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A cidade de Maputo acolhe, de 4 a 8 de Março, a 3.ª edição do Mozambique Music Meeting (MMM), o primeiro festival showcase e mercado profissional de música no país, dedicado à promoção e internacionalização de artistas moçambicanos na região e no mundo. 

Ao longo de cinco dias, a capital moçambicana transforma-se num palco de encontros criativos, reunindo artistas, produtores, editores, programadores, jornalistas e outros profissionais da indústria musical, nacionais e estrangeiros, para concertos, oficinas, conferências e sessões de networking. 

O festival apresenta um cartaz diversificado, que combina actuações ao vivo e momentos de reflexão. De Moçambique, foram seleccionados: António Marcos, Timbila Groove Band, AOPDH, Cheny wa Gune, Radja Ali, DeHermes, Silke, Matchume Zango e Laylizzy. Da vizinha África do Sul: Sibusile Xaba, Nomfusi, L8 Antique e Brandon Aura.

Participam ainda artistas convidados de Itália, Brasil, Argentina e Portugal, entre os quais Celeste Caramanna e Marta Pereira da Costa.

Foram igualmente convidados directores de festivais internacionais de referência, representantes de editoras, agentes e gestores de carreiras, reforçando o posicionamento do MMM como plataforma estratégica de circulação artística e intercâmbio profissional.

A programação da 3.ª edição do Mozambique Music Meeting terá lugar no Centro Cultural Franco-Moçambicano, no Café Gil Vicente e na Casa Marrabenta.

Produzido pela Ekaya Productions e pela Marrabenta Mais, o MMM celebra a diversidade cultural através da música ao vivo, da dança, da arte e da gastronomia, impulsionando o turismo cultural e a internacionalização da música moçambicana.

Está de volta às telas do cinema o filme “O Ancoradouro do Tempo”, inspirado no romance A Varanda do Frangipani, de Mia Couto. A obra cinematográfica cruza mistério e reflexão histórica, transformando o suspense numa profunda metáfora sobre memória, identidade e culpa colectiva. É um reencontro entre o cinema e a literatura. 

O filme “O Ancoradouro do Tempo”, transporta para o cinema a densidade simbólica do romance literário, “A Varanda do Frangipani”, de Mia Couto, criticando o passado, onde todos os idosos se assumem culpados por um crime.

O escritor destaca que a adaptação oferece uma nova dimensão à história e as lições ainda servem para o Moçambique de hoje, entre conflitos e reconciliações.  

Na interpretação da enfermeira Marta, Atália entrega intensidade e sensibilidade. A música, assinada por Stewart Sukuma, reforça a atmosfera introspectiva do filme com línguas nacionais. 

O filme com duração de uma hora e quarenta e cinco minutos está a ser exibido desde esta quinta-feira e vai continuar até este sábado, na Cidade de Maputo.

O desvio de donativos destinados às vítimas das cheias na província de Gaza, que resultou na detenção de oito pessoas, incluindo a administradora de Xai-Xai, tem gerado debates sobre a fragilidade de algumas instituições públicas moçambicanas. O caso foi abordado no programa Noite Informativa desta quarta-feira, com comentários de Anísio Buanaissa.

Buanaissa expressou desagrado com o ocorrido, afirmando que o desvio de recursos destinados a salvar vidas é “péssimo” e que todos os moçambicanos devem unir-se para repudiar tais actos.

“Definitivamente, isto é péssimo. Todos os moçambicanos devem repudiar este tipo de actos”, afirmou.

A analista defendeu que, caso seja confirmado, todos os implicados devem ser responsabilizados para desencorajar futuras irregularidades e enfatizou que denúncias, sejam anónimas ou abertas, são essenciais para coibir abusos por parte de dirigentes e líderes locais.

O comentador destacou ainda que as instituições devem funcionar de forma eficiente, permitindo denúncias anónimas ou abertas sempre que líderes ou dirigentes cometem actos irregulares em relação a recursos comunitários. “A polícia e a procuradoria reagiram imediatamente às denúncias e foram atrás”, sublinhou.

Além disso, foi ressaltada a necessidade de mecanismos de controlo mais rigorosos sobre as doações destinadas a vítimas de desastres, sem que isso impeça a participação de cidadãos de boa vontade. “Não podemos impedir moçambicanos de agir, mas deve haver um mecanismo controlado pelo Estado para prestação de contas”, explicou Buanaissa.

Até ao momento, oito pessoas foram detidas em conexão com o caso, e espera-se que os órgãos de justiça conduzam as investigações e responsabilizem os infractores, garantindo transparência e confiança no sistema de ajuda humanitária em Gaza.

O caso reforça a urgência de políticas públicas que garantam a integridade das ajudas humanitárias em Gaza e que assegurem que recursos destinados à população vulnerável cheguem efectivamente às mãos de quem precisa.

A artista plástica moçambicana Mafalda Vasconcelos estreia-se numa exposição individual, intitulada “O outro lado de vênus”. A exposição será inaugurada, nesta quarta-feira, às 18 horas, na Fundação Fernando Leite Couto.

Para quem já conhecia o universo da artista será a confirmação, mas quem a desconhece poderá descobrir um universo de imaginação, observação e criação à volta do feminino, como o princípio do belo na humanidade. 

Mafalda Vasconcelos apresenta-se agora no seu solo pátrio, com o trabalho a ser apresentado com a curadoria de Yolanda Couto.

O desenho e a pintura a óleo constituem o centro da sua produção. Para a artista, a arte é um exercício de introspecção, um meio de revelar emoções e pensamentos profundos, em diálogo constante com a sua identidade e história. Os seus retratos, vibrantes e íntimos nascem das mulheres da sua família e das suas próprias experiências enquanto mulher, procurando suspender o tempo e criar um encontro silencioso e duradouro com quem os contempla.

Numa leitura à obra de Mafalda Vasconcelos, a escritora Eliana N’zualo constata que “Cada obra traz elementos naturais, como árvores e flores, incorporando materiais orgânicos que ressaltam a conexão íntima entre a Mulher e a natureza”. A exposição remete à figura de Vênus, a deusa da fertilidade, que simboliza não apenas a fecundidade da terra, mas também a fertilidade de ideias e emoções. 

Mafalda Vasconcelos cresceu envolvida por múltiplas influências culturais: europeias, africanas e australianas, que moldaram desde cedo o seu olhar sensível sobre o mundo. O amor pela arte despertou por volta dos 9 anos, de forma íntima e espontânea quando criava as suas primeiras peças, sentada ao lado da sua avó de origem Nharinga, na Zambézia.

Renomado saxofonista moçambicano, Moreira Chonguiça, ministrou uma masterclass na American Schools of Angola, onde o artista moçambicano partilhou suas experiências. A presença do artista moçambicano em Angola insere-se no âmbito da promoção da Cultura de Paz e foi promovida pela Embaixada de Moçambique em Angola.

A American Schools of Angola acolheu, na terça-feira uma Masterclass conduzida pelo renomado saxofonista moçambicano Moreira Chonguiça, uma das mais destacadas referências da música contemporânea africana.

A iniciativa da American Schools of Angola (ASA) e a Embaixada de Moçambique em Angola reuniu alunos e convidados num momento de partilha artística, formação musical e reflexão sobre o papel da cultura na promoção da paz.

Com uma carreira sólida e amplamente reconhecida a nível internacional, Moreira Chonguiça tem levado a música moçambicana e africana a grandes palcos do mundo, destacando-se pela fusão do jazz com sonoridades tradicionais africanas.

O seu percurso artístico é igualmente marcado pelo engajamento em causas sociais, utilizando a música como instrumento de união, diálogo e solidariedade entre os povos.

A presença do artista em Angola insere-se no âmbito da promoção da Cultura de Paz, bem como das celebrações do Dia dos Heróis Nacionais de Moçambique, assinalado a 3 de Fevereiro, e do início da Luta Armada de Libertação de Angola, celebrado a 4 de Fevereiro, reforçando os laços históricos, culturais e de irmandade entre as duas Nações.

No decurso da sua estadia em Angola, a visita de Moreira Chonguiça estendeu-se ao gabinete do Coordenador do Comité Nacional de Gestão da Bienal de Luanda, Sua Excelência o Embaixador Sita José, num encontro que reforçou o diálogo cultural e a cooperação artística no espaço africano.

O saxofonista foi também destaque no concerto “SOS-Juntos por Moçambique”, uma iniciativa da Embaixada da República de Moçambique em Angola e do ResiliaArt Angola, realizada, no fim da tarde de sábado, no espaço cultural Prova d’Art Miramar.

No concerto, o moçambicano Moreira Chonguiça partilhou o palco com o saxofonista Sanguito e Filipe Mukenga, músicos angolanos que prontamente aceitaram o convite. Os artistas, mesmo sem ensaios, subiram ao palco para brindar os presentes, doando a sua arte, acompanhados por uma banda formada por músicos jovens.

A chuva que afecta Moçambique foi cantada por Filipe Mukenga, em “Nvula”, em dueto com Moreira Chonguiça, que incorporou solos do saxofone neste tema e outros do artista angolano, apreciado no seu país. Sanguito não deixou os seus créditos em mãos alheias ao apresentar parte do acervo de instrumentais.

No fim do concerto, foi leiloado um quadro de um artista plástico moçambicano e o valor arrecadado, assim como as motivações do concerto, foi para apoiar as vítimas das cheias que, no fim de Janeiro, afectaram o país. O evento esteve também enquadrado no âmbito da cultura da paz e alusivo aos Dias dos Heróis Nacionais de Angola e Moçambique.

“Prosaico” é o título da exposição individual do artista moçambicano Luís Sozinho, patente ao público no espaço cultural Galeria no Porto de Maputo.

Com curadoria de Raquel Vedor, a exposição recorre à técnica acrílica e está estruturada em três estâncias, cada uma delas trazendo uma mensagem específica sobre os comportamentos e a realidade social em Moçambique e em África. As estâncias intitulam-se Protocolo, Prosa a Moçambique e Apoéticos.

De acordo com o autor, o tema “Prosaico” surge como uma verdadeira poesia visual, reunindo acontecimentos que reflectem a africanidade e a vivência do povo moçambicano. Nas obras, Luís Sozinho propõe uma poesia pictórica que integra múltiplos eventos recentes ocorridos na região e no mundo, muitos deles marcados por tragédias. Trata-se de uma impressão da realidade contemporânea, apresentada sem a preocupação explícita com acréscimos simbólico-metafóricos, ainda que estes surjam naturalmente.

“Trata-se de uma realidade contemporânea cuja poetização dos eventos advém por si só, em factos inimagináveis, quase fictícios e, ao mesmo tempo, concretos”, refere o artista. Acrescenta ainda que “associam-se ao ‘Prosaico’ motivos estéticos da cultura visual, como a estilização das danças N’sope e Tufo, o mussiro, o circo e o palhaço enquanto personagem central, bem como semblantes e mímicas que traduzem sentimentos — por vezes, paradoxalmente, sem sentimento algum”.

Com base no conhecimento adquirido ao longo da sua formação, enquanto homem profundamente ligado às artes, Luís Sozinho transpõe para a tela o quotidiano, o ritual, as cores e os gestos, conjugando sentimento de pertença e domínio técnico.

Luís Sozinho nasceu a 20 de Março de 1988, no distrito de Nacala-Porto, província de Nampula, norte de Moçambique. Desenha desde a infância e é licenciado em Artes Visuais desde 2014 pelo Instituto Superior de Artes e Cultura (ISArC), onde lecciona, desde 2015, as disciplinas de História da Arte e Direcção de Arte para Cinema.

O artista conta com várias participações colectivas, destacando-se a exposição African Galleries Now 2021, onde foi uma das figuras internacionais em evidência, bem como a feira Go Go Go – Maputo Art Fair 2021, promovida pela Galeria Arte de Gema. Integra ainda diversas edições da colecção Crescente – Kulungwana, entre outras mostras.

“Prosaico” constitui a sua segunda exposição individual.

A Secretária de Estado das Artes e Cultura, Matilde Muocha, manteve, recentemente, no seu Gabinete de Trabalho, um encontro com a Direcção do Núcleo D’Arte representada pelo Secretário-Geral, Aldino Languana. A reunião entre as partes tinha como objectivo partilhar as actividades e os resultados alcançados durante o ano de 2025 e planos para 2026. 

O Secretário-Geral destacou a realização de um total de 15 exposições entre individuais e colectivas com a participação de artistas nacionais e estrangeiros, abrindo espaço para uma maior internacionalização das artes moçambicanas e troca de experiências entre artistas.

Em termos de volume de obras vendidas, o Núcleo D’Arte contabilizou cerca de 51 obras e 11 impressões, num total de 224 artistas envolvidos. Apesar destas vendas terem representado uma geração de renda para os artistas e para o próprio Núcleo, a Direcção reconhece que ainda ocorre muito comércio informal de obras no seu espaço, não permitindo a sua devida contabilização. 

O Núcleo de D’Arte celebrou ao longo do ano passado Memorandos de Entendimento com várias instituições, reforçando a sua contribuição para o desenvolvimento social e cultural nacional. 

O Núcleo de Arte é um espaço estratégico de educação informal em arte, o que se reflecte no número elevado de visitantes recebidos ao longo do ano passado, num total de 15 mil pessoas, entre estudantes das escolas secundárias circunvizinhas, visitantes da galeria e das oficinas, bem como o público da área de espectáculos.

Para o presente ano o Núcleo pretende fortalecer a sua capacidade de formação de artistas, maior comércio das obras de arte e engajamento dos seus membros para o cumprimento das suas obrigações, o que permitirá, sem sombra de dúvidas, manter o funcionamento do espaço como também atender aos artistas em caso de necessidade. 

Matilde Muocha, enalteceu o trabalho de destaque que o Núcleo tem realizado em prol do desenvolvimento das artes e da protecção social dos seus associados. Destacou igualmente a necessidade do organismo realizar mais actividades em parceria com o Ministério da Educação e Cultura, com enfoque para a difusão da legislação que é aprovada no sector. 

Muocha lançou o desafio à Direcção para que realize mais acções junto com o Governo com vista à redução da informalidade no comércio de obras de arte, o que poderá contribuir para o progresso do sector, mas acima de tudo para atender às necessidades dos artistas.

 

Aos 16 anos, aluna de canto na MUSIARTE, transforma a paixão pela música numa  oportunidade para jovens músicos em situação de vulnerabilidade.  No âmbito de um projecto escolar, Leonor Dias Vaz lançou uma campanha de angariação de fundos  Every Note Makes a Difference para, inicialmente, financiar duas bolsas de estudo, cada uma  correspondente a dois anos de formação musical na MUSIARTE. 

Leonor Vaz transformou a sua vivência pessoal num projecto de alcance coletivo, liderando uma bem sucedida iniciativa de angariação de fundos “Every Note Makes a Difference” destinada a  apoiar jovens talentos musicais em situação de vulnerabilidade social. 

A campanha superou as  expectativas, tendo angariado mais de meio milhão de meticais, permitindo a atribuição de  quatro bolsas de estudo completas para quatro jovens músicos de origens vulneráveis em  Maputo. 

No âmbito da iniciativa, Leonor organizou um evento público de angariação de fundos na  Escola Internacional Americana de Maputo, que reuniu alunos da MUSIARTE e da Escola  Portuguesa de Maputo. Durante o evento, apresentou pessoalmente o seu projecto, partilhando  a sua visão, motivação e compromisso com o alargamento do acesso à educação musical. 

Com um percurso artístico já reconhecido além-fronteiras, tendo sido finalista do The Voice  Kids Portugal 2024, Leonor tem plena consciência do privilégio que representa ter acesso a  uma educação musical de qualidade. Foi precisamente essa consciência que a levou a  questionar as desigualdades de oportunidades enfrentadas por muitos jovens da sua geração,  igualmente talentosos, mas sem os mesmos recursos.  

O projecto Every Note Makes a Difference – Bolsas de Estudo Leonor Vaz afirma, de forma  inspiradora, que a liderança não tem idade e que os jovens artistas podem desempenhar um  papel activo e transformador na sociedade, promovendo oportunidades, esperança e futuro  através da educação e da música.

A primeira escola de DJ em Moçambique quer profissionalizar o sector, capacitar os fazedores da música, formar novos talentos e reduzir barreiras sociais e de género. Por isso, a escola será criada e o projecto será liderado pelo DJ Faya, que junta duas décadas de experiência.

A escola de DJs foi fundada em Maputo há menos de seis meses, e é denominada BPM, que significa Batidas por Minuto, que já formou 16 DJs.

O projecto, liderado por Fayaz Abdul Hamide, artisticamente conhecido como DJ Faya, pretende formar novos talentos e reduzir barreiras sociais e de género.

“É um projecto onde deixo um legado para os jovens daquilo que é toda a minha experiência, que aprendi durante anos (…), sendo também uma iniciativa empreendedora na qual podemos também crescer e desenvolver mais projectos para os jovens”, explica à Lusa Fayaz Abdul Hamide, ou DJ Faya, no mundo artístico.

A BPM – Batidas por Minuto – já formou 16 DJs moçambicanos e “quatro a cinco formandos já começaram a tocar no mercado”, num esforço para tentar apoiar a profissionalização e travar o estigma e tabu relacionado com a actividade. Entretanto, uma nova turma de seis candidatos a DJ já está a iniciar a formação na BPM.

“A ideia é fazer turmas pequenas para que melhor possamos estar com elas e dar toda a atenção possível, porque senão acabamos tendo 30 alunos e não conseguimos estar com todos eles”, diz.

A formação inclui ‘DJing’, produção musical, ‘branding’ e ‘marketing’ artístico, distribuídos em nove módulos que combinam teoria e prática.

“Em 45 dias, conseguem aprender a parte teórica e depois a parte prática. Sempre de mãos dadas para que eles não possam esquecer dos conceitos DJ, da questão da música, dos botões”, acrescenta o fundador.

Fayaz nasceu a 10 de Agosto de 1986 e é um dos DJs mais populares de Moçambique, com carreira iniciada em 2000 e consolidada a partir de 2004. Vencedor do concurso de DJ do Blue Xurras em 2010 e autor de sucessos como “Fala” e “Bondoro”, destacou-se também como fundador do festival Nostalgia, que promove música africana dos anos 1990 e 2000.

Recebeu o prémio de Melhor DJ 2012, lançou o álbum “Tá Comprovado vol. 1” e foi nomeado cinco vezes nos Mozambique Music Awards. Paralelamente, desenvolve acções filantrópicas ligadas à Associação Moçambicana de Autismo e representou a lusofonia no festival African In Color, no Ruanda, em 2023.

Segundo o DJ Faya, a formação decorre três vezes por semana, até duas horas por dia.

A escola tem procurado integrar diferentes perfis e disponibilizou “quatro bolsas a jovens com autismo”.

“Um deles foi o DJ que fechou o baile da escola dele”, detalhou Faya, que é também ‘embaixador’ das pessoas com autismo no país.

“Temos aqui alunos que já começaram a entrar para o mercado. Nós estamos a auxiliá-los com material novo e material para alugar”, afirma, destacando o apoio a iniciativas sociais: “Semanas atrás, lancei a minha nova música para o mercado, que é uma de socialização contra a violência das mulheres”.

Apesar do crescimento da procura, persiste desigualdade de género no acesso à formação, nas várias áreas.

“Ainda existe um tabu nas mulheres, muitas vezes imposto pelo ambiente familiar. É preciso desmistificar isso”, defende Faya, revelando que a nova turma na BPM conta com uma aluna e tem mais três mulheres inscritas para Janeiro.

Clapton, DJ há mais de uma década, apostou na formação para reforçar competências nos ‘pratos’ e pistas de dança.

“É uma honra estar ao lado do Faya, é um prazer, e também vim cá porque, não só sendo DJ, é sempre bom vir fazer um ‘upgrade’, vir inovar as técnicas, vir inovar a sabedoria de ser um bom DJ (…). É muito bom ser DJ e ter o diploma, ser reconhecido. E melhorar também mais ainda as minhas performances”, diz Clapton, que é também promotor de eventos.

A BPM acolhe igualmente alunos sem experiência prévia, como Deise Chirindza, vendedora, que decidiu explorar a área por interesse pessoal: “Nunca fui DJ. Simplesmente sou alguém que gosta de música. Então, essa experiência aqui é para me trazer um novo ‘know-how’ (…) às vezes é necessário que a gente tenha alguma coisa a que se segure, que possa distrair e por aí em diante”, conta à Lusa.

Deise explica que esta formação representa também um desafio pessoal: “Por ser mulher, às vezes gostamos de desafiar aquilo que são as nossas capacidades”.

Com alunos com idades entre os 8 e os 60 anos, a escola quer consolidar-se como referência na formação de DJ no país e com essa ideia do fundador que é também o tutor na escola de que é de “pequenino é que se torce o pepino”.

“Um DJ não se forma em 10, 15, 20 dias. É todos os dias ser DJ, aprender novas técnicas sobre música, a história da música e muito mais”, afirmou Faia.

“O que se ensina aqui é a minha experiência. Se a minha carreira serve como exemplo para muitos DJ, acredito que sem dúvida vão servir para os alunos que estão a entrar, porque é dali que a gente sai em novas experiências, daquilo que eu aprendi durante anos em Moçambique e fora e que eles vão aprender”, conclui.

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