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Pelo menos 496 pessoas morreram vítimas de malária em Moçambique em 2025, um aumento de 39% em comparação com 2024, ano em que foram registados 358 óbitos, indicam dados recentes do Ministério da Saúde.

Segundo os mesmos dados, o número de casos também aumentou, em 11%, no ano passado, com um registo de 12,8 milhões, quando em 2024 foram diagnosticados 11,6 milhões de casos.

Do total de 12,8 milhões de casos registados em 2025, 4,8 milhões foram em crianças menores de 5 anos, indica-se no documento.

“Nós, neste momento, temos uma orientação para a população em geral de que existe diagnóstico correcto, existe tratamento de malária. Não há necessidade de existir uma morte por malária. Nós queremos que a população receba e cumpra com as orientações de modo que esses casos se reduzam”, disse Inês António, do Programa Nacional de Controlo da Malária, citada pela imprensa moçambicana.

Pelo menos 49 pessoas morreram de malária nas primeiras seis semanas de 2026 em Moçambique, entre 1 357 891 infectados, avançaram, em Fevereiro, as autoridades nacionais de saúde.

De acordo com dados apresentados pelo director nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, os casos de malária aumentaram 55% este ano, face ao mesmo período do ano passado, em que foram registados 876 498 casos, mas o número de óbitos baixou em 38%, quando em 2025 morreram 79 pessoas.

 

Trabalhadores de serviços de apoio na Escola Secundária Eduardo Mondlane, localizada na zona de Chitlango, na cidade de Maputo, encerraram os portões da instituição na manhã desta quarta-feira em protesto contra cinco meses de salários em atraso.

O protesto envolveu prestadores de serviços como guardas e outros funcionários de apoio, que decidiram interromper as actividades logo nas primeiras horas do dia, impedindo o acesso ao recinto escolar.

“Estamos sem receber salários há cinco meses, desde Novembro até agora. Já estamos cansados. Em casa temos despesas, já cortaram água e estamos a passar fome. Estamos a pedir socorro”, afirmou Estevão Mondlane, um dos trabalhadores envolvidos na paralisação.

A situação gerou rápida repercussão, mobilizando o director dos Serviços Sociais da cidade, que se deslocou ao local para tentar mediar o conflito. Apesar da reunião com os trabalhadores, não houve consenso quanto à regularização dos pagamentos.

Os manifestantes dizem ter perdido a confiança nas promessas feitas pela entidade empregadora. “Sempre dizem que vão pagar, mas nunca cumprem. Disseram que seria até quinta-feira, depois mudaram para segunda-feira, e até agora nada. Já não acreditamos”, declarou Lurdes Celeste, também trabalhadora da escola.

Outra funcionária, Paulina Venâncio, reforçou o sentimento de frustração: “Estão sempre a prometer, mas não há resultados. Já fomos à direcção da cidade e nunca nos deram uma resposta concreta.”

Durante o impasse, os trabalhadores mantiveram a posição de não retomar as actividades enquanto não houver pagamento dos salários em atraso. “Não vamos trabalhar até sair o salário”, afirmaram.

O director dos Serviços Sociais presente no local não prestou declarações à imprensa, alegando falta de autorização da equipa de comunicação dos serviços de representação do Estado na cidade.

Apesar da reabertura dos portões após as negociações, a situação permanece tensa, com os trabalhadores a exigirem soluções urgentes para a regularização dos seus vencimentos.

A Polícia da República de Moçambique (PRM) em Manica apresentou, esta quarta-feira, dois indivíduos detidos na posse de uma arma de fogo do tipo pistola. O caso, que teve lugar na cidade de Chimoio, revela versões contraditórias entre os detidos e as autoridades policiais.

Em declarações à imprensa, um dos jovens negou qualquer envolvimento em actividades criminosas, sustentando que a arma foi retirada de um agressor que os tentou alvejar. Segundo o relato, após uma luta física em que conseguiram imobilizar o braço do suposto atacante, a pistola caiu e desmontou-se.

“O homem apontou-me a arma e disse que me ia matar. O meu irmão pegou no braço dele e a arma caiu. Nós é que ligámos para o chefe do sector para contactar a polícia até chegarmos aqui”, explicou um dos indiciados, insistindo que a intenção do grupo era entregar o engenho às autoridades.

A versão de “bons samaritanos” não convence a PRM. Mouzinho Manasse, porta-voz da PRM em Manica, esclareceu que a detenção é resultado de um trabalho de inteligência policial que já seguia o rasto de indivíduos envolvidos em crimes de roubo agravado.

A polícia suspeita que a dupla esteja ligada a um assalto recente a um estabelecimento comercial no bairro Vila Nova. “Estamos a trabalhar para apurar se estes indivíduos estão indiciados no crime de roubo agravado com recurso a arma de fogo. Tivemos uma ocorrência no mês passado, na área da 3.ª Esquadra, com características semelhantes”, referiu Manasse.

Com esta apreensão, sobe para quatro o número de armas de fogo recuperadas pelas autoridades na província de Manica nos últimos seis meses. A polícia reforça o apelo à vigilância comunitária, mas mantém a cautela perante justificações de posse de armas por civis, sublinhando que o procedimento correto nestes casos deve ser sempre imediato e transparente.

Cidadãos estrangeiros vivem em situações de falta de higiene e com saúde precária na 23.ª Esquadra. Enquanto o SENAMI fala em “condições mínimas”, a Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) considera o cenário grave e admite avançar para o Ministério Público.

A 23.ª Esquadra de Chiango, na capital do País, está no centro de uma polémica, após a divulgação de vídeos que expõem o quotidiano degradante de 27 imigrantes retidos. Os registos mostram um cenário de imundície, onde cidadãos de várias nacionalidades, alguns sob custódia há mais de 30 dias, clamam por assistência médica, água e dignidade.

Entre os relatos mais chocantes está o de um imigrante angolano que, com a saúde visivelmente debilitada, descreveu o local como “criminoso”. Segundo o seu testemunho, os detentos chegaram a ficar sete dias consecutivos sem água para a higiene pessoal, dependendo apenas de água mineral para beber.

“O meu corpo começou a transformar-se, a sair coisas. Fiquei mesmo doente, grave”, relatou o cidadão, que utilizou as redes sociais como último recurso para pedir socorro, sentindo-se abandonado pela sua própria embaixada.

Confrontado com as imagens, o Serviço Nacional de Migração (SENAMI) apresentou uma versão oposta. Segundo o porta-voz da instituição, Albachir Macassar, a transferência dos 27 imigrantes para a 23.ª Esquadra foi temporária e estratégica, visando a reabilitação do edifício principal de acolhimento.

O SENAMI assegura que todos os retidos têm acompanhamento médico e que quatro cidadãos foram encaminhados para o hospital psiquiátrico devido a enfermidades.

A instituição desmentiu a Comissão Nacional dos Direitos Humanos sobre a duração de uma das detenções, embora tenha admitido que um cidadão de Madagáscar está sob custódia “há um bom tempo”, desde 2022.

“É uma esquadra para detentos… existem lá melhores condições. Tem lá detentos que nunca reclamaram”, afirmou Macassar, minimizando as denúncias de insalubridade.

A Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) não ficou convencida com as explicações oficiais. Após analisar as imagens, o presidente da Comissão, Luca Bata, considerou as alegações de “particular gravidade” e sublinhou que a lei deve ser cumprida independentemente da situação migratória.

“Vimos graves problemas sanitários e falta de cuidados médicos adequados. Se encontrarmos matéria que deve ser submetida à Procuradoria, vamos fazê-lo e instar a instauração de um processo”, garantiu Luca Bata.

Desde a última segunda-feira, os imigrantes foram transferidos de volta para o local original, cujas obras de requalificação estariam concluídas. O SENAMI informou que está agora a preparar o processo de deportação dos cidadãos.

O caso, contudo, deixa feridas abertas na imagem da gestão migratória em Moçambique, levantando questões sobre a linha ténue entre a “fiscalização migratória normal” e a violação dos direitos fundamentais garantidos pela Constituição.

O Reino Unido investiu, desde 2009, 79,9 milhões de dólares (5,1 mil milhões de meticais) em sistemas de abastecimento no País, levando água a 1,8 milhões de pessoas nas zonas rurais.

“Mais de 1,8 milhões de pessoas nas zonas rurais de Moçambique têm agora acesso à água potável segura”, avançou o Reino Unido, em comunicado divulgado nesta quarta-feira.

Este balanço é trazido numa altura em que é assinado o encerramento do programa de Transformação da Provisão de serviços de Água, Saneamento e Higiene (T-WASH), que durou uma década.

Segundo o comunicado, só com o programa T-WASH, implementado entre 2015 e 2026, o Reino Unido apoiou a Estratégia Nacional de Água e Saneamento Rural de Moçambique financiando mais de 200 sistemas de água e cerca de 2000 furos em comunidades rurais, tendo reforçado os sistemas de planeamento, prestação e manutenção dos serviços de água e saneamento.

O T-WASH decorreu com os seus respectivos fundos entregues em duas fases, tendo melhorado o saneamento para 3,3 milhões de pessoas, com o Reino Unido a apoiar a Estratégia Nacional de Água e Saneamento Rural de Moçambique (PRONASAR) desde 2009.

O programa foi implementado em parceria com a Direcção Nacional de Abastecimento de Água e Saneamento (DNAAS), conforme escreve o organismo no comunicado.

Com o fim do programa de acesso à água implementado em 10 anos, o Reino Unido promete, agora, apostar na mobilização de fundos para o financiamento climático e do investimento privado, reduzindo a dependência do financiamento tradicional da ajuda e garantindo a sustentabilidade a longo prazo das infraestruturas já construídas.

Em Outubro passado, o Governo avançou que Moçambique precisa de cerca de 4,1 mil milhões de dólares (262,2 mil milhões de meticais) para acelerar a expansão dos sistemas de abastecimento de água e de saneamento sustentáveis no País.

O Gabinete da Juventude Parlamentar (GJP) efectuou uma visita ao antigo estadista moçambicano, Armando Emílio Guebuza, um encontro marcado pelo diálogo e pela partilha de experiências.

Durante a conversa, Armando Guebuza destacou a importância da Assembleia da República, sublinhando que “o Parlamento tem uma história que é muito rica, construída com muito esforço ao longo dos anos”.

Guebuza enfatizou ainda que, acima das diferenças partidárias, prevalece a identidade nacional, uma vez que “não importa o partido, todos nós somos moçambicanos. Moçambique é nosso”.

O antigo estadista reforçou a importância da inclusão e da igualdade, afirmando que todos têm direitos, independentemente da idade ou da raça, e que o foco deve estar no desenvolvimento do País.

Segundo afirmou, mesmo com opiniões diferentes, é essencial que todos estejam unidos por um objectivo comum: “cada um pensa o que pensa, fala o que fala, mas todos devemos estar movidos por um Moçambique melhor”.

No encontro, também se reconheceu a diversidade como um elemento natural da sociedade, sendo as diferentes organizações uma expressão dessa pluralidade. Ainda assim, destacou-se a necessidade de união, até porque “somos diferentes, por isso temos organizações diferentes, mas devemos nos abraçar para criar um futuro melhor”.

Houve igualmente espaço para reflectir sobre os desafios actuais, incluindo preocupações em torno do estado da democracia. Armando Guebuza recordou que muitas das conquistas nacionais foram alcançadas com grande dificuldade, referindo-se às instituições como vitórias que devem ser preservadas.

“Aquela casa foi conquistada com muita dificuldade, mas foi conquistada”, disse o antigo estadista moçambicano que já foi deputado de 1994 a 2002.

Por fim, deixou uma mensagem centrada no papel do povo, afirmando que, independentemente de quem ganha ou perde, o mais importante é que o povo nunca saia prejudicado: “se o povo ganha, vale a pena, e quem julga os valores é a história. O povo tem de ficar para a história”, disse.

O ministro da Saúde admite que sente vergonha quando é questionado sobre roubo de medicamentos nos hospitais. Ussene Isse acusa profissionais da área que dirige de tratarem os pacientes sem o devido humanismo.

Ussene Isse, Ministro da Saúde foi convidado para a aula de abertura do Instituto Superior das Ciências de Saúde. A aula transcendeu os limites da academia, abordou questões de actualidade no sector, admitiu haver maus tratos no sector que dirige, e revelou-se envergonhado com os caso. 

“Eu fico muito envergonhado quando somos questionados pela população. Sr. Ministro, aqui no seu hospital, cobram, cobranças ilícitas, cobram. Aqui no seu hospital, nos maltratam. Aqui no seu hospital, roubam medicamentos. E aí? Como é que vou ficar feliz ao ouvir essas coisas?” Questionou-se Ussene Isse. O governante mostrou preocupação com a falta de humanismo nos hospitais citando o exemplo das maternidades que classificou como “piores”

“O maior problema de cobranças ilícitas é na maternidade. Dizem que, as senhoras já sabem, até amarram na ponta da capulana.Já sabem, basta abrir a capulana, basta desamarrar a capulana, já sabem que ali tem, tem o quê? Tem dinheiro “, descreveu o ministro pedindo mudanças nas atitudes. 

Aos profissionais que participam das manifestações, Isse manda um recado.

“Um bom profissional de saúde, Não coabita em ambientes de agitação. Infelizmente, infelizmente, infelizmente….Analisem o que eu iria dizer, não vou dizer agora.” Terminou o discurso.

Ussene Isse pediu aos gestores hospitalares a analisarem os indicadores de satisfação dos utentes e às escolas a ensinarem mais a ética e deontologia. 

O Serviço Nacional de Migração prevê um movimento de pessoas acima do normal a partir de hoje, nas fronteiras do país devido à Páscoa. Até o dia dez, cerca de 370 mil viajantes poderão atravessar os postos fronteiriços.  

Com a Páscoa a bater à porta, as fronteiras nacionais começam a partir desta quarta-feira a registar movimentos acima do normal de pessoas. O pico,  segundo o Serviço Nacional de Migração, será assistido dentro de cinco dias.

“Para a presente operação perspectiva-se um movimento migratório de 372,053 viajantes, contra 356,672 da Operação Páscoa 2025, o que representa um aumento de 17 mil viajantes. A previsão do aumento justifica-se  pelo facto da situação sociopolítica do país ser calma e ordeira, contra o período anterior”, explicou Juca Bata, porta-voz do SENAMI.

Este ano, espera-se que mais pessoas entrem e saiam do país para celebrar a morte e ressurreição de Cristo ou até para lazer. Da parte moçambicana, as autoridades garantem condições para reduzir o tempo de espera nas fronteiras, entre as quais, “diminuir o tempo de espera no desembaraço aduaneiro de pessoas e bens; garantir o controlo do contrabando de mercadorias e pessoas nos postos de travessia; reforçar medidas de controlo migratório e inspeção documental”, entre outras. 

Devido ao aumento do fluxo, os horários das fronteiras serão estendidos.

“Nos postos de travessia de Ponta D’Ouro e Mandimba o horário passará a ser das 06 até as 18 horas, contra 07 às 18 horas, tendo em conta o acordo alcançado com a República da África do Sul, para a extensão dos horários de funcionamento”

Lançada a 27 de Março último, a Operação Páscoa registou nos primeiros quatro dias o movimento fronteiriço de 71 mil viajantes.

O filósofo e pesquisador José Castiano diz que as desigualdades sociais em Moçambique, onde há poucos ricos e muitos pobres, são o maior perigo para a democracia, por isso propõe a adopção do que chamou de democracia reconciliadora. 

Castiano falava durante a aula de sapiência orientada para estudantes de Filosofia da Universidade Eduardo Mondlane, sobre vida e obra de Luísa Diogo.

A Faculdade de Filosofia da Universidade Eduardo Mondlane convidou, nesta terça-feira, o pesquisador e vice-reitor da Universidade Pedagógico de Maputo, José Castiano para orientar uma aula de sapiência, em homenagem à vida e obra de Luísa Diogo. 

Durante mais de uma hora e meia, Castiano defendeu a tese de que Diogo morreu defendendo que a reestruturação económica não pode ignorar a justiça social. 

“Ela defendeu com todas as energias a questão da igualdade social, a questão do acesso à saúde, a questão do acesso à educação e aos outros benefícios. Para quem lê a “Sopa de Madrugada”, para quem lê e ouve as suas intervenções, vai certamente notar a insistência que fazia para resistir à destruição dessas conquistas da fase socialista”, defendeu o filósofo.

O pesquisador recorda, triste, que Luísa Diogo conseguiu o perdão de uma dívida pública, em 2005,  no âmbito da iniciativa Países Pobres Muito Endividados, cujo esforço parece não ter valido a pena. 

“Uma pessoa que conseguiu libertar-nos da dívida externa,  para depois ver, ainda em vida, o processo de reendividamento, escandaloso.  O grande desafio que nós temos, como Moçambique, é lidar com o problema da dívida externa,  porque ela, em vez de nos ajudar, está nos empobrecendo cada vez mais. O exemplo da Luisa foi um, mas há outros exemplos. Mas o mais importante é olharmos para nós nas condições de hoje”.

Outro desafio apontado como de urgente resolução é a Soberania Alimentar.

“Nenhum país vive feliz quando come o que não produz e não produz o que come. Soberania alimentar significa comer o que você produz e produzir o que você quer comer. Não estou a dizer que não possa comer queijo, só porque não produz. o deve ser feito é produzir dinheiro suficiente para ter capacidade para comprar os produtos”, disse. 

A solução, diz o filósofo, é a adopção do que chamou de democracia reconciliadora. 

“Eu estou convencido que a maior divisão que Moçambique tem entre o rico e o pobre,  esta é que vai minar a nossa unidade nacional. Quando esta divisão começar a crescer, hoje 20% comem 80% da população, 20% dos nossos ricos comem 80% do que produzimos, e os 80% comem apenas 20%.  Esta é uma desigualdade extrema. Então uma democracia não pode sobreviver nessas condições. Temos que encontrar formas de uma democracia reconciliatória no seu sentido social do tempo”, concluiu. 

O evento contou com a presença do viúvo, filhos e familiares de Luísa Diogo, que agradeceram o reconhecimento das obras da finada. 

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