O País – A verdade como notícia

O apoio dos militares portugueses chegou a quase 80 mil pessoas vítimas das cheias em Moçambique em duas semanas de operação, além do desenvolvimento e disponibilização de uma plataforma de comando e controlo para gestão de meios em situações do género.

De acordo com o coronel Moutinho Fernandes, comandante da Força de Reação Imediata (FRI) de Portugal, os números resultam dos apoios prestados em várias valências nos dois maiores centros de abrigo de deslocados pelas cheias no país, na província de Gaza, em Chókwè, atingindo entre 50 mil e 60 mil pessoas, aos que somam outros dois em Maputo, com 20 mil.

“Percorremos uma área grande, com algumas valências”, sublinhou, citado pela Lusa, exemplificando a presença de um destacamento de fuzileiros, que permitiu o transporte nos sítios onde “não havia passagem para populações que estavam isoladas, quer com medicamentos, quer com abastecimentos”.

A operação incluiu “duas equipas médicas, que providenciaram esse apoio em alguns campos, inclusive no Hospital Provincial de Xai-Xai”, detalhou o coronel, que lidera a Força de Apoio Militar de Emergência de Reacção Imediata, com 36 militares e no terreno desde 31 de Janeiro.

No Hospital Provincial de Xai-Xai, na capital de Gaza, foi possível disponibilizar um médico urologista, que não havia.

Acrescem “cerca de 1.500 consultas”, o transporte de mais de 20 toneladas de abastecimentos e medicamentos ou o apoio à logística de organizações no terreno, incluindo em zonas sitiadas pelas cheias, já consideradas as mais graves em décadas.

Com mais de 724 mil afectadas, sobretudo no sul, e 100 mil pessoas deslocadas em cerca de 110 centros de abrigo desde Janeiro, o apoio português alargou-se à coordenação das operações, com uma equipa de inteligência geográfica que desenvolveu, em Maputo, uma ferramenta informática de comando e controlo.

Segundo o coronel Fernandes, esta ferramenta informática permite saber onde é que estão as equipas, as necessidades dos campos, inclusive integrando dados de outras organizações, com fotografias e informação, numa única plataforma.

“Permite não só controlar as nossas operações, saber onde é que somos precisos exactamente, mas também ver o que é que eles precisam mais em cada campo, que tipo de abastecimento, quantas pessoas são, onde é que têm mais necessidades”, disse ainda, citado pela Lusa.

A operação ‘Kanimambo’ (obrigado, em português) termina no final desta semana e permitiu disponibilizar a versão actual da plataforma às autoridades moçambicanas, militares e de protecção civil, com Portugal disponível para apoiar o seu desenvolvimento.

“Eventualmente com o nosso apoio, se assim entenderem, para que no futuro possa dar origem a um sistema de comando e controlo neste tipo de acontecimentos, de cheias e outras catástrofes naturais”, disse.

Reconhecendo que a situação “está a voltar um bocadinho à normalidade”, com as autoridades locais a terem capacidade para dar resposta, o tempo já não é de emergência e já se fazem balanços.

“Extremamente positivo. Não só pelo sentimento que temos, de cumprir a missão, mas pela cara das pessoas e pelo conjunto de famílias que conseguimos ajudar”, assumiu, falando à margem de nova entrega, na Base Aérea de Maputo, de duas toneladas de produtos alimentares e 200 mil produtos de saúde às vítimas das inundações.

Para o embaixador português em Maputo, Jorge Monteiro, este novo apoio é mais um exemplo da “relação especial” e “histórica” entre os dois países, numa missão prestada numa altura de cheias também em Portugal.

“O facto de Portugal estar neste momento também debaixo de condições atmosféricas, climatéricas extremas, com chuvas torrenciais, com ventos muito fortes que deixaram um rastro de destruição um pouco por todo o país, não nos impede de marcar presença em Moçambique, no momento em que Moçambique também precisa da nossa ajuda. E é isto que eu acho que valoriza ainda mais a presença destes militares aqui, que enobrecem e que nos orgulham a todos com a sua acção”, disse.

“Moçambique sabe que pode contar com Portugal tanto nas horas boas como nas horas más. Esta, infelizmente, é uma hora má, mas queremos que seja rapidamente ultrapassada e que nos possamos focar também numa cooperação mais orientada para o desenvolvimento integrado e sustentável do país”, acrescentou, citado pela Lusa, Moutinho Fernandes, comandante da Força de Reação Imediata (FRI) de Portugal.

A Secretária de Estado das Artes e Cultura, Matilde Muocha, manteve, recentemente, no seu Gabinete de Trabalho, um encontro com a Direcção do Núcleo D’Arte representada pelo Secretário-Geral, Aldino Languana. A reunião entre as partes tinha como objectivo partilhar as actividades e os resultados alcançados durante o ano de 2025 e planos para 2026. 

O Secretário-Geral destacou a realização de um total de 15 exposições entre individuais e colectivas com a participação de artistas nacionais e estrangeiros, abrindo espaço para uma maior internacionalização das artes moçambicanas e troca de experiências entre artistas.

Em termos de volume de obras vendidas, o Núcleo D’Arte contabilizou cerca de 51 obras e 11 impressões, num total de 224 artistas envolvidos. Apesar destas vendas terem representado uma geração de renda para os artistas e para o próprio Núcleo, a Direcção reconhece que ainda ocorre muito comércio informal de obras no seu espaço, não permitindo a sua devida contabilização. 

O Núcleo de D’Arte celebrou ao longo do ano passado Memorandos de Entendimento com várias instituições, reforçando a sua contribuição para o desenvolvimento social e cultural nacional. 

O Núcleo de Arte é um espaço estratégico de educação informal em arte, o que se reflecte no número elevado de visitantes recebidos ao longo do ano passado, num total de 15 mil pessoas, entre estudantes das escolas secundárias circunvizinhas, visitantes da galeria e das oficinas, bem como o público da área de espectáculos.

Para o presente ano o Núcleo pretende fortalecer a sua capacidade de formação de artistas, maior comércio das obras de arte e engajamento dos seus membros para o cumprimento das suas obrigações, o que permitirá, sem sombra de dúvidas, manter o funcionamento do espaço como também atender aos artistas em caso de necessidade. 

Matilde Muocha, enalteceu o trabalho de destaque que o Núcleo tem realizado em prol do desenvolvimento das artes e da protecção social dos seus associados. Destacou igualmente a necessidade do organismo realizar mais actividades em parceria com o Ministério da Educação e Cultura, com enfoque para a difusão da legislação que é aprovada no sector. 

Muocha lançou o desafio à Direcção para que realize mais acções junto com o Governo com vista à redução da informalidade no comércio de obras de arte, o que poderá contribuir para o progresso do sector, mas acima de tudo para atender às necessidades dos artistas.

 

Os encarnados, que ocupam a 25ª posição da classificação actual, buscam uma vitória que os coloque no grupo das equipas que se qualificam para o play-off, mas terão pela frente uma Juventus que está na 17ª posição, que quer garantir um apuramento directo. Já o Pafos (26º colocado), equipa em que milita o moçambicano Bruno Langa, tem deslocação difícil a Inglaterra, onde defronta o Chelsea, actual campeão mundial de clubes.

É a penúltima jornada da fase da liga da Liga dos Campeões, onde todas as equipas procuram firmar-se para assegurar a passagem, quer directa aos oitavos-de-final, bem como ao play-off de acesso à fase do “mata-mata” da prova.

Benfica de Portugal e Pafos do Chipre têm uma missão espinhosa nas suas pretensões, com deslocações a Itália e Inglaterra respectivamente.

 

Juventus vs. Benfica

O Benfica venceu sete dos nove confrontos anteriores entre as duas equipas (1E 1D), tendo registado mais recentemente uma vitória por 2-0 em Turim, na Jornada 8 da Champions League da época passada. O único sucesso da Juventus foi um triunfo por 3-0, em casa, nos quartos-de-final da Taça UEFA, em Março de 1993.

A Juventus perdeu apenas três dos seus 12 jogos em casa contra adversários portugueses (7V 2E) e essas três derrotas aconteceram contra o Benfica.

O clube italiano perdeu apenas dois dos seus últimos 12 jogos europeus em casa (6V 4E) e pretende somar três vitórias consecutivas na Champions League pela primeira vez desde 2021/22, quando registou cinco.

Weston McKennie pode tornar-se no segundo jogador dos Estados Unidos a chegar aos 40 jogos na Champions League, depois de Christian Pulišić (63).

O Benfica não perdeu nos últimos quatro jogos com adversários italianos (2V 2E) e venceu o Napoli por 2-0, em casa, na Jornada 6.

A equipa portuguesa procura também somar a terceira vitória consecutiva na fase de grupos/fase de liga. A última vez que conseguiu esse feito foi na temporada 2022/23.

Leandro Barreiro marcou nos últimos dois jogos do Benfica na Champions League.

 

Chelsea vs. Pafos

Este é o primeiro jogo na UEFA entre estas equipas e o primeiro do Pafos contra uma equipa inglesa.

O Chelsea perdeu apenas duas das últimas 62 partidas disputadas em Stamford Bridge na fase de grupos/fase de liga das competições da UEFA. O clube inglês também não perde há 17 jogos (13V 4E), uma sequência que remonta à derrota contra o Valencia na Champions League em Setembro de 2019.

O Chelsea marcou nos seus últimos 21 jogos europeus.

O Pafos venceu apenas dois dos últimos sete jogos disputados nas competições da UEFA (3E 2D).

A equipa cipriota não marcou nenhum golo nos três jogos fora de casa disputados nesta fase da liga.

O defesa brasileiro David Luiz, do Pafos, venceu a Champions League com o Chelsea em 2012 e conquistou os títulos da UEFA Europa League em 2013 e 2019 em duas passagens pelo clube.

 

Slavia Praha vs. Barcelona

Os únicos encontros anteriores entre o Slavia Praha e o Barcelona ocorreram na fase de grupos da Champions League de 2019/20, quando o Barça venceu por 2-1 na Chéquia na Jornada 3, antes de um empate 0-0 em Espanha na ronda seguinte.

A equipa checa não marcou nenhum golo nos últimos cinco jogos disputados na Champions League.

O Barcelona não perdeu nos últimos oito jogos contra adversários checos (7V 1E).

Os homens de Hansi Flick venceram apenas um dos últimos cinco jogos fora de casa na Champions League (1E 3D) e sofreram três ou mais golos em quatro dessas partidas.

Lamine Yamal tem mais participações em golos do que qualquer outro jogador com 18 anos ou menos na história da Champions League (da Jornada 1 até à final), com 14 (sete golos e sete assistências), superando o recorde anterior de 13 (dez golos e três assistências) pertença de Kylian Mbappé.

 

Galatasaray vs. Atlético de Madrid

O Atlético não perdeu nos últimos seis confrontos entre as duas equipas (4V 2E), tendo registado mais recentemente duas vitórias por 2-0 na fase de grupos da Champions League de 2015/16. Os espanhóis venceram nos três encontros disputados na Turquia.

O clube turco pretende recuperar após duas derrotas consecutivas na fase de liga, ambas por 1-0.

Os comandados de Diego Simeone venceram dez dos últimos 13 jogos da Champions League (3D) e não empatam há 23 jogos na competição.

Jan Oblak poderá tornar-se no primeiro jogador esloveno a atingir 100 jogos na Champions League (a partir da fase de grupos/fase de liga), e apenas o segundo a atingir essa marca pelo Atlético de Madrid, depois de Koke (108).

Julián Álvarez marcou dez golos nos seus últimos 11 jogos na Champions League.

 

Qarabağ vs. Frankfurt (17h45)

Os confrontos anteriores entre o Qarabağ e o Frankfurt na UEFA aconteceram no play-off da Europa League de 2013/14, com a equipa alemã apurada com 4-1 no total, após uma vitória por 2-0 no Azerbaijão e outra por 2-1 em casa. Esses jogos são os únicos do Frankfurt com uma equipa do Azerbaijão.

O Qarabağ marcou pelo menos duas vezes em cada um dos seus últimos cinco jogos europeus em casa.

O Frankfurt conseguiu apenas uma vitória nos últimos oito jogos da UEFA (2E 5D) e nenhuma nas últimas cinco partidas (1E 4D). O clube alemão nunca ficou seis jogos europeus consecutivos sem vencer.

 

Atalanta vs. Athletic Club

Este é o primeiro confronto da UEFA entre o Atalanta e o Athletic Club.

O clube de Bergamo não perdeu nos últimos cinco jogos da Champions League (4V 1E), tendo vencido os três anteriores, e perdeu apenas um dos últimos dez jogos em casa na fase de grupos/fase de liga na Europa (5V 4E).

Os oito golos da Atalanta na presente fase de liga foram marcados na segunda parte. Charles De Ketelaere marcou nos dois jogos anteriores.

O clube basco venceu apenas um dos seus últimos oito jogos nas competições da UEFA (2E 5D), tendo os dois últimos terminando sem golos.

 

Bayern München vs. Union Saint-Gilloise

Este é o primeiro confronto entre estes clubes numa competição da UEFA.

O Bayern não perde há 37 jogos em casa na fase de grupos/fase de liga da Champions League, tendo registado 35 vitórias e 2 empates desde a derrota por 2-3, diante do Manchester City, em Dezembro de 2013.

O Bayern procura a 250ª vitória na Taça dos Campeões e pode tornar-se no segundo clube a atingir esse marco, depois do Real Madrid (306 antes da Jornada 7).

Lennart Karl, que terá 17 anos e 333 dias no início do jogo, pode tornar-se no jogador mais jovem a marcar em quatro jogos seguidos da Champions League, batendo o recorde de Kylian Mbappé (18 anos e 120 dias).

O Union Saint-Galoise perderu quatro dos últimos cinco jogos disputados na Champions League (1V).

 

Newcastle United vs. PSV Eindhoven

O PSV venceu os dois confrontos anteriores entre as equipas na Champions League, tendo derrotado o Newcastle por 1-0 em casa e por 2-0 fora na fase de grupos de 1997/98. Os outros encontros entre ambos os clubes ocorreram nos quartos-de-final da Taça UEFA de 2003/04, quando o Newcastle avançou para as meias-finais após um empate 1-1 em Eindhoven e uma vitória por 2-1 em casa.

Anthony Gordon marcou cinco golos em seis jogos da presente edição da Champions League.

O clube de Eindhoven marcou em 18 dos seus últimos 19 jogos da fase de grupos/fase de liga da Champions League. Guus Til marcou nos últimos dois jogos, enquanto Ricardo Pepi marcou três golos nos últimos quatro.

 

Marseille vs. Liverpool

O histórico geral de confrontos entre as duas equipas na UEFA apresenta duas vitórias para o Marseille, três para o Liverpool e um empate. O clube inglês venceu os últimos três encontros, o mais recente em 2008.

Na Jornada 5, o Marseille pôs fim a uma série de 12 jogos seguidos sem vitórias contra equipas inglesas (3E 9D) ao derrotar o Newcastle por 2-1.

Se vencer, o Marseille somará três triunfos seguidos na Champions League pela primeira vez desde 2010/11.

Igor Paixão marcou quatro golos nos últimos cinco jogos do Marseille na Champions League.

O Liverpool venceu 16 dos seus últimos 19 jogos da fase de grupos/fase de liga da UEFA Champions League (D3) e perdeu apenas dois dos últimos oito contra equipas francesas nesta etapa (V5 E1).

Dominik Szoboszlai marcou em três dos últimos quatro jogos do Liverpool na Champions League.

Aos 16 anos, aluna de canto na MUSIARTE, transforma a paixão pela música numa  oportunidade para jovens músicos em situação de vulnerabilidade.  No âmbito de um projecto escolar, Leonor Dias Vaz lançou uma campanha de angariação de fundos  Every Note Makes a Difference para, inicialmente, financiar duas bolsas de estudo, cada uma  correspondente a dois anos de formação musical na MUSIARTE. 

Leonor Vaz transformou a sua vivência pessoal num projecto de alcance coletivo, liderando uma bem sucedida iniciativa de angariação de fundos “Every Note Makes a Difference” destinada a  apoiar jovens talentos musicais em situação de vulnerabilidade social. 

A campanha superou as  expectativas, tendo angariado mais de meio milhão de meticais, permitindo a atribuição de  quatro bolsas de estudo completas para quatro jovens músicos de origens vulneráveis em  Maputo. 

No âmbito da iniciativa, Leonor organizou um evento público de angariação de fundos na  Escola Internacional Americana de Maputo, que reuniu alunos da MUSIARTE e da Escola  Portuguesa de Maputo. Durante o evento, apresentou pessoalmente o seu projecto, partilhando  a sua visão, motivação e compromisso com o alargamento do acesso à educação musical. 

Com um percurso artístico já reconhecido além-fronteiras, tendo sido finalista do The Voice  Kids Portugal 2024, Leonor tem plena consciência do privilégio que representa ter acesso a  uma educação musical de qualidade. Foi precisamente essa consciência que a levou a  questionar as desigualdades de oportunidades enfrentadas por muitos jovens da sua geração,  igualmente talentosos, mas sem os mesmos recursos.  

O projecto Every Note Makes a Difference – Bolsas de Estudo Leonor Vaz afirma, de forma  inspiradora, que a liderança não tem idade e que os jovens artistas podem desempenhar um  papel activo e transformador na sociedade, promovendo oportunidades, esperança e futuro  através da educação e da música.

A primeira escola de DJ em Moçambique quer profissionalizar o sector, capacitar os fazedores da música, formar novos talentos e reduzir barreiras sociais e de género. Por isso, a escola será criada e o projecto será liderado pelo DJ Faya, que junta duas décadas de experiência.

A escola de DJs foi fundada em Maputo há menos de seis meses, e é denominada BPM, que significa Batidas por Minuto, que já formou 16 DJs.

O projecto, liderado por Fayaz Abdul Hamide, artisticamente conhecido como DJ Faya, pretende formar novos talentos e reduzir barreiras sociais e de género.

“É um projecto onde deixo um legado para os jovens daquilo que é toda a minha experiência, que aprendi durante anos (…), sendo também uma iniciativa empreendedora na qual podemos também crescer e desenvolver mais projectos para os jovens”, explica à Lusa Fayaz Abdul Hamide, ou DJ Faya, no mundo artístico.

A BPM – Batidas por Minuto – já formou 16 DJs moçambicanos e “quatro a cinco formandos já começaram a tocar no mercado”, num esforço para tentar apoiar a profissionalização e travar o estigma e tabu relacionado com a actividade. Entretanto, uma nova turma de seis candidatos a DJ já está a iniciar a formação na BPM.

“A ideia é fazer turmas pequenas para que melhor possamos estar com elas e dar toda a atenção possível, porque senão acabamos tendo 30 alunos e não conseguimos estar com todos eles”, diz.

A formação inclui ‘DJing’, produção musical, ‘branding’ e ‘marketing’ artístico, distribuídos em nove módulos que combinam teoria e prática.

“Em 45 dias, conseguem aprender a parte teórica e depois a parte prática. Sempre de mãos dadas para que eles não possam esquecer dos conceitos DJ, da questão da música, dos botões”, acrescenta o fundador.

Fayaz nasceu a 10 de Agosto de 1986 e é um dos DJs mais populares de Moçambique, com carreira iniciada em 2000 e consolidada a partir de 2004. Vencedor do concurso de DJ do Blue Xurras em 2010 e autor de sucessos como “Fala” e “Bondoro”, destacou-se também como fundador do festival Nostalgia, que promove música africana dos anos 1990 e 2000.

Recebeu o prémio de Melhor DJ 2012, lançou o álbum “Tá Comprovado vol. 1” e foi nomeado cinco vezes nos Mozambique Music Awards. Paralelamente, desenvolve acções filantrópicas ligadas à Associação Moçambicana de Autismo e representou a lusofonia no festival African In Color, no Ruanda, em 2023.

Segundo o DJ Faya, a formação decorre três vezes por semana, até duas horas por dia.

A escola tem procurado integrar diferentes perfis e disponibilizou “quatro bolsas a jovens com autismo”.

“Um deles foi o DJ que fechou o baile da escola dele”, detalhou Faya, que é também ‘embaixador’ das pessoas com autismo no país.

“Temos aqui alunos que já começaram a entrar para o mercado. Nós estamos a auxiliá-los com material novo e material para alugar”, afirma, destacando o apoio a iniciativas sociais: “Semanas atrás, lancei a minha nova música para o mercado, que é uma de socialização contra a violência das mulheres”.

Apesar do crescimento da procura, persiste desigualdade de género no acesso à formação, nas várias áreas.

“Ainda existe um tabu nas mulheres, muitas vezes imposto pelo ambiente familiar. É preciso desmistificar isso”, defende Faya, revelando que a nova turma na BPM conta com uma aluna e tem mais três mulheres inscritas para Janeiro.

Clapton, DJ há mais de uma década, apostou na formação para reforçar competências nos ‘pratos’ e pistas de dança.

“É uma honra estar ao lado do Faya, é um prazer, e também vim cá porque, não só sendo DJ, é sempre bom vir fazer um ‘upgrade’, vir inovar as técnicas, vir inovar a sabedoria de ser um bom DJ (…). É muito bom ser DJ e ter o diploma, ser reconhecido. E melhorar também mais ainda as minhas performances”, diz Clapton, que é também promotor de eventos.

A BPM acolhe igualmente alunos sem experiência prévia, como Deise Chirindza, vendedora, que decidiu explorar a área por interesse pessoal: “Nunca fui DJ. Simplesmente sou alguém que gosta de música. Então, essa experiência aqui é para me trazer um novo ‘know-how’ (…) às vezes é necessário que a gente tenha alguma coisa a que se segure, que possa distrair e por aí em diante”, conta à Lusa.

Deise explica que esta formação representa também um desafio pessoal: “Por ser mulher, às vezes gostamos de desafiar aquilo que são as nossas capacidades”.

Com alunos com idades entre os 8 e os 60 anos, a escola quer consolidar-se como referência na formação de DJ no país e com essa ideia do fundador que é também o tutor na escola de que é de “pequenino é que se torce o pepino”.

“Um DJ não se forma em 10, 15, 20 dias. É todos os dias ser DJ, aprender novas técnicas sobre música, a história da música e muito mais”, afirmou Faia.

“O que se ensina aqui é a minha experiência. Se a minha carreira serve como exemplo para muitos DJ, acredito que sem dúvida vão servir para os alunos que estão a entrar, porque é dali que a gente sai em novas experiências, daquilo que eu aprendi durante anos em Moçambique e fora e que eles vão aprender”, conclui.

O parlamento da Somália declarou ontem “nulo e sem efeito” o reconhecimento por Israel da região da Somalilândia como um Estado independente por violar o direito internacional.

O parlamento aprovou a “Resolução sobre a Rejeição e Prevenção da Violação por Israel da Soberania, Integridade Territorial e Independência da Somália”, que reconhece que a Somalilândia “é parte inalienável do território da República Federal da Somália”, segundo o texto publicado pelo Parlamento na sua conta da rede social Facebook e noticiado pelas agências internacionais.

A resolução sublinha que “qualquer reivindicação de independência ou reconhecimento internacional não tem fundamento legal” e insiste que “o reconhecimento de Israel é um ato ilegal que viola a independência e a soberania da República Federal da Somália”.

“É contrário à Carta das Nações Unidas, à União Africana, à Liga Árabe, à Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD) e à Comunidade da África Oriental (EAC)”, afirma, acrescentando que decisão representa “uma ameaça à paz e à segurança da região do Corno de África, além de pôr em risco a nível global”.

Durante a sessão, o presidente da Somália, Hassan Sheikh Mohamud, condenou o ataque de Israel à soberania do país e destacou que “tais ações nulas e sem efeito representam um risco de desestabilização desta região africana e de ressurgimento de elementos extremistas, minando o progresso significativo alcançado na luta contra o terrorismo internacional”.

Numa nota escrita na sua conta do Twitter, reafirmou o compromisso “inabalável” da capital Mogadíscio com “a defesa da sua soberania e integridade territorial” e enfatizou que a Somalilândia “é parte inseparável da República Federal da Somália”.

A sessão parlamentar ocorreu um dia depois de o próprio Presidente somali criticar a “agressão ilegal” de Netanyahu e sublinhar que ela “contraria o direito internacional”. “A Somália e seu povo são um só: inseparáveis apesar da divisão que existe à distância”, afirmou na mesma rede social.

A decisão de Israel, criticada pela comunidade internacional, foi, no entanto, aplaudida pelas autoridades da Somalilândia, cuja capital, Hargeisa, acolheu inúmeras celebrações e manifestações na sexta-feira, durante as quais alguns participantes exibiram bandeiras israelitas.

O governo israelita já tinha reconhecido a independência da Somalilândia, mas num contexto muito diferente: em 1960, durante os cinco dias de existência do chamado Estado da Somalilândia, em plena retirada colonial.

Com um território de 175.000 quilómetros quadrados, situado no extremo noroeste da Somália, a Somalilândia declarou unilateralmente a independência em 1991.

Desde então, funciona de forma autónoma, com moeda, exército e polícia próprios, e distingue-se pela relativa estabilidade em comparação com a Somália.

Embora mantenha contactos diplomáticos com diversos países, nenhum Estado-membro das Nações Unidas reconhecia a sua existência como país independente.

Um memorando de entendimento assinado em Janeiro de 2024 pela Etiópia e pela Somalilândia – que garantiria a Addis Abeba o acesso ao Mar Vermelho em troca de uma percentagem da sua companhia aérea nacional, a Ethiopian Airlines, e do futuro reconhecimento da região – desencadeou uma grave crise diplomática entre os dois países.

Foi lançado, em Maputo, o livro “Feliciano Gundana, O Percurso de um Patriota” do historiador Joel Tembe. Testemunharam o acto, o Presidente da República, antigos Presidentes e a família do heroi nacional.

Prefaciado pelos antigos Presidentes da República, Joaquim Chissano e Armando Guebuza, o livro “Feliciano Gundana, O Percurso de um Patriota” foi apresentado, em Maputo, por Jorge Ferrão, Reitor da Universidade Pedagógica.

De Joel das Neves Tembe, a obra apresenta o percurso político do homem que o país tem como heroi nacional e membro fundador da Frente de Libertação de Moçambique e a família descreve-o como um pai presente e exemplar. 

“Este livro é uma homenagem mais sentida ao nosso pai, Herói Nacional. Sim, mas antes de todos, o nosso herói pessoal. O homem que nos ensinou a falar, caminhar, ler e escrever, a respeitar os outros, a amar a verdade e a defender os valores em que acreditamos com coragem e humildade.” Disse Tapuwa Banguira, filha do Gundana, sustentando características do pai no meio da família. “Ele acreditava num país justo, mais livre e mais digno, e dedicou sua vida a isso, e mesmo com todas as responsabilidades que teve ao longo da sua vida, nunca deixou de estar presente.” Concluiu.

As virtudes de Gundana, segundo os seus colaboradores enquanto governante, transcenderam a dimensão familiar. Acima de tudo, o descrevem como político que sempre acreditou na juventude e concedeu oportunidades a todos. 

“Agradecemos a confiança que depositou em jovens quadros, confiando-lhes nas responsabilidades que nos moldaram como profissionais e como pessoas. Foi pela sua coragem e sua visão que muitos de nós tiveram oportunidade de aprender na prática o valor do serviço público e do compresso com o desenvolvimento da província. Recordamos a sua integridade, a transparência nas decisões, a simplicidade com que tratava as pessoas e a humildade que tornava grande o seu exemplo.” Os valores que guiaram a vida de Gundana, segundo o autor do livro, Joel das Neves Tembe, conferem-lhe legitimidade para se atribuir o seu nome a uma escola.

“Temos que mostrar que também podemos ser iguais, e dessa forma estaremos a honrar e preservar o seu legado. Eu arrisco a dizer que se calhar podíamos até criar uma escola de administração pública chamada Feliciano Gundana.” Desafiou o biógrafo argumentando que Feliciano “tinha uma forma de ser ético, pensar ético e agir ético.  Era uma pessoa que sabia resolver os problemas de forma didática; educava os jovens, trabalhadores e funcionários a respeitar a vontade do povo, o bem público e a ter um sentido humanístico.” Terminou. 

Presente no lançamento do livro, o Presidente da República, Daniel Chapo, descreveu  Gundana como homem de grandes convicções, e o livro lançado como um guia para a juventude desenvolver valores de patriotismo. 

“Este é um livro que é simultaneamente uma enciclopédia daqueles valores que nós temos dito que precisamos preservar: a independência, a soberania e integridade territorial. A geração pós independência não chegou a conhecer muito bem o herói nacional Feliciano Gundana e esta é uma oportunidade ímpar de conhecer com base neste livro.” Estiveram no lançamento do livro membros do governo, antigos governantes e combatentes da Luta de Libertação Nacional.

O escritor moçambicano Carlos dos Santos  lança o novo infanto-juvenil do escritor moçambicano intitulado “A voz da sombra”. 

A obra, de 88 páginas, tem como protagonista Facamoto, um rapaz conhecido pela aparência desleixada e pelo comportamento travesso, que inquieta colegas e vizinhos. Com a camisa sempre fora dos calções, a roupa manchada e o cabelo desgrenhado, Facamoto contrasta de forma surpreendente com a sua própria sombra. É neste confronto entre Facamoto e a sua sombra que se desvela uma história sobre responsabilidade e sobre os direitos e deveres das crianças.

O enredo de “A voz da sombra” recorda-nos que a liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro; que nos ensina a não fazer ao outro aquilo que não gostaríamos que nos fizessem; que os direitos do colectivo têm primazia sobre os direitos individuais; e que não há direitos sem deveres, porque ambos são faces da mesma moeda. Acima de tudo, lembra-nos que devemos agir sem temer penalizações ou esperar qualquer tipo de recompensa.

SOBRE O AUTOR 

Carlos dos Santos, nascido em Maputo em 1962, é psicólogo, pedagogo e profissional da educação desde 1981. Autor prolífico, publicou obras infanto-juvenis como “O Conselho” (2007), “O Passeio pelo Céu” (2012), “Na Esteira das Estrelas” (2018) e “O Domador de Medos” (2024). Na ficção científica destacam-se “A Quinta Dimensão” (2006/2010) e “O Eco das Sombras” (2016). Escreveu ainda manuais técnicos e pedagógicos, participou em antologias e assina poesia sob o pseudónimo “Nyama”. Colabora regularmente com jornais e revistas em Moçambique e Angola

Ferroviário de Maputo e Sporting de Luanda medem forças, nesta sexta-feira, a partir das 12h00, em partida a contar para os quartos-de-final da Liga Africana de Basquetebol. As “locomotivas” lutam pela revalidação do título, enquanto as “leoas” querem fazer história na sua estreia na competição.

Duelo das moçambicanas nos quartos-de-final da Liga Africana de Basquetebol Feminino em Cairo, nesta sexta-feira. Por um lado, o Ferroviário de Maputo, campeão nacional e africano em título, talhado à conquista na bola-ao-cesto feminino, contando com nove moçambicanas e três estrangeiras, e, por outro, o Sporting de Luanda de Angola, estreante na competição, que conta com três moçambicanas, numa equipa dominada por angolanas.

Trata-se de um embate que define a primeira semifinalista da competição, com as treinadas por Nasir Salé a serem, claramente, favoritas a vencer, mas a terem de provar dentro da quadra a sua superioridade e experiência.

Ferroviário de Maputo, que passou invicto na fase regular após vencer os três jogos disputados, nomeadamente diante do First Bank da Nigéria, por 85-48, FAP dos Camarões, por 62-43, e KPA do Quénia, por 91-76, tem a responsabilidade de fazer melhor neste jogo e em toda a competição, não fosse bicampeã africana da modalidade.

Já o Sporting de Luanda, que conta no seu plantel com três moçambicanas, nomeadamente Eleotéria Lhavanguana, Nilza Chiziane e Vilma Covane, estreou-se com pé esquerdo, ao perder diante do REG do Ruanda por três pontos de diferença, 67-64, antes de somar a primeira vitória de sempre na WBAL, diante do FBA da Costa do Marfim, por 65-40, a mostrar a sua capacidade de recuperação e compromisso com uma boa prestação na prova.

Na derradeira partida da fase regular, a equipa angolana voltou a vergar diante da poderosa formação egípcia, o Al Ahly, por 86-65, terminando em segundo no grupo A, o que deu direito a defrontar o primeiro do grupo B, o Ferroviário de Maputo.

Ingvild Mucauro é a atleta do Ferroviário de Maputo em destaque, com índice de eficiência de 17,3% por jogo, seguido da Destiny pitts, com 14,3, e Odélia Mafanela, com 13,7. A norte-americana Destiny Pitts tem a melhor média de pontos, com 13,7.

Do lado das angolanas, os destaques na primeira fase foram Nelma Cuna, Eleotéria Lhavanguana e Nilza Chiziane.

O segundo jogo do dia vai colocar frente-a -frente o REG do Ruanda ao ASC Ville de Dakar do Senegal, enquanto o terceiro jogo do dia será disputado pelo APR do Ruanda e o KPA do Quénia.

O último jogo dos quartos-de-final da Liga Africana de Basquetebol Feminino a ter lugar nesta sexta-feira vai colocar frente-a-frente o Al Ahly do Egipto e o CNS da República Democrática do Congo.

Os jogos das meias-finais disputam-se no sábado e a grande final terá lugar no domingo.

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