O País volta a estar em alerta. As províncias de Gaza, Inhambane e Sofala poderão ser afectadas pela tempestade tropical “Gezani”, com potencial de evolução para ciclone tropical intenso e mais de um milhão de pessoas podem ser afectadas. As autoridades reforçam apelos para que as populações saiam das zonas de perigo.
A situação climatérica do País pode piorar nos próximos dias, com a entrada, no Canal de Moçambique, da tempestade tropical “Gezani”.
O Instituto Nacional de Meteorologia alerta que o sistema vai provocar chuvas e ventos muito fortes, principalmente em Inhambane, por onde vai entrar, e sucessivamente no norte de Gaza e sul de Sofala.
“Temos a certeza de que esse sistema, depois de atravessar o Canal do Moçambique, ele vai fazer aproximação à nossa costa. Em termos de previsão de chuvas, nós podemos ver que durante os próximos dias, principalmente no dia 14 e dia 15, esse sistema, quando fizer aproximação à costa de Inhambane, poderá trazer grandes quantidades de precipitação. Estamos a falar de precipitação que poderá chegar a cerca de 500 milímetros em sete dias, ou seja, cerca de 500 milímetros em dois dias”, disse Acácio Tembe, meteorologista do INAM, que confirma que o movimento dos dias 14 e 15 de Fevereiro é para a costa moçambicana, sendo que depois desses dois dias vai fazer o movimento de saída.
Em consequência disso, a Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos alerta para o risco de agravamento da situação de inundações em Gaza e pressão em pelo menos seis bacias hidrográficas de Inhambane, em função da quantidade de chuva.
“Das análises que nós efectuámos, dos cálculos, nós mostramos aqui que temos cerca de seis bacias que nós podemos considerar estando numa situação de risco de inundações. Estamos a falar das bacias de Nhanombe ou Mutamba, que é na província de Inhambane, são bacias costeiras, são bacias relativamente pequenas, que, quando recebem precipitação, começam logo a transbordar e muitas das vezes é que tem criado problemas em termos de transitabilidade rodoviária, sobretudo na EN5, que além dela é em Inhambane, e muitas das vezes tem ficado condicionado esse troço quando nós temos precipitações elevadas”, disse Agostinho Vilankulo.
Para além das bacias de Inhambane, o director nacional de Gestão de Recursos Hídricos fala ainda da bacia do Sá, que também está em alerta, “mas neste momento ainda continua com níveis muito altos e tem condições lá criadas, uma vez que todos os solos, neste momento, estão saturados, já vinham recebendo precipitações, e nós também consideramos como sendo de alto risco”.
No Sul do País, existem mais barragens em risco, com destaque para a bacia do Limpopo. “O Limpopo já vinha criando situações, já há duas semanas, o Baixo Xai-Xai ainda está com muita água, estão com níveis relativamente altos e também, porque nós estamos a falar de um sistema tropical que muitas das vezes faz agitação no mar. O que vai acontecer é que ele pode bloquear. Se nós formos a ver, a saída do Limpopo é um delta, é aquele pequeno espaço ali do contacto com o mar, e quando as margens são altas, normalmente o Limpopo não consegue drenar as águas e vão-se acumulando, e isso pode incrementar o nível de inundação, sobretudo em Xai-Xai”, disse Agostinho Vilankulo.
Entretanto, o gestor dos Recursos Hídricos disse que o País ainda não está numa situação de estresse total, “mas este é um cenário que se avança, se nós formos a receber precipitações de magnitude acima de 200 milímetros em 24 ou 48 horas, nós podemos voltar a ter a cidade de Xai-Xai em uma situação de estresse”.
O Centro Nacional Operativo de Emergência, CENOE, está já em alerta e a preparar-se para dar assistência a mais de um milhão de pessoas em risco de serem afectadas.
“Nós estamos preparados para cobrir, nos próximos 15 dias, 366 mil pessoas, com uma disponibilidade em termos de arroz, 1 milhão e 97 quilogramas, farinha, 922 mil e 146 quilogramas, feijão, 211 mil e 308 quilogramas, açúcar, 63 mil e 845 quilogramas, e temos ainda 168 mil e 912 litros de óleo e 25 616 quilos de sal”, assegurou Cristina Manuel.
A presidente do Instituto Nacional de Gestão de Desastres reforça os apelos para a tomada de medidas de segurança e precaução face aos riscos associados ao ciclone.
“Vamos continuar a apelar para que seja reforçada a segurança da cobertura das casas. Os estabelecimentos que têm praticamente infra-estruturas de vidro, nós temos estado a acompanhar e a passar a mensagem de protegerem com contraplacados, de modo que os ventos não possam danificar as infra-estruturas. Então, neste momento ainda temos tempo para ir preparar as nossas janelas, fechar com maior segurança, vamos ver como é que realmente são os nossos tectos, vamos ver como é que está a nossa estrutura da nossa casa, as nossas portas e também retirarmos todo o material que possa causar danos e esteja próximo. Estas medidas que nós estamos a trazer agora são medidas que são dadas antes da ocorrência do ciclone. Estamos a falar que nós temos várias fases, que é antes da ocorrência do ciclone, que nós estamos, esta é a fase que nós estamos a ter agora”, destacou Luísa Meque, presidente do INGD.
Para já, foram activadas acções antecipadas para garantir apoio na assistência às vítimas da tempestade tropical “Gezani”.


