Alberto da Cruz e Hélder Jauana duvidam que a redução da carga horária no ensino secundário traga resultados satisfatórios ao sector da educação. Contrariamente, entendem que os professores não estão aptos para leccionar bem em menos tempo, o que poderá prejudicar ainda mais a qualidade de ensino.
A redução da carga horária no ensino secundário, em resultado da introdução de três turnos no período diurno, foi tema de debate no Pontos de Vista deste domingo.
O comentador Alberto da Cruz desconfia que, com a implementação da medida, se vão alcançar os objectivos ora delineados pelo Ministério da Educação e Cultura. Pelo contrário, acredita que a decisão poderá comprometer a qualidade de ensino e explica as razões.
“O que estamos a colocar como questão aqui é simples, é que o Estado está a querer agora uma coisa que não pode pagar. O que está errado não é a intenção; a intenção é boa. Essa justificação toda que o Estado está a dar é boa e tem uma lógica, mas não há condições para fazer isso, porque tu não tens professores de qualidade e que vão conseguir, de alguma forma, gerir com eficiência aquele pouco tempo que têm com os estudantes, principalmente porque há uma superlotação. Não é possível, humanamente falando, é impossível, a intenção é boa, é, mas não dá para fazer. O Estado não tem condições. O que é fundamental na educação é a qualidade do professor, tem de ficar claro: o nosso professor não tem capacidade de gerir agora, por menos tempos, uma sala de aula com 70 alunos; e com a eficiência que se quer, é impossível isso”, explicou.
Da cruz destacou ainda o despreparo de alguns professores em leccionar em menos tempo, o que torna a medida ineficiente.
Para o comentador Hélder Jauana, há resultados negativos à vista.
“Menos tempo na escola, do ponto de vista de formação, significa menos oportunidade no futuro, porque do ponto de vista de competitividade, seja regional, seja a nível mais global, o nosso estudante está menos tempo na escola, exposto menos à tecnologia e ainda mais grave com uma qualidade de alguma forma duvidosa dos nossos professores, começando, estou a falar de professores primários. A nossa aposta como país foi buscar professores que, do ponto de vista de formação, não têm o ensino médio feito ou não têm o superior, sacrificamos a despeito de que não temos condições financeiras para pagar um professor altamente preparado e, na altura, era preparado pela Universidade Pedagógica. A qualidade de ensino, dentre vários fatores, há um extremamente importante que tem a ver com a qualidade dos professores. Tu tens, em frente aos nossos estudantes, um professor que ele próprio, como professor, lê mal, escreve mal e o que transmite ao estudante vai ser uma série de erros.”
Para os comentadores, a medida da introdução dos três turnos vai apenas ajudar a reduzir os gastos associados ao turno nocturno.
Outro tema levado a debate no programa Pontos de vista, foi a corrupção, que Da Cruz e Jauana consideram que o país encontra-se entre os piores do mundo devido a falta de acções concretas para combater o mal.
“É porque não se faz nada para combater a corrupção, esta que é a verdade. Ou não estamos a ver, até então, medidas claras, uma voz clara, por exemplo, da presidência que, epa, amigos, corrupção em Moçambique ficou para a história, isso aí não estamos a ver. Cada dia que passa, eu acho que fica claro para o moçambicano que aquilo que é problema nosso e que nos prende à pobreza, que é a corrupção, se diga, não é aquela corrupção, vamos assim dizer, de refresco de polícia, aquilo não prende ninguém à pobreza. Estamos a falar da corrupção do topo”, disse Da Cruz.
Para os comentadores já passou da hora dos actores do sector da justiça melhorarem as suas actuações, com vista a reduzir o índice de corrupção.


