Subiu para 400 o número de casas inundadas nas zonas altas de Xai-Xai, na sequência das chuvas que caem desde segunda-feira. As famílias afectadas pedem uma intervenção rápida do município, que dispõe de apenas 350 parcelas para o reassentamento, enquanto prossegue a identificação de novas áreas para acomodar as vítimas.
A chuva que cai desde a manhã desta segunda-feira voltou a agravar o drama de famílias que, desde Janeiro, vivem com água dentro das suas casas. Só na zona de Bokola, na zona alta de Xai-Xai, 45 residências voltaram a ficar totalmente inundadas
“Há muita coisa que está ali naquela casa que está a apodrecer por causa da água. Nós estamos a sofrer com a água. Quando cai a chuva, nem para andar nós estamos a conseguir. Temos que ficar ali dentro para não entrar água”, relata uma residente de Bokola.
A situação afecta também as actividades básicas das famílias. “Nem para cozinhar, não se cozinha. Temos que pedir socorro para conseguir cozinhar lá dentro. Estamos a sofrer. Estamos dentro de água”, conta a moradora, que vive com seis crianças.
O chefe do quarteirão de Bokola admite que, nas actuais condições, a permanência das famílias naquele local tornou-se insustentável.
“Nós não temos condições. Se tivéssemos condições, já devíamos ter saído há muito tempo deste lugar. Só se vê que é melhor mesmo continuar aqui, embaixo d’água. Preferem conviver dia a dia com água, mas isso não fica bem para uma criança. Às vezes tem que estar a dormir à noite. Você não sabe quando a chuva pode chover”, afirma.
O cenário de Bokola repete-se em quatro bairros do município de Xai-Xai, particularmente nas zonas de Madagáscar, Quartel e Bairro 2, onde cerca de 400 famílias vivem em áreas alagadas.
“A situação não está boa mesmo. Nem para sair de casa conseguimos. Conforme estão a ver, as crianças, outras não foram à escola por causa da situação dessa chuva. Está assim, não temos como passar. Conforme estão a ver, esta zona toda está inundada”, relata uma residente.
Em Madagáscar, cerca de 30 famílias já abandonaram as suas casas devido à subida das águas e procuraram abrigo numa escola.
“As águas fecharam essas ruas. Choveu acho que 24 horas. Então tiveram que sair até lá na escola. Foram na escola para ficarem lá. As condições não estão bem, a água. Sabemos que quando chove toda a sociedade vem acumular no mesmo sítio. Então não é saudável”, explica a moradora.
Perante a situação, os residentes admitem deixar as zonas afectadas caso sejam criadas condições para o reassentamento.
O presidente do município de Xai-Xai, Ossemane Adamo, reconhece que a situação é crítica e que as últimas chuvas agravaram o problema na zona de Patrice Lumumba.
“Na zona do Patrice temos cerca de 350 famílias. Mas no Chongoene conseguimos 300 espaços. Então identificámos aqueles que estão em situações péssimas, por conta das últimas chuvas que criaram outro problema na zona de Patrice Lumumba, naquelas lagoas. Também temos população que está em lugares impróprios”, explica Ossemane Adamo.
O edil diz que as tentativas de sucção das águas não produziram resultados devido à localização geográfica das áreas afectadas.
“Fomos lá fazer um trabalho para ver se podíamos aliviar aquelas águas. Mas, devido à sua localização, estão numa zona onde não é possível criar alguma infraestrutura para podermos aliviar aquelas águas”, afirma.
Perante a dificuldade de escoamento, a retirada das famílias das áreas consideradas de risco passa a ser a principal medida das autoridades municipais. O processo deverá ser faseado e incluir a identificação de áreas ociosas em Xai-Xai, além de terrenos no distrito de Chongoene.
“A única saída é retirá-los dali para lugares seguros. Mas esse é um processo que continuamos a trabalhar dentro daquilo que são as amizades que temos com outros parceiros para podermos conseguir uma solução para aliviar o sofrimento daquelas famílias”, diz o presidente do município.
Ossemane Adamo explica que o reassentamento exige a criação prévia de condições básicas nas novas zonas de residência, uma vez que muitas das famílias afectadas vivem actualmente em áreas com acesso a água, energia, escolas e serviços de saúde.
“Já fizemos esse trabalho. Então agora estamos a trabalhar com o Chongoene. Como sabemos, as pessoas estão a sair da cidade onde tinham água, tinham energia, tinham escola, tinham saúde. Então é nosso dever criarmos essas condições antes de transferir as pessoas para aquele local. Esse é um trabalho conjunto que estamos a trabalhar. Não temos datas ainda, como eu disse, temos que criar algumas condições para aquele local”, esclarece.
Ao todo, mais de sete mil pessoas vivem em zonas de risco em Xai-Xai. Deste universo, cerca de cinco mil encontram-se em áreas consideradas de alto risco de inundações.