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O País – A verdade como notícia

Chapo anuncia plano contra seca e pede vigilância contra  manipulação

O Presidente da República, Daniel Chapo, anunciou o plano de acção para responder à falta de chuva e água e apela à vigilância contra aquilo que chama de “inimigos do desenvolvimento”. No primeiro dia da visita de trabalho a Inhambane, inaugurou igualmente o Instituto Superior Politécnico de Quissico e recebeu informação sobre os principais projectos de desenvolvimento da província.

O Governo está a preparar-se para uma nova ameaça climática no Sul de Moçambique. Depois de um início de ano marcado por excesso de água e cheias em várias zonas, o Presidente da República, Daniel Chapo, anunciou, nesta quinta-feira, em Zavala, que o Executivo já trabalha num plano de acção para responder aos efeitos previstos do fenómeno El Niño, que poderá trazer uma época de chuvas abaixo do normal, temperaturas elevadas e períodos prolongados de seca.

O alerta foi lançado durante o primeiro contacto do Chefe do Estado com a população de Zavala, no início de uma visita de trabalho de três dias à província de Inhambane. Chapo disse que a previsão aponta para impactos particularmente preocupantes na região Sul, incluindo Inhambane, Gaza e Maputo, e defendeu que o País deve preparar-se antes que a escassez de água atinja as comunidades.

“Como há-de haver seca, temos de nos preparar”, disse o Presidente, apontando como prioridade o aumento da disponibilidade de água através da abertura de mais furos e da recuperação daqueles que actualmente se encontram avariados.

A preocupação presidencial surge num momento em que as previsões internacionais reforçam o risco. A FAO e o Programa Mundial para a Alimentação indicaram, em Julho, que as previsões apontavam para um El Niño potencialmente recorde na época 2026/27, com possibilidade de provocar condições de seca no Sul e Centro de Moçambique e afectar a produção agrícola, a disponibilidade de água, a criação de gado e os meios de subsistência.

Uma avaliação mais recente da UNDRR aponta igualmente para um fortalecimento do El Niño durante a segunda metade de 2026, aumentando a probabilidade de seca no Centro e Sul do País. Agricultura e recursos hídricos estão entre os sectores considerados mais expostos, com possíveis efeitos em cadeia sobre segurança alimentar, nutrição, rendimentos das famílias e mercados.

O próprio Governo já vinha a preparar acções antecipadas. Em Julho, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres anunciou a coordenação dos planos distritais de acções antecipadas à seca para a época 2026/27, tendo sido activados planos em dez distritos considerados em situação de maior exposição aos impactos do fenómeno. Entre eles estavam Mabote, Funhalouro, Massinga, Jangamo e Homoíne, em Inhambane.

Em Zavala, porém, Daniel Chapo procurou traduzir o alerta climático para uma realidade que as comunidades conhecem bem: água.

O Presidente lembrou que, no início deste ano, algumas regiões enfrentaram excesso de água, mas advertiu que o cenário que se aproxima poderá ser inverso. “Havia excesso de água, morremos por causa de água, mas, neste ano, a previsão, principalmente aqui, na zona Sul, em Inhambane, Gaza e Maputo, a previsão é de seca”, afirmou.

A declaração coloca a água no centro da preparação do País para a próxima época agrícola. Se a chuva falhar, o impacto não ficará limitado aos campos de cultivo. A redução da disponibilidade de água poderá pressionar o abastecimento às famílias, afectar o gado e reduzir as possibilidades de produção das comunidades que dependem directamente da chuva.

É também neste ponto que a promessa de reparar furos avariados ganha importância. Para comunidades rurais, um sistema de abastecimento de água que deixa de funcionar pode significar longas distâncias percorridas à procura de água, redução da capacidade de produção e maior exposição das famílias à insegurança alimentar.

O Presidente disse que o Ministério das Obras Públicas e parceiros já estão envolvidos na preparação de um programa para responder ao fenómeno. A lógica, segundo explicou, é actuar antes que a seca se agrave, reforçando fontes de água e recuperando infra-estruturas existentes.

Mas o alerta de Chapo não se limitou ao clima. Diante da população de Zavala, o Presidente da República introduziu também uma mensagem política e social ao falar daqueles que classificou como “inimigos do desenvolvimento do povo”. 

O Chefe do Estado apelou à vigilância das comunidades contra aquilo que considera serem tentativas de manipulação capazes de provocar destruição de infra-estruturas e comprometer o desenvolvimento local.

Chapo associou essa preocupação à necessidade de preservar a paz e a segurança, advertindo que a população deve estar atenta a manipulações que possam levá-la a destruir bens que pertencem à própria comunidade.

“Para que haja paz e segurança, temos de estar atentos a manipulações. Sem ficarmos atentos, vamos ser manipulados e destruir as nossas próprias coisas”, afirmou.

EMPODERAMENTO DA JUVENTUDE

O Presidente referiu, como exemplo, situações em que, segundo disse, pessoas podem ser mobilizadas para destruir infra-estruturas públicas. E questionou: “Onde é que entram nas eleições escolas?”

A intervenção surge num contexto em que a destruição de infra-estruturas públicas pode transformar-se num problema adicional para comunidades que já enfrentam dificuldades no acesso a serviços básicos. Para além do custo financeiro da reposição de um hospital, escola ou outra infra-estrutura, a destruição representa a interrupção de serviços de que a população depende diariamente.

Na mesma interacção, Daniel Chapo voltou a destacar os programas de empoderamento financeiro dirigidos à juventude e às mulheres, apresentando estas iniciativas como parte da estratégia do Governo para ampliar oportunidades económicas e criar bases para um desenvolvimento sustentável.

A aposta ganha particular importância num contexto em que a região Sul poderá enfrentar pressão sobre a agricultura e os rendimentos familiares devido às condições climáticas previstas. A avaliação da FEWS NET indica que as províncias semiáridas de Maputo, Gaza e Inhambane estão entre as áreas que poderão sofrer impactos mais significativos do El Niño, com precipitação abaixo da média, períodos secos prolongados e temperaturas acima da média, factores susceptíveis de reduzir a actividade agrícola.

Para o Governo, o empoderamento económico da juventude e das mulheres deverá, assim, funcionar também como instrumento para ampliar a capacidade das famílias de enfrentar choques e encontrar alternativas de rendimento.

Ainda no primeiro dia da visita, Daniel Chapo inaugurou o Instituto Superior Politécnico de Quissico, uma instituição de ensino superior vocacionada para a formação ligada à produção pesqueira.

A entrada em funcionamento da instituição acrescenta uma dimensão económica à visita presidencial. Numa província onde a pesca constitui uma importante fonte de rendimento e subsistência para muitas comunidades, a formação de jovens em áreas relacionadas com a produção pesqueira poderá contribuir para aumentar as competências disponíveis e aproximar o ensino das actividades económicas locais.

A inauguração ocorreu no mesmo dia em que o Presidente colocou a falta de chuva e de água entre as preocupações imediatas para o Sul do país, mostrando a dimensão múltipla dos desafios que o Governo terá de enfrentar: garantir água, proteger os meios de subsistência, criar oportunidades económicas e, simultaneamente, preparar jovens para sectores estratégicos da economia provincial.

No período da tarde, Daniel Chapo orientou uma sessão do Governo Provincial de Inhambane, onde recebeu informação sobre o ponto de situação dos principais programas e projectos de desenvolvimento da província.

A reunião provincial permitiu ao Chefe do Estado acompanhar, a partir da estrutura governamental local, o andamento das iniciativas consideradas prioritárias para Inhambane. O encontro encerrou o primeiro dia de uma visita que terá ainda outros momentos de interacção com estruturas locais e comunidades.

Mas foi a ameaça da seca que acabou por marcar a primeira passagem do Presidente por Zavala.

A região que há poucos meses enfrentava o excesso de água prepara-se, agora, para um cenário potencialmente contrário. As previsões disponíveis indicam que a época 2026/27 poderá colocar novamente as comunidades rurais perante um dos problemas mais difíceis de enfrentar: produzir quando a chuva não chega e garantir água quando as fontes começam a diminuir.

O desafio, por isso, não será apenas reagir à seca quando os campos já estiverem afectados ou quando os furos tiverem deixado de responder à procura.

Será saber se a preparação anunciada pelo Presidente chegará às comunidades antes da falta de chuva e se o Governo conseguirá transformar o alerta do El Niño numa resposta concreta, com água disponível, produção protegida e famílias preparadas para atravessar um novo período de escassez.

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