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O País – A verdade como notícia

Em dois anos, Mudungaze vendeu 30 obras. Até aí, tudo bem. Ora, o que preocupa o artista é ter apenas um moçambicano na lista de compradores. 

 

Durante 15 anos, Hélder Silvano Manhique actuou como produtor artístico. Quando percebeu que poderia dar voos mais altos, saiu dos bastidores e assumiu-se como Mudungaze, lá vão três anos. Mais ou menos a essa altura, em Março de 2018, o artista expos a sua primeira mostra, intitulada Máscaras africanas no contexto urbano, na cidade de Maputo. Considera-se, por isso, um artista emergente, com longo percurso pela frente. Sem vaidades, vai aprendendo e assume-se feliz por ter muita gente que o ajuda nas suas actividades.

Ainda assim, há uma coisa que chama atenção ao artista da Polana Caniço, cidade de Maputo, o facto de apenas um moçambicano ter comprado uma obra sua: “Feliz ou infelizmente, Mia Couto, é o único moçambicano que já comprou uma obra minha. Eu já vendi mais de 30 obras em dois anos. Eu acho que isso é triste, mas também sei da situação que a gente vive em termos de prioridades. A arte não é pão, é um privilégio”.

Sendo que a arte é algo “não essencial”, entende Mudungaze, deve estar a haver no país um gap, ou seja, fosso, vazio, falha, sobre a relevância da indústria cultural e criativa. “Se nós não crescemos com o hábito artístico, em casa, não será aos 26 anos, mesmo com poder de compra, que iremos adquirir objectos de arte. As pessoas não compreendem, por exemplo, por que tirariam 50 mil meticais para comprar uma obra de Mudungaze e colocar na sala de casa”.

Para Mudungaze, o facto de apenas um moçambicano ter comprado uma obra sua, no universo de 30 obras vendidas, preocupa. Por isso, seguindo os ensinamentos transmitidos por David Abílio, na altura que ambos trabalharam juntos na Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD), Mudungaze lançou-se num projecto de criar público para o futuro. “Na CNCD, a maior escola de artes que se pode ter em Moçambique, nós íamos às escolas primárias e levávamos crianças a iniciarem-se, por exemplo, num cinema ou num teatro. As crianças são aquelas pessoas que nós temos de educar agora. Eu tenho um projecto pessoal de criar uma vila artística em Marracuene. O projecto vai consistir em inserir crianças daquela zona num espaço artístico em geral, pois se não usarmos a arte como uma componente lúdica, continuaremos assim como estamos nos próximos 50 anos, apontando erros ao passado. Não vamos estar à espera que os milagres aconteçam, de tal forma que do nada o público compre as nossas obras. Por que compraria? Por amiguismo?”.

Através de exposições como O amor de Vuyazy ou Remédios de lua, Mudungaze, procura contar histórias, como forma de salvaguardar o que considera legado africano. “Não temos um grande legado em termos de escrita, mas nós passamos histórias de umas pessoas as outras.

Mudungaze, que foi convidado do programa Artes e Letras da Stv Notícias, sábado, nasceu a 24 Novembro 1980. Como artista, expôs a sua individual em 2017. Este ano, foi seleccionado e convidado para representar Moçambique na Expo Dubai 2020, pelo Ministério da Cultura e Turismo. Nestes três anos, tem participado em várias experiências artísticas no estrangeiro. Por exemplo, o Festival Internacional de Artes – Guimarães (Portugal), onde expôs em 2019 e Residência Artística no Centro de Investigação Artística – HANGAR, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. De 2011 a 2013, no African History Week – Noruega (Oslo), foi responsável técnico pela área de produção, vídeo e gestão de delegações e de artistas internacionais. No mesmo período, foi convidado a fazer parte do Nordic Black Theatre, que trabalha com o Teatro Nacional da Noruega, e fez parte da representação dramática “Destination África”. A sua especialidade é o ferro e o reaproveitamento de materiais, com atenção a questões relacionadas à mulher, à tradição e à preservação ecológica.

Mudungaze esteve na CNCD entre 2002 e 2011, onde trabalhou no Departamento de Documentação e Pesquisa, e foi responsável pelo Arquivo Audiovisual e Documentação das actuações dentro e fora de Moçambique. Ainda na CNCD, coordenou a logística inerente aos espectáculos.

Na arte, Mudungaze, que não se considera um artista plástico, mas elástico, encontrou uma forma de se expressar e de ser.

O actor Chadwick Boseman morreu ontem, vítima de cancro. Boseman tornou-se popular ao interpretar o papel de príncipe herdeiro no filma “Pantera negra”, no universo cinematográfico da Marvel.

Com apenas 43 anos de idade, Chadwick Boseman, que iniciou a carreira em 2003, foi diagnosticado com cancro de cólon há quatro anos, 2016, mas não falou da doença publicamente.

O actor nasceu na Carolina do Sul, formou-se na Howard University e teve pequenos papéis na televisão antes de sua primeira grande aparição em 2013.

Seu retrato impressionante do astro do beisebol, Jackie Robinson, ao lado de Harrison Ford, em 2013, no filme 42 chamou a atenção de Hollywood.

Curiosamente, Chadwick Boseman morreu no dia em que a liga principal de beisebol comemorava o dia de Jackie Robinson.

O actor, director e roteirista, tem no seu palmarés mais de 15 filmes fazendo papel de coadjuvante ou actor principal e o prémio de melhor elenco em cinema da Screen Actor Guild, arrebatado em 2019, interpretando aquele que é certamente o papel que muitos dos seus admiradores vão sentir saudades, o de King T’Chala.

Documentário de Mário Cumbana estreia esta sexta-feira, a partir das 19h, no KUGOMA – Fórum de Cinema Moçambique, e pode ser visto através do Facebook e YouTube do KUGOMA e do Centro Cultural Franco-Moçambicano

 

Não é novidade que Gran’Mah iniciou o seu percurso artístico na garagem da avó de Leo Fernandes, o baixista da banda, lá vão uns 11 anitos. Igualmente, não é novidade nenhuma que, devido àquela gentileza da falecida avó Minha, os integrantes, em sua homenagem, baptizaram a banda Gran’Mah, uma espécie de abreviatura de grandmother, avó em português. Isso toda a gente sabe. Entretanto, no que é conhecido há sempre qualquer coisa que escapa ao público. E Mário Cumbana sabe muito bem disso. Atento ao facto e com muitos argumentos, o realizador mergulhou na música, no universo de um grupo que tanto admira e, bingo, produziu um documentário: Da garagem para o mundo.

Em 11 minutos, Mário Cumbana conta as várias histórias da banda Gran’Mah, desde a sua constituição, os primeiros momentos na garagem, até à internacionalização. O filme precisou de um mês para ficar pronto, e, de acordo com o realizador e autor, resultou de um processo natural e orgânico. “Quando decidimos fazer o filme, já tínhamos o material arquivado. O resto foi só ouvir os membros da banda a contarem a sua própria história”.

A naturalidade com que Mário Cumbana produziu Da garagem para o mundo é consequência de um percurso partilhado há seis anos com Regina dos Santos (vocalista), Leo Fernandes (baixista), Miguel Wilson (baterista), Luís Silva (guitarra), Miguel Marques (teclado) e Ricardo Conceição (saxofone): “Eu comecei com eles fotografando os concertos. Aos poucos, fui-me aproximando dos integrantes até que me tornei responsável pela imagem da banda”.

Quando os telespectadores mergulharem no documentário sobre Gran’Mah, acredita Cumbana, vão absorver o que ele e a sua equipa sentiram ao produzi-lo. Além disso, frisa o realizador, trabalhos como estes são muito necessários no país. Há uma resposta para um porquê? Claro. “O que acontece é que Moçambique possui artistas importantes, que, depois, desaparecem sem que haja algum registo da sua história, mesmo que tenham feito muito pela arte. Assim, penso que temos de criar um arquivo desta natureza como forma de prender o tempo e a memória que nos dão histórias sobre os nossos artistas”.

Da garagem para o mundo é um filme produzido pela Mac Creative Lines. Tendo sido realizado e editado por Mário Cumbana, o documentário tem Pedro Chissano como assistente de realização;  Jaime Zunguze como gráfico; e Ademar Chaúque como produtor.

 

O perfil e a (parte da) obra

Mário Alberto Cumbana é licenciado em Design, pelo Instituto Superior de Artes e Cultura (ISArC). Tem experiências na produção de vídeos-clips. Realizou e editou “Mozambique”, de Selma Uamusse; “Gran’Mah sound”, da banda Gran’Mah; e “DNA”, da cantora brasileira Flávia Coelho. Ano passado, realizou e editou o documentário institucional Somos daqui, sobre o processo de reassentamento da comunidade de Milamba, a propósito do projecto GNL da Anadarko. Em 2018, foi fotógrafo oficial e videógrafo  do Festival Azgo / Azgozito e Azgodialogar (Ilha de Moçambique). Também realizou o vídeo sobre o aniversário da Independência da República da Argentina. Em 2013, foi campeão em Dança Desportiva (Open Queen Masenate – Lesotho).

A dona do pedaço é o título da nova telenovela das 21 horas, na Stv. A produção brasileira conta com participação de reconhecidos actores conhecidos pelo público nacional, como Juliana Paes, Marcos Palmeira e Fernanda Montenegro.

“Eu sou feita de esperança”. A frase é dita por Maria da Paz (Juliana Paes), a protagonista da nova telenovela das 21 horas da Stv. A substituir Deus salve o reiA dona do pedaço é uma história que retrata a coragem, a ousadia, a esperança e que reflecte muita energia positiva. A história tem, segundo o Waycr Carrasco, o autor, todos os ingredientes para o que o brasileiro considera: novelão.

Aliado a isso, não faltam na produção brasileira paixões proibidas, rivalidades entre famílias, vingança, força positiva, inveja, muitas doses de amor e, evidentemente, uma heroína: Maria da Paz. Essencialmente, a história desta personagem começa ainda na infância, quando ela aprende a fazer bolos, ensinada pela avó (Fernanda Montenegro). Mais tarde, já bem crescidinha, num passeio a cavalo, a protagonista da história da Globo conhece-se com Amadeu. E aí advinham-se muitos problemas. O que acontece é o seguinte: Maria da Paz pertence a uma família de justiceiros (ao estilo gangster), e Amadeu, com quem se apaixona, pertence à uma família rival, que se odeiam há anos. Possuída pelo amor, a personagem resolve enfrentar as duas famílias, e, assim, consegue um pacto entre elas, de modo a conseguir casar-se com o amor da sua vida: Amadeu.

De facto, a coragem de Maria da Paz vale a pena, até ao altar. Entretanto, como há relações sem futuro, como que predestinadas para fracassarem por interferência humana, o casamento entre ambos acaba numa tragédia. Nisso, Maria da Paz é jurada de morte, pela família de Amadeu. À personagem  não resta outra saída, senão fugir para a cidade de São Paulo, grávida de Amadeu. E como se não bastasse.

Na nova cidade, a personagem tem de começar quase tudo do zero, com apoio de uma família amiga. Enquanto Maria da Paz está na cidade de São Paulo, a lutar pelo seu futuro e da sua filha, das divergências do passado, entre a sua família e a de Amadeu, vem a vingança. Duas sobrinhas de Maria da Paz, Virgínia e Fabiana, são sequestradas. A primeira é abandonada nas ruas, tendo sido encontrada por um casal rico que, mais tarde, a adopta como filha. Já a segunda, depois de ter sido sequestrada, é deixada num convento. A única coisa que, mais tarde, vai voltar a unir as duas irmã são dois amuletos oferecidos às duas pela bisavó ainda novinhas.

Ora, A dona do pedaço não é só a história de membros de duas famílias. Também é uma história de lutadores e oportunistas, de acertos e devassidão. Se Maria da Paz é uma mulher corajosa, determinada e que acredita no poder do trabalho – “Eu sou feita de esperança” –, o seu namorado, Régis Mantovani, é uma espécie de casanova, folgado, que gosta de vida boa e fácil. Esse é o monstro que a empreendedora que atinge o auge da inovação leva para casa. As consequências não poderiam ser tão desastrosas. Régis, às escondidas, trai Maria da Paz com a única filha da namorada: a mimada e insana Josiane.

A dona do pedaço, que estreia às 21 horas desta quarta-feira, é uma telenovela para família, que realça a evolução e transformação das personagens, a esperança e muito amor. “Quero convidar a todo mundo para assistir A dona do pedaço. Vai ser uma história deliciosa”, garante Juliana Paes.

 

Elenco de actores bem conhecido pelo público moçambicano

Juliana Paes é uma das actrizes brasileiras de A dona do pedaço bem conhecida em Moçambique. Entretanto, não é a única. No elenco da telenovela estão ainda grandes actores do Brasil, nomeadamente, Reynaldo Gianecchini (Régis Mantovani), Marcos Palmeira (Amadeu da Penha Matheus), Agatha Moreira (Josiane Sobral Ramirez Matheus), Paola Oliveira (Virgínia Sobral Ramirez/ Virgínia Andrade Guedes), Laura Cardoso (Matilde Fernandes), e, claro, Fernanda Montenegro.

A telenovela é de Walcyr Carrasco, o mesmo autor das telenovelas O cravo e a rosa (Petrúchio para muitos telescpectadores moçambicanos) e Chocolate com pimenta.

 

Os deputados da Comissão dos Assuntos Sociais, do Género Tecnologias e Comunicação Social (CASGTCS) manifestaram-se preocupados com a fraca observâncias de medidas de prevenção contra a COVID-19 na cidade Lichinga, província de Niassa, sobretudo o uso das máscaras e a higienização das mãos nos mercados e em outros locais de elevada aglomeração populacional.

A posição foi manifestada ontem durante um encontro que deputados daquela comissão mantiveram, separadamente, com o Conselho Executivo Provincial e o Conselho dos Serviços Provinciais de Representação do Estado em Niassa.

“É incompreensível que haja moçambicanos que ainda não acreditam na existência da doença no país e se comportam de uma forma irresponsável”, desabafou a 3ª Comissão, Lúcia Mafuiane.

Segundo constatou, na cidade de Lichinga é notório, nos mercados, pessoas sem máscaras ou com mau uso destas, ou sem qualquer distanciamento social.

Banda Ikwazuni lançou, hoje, o seu álbum de estreia, na cidade de Maputo. O disco é composto por 12 músicas e é inspirado no drama causado pelo terrorismo em Cabo Delgado. Com o mesmo, a banda manifesta um repúdio contra terroristas e apela à solidariedade para com os deslocados naquela província

 

Num dia desses, Fernando Bila saiu de casa para ir comprar pão na padaria. Durante o percurso, o guitarrista passou por 30 crianças famintas que disputavam um pouco de xima e molho de feijão num único prato. Uma agitação desconfortável para qualquer adulto… Muitas dessas crianças deixaram para trás o seu lar, em Mocímboa de Praia, e, acompanhadas pelos pais ou já sem eles, foram aprender a sobreviver em Nanhimbe, zona que acolhe vários deslocados do terrorismo, nos arredores da cidade de Pemba.

Situações como a que foi vivenciada pelo guitarrista fizeram com que a Banda Ikwazuni, fundada em 2002, em Cabo Delgado, resolvesse intervir, de modo que despertassem nos moçambicanos do país inteiro e na comunidade internacional uma onda de solidariedade a favor de tanta gente que, já sem lar, enfrentam a fome e um perigo enorme: Coronavírus.

Na verdade, foi da dor de deslocados moçambicanos que surgiu a ideia de os integrantes da banda usarem a arte musical para clamar pela paz, “porque a música é um veículo que atinge as almas das pessoas muito rapidamente”, disse Fernando Bila, lembrando que o disco possui músicas em emakhuwakinwali e shimakonde, justamente para atingir o maior número de pessoas, afinal todas essas três línguas são faladas na província onde vivem. “Com este álbum nós quisemos sensibilizar as pessoas, sobretudo aos jovens, para que não façam más coisas”, realçou o vocalista da banda, Yahaya Atanásio, no lançamento do disco Moçambique Yethu (Stop violência extremista), esta segunda-feira, na cidade de Maputo. “Quisemos fazer algo que fosse útil e positivo, chamando atenção para que os jovens não adiram à violência e a actos que, amanhã, possam ser irreversíveis”, acrescentou Sérgio Mahumane, baixista de Ikwazuni.

Seleccionados 12 músicas para o álbum de estreia, sem condições para o publicar, a Banda Ikwazuni precisou de apoio financeiro. E é aqui onde entra a Masc: “o grupo Ikwazuni já tinha a ideia de criar músicas que apelam à ideia da preservação da paz e à coesão social. Então a Fundação Masc apoiou os músicos a lançarem as faixas musicais, a produzir e a lançarem o CD. O nosso envolvimento aparece porque nós temos um pilar que é construção da paz e da coesão social, através do qual apoiamos várias iniciativas de sensibilização para o fim do radicalismo no Norte de Moçambique”, explicou a representante da instituição, Aquílcia Joaquim.

De igual modo, com Moçambique Yethu (Stop violência extremista) a Banda Ikwazuni pretende reflectir a sua perspectiva em relação a um território. O disco é um manifesto a favor da liberdade, do bem-estar da população que perdeu o pouco que tinha e que agora precisa tanto do que cada moçambicano pode dar. Lançado o disco, doravante, o compromisso é disseminar a mensagem das músicas, claro, a partir das comunidades de Cabo Delgado.

IKWAZUNI significa órfão em emakhuwa, e esse é o nome da banda de Cabo Delgado que, às 10 horas desta segunda-feira, na Sala Licungo do Hotel VIP, na cidade de Maputo, vai apresentar o seu álbum mais recente.

Intitulado “Moçambique Yethu (Stop violência extremista)”, o álbum é constituído por 12 músicas, e, de acordo com a banda, “insere-se nas iniciativas cujo intuito é criar narrativas alternativas, de modo a combater a violência extremista e criar coesão social no seio da sociedade moçambicana”.

Entre os 12 temas que compõem o álbum estão, designadamente, “Chafathali”, “Inenele”, “Iphivi”, “Khanimphela”, “Massikini”, “Moçambique yethu” e “Nsai”.

Em geral, o álbum da Banda Ikwazuni mescla vários temas, dentre os quais o amor à pátria ao sentido de se ser moçambicano. É, igualmente, um disco sobre a solidariedade entre irmãos, no qual se destaca a necessidade de se cultivar o bom senso, a fraternidade, a harmonia social, o respeito pelos outros e pelos ensinamentos dos mais velhos enquanto bibliotecas vivas.

“Moçambique yethu” é um grito contra as coisas que vão mal na sociedade moçambicana, sem deixar de lado os efeitos da guerra que estão a gerar terror na província de Cabo Delgado.

O grupo Ikwazuni foi formado em 2002, e é composto por sete membros: Yahaya Antanásio Alberto (vocalista, percurssionista), Osvaldo Manuel Estevão (viola solo e contra solo), Fernando Salomão Bila (viola ritmo), Sérgio de Jesus Santos Mahumane (baixista), Osvaldo Basílio (Baterista), Vergínia Matias Dimaka (corista), Isidora Fernando Zeferino (corista).

Os integrantes da banda conheceram-se no bairro de Banhinde, na cidade de Pemba, onde, na sua maioria, residem. O que os move é intervenção social.

A Banda Ikwazuni possui 56 músicas gravadas.

O Ministério da Cultura e Turismo está a identificar espaços artísticos e culturais para os promover através de um roteiro turístico nacional e internacional. Um desses espaços identificados pelo Governo é o centro cultural de Noel Langa, no bairro Munhuana, subúrbio de Maputo

 

O bairro Munhuana e Noel Langa estão muito implicados. O sujeito e o espaço, neste contexto, misturam-se de tal ordem que é “impossível” separar um do outro. Talvez, por isso, quando a Ministra da Cultura e Turismo foi visitar Noel Langa no Hospital Central de Maputo, há quatro meses, onde se encontrava de baixa, resolveu marcar com antecedência uma cavaqueira para o centro cultural do artista plástico. Passaram-se vários meses, afinal, primeiro, o autor da Munhuana tinha de se recuperar, o que até aconteceu rapidamente. Assim, na tarde desta sexta-feira, Eldevina Materula entrou na sua viatura protocolar e desceu até ao antigo Bairro Indígena.

Foi naquele subúrbio próximo ao emblemático mercado do Xipamanine que, sem hesitações, Eldevina Materula afirmou que o Ministério da Cultura e Turismo tem um projecto concebido para promover espaços artísticos e culturais através de um roteiro turístico nacional. Entre tais espaços, garantiu a Ministra, encontra-se o centro cultural de Noel Langa. “Se, em algum momento, havia dúvida, é agora que fica dissipada. Este centro cultural faz e tem de fazer parte do nosso roteiro. Nós, agora, vamos criar placas com inscrições organizadas de modo a atrairmos o turista nacional e estrangeiro. Vamos identificar os mais variados espaços culturais e inclui-los no nosso roteiro”.

Sem se restringir ao plano ministerial, Eldevina Materula lembrou que o Governo, em geral, está comprometido em projectar as artes e os artistas ainda neste quinquénio. “Sabemos o valor da cultura, da arte e daqueles que a fazem diariamente. Temos aqui um exemplo de quem não faz apenas pintura, mas a promove e tira crianças da rua para as entreter com actividades que as conduzem à profissionalização artística. Este é um bom exemplo nacional sobre a importância da arte e da cultura nos jovens. Quem nos dera ter tantos Noel Langa em todo o território nacional. O Noel é uma inspiração do Governo, e nós não estamos aqui para fazer uma promoção, mas para o homenagear e relembrar a importância da nossa cultura a partir daqueles que a fazem”.

Com efeito, e porque o turismo faz-se igualmente com respeito ao antigo, Materula lembrou que o Ministério da Cultura e Turismo está a esmerar-se na preservação da arquitectura da cidade de Maputo, especialmente no que concerne às casas de madeira e zinco, afinal sempre narram outras várias histórias de Moçambique e dos moçambicanos. “Nós pretendemos manter a nossa herança. Quando, recentemente, estivemos na Mafalala, apercebemo-nos que muitas casas típicas estão a desaparecer. Faremos uma intervenção para que não percamos essas casas”.

Ainda sobre casas, com a inserção da sua casa-galeria ou centro cultural (assim está registado) no roteiro turístico nacional e internacional, Noel Langa espera que, assim, se impulsione as artes e os artistas que dali saem e saíram no passado. Na percepção de Noel Langa, a combinação de Cultura e Turismo é feliz e oportuna para fazer com que os turistas absorvam ainda mais o que é promovido no país em termos de arte. “Quando o Governo visita onde dorme a cultura, para mim, é gratificante. O Ministério deve conhecer onde a cultura dorme e vive”.

A visitar o centro cultural de Noel Langa também esteve Marcelo Panguana. Para o escritor, a visita de Eldevina Materula representa o reconhecimento governamental em relação ao artista. “Acho que é uma mudança de estratégia que a actual ministra vem introduzir nesta relação que se pretende ter entre os artistas e o Governo. É isso que é importante, porque os artistas se sentem muito órfãos – falta-lhes um apoio e uma presença constante do Governo em relação ao que executam. Penso que a Ministra está a dar passos para estreitar a relação entre os artistas e o Governo, o que é bom porque um país não se faz apenas de políticos e homens de negócio, faz-se sobretudo de cultura e dos seus fazedores. Isto vai fazer com que o país cresça”.

Noel Langa nasceu no distrito de Manjacaze, Gaza, em 1938. No entanto, foi a partir do bairro Munhuana que se tornou numa das grandes referências das artes moçambicanas

O Ministério da Cultura e Turismo está a identificar espaços artísticos e culturais para os promover através de um roteiro turístico nacional e internacional. Um desses espaços identificados pelo Governo é o centro cultural de Noel Langa, no bairro Munhuana, subúrbio de Maputo

 

O bairro Munhuana e Noel Langa estão muito implicados. O sujeito e o espaço, neste contexto, misturam-se de tal ordem que é “impossível” separar um do outro. Talvez, por isso, quando a Ministra da Cultura e Turismo foi visitar Noel Langa no Hospital Central de Maputo, há quatro meses, onde se encontrava de baixa, resolveu marcar com antecedência uma cavaqueira para o centro cultural do artista plástico. Passaram-se vários meses, afinal, primeiro, o autor da Munhuana tinha de se recuperar, o que até aconteceu rapidamente. Assim, na tarde desta sexta-feira, Eldevina Materula entrou na sua viatura protocolar e desceu até ao antigo Bairro Indígena.

Foi naquele subúrbio próximo ao emblemático mercado do Xipamanine que, sem hesitações, Eldevina Materula afirmou que o Ministério da Cultura e Turismo tem um projecto concebido para promover espaços artísticos e culturais através de um roteiro turístico nacional. Entre tais espaços, garantiu a Ministra, encontra-se o centro cultural de Noel Langa. “Se, em algum momento, havia dúvida, é agora que fica dissipada. Este centro cultural faz e tem de fazer parte do nosso roteiro. Nós, agora, vamos criar placas com inscrições organizadas de modo a atrairmos o turista nacional e estrangeiro. Vamos identificar os mais variados espaços culturais e inclui-los no nosso roteiro”.

Sem se restringir ao plano ministerial, Eldevina Materula lembrou que o Governo, em geral, está comprometido em projectar as artes e os artistas ainda neste quinquénio. “Sabemos o valor da cultura, da arte e daqueles que a fazem diariamente. Temos aqui um exemplo de quem não faz apenas pintura, mas a promove e tira crianças da rua para as entreter com actividades que as conduzem à profissionalização artística. Este é um bom exemplo nacional sobre a importância da arte e da cultura nos jovens. Quem nos dera ter tantos Noel Langa em todo o território nacional. O Noel é uma inspiração do Governo, e nós não estamos aqui para fazer uma promoção, mas para o homenagear e relembrar a importância da nossa cultura a partir daqueles que a fazem”.

Com efeito, e porque o turismo faz-se igualmente com respeito ao antigo, Materula lembrou que o Ministério da Cultura e Turismo está a esmerar-se na preservação da arquitectura da cidade de Maputo, especialmente no que concerne às casas de madeira e zinco, afinal sempre narram outras várias histórias de Moçambique e dos moçambicanos. “Nós pretendemos manter a nossa herança. Quando, recentemente, estivemos na Mafalala, apercebemo-nos que muitas casas típicas estão a desaparecer. Faremos uma intervenção para que não percamos essas casas”.

Ainda sobre casas, com a inserção da sua casa-galeria ou centro cultural (assim está registado) no roteiro turístico nacional e internacional, Noel Langa espera que, assim, se impulsione as artes e os artistas que dali saem e saíram no passado. Na percepção de Noel Langa, a combinação de Cultura e Turismo é feliz e oportuna para fazer com que os turistas absorvam ainda mais o que é promovido no país em termos de arte. “Quando o Governo visita onde dorme a cultura, para mim, é gratificante. O Ministério deve conhecer onde a cultura dorme e vive”.

A visitar o centro cultural de Noel Langa também esteve Marcelo Panguana. Para o escritor, a visita de Eldevina Materula representa o reconhecimento governamental em relação ao artista. “Acho que é uma mudança de estratégia que a actual ministra vem introduzir nesta relação que se pretende ter entre os artistas e o Governo. É isso que é importante, porque os artistas se sentem muito órfãos – falta-lhes um apoio e uma presença constante do Governo em relação ao que executam. Penso que a Ministra está a dar passos para estreitar a relação entre os artistas e o Governo, o que é bom porque um país não se faz apenas de políticos e homens de negócio, faz-se sobretudo de cultura e dos seus fazedores. Isto vai fazer com que o país cresça”.

Noel Langa nasceu no distrito de Manjacaze, Gaza, em 1938. No entanto, foi a partir do bairro Munhuana que se tornou numa das grandes referências das artes moçambicanas.

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