O País – A verdade como notícia

Transportadores que operam na rota África do Sul–Moçambique, com partidas no Terminal da Junta, ressentem-se da crise de combustíveis e dizem enfrentar dificuldades tanto para realizar viagens como para angariar passageiros.

A crise de combustíveis que afecta o país desde a semana passada já começa a ter impacto nas viagens internacionais. No Terminal da Junta, os passageiros com destino à África do Sul são obrigados a enfrentar longos períodos de espera. Porque, mesmo lá, o combustível subiu, as chapas também aumentaram os preços.

“Quando voltei para aqui, encontrei essa situação também. Não há combustível… não há transporte que funcione neste momento. Estamos aqui sentados até esta hora, nada está a dar certo, mas Deus é que sabe… estamos muito mal mesmo”, disse Beatriz, uma utente que aguardava por viagem à África do Sul no Terminal da Junta.

Na espera, acumulam-se prejuízos. A incerteza quanto à hora e, por vezes, ao dia de partida coloca em causa negócios e empregos de moçambicanos na África do Sul.

“Não, não é normal. Porque às vezes temos de ganhar tempo… não é normal. Claro que sim, porque amanhã tenho de estar no serviço. Mas, se sairmos daqui à tarde, significa chegar lá tarde também amanhã”, reclamou outra utente, que desde as sete horas aguardava por transporte com destino à África do Sul.

Para minimizar os impactos, alguns transportadores optam por abastecer na África do Sul, de forma a evitar constrangimentos no trajecto de regresso a Maputo. Ainda assim, persistem dificuldades para garantir combustível suficiente para a viagem de retorno, agravadas pelo reajuste de preços no país vizinho.

“Estamos a enfrentar muitas dificuldades devido à situação do combustível, porque os nossos carros são obrigados a abastecer na África do Sul para poder ter reserva e vir buscar passageiros. Mas, considerando que lá também subiu bastante, até o próprio passageiro tem dificuldades para se deslocar até à praça”, explicou Fernando Jerónimo, transportador da rota.

A situação é agravada pela fraca procura. Os operadores queixam-se de dificuldades na angariação de passageiros, num contexto marcado também por limitações nas ligações interprovinciais e interdistritais.

“Nós, na área internacional, temos agora falta de passageiros. Não sei se as pessoas não estão a conseguir chegar aqui por falta de transporte. Nós temos combustível na África do Sul, mas está mais caro. Antes, um carro destes gastava cerca de 2.000 rands, agora chega a 4.000 rands, com o litro a cerca de 32 rands. Isto é um caos”, disse Artur Mutisse, outro transportador.

Os responsáveis pela rota mostram-se preocupados, mas asseguram que têm mantido o diálogo com os transportadores, com o objectivo de evitar a subida dos preços das passagens.

“Trabalhamos assim: no início do ano há sempre uma taxa que ajustamos por causa da subida do combustível. Em Janeiro aumentámos 30 rands, mas agora já não. Mantemos o preço desde então”, explicou Jonas Fumo, responsável da rota África do Sul.

Segundo o responsável, “às vezes um carro fica dias sem carregar. Quando chega a vez de carregar, em vez disso anda à procura de combustível e não encontra. Nesse caso, não pode viajar. Temos de arranjar outro carro que tenha combustível para ir até à fronteira”.

Apesar de o Governo garantir a existência de combustível suficiente no país, várias bombas continuam, este domingo, com longas filas, enquanto outras permanecem encerradas

Associação dos Transportadores Rodoviários em Inhambane denuncia mercado paralelo em alta, com revenda a preços inflacionados que agrava a crise e penaliza transportadores

Há sinais que não precisam de explicação. Filas que se estendem por quilómetros, motores desligados, pessoas à sombra dos carros à espera de um recurso que deveria ser básico. Em Maxixe e Inhambane, o combustível deixou de ser apenas um produto, tornou-se um problema diário, uma corrida contra o tempo e, para muitos, uma ameaça directa à sobrevivência económica.

Ao longo da Estrada Nacional número 1, na cidade da Maxixe, a imagem que repete-se é de longas filas de viaturas que avançam lentamente, quase sem esperança. Com apenas uma bomba a vender diesel, a procura disparou para níveis que o sistema não consegue suportar. Há automobilistas que passam até quatro horas à espera para conseguir, no máximo, 30 litros. Para quem depende do combustível para trabalhar, esse tempo perdido tem um peso real.

“Desde que saí de Inhambane, estou a rodar pelas bombas desde as dez da manhã. Ainda não consegui combustível”, conta Sérgio António, um automobilista visivelmente cansado. A frustração é partilhada por muitos que, ao longo do dia, fazem contas ao prejuízo acumulado. Um dia parado é um dia sem rendimento.

Na mesma fila estão também camiões de carga, alguns com destinos longínquos. Latifo conduz um camião frigorífico com destino a Nacala, na província de Nampula. Mas a viagem foi interrompida na Maxixe. Ficou retido durante cinco horas à espera de combustível. “Tenho que abastecer para conseguir avançar. Não há outra opção”, diz, num tom que mistura urgência e resignação.

A situação torna-se ainda mais crítica quando se percebe que o problema não está apenas concentrado num ponto. Há relatos de outras bombas com limitações severas, algumas abastecem apenas até 100 litros por camião, outras simplesmente não têm combustível. O resultado é um sistema fragmentado, incapaz de responder à procura.

Sem solução na cidade de Inhambane, muitos condutores atravessam para a Maxixe numa tentativa desesperada de garantir algum combustível. Mas o esforço nem sempre compensa. Casimiro, que fez exactamente esse percurso, conseguiu apenas 10 litros. “Não está a ser fácil. Todas as bombas em Inhambane não têm diesel. Aqui na Maxixe também só temos uma. E ninguém sabe como será nas próximas horas”, relata.

Para os transportadores, a crise já se traduz em perdas concretas. O sector, altamente dependente do diesel, começa a sentir o impacto de forma directa. Viaturas paradas, viagens canceladas, receitas comprometidas. “É um dia perdido”, resume um operador, consciente de que o tempo que passa na fila é tempo que não volta.

E o problema vai além do transporte individual. A Associação dos Transportadores Rodoviários de Inhambane confirma que o cenário é cada vez mais difícil. O abastecimento é feito com fortes restrições, o que limita a produtividade e reduz a capacidade de resposta do sector. Abdul Razaque, presidente da associação, não esconde a preocupação. “Estamos limitados. O tempo que se perde na fila é tempo que não permite voltar à actividade”, afirma.

Mas há um outro fenómeno que começa a ganhar espaço e que agrava ainda mais a situação. O mercado paralelo de combustível. Segundo Abdul Razaque, parte do combustível abastecido em bidões não vai directamente para viaturas, mas sim para revenda a preços muito mais elevados. “Os transportadores acabam por comprar porque não podem parar. E isso está a pressionar ainda mais os custos”, explica.

Num contexto já marcado pela escassez, esta prática cria um efeito em cadeia: aumenta os preços, reduz o acesso e empurra ainda mais operadores para fora da estrada. Alguns já começaram a desistir. Sem combustível, não há actividade. E sem actividade, não há rendimento.

Perante este cenário, instala-se um clima de incerteza. Ninguém consegue prever o que vai acontecer nas próximas horas. “Sem combustível, não há nada que se ande”, diz um automobilista, num desabafo que resume o sentimento geral.

Enquanto isso, em Inhambane, um pequeno sinal de alívio surgiu na madrugada de domingo. Uma das gasolineiras recebeu uma nova carga de diesel. Para quem conseguiu chegar a tempo, foi uma oportunidade de retomar a actividade. Benito, por exemplo, conseguiu finalmente abastecer depois de ter deixado o carro parado durante horas. “Agora vou encher o tanque. Pelo menos consigo trabalhar”, afirma.

Mas nem todos tiveram a mesma sorte. Há viaturas que continuam paradas há dias. António conta que o seu carro está imobilizado há quase três dias. Tentou abastecer na Maxixe, mas não conseguiu. “Fui ontem, não apanhei. Fui hoje, também não. Agora só me resta esperar”, diz.

Para muitos, a solução passa por recorrer a bidões, uma alternativa improvisada que, embora ajude, não resolve o problema de fundo. É apenas mais um sinal de adaptação a uma realidade que se tornou insustentável.

Neste momento, apenas uma bomba na cidade de Inhambane está a abastecer diesel. As outras duas têm apenas gasolina, um produto que não responde às necessidades da maioria dos transportadores. O desequilíbrio entre oferta e procura mantém a cidade em alerta.

E é precisamente aí que está o ponto crítico, pois o sistema não está preparado para responder a este nível de pressão. Cada reposição traz alívio momentâneo, mas não resolve o problema estrutural. Enquanto isso, cidadãos, transportadores e empresas continuam a adaptar-se, como podem, a uma crise que insiste em prolongar-se.

 

Carlos Martins e Duarte Casimiro, actual e antigo Bastonário da Ordem dos Advogados, consideram que o Governo devia recuar e suspender o decreto que clarifica a fixação de regalias  para antigos Chefes do Estado. Os juristas entendem que não há condições, neste momento, para o país oferecer tais regalias.

Carlos Martins concorda que os antigos Chefes do Estado tenham um tratamento especial, mas considera que, neste momento, não é oportuno.

“Esta onda de críticas resultam de uma tensão muito profunda dentro da nossa sociedade relativamente a questões de desigualdades sociais e privilégios das elites. Não é propriamente uma questão de dar ou não dar dignidade aos nossos ex-dirigentes, que até o merecem, mas é uma questão efectiva de prioridade, num país com desigualdades gritantes. Com a falta de recursos, são questionáveis estes tipos de regalias”, explicou.

Um questionamento fundamentado por Duarte Casimiro, que acrescenta que “a medida por si só pode ser tomada, mas numa fase como esta em que as coisas não estão muito bem em termos sociais, parece-me um pouco descontextualizado”.

Os juristas sugerem que o Governo tome em consideração as críticas da sociedade, desde que o assunto passou a ser matéria de reflexão, e recue da sua decisão.

“Nós entendemos que devemos fazer uma reflexão sobre esta decisão do Governo e voltar para trás. Recuar de uma decisão não é um sinal de fraqueza, é um sinal de reflexão, é um sinal de amadurecimento. Portanto, nós entendemos que o clamor da sociedade deve ser ouvido e mesmo os antigos chefes de Estado devem refletir também. É verdade que não foram eles que decidiram, mas devem refletir se faz sentido efectivamente isto num contexto em que Moçambique enfrenta questões como falta de medicamentos, pagamentos de salários em atraso, se faz sentido este tipo de regalias.” Sugeriu Carlos Martins, Bastonário da Ordem dos Advogados.

O Decreto do Conselho de Ministros que uniformiza o tratamento dos antigos Chefes do Estado determina, entre outros benefícios, a alocação de um total de oito viaturas, salário, férias anuais com direito a viagem suportada com fundos públicos e plano de saúde. 

 

O Ministério dos Recursos Minerais e Energia alerta que é proibida a compra de combustíveis em recipientes plásticos. Já o Serviço Nacional de Salvação Pública explica que a conservação em casa pode causar incêndios.

Com a actual crise dos combustíveis, as garrafas plásticas são cada vez mais usadas para adquirir a gasolina e o gasóleo. Entretanto, associado a esta prática há o risco de incêndios, que podem até causar mortes.  

“Primeiro, na questão da própria compra em si. Temos observado a utilização de alguns recipientes de plástico, geralmente são recipientes de água ou até de refrigerantes que são utilizados para comprar e armazenar os combustíveis. É importante explicar que, a princípio, até já é proibido utilizar recipientes de plástico, sobretudo aqueles que conservam quantidades de água de 5 ou 6 litros, porque no processo de introdução de gasolina ou gasóleo,estes recipientes trazem consigo um fenômeno chamado corrente estática. Esta corrente estática, quando entra em fricção com os líquidos inflamáveis que estão em movimento a entrar para o interior do recipiente, pode ocasionar situações de faíscas e até incêndios. O mesmo também se pode dizer com relação, infelizmente, à utilização de plásticos, como conseguimos ver que está a começar a ser adoptada esta postura de compra de combustíveis com recurso a plásticos. Estamos em um cenário atípico, mas é importante ter algum bom senso e algum sentido de segurança, principalmente, entendendo que a gasolina é um líquido que arde por vaporização”, explicou Leonildo Pelembe, porta-voz do Serviço Nacional de Salvação Pública. 

O recipiente recomendado para a compra de combustíveis são os metálicos com a devida descrição., segundo o Ministério dos Recursos Minerais e Energia.

São exatamente os metálicos, que já vem a mesma descrição, que é para combustível. Esses são os que são os recipientes corretos e adequados para que se faça o transporte de combustível. Mas, logicamente, porque nem todos têm condições ou conseguem ter esse tipo de recipientes, há-de-se espaço para que alguns recipientes plásticos, como, por exemplo, aqueles que são para lubrificantes, que são um bocadinho mais rígidos, oferecem alguma proteção, alguma segurança no transporte de combustível”, disse Aldino Malice, Inspector-Geral do MIREME

Conservar tais combustíveis em residências também é arriscado, alerta o Serviço Nacional de Salvação Pública.

Tem havido uma grande tendência de conservar estes combustíveis nas residências. Queremos chamar a atenção que estamos num período caracterizado por mudanças climáticas, em que por vezes vamos acordar com temperaturas altas e está conservação de combustíveis, sobretudo em relação à gasolina, mais uma vez, se for feita dentro das residências, ela vai libertar vapores e até pode ser necessário o suficiente apenas de ligar o interruptor para que haja um incêndio dentro da residência. Por isso é que não se pode conservar primeiro em recipientes plásticos porque pode haver fuga, pode haver corrosão, pode haver libertação de vapores, até pode haver derretimento do próprio plástico em si

Diante da aquisição massiva usando os referidos recipientes plásticos, o Ministério dos Recursos Minerais suspeita que seja para a revenda clandestina.

Queremos evitar que a especulação que está sendo feita seja crescente. Há pessoas que vão, eu acredito que sim, só vão acumular o combustível porque depois querem fazer um negócio. Acreditamos que exigem pessoas de má fé que tenham esse pensamento. Queremos evitar que isso aconteça. É por isso que se existe. É uma viatura que está parada porque acabou o combustível. Tem como comprovar. Tem um livrete, vai usar o livrete”.

Com vista a combater tais situações, o MIREME diz estar atenta ao cumprimento das normas nos postos de abastecimento. 

O Ministério dos Recursos Minerais e Energia desmente que o país tenha falta de combustíveis para abastecer o mercado,  e esclarece que os retalhistas têm tirado quantidades suficientes no porto da Matola, daí que não se explica a escassez que se verifica nos postos de abastecimento. A Direção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis saiu hoje para fiscalizar alguns pontos de venda.

Quase uma semana depois do caos provocado pela falta de combustíveis, um pouco por todo o país, uma equipa do Ministério dos Recursos Minerais e Energia decidiu escalar, na manhã de sábado (18), alguns postos de venda de combustível para entender de perto as causas da escassez. 

No terreno, os técnicos da Direcção Nacional de Hidrocarbonetos e combustíveis fizeram medições nos tanques e confrontaram os gestores….Depois exigiram provas documentais, a porta fechada… 

E a constatação da equipa, chefiada pela Directora Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, Felisbela Conhete foi imediata. 

Não, não, não. Não há crise de combustível porque nós temos combustível. O combustível está lá nos portos”.

E fundamenta: “Há um comportamento anormal nas bombas. Embora exista combustível nos tanques, este combustível aparentemente não está a chegar às bombas. Então, nós constituímos equipes, estamos a trabalhar na cidade de Maputo, na Matola também, são várias equipes para, de facto, aferir se aquilo que os retalhistas requisitaram está a chegar efectivamente às bombas”. 

Indignada com as constatações, Felisbela Conhete diz que a crise é provocada pelos distribuidores e promete mão dura. 

“Há combustível no porto da Matola, que é o porto que distribui, então não pode haver escassez de combustível. Nós queremos agora perceber o que está a acontecer na cadeia de distribuição deste combustível.  Nesta bomba, nós constatamos que há algumas discrepâncias entre aquilo que foi requisitado e aquilo que efectivamente chegou às bombas. Já tomamos nota, já também temos o registro, temos conhecimento de quem é a distribuidora que abastece nesta bomba  e vamos interagir com esta distribuidora, vamos atuar para saber porque é que realmente não está a fazer a entrega do combustível”.

“NÃO FAZ SENTIDO ESSE COMBUSTÍVEL NÃO CHEGAR ÀS BOMBAS”

A gestora reitera que a situação é criada, por alguma razão ainda desconhecida, durante a cadeia de distribuição, no caso, pelos distribuidores, cuja actividade é por eles licenciada.

“Não faz sentido essas filas que nós vamos assistir, porque o combustível saiu. Então, o nosso trabalho é encontrar esse nó de estrangulamento, e nós devemos encontrar, porque todos esses são nossos operadores e seremos implacáveis”, declarou.

Entre as preocupações, está a limitação da quantidade de combustível a abastecer em cada posto. Conhete condena o acto, mas reconhece a sua prática e as suas razões. 

“Eles estão a receber as menores quantidades em relação àquilo que têm estado a requisitar e, por essa razão, eles acham que é melhor reduzir aquilo que são os abastecimentos, por forma a poder abastecer a todos. Então, é uma iniciativa dos próprios gestores, não é uma instrução governamental. Nós achamos que isto se corrige se eles puderem receber aquilo que efectivamente estão a requisitar. Então, o nosso esforço aqui é desbloquear esse nó de estrangulamento na cadeia de distribuição, nós temos que desbloquear isso”.

Com notícias de abertura, embora parcial do Estreito de Ormuz, os automobilistas auguram que a crise passe e as suas vidas voltem ao normal, depois de semanas de agitação.  

A Comissão Nacional de Direitos Humanos exige autonomia financeira e reconhecimento constitucional da instituição. O reconhecimento, segundo o presidente do órgão, vai permitir à instituição cumprir integralmente o seu mandato sem limitações financeiras.

A Comissão Técnica para o Diálogo Nacional Inclusivo ouviu, esta sexta-feira, em mesa redonda, as aspirações da Comissão Nacional de Direitos Humanos. Os comissários esperam que, ao fim do diálogo nacional, haja mudanças na composição da comissão.

“O facto de termos o executivo a interferir directamente na forma como os comissários são designados, enfraquece a independência da comissão (…) Outro aspecto é a questão da autonomia administrativa, ou o facto  de a Comissão de Direitos Humanos, por exemplo, poder discutir o seu orçamento”, reclamou  Clodoaldo Castiano | Comissário do CNDH, acrescentando que é preciso que a comissão discuta o seu orçamento com o parlamento.

O comissário acusa o Governo de enfraquecer o mandato da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, e apela à mudança no modelo de alocação do orçamento.

“A nossa Comissão não tem meios para funcionar. Todos os meios para o meu trabalho na comissão têm de ser do meu investimento, porque o Governo não nos está a dar nada. Mas acho que seja essa a democracia que nós queremos, onde a instituição que deve monitorar o Governo tem que ir para lá, para mendigar pelo que precisa para executar o seu mandato”, defendeu Castiano. 

Além da autonomia financeira e independência para a composição dos seus membros, Albachir Macassar, presidente do órgão, entende que a comissão precisa de dignidade constitucional. 

“A questão aqui não é só a Comissão Nacional dos Direitos Humanos, talvez temos que mudar a estrutura própria do sistema nacional dos Direitos Humanos, onde a CNDH está no centro. Está no centro porque é esta que tem legitimidade constitucional de responder que é o título III, o centro daquilo que são os direitos humanos. No entanto, esta mesma constituição que responde por esta área, não tem dignidade constitucional”, explicou o Presidente da CNDH. 

Na reunião com a Comissão Técnica do Diálogo Nacional Inclusivo, a Comissão Nacional dos Direitos Humanos discutiu, junto de juízes e advogados, mecanismos para o financiamento das suas actividades.

Um homem de 32 anos encontra-se detido no bairro Icidua, na cidade de Quelimane, acusado de matar a mãe com recurso a uma catana. Segundo a Polícia da República de Moçambique (PRM), o suspeito terá desferido vários golpes na região da cabeça da vítima, causando a sua morte. O crime terá ocorrido num contexto de conflitos familiares recorrentes.

De acordo com o marido da vítima, o relacionamento entre mãe e filho era marcado por desentendimentos, que se agravaram após a morte de um dos filhos do acusado, durante um surto de cólera. 

Depois do ocorrido, o indiciado passou a acusar a mãe de práticas de feitiçaria, o que terá intensificado as tensões no seio familiar. No entanto, o suspeito nega o crime, alegando que, no momento dos factos, se encontrava numa unidade hospitalar a acompanhar a esposa.

Segundo a Polícia da República de Moçambique (PRM), o suspeito terá desferido vários golpes na região da cabeça da vítima, causando a sua morte. O crime terá ocorrido num contexto de conflitos familiares recorrentes.

O acusado tem 32 anos e encontra-se detido na cidade de Quelimane.

A inflação anual fixou-se em 3,37% em Março, representando um aumento face ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados do Índice de Preços no Consumidor (IPC). Trata-se do segundo aumento consecutivo em 2026, confirmando uma tendência de agravamento do custo de vida, após a desaceleração registada no início do ano.

Depois de um início de ano marcado por queda dos preços, Moçambique registou uma subida do nível geral de preços no mês passado, para 3,37%, impulsionada, sobretudo, pelo custo dos alimentos e serviços de restauração.

As divisões de produtos alimentares e bebidas não-alcoólicas, bem como de restaurantes, hotéis, cafés e similares foram as que mais contribuíram para esta subida. Os preços dos alimentos continuam a exercer forte pressão sobre o custo de vida, num contexto ainda influenciado por perturbações nas cadeias de abastecimento e impactos de eventos climáticos recentes, nomeadamente, as cheias e inundações. 

Em termos mensais, o País registou uma subida de preços de 0,22% em Março, abaixo dos 0,68% verificados em Fevereiro, o que indica uma desaceleração no ritmo de aumento dos preços. Ainda assim, o comportamento dos preços mantém-se condicionado por factores internos, com destaque para o sector alimentar. 

Em Janeiro, a inflação anual situou-se em 3,04%, o nível mais baixo em mais de um ano, antes de subir para 3,20% em Fevereiro, reflectindo o impacto de cheias e ciclones que afectaram a produção e distribuição de bens essenciais.

A Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM MOZ) acolheu, nos dias 14 e 15 de Abril, em Maputo, uma delegação liderada pela Delegação da União Europeia em Moçambique (EUDEL), composta por representantes da Direcção de Paz, Parcerias e Gestão de Crises – Mecanismo Europeu de Apoio à Paz (EPF-PCM4) e do Serviço de Auditoria Interna da Comissão Europeia (EC-IAS).

A visita teve como principal objectivo analisar o estado actual dos materiais fornecidos às Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) no âmbito do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz (EPF), bem como avaliar futuras necessidades de aquisição em apoio aos requisitos operacionais em curso.

Durante a visita, a delegação recebeu apresentações com detalhes sobre as actividades realizadas pela EUMAM MOZ e o respectivo ambiente operacional, com especial enfoque nas condições em que a Missão desenvolve a sua actuação e no seu contributo para o reforço das capacidades das FADM.

O programa permitiu ainda obter uma perspectiva directa sobre o progresso no cumprimento dos Objectivos Estratégicos Militares, bem como identificar os principais desafios operacionais e estruturais actualmente enfrentados.

Foi dada particular atenção ao processo de regeneração das Forças de Reacção Rápida (QRF) no Campo de Treino da Katembe, um esforço central para o aumento da prontidão e eficácia das forças moçambicanas que operam na província de Cabo Delgado.

A visita enquadra-se no apoio contínuo da União Europeia a Moçambique através do EPF, que mobilizou um total de 85 milhões de euros em assistência para equipar unidades treinadas no âmbito da anterior Missão de Treino da União Europeia em Moçambique (EUTM MOZ). Este apoio inclui equipamento não letal, como equipamento individual de protecção, infra-estruturas de campanha, meios de mobilidade, dispositivos técnicos e um hospital de campanha, contribuindo para a constituição de onze QRF.

Ao permitir o fornecimento de equipamento militar a países parceiros, o EPF afirma-se como um instrumento essencial no reforço do papel da União Europeia enquanto provedor de segurança, apoiando Moçambique nos seus esforços para restaurar a estabilidade e proteger as populações civis em Cabo Delgado.

Esta visita realça a importância da monitorização contínua, da responsabilização e do alinhamento estratégico na implementação do apoio financiado pela União Europeia, assegurando que os recursos disponibilizados respondem de forma eficaz às necessidades no terreno, em conformidade com os mais elevados padrões de transparência e controlo.

A EUMAM MOZ mantém o seu compromisso de trabalhar em estreita coordenação com as instituições da União Europeia e com os parceiros moçambicanos, contribuindo para o desenvolvimento de capacidades de defesa sustentáveis e autossuficientes das FADM.

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