O País – A verdade como notícia

Dois jovens, de 19 e 21 anos de idade, e um adolescente de 17 encontram-se detidos, acusados de furto de uma arma de fogo do tipo pistola, acompanhada de seis munições. A arma foi subtraída de uma viatura pertencente a um cidadão de nacionalidade chinesa.

O caso ocorreu no dia 2 do corrente mês, no bairro Torrone Velho, na cidade de Quelimane. De acordo com as autoridades, o grupo, já referenciado pela prática de furtos, escalou uma viatura estacionada com a intenção de subtrair valores monetários.

No interior do veículo, os suspeitos depararam-se com a arma de fogo. De imediato, apoderaram-se dela e colocaram-se em fuga. Imagens captadas por uma câmara de vigilância instalada numa residência próxima permitiram identificar os três indivíduos no momento do crime e durante a fuga. Confrontados, os suspeitos confessaram a prática do delito.

O porta-voz do SERNIC apresentou detalhes sobre a actuação dos dois jovens e do adolescente envolvidos no caso. As autoridades garantem que vão reforçar as acções de combate à criminalidade na província, com maior incidência nos crimes que envolvem armas de fogo.

 

O líder do partido Movimento Democrático de Moçambique considera que os contornos de escassez de combustíveis denunciam falhas graves de comunicação e incapacidade do Governo para mitigar a crise. Lutero Simango diz estar chocado com o facto de o Governo ter emitido um comunicado a tranquilizar os moçambicanos, dizendo que estava tudo bem.

“Mas quando vamos adquirir o combustível no mercado legal notamos que o que o Governo disse não corresponde à verdade. E isso é mau para o nosso país. Por isso, quero desafiar o governo da Frelimo que diga a verdade ao povo moçambicano sobre a situação real dos combustíveis”, explica Lutero Simango.  

Lutero Simango afirma que ocultar a real face do problema é adiar o inadiável. O líder do MDM critica ainda o facto de haver limitações nos postos de abastecimento, medida que, segundo explica, não é justa para os utentes.  Simango  alerta para os contornos sociais da revisão em alta dos preços dos combustíveis.

“Não podem subir o preço dos combustíveis, mas sim uma engenharia financeira reduzindo o IVA na sua comercialização”, sugere Simango. 

Lutero Simango faz também críticas às regalias para ex-presidentes, sublinhando que constituem uma injustiça a milhões de moçambicanos que vivem no limiar da pobreza. Nesse sentido, exige aquilo que chama de reposição da verdade, pois na sua opinião “não podemos criar tabelas salariais para beneficiar um grupo de indivíduos contra milhões de moçambicanos”.

O líder do MDM falava em Chongoene, após a entrega de produtos alimentares e material escolar ao Instituto de Gestão do Risco de Desastres.

 

Sete funcionários do Ministério das Finanças foram hoje detidos, no âmbito de investigações a cobranças de comissões na contratação pública e fornecimento de bens. Num acto de busca e captura levado a cabo pelo Gabinete Central de Combate à Corrupção foram levados também alguns funcionários do  CEDSIF em Maputo. 

O Ministério das Finanças volta a ser palco de detenções de quadros seniores, num caso que está a agitar os bastidores da administração pública. Os funcionários estão afectos ao sector do tesouro. 

A operação foi conduzida pelo Gabinete Central de Combate à Corrupção que há já algum tempo vinha a investigar possíveis esquemas de corrupção envolvendo quadros afectos ao aparelho do Estado.

As investigações indicam que o esquema funcionava de forma organizada, aproveitando-se da posição estratégica dos envolvidos dentro do sistema financeiro estatal. Foi a partir dessas diligências iniciadas em Dezembro que surgiram provas que levaram às detenções efectuadas esta quinta-feira. 

O nosso jornal esteve no local e constatou a presença da polícia, com várias viaturas estacionadas nas imediações, sinalizando que as investigações decorrem sob rigor e atenção redobrada das autoridades.

Fontes seguras afirmam que as detenções no CEDSIF e contra quadros seniores que integram o conselho de administração suspeitos de envolvimento em corrupção. 

O Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME) aprovou medidas de carácter urgente para assegurar o abastecimento de combustíveis líquidos em todo o território nacional, numa altura em que se registam constrangimentos na distribuição e crescente pressão nos principais centros urbanos.

Face às dificuldades no abastecimento de combustíveis registadas nos últimos dias, o Governo decidiu avançar com medidas excepcionais para garantir a reposição rápida do produto, num contexto marcado por pressões internas e factores externos que agravam a vulnerabilidade energética do País.

Num comunicado de imprensa, o Ministério dos Recursos Minerais e Energia, através da Direcção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis revela que, no âmbito das acções de fiscalização, constatou haver dificuldades de alguns operadores retalhistas na reposição de produtos petrolíferos.

De acordo com a instituição, os constrangimentos estão ligados ao processo de aquisição junto dos operadores-distribuidores, com os quais existem vínculos contratuais, o que tem limitado a capacidade de resposta dos postos de abastecimento. Situações semelhantes já foram, em momentos anteriores, associadas a falhas logísticas e dificuldades de acesso à moeda de importação  por parte dos distribuidores.

Para inverter o cenário, o Ministério dos Recursos Minerais e Energia autorizou, por despacho, que os operadores retalhistas passem a adquirir combustíveis junto de qualquer distribuidor devidamente licenciado e com disponibilidade de produto, independentemente dos contratos em vigor. A medida, que surge num momento de crise de combustíveis diversos, visa, entre outros, acelerar o reabastecimento e garantir maior fluidez no sistema de distribuição.

“O objectivo é garantir que todos os postos disponham de combustível, enquanto se restabelecem as condições normais de distribuição”, refere a nota do Ministério.

Importa lembrar que, recentemente, o Presidente da República assegurou que, por possuir portos, Moçambique conseguiria ter reservas de combustíveis até ao fim do mês de Abril e princípio do mês de Março. Porém, tudo indica que a crise bateu à porta mais cedo.

Segundo a nota de imprensa do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, a medida vigorará até que os operadores-distribuidores recuperem a capacidade de abastecimento regular, sendo parte de um conjunto de acções para estabilizar o mercado.

Entretanto, a Direcção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis apelou à calma da população, desencorajando práticas de açambarcamento e constituição de reservas domésticas, bem como o abastecimento acima do estritamente necessário.

Por sua vez, especialistas alertam que reacções de pânico tendem a agravar artificialmente a escassez de combustíveis, ao provocar picos súbitos de procura num sistema sob pressão.

No terreno, a situação continua a gerar pressão, sobretudo na Cidade de Maputo, onde vários postos registam ruptura de stock. Nos poucos pontos ainda operacionais, longas filas de viaturas tornaram-se frequentes, originando tensão entre automobilistas e alguns incidentes, incluindo tentativas de furar filas.

Refira-se que, na última terça-feira, o Executivo reconheceu pela primeira vez a escassez de combustíveis no País, apontando factores externos como uma das principais causas, com destaque para a instabilidade no Médio Oriente.

O Governo moçambicano garante que continua a monitorizar a situação no terreno e reafirma o compromisso com a transparência e a normalização do abastecimento nacional, num cenário em que a estabilidade do sector energético se mantém como um dos principais desafios para a economia mundial.

Transportadores ameaçam paralisar actividade devido à escassez de combustíveis

Os transportadores da região metropolitana de Maputo ameaçam paralisar o transporte, caso continue a escassez de combustíveis. Na sequência, o Governo autorizou os operadores retalhistas a adquirirem combustíveis junto de qualquer distribuidor, como forma de garantir maior disponibilidade do produto no País.

A “ameaça” deve-se ao facto de, nesta quinta-feira, pelo terceiro dia consecutivo, os munícipes de Maputo e Matola terem continuado a viver um verdadeiro teste de paciência e resiliência, devido à falta de combustível, sobretudo a gasolina.

Entre as longas filas e incertezas estavam os operadores de transporte semicolectivo de passageiros, que contaram que muitas vezes gastam o pouco combustível que têm à procura de mais. Quando amanhece, em vez de transportar passageiros, põem-se em chamadas para saber que postos têm reservas.

“Abasteci ontem. Hoje de manhã esta é a primeira viagem que faço, então desde de manhã estou aqui a formar fila. Não está a ser fácil para nós, inclusive os passageiros estão a passar mal, porque há carros que param na via, então gostaria que o Estado tentasse ver uma solução”, disse o transportador, que se identificou como Vizinho de Deus, da Rota Anjo Voador–Chamissava, em KaTembe.

A situação afecta toda a zona metropolitana do Grande Maputo, como testemunhou o presidente da Federação Moçambicana dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO).

“Uma das bombas da vila de Boane tinha gasolina, uma bicha enorme. De Boane, vim apanhar outra bicha de gasolina apenas nas bombas da Matola-Rio e, depois, esta aqui. São mais de 10 bombas, mais de 10 postos de abastecimento que eu passei que não tem nem gasolina nem gasóleo”, disse Castigo Nhamane, presidente da FEMATRO.

Por conta desse cenário, Nhamane afirma que se caminha para uma crise grave de transporte na região.

“Nós estamos quase para paralisar os carros, não por vontade, porque não temos combustível. Algumas bombas, quando têm combustível, dão mil meticais, imaginemos quantas voltas um minibus de 15 lugares, não vou falar de autocarro, de 20 ou 30 lugares, quantas voltas vai dar com gasóleo de mil meticais, que são apenas 12 litros? E depois os 12 litros ele gasta na bicha para ver se consegue abastecer mais mil meticais”, declarou.

Devido à situação, várias pessoas tiveram de caminhar, por falta de transporte.

“Há muitos passageiros que estão a caminhar hoje em dia, porque não há combustível,  não temos como tirar os carros. Fazemos transporte público quando não há combustível, ou podemos trabalhar, ficamos com dinheiro no carro, mas combustível para trabalhar não há. Então, vale mais pararmos, abastecermos e trabalharmos.”

Depois de dois dias de ruptura total, o combustível voltou a aparecer em Inhambane. Mas o que poderia ser um sinal de alívio rapidamente se transformou num retrato claro de uma crise que está longe de terminar. A reposição trouxe movimento às bombas, mas também trouxe filas intermináveis, tensão crescente e uma cidade inteira a disputar cada litro disponível.

A longa fila de viaturas no centro da cidade expõe a dimensão do problema. Há quem tenha esperado mais de duas horas apenas para conseguir abastecer, num exercício de paciência forçada. Outros nem sequer chegaram a tempo. Com os carros imobilizados, recorreram a bidões, tentando garantir o mínimo necessário para voltar a circular. Para muitos, esta já não é uma situação pontual, é uma rotina imposta pela escassez.

Há histórias que revelam bem o nível de desgaste. Viaturas que ficaram sem combustível em pleno andamento, obrigando os condutores a abandonar o carro e procurar alternativas. Outros nem arriscaram sair de casa. Deixaram os carros parados e organizaram-se para comprar combustível em recipientes, muitas vezes dois ou mais, numa tentativa de assegurar não apenas o presente, mas também o dia seguinte. É a gestão da incerteza, feita litro a litro.

O impacto é particularmente visível no transporte público, um dos sectores mais vulneráveis a esta crise. Motoristas enfrentam dificuldades para manter as rotas, fazem cálculos constantes para esticar o pouco combustível disponível e, mesmo assim, admitem que não conseguem garantir um dia completo de trabalho. Há percursos interrompidos, horários comprometidos e passageiros deixados à espera. E quando nem ao longo da Estrada Nacional Número 1 há combustível, as alternativas praticamente desaparecem.

Perante este cenário, algumas instituições optaram por soluções improvisadas. Em vez de abastecer viatura por viatura, levam tambores até às bombas, numa tentativa de distribuir o combustível pelos seus serviços. Mas nem isso é garantido. Num dia conseguem abastecer, no outro enfrentam restrições. A incerteza domina, e até a esperança passa a ser calculada.

Na única gasolineira em funcionamento, o ambiente é de pressão constante. Desde a noite de quarta-feira, altura em que foi feita a reposição, o movimento não parou. Não houve pausas, não houve momentos de alívio. A fila manteve-se firme, atravessando a madrugada e prolongando-se pelo dia seguinte. O gestor confirma a intensidade da procura, mas evita revelar números. Ainda assim, garante que há combustível para responder à procura imediata, embora admita que as quantidades já não são as mesmas de antes.

O abastecimento decorre sem restrições, numa tentativa de atender todos os utentes, sejam eles automobilistas ou cidadãos com bidões. Mas essa abertura não elimina o problema central: a procura é muito superior à oferta. E enquanto essa equação não mudar, o sistema continuará a operar no limite.

Até ao fecho desta reportagem, apenas uma das três bombas existentes na cidade estava a abastecer. 

CRISE PERSISTE EM GAZA

A crise de combustível persiste e agrava o cenário de transporte de pessoas e bens em Xai-Xai. Muitos são obrigados a percorrer mais 12 quilómetros a pé.  Em menos de 24 horas as consequências da crise de combustível começam a se manifestar. 

Os munícipes da capital provincial de Gaza descrevem o cenário de crise como preocupante, num contexto em que as soluções para a sua mitigação são escassas. Nesta quinta-feira, muitos desligaram os motores, por falta de alternativa, aliás de combustível em quase todas bombas da cidade. 

Nas escapam ainda dos efeitos da escassez de transportes de passageiros, com cenário de paragens, e muita a percorrer para os seus destinos a pé, incluindo estudantes que temiam perder avaliações.

O cenário de gente caminhando repetiu um pouco por toda cidade, com destaque para a baixa da cidade, ponto que concentra a área comercial e administrativa.

Ricardo Larson Utente Os poucos transportadores que conseguiram em Chibuto alguma quantidade de combustível, prevalece a inquietação e questionamentos.

O Município de Xai-Xai fez a reposição da via Wenela esta quinta-feira, uma via alternativa à ENI danificada no contexto da segunda vaga de inundações na urbe. Ainda assim, o trânsito continua crítico devido à alta procura de combustíveis. A crise de combustíveis regista-se em todos os 14 distritos de Gaza.

Dois jovens, de 19 e 21 anos de idade, e um adolescente de 17 encontram-se detidos, acusados de furto de uma arma de fogo do tipo pistola, acompanhada de seis munições. A arma foi subtraída de uma viatura pertencente a um cidadão de nacionalidade chinesa.

O caso ocorreu no dia 2 do corrente mês, no bairro Torrone Velho, na cidade de Quelimane. De acordo com as autoridades, o grupo, já referenciado pela prática de furtos, escalou uma viatura estacionada com a intenção de subtrair valores monetários.

No interior do veículo, os suspeitos depararam-se com a arma de fogo. De imediato, apoderaram-se dela e colocaram-se em fuga. Imagens captadas por uma câmara de vigilância instalada numa residência próxima permitiram identificar os três indivíduos no momento do crime e durante a fuga. Confrontados, os suspeitos confessaram a prática do delito.

O porta-voz do SERNIC apresentou detalhes sobre a actuação dos dois jovens e do adolescente envolvidos no caso. As autoridades garantem que vão reforçar as acções de combate à criminalidade na província, com maior incidência nos crimes que envolvem armas de fogo.

Iniciou-se ontem, na cidade da Beira, província de Sofala, a entrega de pouco mais de 9 milhões de meticais provenientes do Fundo de Desenvolvimento Local a mais de 300 beneficiários que submeteram os seus projectos à edilidade. Nos últimos dias, 317 mutuários do Fundo de Desenvolvimento local, residentes na cidade da Beira, beneficiaram de capacitação na gestão de pequenos negócios.

A iniciativa é da edilidade e tem como principal objectivo ajudar todos os beneficiários do fundo a exercerem as suas actividades com responsabilidade por forma a garantir o reembolso dos valores.

Nesta quarta-feira, os mutuários, dos quais 221 são mulheres, receberam os seus valores para iniciarem com os seus pequenos negócios. São, no total, 9 milhões e 800 mil meticais que serão entregues aos munícipes da Beira que concorreram ao financiamento de pequenos negócios.

O Município da Beira recebeu o dinheiro do governo central. Maria Sitole é uma das beneficiárias e diz estar satisfeita com a disponibilização do valor.

O presidente do Município da Beira, Albano Carige, apresentou, na ocasião, a comissão que irá fiscalizar e dar apoio aos mutuários em todas as fases dos negócios. Aliás, foi esta mesma comissão que foi responsável pela recepção e selecção dos negócios viáveis e que irá fiscalizar a execução dos mesmos. Ela é composta por académicos, empresários e líderes comunitários.

A Fidelidade Ímpar vai financiar o desenvolvimento de dois projectos comunitários, no valor de 1,5 milhões de meticais. As organizações beneficiárias foram conhecidas nesta quarta-feira, depois de um concurso lançado no ano passado. 

São duas as associações vencedoras do Prémio Fidelidade-Ímpar Comunidade,  de um universo de duzentas e dezesseis concorrentes. 

Trata-se de organizações que apresentaram os melhores projectos nas áreas de Inclusão Social de Pessoas com Deficiência e Prevenção em Saúde.

Vamos impactar, neste caso, mais de mil raparigas em matéria de saúde menstrual e também com produtos menstruais que são saudáveis para as raparigas. Para quem não sabe, uma rapariga de 14 anos perde até um terço do seu aproveitamento escolar por falta de produtos menstruais saudáveis. Estamos felizes com este prémio”, explicou a representante de uma das organizações vencedoras. 

O concurso foi lançado em Outubro de 2025, com o objectivo de contribuir na promoção do desenvolvimento sustentável. 

É resultado do trabalho que temos estado a desenvolver nos últimos anos e é com certeza uma certeza de que vamos continuar a implementar os nossos projectos em prol das crianças e das comunidades na província de Quelimane. É uma iniciativa que surge de uma preocupação social que a nossa empresa tem. Nós temos pilares fundamentais na nossa actividade, como a sustentabilidade, e um dos pilares da sustentabilidade é o social. Portanto, está na nossa génese trabalhar áreas do social e, como eu referi há pouco, enquanto empresa privada, também entendemos que não compete ao Estado tudo aquilo que é o apoio à comunidade, e nós temos também esse dever. Há a nossa dimensão, há a nossa capacidade, reconhecemos que não é ilimitada, mas achamos que devemos retribuir essa mesma capacidade à própria sociedade, aquilo que a própria sociedade nos transmite a nós e nos dá a nós”, explicou Victor Bandeira, presidente da Comissão Executiva da seguradora Fidelidade. 

O impacto social das iniciativas, viabilidade financeira e inovação foram alguns dos aspectos levados em consideração pelos membros do júri.

O vosso trabalho, de todos os vencedores, continua a dignificar a sociedade moçambicana e continua a inspirar, sobretudo, este espírito de desafio e o espírito de competição. Então, nós esperamos que estas duas organizações, as que são as duplamente vencedoras, que continuem a trabalhar para merecer, primeiro, a confiança, não apenas deste júri, mas da Fidelidade Ímpar e que continuem, como dizia o CEO, a inspirar futuros vencedores”, explicou Jorge Ferrão, representante do membro de júri.

As associações vencedoras receberam apoio financeiro no valor de 750 mil cada.

Cerca de dois mil colaboradores da Electricidade de Moçambique (EDM) passam, anualmente, a beneficiar de formação técnica especializada no País, marcando uma mudança estrutural no modelo de capacitação da empresa. A EDM era obrigada a enviar os seus quadros ao exterior para adquirir competências práticas.

 Integrada num projecto avaliado em cerca de 5 milhões de euros, a inauguração, nesta quarta-feira, de um moderno centro de formação marca um ponto de viragem. Dotado de salas equipadas com tecnologia de ponta e sete laboratórios especializados, o centro surge como resposta directa às lacunas na formação técnica em Electricidade no País, um desafio que há anos condiciona o desempenho do sector energético.

Segundo Assa Fumo, directora da Academia da Electricidade de Moçambique, o novo espaço pretende colmatar o défice de competências práticas dos técnicos recém-formados.

“Ao nível do sistema nacional de educação, o sector de energia ainda enfrenta um vazio na formação técnica especializada. Muitas vezes, contratamos jovens que, apesar da formação académica, não estão totalmente preparados para as exigências do sector. Esta academia corporativa surge para reduzir esse ‘gap’, permitindo que os formandos tenham contacto directo com laboratórios de geração, protecção e sistemas eléctricos, desenvolvendo competências práticas essenciais”, explicou.

Com capacidade para formar mais de dois mil profissionais por ano, o centro representa, também, um ganho financeiro significativo para a empresa, ao reduzir os elevados custos associados à formação no estrangeiro.

“Estes centros diminuem a necessidade de enviar técnicos para fora do País, o que implicava custos elevados e desafios logísticos. A nossa política, alinhada com a ADEME, privilegia a formação vocacional, o saber-fazer do sector energético, realizada internamente. Apenas recorremos a parceiros externos para certificações internacionais, o que reduz substancialmente os encargos financeiros”, acrescentou a responsável.

Para além da vertente formativa, espera-se que o reforço de competências técnicas tenha impacto directo na qualidade do serviço prestado ao público, nomeadamente na eficiência do atendimento e na expansão da rede eléctrica em todo o território nacional.

Na ocasião, o secretário permanente do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, António Manda, destacou o carácter estratégico da infra-estrutura.

“A inauguração deste centro representa muito mais do que a disponibilização de uma nova infra-estrutura. É um marco no processo de transformação e modernização da EDM, afirmando-se como um espaço privilegiado para a geração, partilha e consolidação de conhecimento técnico e científico. Este investimento terá reflexos na melhoria contínua da qualidade do fornecimento de energia eléctrica no país”, sublinhou.

O projecto foi financiado pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) e inclui não apenas a construção do centro, mas também o desenvolvimento de conteúdos formativos e capacitação de formadores.

O embaixador da França em Moçambique, Yann Pradeau, explicou que a iniciativa contemplou a criação de 16 programas de formação técnica, num investimento adicional de cerca de 2,6 milhões de euros. 

“O projecto permitiu estruturar programas de formação, desenvolver materiais pedagógicos e formar formadores internos, garantindo a sustentabilidade do sistema de capacitação da EDM. Também contribuiu para o reforço dos equipamentos técnicos da empresa”, afirmou.

Num esforço adicional de inclusão, a França disponibilizou ainda 100 mil euros destinados à formação de mulheres na área de electricidade, promovendo maior participação feminina num sector tradicionalmente dominado por homens.

Com esta infra-estrutura, a EDM não só reforça a sua autonomia técnica, como também dá um passo estratégico rumo à consolidação de um sector energético mais eficiente, sustentável e alinhado com as exigências do desenvolvimento económico de Moçambique.

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