O País – A verdade como notícia

O Governo continua a mobilizar recursos para a construção da barragem de Mapai, uma infra-estrutura orçada em cerca de 1.2 mil milhões de dólares, cuja função principal é o controlo do caudal do rio Limpopo e, consequente, redução do risco de inundações na província. 

A informação foi avançada, nesta quarta-feira, pelo Ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa,  durante a sessão ordinária da Assembleia da República,  referente a informações do Governo sobre as acções em curso para recuperação do país pós-Cheias. 

Inocêncio Impissa diz que a pertinência da infra-estrutura foi comprovada num estudo efectuado na província, em 2022. Entretanto,  o Governo ainda não ter dinheiro.  

Enquanto “Mapai” não “sai”, o Governo ainda está ainda a desenhar o Plano de Reconstrução Pós Inundações, que, segundo Impissa, estará centrado em cinco prioridades, nomeadamente: Assistência humanitária; Reposição imediata dos serviços essenciais: saúde, água,  transitabilidade; Reconstrução de infraestruturas- escolas, hospitais, diques, represas; Recuperação económica; e Redução do risco de desastres.

O projecto de construção do Porto de Pesca de Angoche, uma das infra-estruturas mais aguardadas na província de Nampula, enfrenta uma paralisia quase total. Cerca de 75% das actividades estão paradas devido a uma operação dos serviços de imigração que resultou na detenção de cidadãos estrangeiros que lideravam frentes cruciais da obra.

Os trabalhos, a cargo da empresa China Harbour Engineering Company, iniciaram em Julho de 2024 com entrega prevista para Setembro de 2026. Contudo, o ritmo de construção sofreu um golpe severo na última semana, coincidindo com uma intervenção das autoridades moçambicanas no terreno.

No passado dia 4 de Março, os serviços de migração levaram a cabo uma fiscalização em Angoche, localizando 14 cidadãos chineses escondidos no interior de uma residência. Segundo as autoridades, os indivíduos tentaram colocar-se em fuga ao aperceberem-se da presença policial, mas acabaram interpelados.

“Estes foram interpelados no distrito de Angoche, no interior de uma residência. Ao se aperceberem que as autoridades estavam no terreno, colocaram-se em fuga”, revelou Enércia Nota, porta-voz do Serviço Nacional de Migração em Nampula, que agora aguarda o repatriamento na cidade de Nampula.

A detenção destes cidadãos, alguns dos quais pertencentes à empresa fornecedora de material de construção (também de capital chinês), gerou um “vazio” na cadeia de comando e logística da obra. Sem as lideranças técnicas e com o fornecimento de materiais interrompido, o estaleiro ficou praticamente deserto.

“Temos esta situação em que alguns colaboradores estrangeiros foram detidos por questões de ilegalidade e, na verdade, eles, como líderes das missões. Não temos a quem liderar as missões e isso implica, automaticamente, redução de números”, explicou Mussa Atumane, um responsável ligado ao projecto, acrescentando de forma taxativa que “estamos sem movimento”.

Embora a China Harbour Engineering Company não tenha revelado oficialmente o grau de execução actual, os problemas no fornecimento de material já eram visíveis antes das detenções.

A administração da obra afirma estar a tentar encontrar novos fornecedores para “diminuir o impacto”, mas a ausência de pessoal qualificado e a paragem da maioria das frentes de trabalho colocam em sério risco o prazo de conclusão inicialmente previsto para Setembro.

O caso levanta novas questões sobre a fiscalização da mão-de-obra estrangeira em grandes projectos de infraestruturas no país e o impacto directo que a irregularidade documental pode ter no cronograma de desenvolvimento nacional.

 

Os munícipes podem, a partir desta terça-feira, apresentar as suas contribuições no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo. A Comissão Técnica garante que até finais deste ano, as propostas serão apresentadas à Assembleia da República, depois de sistematizadas todas as contribuições. 

O momento marca o início de uma nova fase do Diálogo Nacional Inclusivo.  

Com este memorando de entendimento, assinado entre a Comissão Técnica e a Associação Nacional dos Municípios, os munícipes passam a ter a possibilidade de também apresentar as suas contribuições.  

“Inicia hoje, em todo o país, o diálogo ao nível dos postos administrativos e localidades, um espaço de ruralização do processo do diálogo nacional, inclusive, onde queremos que os cidadãos que residem no interior do país, nas zonas rurais, também tenham o mesmo direito de cidadania participando de forma ativa no processo do diálogo nacional, inclusive, para que as conclusões desse processo também possam refletir as suas aspirações. Podemos recolher as ideias para dar jus ao princípio da inclusão, onde muitos munícipes poderão não conseguir estar em espaços físicos de modo a colocar suas ideias”, explicou Edson Macuacua, presidente da COTE. 

Nesta etapa, o Diálogo Nacional Inclusivo expande-se para os postos administrativos e localidades, através de uma plataforma digital. 

“Com essa plataforma digital, qualquer cidadão, em qualquer lugar, em qualquer hora, tem um espaço privilegiado para colocar as suas ideias”, disse o secretário geral da Associação Nacional dos Municípios de Moçambique. 

A Comissão Técnica garante que vai cumprir o cronograma das actividades e apresentar as propostas à Assembleia da República,  até finais deste ano. 

“ Vamos sistematizar, apreciar, analisar todas as contribuições recebidas de pessoas singulares, de organizações de ação civil, de partidos políticos, nas mesas redondas, pela via virtual, pela via das brigadas, de modo a articularmos propostas para a melhoria da nossa legislação eleitoral. Para que tenhamos uma legislação simples, eficaz e que contribua para o fortalecimento do nosso Estado de Direito Democrático, um sistema eleitoral que contribui para a paz, para a estabilidade, coesão e reconciliação nacional.”

A plataforma do diálogo pode ser acedida através do www.anamm.org.mz . 

Familiares, amigos e colegas do antigo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de Moçambique, Lázaro Menete despediram-se do finado, numa cerimónia que contou com a apresentação dos três antigos presidentes da República e o actual Comandante-chefe das Forças de Defesa e Segurança, Daniel Chapo. Menete é descrito como um patriota destemido, focado e comprometido com a defesa da Pátria

Partiu para a eternidade um homem que dedicou a vida à Defesa da pátria moçambicana.

General de Exército e antigo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, Lázaro Henriques Lopes Menete perdeu a vida na última quinta-feira (6), vítima de doença.

Em sua honra, nesta terça-feira (10) o Quartel General tornou-se num lugar comum, recebendo amigos e familias e antigos colegas para o último adeus, numa cerimónia cujo destaque foram as presença do Presidente da República e sua Esposa e os antigos Presidentes da República, Joaquim Chissano, Armando Guebuza e Filipe Nyusi….

Entre lágrimas e lamentações, Menete é recordado pelos filhos como um pai que mesmo ocupado, procurava estar sempre presente. 

“Sempre nos disseste que o que importa na vida, o que importa é o que a pessoa faz em vida. E que não existe nada melhor do que deitar na almofada à noite e dormir tranquilamente. Ensinaste a lutar pelos sonhos e ir atrás deles, mesmo que muitos digam que não vamos conseguir”, ouviu-se.

Para a viúva, foi-se um homem que enfrentou a doença com a força de uma General.

“General Lázaro para todos e Lazarito para mim. A nação perdeu um general e eu perdi o meu grande amor. Para mim não foi apenas meu marido, ele foi meu porto seguro, o meu melhor amigo. Nós construímos uma vida juntos, tijolo por tijolo, entre risos e desafios. Nem todas as noites ele voltava para casa, pois muitas vezes a responsabilidade que ele tinha como general o chamava. E a minha missão como esposa era garantir que o peso da sua patente ficasse de fora sempre que ele chegasse à casa”, desabafou a viúva.

Os irmãos destacam os últimos momentos vividos com o finado.  

“Para nós, teus irmãos, a vida militar que abraçaste esteve ligada a períodos difíceis da nossa pátria, marcados pela guerra, o que em muitas ocasiões privou-nos da tua presença.  Nos últimos momentos da sua vida, já no leito hospitalar, manifestaste com serenidade a tua fé cristã e a sua condição de católico”.

Manete engrossou as fileiras do exército há 51 anos. Quem com ele trilhou caminhos, fala de um patriota comprometido, focado e dedicado. 

“Ao longo do seu mandato, conduziu as Forças Armadas, pelo exemplo, com parcimônio e dedicação à causa nacional. Sob o seu comando, impulsionou o fortalecimento da capacidade operacional, aprimoramento da organização e preparação das tropas, disciplina militar, além de reforçar a coesão institucional e a prontidão das Forças Armadas diante dos desafios de defesa e segurança do nosso país”, disse Norte Freitas, General das FADM.

 

 

O Presidente da República, Daniel  Chapo, afirmou hoje, em Maputo, que a trajetória de vida  do General de Exército Lázaro Henriques Lopes Menete constitui um  património moral indispensável para a preservação da soberania  nacional. 

Ao intervir nas cerimónias fúnebres do antigo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), o  Presidente Chapo Estado destacou a integridade e o patriotismo  como ferramentas essenciais para a nova geração de moçambicanos  enfrentar as ameaças contemporâneas, nomeadamente o terrorismo  em Cabo Delgado e o crime organizado.

“Estamos aqui em nome do povo moçambicano. O General Lázaro  Henriques Lopes Menete, que foi um grande General do Exército,  como sabem, prestou toda a sua juventude ao serviço da pátria”,  declarou o estadista no Quartel-General das FADM. Para o estadista, a  homenagem não é apenas uma despedida, mas uma oportunidade  para reiterar os valores de responsabilidade e competência que  permitiram ao General atingir o topo da hierarquia militar. 

O Presidente da República sublinhou que a determinação e a  disciplina de Menete devem servir de espelho para os jovens,  enfatizando que o falecido dedicou a vida, desde tenra idade, à  defesa da independência e da integridade territorial. 

“Queria aproveitar esta para dizer à juventude moçambicana que o  General Lázaro Henriques Lopes Menete deixa grandes valores de  unidade nacional, de defesa da pátria moçambicana, de patriotismo,  de responsabilidade, de competência e, sobretudo, de defesa da  nossa independência nacional”, afirmou. 

O Chefe do Estado ainda traçou um paralelo com a actualidade,  recordando que Moçambique enfrenta desafios severos que testam a  resiliência das instituições e da sociedade. Enumerou o terrorismo, os  raptos e o tráfico de drogas e seres humanos como frentes de batalha  críticas. 

“Nós, neste momento, estamos a enfrentar desafios que tocam,  portanto, a integridade territorial do nosso país e, sobretudo, com o  terrorismo e, também, crimes organizados”, frisou, apontando o  combate à insurgência como a prioridade máxima. 

O Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança usou a  ocasião para render tributo aos militares que se encontram na linha da  frente no Teatro Operacional Norte (TON). Destacou o sacrifício  daqueles que, sob condições climatéricas adversas e em regime de  prontidão total, garantem a segurança das populações. 

“Queria usar esta ocasião para render homenagem aos jovens que  estão no Teatro Operacional Norte e, de segunda a segunda, 24/24 

horas, faça sol, faça chuva, faça frio, estão a defender as populações  e defender o território moçambicano contra o terrorismo”, enalteceu. 

A relação intrínseca entre estabilidade e progresso económico foi  outro ponto fulcral nas declarações do estadista moçambicano. Foi  categórico ao afirmar que a prosperidade de Moçambique está  condicionada à erradicação dos focos de violência. 

“Não há nenhum país no mundo que desenvolve sem paz e  segurança. A paz e a segurança são condições fundamentais para o  desenvolvimento do país”, explicou, justificando a concentração de  esforços governamentais no combate ao crime organizado e ao  terrorismo. 

O Chefe do Estado reforçou ainda a visão de unidade nacional,  rejeitando qualquer tentativa de isolar o sofrimento das populações  afectadas pelo conflito no norte do país. 

Para o governante, a dor de Cabo Delgado é sentida em todo o  território nacional, exigindo uma resposta coletiva e ininterrupta.  “Cabo Delgado é Moçambique, nós todos somos moçambicanos,  atacar Cabo Delgado é atacar Moçambique, atacar a população  dos distritos da zona norte da província de Cabo Delgado é atacar  Moçambique”, asseverou. 

Nesse sentido, garantiu que o Estado continuará a trabalhar  arduamente para que a ameaça terrorista seja definitivamente  eliminada. “Nós vamos continuar a trabalhar dia e noite, 24/24 horas,  para que, realmente, o terrorismo um dia passe para a história”,  prometeu, vinculando novamente este objectivo à necessidade de a  juventude assumir o testemunho ético deixado pelo General Menete. 

O Presidente da República terminou as suas declarações com um  apelo à reflexão sobre a herança de serviço do General, que o  estadista considera ser a fundação sobre a qual o país deve construir  o seu futuro. 

“Para isso, é preciso que a juventude assuma os valores que o nosso  General Lázaro Henriques Lopes Menete nos deixou, de defesa da 

pátria, de integridade, da nossa soberania, para que o nosso país  possa se desenvolver, porque não há desenvolvimento sem paz e  segurança”, concluiu.

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) em Gaza refuta a versão da família de que o empresário encontrado morto nas matas de Mazivila, em Bilene, foi raptado. Segundo o SERNIC, tratava-se, na verdade, de um ajuste de contas, relacionado a uma suposta dívida. 

“Não se tratou de um crime de rapto, mas de um homicídio agravado”, declarou o porta-voz do SERNIC em Gaza, avançando que a vítima era um cidadão de 40 anos,  natural e residente da Macie, em Gaza, que se dedicava a venda de peças e acessórios de segunda mão de viaturas”, disse o porta-voz do SERNIC em Gaza, Zaqueu Mucambe,  que vincou que os produtos vendidos pela vítima eram de proveniência duvidosa. 

Mucambe diz ainda que o assassinato do empresário teria sido, na verdade, um ajuste de contas, devido a uma suposta dívida. 

“A vítima foi assassinada depois de fracassada a cobrança coerciva para o pagamento total da dívida para os infratores. A família canalizou uma parcela de 200 mil meticais, por intermédio próximo as partes desavindas”, avançou. 

O SERNIC disse ter na sua posse  informações relevantes para o esclarecimento do caso.

A Governadora de Gaza, Margarida Mapadzene, reagiu ao desvio de donativos destinados às vítimas das cheias na Província. A Governante diz que ainda é preciso esperar pelo veredicto das autoridades competentes para o esclarecimento do caso. 

“Essas pessoas ainda estão no interrogatório e gozam de presunção de inocência. Aguardemos os órgãos de administração da justiça para julgar e decidir aquilo que terão acareado como a verdade”, disse Margarida Mapadzene, quando questionada sobre o desvio de donativos protagonizado por membros do governo provincial. 

A Governante apelou à calma e tranquilidade de todos, enquanto se aguarda pela acareação da justiça. 

 

Filipe Nyusi considera o antigo chefe do Estado-Maior das FADM, Lázaro Menete, uma referência para as Forças de Defesa e Segurança do país. Já Armando Guebuza enaltece a capacidade de liderança e disciplina de Menete.  

“Um oficial aprumado e organizado. Por isso, esta enchente toda de colegas é mesmo para poder justificar a sua função, pois ele comandou as Forças Armadas de Defesa de Moçambique num momento muito difícil”, disse Filipe Nyusi, durante a cerimónia de velório de Lázaro Menete. 

O ex-Presidente enalteceu também o trabalho de zelo e profissionalismo do antigo Chefe do Estado Maior das FADM na garantia da segurança do país. 

Por sua vez, o antigo Presidente da República, Emílio Guebuza, enalteceu a capacidade de disciplina e patriotismo de Lázaro Menete. “Mesmo em áreas diferentes, esteve na Marinha, esteve no exército, mas sempre distinguiu-se”, sublinhou. 

 

Moçambique registou 18 novos casos de sarampo no início de Março, elevando a 697 doentes, além de um morto, o total do actual surto, em cerca de sete meses, segundo dados oficiais. 

Segundo o Resumo Epidemiológico do Sarampo, elaborado pela Direção Nacional de Saúde Pública (DNSP) e que compila dados de 29 de Julho de 2025, início do presente surto, até 08 de Março, citado por LusA, os casos da doença estão concentrados no centro e norte do país, com um morto, em Nampula.

 No balanço anterior da DNSP estavam contabilizados até 25 de Fevereiro um total de 679 doentes.

As províncias mais afectadas são Sofala, no centro do país, que conta actualmente com um acumulado de 238 casos, Nampula (195), Niassa (115) e Zambézia (102), sendo que continuam a registar novos doentes todas as semanas.

“O sarampo é uma doença infecciosa viral aguda, geralmente grave em menores de 05 anos”, alerta a Direção Nacional de Saúde Pública, pedindo a todos os pacientes com sintomas para se dirigirem às unidades de saúde.

Refira-se que a campanha de vacinação contra o sarampo e rubéola de todas as crianças dos 09 aos 59 meses decorreu de 31 de Julho a 04 de Agosto de 2023, em todos os distritos das províncias de Manica, Sofala, Tete e Zambézia, bem como em nove distritos da província de Niassa.

Anteriormente, de Janeiro de 2020 até Junho de 2023, Moçambique registou 2 565 casos de sarampo, 80% dos quais notificados nas províncias de Niassa (norte) e Zambézia, Tete, Manica e Sofala (centro), afectando sobretudo menores de 05 anos.

+ LIDAS

Siga nos