O País – A verdade como notícia

O escritor Mia Couto foi distinguido com o título de Doutor Honoris Causa por uma Universidade na Hungria, num reconhecimento internacional que destaca a sua contribuição para a literatura mundial. O Presidente da República enaltece distinção como orgulho nacional e reconhecimento da dimensão humanista da obra de Couto. 

A distinção foi atribuída por um Universidade na Hungria,  Eötvös Loránd University, recentemente, que considerou Mia Couto uma das vozes mais influentes dos povos do chamado Sul Global, sublinhando a forma como a sua escrita atravessa fronteiras linguísticas e geográficas, projectando a literatura moçambicana em diferentes espaços do mundo.

Na mesma cerimónia, a instituição também homenageou quatro cientistas internacionais, numa valorização do impacto global do conhecimento em várias áreas do saber.

Na ocasião, Mia Couto afirmou que o reconhecimento não lhe pertence apenas a si, mas também aos escritores moçambicanos e aos professores que continuam a “acender luz e esperança nas novas gerações”, destacando o papel coletivo na construção do pensamento e da criação literária em Moçambique e além-fronteiras.

Em comunicado de imprensa, o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, felicitou o escritor, considerando a distinção motivo de orgulho nacional e reconhecimento da dimensão humanista da sua obra. 

O Chefe de Estado sublinhou ainda o contributo de Mia Couto para o diálogo entre culturas, a valorização da identidade africana e a projeção de Moçambique no panorama académico e cultural internacional.

Autor de mais de 30 obras e vencedor do Prémio Camões, Mia Couto é uma das maiores figuras da literatura africana contemporânea, com livros traduzidos em mais de 30 línguas.

O Parlamento aprovou hoje, por consenso, duas propostas de lei que regulam a governação descentralizada provincial. Trata-se de uma revisão que vai permitir ao Estado poupar mais de 1,2 mil milhões de meticais por ano, e que, entre outros, extingue o Conselho dos Serviços de Representação do Estado. 

A revisão das leis que regulam a governação descentralizada no país já era bastante esperada, depois de serem notadas inconsistências, disfunções e redundâncias institucionais que fragilizam a eficiência do Estado.

Há duas semanas, o Presidente da República, Daniel Chapo, solicitou à Assembleia da República a apreciação, com carácter de urgência, das propostas de lei de revisão dos instrumentos. 

A extinção do Conselho de Serviços de Representação de Estado, uma estrutura colegial que inclui vários serviços, é uma das medidas resultantes da adopção dos instrumentos, segundo explicou o ministro da Administração Estatal e Função Pública.

Falando aos deputados, durante a apreciação dos instrumentos, Impissa explicou que a revisão da lei 4/2019 ajusta as funções do governador da província.   

Depois da apreciação, as duas propostas de lei foram aprovadas por consenso. 

Para os deputados, a revisão vai trazer ganhos ao Estado. 

Mesmo a favor, o Podemos e o MDM dizem que a expectativa era de que fosse eliminada a figura do secretário de Estado, cuja existência é determinada pela Constituição da República. 

A revisão das propostas de lei vai também permitir poupar recursos do Estado, na ordem de 1,2 mil milhões de meticais por ano.

Cabo Verde vai ser a Capital Africana da Cultura em 2028, no âmbito de um projecto com o mesmo nome promovido por uma associação que junta 44 entidades do continente, anunciou o Governo cabo-verdiano.

“Cabo Verde será o País anfitrião da Capital Africana da Cultura em 2028”, anunciou o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, na Internet, referindo que o protocolo foi assinado na quarta-feira, em Marrocos, e que o País “será palco de um amplo programa de iniciativas”.

O cartaz, a divulgar, pretende promover “o intercâmbio artístico, valorizar o património e impulsionar o desenvolvimento urbano sustentável, consolidando a cultura como motor de crescimento e afirmação global”, acrescentou.

De acordo com a informação institucional da organização promotora, o programa “Capitais Africanas da Cultura”, dinamizado pela organização Cidades e Governos Locais Unidos de África (UCLG Africa), foi criado em 2018.

A iniciativa nasceu durante a cimeira Africities, em Marraquexe, Marrocos, com o objectivo de afirmar a cultura como “o quarto pilar do desenvolvimento sustentável, a par das dimensões económica, social e ambiental”.

A cidade ou país designado como Capital Africana da Cultura acolhe, durante dois anos consecutivos, “celebrações da excelência artística, cultural e criativa do continente, funcionando igualmente como espaço de reflexão sobre políticas públicas para a cultura, artes e indústrias criativas”.

Foi lançado esta quarta-feira, na cidade de Maputo, o livro “Repórter de Sombras e Esperança: A fotografia como testemunho da reportagem”, da autoria do fotojornalista Carlos Uqueio. A obra, que compila dezoito anos de trajectória profissional, apresenta-se como um testemunho visual e escrito sobre a realidade moçambicana, propondo uma leitura crítica sobre o papel da imagem no jornalismo contemporâneo.

O evento decorreu num ambiente marcado por expectativa e simbolismo, onde flashes de câmeras se cruzavam com olhares atentos de convidados, jornalistas e amantes da fotografia. Mais do que um simples acto de lançamento, a cerimónia transformou-se num espaço de reflexão colectiva sobre a memória, a narrativa visual e a responsabilidade social do fotojornalismo. 

As páginas da obra revelam histórias captadas em diferentes contextos, muitas vezes em cenários de tensão, vulnerabilidade e esperança, compondo um mosaico que procura retratar o país para além das aparências imediatas.

Na sua intervenção, Carlos Uqueio destacou que o livro representa muito mais do que um produto editorial. “Hoje não apresento apenas um livro, apresento 18 anos de estrada, de silêncio, de risco e de compromisso com a realidade. Repórter de sombras e esperança nasce do terreno, nasce das ruas, dos bairros, dos momentos em que a vida acontece sem aviso e sem encenação”, afirmou. 

O autor sublinhou ainda a importância de contextualizar a imagem jornalística, defendendo que “o livro cruza a fotografia escrita para oferecer não só olhar, mas também o contexto”, o que, segundo explicou, “transforma-o num registro mais completo da nossa realidade”.

Ao longo das páginas, o leitor é conduzido por diferentes cenários que ilustram o quotidiano moçambicano, desde momentos de crise até expressões de resiliência social. Para o autor, o objectivo não se limita à documentação, mas estende-se à provocação de pensamento crítico e à valorização do papel do fotojornalismo na construção da consciência pública.

Durante a apresentação, Carlos Uqueio reforçou esta perspectiva ao afirmar: “A vossa presença reforça a ideia de que o fotojornalismo continua a ser fundamental para o desenvolvimento do nosso país. Mais do que um lançamento, espero que este seja um momento de reflexão sobre o papel da fotografia na sociedade. 

Se este livro conseguir provocar este debate, então já terá cumprido o seu propósito.” A declaração evidencia a intenção do autor de posicionar a obra como um instrumento de diálogo social, capaz de estimular diferentes leituras sobre a realidade nacional.

O prefácio do livro é assinado pelo antigo Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário, que na ocasião destacou a profundidade interpretativa das imagens reunidas. “Essas imagens captam não apenas o visível, mas o sentido das coisas. Não apenas o visível, mas o sentido das coisas. O que está por detrás. O que muitas vezes não é dito, mas é sentido”, afirmou. 

Na sua leitura, a obra de Uqueio transcende o registo imediato e alcança dimensões mais densas da experiência humana.

Prosseguindo, Carlos Agostinho do Rosário sublinhou o valor do tempo e da atenção na apreciação do livro, numa época marcada pela rapidez informativa, “nos tempos que correm, em que tudo é rápido, este livro exige o contrário. Exige tempo, exige atenção, exige consciência. E isso tem valor, porque o que vemos aqui no seu livro não é um produto do acaso, é ele próprio. É resultado de disciplina, muito foco, muito trabalho, elevado profissionalismo, dedicação, humildade, sobretudo. Humildade. Para aprender e para ensinar. E, sobretudo, sentido de missão.” 

A intervenção reforça a ideia de que o trabalho do fotojornalista assenta em princípios éticos e num compromisso contínuo com a verdade.

A cerimónia foi igualmente marcada por palavras de reconhecimento à ousadia e relevância da iniciativa. O secretário-geral do Sindicato Nacional de Jornalistas, Faruco Sadique, considerou que a publicação representa um contributo significativo para a valorização do jornalismo no país. “Cabe então a nova missão de registar e divulgar essas histórias ímpares, sempre à sombra de um jornalismo sério e responsável, comprometido com os princípios éticos e ideológicos da profissão”, afirmou.

Na mesma ocasião, Faruco Sadique enalteceu a capacidade do autor em transformar a experiência acumulada em narrativa estruturada: “Parabéns, pois, Carlos Uqueio, por, no seu estilo característico, ter sabido e, diria mesmo, ousado, tirar partido dessa gratificante oportunidade de contar, em livro, as histórias das suas próprias vivências e experiências de dentro e de fora do país.” 

A declaração destaca não apenas o mérito individual do autor, mas também a importância de registar e partilhar experiências jornalísticas em formatos duradouros.

Ao reunir dezoito anos de trabalho, Carlos Uqueio constrói uma narrativa que atravessa diferentes fases do país, oferecendo ao público uma perspectiva singular sobre acontecimentos e vivências que marcaram a sociedade moçambicana.

Entre momentos de dor, resistência e esperança, as imagens reunidas no livro assumem-se como documentos históricos e, simultaneamente, como instrumentos de reflexão.

A escritora moçambicana Suzana Machamale lança a obra “Uma Pele Secreta”, no Centro Cultural Português, em Maputo. A apresentação da obra estará a cargo de Antónia Rosa.

“Uma Pele Secreta” é uma narrativa intensa e envolvente que explora os laços familiares, o amor e as consequências de escolhas marcantes. A história acompanha Hadrian e Ludwig, dois irmãos profundamente unidos, mas com personalidades distintas. Após um acontecimento traumático que abala a vida de Hadrian, Ludwig esforça-se para ajudá-lo a reencontrar o equilíbrio, sem sucesso.

O rumo da história altera-se quando Hadrian reencontra Núbia, o seu primeiro e grande amor. No entanto, este reencontro revela-se inquietante: Núbia já não é a mesma. Movido pela necessidade de voltar a sentir-se vivo, Hadrian decide reaproximar-se, ignorando sinais de alerta que acabam por desencadear consequências irreversíveis para todos os envolvidos.

Sobre a autora, Suzana Machamale nasceu a 24 de Agosto de 1991, na cidade da Beira, Moçambique. É formada em Sociologia, mas encontrou na escrita o seu principal meio de expressão. Estreou-se na literatura com a obra “As Raízes do Rei”, primeiro volume da tetralogia “Príncipes Sangrentos”.

O evento insere-se no âmbito da promoção da literatura moçambicana contemporânea e convida o público, a comunicação social e os amantes da leitura a participarem neste momento cultural.

Edson Macuácua diz haver lacunas no entendimento sobre o direito econômico e defende que a área deve ser aprofundada na academia.  O académico lançou, esta quarta-feira, a segunda edição da sua obra “Direito Econômico”.  

O acadêmico e político Edson Macuacua lançou, esta quarta-feira, na cidade de Maputo, o livro “Direito Econômico”, na sua segunda edição, depois de lançada a primeira no mês de Março de 2024.

Trata-se de uma obra que reflecte questões ligadas  à economia de Moçambique  e responde questionamentos, sobre até que ponto  o Estado deve intervir na economia, os limites, instrumentos e com que responsabilidade, segundo explicou o autor. 

O Estado tem que saber, de facto, se posicionar e realizar o seu papel. Quando vamos mais a fundo vemos o Estado a intervir no setor empresarial, mas quais são os fundamentos da intervenção do Estado com a veste de empresário? É produzir lucro? É fazer dinheiro? É ombrear competir com as empresas privadas? Ou o Estado intervém no setor empresarial com esta veste não com a finalidade de obtenção de lucro, mas o lucro aparecendo como meio e o fim último como sendo a prossecução do interesse público? Se o fim último é social e o econômico é o meio, então aqui questionamos. Quais são os critérios que levam o Estado a intervir em certos negócios e não em outros? O que o Estado espera intervir em determinados negócios e não intervir em outros negócios? Tudo isto bem estruturado juridicamente, com uma clareza sobre a função do Estado na economia, com uma clareza sobre a importância do direito econômico seria possível facilmente identificar quais são as áreas em que o Estado deve de facto intervir na veste de empresário e quais são as áreas em que o Estado claramente deve abdicar  e deixar a que sejam os privados a actuar no contexto de uma economia de mercado e não reduzir o Estado a um agente económico, a um empresário que no dia-a-dia caça oportunidades e compete exactamente com o empresário propriamente dito do sector privado. Estas são algumas questões que podem se levantar em termos académicos”, disse Macuácua. 

Para o autor da obra, há que definir e compreender o papel do Estado sobre a economia e o Direito Econômico é uma área de conhecimento que, se aprofundada, pode ajudar a trazer respostas para estas e outras questões. 

“Hoje em dia, as grandes questões que se colocam na governação e no exercício da cidadania gravitam em torno da demanda pela justiça econômica e pela inclusão econômica que são a base para uma verdadeira justiça social, inclusão social, da paz, da harmonia e da felicidade. Isso impõe a necessidade de um ordenamento jurídico e econômico claro sobre o papel do Estado na economia. Nós sabemos que não somos uma sociedade, neste momento, tipicamente socialista, mas também não somos uma sociedade tipicamente liberal”.

Entretanto, o académico disse haver lacunas nesta área de conhecimento (Direito Económico) e defende que é ainda na academia que a mesma deve ser compreendida. 

“Apenas dizer que esta é uma área de conhecimento relativamente nova. Não tem a idade das clássicas disciplinas de direito, como o direito civil, o direito penal e mesmo o direito comercial. É uma área relativamente nova e que muitas vezes até é esquecida e confundida. Às vezes confundimos o direito econômico com o direito comercial ou com o direito empresarial. E às vezes até com o direito financeiro. Esta disciplina muitas vezes é tão confundida e esquecida. E eu digo, bom, isto de facto revela a grande lacuna, o déficit que existe em nós sobre a consciência da importância da disciplina de direito econômico. A proposta é para que de facto a faculdade inclua no curso de formação de economistas da disciplina do direito econômico”.

O académico entende que “não é possível formar um economista que possa ter capacidade de desenvolver um pensamento econômico sem o conhecimento, sem fundamentos do direito econômico”.

O livro de mais de quatrocentas páginas ajuda também a compreender as crises que o país enfrenta, tal como repisou o jurista Carlos Mondlane, que esteve presente no evento para apresentar a biografia do autor e comentários sobre a obra.

“Num momento de crise como este que Moçambique atravessa, obras como o direito econômico, a obra que temos à hora de estarmos aqui por ela reunidos não olhamos como um mesmo livro, olhamos como um instrumento de reflexão, de orientação e de esperança fundamentada, porque compreender a economia é o primeiro passo para a reconstruir e o direito, quando pensado com rigor e sentido de responsabilidade, continua a ser uma das mais poderosas ferramentas dessa reconstrução, mesmo quando a realidade insiste em testar a nossa paciência. E é igualmente necessário porque este livro nos convida a pensar soluções jurídicas para problemas concretos que hoje afetam empresas,afetam cidadãos e afetam o próprio Estado”.

A obra tem mais de quatrocentas páginas e foi chancelada pela Escolar Editora.   

A escritora e activista social moçambicana Énia Lipanga foi seleccionada para integrar o ciclo II do Fundo de Investimento para a Criação de Obras Digitais no Oceano Índico, uma iniciativa que apoia projectos inovadores na área cultural e digital na região.

Para a escritora, integrar o ciclo II do Fundo de Investimento para a Criação de Obras Digitais no Oceano Índico significa “a concretização de um sonho e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade maior com o público que desejo alcançar. Este apoio permite-me custear etapas fundamentais do projecto e transformar o meu livro numa experiência acessível também em formato sonoro”. 

“A minha eleição reflecte não apenas um reconhecimento individual, mas também um avanço colectivo, sobretudo, no que diz respeito ao espaço que as mulheres escritoras vêm conquistando. O país ganha sempre que uma moçambicana é reconhecida e apoiada”, explicou.

Entre cinco artistas e projectos seleccionados para este ciclo, Énia Lipanga representa Moçambique, destacando o país no panorama da criação contemporânea e reforçando a presença de narrativas autorais comprometidas com questões sociais e com o acesso democrático à cultura.

O fundo é promovido pela Comissão do Oceano Índico, no âmbito do projeto Indústrias Culturais e Criativas (ICC), com o apoio da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), e tem como objectivo impulsionar a produção de conteúdos digitais inovadores e de impacto.

A proposta da Énia Lipanga centra-se na adaptação do seu mais recente livro publicado no Brasil, Nada Será Devolvido em Silêncio, para o formato de audiobook.

Lipanga avança que mais do que uma transposição de linguagem, o projecto nasce de uma intenção clara, ampliar o alcance da literatura para além das barreiras tradicionais de leitura. A obra pretende chegar a mulheres que não tiveram acesso à alfabetização, bem como a pessoas com deficiência visual, criando novas possibilidades de escuta, identificação e pertencimento.

Conhecida por uma escrita feminista, Énia Lipanga leva para este projecto uma abordagem sensível e politicamente consciente, onde a palavra falada se torna também ferramenta de inclusão e transformação social.

“Quero que a minha literatura possa ser ouvida por quem nunca pôde lê-la. Que essas histórias encontrem vidas, mesmo quando os olhos não podem alcançá-las”, afirma a autora.

A participação no fundo permitirá o desenvolvimento de uma obra digital com impacto social direto, contribuindo para a democratização do acesso à literatura no contexto moçambicano e na região do Oceano Índico.

Énia Lipanga é escritora, poetisa, jornalista e activista moçambicana. A sua obra e trajectória cruzam arte, direitos humanos e inclusão, com foco na valorização das mulheres e de pessoas com deficiência. É curadora do Palavras São Palavras e mentora do movimento Incluarte. Já representou Moçambique em diversos países e é autora de várias obras de poesia. Foi nomeada uma das 10 mulheres mais inspiradoras de 2022 pela Hamasa Magazine, incluída entre as 100 personalidades negras mais influentes da lusofonia pela Bantu Man, considerada melhor artevista de 2025 pela Plan International e condecorada com a Medalha de Honra e Direitos Humanos pelo Governo do Brasil em 2024.

A exposição “Eu, Mulher”, da artista plástica moçambicana Nefer, nome artístico de Rabia Namuquita, inaugura esta quarta-feira, 8 de abril de 2026, às 18h00, na Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo.

Mais do que um simples título, “Eu, Mulher” afirma-se como uma declaração de identidade e presença, explorando a relação entre o universo íntimo da artista e a experiência coletiva do feminino. A mostra coloca a figura da mulher no centro da narrativa, através de representações que oscilam entre o retrato individual e a dimensão simbólica.

As obras apresentam corpos femininos marcantes, frequentemente corpulentos e com rostos que rompem com padrões convencionais de beleza. Sem recurso a ornamentos excessivos, as figuras destacam-se pela carga simbólica e pela capacidade de sugerir estados emocionais, gestos do quotidiano ou interpretações abertas ao olhar do público. Este confronto visual cria uma tensão entre os cânones tradicionais de beleza e uma estética que se afirma para além desses limites.

O trabalho de Nefer inspira-se no quotidiano, trazendo à superfície imagens da mulher comum — aquela que busca água, sustenta o lar e carrega responsabilidades visíveis e invisíveis. Mais do que uma representação literal, a artista propõe uma transfiguração dessas experiências, elevando gestos simples a elementos de reflexão crítica.

Natural de Maputo, Nefer é formada em Arquitetura e Urbanismo pelo Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Maputo (ISCTEM). Iniciou formalmente o seu percurso nas artes plásticas em 2024, assumindo a criação artística como espaço de expressão, questionamento e afirmação identitária, onde revisita e reinterpreta valores culturais do seu contexto.

Pelo menos 69 pessoas morreram e outras 89 ficaram feridas na sequência de um ataque aéreo contra um hospital universitário em Darfur, no norte do Sudão. 

A informação foi confirmada pela Organização Mundial da Saúde, que denuncia a gravidade do bombardeamento ocorrido, na última sexta-feira, podendo agravar a crise humanitária no país. 

O ataque que atingiu directamente a unidade sanitária, provocou a morte de 69 pessoas e 89 feridos, entre  profissionais de saúde e pacientes, além da destruição de equipamentos e suprimentos essenciais.

A região de Darfur, actualmente sob forte influência das Forças de Apoio Rápido, tem sido alvo frequente de bombardeamentos por parte do exército sudanês, que procura recuperar o controlo do território. 

Nos últimos meses, registou-se um aumento de ataques com drones contra infra-estruturas civis, incluindo escolas e hospitais, numa escalada que continua a gerar condenação internacional. Enquanto os paramilitares acusam o exército de estar por detrás deste ataque, as forças governamentais negam qualquer envolvimento.

O conflito no Sudão do Norte já provocou mais de 40 mil mortes, dos quais mais de duas mil pessoas perderam a vida em ataques contra unidades de saúde, segundo dados das Nações Unidas, embora organizações não-governamentais alertam que o número real poderá ser muito superior. 

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