O País – A verdade como notícia

O País volta a estar em alerta. As províncias de Gaza, Inhambane e Sofala poderão ser afectadas pela tempestade tropical “Gezani”, com potencial de evolução para ciclone tropical intenso e mais de um milhão de pessoas podem ser afectadas. As autoridades reforçam apelos para que as populações saiam das zonas de perigo.

A situação climatérica do País pode piorar nos próximos dias, com a entrada, no Canal de Moçambique, da tempestade tropical “Gezani”. 

O Instituto Nacional de Meteorologia alerta que o sistema vai provocar chuvas e ventos muito fortes, principalmente em Inhambane, por onde vai entrar, e sucessivamente no norte de Gaza e sul de Sofala.

“Temos a certeza de que esse sistema, depois de atravessar o Canal do Moçambique, ele vai fazer aproximação à nossa costa. Em termos de previsão de chuvas, nós podemos ver que durante os próximos dias, principalmente no dia 14 e dia 15, esse sistema, quando fizer aproximação à costa de Inhambane, poderá trazer grandes quantidades de precipitação. Estamos a falar de precipitação que poderá chegar a cerca de 500 milímetros em sete dias, ou seja, cerca de 500 milímetros em dois dias”, disse Acácio Tembe, meteorologista do INAM, que confirma que o movimento dos dias 14 e 15 de Fevereiro é para a costa moçambicana, sendo que depois desses dois dias vai fazer o movimento de saída.

Em consequência disso, a Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos alerta para o risco de agravamento da situação de inundações em Gaza e pressão em pelo menos seis bacias hidrográficas de Inhambane, em função da quantidade de chuva.

“Das análises que nós efectuámos, dos cálculos, nós mostramos aqui que temos cerca de seis bacias que nós podemos considerar estando numa situação de risco de inundações. Estamos a falar das bacias de Nhanombe ou Mutamba, que é na província de Inhambane, são bacias costeiras, são bacias relativamente pequenas, que, quando recebem precipitação, começam logo a transbordar e muitas das vezes é que tem criado problemas em termos de transitabilidade rodoviária, sobretudo na EN5, que além dela é em Inhambane, e muitas das vezes tem ficado condicionado esse troço quando nós temos precipitações elevadas”, disse Agostinho Vilankulo.

Para além das bacias de Inhambane, o director nacional de Gestão de Recursos Hídricos fala ainda da bacia do Sá, que também está em alerta, “mas neste momento ainda continua com níveis muito altos e tem condições lá criadas, uma vez que todos os solos, neste momento, estão saturados, já vinham recebendo precipitações, e nós também consideramos como sendo de alto risco”.

No Sul do País, existem mais barragens em risco, com destaque para a bacia do Limpopo. “O Limpopo já vinha criando situações, já há duas semanas, o Baixo Xai-Xai ainda está com muita água, estão com níveis relativamente altos e também, porque nós estamos a falar de um sistema tropical que muitas das vezes faz agitação no mar. O que vai acontecer é que ele pode bloquear. Se nós formos a ver, a saída do Limpopo é um delta, é aquele pequeno espaço ali do contacto com o mar, e quando as margens são altas, normalmente o Limpopo não consegue drenar as águas e vão-se acumulando, e isso pode incrementar o nível de inundação, sobretudo em Xai-Xai”, disse Agostinho Vilankulo. 

Entretanto, o gestor dos Recursos Hídricos disse que o País ainda não está numa situação de estresse total, “mas este é um cenário que se avança, se nós formos a receber precipitações de magnitude acima de 200 milímetros em 24 ou 48 horas, nós podemos voltar a ter a cidade de Xai-Xai em uma situação de estresse”.

O Centro Nacional Operativo de Emergência, CENOE, está já em alerta e a preparar-se para dar assistência a mais de um milhão de pessoas em risco de serem afectadas.

“Nós estamos preparados para cobrir, nos próximos 15 dias, 366 mil pessoas, com uma disponibilidade em termos de arroz, 1 milhão e 97 quilogramas, farinha, 922 mil e 146 quilogramas, feijão, 211 mil e 308 quilogramas, açúcar, 63 mil e 845 quilogramas, e temos ainda 168 mil e 912 litros de óleo e 25 616 quilos de sal”, assegurou Cristina Manuel.

A presidente do Instituto Nacional de Gestão de Desastres reforça os apelos para a tomada de medidas de segurança e precaução face aos riscos associados ao ciclone.

“Vamos continuar a apelar para que seja reforçada a segurança da cobertura das casas. Os estabelecimentos que têm praticamente infra-estruturas de vidro, nós temos estado a acompanhar e a passar a mensagem de protegerem com contraplacados, de modo que os ventos não possam danificar as infra-estruturas. Então, neste momento ainda temos tempo para ir preparar as nossas janelas, fechar com maior segurança, vamos ver como é que realmente são os nossos tectos, vamos ver como é que está a nossa estrutura da nossa casa, as nossas portas e também retirarmos todo o material que possa causar danos e esteja próximo. Estas medidas que nós estamos a trazer agora são medidas que são dadas antes da ocorrência do ciclone. Estamos a falar que nós temos várias fases, que é antes da ocorrência do ciclone, que nós estamos, esta é a fase que nós estamos a ter agora”, destacou Luísa Meque, presidente do INGD.

Para já, foram activadas acções antecipadas para garantir apoio na assistência às vítimas da tempestade tropical “Gezani”.

Um motorista de táxi por aplicativo, Yango, ajudou uma cidadã que se encontrava em trabalho de parto, dando à luz um bebé, durante uma viagem à caminho do hospital, na província de Maputo.

O episódio ocorreu quando Odete Pembele começou a sentir fortes contracções em casa. Por isso, decidiu solicitar uma viagem através do aplicativo Yango para se deslocar com urgência ao hospital.

O motorista da Yang respondeu ao pedido e, ao aperceber-se da gravidade da situação, manteve a calma e ofereceu apoio emocional à passageira. Assim, à medida que a viagem avançava, as contracções, segundo conta Odete, intensificaram-se e, de forma inesperada, o trabalho de parto iniciou, com auxílio do motorista. 

De acordo com a equipa médica do Centro de Saúde de Nkobe, citada no comunicado da empresa Yango,  o apoio prestado pelo motorista durante todo o trajecto, contribuiu para que o nascimento da bebé ocorresse em segurança até à chegada da parturiente e do seu bebé à unidade sanitária.

“Foi uma experiência inesperada, mas felizmente tudo correu bem. Estou grato por ter ajudado num momento tão delicado”,  relatou o motorista do Yango,  Gil Chissaque.

Por sua vez, Odete Pembele destaca a importância do apoio recebido.“Usei o aplicativo para ir ao hospital porque estava sozinha. Quando estávamos quase a chegar, as contracções já eram muito fortes e acabei por dar à luz dentro do carro. Graças a Deus tudo correu bem”. 

O apoio dos militares portugueses chegou a quase 80 mil pessoas vítimas das cheias em Moçambique em duas semanas de operação, além do desenvolvimento e disponibilização de uma plataforma de comando e controlo para gestão de meios em situações do género.

De acordo com o coronel Moutinho Fernandes, comandante da Força de Reação Imediata (FRI) de Portugal, os números resultam dos apoios prestados em várias valências nos dois maiores centros de abrigo de deslocados pelas cheias no país, na província de Gaza, em Chókwè, atingindo entre 50 mil e 60 mil pessoas, aos que somam outros dois em Maputo, com 20 mil.

“Percorremos uma área grande, com algumas valências”, sublinhou, citado pela Lusa, exemplificando a presença de um destacamento de fuzileiros, que permitiu o transporte nos sítios onde “não havia passagem para populações que estavam isoladas, quer com medicamentos, quer com abastecimentos”.

A operação incluiu “duas equipas médicas, que providenciaram esse apoio em alguns campos, inclusive no Hospital Provincial de Xai-Xai”, detalhou o coronel, que lidera a Força de Apoio Militar de Emergência de Reacção Imediata, com 36 militares e no terreno desde 31 de Janeiro.

No Hospital Provincial de Xai-Xai, na capital de Gaza, foi possível disponibilizar um médico urologista, que não havia.

Acrescem “cerca de 1.500 consultas”, o transporte de mais de 20 toneladas de abastecimentos e medicamentos ou o apoio à logística de organizações no terreno, incluindo em zonas sitiadas pelas cheias, já consideradas as mais graves em décadas.

Com mais de 724 mil afectadas, sobretudo no sul, e 100 mil pessoas deslocadas em cerca de 110 centros de abrigo desde Janeiro, o apoio português alargou-se à coordenação das operações, com uma equipa de inteligência geográfica que desenvolveu, em Maputo, uma ferramenta informática de comando e controlo.

Segundo o coronel Fernandes, esta ferramenta informática permite saber onde é que estão as equipas, as necessidades dos campos, inclusive integrando dados de outras organizações, com fotografias e informação, numa única plataforma.

“Permite não só controlar as nossas operações, saber onde é que somos precisos exactamente, mas também ver o que é que eles precisam mais em cada campo, que tipo de abastecimento, quantas pessoas são, onde é que têm mais necessidades”, disse ainda, citado pela Lusa.

A operação ‘Kanimambo’ (obrigado, em português) termina no final desta semana e permitiu disponibilizar a versão actual da plataforma às autoridades moçambicanas, militares e de protecção civil, com Portugal disponível para apoiar o seu desenvolvimento.

“Eventualmente com o nosso apoio, se assim entenderem, para que no futuro possa dar origem a um sistema de comando e controlo neste tipo de acontecimentos, de cheias e outras catástrofes naturais”, disse.

Reconhecendo que a situação “está a voltar um bocadinho à normalidade”, com as autoridades locais a terem capacidade para dar resposta, o tempo já não é de emergência e já se fazem balanços.

“Extremamente positivo. Não só pelo sentimento que temos, de cumprir a missão, mas pela cara das pessoas e pelo conjunto de famílias que conseguimos ajudar”, assumiu, falando à margem de nova entrega, na Base Aérea de Maputo, de duas toneladas de produtos alimentares e 200 mil produtos de saúde às vítimas das inundações.

Para o embaixador português em Maputo, Jorge Monteiro, este novo apoio é mais um exemplo da “relação especial” e “histórica” entre os dois países, numa missão prestada numa altura de cheias também em Portugal.

“O facto de Portugal estar neste momento também debaixo de condições atmosféricas, climatéricas extremas, com chuvas torrenciais, com ventos muito fortes que deixaram um rastro de destruição um pouco por todo o país, não nos impede de marcar presença em Moçambique, no momento em que Moçambique também precisa da nossa ajuda. E é isto que eu acho que valoriza ainda mais a presença destes militares aqui, que enobrecem e que nos orgulham a todos com a sua acção”, disse.

“Moçambique sabe que pode contar com Portugal tanto nas horas boas como nas horas más. Esta, infelizmente, é uma hora má, mas queremos que seja rapidamente ultrapassada e que nos possamos focar também numa cooperação mais orientada para o desenvolvimento integrado e sustentável do país”, acrescentou, citado pela Lusa, Moutinho Fernandes, comandante da Força de Reação Imediata (FRI) de Portugal.

Pelo menos três crianças foram raptadas na aldeia Mumo, a menos de 40 quilómetros da vila sede do distrito de Mocímboa da Praia, província de Cabo Delgado, por alegados terroristas, disseram à Lusa fontes da comunidade local.

Os raptos de crianças, duas meninas de 12 e 13 anos e um rapaz de 14 anos, aconteceram quando os terroristas entraram na comunidade, recolhendo para parte incerta os menores, que na altura estavam a brincar próximo das suas residências.

“Vieram até à aldeia, não dispararam, acho que era para não perturbar, e daí levaram as crianças. Até agora ninguém sabe o paradeiro certo”, relatou à Lusa uma fonte da comunidade local, a partir de Mocímboa da Praia.

A comunidade comunicou às autoridades o sucedido e neste momento decorrem acções para descobrir o possível destino das vítimas.

As famílias das vítimas receberam, entretanto, a visita do administrador de Mocímboa da Praia, Sérgio Domingos Cipriano, que foi consolar e garantir que as Forças de Defesa e Segurança estão a trabalhar para encontrar as crianças.

“O administrador chegou e viu de perto a situação. As populações estão ansiosas em ver as crianças a retornar a casa”, disse a mesma fonte.

A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado a 5 de Outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

A Organização Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) estimou, anteriormente, que a província de Cabo Delgado registou seis eventos violentos em duas semanas, envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram pelo menos três mortos, elevando para 6.432 os óbitos desde 2017.

Há vários dias que a família de uma jovem moçambicana falecida em Portugal, vítima da tempestade Kristin, enfrenta dificuldades para proceder à transladação do corpo para Moçambique, por falta de recursos financeiros. O processo custa cerca de 350 mil meticais, valor que os familiares dizem não possuir. O Governo garante estar a acompanhar o caso e promete apoio, mas, até ao momento, não avançou com medidas concretas nem com prazos definidos.

Helda Muianga, de 28 anos de idade, era a filha mais nova de Joana Chiure. A 16 de Janeiro, partiu para Portugal em busca de uma oportunidade de trabalho, mas acabou por perder a vida apenas 14 dias depois de chegar ao país, na cidade de Leiria, uma das zonas mais afectadas pela tempestade.

“Ela estava na cidade de Leiria, que foi onde houve mais problemas. Na quinta-feira tentei ligar novamente, mas já não atendia. Uma pessoa conhecida, que também falava com ela, ligou para o meu genro e contou-nos a situação, que ela já não estava bem, que já não estava entre nós”, contou Joana Chiure, mãe da vítima.

Segundo a família, Helda perdeu a vida no dia 27 de Janeiro, em consequência do desabamento da residência onde se encontrava. Vinte e cinco dias depois da tragédia, a mãe ainda tenta assimilar a perda da filha.

“Éramos duas filhas, agora fiquei só com uma. Tinha muitos sonhos, já tinha concluído a faculdade e esperava-se muita coisa dela, porque era nova. Tinha apenas 28 anos, este ano faria 29. É uma perda que eu nem consigo descrever”, lamentou.

Licenciada em Relações Internacionais, Helda Muianga sonhava com uma carreira ligada à diplomacia e à internacionalização profissional. Agora, ironicamente, é necessária uma intensa articulação diplomática para garantir a transladação do seu corpo para Moçambique.

A Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros assegura que o Governo está a trabalhar para apoiar a família no processo.

“Estamos a trabalhar no sentido de apoiar a família na transladação da urna. Quanto a datas, ainda não temos uma previsão concreta, pois estamos a coordenar com a nossa missão diplomática em Lisboa. Após o óbito, há procedimentos legais e administrativos internos que precisam de ser cumpridos”, explicou esta segunda-feira Maria de Fátima Manso.

De acordo com a família, o custo da transladação ronda os 5 mil euros, o equivalente a cerca de 350 mil meticais. Enquanto aguardam por uma solução institucional, familiares e amigos lançaram uma campanha solidária nas redes sociais para angariar fundos.

“Pedimos apoio e pessoas de boa vontade começaram a contribuir. Mas ainda estamos a tentar juntar o valor necessário para que ela possa regressar ao país. Já passaram duas semanas e o valor exigido continua a ser muito elevado”, explicou a mãe.

O corpo de Helda Muianga encontra-se no Instituto de Medicina Legal de Coimbra. A transladação dependerá do apoio do Estado moçambicano ou da solidariedade de cidadãos e instituições de boa vontade

Quatro países da União Europeia doaram, nesta segunda-feira, 93 toneladas de produtos diversos às vítimas das inundações no país. Desde que iniciou a época chuvosa, o bloco europeu já disponibilizou 270 milhões de meticais em financiamento humanitário, com maior foco na reconstrução pós-cheias. 

O apoio humanitário internacional às vítimas das inundações que assolam Moçambique continua a chegar ao país, numa demonstração clara de solidariedade e cooperação internacional. 

A iniciativa envolve contribuições directas da Bélgica, França, Portugal e Suécia, países que, em coordenação com a União Europeia e as autoridades moçambicanas, reforçam a resposta à emergência humanitária e lançam as bases para a fase de reconstrução pós-cheias. Paralelamente, a União Europeia já disponibilizou cerca de 270 milhões de meticais em financiamento humanitário, desde o início da época chuvosa, com especial enfoque na resposta imediata e na recuperação das áreas afectadas.

O apoio contempla bens essenciais, incluindo tendas, mantas, produtos de higiene, material de saúde, alimentação e outros artigos considerados prioritários para garantir condições mínimas de sobrevivência às populações deslocadas ou directamente atingidas pelas inundações. Do total entregue, a Bélgica disponibilizou 10 toneladas de produtos, a França contribuiu com cerca de 10 toneladas de material de emergência, Portugal enviou 21 toneladas de bens humanitários, enquanto a Suécia forneceu tendas e mantas suficientes para apoiar cerca de 1.400 pessoas.

Falando durante a cerimónia de entrega do apoio, o Embaixador da Suécia, Andrés Jato, reafirmou o compromisso do seu país com a assistência humanitária em Moçambique, com destaque para as regiões mais vulneráveis do norte do país. “O apoio prestado pelo Fundo de Assistência Humanitária continua na Suécia, principalmente no norte de Moçambique, para apoiar intervenções que salvam vidas”, afirmou.

A Chefe de Missão da Bélgica, Delphine Perremans, explicou que os bens doados serão distribuídos às populações afectadas através de parceiros multilaterais com presença efectiva no terreno.“Esses bens serão distribuídos às populações afetadas por meio de nossos parceiros multilaterais de confiança, nomeadamente a OIM e o UNICEF, cuja atuação no terreno é essencial”, referiu.

Na mesma ocasião, Delphine Perremans destacou ainda o envolvimento contínuo da França no apoio humanitário a Moçambique, sublinhando que a ajuda agora entregue se soma a esforços anteriores. 

O Embaixador da França, Yann Pradeau, classificou a ajuda como um gesto concreto de solidariedade internacional, alinhado com as necessidades identificadas pelas autoridades moçambicanas.“Este carregamento reforça o compromisso contínuo da França com Moçambique, demonstrado anteriormente pelo apoio entregue, na semana passada pelo navio da Marinha Francesa Champlain, baseado na ilha da Reunião.Este é um apoio abrangente que procura responder às necessidades identificadas por Moçambique e que demonstra, como já referi, o verdadeiro valor da solidariedade”, afirmou.

Por seu turno, Portugal, além da doação de bens materiais, canalizou apoio por meio de organizações humanitárias, nomeadamente a Aga Khan Moçambique e a Cruz Vermelha, complementando a assistência com contribuições financeiras e apoio militar. O Embaixador de Portugal, Jorge Monteiro, sublinhou que, apesar de o seu país enfrentar actualmente uma situação semelhante, continua solidário com Moçambique. “Como é sabido, Portugal enfrenta atualmente uma situação muito semelhante à de Moçambique. Parte do país sofre os efeitos devastadores das cheias e das chuvas dos últimos dias, mas continuamos presentes quando um país irmão, como é o caso de Moçambique, precisa de apoio”, declarou.

A União Europeia reiterou que a sua intervenção vai além da fase de resposta imediata à emergência. O Embaixador da União Europeia em Moçambique, Antonino Maggiore, explicou que o apoio inclui não apenas bens materiais, mas também assistência técnica especializada para a gestão da crise. “O material necessário para higiene, saúde, alimentação e tudo o que foi considerado essencial, bem como especialistas para a gestão da crise. Claramente, a primeira fase é a resposta à emergência, mas já temos de pensar na reconstrução e os contactos já estão em curso”, disse, agradecendo o envolvimento de todos os parceiros.

O Governo de Moçambique e o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) agradeceram publicamente a solidariedade internacional, num momento em que o país continua sob alerta devido à persistência das chuvas intensas. A Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros, Maria Manso, destacou que o Executivo já se prepara para enfrentar a fase mais complexa do processo. “Ouvimos atentamente que a fase complexa está chegando e estamos nos mobilizando para acompanhar o trabalho que será realizado nesta fase de reconstrução. Esses recursos servirão para aliviar o sofrimento da população afetada”, afirmou.

A Representante do INGD, Nelma Araújo, explicou que, paralelamente à assistência humanitária, decorre uma avaliação contínua das zonas afectadas, com vista ao regresso progressivo das famílias às suas áreas de origem.“A fase de resposta também é seguida pela fase de reconstrução. Estamos verificando o cenário em que algumas famílias já estão retornando às suas áreas de origem, áreas previamente identificadas que já atendem às condições para seu retorno”, disse.

Segundo dados oficiais, as inundações já afectaram mais de 724 mil pessoas em todo o país, provocaram 23 mortes e causaram danos materiais avultados, incluindo destruição de habitações, infra-estruturas públicas, campos agrícolas e vias de acesso.

As autoridades alertam que, com a continuidade da época chuvosa, o risco de novas cheias permanece elevado, exigindo vigilância constante e coordenação entre o Governo, parceiros internacionais e organizações humanitárias.

Mais de 5 mil pessoas carenciadas, incluindo  crianças e gestantes,  arriscam a saúde na luta por um pedaço de  comida. Trata-se de produtos  deteriorados e descartados em mais de 300  lojas, que ficaram inundadas durante as cheias, na cidade de Xai-Xai, em Gaza. A Inspecção Nacional das Actividades Económicas (INAE) disse desconhecer a situação, mas garantiu que vai activas as brigadas de fiscalização. 

Os municípios continuam a não conseguir produzir receitas nem mesmo para o pagamento de salários dos seus funcionários. Em Nampula, há municípios que chegaram a dever seis meses de salários aos seus funcionários.

O Município da Ilha de Moçambique tem uma despesa mensal de mais de dois milhões e quinhentos mil meticais só com o pagamento de salários a cada mês, mas a sua receita mensal não chega a esse valor e em função disso, chegou a ficar meio ano sem conseguir pagar salários.  

“Ficamos seis meses e não conseguimos pagar nos últimos seis meses, mas, felizmente, conseguimos agora em Dezembro fechar os seis meses. Digamos que conseguimos fechar o exercício económico do ano passado”, disse o Edil da Ilha de Moçambique, Momade Ali, admitindo que o município tem uma dívida em relação ao mês de Janeiro.  

Nacala também teve meses sem salário devido ao mesmo problema. Apesar do aumento da receita, ano passado, em cerca de 50 milhões de meticais, o facto é que o fardo com o pagamento de salários continua muito pesado.

Angoche está até ao momento com cinco meses de salários em atraso. Nampula é o único Município que nos últimos dois anos não teve dívidas com salários, mas mesmo assim, o edil Luís Giquira reconhece que a edilidade ainda depende muito de fundos do Governo central.

No encerramento da reunião de balanço intermédio de governação municipal, o secretário-Geral da Frelimo reconheceu a insustentabilidade dos municípios, mas disse que os edis devem encontrar soluções para reverter o cenário.

O Presidente da República, Daniel Chapo, endereçou uma mensagem de  felicitações ao quarto Presidente da República de Moçambique,  Filipe Jacinto Nyusi, por ocasião da celebração do seu 67º  aniversário natalício, assinalado hoje. 

Na sua mensagem, o Chefe do Estado realça o significado desta  data e manifesta profundo reconhecimento pelo percurso de  vida e pelo contributo do ex-estadista ao serviço da Nação  moçambicana, tanto na esfera política como na consolidação  da paz, da democracia e do desenvolvimento do país.

“Em nome do Povo e do Governo moçambicanos e em meu  próprio expresso a Vossa Excelência as minhas mais calorosas  felicitações, desejando-lhe um aniversário pleno de alegria,  contínua saúde, felicidade, bem-estar contínuo e êxito pessoal  ao serviço da Pátria moçambicana, que sirvam de inspiração  para que continue a desempenhar um papel exemplar na vida  pública e na história de Moçambique”. 

O Presidente da República enaltece o papel desempenhado  pelo antigo Presidente na condução dos destinos do país,  destacando o seu compromisso inabalável com a estabilidade, a  unidade nacional e o progresso social e económico de  Moçambique, bem como a sua dedicação às gerações futuras. 

“Aproveito esta ocasião para reconhecer o valioso contributo de  Vossa Excelência para a consolidação do Estado moçambicano,  para o reforço da unidade nacional e para a promoção do  desenvolvimento económico e social do nosso País, deixando um  legado que continuará a inspirar líderes e cidadãos”. 

Chapo manifesta  igualmente elevada estima pessoal e institucional, reiterando  votos de contínua realização e sucesso ao antigo Chefe do  Estado, ao mesmo tempo que realça a importância do seu  legado para a construção de uma Moçambique mais forte e  unido. 

“Formulo votos sinceros de contínuos sucessos pessoais e  institucionais, extensivos à sua família, augurando-lhe uma vida  longa, repleta de realizações, de dedicação às nobres causas da  nossa Pátria e de reconhecimento eterno pelo exemplo de  liderança e serviço público que Vossa Excelência representa  para todos nós”.

+ LIDAS

Siga nos