O Presidente da República diz que é preciso aprimorar as tecnologias de aviso prévio e previsão de cheias para minorar os danos. Daniel Chapo falava nesta quarta-feira, em Maputo, durante a abertura da primeira conferência nacional sobre transformação digital.
Numa altura em que mais de 70 por cento da população moçambicana não tem acesso à internet, Moçambique está a apostar na mudança do funcionamento das instituições públicas do analógico para o digital.
De acordo com o Presidente da República, que falava nesta quarta-feira, durante a abertura da primeira conferência nacional sobre transformação digital, a tecnologia pode ajudar a reduzir os impactos das intempéries no País.
“Se as cheias nos recordam da nossa vulnerabilidade, elas também nos desafiam a acelerar soluções que salvem vidas. E a tecnologia é uma destas soluções. As calamidades naturais que ciclicamente assolam o nosso país deixam-nos uma lição inequívoca. Sem digitalização, reduzimos a nossa capacidade de alertar os cidadãos de forma atempada, comprometemos a protecção de vidas e colocamos em risco a memória colectiva da Nação moçambicana. Se não preservarmos digitalmente os nossos dados, dados escolares, de saúde, habitacionais, contratuais e administrativos, arriscamo-nos a perder, em cada desastre natural, parte da nossa própria história e da continuidade do Estado moçambicano”, disse.
A digitalização deve, no entender de Daniel Chapo, facilitar o acesso rápido e flexível aos serviços públicos através de um celular.
“Muitos dos nossos cidadãos continuam a enfrentar longas filas sob sol escaldante ou chuva intensa e a percorrer grandes distâncias apenas para aceder a serviços públicos básicos. Enquanto tal persistir, estaremos a falhar na nossa missão fundamental de servir o povo moçambicano. Também não é aceitável que, na era digital, o cidadão seja obrigado a circular entre várias instituições do próprio Estado para tratar de um único documento ou serviço, tornando-se, na prática, mensageiro de uma administração que deveria estar integrada em pleno século XXI. Para além de gerar ineficiência, este modelo cria vulnerabilidade que pode favorecer práticas indevidas, fragiliza a confiança nas instituições e prejudica a competitividade da nossa economia, o ambiente de negócios e os indicadores de boa governação”, referiu, destacando a necessidade de mais investimento no sector.
Para isso, o Chefe do Estado diz que é preciso transformar, primeiro, as mentes analógicas dos gestores públicos.
“Não importa afirmar, com toda a frontalidade, que não haverá Estado digital se persistirem mentalidades analógicas. A transformação digital não pode ser um esforço isolado nem fragmentado. Não devem existir ilhas tecnológicas dentro do nosso Estado. Não é aceitável que instituições públicas desenvolvam sistemas que não comunicam entre si, bases de dados que não se integram e serviços que se duplicam.”
A CTA vê na digitalização uma forma de sair da burocratização dos processos a que são sujeitos os empresários, sobretudo os pequenos investidores.
“A transformação digital só será bem-sucedida se estiver orientada para três objectivos fundamentais. O primeiro objectivo é reduzir os custos, como acabámos de dizer, os custos de contexto e aumentar a eficiência económica. A digitalização dos serviços públicos, financeiros e comerciais deve simplificar processos, eliminar redundâncias e libertar as empresas, sobretudo as micro, pequenas e menores empresas, para se concentrarem no essencial, que é produzir, criar emprego e gerar valor. O segundo objectivo é reduzir o custo, que é reduzir as empresas, para se concentrar”, declarou Álvaro Massingue, presidente da CTA.
A conferência nacional sobre a transformação digital decorre em Maputo, nos dias 11 e 12 de Fevereiro corrente.


