Os administradores das áreas de conservação afirmam que os ataques terroristas começam a comprometer o desempenho e os ganhos esperados, podendo colocar em causa vários projectos desenvolvidos em benefício das comunidades vizinhas. A preocupação foi manifestada esta terça-feira, à margem da apresentação dos resultados do programa de promoção da biodiversidade, desenvolvido pela Biofund ao longo dos últimos dez anos.
Mais um ataque terrorista assolou a zona-tampão da Reserva Especial do Niassa, no passado dia 3 de Setembro. Não foi o primeiro incidente do género. A sucessão dos ataques começa a preocupar os administradores das áreas de conservação, que alertam para os impactos negativos na segurança, na conservação da biodiversidade e nos projectos de desenvolvimento comunitário.
“Gostaríamos que continuássemos a manter esta relação com as comunidades para desenvolvermos as cadeias de valor. Se há um ataque em áreas de conservação, para nós é um retrocesso, porque as comunidades passam a ter receio, medo de continuar lá a desenvolver os seus projectos. Nós mesmos, como fiscais e gestores dos parques, ficamos com o receio de estar a enfrentar guerras que não esperávamos que pudessem acontecer nas áreas de conservação”, disse João Muchanga, Administrador da Reserva Nacional do Gilé.
A preocupação foi manifestada esta terça-feira, à margem da apresentação dos resultados do programa de promoção da biodiversidade, desenvolvido nos últimos dez anos pela Biofund, que permitiu implementar diversas acções nas áreas de conservação.
“Então, é todo um problema que deve ser ultrapassado. A abertura de 65 quilómetros de picada, estabelecendo o limite sul do Parque Nacional do Gilé, a translocação de 200 búfalos, a instalação de sistemas de monitoria ecológica, incluindo o VHF, F-Ranger e coleiras GPS, bem como o reforço das estruturas de gestão nas três áreas. O Monte Mabo merece particular destaque, com a constituição legal da Associação Conserva Mabo e a recente declaração de Mabo como área de conservação comunitária”, explicou Luís Bernardo Honwana, Director-Geral da Biofund.
Para a União Europeia, o término do programa não significa o abandono dos resultados alcançados. Por isso, os parceiros prometem dar continuidade ao apoio e apelam a um maior envolvimento do sector privado na conservação da biodiversidade e no desenvolvimento das comunidades.
“A conservação e o desenvolvimento local precisam caminhar juntos. Isso exige uma análise económica sólida, cadeias de valor realistas, maior envolvimento do sector privado e soluções adaptadas às realidades locais”, afirmou Anne-Ael Pohu, representante da União Europeia.
No seminário de apresentação dos resultados, foram debatidas estratégias para o combate aos conflitos relacionados com a fauna bravia, bem como mecanismos de financiamento de projectos destinados à localização e catalogação de espécies nas áreas de conservação.