O País – A verdade como notícia

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a ocorrência de chuvas fracas a moderadas hoje, segunda-feira, na região Sul do País, após vários dias de tempo instável acompanhado por temperaturas baixas.

Segundo o INAM, a instabilidade registada nos últimos dias está associada à transição do verão para o inverno, um período caracterizado por variações repentinas de temperatura e ocorrência de chuvas ocasionais.

“Para as próximas horas vamos ter bom tempo, mas no final do dia de segunda-feira poderá haver mudanças que podem originar chuva e ligeira descida de temperatura”, explicou sábado o meteorologista Arsénio Mindo.

O instituto sublinha que estas condições são típicas desta época do ano, em que sistemas frontais atravessam a região Sul do País, provocando alternância entre dias quentes e frios.

“Estamos num período de transição do verão para o inverno, por isso há estas oscilações. Em Maio já estaremos no inverno, com temperaturas mais amenas a frias”, acrescentou a fonte.

O INAM apela à população para que continue a acompanhar regularmente as actualizações meteorológicas, de forma a prevenir eventuais impactos associados às mudanças bruscas do estado do tempo.

 

Estações de Serviço estão sem diesel na Cidade de Maputo. Vários condutores que procuram o produto petrolífero estão com viaturas parqueadas e motoristas de semi-colectivos de passageiros receiam o colapso do sistema de transporte público.

Depois de quase uma semana de uma tendência de normalização no abastecimento de combustível, pelo menos na cidade de Maputo, agora há registo de um novo cenário: as estações de serviço não têm diesel.

Uma frentista entrevistada em um Posto de Abastecimento do distrito Municipal da Catembe, descreve o cenário “caótico”.

“Muitos carros que vem aqui aqui, nossos clientes, são movidos a diesel. Agora que não temos diesel, eles não têm vindo abastecer. Conforme podem ver, temos muitos camiões parqueados, estão à espera do diesel chegar para poderem abastecer, já há uma semana”, disse

A situação descrita repete-se em quase todas as estações de serviço da cidade de Maputo, onde condutores de automóveis pesados de carga movidos a diesel, estão parqueados   aguardando por um novo descarregamento do produto que não se sabe quando será feito.

“O abastecimento está normal, só que neste momento não temos diesel, estamos abastecendo a gasolina. Conforme podem ver, não há muito movimento. Não só por ser domingo, mas já a situação está um pouco calma. Só que acabou o diesel à noite, só ficamos com a gasolina”, explicou Ezequiel Muanduala, gestor de estação de serviço

Se a situação continuar pode colapsar o sistema de transporte público de passageiros, uma vez que boa parte dos transportes, com destaque para autocarros de semi-colectivos de passageiros, são movidos a diesel.

“Tem que informar bicho nas bombas. Às vezes a gente trabalha um dia sim, um dia não. Porque um dia tem que ficar nas bombas, um dia tem que trabalhar, um dia vai ficar nas bombas, um dia tem que trabalhar. E tem que perseguir. Quando vem um camião, você tem que seguir atrás. Porque nem todas as bombas têm diesel ao mesmo tempo. Se não houver combustível, vai piorar. Muita gente vai andar a pé”, anteviu Carlos Enoque, transportador semi colectivo.

Há ainda postos de abastecimento sem nenhum dos dois produtos, e os condutores percorrem longas distâncias para fazer o abastecimento. 

“Não vou te mentir, eu estou a vir de longe, Machava. Todo Machava não tem gasolina. Tanto diesel, quanto gasolina. Porque um dia é gasolina, outro dia é diesel. Estamos a passar mal. Chapa está parada em casa, não há diesel, não há nada a todo lado”, lamentou Helder Abacar, condutor.

A falta de Diesel dura já há cinco dias em alguns postos de abastecimento, e os gestores não têm datas previstas para novos descarregamentos.

O Centro de Formação Profissional de Namanhumbir, financiado pela Montepuez Ruby Mining e operado pelo IFPELAC, reabriu na última sexta-feira, 24 de Abril, marcando uma nova fase na capacitação técnica de jovens no distrito de Montepuez, província de Cabo Delgado.

A infra-estrutura havia sido encerrada temporariamente na sequência de actos de vandalização registados em Dezembro de 2024, regressando agora com uma abordagem renovada e foco na empregabilidade e no auto-emprego juvenil.

No âmbito da reabertura, a Montepuez Ruby Mining envolveu a organização Field Ready Mozambique para apoiar a avaliação das necessidades do mercado de trabalho e a introdução de cursos mais alinhados com a realidade local.

Após um estudo preliminar, está prevista uma análise mais aprofundada que poderá resultar na criação de novos programas de formação técnica, ajustados às exigências do sector produtivo.

Entre as principais novidades destaca-se a introdução do curso de informática, apoiado por um novo laboratório equipado com 21 computadores. Esta é a primeira fase de reestruturação curricular do centro, que já oferece formações em electricidade, construção civil, serralharia, canalização, pintura e operação de maquinaria pesada.

Segundo a gestão do centro, a inclusão das tecnologias de informação pretende reforçar competências digitais e melhorar as oportunidades de inserção profissional dos jovens.

Em representação dos formandos, Muemede Chabane agradeceu a iniciativa, destacando a importância da formação tecnológica. “As tecnologias de informação são uma porta de entrada para o futuro e estamos comprometidos em aproveitar esta oportunidade”, afirmou.

Por sua vez, o Secretário Permanente do Distrito de Montepuez, Abudo Carlos, apelou à preservação das infra-estruturas. “Não deixem que este centro seja novamente destruído, pois isso atrasará o vosso futuro”, alertou.

O laboratório de informática irá também beneficiar alunos da Escola Secundária de Wikhupuri, abrangendo estudantes de várias comunidades do Posto Administrativo de Namanhumbir, reforçando o acesso à tecnologia e à qualidade do ensino.

Inaugurado em 2019 no âmbito das iniciativas de responsabilidade social da Montepuez Ruby Mining, o centro já formou 852 jovens em diferentes áreas técnicas e continua a desempenhar um papel central na promoção da empregabilidade, inclusão económica e desenvolvimento sustentável em Cabo Delgado.

Pescadores de ostras em Inhambane enfrentam dificuldades para escoar a produção, numa altura em que a falta de mercado tem provocado perdas e reduzido o rendimento das famílias. Para inverter o cenário, surgem iniciativas que promovem feiras de ligação directa entre pescadores e compradores, numa tentativa de fortalecer a cadeia de valor e dar novo fôlego ao sector.

Pescadores de ostras na província de Inhambane estão a enfrentar dificuldades no escoamento da produção, devido à falta de mercado, situação que tem provocado perdas e redução dos rendimentos das famílias dependentes desta actividade.

As ostras, muito apreciadas na gastronomia moçambicana, representam uma importante fonte de rendimento para comunidades costeiras. No entanto, a pressão crescente sobre os recursos marinhos tem reduzido a sua abundância, afectando directamente a actividade pesqueira artesanal.

“Antigamente tirávamos mapalo… quando é pequeno nós fazemos veda, deixamos crescer e só depois fazemos a abertura quando já está grande”, explicou a pescadora Luísa Arone, destacando práticas locais de conservação.

Com a diminuição das capturas, os pescadores enfrentam também dificuldades na comercialização do produto. Muitos relatam longas deslocações em busca de compradores, sem sucesso garantido.

“Sofríamos com as nossas ostras… levávamos até Macunhe, Vilankulo e outros lugares, mas não conseguíamos ninguém para comprar”, afirmou o pescador Félix Manuel, acrescentando que a situação tem melhorado com novas oportunidades de venda directa.

Este fim-de-semana, foi realizada uma iniciativa que juntou pescadores, compradores e consumidores num único espaço, promovendo o contacto directo e a criação de novas oportunidades de negócio.

A acção enquadra-se num projecto da WWF Moçambique, que pretende dinamizar feiras regulares para fortalecer a cadeia de valor da ostra e reduzir perdas associadas à falta de mercado.

Segundo o representante da organização, Calisto Vilanculos, o objectivo é aproximar os diferentes intervenientes da cadeia produtiva e garantir melhores condições de comercialização.

“A pretensão é fazer a ligação, para que os comerciantes, neste caso, possam ter a oportunidade de interagir também com diversos intervenientes que podem ter interesse na ostra, não só. Sabemos que as comunidades enfrentam algumas dificuldades, por causa das acessibilidades locais onde estão estes recursos, e muitas das vezes elas não conseguem colocar os seus produtos em pontos estratégicos, por causa dessas limitações, dessas áreas. Então, tendo estes produtos numa única área e também tendo vários comerciantes e vários produtores, neste caso, vários comerciantes e vários compradores, é possível ter maior competitividade do processo e vendermos o produto a melhor preço e as comunidades saírem a ganhar e, consequentemente, a resolver os problemas básicos que elas enfrentam dentro das suas famílias”, explicou.

Para além da componente comercial, as comunidades piscatórias estão também a receber formação em técnicas de pesca sustentável e em actividades alternativas de geração de rendimento, com o objectivo de reduzir a pressão sobre os recursos marinhos e garantir a sustentabilidade do sector.

Os moradores e agentes económicos   do Bairro Oito estão revoltados  com a Administração Nacional de Estradas (ANE), após a notificação para a demolição  de casas e empreendimentos em áreas de reservas de estradas até Maio próximo. Por sua vez, Jeremias Mazoio, delegado da ANE, diz que os comerciantes estão numa situação de ilegalidade e  apela ao grupo a conformar-se com a lei.

Meio século depois, moradores e agentes económicos  do Bairro Oito foram notificados a deitar abaixo diversas infra-estruturas dentro dos 30 metros nas bermas da Estrada Nacional Número Um, na baixa de Xai-Xai.

Trata-se de áreas, igualmente assoladas pelas inundações desde Janeiro. Entre questionamentos à mistura de indignação, um vendedor diz que  explora este espaço há mais 25 anos  sob autorização das autoridades municipais  e por isso rejeita deixar o local.

Jeremias Mazoio diz que a medida visa viabilizar o projecto de reabilitação da EN1 na zona de Nguluzane.

Os grupos afectado não concordam com a proposta conjunta da ANE e conselho municipal.

A Cólera continua a fazer vítimas na província de Tete, onde o número de mortes já subiu para 32 desde a eclosão do surto, em Setembro do ano passado. As autoridades de saúde esperam, no entanto, uma redução no número de infecções com o fim da época chuvosa.

Os distritos de Tete e Changara são os que concentram o maior número de casos cumulativos de infecção, contribuindo para que a província se mantenha entre as mais afectadas a nível nacional, com cerca de 30% dos casos registados no país.

De acordo com o chefe do Departamento de Saúde Pública da Direcção Provincial de Saúde de Tete, apesar do cenário ainda preocupante da Cólera, as autoridades sanitárias mostram-se optimistas quanto à redução do número de infecções nas próximas semanas. A expectativa resulta do fim da época chuvosa, aliado ao término da segunda ronda da campanha de vacinação, concluída há duas semanas, nos distritos de Tete e Moatize.

De Setembro de 2025, mais de 2800 casos foram registados na província de Tete.

Moradores do bairro Boquisso A, no município da Matola, exigem soluções urgentes para as persistentes inundações que afectam a zona desde 2023, numa situação que já obrigou algumas famílias a abandonar as suas residências. O edil do município, Júlio Parruque, reconheceu a gravidade da situação, mas apontou limitações técnicas e financeiras como entraves ao avanço das obras.

Num gesto incomum, os munícipes dirigiram-se ao Conselho Municipal para um encontro directo com o edil, Júlio Parruque, pressionando as autoridades a apresentar respostas concretas. A iniciativa levou à interrupção dos trabalhos da Assembleia Municipal para que as preocupações fossem ouvidas.

“Estamos numa situação extremamente grave. Já tive de abandonar a minha casa por causa da água. Não conseguimos sequer usar sapatos normais, porque tudo fica inundado”, relatou uma das moradoras, descrevendo o impacto das cheias no quotidiano da comunidade.

Os residentes acusam ainda o município de não ter cumprido promessas anteriores. Segundo afirmam, foi garantida a construção de uma vala de drenagem num prazo de cinco dias, mas as obras não avançaram. “As máquinas foram retiradas sem qualquer explicação. Ninguém veio dar satisfação”, queixou-se outro munícipe.

Face à pressão, o vereador de Planeamento Territorial, Aurélio Salomão, apresentou as soluções em análise, apontando a necessidade de criação de um sistema de drenagem até ao rio Mulaúze. 

Em alguns casos, admitiu, poderá ser necessário reassentar famílias em zonas seguras. “Nas áreas onde a água se acumula, não há outra alternativa senão retirar as famílias e transformar esses locais em bacias de retenção”, explicou.

Por sua vez, o edil reconheceu a gravidade da situação, mas apontou limitações técnicas e financeiras como entraves ao avanço das obras. “O trabalho foi suspenso para avaliação topográfica do terreno. Mas quero garantir que o bairro não está esquecido”, afirmou Júlio Parruque, acrescentando que a situação tem sido motivo de preocupação constante.

O presidente do município prometeu ainda a retoma dos trabalhos já na próxima semana, com a mobilização de máquinas para intervenções iniciais, incluindo a reconfiguração de áreas de retenção de água.

De acordo com a edilidade, está previsto o arranque de um projecto mais amplo de drenagem, que inclui a construção de uma vala com cerca de 12 quilómetros de extensão, atravessando os bairros de Matlemele, Nkobe e Matola Gare. O investimento estimado ultrapassa os 500 milhões de meticais.

Enquanto aguardam por soluções definitivas, os moradores de Boquisso A continuam a viver entre águas estagnadas e incertezas, exigindo respostas rápidas para um problema que consideram já insustentável.

Já no próximo sábado será conhecido o novo bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique. Os 4 candidatos estiveram frente a frente para apresentação dos seus manifestos. os candidatos defendem a independência da ordem, modernização e reformas de exames de acesso à ordem. 

Candidatos a bastonário da ordem dos advogados,  sentaram-se juntos, partilharam o mesmo pódio,  disputaram o mesmo auditório e por ele, foram questionados. Temas como prerrogativas dos advogados, quotização na ordem, iniciação à profissão e independência do Poder Político , corporizaram o frente a frente organizado pela Ordem dos Advogados.

Pedro Macaringue da lista B, propôs-se a combater detenções arbitrárias dos advogados, prometendo “perseguir de forma enérgica aquele que, de forma reiterada e intencional tentar limitar o exercício da atividade do advogado.” Propôs-se

O tema demonstrou ser de interesse de outras listas. Samuel Lhlavanguane da lista C, por exemplo, defende que a detenção do advogado deve ser encarado como uma tipologia de crime a constar do Código Penal, a medida aplicada a situacao de detenção ilegal de qualquer cidadão, não pode ser a mesma quando se trata de uma detenção de um advogado. “Para isso, a solução reside na revisão dos estatutos de implementação de regras básicas que limitam a detenção do advogado no exercício da sua profissão.

Stiller Marroquim, candidato pela lista A, além de predispor-se a introduzir reformas na formação e exames de acesso à ordem, caso seja eleito, quer reforçar a independência da OAM. “Nós não estamos para agradar o poder político, mas também não estamos para fazer hostilização política. Sempre que um pilar da administração da justiça for atacado, a ordem tem que intervir com firmeza, e com tempestividade.” 

Digitalizar a ordem e conectar os advogados aos mega projectos, é o desafio da Thera Dai, da lista D, para que “os escritórios dos advogados e os advogados possam participar e estejam na primeira linha de escolha de assistência jurídica no que se refere às grandes transações internacionais, porque o advogado moçambicano, está em melhores condições de dar esta assistência.” 

Estas serão as eleições mais concorridas da história da Ordem dos Advogados com 4 candidatos. O escrutínio está previsto para o dia 25, próximo sábado.

O Moza Banco promoveu, nesta quinta-feira, em Maputo, a primeira edição do “Moza Talks 2026”, uma iniciativa que reuniu académicas, pensadoras e convidados para uma reflexão sobre “O lugar da Mulher em Moçambique”.

O encontro propôs uma análise do papel da mulher a partir de uma perspectiva enraizada na realidade cultural e social do País, incentivando o questionamento de paradigmas e a valorização de narrativas locais.

Ao longo do evento, diversas intervenientes abordaram o percurso da mulher moçambicana, destacando desafios históricos, conquistas alcançadas e perspectivas futuras.

Na ocasião, a directora de Corporate do Moza Banco, Samira Franco, sublinhou a importância de promover espaços de diálogo inclusivo. “O desenvolvimento económico e social só é possível quando todos ocupam, com dignidade, o espaço que lhes é devido. A mulher não pode continuar a ser vista como um elemento periférico, mas sim como uma força central na dinâmica económica e social do País”, afirmou.

Segundo a responsável, iniciativas do género reforçam o compromisso da instituição com a construção de uma sociedade mais justa. “Ao acolher este tipo de debates, pretendemos, não apenas estimular a reflexão, mas também contribuir para soluções concretas que promovam o empoderamento feminino”, acrescentou.

Neste âmbito, o banco tem vindo a implementar acções voltadas à inclusão, com destaque para o projecto “Moza Women”, lançado em 2024, que integra soluções financeiras e não financeiras destinadas a fortalecer a participação da mulher na economia.

Com a realização do “Moza Talks 2026”, o Moza Banco reforça o seu posicionamento como agente activo na promoção do pensamento crítico e no debate de temas estruturantes, consolidando o seu papel no desenvolvimento social e económico de Moçambique.

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