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O País – A verdade como notícia

Chapo promete reforçar combate ao terrorismo em Cabo Delgado

O presidente da Frelimo, Daniel Chapo, reafirma que o combate ao terrorismo em Cabo Delgado continuará a ser assumido de forma frontal e determinada pelo Governo e defende o reforço da capacidade das Forças de Defesa e Segurança e da Força Local para enfrentar os grupos armados que continuam a protagonizar ataques esporádicos naquela província.

Falando nesta quarta-feira, em Chimoio, no encerramento da IV Sessão Extraordinária do Comité Central da Frelimo, Daniel Chapo garantiu que o Governo não vai baixar a guarda perante a ameaça terrorista. “Continuaremos a encarar o terrorismo de forma frontal e determinada, de forma dura, sem complacência”, afirmou o presidente da Frelimo. Chapo diz que o País vai “incrementar o investimento na capacidade” das Forças de Defesa e Segurança e na Força Local para o combate ao terrorismo em Cabo Delgado.

Para Chapo, a manutenção da paz e da segurança é condição indispensável para que as populações das zonas afectadas possam reconstruir as suas vidas e retomar as actividades económicas e sociais interrompidas pela violência.

“O povo moçambicano não deve ser atrapalhado quando quer realizar os seus sonhos”, considerou, para depois defender que Moçambique deve continuar a mobilizar todos os meios necessários para garantir a paz.

O presidente da Frelimo voltou a apresentar o partido e o Governo como forças comprometidas com a paz, sublinhando que a resposta ao terrorismo não deve ser confundida com uma mudança da vocação pacífica do Estado moçambicano.

“Nós somos um povo de paz. Somos um partido de paz. Somos um governo de paz e usaremos de todos os meios possíveis para alcançar a paz”, disse Chapo e reforçou que “para a Frelimo, a única alternativa à paz é a própria paz”.

Apesar da persistência da ameaça terrorista, Daniel Chapo considera que existem progressos importantes no combate ao terrorismo em Cabo Delgado. Entre os sinais positivos, apontou o regresso de grande parte das populações às suas zonas de origem, depois de anos de deslocação provocada pelos ataques terroristas.

“Em relação ao combate ao terrorismo, importa referir que há muitos avanços. Todos sabem que grande parte das populações já regressaram para as suas regiões de origem, embora os terroristas continuem a fazer alguns ataques esporádicos”, afirmou.

A retoma da actividade económica é outro dos indicadores apresentados por Chapo para sustentar a ideia de melhoria da situação em Cabo Delgado. O presidente da Frelimo revelou que grandes empresas ligadas ao sector do gás, que haviam interrompido as suas operações devido à insegurança, já retomaram as actividades, enquanto outras deverão fazê-lo brevemente.

“As grandes empresas que trabalham na área do gás, que operavam em Cabo Delgado, já retomaram as suas actividades e outras retomarão em breve”, disse.

Chapo aproveitou igualmente a ocasião para prestar homenagem às Forças de Defesa e Segurança, destacando o papel desempenhado pelos militares moçambicanos no combate aos grupos terroristas, em coordenação com forças estrangeiras que apoiam Moçambique.

“Queremos, uma vez mais, homenagear as nossas briosas Forças de Defesa e Segurança, que, lado a lado com as forças amigas do Ruanda e da Tanzânia, combatem com coragem, bravura, determinação e tenacidade esse mal que assola o nosso país”, afirmou.

Para o líder da Frelimo, a defesa de Cabo Delgado ultrapassa os limites daquela província e representa a defesa da própria soberania nacional.

“Porque Cabo Delgado é Moçambique”, declarou, numa afirmação que enquadra o combate ao terrorismo como uma questão de defesa da soberania e da integridade territorial do País.

A intervenção de Chapo incluiu ainda um reconhecimento à Força Local e aos veteranos da Luta de Libertação Nacional, que, para si, continuam a desempenhar um papel importante na defesa das comunidades e do território nacional.

“Queremos também reconhecer o papel dos nossos veteranos combatentes da Luta de Libertação Nacional, a Força Local e outros que, ao longo de décadas deram o melhor das suas vidas à causa da liberdade, da terra e do povo moçambicano, à causa da soberania e da independência e da construção de Moçambique”, afirmou.

O presidente da Frelimo destacou particularmente a continuidade do envolvimento das comunidades na defesa de Cabo Delgado, referindo-se à participação de diferentes gerações na Força Local.

“Até hoje estão em Cabo Delgado os veteranos combatentes da Luta de Libertação Nacional, os seus filhos, netos e bisnetos que continuam firmes a defender a Pátria moçambicana, 24 sobre 24 horas”, disse.

Na sua intervenção, Chapo alargou também o discurso sobre segurança a outros fenómenos criminais que, segundo afirmou, afectam a população e condicionam o desenvolvimento do País. Entre estes, mencionou os raptos, o tráfico e consumo de drogas, o tráfico e venda de órgãos humanos e a corrupção.

“Em paralelo ao combate ao terrorismo, continuaremos a combater com o mesmo vigor os raptos, o tráfico e o consumo de drogas, o tráfico e venda de órgãos humanos, a corrupção, entre outros crimes que perturbam o nosso povo e impedem o desenvolvimento do nosso belo país, Moçambique”, comprometeu-se..

A posição assumida por Daniel Chapo surge num momento em que o Governo procura consolidar os ganhos alcançados no combate à insurgência em Cabo Delgado e criar condições para o regresso definitivo das populações deslocadas e a recuperação da actividade económica.

No encerramento da reunião do Comité Central, o presidente da Frelimo associou ainda a defesa da paz à necessidade de preservar a unidade nacional, considerando que Moçambique deve permanecer maior do que as suas diferenças políticas, ideológicas, culturais e étnicas.

“Somos uma Nação arco-íris, com diversificação étnica, ideológica, cultural e de pensamento. Moçambique deve continuar a ser maior do que as diferenças que lhe caracterizam”, afirmou.

A mensagem de Chapo é, assim, de continuidade da ofensiva contra o terrorismo, mas também de aposta na estabilização das zonas afectadas, no regresso das populações e na recuperação económica de Cabo Delgado.

O presidente da Frelimo deixou claro que, para o Governo, a consolidação da paz passa pela combinação entre capacidade militar, participação da Força Local, cooperação com países aliados e criação de condições para que as comunidades retomem uma vida normal.

 

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