O País – A verdade como notícia

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e a Polícia Judiciária portuguesa confirmaram que o empresário português encontrado morto no Hotel Polana, em Maputo, neste mês, cometeu suicídio. As autoridades asseguram que o corpo não apresentava ferimentos nas costas nem sinais de agressão, afastando a hipótese de homicídio ou envolvimento de terceiros.

A informação foi tornada pública, esta sexta-feira, em Maputo, durante uma conferência de imprensa conjunta, na qual foram apresentados os resultados das investigações realizadas pelas autoridades moçambicanas e portuguesas. As perícias efectuadas no local, aliadas às análises laboratoriais e à audição de testemunhas, permitiram concluir que a causa da morte foi suicídio.

De acordo com os dados avançados, o corpo do empresário não apresentava sinais de violência física. As análises toxicológicas detectaram a presença de substâncias no estômago, enquanto a perícia à arma branca utilizada revelou apenas impressões digitais do próprio malogrado. O corpo do empresário português foi encontrado na casa de banho pública do Hotel Polana, onde decorreram os principais trabalhos técnicos.

As autoridades portuguesas destacaram a abertura imediata de Moçambique, considerando que a colaboração entre as instituições foi determinante para o esclarecimento do caso e reforçou a cooperação bilateral.

Relativamente às alegadas ameaças que o empresário teria recebido antes da sua morte, as autoridades referem que não existe qualquer informação oficial que confirme essa situação, tratando-se apenas de uma publicação veiculada por um órgão de comunicação social.

Apesar da conclusão sobre a causa da morte, o SERNIC garante que continuará a investigar para apurar as motivações que levaram o empresário a tirar a própria vida. 

Quaestionado sobre o rápido esclarecimento deste caso, quando comparado aos outros que até hoje, não se conhece o seu desfecho, o SERNIC limitou-se a dizer que cada processo possui características próprias e é conduzido com base em critérios técnicos e científicos.

As fortes chuvas no norte de Marrocos levaram as autoridades de Ksar El Kebir a elevar o alerta de inundação ao máximo, com o rio Loukkos, que transbordou, ameaçando diversos bairros.

Dias de chuvas intensas inundaram ruas e casas em áreas baixas na província de Larache, provocando uma mobilização total das autoridades locais, serviços de segurança, empresas de serviços públicos e equipes de emergência.

Barreiras de areia foram instaladas ao longo das casas à beira do rio, enquanto o governador Bouassam El Alamine inspeciona os pontos vulneráveis ​​ao longo do rio e supervisiona as medidas de emergência.

A Agência da Bacia Hidrográfica do Rio Loukkos informa que a região recebeu mais de 600 mm de chuva desde setembro, enchendo a barragem de Oued El Makhazine a 100% da sua capacidade, com libertações controladas em curso para aliviar a pressão e limitar as cheias a jusante.

O aumento do nível dos rios está sobrecarregando o sistema de drenagem de Ksar El Kebir; equipes extras e bombas foram mobilizadas para impedir que o esgoto retorne para as casas.

Equipes de emergência intervieram em instalações públicas importantes, incluindo um hospital local, onde pacientes e funcionários foram evacuados devido à infiltração de água e problemas de acesso.

As Forças Armadas Reais de Marrocos também estabeleceram acampamentos de emergência e estão realocando famílias, de acordo com as instruções reais, para apoiar os moradores afetados pelas graves inundações.

O presidente da câmara municipal, Mohamed Simo, instou as pessoas em zonas de alto risco a evacuarem imediatamente para terrenos mais elevados, alertando que uma barragem ultrapassou a sua capacidade de descarga.

Edifícios públicos como centros juvenis, escolas e centros culturais estão sendo convertidos em abrigos, e as autoridades prometeram fornecer alimentos, cobertores, roupas de cama e ajuda emergencial para todos os evacuados.

A Direcção Geral de Meteorologia, citada pela Africanews, prevê mais aguaceiros, chuva forte e ventos intensos esta sexta-feira em várias províncias, mantendo elevado o risco de novas inundações.

 

A Estrada Nacional Número Um (EN1) continua intransitável na cidade de Xai-Xai, em Gaza, onde águas invadiram a zona baixa e destruíram o dique de protecção da zona comercial. No entanto, o edil de Xai-Xai garantiu que a transitabilidade poderá ser reposta até domingo.

“Tínhamos a água a passar aqui em cima deste dique, mas acabou não aguentando a pressão e rompeu na parte do muro de betão e na parte feita com argila”, disse o Edil de Xai-Xai, destacando que ainda não é possível ter acesso a zona comercial. 

Apesar do restabelecimento da transitabilidade no percurso 3 de Fevereiro Incoluane, Ossemane Adamo diz que a situação em Xai-Xai ainda é crítica, principalmente na ponte sobre o rio Nguluzane. 

 “De Maputo até Xai-Xai, na zona da pontinha, já se consegue fazer via terrestre, mas falta aqui na cidade de Xai-Xai, na Zona 8, temos ali a zona da ponte sobre o rio Nguluzane, que tem três cortes. Então, o empreiteiro já está no local, para começar a tapar esses cortes”, garantiu.

O troço 3 de Fevereiro–Incoluane da Estrada Nacional Número Um (EN1) reabre amanhã ao tráfego, após quase duas semanas de interrupção provocada pelas cheias, restabelecendo a ligação rodoviária entre as províncias de Maputo e Gaza. A informação é avançada pelo jornal Notícias, que cita o Ministério dos Transportes e Logística, assegurando estarem reunidas as condições mínimas de circulação para viaturas ligeiras e pesadas.

De acordo com a mesma fonte, a reposição da transitabilidade foi possível na sequência da conclusão dos trabalhos de enchimento e regularização dos seis cortes registados ao longo do referido troço, considerados pontos críticos. As intervenções foram realizadas em regime de urgência, envolvendo equipas técnicas especializadas e maquinaria pesada, numa acção coordenada que visou reduzir os impactos das chuvas intensas sobre a principal via de comunicação do país e garantir a retoma gradual da circulação rodoviária.

Recorde-se que várias pessoas, retiradas na Macia, aguardam passagem para Maputo desde o dia 16 de Janeiro corrente, estando impedidas de seguir viagem devido ao corte da estrada.

A Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, manifestou ontem o seu  agradecimento à empresa Vulcan Moçambique pelo donativo concedido às vítimas das cheias que assolam várias regiões do país, numa cerimónia realizada no armazém da Cruz Vermelha de Moçambique (CVM), na Cidade de Maputo.

O donativo, composto por diversos bens de primeira necessidade, incluindo produtos de higiene e limpeza, kits de dignidade para mulheres e mães, mantas, lençóis, capulanas, vestuário e utensílios domésticos, destina-se a apoiar as famílias afectadas pelas

inundações que se encontram acolhidas nos centros de acomodação.

Na ocasião, a Primeira-Dama destacou que o gesto solidário da Vulcan constitui uma demonstração clara de responsabilidade social empresarial e de compromisso com a vida e a dignidade humanas.

“Este apoio chega num momento particularmente difícil para muitas famílias que perderam os seus bens devido às cheias. A solidariedade demonstrada pela Vulcan representa um contributo importante para aliviar o sofrimento das populações afectadas e devolver-lhes esperança”, afirmou Gueta Chapo.

A Primeira-Dama alertou que a época chuvosa ainda se encontra em curso, prevendo-se a continuidade das chuvas nos meses de Fevereiro e Março, razão pela qual apelou à união de esforços entre o Governo, o sector privado e a sociedade civil para garantir uma resposta humanitária eficaz e contínua.

Gueta Selemane Chapo assegurou que os produtos doados serão encaminhados, com urgência, para os centros de acomodação localizados nas províncias mais afectadas, nomeadamente Maputo, Gaza, Inhambane e Sofala, no âmbito das acções de assistência

humanitária coordenadas pelo Gabinete da Primeira-Dama, em articulação com as instituições competentes.

A Primeira-Dama reiterou igualmente o seu apelo ao voluntariado, convidando cidadãos e organizações a juntarem-se às acções de apoio, sobretudo nas áreas de confecção e distribuição de alimentos, apoio às crianças, mulheres grávidas, lactantes, idosos e pessoas com deficiência.

O acto de entrega do donativo no armazém da CVM, entidade parceira na logística e armazenamento dos bens, reforçando o espírito de cooperação entre as instituições humanitárias e o sector privado na resposta às situações de emergência provocadas pelas cheias.

O porta-voz da Frelimo nega que haja um comando do partido no poder para colocar de lado apoios de outras formações políticas às vítimas de inundações. Pedro Guiliche considera descabido que se faça qualquer tipo de segregação de ajuda humanitária.

Depois de denúncias de algumas formações políticas de estarem a enfrentar dificuldades para fazer chegar os seus apoios às vítimas de inundações, o porta-voz da Frelimo, à saída de uma sessão da comissão política do partido, nesta quarta-feira, disse tratar-se de um falso alarme.

No entender de Pedro Guiliche, apesar dos estragos significativos, as cheias que assolam parte do País estão a servir para unir os moçambicanos.

Questionado sobre o desfecho do recente caso da morte do administrador do BCI, o porta-voz da Frelimo sugere que se aguardem investigações de Moçambique e Portugal.

Sobre as incongruências existentes entre o decreto do Conselho de Ministros e o diploma do Ministério da Economia sobre as restrições na importação de arroz e trigo, Guiliche diz aguardar os esclarecimentos daqueles que tomaram as decisões.

Entre vários assuntos, a Comissão Política da Frelimo analisou, nesta quarta-feira, a situação das inundações que afectam famílias, empresas e o Estado moçambicano, como um todo.

A Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM MOZ) procedeu à doação de livros juvenis e material escolar ao Centro de Acolhimento Missão de São Roque, em Matatuíne, apoiando, assim, o início do novo ano escolar.

Nesta visita, foram doados diversos conjuntos de material escolar (cadernos, lápis, canetas e borrachas), e algumas colecções de livros juvenis para equipar a biblioteca da Missão de São Roque. Esta biblioteca apoia não só os alunos do Centro de Acolhimento como também a comunidade local na promoção de hábitos de leitura e de aprendizagem.

A Missão São Roque pertence à Arquidiocese de Maputo, sendo uma instituição que vive maioritariamente de doações particulares. Garante acolhimento a meninos e meninas órfãos, providenciando a estas crianças as condições necessárias para viver e estudar, além de receberem o cuidado e o carinho dos missionários.

Com este apoio, a EUMAM MOZ prossegue o seu compromisso de actuação em conformidade com o Direito Humanitário Internacional, o Direito Internacional dos Direitos Humanos e a Agenda Mulheres, Paz e Segurança. A Missão é actualmente comandada pelo Comodoro César Pires Correia, da Marinha Portuguesa, e conta com mais de 80 militares e civis, de 12 nacionalidades. O mandato da EUMAM MOZ decorre até Junho deste ano.

Os académicos Ângelo Nhancale e Dionísio Tumbo defendem que o País deve ajustar definitivamente o calendário escolar, para que o arranque das aulas não coincida com a época chuvosa.

O Governo adiou o arranque do ano lectivo de 2026, antes programado para o dia 30 de Janeiro, devido às cheias que tomaram parte das escolas das zonas Sul e Centro do País, algo que acontece quase todos os anos. Tal realidade, segundo Dionísio Tumbo, especialista em Pedagogia e professor universitário na Universidade Pedagógica de Maputo, desafia o País a reajustar em definitivo o seu calendário lectivo.

“A diversidade climática dessas nossas regiões acaba exigindo ou demandando respostas diferenciadas. Então, o Ministério da Educação deveria acompanhar essas mutações climáticas e adequar a sua programação curricular para o maior aproveitamento do tempo curricular nessas zonas diferenciadas.”

Por outro lado, também concordando com o ajuste do calendário, Ângelo Nhancale entende que o sistema semestral pode trazer melhor aproveitamento e sem ajustes improvisados do calendário escolar.

“Temos de repensar o calendário, regressar ao sistema semestral. Em relação ao clima, penso que poderemos ficar menos afectados e, assim, aproveitar mais o tempo seco”, concluiu.

Os pedagogos entendem que as férias prolongadas que estão a ser “oferecidas” às crianças, devido às cheias, podem ter impacto negativo na educação, principalmente na zona rural. Os pesquisadores temem que alunos que se ocupem em actividades lucrativas, durante este período, e não regressem às aulas.

Uma mulher deu à luz num centro de acolhimento em Guaraguara, no distrito de Búzi, em Sofala, e queixa-se da falta de condições mínimas de acomodação e alimentação. As cerca de 50 mulheres, entre grávidas e lactentes, dizem não estar a haver priorização no tratamento.

Além das crianças, as mulheres grávidas têm sido bastante afectadas nos centros de acolhimento às vítimas das cheias em Sofala. 

Amélia João, solteira, mãe de cinco filhos, deu à luz a uma menina no centro de reassentamento para vítimas das cheias, montado na escola básica de Guaraguara, no distrito de Búzi.

Após o parto, foi orientada a não se juntar às outras mães, por questões de saúde, uma medida impossível num local onde cada milímetro está ocupado.

“Estou mal e estou a pedir ajuda, dei parto com dificuldades e não estou a conseguir andar bem (…) Não tenho família aqui em Guaraguara, estou sozinha, com esses filhos”, conta Amélia João. 

Durante o dia fica debaixo de uma árvore, mas, à noite, junta-se às outras mães, em um quarto, aliás sala fria, sem janelas, nenhum conforto, principalmente para um recém nascido.

“Nós estamos grávidas e não temos como lutar com as pessoas que não estão. Estamos a dormir fora, nem sequer temos rede mosquiteira, sendo que no hospital proíbem que as mulheres grávidas durmam sem rede mosquiteira”, reclamou Júlia Afonso, gestante. 

Em Guaraguara, para se ter alimentação, há vezes que é necessário fazer teste de força, uma disputa que exclui as mulheres grávidas.

“Todo mundo tem que comer feijão, mas eu tenho problemas de estômago, quando como por dois ou três dias passo mal (…) O que nós queremos agora é ser bem cuidadas, como mulheres grávidas, porque corremos muitos riscos”, vincou uma gestante, que também divide espaço com outras mulheres no centro de acolhimento de Guaraguara. 

A repetição do cardápio é, por dias, também uma queixa, além de não haver priorização deste grupo.  As autoridades dizem haver orientações para a priorização de grupos sociais. 

“Quando estamos num ambiente com muita gente, há sempre este lado de reclamações, que precisamos controlar e aumentar. Falava aqui com a equipa da gestão do centro para aumentar o número de panelas e o número de pessoas na confecção dos alimentos, para garantir que todos esses direitos sejam salvaguardados”, explicou Aristides Armando, Delegado do INGD em Sofala.

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