O País – A verdade como notícia

A situação de centenas de moradores da cidade da Beira começou a voltar gradualmente à normalidade, depois das intensas chuvas que, entre sexta-feira e sábado, provocaram inundações em vários bairros, sobretudo nas zonas suburbanas. Com a redução do nível das águas, muitas residências que estavam alagadas já voltam a estar livres da água.

Durante o fim-de-semana, a situação foi crítica em diversos pontos da cidade da Beira, capital provincial de Sofala, onde as águas chegaram a atingir cerca de um metro no interior de várias casas, obrigando muitas famílias a abandonar temporariamente as suas residências. No entanto, nesta segunda-feira, o cenário mostrava sinais de melhoria, com a maior parte das águas já a escoar.

No bairro do Vaz, um dos mais afectados, moradores dizem que a situação começa a estabilizar-se, embora ainda persistam alguns pontos com água acumulada.

“Hoje já está um pouco normal. A água diminuiu e acabámos de tirar o que restava. Agora ficou apenas aquela que ainda está a sair por baixo”, contou Luísa Benguela, residente do bairro.

Algumas famílias que tinham levado as crianças para zonas mais seguras começaram igualmente a regressar às suas casas, à medida que as condições melhoram.

Apesar do alívio, os moradores continuam a pedir melhores condições de drenagem e infra-estruturas, para evitar que situações semelhantes se repitam.

“A ajuda que queremos é para organizar esta zona. Não temos drenagem nem estrada. Outras zonas da cidade já melhoraram, mas aqui ainda enfrentamos muitos problemas”, lamentou Catarina Manuel.

As chuvas também afectaram infra-estruturas sociais. A Escola Primária do Vaz, uma das mais impactadas pelas inundações, esteve totalmente alagada na tarde da última sexta-feira, o que impossibilitou a realização de aulas.

Quando a equipa de reportagem regressou ao local, nesta segunda-feira, encontrou um cenário diferente: as águas haviam baixado e pais e encarregados de educação mobilizaram-se voluntariamente para limpar o recinto escolar, numa tentativa de permitir o regresso das actividades lectivas.

Mesmo assim, alguns encarregados de educação consideram que a escola enfrenta vários problemas estruturais.

“Esta escola não está em condições. Falta manutenção, temos problemas com as cheias, e as casas de banho não estão em boas condições para as crianças”, afirmou Luísa Limpo, encarregada de educação.

Apesar da melhoria, ainda existem dificuldades de acesso em alguns caminhos que conduzem à escola e a determinadas residências, onde a água continua acumulada, chegando, em alguns pontos, à altura dos joelhos.

De forma geral, porém, a vida tende a regressar à normalidade na cidade da Beira, numa altura em que as previsões meteorológicas indicam a possibilidade de novas chuvas na província de Sofala, embora com níveis de precipitação relativamente baixos nos próximos dias.

Já estão oficialmente encerradas as instalações da Mozal em Moçambique, na sequência da incapacidade da empresa de ter energia suficiente e a preços competitivos. O futuro da infra-estrutura no país ainda é incerto.

Depois de ter prometido encerrar as suas instalações no fim do ano passado, a Mozal confirmou oficialmente nesta segunda-feira que deixa de operar no país e que seus activos ficam em estado de conservação e manutenção.
Sendo assim, a empresa dispensou os seus trabalhadores e fornecedores de bens e serviços por não ter conseguido um acordo para a redução do preço da energia eléctrica que permitisse a fundição manter-se competitiva a nível internacional.
“Encontrar uma solução foi ainda mais difícil devido às condições de seca que afectam a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), de onde a Mozal obtinha anteriormente a maior parte da sua electricidade”.
Em comunicado de imprensa emitido nesta segunda-feira, o vice-presidente de operações da Mozal Aluminium, Samuel Gudo, disse que este não é o resultado que era esperado pela empresa depois de operar cerca de 25 anos no país.
“Nos últimos seis anos, engajamo-nos amplamente com o Governo da República de Moçambique, a Eskon e outros intervenientes-chave para garantir um contrato de energia para a Mozal que lhe teria permitido continuar a operar e manter-se um negócio viável e competitivo a nível global”.
Na semana passada, o Governo prometeu procurar saber da empresa sobre o destino que pretende dar às suas instalações no país, sem descartar a possibilidade de entrada de novos operadores para a retoma das actividades.

Um jovem foi encontrado morto em cima de um posto de transformação de energia no bairro Muhalaze, quarteirão 26. Segundo moradores, o indivíduo, de aproximadamente 35 anos de idade, terá tentado roubar material eléctrico, concretamente cabos eléctricos, sem sucesso.

Um grito de socorro de quem viu primeiro o corpo do jovem pendurado no PT, acordou os moradores do quarteirão 26, do bairro de Muhalaze no município da Matola. O corpo pertence a um jovem desconhecido pelos moradores, e que supostamente teria tentado roubar material pertencente a Empresa Electricidade de Moçambique. 

A situação deixou mais de 300 moradores sem energia elétrica e com maior preocupação para os próximos dias, uma vez que esta não é a primeira vez que tal acontece. 

A chefe de quarteirão afirma que os casos são todos reportados à EDM e às estruturas máximas dos bairros, e cogita a possibilidade de uma concertação para a activação de policiamento comunitário.

Não poucas vezes que a empresa electricidade de Moçambique tem vindo a denunciar problemas de roubo de material em todo o país, só em 2025 o prejuizo foi de 23 milhões de meticais.

Severino Ngoenha volta a insistir que o país precisa usar parte do Fundo Soberano para financiar a Educação, pois, sob seu ponto de vista, só assim é que o país pode reduzir a dependência externa. O académico critica a qualidade de ensino e entende que uma educação que não resolve os problemas do país é prova de que não é de qualidade.

Severino Ngoenha volta a lançar um olhar crítico ao sector da Educação em Moçambique e alerta para o risco que pode advir da falta de um investimento sério no sector.

Na sua óptica, a falta de uma resposta acertada para esses problemas é um dos barómetros que ajudam a medir a qualidade do ensino.

Segundo Ngoenha, a Educação não se deve fazer polémicas, mas trazer soluções. 

Se no passado, o analfabetismo facilitou a escravatura em África, o filósofo vê um futuro sombrio, caso o Governo não assuma priorize a Educação como factor de transformação sócio-científico.

Mais de 3 milhões de pessoas vivem com a diabetes no país. A maioria dos casos tem resultado na amputação dos membros inferiores. O Ministério da Saúde poderá, nos próximos dias, introduzir nova medicação que acelera a cicatrização.

A maioria dos casos de amputação dos membros de pacientes, no sector da saúde, surgem em consequência da diabetes. 

Trata-se de uma doença que, em parte, resulta de maus hábitos alimentares e não prática de exercícios físicos, afectando pelo menos 3 milhões de pessoas no país.

“ A diabetes não controlada é uma das principais complicações de várias doenças. Complicações cardiovasculares, complicações neurológicas, complicação da visão, mas aqui hoje vamos falar da complicação dos membros inferiores, que hoje é chamado pé diabético. O pé diabético é uma das principais causas de amputação não traumática na República de Moçambique”, explicou Ussene Isse, ministro da Saúde.  

Só no Hospital Central de Maputo são realizadas, por semana, entre 6 a 7 amputações de membros inferiores devido a complicações diabéticas. 

Um problema que poderá ser minimizado nos próximos dias, com a introdução de novo tratamento. 

“ Uma das complicações da diabetes é o aparecimento de feridas, aquilo que nós chamamos de úlceras e essas úlceras são muito complicadas a fazer o seu tratamento, então este novo medicamento que já foi registado no país e vai estar acessível no Sistema Nacional de Saúde, são injeções que têm de ser feitas, têm o seu custo, são feitas as injeções dentro das feridas e estas feridas, que eram difíceis de sarar, têm uma regeneração, têm uma cicatrização muito mais fácil e deixa de haver complicações da infeção e que poderia terminar com a amputação”, explicou Atílio Moraes, médico Cirurgião. 

Antes da implementação do novo tratamento, nas unidades sanitárias, 30 profissionais de saúde serão formados, durante duas semanas. 

“ A Clínica Marcelino dos Santos reconhece que o custo envolvido no tratamento da diabetes é extremamente elevado em todo o mundo, não é particular para Moçambique, daí que esta estratégia deve ser desenvolvida a nível do setor público e esta parceria que foi estabelecida entre a Clínica Marcelino dos Santos, o Ministério da Saúde e o Hospital Central é prova disso. Portanto, o que se pretende é que este tratamento esteja disponível no setor público. Em outros países, como Cuba em particular, este tratamento é disponibilizado a nível dos centros de saúde, porque é lá onde está a maioria dos pacientes que sofrem do pé diabético e que necessitam deste tipo de tratamento. Portanto, é nossa intenção, com este tipo de formação, levar o tratamento aos centros de saúde, daí que os beneficiários desta formação são os cirurgiões e ortopedistas que trabalham a nível das unidades do setor público. Em relação à mitigação do custo envolvido neste tratamento, faz parte da estratégia da Clínica Marcelino dos Santos encontrar parceiros que subsidiem todo este tratamento, de tal modo que o paciente não irá representar um custo direto para o seu bolso, porque nesta estratégia de parceria entre a Clínica e o Ministério da Saúde já prevê o financiamento para a disponibilização do tratamento destes pacientes a nível das unidades sanitárias periféricas públicas”, disse Adriano Tivane, director Clínico da clínica Marcelino dos Santos.

A formação será dirigida por médicos cubanos.

“É um produto que se começou a aplicar em 2007 em Cuba, em 2008 em Venezuela, já se aplica em 24 países e em África se aplica em vários países, Sudáfrica, Angola, Gana e agora em Moçambique”

A formação será expandida para outros pontos do país. 

A Kenmare doou kits de emergência e primeiros  socorros ao Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), numa iniciativa destinada a apoiar as populações afectadas pelas recentes cheias e inundações em várias regiões do país. 

A doação, avaliada em mais de quatro milhões e oitocentos mil meticais, visa reforçar a  capacidade de resposta das autoridades e das unidades de saúde que prestam assistência às comunidades  afectadas pelos recentes eventos climáticos. 

Os kits foram preparados com base nas necessidades actualmente identificadas em hospitais e unidades  de saúde, incluindo materiais de consumo clínico e medicamentos essenciais utilizados no atendimento  de emergência. Entre os principais itens encontram-se luvas de examinação, gaze hidrófila, antibióticos  de largo espectro, analgésicos e antipiréticos, anti-inflamatórios e medicamentos utilizados no  tratamento de condições infecciosas e cardiovasculares. 

A iniciativa enquadra-se no compromisso de responsabilidade corporativa da Kenmare e na sua visão de  contribuir para o desenvolvimento sustentável de Moçambique, reforçando o papel da empresa  como parceiro estratégico do país e como agente activo na promoção da saúde, segurança e bem-estar  das comunidades. 

Gareth Clifton, representante da Kenmare, destacou que “a Kenmare orgulha-se de continuar a apoiar Moçambique em momentos que exigem solidariedade e  cooperação. Esta doação representa o nosso compromisso em contribuir, de forma concreta, para os  esforços nacionais de assistência às populações afectadas pelas cheias, reforçando a capacidade de  resposta das instituições responsáveis pela gestão de emergências no país.” 

A entrega dos kits foi realizada em coordenação com o INGD, entidade responsável pela coordenação das acções de prevenção, gestão e resposta  a desastres em Moçambique. 

A Kenmare Resources plc é um dos maiores produtores mundiais de produtos de areias minerais. A  empresa opera a Mina de Minerais de Titânio de Moma, na província de Nampula. Está em  produção há 19 anos e representa aproximadamente 6% das exportações de  Moçambique, e os seus produtos são fornecidos a clientes em mais de 15 países.

Moçambicanos residentes na Bélgica, Holanda e Luxemburgo queixam-se da falta de absorção, pelo Estado Moçambicano, dos profissionais qualificados em diversas áreas. O Presidente da República diz que tem noção do desafio e o executivo busca formas de obrigar, sobretudo as multinacionais, a contratar, primeiro, a mão de obra qualificada moçambicana residente dentro ou fora do país.

Uma parte da comunidade Moçambicana residente nos países da BENELUX, ou seja Bélgica, Holanda e Luxemburgo, foi recebida pelo Presidente da República, no segundo dia da visita de Trabalho ao Reino da Bélgica. 

O que Daniel Chapo pretendia no encontro era ouvir os desafios da Diáspora e ouviu. A comunidade quer entre outros maior abertura do Governo para absorção dos quadros moçambicanos espalhados pelo mundo. Segundo dizem, até querem regressar a casa, mas precisam de acolhimento, como disse o presidente da Associação La Maison Moçambique em Luxemburgo, Pedro Fernandes.

“Ainda não existe um canal estruturado e eficaz que permita a partilha organizada de conhecimento, experiências e oportunidades no sentido de potenciar o crescimento do país através do know-how dos seus cidadãos no exterior. Há muitos moçambicanos altamente qualificados em várias áreas que, através do seu conhecimento, fazem crescer as economias dos países de acolhimento e de outros que reconhecem neles e neles apostam.  Moçambique raramente olha para além fronteiras no recrutamento de recursos humanos e, quando faz, verifica-se em vários contextos a tendência de recorrer prioritariamente a especialistas estrangeiros”.

As dificuldades no acesso à documentação pessoal é outro ponto levantado pela comunidade, composta por cerca de 1500 moçambicanos. 

“O facto de não ser possível obter documentos de identificação como passaportes e bilhetes de identidade no Benelux causa-nos imensos transtornos, pois temos que nos deslocar a Berlim ou a Lisboa para o fazer. O facto de Moçambique não ser signatário e membro desta Convenção (Convenção de Viena de trânsito rodoviário) tem tornado impossível aos moçambicanos conduzir legalmente e converterem as suas cartas de condução para cartas de condução dos países de acolhimento”.

Daniel Chapo ouviu as preocupações, mas preferiu antes explicar o motivo da sua presença na sede  da UE- Bruxelas. 

“Um dos maiores desafios que nós temos na República de Moçambique, como disseram muito bem aqui na mensagem, é o emprego para a juventude e para a mulher, que fazem parte da maioria do povo moçambicano. E para que haja emprego é extremamente importante a atração de investimentos nacionais estrangeiros para a criação, portanto, de emprego, gerar renda e criar melhores condições de vida para o povo moçambicano”,disse Daniel Chapo, acrescentando que “temos que fazer reformas, como disseram aqui, ainda há registro de muita burocracia, que é preciso desburocratizar a função pública, o Estado, ainda há corrupção. Também sabem que a União Europeia nos apoia no investimento para infraestruturas em Moçambique. Estamos a falar do Corredor de Desenvolvimento, a questão de estradas, pontes, paixão de energia elétrica, água, e também a saúde, a educação, e nós achamos que era muito importante visitar a União Europeia para reforçarmos cada vez mais os investimentos em infraestruturas em Moçambique”. 

Sobre a contribuição dos Moçambicanos na Diáspora, o Chefe de Estado diz que o Governo tem noção dos desafios.

“Estamos agora a ter megaprojetos em Moçambique, e estes megaprojetos precisam de trabalhadores qualificados, e é este trabalho que estamos a fazer agora. A nossa lei é muito clara, nós temos recomendado à Direcção Nacional do Trabalho Migratório para que as empresas que estão a investir em Moçambique só coloquem trabalhadores estrangeiros  nas áreas onde fica aprovado que não existe moçambicano dentro ou fora do país para  trabalhar neste ponto”, disse Daniel Chapo.

Porque em Bruxelas busca-se também atrair investimentos, Chapo fala de avanços no combate ao crime organizado.

“E neste momento já estamos há cerca de cinco meses sem nenhum rapto. O último rapto que aconteceu foi a 25 de outubro do ano passado, e felizmente, acessivelmente dos três dias, conseguimos libertar o refém, que é o único que estava no cativeiro. Encontrámos-lo debilitado, com problemas de saúde, mas voltou ao convívio familiar e nós continuamos a trabalhar com os serviços de investigação criminal cêrnico para poder  combater este mal, de forma que o país esteja livre de raptos, amanhã esteja livre do terrorismo”.

A próxima paragem de Daniel Chapo em Bruxelas vai ser no Palácio do Rei Dos Belgas, nesta segunda-feira, para um Tete a Tete, para abordar assuntos de âmbito bilateral entre Moçambique e o Reino da Bélgica. 

 

Mais de 251 mil jovens foram recenseados em todo o território nacional e nas missões diplomáticas e consulares de Moçambique no estrangeiro, no âmbito do recenseamento militar realizado entre Janeiro e Fevereiro deste ano.

O processo abrangia jovens nascidos em 2008, bem como cidadãos que, por diferentes razões, não conseguiram efectuar o recenseamento nos anos anteriores.

Segundo o Director Nacional de Recursos Humanos do Ministério da Defesa Nacional, Jorge Leonel, o processo superou as metas inicialmente planificadas. “De 2 de Janeiro a 28 de Fevereiro foram recenseados 251.961 jovens, correspondente a uma execução de 113,9% da meta estabelecida”, afirmou.

Para o presente ano, as autoridades tinham previsto recensear 221.141 jovens. Entre as províncias que ultrapassaram os objectivos definidos destacam-se Maputo, Zambézia e Manica.

Apesar do desempenho positivo, o número de inscritos ficou ligeiramente abaixo do registado no ano passado, quando foram recenseados cerca de 256 mil jovens.

De acordo com as autoridades, a redução está associada a factores climáticos e ao calendário escolar. “Este decréscimo deveu-se às intensas chuvas e inundações que afectaram sobretudo as regiões Sul e Centro do País, aliadas ao adiamento do início do ano lectivo”, explicou o responsável.

Embora o recenseamento tenha terminado oficialmente a 28 de Fevereiro, o Ministério da Defesa mantém aberto até 31 de Março de 2026 o período de regularização para jovens que ainda não se registaram.

“O jovem que não tenha conseguido se recensear pode dirigir-se aos centros provinciais de recrutamento e mobilização para efeitos de regularização do recenseamento militar”, acrescentou Jorge Leonel.

Questionado sobre a situação na província de Cabo Delgado, o responsável garantiu que o processo decorreu sem incidentes.

Termina no dia 30 de Junho à missão da União Europeia de formação militar às forças de Defesa e Segurança que combatem o terrorismo em Cabo Delgado.  A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria dos Santos Lucas, diz que a visita do Chefe de Estado à sede das instituições da União Europeia será crucial para negociar a extensão do apoio. 

Moçambique está a mobilizar apoio da União Europeia para garantir a prorrogação da missão de treino destinada a reforçar as capacidades das Forças de Defesa e Segurança no combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado. A missão, liderada por Portugal, foi prorrogada em 2024 pelo Conselho da União Europeia até 30 de Junho de 2026.

Durante encontros de trabalho em Bruxelas, autoridades moçambicanas defenderam a continuidade do apoio europeu, considerado essencial para enfrentar a ameaça terrorista que ainda se faz sentir no norte do país.

“É o sítio certo para solicitar o apoio da União Europeia para a continuação da missão de capacitação das nossas Forças de Defesa e Segurança no combate ao terrorismo”, afirmou a Ministra dos Negócios Estrangeiros, Maria Lucas, sublinhando que a actual missão termina em Junho e deverá ser renovada.

O apoio financeiro associado à iniciativa está avaliado em cerca de 14 milhões de euros (perto de um bilião de meticais), um montante considerado crucial para manter os esforços de capacitação militar e de segurança em Cabo Delgado, região que continua a registar acções de grupos armados.

A visita a Bruxelas ocorre também numa altura em que se aproxima o fim, em Maio próximo, do apoio da União Europeia às tropas ruandesas que operam no Teatro Operacional Norte no combate ao terrorismo.

Para além da vertente de segurança, Maputo procura reforçar a cooperação económica e de desenvolvimento com o bloco europeu. Actualmente, o apoio da União Europeia a iniciativas de desenvolvimento em Moçambique ultrapassa os 700 milhões de euros, mas o Governo pretende assegurar que o país continue a figurar entre as prioridades da ajuda europeia.

“Queremos continuar a ser um país prioritário na lista de prioridades da União Europeia em relação à ajuda ao desenvolvimento”, afirmou Maria dos Santos Lucas, acrescentando que também se pretende mobilizar mais investimento privado europeu.

Nesse sentido, autoridades belgas manifestaram a intenção de organizar um encontro com empresários do país interessados em investir em Moçambique.

“Esperamos levar para casa alguma esperança de que os setores privados da União Europeia, incluindo da Bélgica, possam investir mais em Moçambique”, acrescentou.

No segundo dia da visita de trabalho em Bruxelas, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, deverá reunir-se ainda com empresários moçambicanos residentes na Bélgica para ouvir as suas preocupações e discutir oportunidades de cooperação económica.

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