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O País – A verdade como notícia

Cinco vítimas mortais registadas em Matadouro, na Beira, só em 2026

Moradores apontam falta de luz, ausência de posto policial e patrulhamento deficiente como causas do aumento da criminalidade na zona de expansão da Beira.

A zona de Matadouro, no bairro de Inhamízua, vive dias de medo. Só neste ano, já foram registadas cinco vítimas mortais, devido à criminalidade. Moradores denunciam roubos durante o dia e à noite, e apontam a ausência de iluminação pública e a falta de um posto policial como principais factores que favorecem a ação dos malfeitores, naquela que é uma das áreas de expansão da cidade.

De dia, ninguém está seguro, segundo os residentes, que denunciam que adolescentes circulam em grupos, fingindo conversar na rua, enquanto escolhem as vítimas.

À noite a situação agrava-se. A escuridão total e a proximidade com a linha férrea tornam o local propício para assaltos violentos.

“Às vezes nós levamos cliente aqui, para podermos entrar nessa zona. No fim de tudo, por falta de iluminação aqui, na zona, acabamos por sofrer roubo de moto, ser assaltado. Isso já está a ser uma coisa frequente”, contou  Lucas Mauro.

Para os moradores, dois problemas estão na base do problema: a falta de luz e o fraco patrulhamento policial. “Eu já vi aqui a polícia fazer patrulha, mas são raras as vezes. Também eles são seres humanos, e onde não há luz é um pouco difícil patrulhar. Para piorar, nesta  zona de expansão de Matadouro, não existe sequer um posto policial. Havendo uma possibilidade de ter um posto policial, seria louvável”, defendeu  Luciano Nhantumbo.

O único acesso para entrar e sair de Matadouro é um pequeno troço que cruza a linha férrea que liga Beira a Dondo. É precisamente nesse ponto que a maioria dos crimes acontece.

Os números assustam. Só neste ano, cinco pessoas já perderam a vida. A última vítima foi um jovem do bairro, morto no último fim-de-semana e que deixou três filhos pequenos.

“Era biscateiro, mas conseguia qualquer coisa para os filhos comerem. Agora os três filhos menores e a esposa estão desamparados. Como vão conseguir viver?”, questionou Marta Titos, uma residente de Matadouro.

Há ainda críticas ao trabalho dos membros comunitários. “Eu sei que a PRM não tem efectivos adequados, mas também tem uma faixa de membros comunitários. Eles já conhecem a operação daqui, mas não estão a fazer produção, estão lá preocupados a fazer biscates, lavar viaturas na sede do bairro. Não estão aqui”, lamentou Brasil Carlos, igualmente residente em Matadouro. 

Perante o cenário, os moradores pedem socorro urgente às autoridades. Exigem a instalação imediata de iluminação pública, reforço do patrulhamento policial e a construção de um posto policial para travar o avanço da criminalidade e devolver a segurança à população.

A Polícia da República de Moçambique prometeu pronunciar-se sobre as denúncias populares nesta terça-feira.

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