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Algumas famílias já estão a abandonar as suas casas na cidade da Maxixe, Província de Inhambane, como uma forma de se protegerem do ciclone Gezani. Na sua maioria, são famílias que vivem em casas precárias ao longo da orla marítima, que procuram por lugares seguros. 

Apesar de não terem noção das condições do local onde vão, as famílias dizem que não pretendem passar pelo mesmo sofrimento dos anos anteriores, em que viram as suas vidas em riscos e as suas casas destruídas pelos ciclones. O Município da Cidade da Maxixe disponibilizou transporte para a deslocação das famílias, numa altura em que já está a chover. 

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) alerta que o ciclone tropical GEZANI continua a mover-se em direcção à costa da província de Inhambane. As projecções actuais indicam que, esse sistema meteorológico poderá evoluir para a categoria de Ciclone Tropical Intenso, com vento médio de 200 quilómetros por hora até ao final do dia de hoje. 

Segundo o alerta do INAM, na província de Inhambane, os distritos de Govura, Inhassoro, Vilankulo, Massinga, Morrumbene, Homoíne, Panda, Inharrime, Jangamo, Zavala e cidades de Maxixe e Inhambane vão apresentar chuvas acima de 150 mm em 24 horas e ventos médios de até 150 quilómetros por hora. 

Já em Sofala, principalmente no distrito de Machanga, e Gaza, em Mandlakazi, Chongoene, Chibuto, Chigubo, Limpopo e cidade de Xai-Xai, as chuvas serão de 50 a 150 mm em 24 horas, acompanhadas de trovoadas e ventos médios de até 70 quilómetros por hora, com rajadas até 110 quilómetros por hora. 

 

Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que a subida do nível geral de preços no País registou uma ligeira desaceleração em Janeiro deste ano, apesar das cheias que cortaram a Estrada Nacional Número 1 (EN1) e condicionaram o abastecimento de produtos.

Depois de o nível geral de preços ter aumentado na ordem de 3,23% em Dezembro de 2025, comparativamente ao mesmo mês de 2024, em Janeiro deste ano, a subida foi menor, de 3,04% comparativamente a Janeiro do ano passado, revela o Instituto Nacional de Estatística.

Porém, os economistas Alfredo Mondlane e Júlio Saramala alertam que ainda não é momento para festejar, porque os reais efeitos da interrupção da principal estrada do País e da perda de produção poderão ser sentidos a partir dos meses de Fevereiro corrente e Março em diante.

Contribuíram para a desaceleração da inflação no primeiro mês do ano em curso os preços dos produtos alimentares e de bebidas não-alcoólicas, bem como dos transportes, segundo o Índice de Preços no Consumidor (IPC), que mede o custo de vida dos cidadãos a nível do País.

Embora com a desaceleração, todos os centros de recolha de dados registaram aumento do nível geral de preços, tendo a cidade de Tete registado o maior aumento de preços com cerca de 7,13%, seguida da cidade de Xai-Xai com 4,97% e da cidade de Quelimane com 4,52%.

Outros pontos que tiveram também aumento de preços foram a cidade de Chimoio com 4,47%, a província de Inhambane com 3,43%, a cidade da Beira, na região Centro do País, com 3,35%, a Cidade de Maputo com 1,12% e a cidade de Nampula com 0,98%.

O economista Alfredo Mondlane lembra que a inflação no País se mantém em níveis relativamente baixos há cerca de dois a três anos, e defende que a desaceleração para 3,04% em Janeiro deve ser lida como parte dessa trajectória, e não como fenómeno isolado do mês.

“Nos últimos anos, a inflação moderada resulta sobretudo de um contexto de procura interna fraca (queda do consumo público). O País atravessou, em 2024, um ano eleitoral marcado por incerteza política e, já em 2025, os distúrbios pós-eleitorais agravaram a confiança dos investidores e das famílias”, explicou Alfredo Mondlane.

Segundo Mondlane, em 2025, o consumo privado desacelerou, o investimento retraiu e o desemprego permaneceu elevado. “Quando a procura agregada está comprimida – crescimento negativo –, a economia tende a registar inflação mais baixa, mesmo perante choques pontuais”.

Por isso, Alfredo Mondlane explica que a desaceleração observada em Janeiro não surpreende. Ela reflecte a continuação de uma tendência que já vinha do ano 2025. Sublinha que os efeitos das últimas cheias e inundações não estão plenamente incorporados nos preços. 

“Trata-se de um choque muito recente e, em muitas cadeias de abastecimento, ainda existem stocks que permitem acomodar a procura no curto prazo. É mais provável que os impactos se façam sentir em Fevereiro ou Março, sobretudo em produtos alimentares e transportes”, frisa.

Neste momento, segundo Mondlane, os factores macroeconómicos continuam a favorecer a estabilidade dos preços, com o metical a manter-se relativamente estável, o que ajuda a conter a inflação importada, e os preços internacionais do petróleo e de outras commodities.

“Num país altamente dependente de importações, a estabilidade cambial continua a ser um dos principais pilares para a contenção da inflação”, esclarece Alfredo Mondlane que prevê um cenário base para os próximos meses de inflação ainda moderada.

“Possivelmente com alguma pressão temporária após as cheias, mas sem sinais de uma aceleração generalizada, a menos que ocorram choques cambiais, fiscais ou de combustíveis”, antevê o economista.

Em síntese, Mondlane considera que Moçambique vive um período de inflação baixa, não por excesso de dinamismo económico, mas sobretudo por procura interna contida e alguma estabilidade e estabilidade cambial.

“O desafio da política económica será manter a inflação controlada, ao mesmo tempo que se cria condições para recuperar o crescimento, o emprego e a confiança dos agentes económicos”, alerta o economista Alfredo Mondlane.

Na última reunião do Comité de Política Monetária, o banco central disse que a perspectiva de inflação se mantém abaixo de 10% nos próximos anos, essencialmente devido à estabilidade do metical, à procura interna contida e aos preços internacionais de mercadorias.

Por sua vez, o economista Júlio Saramala entende que, apesar de as últimas cheias e inundações terem criado subidas expressivas no sector da alimentação e dos transportes, tais choques de ofertas estão centralizados na zona sul e também são temporários.

“Existe ainda uma instabilidade na procura e no rendimento disponível das famílias. Há uma menor pressão da procura, e as empresas têm menos margem de aumentar os preços de forma generalizada, ou seja, a economia está um pouco estagnada. Então, consequentemente, o crescimento está a ser menor e a inflação também está a ser menor”, explica Saramala.

No entender do economista, mesmo com os aumentos pontuais de preços causados por constrangimentos logísticos, cheias e inundações que cortaram a EN1, estes não se propagam por toda a economia e não causam pressão suficiente ao nível geral de preços.

Porém, segundo Saramala, a curto prazo é natural que ainda haja alguma volatilidade dos preços, sobretudo nos elementos frescos e transportes, enquanto o País normaliza algumas cadeias de abastecimento, pós-cheias. Contudo, em termos anuais, o cenário continua estável.

Saramala clarifica, contudo, que o facto de a inflação, actualmente, estar a baixar não quer dizer que os preços estão baixos. Significa apenas que os preços sobem lentamente, sobem mais, mas de uma forma lenta, ou seja, o nível de preços acumulado continua alto.

“É importante referir que, apesar de a inflação estar baixa, o custo de vida continua apertado, continua sufocante, principalmente para as famílias mais vulneráveis, ou que têm um salário mínimo, ou que têm condições muito mais reduzidas”, esclarece o economista e salienta que tal situação esconde o nível de desigualdades regionais no País.

Saramala explica que a experiência moçambicana mostra que grande parte da inflação registada no País é provocada por choques de oferta, choques climáticos, interrupções de logística, em concreto de estradas, dependência excessiva de certas rotas de transporte e baixa diversificação da produção, e não apenas por excesso de procura.

“Nesse caso, a política monetária, apesar de ser importante, encontra muitas limitações para uma estabilidade macroeconómica, ou seja, não resolve de uma forma isolada. É importante que existam mais medidas estruturais, que devem complementar”, entende Saramala. 

No entender do economista, é importante ter uma criação de reservas estratégicas de alimentos, uma cadeia alimentar completa desde o início da produção até ao início do processamento. É ainda importante melhorar a logística inter-regional para reduzir a disparidade dos preços entre as províncias, defende o economista.

De forma resumida, Saramala diz que o desafio central do País não é manter a inflação baixa, mas transformar a actual instabilidade em melhoria real do poder de compra das famílias.

O Município de Nampula através do pelouro de Salubridade, está a reforçar as operações de limpeza e saneamento no Mercado de Waresta, com ações intensivas de recolha de resíduos sólidos e remoção de lixeiras informais.

A iniciativa visa garantir melhores condições de higiene naquele importante centro de comércio, sobretudo neste período chuvoso, quando o acúmulo de lixo favorece a proliferação de doenças.

Com o apoio de maquinaria pesada e equipas de salubridade, grandes quantidades de resíduos orgânicos, lama e detritos estão a ser retiradas das vias de acesso e das áreas de venda, permitindo maior circulação de pessoas e mercadorias.

Segundo as autoridades municipais, a medida é preventiva e tem como principal objetivo reduzir riscos de doenças de origem hídrica, como cólera, diarreias e malária, frequentemente associadas ao saneamento inadequado durante a época chuvosa.

O município apela ainda aos vendedores e munícipes para colaborarem, depositando o lixo nos locais apropriados e mantendo o mercado limpo, de modo a preservar a saúde pública e o bem-estar colectivo.

Há quase uma semana que o INATRO na Matola não está a emitir cartas de condução e chapas de matrícula devido a falhas no sistema informático. Os utentes estão a sofrer prejuízos e exigem explicações.

Desde a passada terça-feira que a Delegação Provincial de Maputo do Instituto Nacional de Transporte Rodoviário, INATRO, na cidade da Matola enfrenta oscilações graves no sistema informático, que impede a emissão e renovação de cartas de condução e outros serviços.

Jorge Carlitos, igual a vários outros utentes, foi obrigado a deixar o INATRO sem ter tido sucesso. 

O “O País” sabe que a instituição não está a emitir chapas de matrículas para viaturas importadas, que aguardam desembaraço, somando a cada dia taxas de parqueamento, que podem chegar a 5 mil meticais, em quatro dias.

Nas redes sociais circula um vídeo amador, onde um automobilista foi-lhe emitido uma carta de condução sem a fotografia, obrigando o condutor a portar outros documentos que comprovem a sua legitimidade. 

Procuramos ouvir o Delegado responsável pela instituição, ao que nos foi comunicado da sua ausência por motivos de férias.

O INATRO, a nível central, reconheceu a nossa equipa, a ocorrência de oscilação do sistema, apenas nesta quinta-feira, que já estava ultrapassado, desconhecendo o caso da Matola.

Contudo, as pessoas continuavam a sair daquela delegação sem o serviço.

O Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários enfrenta, nos últimos dias, sérios problemas estruturais e operacionais, incluindo a morosidade extrema na emissão de cartas de condução, uma situação vista como crítica, uma vez que há utentes que aguardam meses, ou até anos, para ter a sua carta, bem como casos frequentes de corrupção e ou falsificação, principalmente relacionados a esquemas fraudulentos nos exames de condução, muitas vezes ligados a fragilidades nas escolas de condução.

Outro dos problemas do INATRO são as falhas no sistema de pagamentos informatizados de multas e a regularização de documentos, assim como limitações técnicas, que são falhas constantes no sistema informatizado que impedem o pagamento de multas e a regularização de documentos, além da capacidade limitada de produção de cartas.

São problemas que acabam resultando em longas filas nas suas instituições em quase todo país, o que tem levado à insatisfação generalizada dos utentes.

Para colmatar estes e outros problemas, o INATRO adoptou medidas de mitigação para procurar resolver as falhas, nomeadamente através da implementação de centros inteligentes para exames teóricos e práticos, a criação de um sistema integrado de emissão de cartas, a duplicação da capacidade de produção de cartas e o funcionamento da fábrica aos finais de semana.

A cidade de Tete dispõe de cerca de 20 quilómetros de sarjetas obsoletas, uma situação que já provocou vários acidentes de viação e não só. Os munícipes de Tete pedem a intervenção da edilidade para a resolução do problema e o Serviço Municipal de Saneamento de Tete diz estar a equacionar uma intervenção nas sarjetas degradadas, visando a sua reabilitação ou substituição.

A cidade de Tete dispõe de cerca de 20 quilómetros de rede de sarjetas em estado obsoleto, uma situação que preocupa as autoridades e a população, devido aos riscos que representa para a circulação rodoviária e para a segurança pública.

E são vários os acidente que ocorreram devido a degradação dessas sarjetas, com o último deles provocado pela queda de um camião. É que o abatimento da sarjeta originou um buraco de grandes dimensões na faixa de rodagem, originando um acidente na noite de segunda-feira, quando um camião caiu no buraco provocado pelo colapso da sarjeta, causando constrangimentos à circulação automóvel.

Cidadãos contam que com este acidente fica difícil a circulação de pessoas e viaturas, dificultando a mobilidade, tal como disse Marcos Ricardo, que considera uma situação inusitada o acidente acontecido na segunda-feira.

Marcos Ricardo foi secundado por Celito, automobilista, que disse ser complicado usar a via devido ao corte da estrada provocado pelo camião tombado no burraco provocado pela sarjeta.

Passados três dias desde a ocorrência do acidente, a viatura envolvida ainda não foi removida do local. O mais grave, segundo alguns munícipes ouvidos no local, é a ausência de sinalização de perigo, situação que mantém elevados os riscos para automobilistas e peões que diariamente utilizam aquela artéria.

“Era importante que, pelo menos, colocassem alguma sinalização para evitar mais acidentes, uma vez que, de noite, pode vir outro automobilista e chocar com este camião tombado”, disse Marcos Ricardo.

Entretanto, o Serviço Municipal de Saneamento de Tete (SEMUSATE) reconhece que as sarjetas existentes já ultrapassaram o seu tempo útil de vida. Face a este cenário, o SEMUSATE refere que está a equacionar uma intervenção nas sarjetas degradadas, visando a sua reabilitação ou substituição.

“É uma situação complicada esta e precisamos encontrar soluções o mais rápido possível. Neste momento, como edilidade, estamos a ver qual seria a melhor opção, entre a substituição e a reabilitação, mas certamente a melhor opção será tomada, para evitar estes acidentes”, disse Patson Bernardo, do Serviço Municipal de Saneamento de Tete.

Para já, o Serviço Municipal de Saneamento de Tete continua empenhado em acções de manutenção e limpeza das valas de drenagem, como forma de manter as valas funcionais para o escoamento das águas residuais, nesta época chuvosa.

A edilidade continua focada na abertura de mais valas para que ao nível dos bairros não haja água estagnada, uma acção que visa prevenir doenças de origem hídrica.

Com a aproximação do ciclone Gezani, os munícipes já começaram a reforçar os seus tectos, colocando sacos que contém areia e outros garantem fazer o mesmo até a próxima segunda-feira, um dia antes da data prevista para o ciclone atingir Chiveve. 

Os tectos que tem a cobertura de chapa de zinco estão a ser reforçados pelos seus proprietários, na cidade da Beira, face à previsão da chegada do ciclone Gezani.

O “O País” esteve hoje em alguns bairros e testemunhou esforços colectivos e individuais dos munícipes colocando sacos contendo areia nos tectos. 

Na marginal por exemplo, onde o impacto da força dos ventos dos ciclones tem sido mais forte, os preparativos já estão mais avançados.

Eloi Semedo é proprietário de uma instância turística, localizada na praia da Miramar, e em contacto com “O País”, falando em torno da previsão da chegada do Gezani, lembrou os ciclones que já atingiram a cidade da Beira.

Esta foi a zona que mais sofreu aquando da passagem do ciclone IDAI e foram investidos aqui mais de um milhão e meio de euros pela edilidade para proteger a costa.

Refira-se que dados oficiais indicam que o ciclone já está no canal de Moçambique e que atingirá a costa do país nesta sexta-feira,  com ventos e chuvas, afectando as províncias de Sofala, Inhambane e Gaza.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) alerta que “Gezani” já está no canal de Moçambique, e que a tempestade evoluiu para tempestade tropical severa. 

O INAM alerta ainda que, de acordo com as projecções actuais, o sistema Tropical poderá evoluir para a categoria de Ciclone Tropical, com vento médio de 120 quilómetros por hora e rajada máxima até 200 quilómetros por hora, até amanhã.

“Esse sistema fará a aproximação através da província de Inhambane, e se espera que os distritos de Inhambane apresentem uma precipitação de 200 mm em 24 horas, com ventos fortes e trovoadas severas”, disse o meteorologista do INAM. 

Já para Gaza e Sofala espera-se uma precipitação de 50 a 100 mm, em 24 horas, acompanhada de trovoadas e ventos fortes. 

O INAM apela que as populações abandonem as zonas de risco. “O ciclone já fez muitos estragos em Madagáscar e poderá fazer o mesmo no nosso país”, disse o meteorologista.

A pedido do Ministério Público sul-africano, foi adiado para o próximo dia um de Abril o julgamento do caso que envolve o moçambicano Armindo Pacula, relacionado com o assassinato, no ano passado, do DJ Warras.

Segundo a Rádio Moçambique, a procuradoria diz precisar de mais tempo para concluir as diligências necessárias, que incluem o envio de imagens de vídeo para o laboratório, o relatório balístico e a análise da comunicação, por telefone, entre os suspeitos.

Os dois acusados, o moçambicano Armindo Pacula e o sul-africano Victor Majola, estiveram presentes, esta quarta-feira, perante o juiz do Tribunal de Magistrados de Joanesburgo.

Ambos são acusados de homicídio e conspiração para cometer homicídio.

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