O País – A verdade como notícia

O sociólogo Raúl Chambote defende que a educação deve ser gerida pelas províncias para não ser afectada pela época chuvosa. Já o académico e analista Jorge Matine diz que calendários de exames devem ser elaborados ao nível das províncias.

Diante do adiamento do arranque das aulas devido às inundações em algumas zonas do país, o sociólogo e investigador da área de educação, Raúl Chambote, discorda que uma redefinição da data para o início das aulas resolva o problema.

O facto é que o Governo, numa das sessões do Conselho de Ministros, decidiu adiar o arranque das aulas em todo país para final deste mês de Fevereiro, mesmo estando numa situação em que algumas províncias não se ressentem das cheias e inundações que afectam as zonas Sul e Centro do País.

“Ajustar, pode ajustar até Abril. Então como é que fica o caso da província do Niassa em que a colheita, a disponibilidade do excedente da produção, a possibilidade dos pais pagarem as despesas sobre os ritos de iniciação ocorre e como equacionar quando nós temos as crises?”, questiona Raúl Chambote.

O sociólogo defende que o calendário escolar deve ser repensado nesses termos e diz que os deputados devem conhecer melhor o país antes de tomar decisões. Ou seja, as decisões sobre o calendário escolar num Estado homogêneo como o nosso, que tem províncias com realidades homogêneas, segundo Chambote, são pensadas por pessoas que ignoram completamente a realidade do país.

“A situação das zonas urbanas, as escolas que estão na zona cimento neste país, não são necessariamente iguais, ou não estão em condições iguais que possam permitir o processo de ensino-aprendizagem em todo canto do país”, justifica.

Raúl Chambote diz não entender porque o processo de descentralização é ignorado quando se fala do sector da educação. “Curiosamente, todas as províncias são governadas por membros, digamos assim, eleitos do mesmo partido. Então, não vejo a desconfiança porque não permitirem que um governador da província sente com o seu Executivo e discutam o assunto e que proponham soluções para cada província. Não vejo nenhum porquê”, afirma. 

Por sua vez, o académico e analista Jorge Matine sugere a elaboração de exames provinciais de forma faseada para evitar constrangimentos. “É preciso retirar esses fantasmas e realmente dar às províncias essa autonomia para decidir, para gerir melhor os recursos, de como elas querem começar o ano e como elas podem dialogar em relação aos exames nacionais”, disse, dando como exemplo que “a primeira época pode fazer-se em três fases, ou quatro fases, época 1, época 2, as províncias vão dizer quais são as melhores épocas que elas podem se inscrever para os exames, tendo em conta este impacto”. 

Uma das grandes pressões que Matine diz ser preponderante é o facto do exame também ser nacional e o centro de educação universitária decidir quando é que o exame vai ocorrer. 

“Então, isso também cria uma grande pressão. Não há muita flexibilidade em relação a isso. Eu penso que é preciso repensar um pouco isso. Há países que adaptam-se aos exames diferentes de acordo com o que sabem que cada região tem formas diferentes de ver as coisas”. 

Jorge Matine e Raúl Chambote falavam nesta segunda-feira no programa Pontos de Vista da STV, que questionava a ideia de reprogramação do calendário escolar.

Moçambique surge como o país pior classificado entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) no Índice de Percepção da Corrupção (CPI) 2025, divulgado esta terça-feira pela organização Transparência Internacional.

O relatório, citado pela DW, revela que até democracias tradicionalmente associadas a elevados padrões de integridade, como os Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Suécia, registam um recuo significativo no combate à corrupção, evidenciando uma tendência global de deterioração da governação pública.

Na sua 31.ª edição, o CPI avaliou mais de 180 países e territórios com base na percepção da corrupção no sector público. Um dos dados mais preocupantes é a redução acentuada do número de países com pontuação superior a 80 pontos, anteriormente considerado um patamar de boa governação, que passou de 12, há cerca de 10 anos, para apenas cinco em 2025.

Entre os PALOP, Cabo Verde destaca-se como o país melhor posicionado, com 62 pontos. Seguem-se São Tomé e Príncipe, com 43 pontos, e Angola, que obteve 32 pontos, situando-se na média da África Subsaariana. Guiné-Bissau e Moçambique ocupam as últimas posições, ambos com 21 pontos.

O relatório assinala progressos em países como Angola, que registou uma subida de 17 pontos desde 2015, fruto de reformas e iniciativas de combate à corrupção. No entanto, segundo a Transparência Internacional, uma parte significativa da população angolana considera que os esforços governamentais continuam a ser insuficientes, existindo ainda receios de represálias contra cidadãos que denunciam práticas corruptas.

A nível global, a Dinamarca mantém-se no topo do índice pelo oitavo ano consecutivo, com 89 pontos, seguida da Finlândia (88) e de Singapura (84). Apesar disso, a Transparência Internacional critica a falta de uma liderança firme no combate à corrupção à escala mundial.

O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) alerta para um risco elevado de cheias e inundações em várias bacias hidrográficas do país, na sequência da previsão de impacto da tempestade tropical Gezani na costa moçambicana, entre os dias 13 e 14 de Fevereiro de 2026.

De acordo com um comunicado especial do Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE), baseado em previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) e da Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH), o sistema poderá afectar os distritos costeiros das províncias de Sofala, Inhambane e Gaza, agravando o cenário hidrológico já sensível nesta época chuvosa.

O INGD coloca em situação de risco alto as bacias costeiras de Inhanombe, Mutamba, Save e Limpopo, enquanto as bacias dos rios Incomati e Umbelúzi apresentam risco moderado. Face a este cenário, o Conselho Técnico de Gestão e Redução do Risco de Desastres (CTGRD) activou acções antecipadas para ciclones, sobretudo para a província de Sofala e regiões do sul do país.

Entre as principais medidas recomendadas estão o reforço da segurança das habitações, a identificação de locais seguros para abrigo, a preparação de kits básicos de sobrevivência com alimentos, água, medicamentos e documentos pessoais, bem como a retirada de pequenas embarcações das zonas de risco.

O comunicado orienta ainda as autoridades locais, com o apoio dos Comités Locais de Gestão e Redução do Risco de Desastres, a apoiarem evacuações preventivas sempre que necessário, com especial atenção a crianças, idosos, mulheres grávidas e pessoas com deficiência. Está igualmente prevista a preparação de centros de acomodação, com garantia de água e saneamento, e o pré-posicionamento de bens alimentares e não alimentares em pontos estratégicos.

O INGD apela à população para evitar a travessia de rios e zonas inundadas e reforça a necessidade de acompanhar permanentemente os comunicados oficiais e avisos emitidos pelas autoridades competentes, numa fase considerada crítica da evolução do sistema tropical.

A navegação marítima e a travessia de embarcações estão suspensas em toda a província de Inhambane a partir desta terça-feira, 11 de Fevereiro, como medida preventiva face à aproximação do ciclone tropical Gezani, que evolui no Sudoeste do Oceano Índico e poderá afectar severamente a costa moçambicana.

A decisão foi anunciada pela ITRANSMAR, no quadro do cumprimento das normas de segurança marítima e da salvaguarda da vida humana no mar. A suspensão mantém-se em vigor até que as autoridades declarem a normalização das condições meteorológicas.

Segundo o comunicado, a medida surge na sequência das informações emitidas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), que dão conta da intensificação do sistema tropical. De acordo com o INAM, a tempestade tropical moderada Gezani evoluiu para a categoria de ciclone tropical, registando ventos médios de até 155 quilómetros por hora, com rajadas que podem atingir 220 quilómetros por hora, deslocando-se na direcção sudoeste.

As projecções meteorológicas indicam que o sistema deverá atingir o Canal de Moçambique no dia 11 de Fevereiro, podendo aproximar-se da costa moçambicana como ciclone tropical no dia 13 de Fevereiro de 2026. O fenómeno poderá influenciar significativamente o estado do tempo nos distritos costeiros das províncias de Sofala, Inhambane e Gaza, com ventos fortes, rajadas intensas e chuvas abundantes.

Face a este cenário, as autoridades apelam à população, em particular aos operadores marítimos, pescadores artesanais e comunidades costeiras, para o estrito cumprimento das orientações de segurança e o acompanhamento permanente da informação meteorológica oficial difundida pelo INAM e pelos centros operativos de emergência.

A ITRANSMAR sublinha que a suspensão da navegação é uma medida cautelar e visa evitar acidentes marítimos numa fase considerada crítica da evolução do ciclone, reiterando que qualquer alteração será oportunamente comunicada pelas autoridades competentes.

O País volta a estar em alerta. As províncias de Gaza, Inhambane e Sofala poderão ser afectadas pela tempestade tropical “Gezani”, com potencial de evolução para ciclone tropical intenso e mais de um milhão de pessoas podem ser afectadas. As autoridades reforçam apelos para que as populações saiam das zonas de perigo.

A situação climatérica do País pode piorar nos próximos dias, com a entrada, no Canal de Moçambique, da tempestade tropical “Gezani”. 

O Instituto Nacional de Meteorologia alerta que o sistema vai provocar chuvas e ventos muito fortes, principalmente em Inhambane, por onde vai entrar, e sucessivamente no norte de Gaza e sul de Sofala.

“Temos a certeza de que esse sistema, depois de atravessar o Canal do Moçambique, ele vai fazer aproximação à nossa costa. Em termos de previsão de chuvas, nós podemos ver que durante os próximos dias, principalmente no dia 14 e dia 15, esse sistema, quando fizer aproximação à costa de Inhambane, poderá trazer grandes quantidades de precipitação. Estamos a falar de precipitação que poderá chegar a cerca de 500 milímetros em sete dias, ou seja, cerca de 500 milímetros em dois dias”, disse Acácio Tembe, meteorologista do INAM, que confirma que o movimento dos dias 14 e 15 de Fevereiro é para a costa moçambicana, sendo que depois desses dois dias vai fazer o movimento de saída.

Em consequência disso, a Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos alerta para o risco de agravamento da situação de inundações em Gaza e pressão em pelo menos seis bacias hidrográficas de Inhambane, em função da quantidade de chuva.

“Das análises que nós efectuámos, dos cálculos, nós mostramos aqui que temos cerca de seis bacias que nós podemos considerar estando numa situação de risco de inundações. Estamos a falar das bacias de Nhanombe ou Mutamba, que é na província de Inhambane, são bacias costeiras, são bacias relativamente pequenas, que, quando recebem precipitação, começam logo a transbordar e muitas das vezes é que tem criado problemas em termos de transitabilidade rodoviária, sobretudo na EN5, que além dela é em Inhambane, e muitas das vezes tem ficado condicionado esse troço quando nós temos precipitações elevadas”, disse Agostinho Vilankulo.

Para além das bacias de Inhambane, o director nacional de Gestão de Recursos Hídricos fala ainda da bacia do Sá, que também está em alerta, “mas neste momento ainda continua com níveis muito altos e tem condições lá criadas, uma vez que todos os solos, neste momento, estão saturados, já vinham recebendo precipitações, e nós também consideramos como sendo de alto risco”.

No Sul do País, existem mais barragens em risco, com destaque para a bacia do Limpopo. “O Limpopo já vinha criando situações, já há duas semanas, o Baixo Xai-Xai ainda está com muita água, estão com níveis relativamente altos e também, porque nós estamos a falar de um sistema tropical que muitas das vezes faz agitação no mar. O que vai acontecer é que ele pode bloquear. Se nós formos a ver, a saída do Limpopo é um delta, é aquele pequeno espaço ali do contacto com o mar, e quando as margens são altas, normalmente o Limpopo não consegue drenar as águas e vão-se acumulando, e isso pode incrementar o nível de inundação, sobretudo em Xai-Xai”, disse Agostinho Vilankulo. 

Entretanto, o gestor dos Recursos Hídricos disse que o País ainda não está numa situação de estresse total, “mas este é um cenário que se avança, se nós formos a receber precipitações de magnitude acima de 200 milímetros em 24 ou 48 horas, nós podemos voltar a ter a cidade de Xai-Xai em uma situação de estresse”.

O Centro Nacional Operativo de Emergência, CENOE, está já em alerta e a preparar-se para dar assistência a mais de um milhão de pessoas em risco de serem afectadas.

“Nós estamos preparados para cobrir, nos próximos 15 dias, 366 mil pessoas, com uma disponibilidade em termos de arroz, 1 milhão e 97 quilogramas, farinha, 922 mil e 146 quilogramas, feijão, 211 mil e 308 quilogramas, açúcar, 63 mil e 845 quilogramas, e temos ainda 168 mil e 912 litros de óleo e 25 616 quilos de sal”, assegurou Cristina Manuel.

A presidente do Instituto Nacional de Gestão de Desastres reforça os apelos para a tomada de medidas de segurança e precaução face aos riscos associados ao ciclone.

“Vamos continuar a apelar para que seja reforçada a segurança da cobertura das casas. Os estabelecimentos que têm praticamente infra-estruturas de vidro, nós temos estado a acompanhar e a passar a mensagem de protegerem com contraplacados, de modo que os ventos não possam danificar as infra-estruturas. Então, neste momento ainda temos tempo para ir preparar as nossas janelas, fechar com maior segurança, vamos ver como é que realmente são os nossos tectos, vamos ver como é que está a nossa estrutura da nossa casa, as nossas portas e também retirarmos todo o material que possa causar danos e esteja próximo. Estas medidas que nós estamos a trazer agora são medidas que são dadas antes da ocorrência do ciclone. Estamos a falar que nós temos várias fases, que é antes da ocorrência do ciclone, que nós estamos, esta é a fase que nós estamos a ter agora”, destacou Luísa Meque, presidente do INGD.

Para já, foram activadas acções antecipadas para garantir apoio na assistência às vítimas da tempestade tropical “Gezani”.

Um motorista de táxi por aplicativo, Yango, ajudou uma cidadã que se encontrava em trabalho de parto, dando à luz um bebé, durante uma viagem à caminho do hospital, na província de Maputo.

O episódio ocorreu quando Odete Pembele começou a sentir fortes contracções em casa. Por isso, decidiu solicitar uma viagem através do aplicativo Yango para se deslocar com urgência ao hospital.

O motorista da Yang respondeu ao pedido e, ao aperceber-se da gravidade da situação, manteve a calma e ofereceu apoio emocional à passageira. Assim, à medida que a viagem avançava, as contracções, segundo conta Odete, intensificaram-se e, de forma inesperada, o trabalho de parto iniciou, com auxílio do motorista. 

De acordo com a equipa médica do Centro de Saúde de Nkobe, citada no comunicado da empresa Yango,  o apoio prestado pelo motorista durante todo o trajecto, contribuiu para que o nascimento da bebé ocorresse em segurança até à chegada da parturiente e do seu bebé à unidade sanitária.

“Foi uma experiência inesperada, mas felizmente tudo correu bem. Estou grato por ter ajudado num momento tão delicado”,  relatou o motorista do Yango,  Gil Chissaque.

Por sua vez, Odete Pembele destaca a importância do apoio recebido.“Usei o aplicativo para ir ao hospital porque estava sozinha. Quando estávamos quase a chegar, as contracções já eram muito fortes e acabei por dar à luz dentro do carro. Graças a Deus tudo correu bem”. 

O apoio dos militares portugueses chegou a quase 80 mil pessoas vítimas das cheias em Moçambique em duas semanas de operação, além do desenvolvimento e disponibilização de uma plataforma de comando e controlo para gestão de meios em situações do género.

De acordo com o coronel Moutinho Fernandes, comandante da Força de Reação Imediata (FRI) de Portugal, os números resultam dos apoios prestados em várias valências nos dois maiores centros de abrigo de deslocados pelas cheias no país, na província de Gaza, em Chókwè, atingindo entre 50 mil e 60 mil pessoas, aos que somam outros dois em Maputo, com 20 mil.

“Percorremos uma área grande, com algumas valências”, sublinhou, citado pela Lusa, exemplificando a presença de um destacamento de fuzileiros, que permitiu o transporte nos sítios onde “não havia passagem para populações que estavam isoladas, quer com medicamentos, quer com abastecimentos”.

A operação incluiu “duas equipas médicas, que providenciaram esse apoio em alguns campos, inclusive no Hospital Provincial de Xai-Xai”, detalhou o coronel, que lidera a Força de Apoio Militar de Emergência de Reacção Imediata, com 36 militares e no terreno desde 31 de Janeiro.

No Hospital Provincial de Xai-Xai, na capital de Gaza, foi possível disponibilizar um médico urologista, que não havia.

Acrescem “cerca de 1.500 consultas”, o transporte de mais de 20 toneladas de abastecimentos e medicamentos ou o apoio à logística de organizações no terreno, incluindo em zonas sitiadas pelas cheias, já consideradas as mais graves em décadas.

Com mais de 724 mil afectadas, sobretudo no sul, e 100 mil pessoas deslocadas em cerca de 110 centros de abrigo desde Janeiro, o apoio português alargou-se à coordenação das operações, com uma equipa de inteligência geográfica que desenvolveu, em Maputo, uma ferramenta informática de comando e controlo.

Segundo o coronel Fernandes, esta ferramenta informática permite saber onde é que estão as equipas, as necessidades dos campos, inclusive integrando dados de outras organizações, com fotografias e informação, numa única plataforma.

“Permite não só controlar as nossas operações, saber onde é que somos precisos exactamente, mas também ver o que é que eles precisam mais em cada campo, que tipo de abastecimento, quantas pessoas são, onde é que têm mais necessidades”, disse ainda, citado pela Lusa.

A operação ‘Kanimambo’ (obrigado, em português) termina no final desta semana e permitiu disponibilizar a versão actual da plataforma às autoridades moçambicanas, militares e de protecção civil, com Portugal disponível para apoiar o seu desenvolvimento.

“Eventualmente com o nosso apoio, se assim entenderem, para que no futuro possa dar origem a um sistema de comando e controlo neste tipo de acontecimentos, de cheias e outras catástrofes naturais”, disse.

Reconhecendo que a situação “está a voltar um bocadinho à normalidade”, com as autoridades locais a terem capacidade para dar resposta, o tempo já não é de emergência e já se fazem balanços.

“Extremamente positivo. Não só pelo sentimento que temos, de cumprir a missão, mas pela cara das pessoas e pelo conjunto de famílias que conseguimos ajudar”, assumiu, falando à margem de nova entrega, na Base Aérea de Maputo, de duas toneladas de produtos alimentares e 200 mil produtos de saúde às vítimas das inundações.

Para o embaixador português em Maputo, Jorge Monteiro, este novo apoio é mais um exemplo da “relação especial” e “histórica” entre os dois países, numa missão prestada numa altura de cheias também em Portugal.

“O facto de Portugal estar neste momento também debaixo de condições atmosféricas, climatéricas extremas, com chuvas torrenciais, com ventos muito fortes que deixaram um rastro de destruição um pouco por todo o país, não nos impede de marcar presença em Moçambique, no momento em que Moçambique também precisa da nossa ajuda. E é isto que eu acho que valoriza ainda mais a presença destes militares aqui, que enobrecem e que nos orgulham a todos com a sua acção”, disse.

“Moçambique sabe que pode contar com Portugal tanto nas horas boas como nas horas más. Esta, infelizmente, é uma hora má, mas queremos que seja rapidamente ultrapassada e que nos possamos focar também numa cooperação mais orientada para o desenvolvimento integrado e sustentável do país”, acrescentou, citado pela Lusa, Moutinho Fernandes, comandante da Força de Reação Imediata (FRI) de Portugal.

Pelo menos três crianças foram raptadas na aldeia Mumo, a menos de 40 quilómetros da vila sede do distrito de Mocímboa da Praia, província de Cabo Delgado, por alegados terroristas, disseram à Lusa fontes da comunidade local.

Os raptos de crianças, duas meninas de 12 e 13 anos e um rapaz de 14 anos, aconteceram quando os terroristas entraram na comunidade, recolhendo para parte incerta os menores, que na altura estavam a brincar próximo das suas residências.

“Vieram até à aldeia, não dispararam, acho que era para não perturbar, e daí levaram as crianças. Até agora ninguém sabe o paradeiro certo”, relatou à Lusa uma fonte da comunidade local, a partir de Mocímboa da Praia.

A comunidade comunicou às autoridades o sucedido e neste momento decorrem acções para descobrir o possível destino das vítimas.

As famílias das vítimas receberam, entretanto, a visita do administrador de Mocímboa da Praia, Sérgio Domingos Cipriano, que foi consolar e garantir que as Forças de Defesa e Segurança estão a trabalhar para encontrar as crianças.

“O administrador chegou e viu de perto a situação. As populações estão ansiosas em ver as crianças a retornar a casa”, disse a mesma fonte.

A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado a 5 de Outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

A Organização Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) estimou, anteriormente, que a província de Cabo Delgado registou seis eventos violentos em duas semanas, envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram pelo menos três mortos, elevando para 6.432 os óbitos desde 2017.

Há vários dias que a família de uma jovem moçambicana falecida em Portugal, vítima da tempestade Kristin, enfrenta dificuldades para proceder à transladação do corpo para Moçambique, por falta de recursos financeiros. O processo custa cerca de 350 mil meticais, valor que os familiares dizem não possuir. O Governo garante estar a acompanhar o caso e promete apoio, mas, até ao momento, não avançou com medidas concretas nem com prazos definidos.

Helda Muianga, de 28 anos de idade, era a filha mais nova de Joana Chiure. A 16 de Janeiro, partiu para Portugal em busca de uma oportunidade de trabalho, mas acabou por perder a vida apenas 14 dias depois de chegar ao país, na cidade de Leiria, uma das zonas mais afectadas pela tempestade.

“Ela estava na cidade de Leiria, que foi onde houve mais problemas. Na quinta-feira tentei ligar novamente, mas já não atendia. Uma pessoa conhecida, que também falava com ela, ligou para o meu genro e contou-nos a situação, que ela já não estava bem, que já não estava entre nós”, contou Joana Chiure, mãe da vítima.

Segundo a família, Helda perdeu a vida no dia 27 de Janeiro, em consequência do desabamento da residência onde se encontrava. Vinte e cinco dias depois da tragédia, a mãe ainda tenta assimilar a perda da filha.

“Éramos duas filhas, agora fiquei só com uma. Tinha muitos sonhos, já tinha concluído a faculdade e esperava-se muita coisa dela, porque era nova. Tinha apenas 28 anos, este ano faria 29. É uma perda que eu nem consigo descrever”, lamentou.

Licenciada em Relações Internacionais, Helda Muianga sonhava com uma carreira ligada à diplomacia e à internacionalização profissional. Agora, ironicamente, é necessária uma intensa articulação diplomática para garantir a transladação do seu corpo para Moçambique.

A Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros assegura que o Governo está a trabalhar para apoiar a família no processo.

“Estamos a trabalhar no sentido de apoiar a família na transladação da urna. Quanto a datas, ainda não temos uma previsão concreta, pois estamos a coordenar com a nossa missão diplomática em Lisboa. Após o óbito, há procedimentos legais e administrativos internos que precisam de ser cumpridos”, explicou esta segunda-feira Maria de Fátima Manso.

De acordo com a família, o custo da transladação ronda os 5 mil euros, o equivalente a cerca de 350 mil meticais. Enquanto aguardam por uma solução institucional, familiares e amigos lançaram uma campanha solidária nas redes sociais para angariar fundos.

“Pedimos apoio e pessoas de boa vontade começaram a contribuir. Mas ainda estamos a tentar juntar o valor necessário para que ela possa regressar ao país. Já passaram duas semanas e o valor exigido continua a ser muito elevado”, explicou a mãe.

O corpo de Helda Muianga encontra-se no Instituto de Medicina Legal de Coimbra. A transladação dependerá do apoio do Estado moçambicano ou da solidariedade de cidadãos e instituições de boa vontade

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