lei das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras), alterada pela Lei nº 9/2004, de 21 de Julho e demais normas relevantes”.

Esse quadro legal, acresceta e instuição, regulava o funcionamento e a supervisão das instituições de crédito, deveria ter sido integralmente observado. Nenhuma situação de urgência suspende a legalidade, afasta as competências dos órgãos instituídos ou permite substituir os procedimentos legalmente estabelecidos por decisões pessoais e verbalmente transmitidas.

No mesmo comunicado, a Moçambique Capitais diz que o ano 2016 foi atípico, em que a economia de Moçambique colapsou, induzindo a quebra da taxa de crescimento do PIB.

Como consequência, verificou-se uma severa depreciação da moeda nacional e alta volatilidade cambial, acompanhada de uma grande subida da taxa de juros. Cerca de 2.900 empresas encerraram as portas, gerando desemprego e quebra de rendimento das famílias.

“Neste contexto, antes da intervenção, e para repor os rácios prudenciais, o Moza Banco submeteu ao Banco de Moçambique um pedido de registo de aumento de capital, num montante superior ao acordado entre as duas instituições. O pedido não foi respondido pelo Banco de Moçambique, como era o seu dever, impedindo assim a conclusão do processo de aumento de capital, condicionando, desta forma, o funcionamento regular do banco”.

“O Banco de Moçambique optou pela intervenção, promovendo a suspensão dos membros do Conselho de Administração e a nomeação de um Conselho de Administração Provisório. Estas medidas foram determinadas e comunicadas verbalmente, posteriormente submetidas ao escrutínio dos tribunais”.

“O Moza Banco, em 2015, contava com cerca de 800 colaboradores e 59 unidades de negócio, tendo sido o seu valor económico avaliado por entidades independentes em 160 milhões de dólares dos Estados Unidos da América, dos quais a Moçambique Capitais detinha 51%”.

“A recente declaração do Senhor Rogério Zandamela, Governador do Banco de Moçambique, de que a intervenção no Moza se tratou de uma “decisão pessoal tomada em segundos”, reforça a necessidade de esclarecer como uma medida desta dimensão, envolvendo uma instituição financeira, pôde ser adoptada sem o cumprimento integral dos requisitos legais aplicáveis”.

A Moçambique Capitais afirma, também, que o Banco de Moçambique acusou os membros dos órgãos sociais do Moza Banco de administração danosa e sujeitos a processos de contravenção e sanções.

Entretanto, a Procuradoria-Geral da República concluiu não existirem provas para sustentar as acusações do Banco Central.

Após vários anos de escrutínio judicial, o Plenário do Tribunal Administrativo, composto por 16 Juízes Conselheiros, deliberou por unanimidade o Acórdão nº. 136/2024, que declarou “a nulidade de todos os actos materialmente administrativos praticados pelo Banco de Moçambique”, abrangidos pelo processo, diz o comunicado.

“Esta decisão constitui o referencial jurídico fundamental para a apreciação da intervenção e não pode ser substituída por interpretações pessoais ou narrativas posteriores aos acontecimentos, como está a ser propalado por alguém que teve oportunidade de se pronunciar nos órgãos judiciais do País”.

“A Moçambique Capitais entende que a decisão do Tribunal Administrativo deve ser respeitada e materializada integralmente. O seu cumprimento efectivo constitui uma exigência elementar do Estado de Direito, da segurança jurídica e da estabilidade e credibilidade das instituições”.

“No mesmo contexto, os membros dos órgãos sociais do Moza Banco foram acusados, pelo Banco de Moçambique, de administração danosa e sujeitos a processos de contravenção, sanções e coimas. A Procuradoria-Geral da República concluiu não existirem provas para sustentar as acusações formuladas pelo Banco de Moçambique”.

“Por sua vez, após apreciar os processos de contravenção instaurados pelo Banco de Moçambique, o Tribunal de Polícia declarou nulas e sem efeito a decisão condenatória e as respectivas medidas acessórias”.

Para além da legalidade, a Moçambique Capitais defende a necessidade de se apurar o custo económico e financeiro da intervenção e os seus eventuais efeitos sobre a Kuhanha e o Banco de Moçambique que, por sua vez, impacta no erário público.

“Para clarificar a propalada tese de pretensos “capitais próprios negativos” e “de banco inexistente” e para evitar subjectividades e assegurar uma avaliação objectiva e independente, a Moçambique Capitais defende a realização de uma auditoria forense independente às operações relevantes, entrecruzadas entre o Banco de Moçambique, a Kuhanha e o Moza Banco. Essa auditoria forense deverá examinar:

● As razões por detrás da drástica redução dos depósitos do Moza Banco imediatamente antes e depois da intervenção do Moza;
● A origem, legalidade e aplicação dos recursos financeiros envolvidos;
● Os movimentos financeiros realizados entre as três entidades;
● Os efeitos da redução e dos subsequentes aumentos do capital social;
● A evolução das participações dos accionistas;
● Os resultados anuais, créditos vencidos, empréstimos e demais responsabilidades;
● As opiniões, reservas e qualificações constantes dos relatórios de auditoria desde 2016”.

Essa análise, segundo a Moçambique Capitais, permitiria apurar, com rigor e objectividade, a real situação financeira de cada entidade envolvida, assegurar uma avaliação objectiva e independente, determinar o verdadeiro custo da intervenção e clarificar as respectivas responsabilidades.

“Quando estão em causa recursos públicos ou o património do Estado, deve haver total transparência”.

A Moçambique Capitais diz que continuará a privilegiar o diálogo institucional e garante manter o compromisso com “a legalidade, a transparência, a segurança jurídica e o respeito pelas decisões judiciais”, princípios que considera essenciais para a credibilidade do sistema financeiro.

O musical “O Veredicto” sobe ao palco na próxima sexta-feira, no Centro Cultural Moçambique-China, com a proposta de unir teatro, canto, dança e performance visual numa reflexão sobre as histórias, vivências e expressões que compõem o património cultural moçambicano. Mais do que um espetáculo, os promotores apresentam a iniciativa como um apelo à valorização da cultura nacional e à aproximação do público às produções artísticas do país.

Durante a conferência de imprensa de apresentação do musical, o produtor Zé Pires afirmou que a obra pretende contribuir para o resgate da música moçambicana, que, na sua perspetiva, tem perdido espaço junto da própria sociedade.

“Fazemos com este musical, com esta obra que é um teatro musicado, um clamor a toda a sociedade para o resgate e a recuperação da nossa música como uma plataforma importante que foi praticamente abandonada pela própria sociedade.”

Segundo Zé Pires, a principal razão da criação do espetáculo é formar novos públicos e incentivar os moçambicanos a voltarem às salas de espetáculo.

“A essência deste espetáculo, aquilo que foi a razão por que foi criado, é a construção de uma audiência, a formação de audiências.”

O produtor reconheceu que um dos maiores desafios enfrentados pelos artistas nacionais é conquistar público para os seus eventos.

“Hoje em dia temos muita dificuldade de ter um espetáculo de música ou de qualquer arte sem a gente ter uma casa cheia. Estamos com uma casa de 1.500 lugares e, para a ter cheia, é um transpirar que vocês não estão a imaginar.”

Também presente na conferência de imprensa, o artista Roberto Chitsondzo alertou para o que considera ser um progressivo afastamento dos artistas e do público em relação à cultura moçambicana.

“Nós, artistas, fugimos da nossa essência como artistas para ser melhor aplaudidos. A sociedade deixou de escutar a sua própria cultura para dar mais ‘likes’ àquilo que é dos outros.”

Embora reconheça a importância das influências internacionais na formação dos artistas, Chitsondzo defendeu que é necessário valorizar mais a produção cultural nacional.

“Eu próprio aprendi a cantar com músicas provenientes de outros sítios. Mas isso não significa que devemos deixar de ouvir e promover aquilo que é nosso.”

O artista criticou ainda a escassa presença de conteúdos culturais em alguns programas de entretenimento, considerando que a divulgação do trabalho dos criadores nacionais continua a ser insuficiente.

“Aquilo que a gente assiste ali é fofoca, aberrações, insultos. Daquilo que deveriam apresentar sobre os nossos colegas, eu não vejo nada.”

A organização acredita que “O Veredicto” poderá contribuir para aproximar o público da arte moçambicana, promovendo uma reflexão sobre a identidade cultural e reforçando o papel da música, do teatro e da dança como instrumentos de preservação do património nacional.

A Associação Cultural da Universidade Pedagógica de Maputo (ACUP) vai promover, de 3 a 7 de Agosto, um Ciclo de Cinema Moçambicano, uma iniciativa que pretende aproximar a comunidade universitária da produção cinematográfica nacional e fomentar a reflexão sobre temas sociais, históricos e culturais retratados nas obras.

O evento terá lugar no Centro de Línguas da Faculdade de Ciências da Linguagem, Comunicação e Artes da Universidade Pedagógica de Maputo, entre as 9h00 e as 12h00, e contará com a exibição de um filme por dia, seguida de debates com realizadores, actores, produtores, guionistas, editores de vídeo, docentes e estudantes. A organização considera que a iniciativa contribuirá para a valorização da sétima arte moçambicana como instrumento de formação académica e de promoção do pensamento crítico.

A programação inicia-se no dia 3 de Agosto com a exibição da longa-metragem Comboio de Sal e Açúcar, seguindo-se uma conversa que contará com a participação do realizador Licínio Azevedo e do actor Aquirasse Nipita.

 No dia seguinte será apresentado O Ancoradouro do Tempo, com debate orientado por Amílcar Mascarenhas e a presença do realizador Sol de Carvalho e de Horácio Guiamba.

No dia 5 de Agosto será exibido Avó Dezanove e o Segredo do Soviético, seguido de um encontro com o realizador João Ribeiro e a actriz Anabela Adrianoupolos, moderado por Félix Mambucho. Já no dia 6, o público poderá assistir a O Silêncio da Mulher, com debate conduzido por Daniel Tinga e participação do realizador Gabriel Mondlane e da actriz Júlia Novela. O ciclo encerra no dia 7 de Agosto com a projecção das curtas-metragens A Penumbra, de Jared Nota, e O Sonho, de Ivo Mabjaia, seguida de uma conversa moderada por José dos Remédios, com a participação do produtor Omar Faquirá e do cineasta Jared Nota.

Segundo a ACUP, a realização deste ciclo visa reforçar a formação de públicos mais conscientes e criar um espaço permanente de reflexão sobre os desafios e as potencialidades do cinema moçambicano, consolidando o compromisso da Universidade Pedagógica de Maputo com a cultura, a educação e a produção do conhecimento.

 

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