O País – A verdade como notícia

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) desencadeou uma operação no Bairro militar, na cidade de Maputo, e apreendeu quantidades ainda não calculadas de drogas diversas. A operação, assistida por várias sub-unidades da Polícia da República de Moçambique, continua, esta tarde, no Bairro de Mafalala, periferia da capital.

A zona norte de Cabo Delgado ficou parcialmente isolada do resto da província, durante uma semana, devido à insegurança na Estrada Nacional número 380. A circulação na via foi interrompida no dia 22 de Fevereiro último, depois de um ataque a uma coluna da viatura escoltada pelas Forças de Defesa e Segurança, e só foi reaberta no dia 02 de Março.

Com a reabertura da estrada, a vida tende a voltar ao normal. No entanto, o medo continua. 

A população de Cabo Delgado já pediu várias vezes o reforço  de segurança  ao longo da estrada N380, mas, até hoje, a situação continua igual,  o pior de tudo, e que algumas pessoas reclamam de  falhas na escolta de viaturas.

Havendo dificuldades na escolta de viaturas ao longo da N380, a população de Cabo Delgado pede por melhoria de uma outra estrada alternativa  para a zona norte da província que é considerada relativamente segura.

A estrada N380 é uma das mais bem guarnecidas do país , uma vez que, além da escolta, a cidade é patrulhada diariamente pelas Forças Armadas de Moçambique e do Ruanda.

O “O País” apresentou as preocupações da população ao comando provincial sobre as supostas falhas na escolta de viaturas na N380, mas não obteve resposta.

Gueta  Chapo, visitou, esta sexta-feira, o Hospital Provincial  de Pemba, em Cabo Delgado, onde entregou produtos alimentares e  enxovais para recém-nascidos, para reforçar o apoio aos pacientes e profissionais de saúde, bem como a chamar a  atenção para a importância da nutrição, sobretudo entre mulheres  grávidas e crianças. 

A visita enquadra-se no conjunto de actividades que a Primeira-Dama  tem vindo a realizar na província de Cabo Delgado desde a sua  chegada, com enfoque no apoio a grupos vulneráveis e no reforço da  solidariedade social.

“Desde o dia que nós chegamos, realizámos várias actividades e hoje  decidimos visitar o Hospital Provincial, tendo em conta que é aqui  onde se encontra muitos pacientes de vários distritos da nossa  província. E viemos apoiar também na área da cozinha, tendo em  conta que, às vezes, temos ouvido relatos de falta de produtos  alimentares e nós temos estado a distribuir os produtos alimentares  para as pessoas com deficiência, as pessoas vulneráveis”. 

Durante a visita, a Primeira-Dama entregou igualmente enxovais para  recém-nascidos, destacando a importância de garantir melhores  condições para as mães e os bebés desde os primeiros dias de vida. 

“E hoje trouxemos não só produtos alimentares, trouxemos também 21  enxovais para os nossos bebés e encontramos mais outros bebés.  Significa que a província de Cabo Delgado ainda tem muitos bebês. E  de todos os bebês que nós visitamos, encontramos alguns desnutridos  e temos que continuar a trabalhar com a população para poder  alimentar bem os nossos bebés”. 

Na ocasião, sublinhou ainda que a nutrição infantil começa antes  mesmo do nascimento, defendendo a necessidade de uma  alimentação adequada das mulheres grávidas para garantir o  desenvolvimento saudável das crianças. 

“E alimentar bem os nossos bebés começa a partir da gravidez da  mãe. E se a mãe alimentar-se bem também, o próprio feto vai se  desenvolvendo melhor, o seu nascimento também será melhor e a  mãe também terá uma saúde melhorada”. 

No âmbito da iniciativa, o Gabinete da Primeira-Dama ofereceu  diversos produtos destinados a reforçar a alimentação no hospital. “E  para o Hospital Provincial nós conseguimos deixar 100 sacos de 25 kg  de farinha, também deixamos 40 sacos de arroz, de 25 kg”. 

A ajuda incluiu também outros bens alimentares e de higiene,  destinados a melhorar as condições de assistência aos pacientes e  apoiar o trabalho dos profissionais de saúde. A Primeira-Dama explicou  que foram deixados dois sacos de feijão, 20 caixas de sabão, óleo, 620  frangos e peixe, com o objectivo de diversificar a dieta dos pacientes, permitindo que, além do feijão, possam também consumir frango  e peixe. Acrescentou que os produtos se destinam não apenas aos  doentes, mas aos profissionais de saúde que trabalham no  hospital.

No final da visita, a Primeira-Dama elogiou o trabalho desenvolvido  pela direcção e pelos profissionais da unidade sanitária, destacando  as condições de organização e de atendimento aos pacientes. 

“Encontramos o hospital limpo, tudo bem organizado, os pacientes  bem tratados, e os colegas estão a trabalhar muito bem, não tivemos  nenhuma razão de queixa. Estão de parabéns! Que continuem assim,  porque a nossa população precisa desse atendimento melhorado,  precisa desse atendimento humanizado”.

A Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, reafirmou esta quinta-feira, na província de Cabo Delgado, o compromisso do seu Gabinete em continuar a apoiar mulheres, crianças, idosos e outros grupos vulneráveis, defendendo que ninguém deve enfrentar sozinho os desafios provocados pela pobreza, deslocamento e outras situações de fragilidade social.

A mensagem foi transmitida no âmbito de uma visita de trabalho iniciada no dia 3 do corrente mês, durante a qual a Primeira-Dama manteve encontros com líderes religiosos, idosos, crianças deslocadas, mulheres reclusas e membros de diversas comunidades locais, combinando gestos de solidariedade com a escuta das principais preocupações das populações.

Num encontro com a Comunidade da Mulher Islâmica, Gueta Chapo destacou algumas das actividades realizadas desde o início da visita, incluindo a entrega de bicicletas a líderes comunitários e a participação nas celebrações do Dia do Destacamento Feminino com mulheres combatentes.

A Primeira-Dama sublinhou ainda que o período espiritual vivido no país, marcado simultaneamente pelo mês sagrado do Ramadã e pela Quaresma cristã, inspirou acções concretas de solidariedade junto das comunidades locais, incluindo momentos de oração, quebra do jejum e a entrega de cestas básicas para apoiar famílias carenciadas.

Durante a deslocação à Aldeia S.O.S., onde estão acolhidas crianças deslocadas, Gueta Chapo manifestou emoção ao ouvir os testemunhos das menores e reiterou o compromisso do seu Gabinete em continuar a apoiar instituições que trabalham na protecção das crianças vulneráveis em todo o país, com especial atenção à província de Cabo Delgado. Na ocasião, anunciou também a reabilitação das infra-estruturas da instituição, tendo em conta o estado de degradação do tecto.

A agenda incluiu igualmente um encontro com idosos da província, durante o qual a Primeira-Dama apelou à partilha de conselhos e experiências de vida, destacando o papel da sabedoria dos mais velhos na orientação das acções do Estado.

A visita terminou com uma passagem pela Penitenciária Feminina de Cabo Delgado, onde transmitiu uma mensagem de esperança às mulheres privadas de liberdade e anunciou apoio material destinado a melhorar as condições do estabelecimento.

Na ocasião, Gueta Chapo recordou que o período espiritual vivido no país constitui também um momento de reflexão, caridade e renovação, valores que, segundo afirmou, devem reforçar a solidariedade entre os moçambicanos.

O Presidente da República, Daniel Chapo, inaugurou, nesta sexta-feira, a Ponte-Cais de Inhaca, infra-estrutura considerada estratégica e vital para a vida da população daquele ponto da cidade de Maputo. 

Falando na cerimónia, o Chefe do Estado disse que, com a  entrada em funcionamento da ponte, elimina-se um constrangimento histórico, pois durante anos a maré baixa condicionou viagens, encareceu bens e dificultou a vida da população de Inhaca.  

No seu discurso, Chapo enfatizou os benefícios da infra-estrutura, com destaque para a redução de custos por parte dos comerciantes, ao mesmo tempo que entende que os jovens poderão encontrar novas oportunidades com o eventual crescimento do turismo.

Para Daniel Chapo, a Ponte-Cais vai impulsionar o turismo e dinamismo, tendo em conta que criará mais geração de empregos, facto que vai ao encontro da visão do Governo. 

Mais do que isso, o Chefe do Estado espera que a infra-estrutura estimule a ampliação da rede viária na Ilha de Inhaca, conectando o Cais à Vila, aos aeródromos e ao Centro de Biologia Marítima, garantindo a eficiência da mobilidade segura e integrada.  

Falando à população, Daniel Chapo lançou um vigoroso apelo para a necessidade da conservação da infra-estrutura.

“Não queremos que a ponte promova um aumento descontrolado de veículos motorizados, que possam comprometer o equilíbrio ambiental da Ilha”, apelou o Chefe do Estado.

Nesse sentido, Chapo entende que as autoridades do Governo local, em coordenação com as autoridades tradicionais e comunitárias são chamadas a liderar a prevenção e a preservação da Ilha, impondo disciplina, civismo e organização. 

“Não queremos ver bancas de venda ao longo da ponte, pois ela deve servir exclusivamente para acostagem e mobilidade de pessoas e bens. Deve ser um espaço limpo, seguro e com uma boa manutenção”, apela Chapo.

O Chefe do Estado alerta também que a manutenção regular da ponte será fundamental para preservar o investimento público, daí que os peões e veículos autorizados devem observar rigorosamente as regras de trânsito estabelecidas.

“A observância das regras de utilização estende-se, igualmente, às embarcações artesanais e demais operadores que utilizarem a Ponte-Cais, cumprindo os protocolos definidos”, disse Daniel Chapo, que alerta ainda que “não podemos permitir acidentes evitáveis nem o uso desordenado de infra-estruturas”.

As obras de construção da Ponte-Cais de Inhaca, que tem uma extensão de cerca de um quilómetro, iniciaram em Dezembro de 2024 e custaram 14 milhões de dólares, num investimento da Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC),  Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e do Estado moçambicano. A infra-estrutura tem vida útil de 50 anos e estará sob gestão do Conselho Municipal de Maputo.

Perdeu a vida, nesta quinta-feira, o antigo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), Lázaro Henriques Lopes Menete, vítima de doença. 

Em uma nota de pesar, publicada no Facebook, o Ministério de Defesa de Moçambique enalteceu o elevado sentido de missão, patriotismo e contributo ao desenvolvimento e na consolidação das Forças Armadas de Defesa de Moçambique.

“Neste momento de dor e consternação, endereço, em meu nome pessoal e em nome do Ministério da Defesa Nacional, as mais sentidas condolências à família enlutada, aos amigos e a todos os membros das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, que hoje se despedem de um distinto oficial general que dedicou grande parte da sua vida ao serviço da Pátria, à defesa da soberania nacional e ao fortalecimento das nossas instituições militares”, lê-se no texto. 

Pelo menos 15 pessoas perderam a vida e outras 17 ficaram feridas, na sequência de um grave acidente de viação registado na manhã desta quinta-feira no distrito de Marávia, província de Tete. O sinistro ocorreu por volta das 11 horas, na região de Cantina de Oliveira, ao longo da estrada rural número 303, segundo confirmou o Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM).

De acordo com informações preliminares avançadas pelas autoridades, o acidente envolveu um veículo pesado de transporte de mercadorias, que na ocasião transportava igualmente passageiros.

O veículo terá registado falhas mecânicas, sobretudo no sistema de travões, situação que terá provocado a perda de controlo por parte do condutor, culminando com despiste e posterior capotamento fora da faixa de rodagem.

As autoridades indicam que 15 pessoas morreram no local do acidente, enquanto 17 outras sofreram ferimentos, entre as quais sete em estado considerado grave e dez com ferimentos ligeiros. As vítimas foram socorridas e encaminhadas para unidades sanitárias da região para receber assistência médica.

Segundo o Comando Provincial da PRM, equipas de socorro e autoridades locais deslocaram-se imediatamente ao local após a ocorrência do acidente, onde realizaram uma avaliação preliminar da situação e iniciaram o processo de recolha de informações para determinar as circunstâncias exatas do sinistro.

“Dados preliminares indicam que a viatura registou deficiências mecânicas, particularmente no sistema de travagem, o que acabou culminando com o despiste e capotamento do veículo”, referiu a polícia.

Entretanto, foi destacada para o local uma equipa multissetorial, composta por diferentes instituições, que deverá proceder a uma investigação mais aprofundada sobre as causas do acidente. O objetivo é identificar com precisão os fatores que contribuíram para a ocorrência do sinistro e, posteriormente, propor medidas de prevenção e segurança rodoviária para evitar situações semelhantes no futuro.

As autoridades reconhecem igualmente que, em algumas zonas rurais do país, a escassez de meios de transporte público para passageiros leva frequentemente à utilização de veículos destinados ao transporte de mercadorias para o transporte de pessoas, prática considerada arriscada e que pode agravar as consequências em caso de acidente.

Relativamente às vítimas mortais, a polícia esclareceu que o processo de identificação ainda está em curso, uma vez que o impacto do acidente dificultou o reconhecimento imediato de alguns dos ocupantes da viatura. Entre as vítimas encontra-se também o condutor do veículo, cuja identidade ainda não foi oficialmente confirmada. As autoridades trabalham agora no levantamento das identidades das vítimas para permitir o contacto com os respetivos familiares.

O Comando Provincial da PRM lamentou profundamente a perda de vidas humanas resultante deste acidente e reiterou que a preservação da vida humana nas estradas constitui uma das principais prioridades das autoridades.

Na ocasião, a polícia aproveitou para reforçar o apelo aos condutores no sentido de adotarem comportamentos responsáveis na condução. Entre as recomendações destacam-se a verificação prévia das condições mecânicas das viaturas, especialmente do sistema de travagem, o cumprimento rigoroso dos limites de velocidade, a condução prudente e a abstenção do consumo de bebidas alcoólicas antes de se fazerem às vias públicas.

“As medidas de prevenção e o respeito pelo Código de Estrada são fundamentais para evitar o derramamento de sangue nas nossas estradas”, sublinharam as autoridades.

A polícia assegurou ainda que, à medida que novas informações forem recolhidas no terreno pela equipa destacada, dados adicionais serão partilhados com os órgãos de comunicação social, incluindo detalhes sobre as circunstâncias do acidente e a identificação completa das vítimas.

O acidente volta a chamar a atenção para os desafios da segurança rodoviária em zonas rurais, onde as longas distâncias, as limitações de transporte público e as condições técnicas das viaturas podem aumentar significativamente o risco de sinistros graves.

O bispo emérito da Diocese dos Libombos, Dinis Sengulane, celebrou esta quinta-feira, 5 de Março, 80 anos de vida. Ao longo de várias décadas, dedicou-se à fé, à reconciliação entre moçambicanos e à promoção de iniciativas sociais que continuam a transformar comunidades.

Considerado por muitos um peregrino da paz, Dom Dinis tornou-se uma das vozes morais mais respeitadas de Moçambique.

Filho de Salomoni Sengulane e de Rosita Massango, nasceu em 1946, no posto administrativo de Zandamela, na província de Inhambane Province. Desde cedo demonstrou uma inclinação para a vida religiosa. Conta-se que, ainda criança, inventava missas e brincava de baptizar bonecos.

Quando nasceu recebeu o nome Nyanzume, do cicopi, que significa “fazedor das coisas do céu”. Para muitos, esse nome acabou por se tornar um verdadeiro prenúncio da missão que viria a abraçar.

Com o passar dos anos, a vocação transformou-se em realidade. Em 1976 foi consagrado bispo anglicano, iniciando um percurso de liderança religiosa que marcaria profundamente a igreja e a sociedade moçambicana.

 

O homem por trás do bispo

Antes de ser uma figura pública, Dom Dinis é também o pilar de uma família numerosa. Aos 80 anos é pai de nove filhos, avô de vinte netos e referência para uma extensa família.

A vida familiar conheceu também momentos difíceis. Em 1998 perdeu a sua esposa, um episódio que marcou profundamente a família. Mesmo assim, decidiu seguir em frente e dedicar-se ainda mais aos filhos, assumindo simultaneamente o papel de pai e mãe.

Hoje, filhos, netos e sobrinhos reconhecem nele um conselheiro permanente, alguém que em momentos de dificuldade encontra sempre palavras de encorajamento e orientação.

 

Uma voz pela paz

A liderança de Dom Dinis ganhou especial relevância durante um dos períodos mais difíceis da história de Moçambique: a guerra civil que dividiu o país durante anos.

Nesse contexto, a sua missão religiosa ultrapassou os limites da igreja. O bispo passou a desempenhar um papel activo na promoção do diálogo e da reconciliação entre moçambicanos, contribuindo para aproximar partes em conflito.

Esse esforço culminaria na assinatura do acordo geral de Paz, em Outubro de 1992. 

Para muitas figuras da sociedade moçambicana, Dom Dinis foi um dos líderes religiosos que ajudaram a criar pontes num momento em que o país mais precisava de reconciliação.

 

Transformar armas em enxadas

Depois da guerra, quando o silêncio das armas ainda ecoava na memória colectiva, Dom Dinis lançou uma iniciativa que viria a tornar-se conhecida internacionalmente.

O projecto Transformar armas em enxadas, incentivou antigos combatentes e comunidades a entregarem armas em troca de instrumentos de trabalho.

As armas recolhidas foram depois transformadas em ferramentas agrícolas e também em peças de arte, num poderoso símbolo de reconciliação e reconstrução nacional.

 

Compromisso social

A acção de Dom Dinis não se limitou à promoção da paz. O bispo também se destacou no combate à malária, através da campanha Fazer Recuar a Malária. 

A sua intervenção ajudou a chamar a atenção para o paradoxo de milhares de pessoas continuarem a morrer de uma doença que tem tratamento, pressionando governos e instituições a reforçarem a resposta ao problema.

Ao longo do seu ministério, que este ano assinala 50 décadas de sacerdote,  Dom Dinis tem sido reconhecido dentro e fora do país pela sua coragem moral e pela defesa da justiça social.

 

Um legado que continua

Mesmo depois de se retirar das funções episcopais, Dom Dinis Sengulane continua activo em projectos sociais e iniciativas de fé, mantendo o compromisso com a paz, a justiça e o bem-estar das comunidades.

Aos 80 anos, a sua trajectória continua a inspirar muitos moçambicanos , não apenas como líder religioso, mas como um homem que procurou transformar a fé em acção concreta.

 

Depoimentos 

 

Lina Sengulane – Esposa 

“É uma pessoa de fácil trato. É uma pessoa que não quer ver conflitos, não quer ver confusão. É uma pessoa calma, serena. Ele consegue ficar igual a si, mesmo, em momentos bons e em momentos difíceis. É um grande contador de anedotas. Ele conta anedotas uma acima da outra, então aí toda a gente ri, toda a gente fica feliz.Não somos só marido e mulher, somos companheiros, somos amigos”. 

 

Esperança Mangaze – Amiga/ Crente 

A ti, sacerdote para sempre, escolheu teu Pai dos céus para que fosses um outro Cristo. Para que os teus pés continuassem a caminhar nos caminhos do mundo. Eu tinha nove anos,  mas essa mensagem ficou e eu olho para o Dom Dinis Sengulane a representar essa figura, não só para mim, mas para muitas outras pessoas. É aquele exemplo de pessoa que nós todos queremos seguir.

 

Graça Machel – Activista Social / Amiga 

O Bispo foi falar com o Presidente Chissano e disse que é preciso acabar com a guerra entre moçambicanos e explicou muito bem, o que aquela guerra significava para milhões de moçambicanos (…) Encontrou-se com Afonso Dlhakama, também para o convencer de que o sacrifício enorme que era exigido ao povo moçambicano não justificava.

 

Joaquim Chissano – Antigo Presidente da República

Formaram um grupo que foi aos Estados Unidos da América por minha sugestão. Lá foram à procura de elementos capazes de nos conduzirem a um contato com a liderança da Renamo, para iniciarmos um diálogo mais credível, começando pela preparação. É assim que fomos dialogando até se constituir a delegação que foi à Nairobi. O bispo Sengulane disse que nós devíamos nos transformar, nós próprios, em paz, que nós somos paz, então criou a saudação: Olá Paz”

 

Armando Guebuza – Antigo Presidente da República 

Quando ele diz Olá Paz, a gente sente que está a dizer uma coisa que vem do fundo do coração, e transmite essa convicção também,essa boa vontade aos outros, às pessoas que o ouvem, por isso,eu o conheço neste processo de paz e no processo da necessidade de apaziguar, ainda mais, os corações, as mentes dos cidadãos.

 

Bruno Sengulane – Filho 

Dom Dinis Sengulane é pai, mas, acima de tudo, é um pilar e a fundação que moldou o homem que eu sou hoje e também que molda os valores que vou passando para as pessoas com quem convivo, especialmente para os meus filhos. É Uma pessoa que está a completar 80 anos, mas tem projectos para daqui há 10 anos e 20 anos e vai fazendo a sua vida nesse ritmo”.

Centenas de crianças falharam o regresso às aulas por falta de material escolar nos distritos mais assolados pelas cheias em Gaza. Pais e encarregados de educação, alguns em situação de desemprego, dizem-se abandonados pelo Governo após as enxurradas.

Apesar do início do ano lectivo em todo o país, centenas de crianças na província de Gaza continuam sem frequentar as aulas devido aos efeitos das cheias que destruíram escolas, casas e material escolar.

Em Gaza, o arranque das aulas ocorre num cenário considerado crítico e preocupante. As recentes inundações provocaram a destruição de cerca de 200 escolas e afectaram directamente mais de 100 mil alunos em quatro distritos.

Em alguns estabelecimentos de ensino, as condições ainda são precárias. Há escolas onde os alunos não têm sequer cadeiras para se sentar e, segundo relatos locais, poucas intervenções foram feitas até agora para melhorar a situação.

Na cidade de Chókwè, particularmente no bairro 1, pelo menos 300 crianças estão fora da escola por falta de material escolar. Muitas famílias perderam tudo durante as cheias, incluindo uniformes, cadernos, mochilas e calçados.

Entre os casos mais marcantes está o de Sara, uma menina de oito anos que frequenta a quarta classe. A criança relata que perdeu todo o material escolar durante as inundações.

“Levaram tudo: uniforme, pastas, cadernos e sapatos”, contou.

Sara vive actualmente com a avó, que está desempregada e sem meios para comprar novos materiais. A família enfrenta também dificuldades básicas, incluindo falta de alimentos e condições adequadas de abrigo.

A situação repete-se em vários bairros da parte baixa da cidade de Chókwè e também nos distritos de Guijá e Chibuto, onde mais de mil crianças vítimas das cheias enfrentam dificuldades para regressar à escola. A maioria frequenta entre a primeira e a sexta classes.

Pais e encarregados de educação apelam a uma intervenção urgente das autoridades para garantir que os alunos possam retomar os estudos. Segundo alguns encarregados, muitas crianças já perderam vários dias de aulas por falta de uniformes e material escolar.

Para aliviar a situação, algumas organizações internacionais começaram a distribuir kits escolares em zonas mais afectadas. Estima-se que cerca de 1.146 kits sejam entregues em três escolas, beneficiando alunos da primeira à sexta classe.

Mesmo assim, a ajuda ainda é insuficiente face à dimensão dos prejuízos causados pelas cheias.

O sector da educação na província de Gaza deverá pronunciar-se oficialmente sobre a situação das escolas afectadas e o andamento do ano lectivo. Enquanto isso, pelo menos quatro escolas primárias no distrito de Chicualacuala continuam com acesso condicionado devido às inundações que atingem a região desde Janeiro.

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