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O analista Anísio Buanaissa diz que as detenções que estão a ocorrer em Gaza relacionadas com o desvio de donativos para as vítimas da cheias revelam que as instituições estão contaminadas e, sobretudo, demonstram a degradação de valores. 

Buanaissa entende que este caso revela fragilidades nas instituições e defende que, caso seja provado, todos os implicados no caso, devem ser responsabilizados, de modo a desencorajar esses actos. 

Mais do que isso, defende ainda maior controlo das doações destinadas à ajuda humanitária. Recorde-se que mais de oito pessoas já foram detidas em conexão com o caso de desvio de donativos em Gaza e as autoridades prometem continuar a trabalhar para identificar mais implicados.  

 

O Governo está aberto para introduzir reformas no ensino superior caso os intervenientes do sector e a sociedade civil sintam a necessidade de mudanças que visem adequar a realidade do país.

Abertura do governo para avaliação  do ensino superior no país foi anunciada pelo secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior, Edson Macuacua, durante a sua visita a Cabo Delgado

Além de possíveis reformas, o  Secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior falou do problema de assédio sexual nas universidades e deixou algumas orientações na provincia.

Em Cabo Delgado, o Secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior visitou universidades e manteve encontros com os membros do governo da província.

O Parque Nacional da Gorongosa recuperou 160 pangolins em oito anos, retirando-os da rota do tráfico e de alimentarem crenças locais de “sorte”, segundo explicou à revista Lusa o administrador daquela área de conservação.

“Nós conseguimos recuperar 160 pangolins desde 2018 até hoje”, disse Pedro Muagura, administrador do Parque Nacional da Gorongosa (PNG) em Sofala.  

Dos 160 pangolins recuperados, 121 foram encontrados no mercado ilegal, maioritariamente para exportação, e os restantes 39 entregues voluntariamente pelas comunidades nos arredores do parque, que “já sabem que constitui crime ambiental” a sua captura.

Na rota do tráfico, que abrange também as províncias centrais de Manica, Zambézia e Tete, a espécie pode passar por até 20 negociadores e mediadores, tendo, na sua maioria, o mercado asiático como destino, avançou Pedro Muagura, acrescentando que é na troca de mediadores que “a informação às vezes escapa” e chega ao parque.

“No nosso país existem pessoas que acreditam que quem tiver uma peça de pangolim vai ter muita sorte, então as pessoas dentro do país acabam tendo esses animais para esses fins, mas o maior número de entrevistados diz que é para vender para um patrão”, referiu o administrador do parque.

Refira-se que o pangolim tem a particularidade de ser o único mamífero terrestre totalmente coberto por escamas e a sua presença é cada vez mais rara.

Em Junho de 2026, a província de Nampula vai acolher a Gala de Turismo de Moçambique & Fórum de Turismo e Investimentos, uma plataforma nacional de reconhecimento e alinhamento estratégico dedicada ao futuro do turismo no País.

Num contexto de crescente pressão competitiva no mercado global, a província de Nampula vai acolher a Gala de Turismo de Moçambique & Fórum de Turismo e Investimentos, uma plataforma nacional de reconhecimento e alinhamento estratégico dedicada ao futuro do turismo no País.

O fórum trará para o centro da discussão uma questão essencial, nomeadamente sobre os os produtos turísticos que Moçambique está preparado para estruturar, priorizar e vender com escala, e como alinhá-los a mercados estratégicos capazes de garantir fluxo e retorno.

O sector irá discutir posicionamento, escala, segmentação, competitividade e articulação entre políticas públicas e iniciativa privada, num espaço que reúne Governo, sector privado, investidores, especialistas e representantes provinciais.

Cada província será desafiada a apresentar uma proposta concreta de produto a desenvolver, criando uma base comparativa internacional e promovendo o intercâmbio com especialistas de destinos globais que já dominam o empacotamento, a segmentação e a comercialização de experiências semelhantes.

Paralelamente, a Gala de Turismo de Moçambique reconhecerá os protagonistas que, diariamente, sustentam o sector, empresários, operadores, comunidades, investidores e instituições que mantêm a cadeia de valor activa e resiliente.

A escolha de Nampula como província anfitriã reflecte a sua massa crítica económica e demográfica, bem como o seu papel estruturante no Norte do País. Com cerca de sete milhões de habitantes, uma dinâmica comercial intensa e um mercado interno activo, Nampula reúne condições de escala raras no contexto nacional.

Aproveitando esta oportunidade, o Conselho Executivo Provincial decidiu realizar, em paralelo, um Fórum Provincial de Investimentos, com o objectivo de mobilizar investidores e reforçar o papel da província como pólo estruturante do turismo no norte do país.

A articulação com o Corredor de Nacala, as ligações ferroviárias e portuárias, a proximidade com mercados regionais e o potencial do seu aeroporto internacional reforçam a sua posição como ponto de mobilidade, integração regional e distribuição turística.

Ao mesmo tempo, concentra diversidade de oferta, património histórico, litoral e ilhas, cultura viva, gastronomia identitária e uma economia vibrante.

O fórum, integrado no contexto da Gala, pretende viabilizar projectos concretos de investimento em destinos como Crussi Jamal, Ilha de Moçambique, Mossuril e Nacala, alinhando-se com a estratégia do Governo de diversificar os pólos turísticos para além de Vilankulo/Inhambane, reconhecida como a Capital Nacional do Turismo.

Trata-se de um momento de convergência sectorial, decisivo para alinhar visão, produto e mercado no turismo moçambicano.

O lançamento oficial da Gala de Turismo de Moçambique & Fórum de Turismo e Investimentos decorreu no passado dia 4 de Fevereiro, na Ilha de Moçambique, e contou com a presença do Secretário de Estado do Turismo, Fredson Bacar; do Governador da Província de Nampula, Eduardo Abdula; e outras personalidades

O acto contou igualmente com a presença de Vanessa Cadir, administradora da Media Craft Mozambique, bem como de outras autoridades governamentais e autárquicas, representantes distritais e agentes económicos provenientes de diversos pontos da província.

O momento marcou o arranque formal desta agenda estratégica e evidenciou a mobilização institucional e empresarial em torno da iniciativa.

As confirmações institucionais e sectoriais adicionais serão anunciadas nos próximos dias, reforçando a dimensão nacional e estratégica desta plataforma.

A Gala Nacional do Turismo e o Fórum Provincial de Investimentos complementam a visão nacional de promoção e atracção de investimentos, reforçando o turismo como área estratégica de diversificação económica e de credibilidade internacional.

A vice-ministra adjunta do Canadá para África, Cheryl Urban, anunciou, no encerramento da sua visita a Moçambique, um apoio de 5 milhões de dólares destinado à ajuda humanitária pós-cheias.

Durante a sua visita, Urban reuniu‐se com altos quadros do Governo, incluindo o ministro da Economia, Basílio Muhate, para analisar a parceria de desenvolvimento de longa data e explorar oportunidades para aprofundar a cooperação no âmbito da Estratégia do Canadá, para África: Uma Parceria para Prosperidade e Segurança Partilhadas.

A governante reuniu-se, igualmente, com Ussene Hilário Isse, ministro da Saúde, a fim discutir os investimentos contínuos do Canadá no reforço do sistema de saúde nacional. Como parte deste apoio, em parceria com a Plan International, foram entregues quatro ambulâncias ao Ministério, destinadas à província de Nampula, no âmbito de um projecto global de 19,2 milhões que abrange os distritos de Ilha de Moçambique, Meconta, Ribáuè e Mogovalas.

A vice-ministra adjunta do Canadá para África reuniu-se também com mulheres líderes, organizações da sociedade civil e parceiros multilaterais, reiterando o forte compromisso do Canadá com os princípios democráticos, a governação inclusiva e o desenvolvimento sustentável.

Perante o cenário de cheias, Urban transmitiu uma mensagem de solidariedade do governo do Canadá solidarizou-se com o Governo e o povo moçambicano.

Está  detida, desde a noite de terça-feira, na 2ª esquadra  da Polícia da República de Moçambique (PRM), a  vereadora das finanças do Conselho Municipal de Xai-Xai, Cláudia Eli, por suspeita de conexão no caso de desvio de donativos destinados às vítimas das cheias. 

A detenção de Cláudia Eli sucede 24 horas após ter sido detida a Administradora da Província de Xai-Xai, Argelência Chissano, da Diretora do gabinete da governadora de Gaza e um fiel do armazém do governo distrital.

 O chefe do gabinete  jurídico do Conselho Municipal de Xai-Xai, Simão Simbine, que  confirma a detenção, avança que “teriam sido  encontrados na garagem da residência oficial do Conselho Municipal cerca de 75 kits de produtos alimentares destinados às vítimas das cheias”.

No entanto, esclarece que  os bens em causa foram “depositados na residência protocolar do município de Xai-Xai, com conhecimento do governo distrital e doadores, após denotar-se a falta de condições de armazenamento no  armazém de governo distrital”.

Com esta detenção sobe para cinco o número de detidos na sequência do suposto desvio de donativos destinados às vítimas das cheias em Gaza.

 

A província de Nampula registou, desde a eclosão do surto de cólera, um total de 2.714 casos da doença, resultando em 33 óbitos. De acordo com dados das autoridades sanitárias, 25 das mortes ocorreram ao nível das comunidades e as restantes oito foram registadas em unidades de saúde.

Perante o agravamento da situação, o sector da Saúde anunciou o reforço das medidas de controlo e prevenção, com destaque para uma campanha de vacinação preventiva em larga escala, a arrancar na próxima semana. A iniciativa pretende abranger cerca de 845 mil pessoas com idade igual ou superior a um ano.

A campanha será implementada no sistema de Calaporto e deverá adaptar-se ao contexto sociocultural da província, onde a maioria da população professa a religião islâmica. Considerando que o mês em curso é marcado pelo período de jejum religioso, as autoridades sanitárias decidiram ajustar a estratégia de vacinação.

“Pretendemos levar a cabo várias actividades com vista a minimizar a situação e num futuro breve conseguirmos mitigar a situação. Uma delas é mesmo esta que vamos levar a cabo a partir da próxima semana, que é a vacinação preventiva dos casos ao nível do sistema Calaporto. Nós pretendemos vacinar perto de 845 mil utentes com uma idade compreendida de 1 ano para frente e tendo em conta o contexto actual”, disse Jaime Miguel, porta-voz da Direcção Provincial de Saúde Pública em Nampula.

Além das brigadas móveis habituais, equipas de saúde serão destacadas para actuar junto às mesquitas no horário da quebra do jejum. As equipas também percorrerão comunidades a partir das 17 horas, com o objectivo de alcançar as pessoas que não consigam ser vacinadas durante o dia.

“Sabemos muito bem que na província de Nampula a maior parte da população professa a religião muçulmana e sabemos muito bem que este mês é um mês de sacrifício, por isso pensamos em levar algumas equipas a estarem nas mesquitas no horário da quebra de jejum e também que possam passar ao nível das comunidades”, disse.

A vacina contra a cólera é administrada por via oral, o que exige cuidados redobrados durante o período de jejum. Por essa razão, a imunização será realizada apenas após a quebra do jejum, respeitando as práticas religiosas da população.

A campanha será realizada em duas doses, com intervalo de 15 dias entre cada administração. A primeira fase está prevista para decorrer entre os dias 2 e 6 de Março. Duas semanas depois, as equipas regressarão às mesmas residências e comunidades para assegurar a aplicação da segunda dose.

As autoridades apelam à adesão massiva da população, sublinhando que a vacinação é uma das principais medidas para conter a propagação da doença e reduzir o número de casos e mortes na província.

Há fraca procura por material escolar, na cidade de Maputo, a menos de uma semana para o arranque do ano lectivo. Os comerciantes queixam-se de prejuízos e acreditam que a fraca afluência se deve à falta de dinheiro. 

A retoma às aulas está prevista já para a próxima segunda-feira e a expectativa dos pais e encarregados de educação em ver os seus educandos de volta à escola são maiores, depois de muito tempo em casa. 

Carolina Mucavele reservou as primeiras horas desta terça-feira para procurar uniforme e material escolar para a sua filha e explicou que “as expectativas são boas e dizer que as crianças já estavam bem ansiosas para voltar à escola, depois de ter ficado tanto tempo em casa, estão mesmo com muita ansiedade”. 

Neste momento decorrem os últimos acertos e Kilyan, aluno que vai frequentar a sétima classe também procurava uniforme escolar, na companhia da sua avó. 

“Vim com meu neto comprar uniforme. Estamos felizes porque encontramos bom, agora estamos a ver os sapatos. Os preços são bons, são normais”, explicou a encarregada de educação. 

O que mais se vê em várias lojas e avenidas da cidade e Maputo é uniforme e material escolar diverso.

Entretanto, as filas longas e enchentes de quem procura, que habitualmente caracterizam esta época são ainda inexistentes. 

Ainda não estão a comprar material escolar. As pessoas dizem que ainda não têm dinheiro. Até dias atrás era normal passar um dia sem receber se que um cliente, mas ultimamente compram pelo menos uma embalagem, duas embalagens”. 

Os comerciantes lamentam a fraca procura e esperam por dias melhores. 

“Os cadernos que vendemos estão a um preço acessível.O caderno sul-africano, por exemplo,  estamos a vender a 180 e temos aquele nacional a 125 meticais”.

Em várias lojas, logo cedo alguns clientes procuravam por uniforme escolar, embora a meio gás, e falaram de facilidades de acesso. 

O início das aulas está previsto para 02 de Março, depois de ter sido adiado devido aos impactos trazidos pelas inundações. 

A administradora de Xai-Xai, Argelência Chissano, a directora do Gabinete da Governadora de Gaza, Dora Artur, e um fiel de armazém foram detidos, acusados de desvio de donativos destinados às vítimas da cheias, avaliados em mais 350 mil meticais. Ainda em Gaza, no distrito de Chibuto, foi detido mais um funcionário do governo distrital em conexão com o caso

A administradora de Xai-Xai, Argelência Chissano, foi detida desde a noite desta segunda-feira, acusada de desviar donativos destinados às vítimas das recentes cheias na capital provincial de Gaza. Juntamente com Chissano, foram detidas a directora do Gabinete da Governadora de Gaza, Dora Artur, e um funcionário do armazém do governo distrital.

Segundo informações do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), os detidos serão apresentados aos juízes de instrução para o primeiro interrogatório na cadeia de prisão preventiva junto à segunda esquadra da PRM de Xai-Xai.

“Foram detidos no dia de ontem (segunda-feira) e, junto a um expediente, serão presentes aos juízes de instrução para efeitos do primeiro interrogatório, na cadeia de prisão preventiva junto à segunda esquadra da PRM da cidade de Xai-Xai, e, entrevistados na ocasião sobre o destino dos bens, responderam que os mesmos seriam transportados para o centro de acolhimento da Escola Secundária de Tavene”, disse Zaqueu Mucambe, porta-voz do SERNIC em Gaza. 

Parte significativa dos donativos foi encontrada escondida nas residências dos envolvidos.

Na operação iniciada no domingo, o SERNIC apreendeu produtos avaliados em mais de 350 mil meticais, incluindo 218 colchões, 41 fardos de roupa usada, 103 sacos de farinha de milho, 20 sacos de arroz de 25 kg, três caixas de óleo vegetal de dois litros, dois sacos de feijão manteiga de 50 kg, nove embalagens de açúcar, uma caixa de feijão enlatado, sete caixas de sabão bingo, 1 kg de top score (farinha de milho), duas caixas de leite, nove caixas de massa tomate, 19 caixas de vinagre, 26 caixas de água mineral, 19 caixas de atum, 20 caixas de tomate sauce, seis embalagens de pasta dentífrica de marca Colgate, sete embalagens de escovas de dente, 140 caixas de massa esparguete, três caixas de bolachas, 40 sacos de arroz de 50 kg, 25 caixas de óleo vegetal, uma caixa de mata-mosquito e uma caixa de capulanas.

“Com base nas quantidades até o momento apurado, estima-se o prejuízo que possa ultrapassar 350 mil meticais. O desvio causou prejuízo directo aos beneficiários legítimos dos donativos”, disse o porta-voz do SERNIC.

O caso, que já ganhou destaque mediático, pode levar à detenção de outros funcionários públicos nos próximos dias. Na tarde desta terça-feira, um novo funcionário do armazém do Governo Distrital de Chibuto foi detido. O SERNIC reafirma que continuará a investigar e a punir os envolvidos em crimes relacionados à gestão de donativos.

“A posição que ocupa não tem nada a ver. O SERNIC vai continuar a fazer o seu trabalho e será implacável na questão da criminalidade. Com certeza, está-se a fazer um trabalho adicional, conforme nos referimos aqui, que há indicações de haver um número de funcionários públicos envolvidos neste caso”, confirmou Zaqueu Mucambe.

As cheias em Gaza levaram à activação de mais de 40 centros de acomodação, abrigando cerca de 80 mil pessoas, todas dependentes de assistência humanitária para recomeçar a vida. O desvio de donativos agrava ainda mais a vulnerabilidade dessas famílias.

 

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