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O Direcção Nacional de Recursos Hídricos alerta para risco de agravamento de inundações em Magude, no Xinavane e na Ilha Josina Machel na província de Maputo, devido à instabilidade de uma barragem, na África do Sul, que está prestes a colapsar. A instituição que gere os recursos hídricos no país apela ainda à retirada das populações das zonas de risco.  

Se com a chuva que caiu, durante mais de uma semana, na província de Maputo, associada ao transbordo de algumas bacias hidrográficas, os danos trazidos pelas inundações foram inúmeros, desde a perda de vidas humanas, bens e interrupção da transitabilidade, há risco da situação agravar-se, devido à instabilidade da barragem de Seteenko, localizada na África do Sul. 

“É uma barragem atualmente grande, porque tem uma capacidade de cerca de 1,8 milhões de metros cúbicos armazenados. Devido às precipitações que foi recebendo nos últimos oito dias no território sul-africano, esta barragem está a mostrar instabilidade e riscos de colapsar. E pronto, nós já entramos em contato com a congénere sul-africana e também ao nível da comissão do Incomati e Maputo para procurar saber o que estava acontecendo. Confirmou-se que, de fato, esta barragem está com uma grande instabilidade, porque está sofrendo alguma erosão.”, explicou Agostinho Vilanculos, chefe do departamento de Gestão Nacional de Recursos Hídricos. 

A ruptura da barragem sul africana poderá afectar os distritos de Magude e Manhiça. Caso aconteça, a transitabilidade na EN1 permanecera condicionada por mais tempo. 

“É uma barragem de terra, normalmente as barragens de terra, quando elas recebem pressão podem assentar. Uma barragem de terra, normalmente, leva cerca de 13 minutos para vazar, neste caso, estamos a falar de cerca de 780 segundos. Estimativas que nós fizemos, vimos que pode entrar em caudal cerca de 2.000 m³ a 2.500 m³ por segundo. 2.500 m³ por segundo, isso tem impacto, sobretudo em Magude. Neste momento, estamos com cerca de 9 metros, aproximadamente. E se nós formos receber mais um volume desses, essa altura pode crescer, situar-se acima de 10 metros e, consequentemente, pode agravar aquilo que são as inundações”.

Para mitigar os efeitos da erosão na barragem e evitar possíveis impactos no país, há trabalhos em curso, mas persiste o alerta para a retirada das populações para zonas seguras. 

“Havia uma grande erosão à jusante desta barragem e colocou-se uma membrana, uma tela geotéstica, para mitigar o efeito da erosão. Porque esta barragem, se continuar a ser erodida, de facto pode criar situações de inundações de magnitude alta, sobretudo, primeiro no território sul-africano, no município de Bombela. Há um trabalho que os nossos colegas do INGD estão a fazer, neste momento, que é a retirada compulsiva da população e nós achamos que esse trabalho tem de continuar e vão acompanhando as informações que vamos emitindo”. 

Na região sul do país, as bacias dos rios Incomati, Maputo, Umbeluze, Limpopo, Inhanombe e Save ainda se encontram em situação de alerta.

Os restos mortais da antiga Primeira-Ministra,  Luísa Diogo, chegaram hoje à cidade de Maputo.  As cerimónias fúnebres terão lugar na sexta-feira e a família considera uma perda irreparável. 

É a chegada ao solo pátrio,  para ser acompanhada à sua última morada, onde terá o seu eterno descanso. A urna contendo os restos mortais de Luísa Diogo chegou, na manhã desta quarta-feira, ao aeroporto internacional de Mavalane,  vinda de Portugal, onde a antiga Primeira-Ministra passou os seus últimos dias de vida e perdeu a batalha contra uma doença, que a deixou internada por algum tempo. 

Por meio de cânticos de consolação, entre troca de abraços, familiares, amigos e membros do Governo expressavam a dor da perda da mulher que dedicou parte da sua vida à economia e à política.  

Em poucas palavras, a irmã, Victória Diogo lamentou a perda da também antiga ministra do Plano e Finanças e agradeceu pelas mensagens de conforto. 

O velório de Luísa Diogo está agendado para esta sexta-feira, a ter lugar na paróquia Santo António da Polana,  seguido do velório oficial no Paços do Conselho Municipal da Cidade de Maputo e os restos mortais serão depositados no cemitério de Lhanguene, pelas 13 horas.

Supostos boatos espalhados através das redes sociais apontam para a existência de homens-catanas, na cidade da Beira, província de Sofala. O pânico está a levar os populares a recorrer à justiça privada contra qualquer suspeito, pondo em causa a ordem e segurança pública. A PRM em Sofala afirma que as informações postas a circular são infundadas. 

Um vídeo amador mostra o momento em que populares da cidade da Beira faziam justiça privada contra um suposto homem catana.

Este acto está relacionado com informações que circulam nas redes sociais, dando conta que, na cidade da Beira, há um grupo de homens, munidos de objectos contundentes, com destaque para catanas, provenientes da província de Manica, que têm estado a atacar pessoas nas vias públicas,  roubando  os seus bens e assaltando as suas residências, desferindo golpes nas vítimas.

Estas informações estão a criar pânico no meio da comunidade da Beira, que em resposta está  a recorrer à justiça privada para punir os supostos homens-catana.

O comando distrital da PRM na Beira chamou a imprensa, nesta quarta-feira, para afirmar que se trata de informações infundadas.

“Desencorajar o facto de se estar a propalar informações que não constituem a verdade, criando pânico e sentimento de insegurança nas nossas comunidades. Nós chamamos atenção para a responsabilidade de todos actores sociais sobre o facto de se difundirem informações que não constituem a verdade, e sobre o pânico que estamos a criar na nossa sociedade”, disse Dércio Chacate, porta-voz da PRM  na Beira. 

Contudo, nesta quarta-feira, foi detido um indivíduo no bairro de Macurungo, que foi neutralizado pela população, por volta das 2 horas da manhã, enquanto tentava, supostamente, roubar uma residência. 

“Em nenhum momento, se deve associar [este caso] ao que vem sendo propalado nas redes sociais. ”, vincou o porta-voz. 

O detido que foi violentado pela população, nega o seu envolvimento no crime. A Polícia exortou ainda a comunidade da Beira para não socorrer-se da justiça privada ao interpelar supostos criminosos.

“Desencorajar a justiça privada que está a ser cometida pelos cidadãos, existem instituições credenciadas para o efeito. Se encontrar um indivíduo em situação de crime, é fundamental que seja encaminhado para as autoridades policiais”, apelou Chacate. 

Foram igualmente apresentados pela Polícia, nesta quinta-feira, dois supostos criminosos. Um é indiciado por ter arrombado uma residência na companhia de três indivíduos, ora fugitivos, onde abusaram de duas menores e roubaram bens. O segundo  é apontado como ladrão de táxi-motos.

Morosidade, corrupção e falha de sistema revoltam mais de 500 passageiros, que continuam retidos, desde segunda-feira, no Aeroporto Filipe Jacinto Nyusi, em Chongoene, província de Gaza, na sequência da interrupção da Estrada Nacional nº 1 (EN1).

Utentes reclamam das longas filas e do tempo de espera para aceder ao voo para Maputo, no Aeroporto de Chongoene. Lúcia, uma utente, reclama que já há dois dias está no aeroporto, mas não conseguiu sequer comprar o bilhete. 

“Estamos aqui desde ontem às 4 horas. Para comprar bilhete é um problema sério”, desabafou.

Outra fonte reclama que está desde sexta-feira no aeroporto, mas ainda não conseguiu comprar a passagem, apenas foi-lhe atribuída a senha, e reclamam das más condições.

“Estou a tentar regressar a casa. Deixei bebé de nove meses em casa (…) Agora, já estou com outras dores de mulher e aqui estamos no meio do nada, que nem conseguimos comprar produtos básicos de higiene. Dormimos no chão”, reclamou uma fonte, que não se quis identificar.

Os utentes reclamam ainda de corrupção para a compra de bilhetes. “Não estamos a conseguir comprar bilhete e agora disseram que não vão vender bilhetes porque os que vendem não conseguiram chegar”.

A Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH) apela a retirada das comunidades das zonas baixas e com risco de inundações, na Bacia Hidrográfica do Incomati, devido ao risco de ruptura da ponte na Barragem de Senteeko, na área de Barbeton, no município de Mbombela, na África do Sul. 

A Barragem de Senteeko, construída no rio Crocodilo, tem a capacidade de armazenamento de cerca de 1,8 milhões de metros cúbicos, mas, devido às chuvas fortes, ultrapassou os limites de segurança, podendo agravar as inundações nos distritos de Magude e Manhiça e impactar igualmente a transitabilidade rodoviária da EN1. 

O rio Save atingiu e ultrapassou o nível de alerta na estação hidrométrica da Vila Franca do Save, no distrito de Govuro, elevando o risco de inundações ao longo do vale do rio, segundo dados de monitoria hidrológica registados entre os dias 20 e 21 de Janeiro de 2026.

De acordo com os registos oficiais, na estação da Vila Franca do Save, o nível da água apresentou uma subida contínua ao longo do dia 20, passando de 5,25 metros às 7 horas para 5,47 metros ao meio-dia, 5,61 metros às 17 horas e 5,64 metros às 18 horas, ultrapassando o nível de alerta fixado em 5,50 metros.

A tendência de subida manteve-se nas primeiras horas de hoje. Às 5 horas, o rio registava 5,92 metros, contra 5,64 metros registados às 17 horas do dia anterior, confirmando a persistência da onda de cheia naquela secção da bacia.

Em contraste, na estação de Massangena, na província de Gaza, os níveis mantiveram-se acima do normal, mas com tendência de descida. Os dados indicam 4,32 metros às 7 horas, 4,30 metros ao meio-dia e 4,28 metros às 17 horas do dia 20, valores ligeiramente abaixo do nível de alerta local, fixado em 4,50 metros.

A evolução do caudal em Vila Franca do Save confirma a progressão da onda de cheia ao longo do curso do rio, situação que historicamente aumenta o risco de inundações em zonas ribeirinhas, áreas agrícolas e de pastagem, sobretudo nos distritos localizados a jusante.

As autoridades mantêm a monitoria permanente da bacia do Save, numa altura em que a época chuvosa continua activa, apelando à população para o acompanhamento da informação oficial e adopção de medidas de precaução, especialmente nas zonas tradicionalmente vulneráveis a cheias.

 

O Executivo determinou a observância de Luto Nacional de dois dias pelo falecimento de Luísa Dias Diogo, antiga Primeira-Ministra, cujo corpo chega ao país nesta quarta-feira, após ter falecido vítima de doença, em Portugal. O funeral oficial está marcado para o dia 23 de Janeiro de 2026.

O Conselho de Ministros, na sua 1.ª Sessão Ordinária, realizada no dia 20 de Janeiro de 2026, aprovou a resolução que determina a realização do funeral oficial de Luísa Dias Diogo e a observância de Luto Nacional de dois dias, a contar das zero horas do dia 23 de Janeiro, data em que se realizará o funeral da antiga governante.

Segundo o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, a decisão visa honrar o legado e a contribuição de Luísa Diogo para a consolidação da governação e desenvolvimento do país.

O corpo da antiga Primeira-Ministra, que faleceu em Portugal vítima de doença, chegará ao país nesta quarta-feira, dando início às cerimónias fúnebres oficiais.

O luto nacional reflete o reconhecimento do Estado pelo papel desempenhado por Luísa Diogo ao longo da sua carreira política, marcada por passagens significativas no Executivo e contribuições para a estabilidade institucional e económica de Moçambique.

O Governo tem um défice de 6,6 mil milhões de meticais para responder à actual época chuvosa, dos 14 mil milhões de meticais considerados necessários para assegurar a assistência humanitária, apoio aos deslocados, serviços de saúde e alimentação nos centros de acomodação. A informação foi avançada esta terça-feira, pelo porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, no final da sessão do Executivo.

Segundo Impissa, o valor agora apresentado representa uma revisão em baixa face ao défice anteriormente estimado em cerca de 8 mil milhões de meticais, na sequência de reajustes feitos com base nos recursos já mobilizados e no apoio de parceiros.

O porta-voz explicou que, apesar das limitações financeiras, o Governo tem meios alocados para fazer face à situação, contando com recursos nacionais, apoio de parceiros internacionais e de países vizinhos. Entre os meios disponíveis estão nove helicópteros, embarcações e outras naves, utilizados em operações de busca, salvamento e assistência às populações afectadas pelas inundações.

Relativamente às infra-estruturas, Inocêncio Impissa referiu que algumas pontes móveis se encontram estagnadas em determinados pontos do país, mas estão devidamente alocadas e poderão ser retiradas ou reposicionadas em caso de emergência, mediante indicação do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

Questionado sobre uma eventual responsabilização do Governo face ao cenário das inundações, o porta-voz afirmou que o Executivo não sabe se o governo responsabilidade, sublinhando, no entanto, que o mesmo está a fazer o trabalho necessário para salvaguardar a vida e os bens dos moçambicanos.

Dados apresentados indicam que, entre 22 de Dezembro e segunda-feira, as chuvas e cheias já provocaram 11 mortes em diferentes regiões do país, além de milhares de pessoas afectadas e danos significativos em habitações e infra-estruturas.

No sector dos transportes, o Governo reiterou que a retoma da circulação na Estrada Nacional Número Um (N1) só deverá acontecer depois do completo escoamento das águas, depois de análise minuciosa da via, por razões de segurança.

Quanto ao ano lectivo de 2026, Inocêncio Impissa confirmou que o seu início está marcado para 30 de Janeiro, embora tenha admitido que, nas províncias de Maputo e Gaza, poderão ser adoptadas medidas particulares, em função do impacto das inundações sobre as escolas.

Tende a aumentar o número de famílias que estão a abandonar, voluntariamente e com recursos próprios, as zonas de risco, na vila sede do distrito do Búzi, em Sofala, depois dos apelos lançados no último fim-de-semana pelo Presidente da República.   

As famílias em causa afinal foram atribuídos terrenos em zonas seguras, após a passagem do ciclone Idai, mas teimam em residir nos locais de risco.

No passado sábado, o Presidente da República disse à comunidade do Búzi que a vida não tem segunda época,  aquando da sua visita, e exortou que as pessoas abandonassem imediatamente as zonas de risco. 

É que mesmo depois das inundações, que passaram a ser cíclicas desde 2019, aquando da passagem do ciclone Idai, as famílias teimam em residir em zonas de risco, na vila sede do distrito do Búzi, colocando em risco as suas vidas apesar de terem sido atribuídos terrenos na região de Guara-guara, há cerca de 20 km.

Depois dos apelos do Chefe do Estado tende a crescer o número de famílias a abandonarem voluntariamente as zonas de risco e usando meios próprios. 

Beatriz Alberto, tal como outros moradores da vila sede do distrito do Búzi foi atribuído um espaço na região de Guara-guara, uma zona relativamente mais segura, mas como muitos outros, retornou a vila sede do Búzi.

Neste momento, de acordo com as autoridades do distrito do Búzi, as águas baixaram e já se circula normalmente, mas tendo em conta que se está na época chuvosa, os apelos para abandonar zonas de risco mantêm-se. Búzi continua isolada por via terrestre.

Neste momento, decorrem obras de emergência para repor a circulação entre Tica-Nova Sofala. O trânsito será reaberto, nesta quarta-feira, de forma condicionada, ou seja apenas para viaturas ligeiras.

A reabilitação do troço Tica-Búzi está dependente da redução dos níveis das águas.

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