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Agentes económicos de Macia, em Gaza, amotinaram-se em frente ao tribunal judicial  do Bilene, em protesto a uma detenção ilegal de dois comerciantes, e acusam Agentes da Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e da  Polícia  de República de Moçambique de  detenções arbitrárias e extorsões em valores que variam de mil a 15 mil Meticais. 

O grupo diz atravessar dias e noites de pesadelo desde Fevereiro e acusa agentes do SERNIC de  chantagens, detenções arbitrárias e extorsões de valores, que variam entre  2 a 15 mil Meticais.

De acordo com os  queixosos, quem resiste às alegadas cobranças ilícitas é recolhido às celas do Comando Distrital de Macia, onde segue sob ameaças e pressão de agentes da PRM.  Sem gravar entrevista, o SERNIC garantiu  estar a par do assunto e que há investigações para apurar a identidade dos envolvidos.

Mas para já , o grupo exige a devolução de vários bens apreendidos nos últimos dois dias.

Foram detidos cinco Agentes da PRM que se faziam passar por agentes do SERNIC em Bilene.

O conflito no Médio Oriente já começa a fazer-se sentir no Porto de Maputo, sobretudo nas operações de manuseamento de carga, com registo de atrasos na entrada e saída de camiões devido à escassez de combustível nos países da região.

Apesar de o impacto ainda ser gradual, o presidente do Conselho de Administração da Maputo Port Development Company, (MPDC),  Osório Lucas, aponta os primeiros sinais nas operações logísticas. “Actualmente, já sentimos atrasos operacionais. Estamos, por exemplo, a descarregar um navio com cerca de 25 mil toneladas de arroz, o que exige um fluxo constante de camiões para recepção e expedição”, explicou.

A escassez de combustível tem impedido a chegada atempada de alguns camiões, condicionando o ritmo de descarga. Ainda assim, segundo Osório Lucas, não há, para já, impacto significativo nos volumes de carga, tanto geral como a granel.

O gestor admite, contudo, possíveis efeitos a curto prazo na carga contentorizada, tendo em conta a dependência de rotas internacionais, nomeadamente, através do porto de Porto de Jebel Ali, um dos principais pontos de triangulação para Maputo. “Se até março não houver impacto relevante, é possível que em Abril comecemos a sentir algum efeito”, referiu.

A crise dos combustíveis está também a afectar a eficiência operacional, ao prolongar o tempo de permanência dos navios no porto. Este cenário traduz-se em custos adicionais, sobretudo ao nível do frete marítimo.

“Um navio pode custar entre 15 mil e 25 mil dólares por dia. Se uma operação passa de três para cinco dias, há custos adicionais. Além disso, o frete aumentou, passando de cerca de 20 para mais de 30 dólares por tonelada na carga a granel”, explicou o PCA.

Apesar destes constrangimentos, o Porto de Maputo mantém-se competitivo, com as linhas de navegação operacionais e os exportadores a continuarem a recorrer à infraestrutura, ainda que enfrentando custos mais elevados.

O Procurador-geral da República diz que os raptores estão a infiltrar-se nos Órgãos de Estado para fragilizar a capacidade de investigação e combate aos crimes. Américo Letela, que presta o seu informe anual à Assembleia da República, alerta que os mineradores artesanais têm alto potencial de transformar-se em grupos armados para fragilizar autoridade do Estado.

O crime de rapto constitui uma das manifestações mais graves da criminalidade organizada no nosso país. As redes criminosas operam muitas vezes com ramificações transnacionais, estrutura hierarquizada e utilização intensiva de meios tecnológicos sofisticados, bem assim como recurso a mecanismos de corrupção e infiltração nos órgãos do Estado, tornando mais complexa a investigação”, disse Américo Letela, durante o seu informe anual na Assembleia da República.

Letela alerta que há mudança no “modus operandi” dos raptores, usando tecnologias avançadas com maior incidência para meios criptografadas de comunicação e o pagamento de resgate em criptomoedas. 

No contexto da mineração, o Procurador-Geral sublinha que têm estado a acompanhar com preocupação fenómenos criminais que transcendem a dimensão estritamente jurídica,  destacando a crescente interligação entre a mineração ilegal e a probabilidade de formação de grupos armados.

“A mineração ilegal tem vindo a expandir-se em várias regiões do nosso país. Este fenómeno, inicialmente percebido como uma actividade substância ou informal,  está a evoluir em diversos contextos para uma atividade altamente lucrativa,  dominada por grupos organizados que operam à margem da lei, explorando recursos minerais de forma descontrolada, lesando o Estado em receitas e provocando a degradação do meio ambiente”, alertou.

O envolvimento de mulheres no apoio logístico a grupos terroristas tem sido uma das dinâmicas identificadas nas investigações em curso em algumas zonas da província de Cabo Delgado.

Segundo o Procurador da República, em determinados casos, as mulheres são recrutadas  ou aliciadas para desempenhar tarefas de suporte aos grupos armados, incluindo a aquisição e entrega de produtos essenciais como alimentos, medicamentos e outros bens de primeira necessidade. 

“Em Mocímboa da Praia, por exemplo, foi identificado um caso em que uma mulher adquiria regularmente produtos alimentares e assegurava a sua entrega a elementos terroristas, mantendo contacto directo com um membro do grupo para coordenação das operações”.

Américo Letela explicou que “este tipo de participação integra-se num quadro mais amplo de sustentação logística e financeira do terrorismo, que continua a representar um dos principais desafios à segurança nacional”. 

Letela avançou ainda que as redes terroristas recorrem a diversos mecanismos de financiamento, incluindo extorsão em estradas, instalação de barricadas em vias que ligam distritos e postos administrativos, saques de bens e, em alguns casos, a queima de viaturas, de forma a obrigar os civis a pagarem valores monetários para prosseguir viagem.

No período em análise, 2025, foram registados 32 processos de terrorismo, contra 26 do período anterior, o que representa um aumento de 23,1%. A estes juntam-se 87 processos transitados, totalizando 119, dos quais 31 foram concluídos, sendo 13 por acusação e 18 por arquivamento.

Paralelamente, os processos relacionados com o financiamento do terrorismo também registaram aumento, tendo passado de 15 para 21, o que corresponde a um crescimento de 40%. 

As autoridades indicam ainda que, no decurso das investigações, foi apreendido um montante de 237 291 Meticais destinado ao apoio logístico dos grupos terroristas.

Apesar dos esforços em curso, a investigação destes crimes, disse, continua a enfrentar desafios significativos, sobretudo devido ao acesso limitado às zonas afectadas, à natureza de guerrilha das operações e à dispersão de vítimas e testemunhas por várias regiões dentro e fora da província.

Perante este cenário, o Procurador-Geral defende o reforço da coordenação interinstitucional, a melhoria da partilha de informação estratégica e a formação especializada dos agentes envolvidos na investigação criminal, de modo a garantir maior eficácia na produção de prova e responsabilização dos autores dos crimes.

Está igualmente em implementação a Estratégia Nacional de Prevenção e Combate ao Terrorismo e Extremismo Violento, que prevê o reforço da coordenação entre instituições, prevenção da radicalização e combate ao financiamento. Neste âmbito, foi criado o Centro Nacional de Prevenção e Combate ao Terrorismo e Extremismo Violento, que visa unificar a resposta do Estado a este fenómeno.

As autoridades sublinham ainda a necessidade de se avançar para soluções estruturais, incluindo mecanismos de desradicalização e reinserção social de indivíduos envolvidos em actividades terroristas, como forma de complementar as respostas penais e reforçar a prevenção a longo prazo.

A passagem à reserva de mais de 400 agentes do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) está a comprometer a capacidade de resposta das autoridades no combate à criminalidade no país, segundo alertou, hoje, o Procurador-Geral da República durante a apresentação do seu informe anual.

Segundo Américo Letela, a saída destes efectivos, muitos com experiência acumulada em investigações complexas, ocorre num contexto em que o fenómeno criminal se torna cada vez mais dinâmico, sofisticado e, em muitos casos, transnacional.

“A passagem à reserva de mais de 400 agentes do Serviço Nacional de Investigação Criminal constitui um factor de preocupação, porquanto reduz a capacidade operacional dos órgãos de investigação criminal, num contexto em que a criminalidade se apresenta cada vez mais complexa e sofisticada”, sublinhou o procurador.

Apesar deste cenário, Américo Letela destaca progressos encorajadores no combate ao crime, com o reforço da capacidade investigativa, desmantelamento de redes criminosas e aumento do número de casos esclarecidos e submetidos à justiça. 

No entanto, o Procurador-Geral advertiu que a sustentabilidade destes avanços depende, em grande medida, do reforço da capacidade institucional do SERNIC, através da mobilização de meios humanos, técnicos, tecnológicos e logísticos adequados.

“O combate à criminalidade organizada, complexa e transnacional, incluindo terrorismo, tráfico de drogas, branqueamento de capitais e raptos, exige métodos modernos de investigação, com mecanismos operacionais flexíveis que permitam antecipar, infiltrar e desmantelar redes criminosas altamente estruturadas”, sublinhou.

Entre os instrumentos considerados essenciais está o uso de fontes humanas de informação, vulgarmente conhecidas como informantes, amplamente utilizadas a nível internacional para produção de provas e recolha de inteligência criminal.

Contudo, o procurador aponta a insuficiência de fundos operativos como um dos principais entraves à eficácia deste mecanismo, limitando a capacidade das autoridades de obter informações relevantes em tempo útil e de garantir a protecção das fontes.

Face a este cenário, o Procurador-Geral defendeu o reforço urgente dos recursos e a formação contínua de novos quadros, de modo a assegurar a continuidade dos progressos alcançados e uma resposta eficaz à crescente sofisticação da criminalidade.

O Procurador-Geral da República, Américo Letela, denuncia desafios relacionados à superlotação, morosidade processual e condições inadequadas nas penitenciárias do país. Falando hoje, na Assembleia da República, Letela destacou ainda que persistem falhas significativas no controlo da situação processual dos reclusos, incluindo desorganização de processos individuais e ausência de documentos essenciais. 

O Procurador-Geral da República apresentou, nesta quarta-feira, o Informe Geral, na Assembleia da República. Falando sobre o controlo da legalidade e direitos humanos, Américo Letela apontou para a demora na concessão de liberdade condicional e na tramitação de recursos judiciais como um dos principais entraves ao funcionamento eficaz da justiça.

Outro problema crítico identificado é a superlotação nos estabelecimentos penitenciários do país. Até 31 de Dezembro de 2025, o país contava com 157 estabelecimentos penitenciários, com capacidade para 8 873 reclusos, mas que albergavam 18 957, representando uma sobrelotação superior a 113%.

O Procurador-Geral  alerta que esta realidade compromete as condições básicas de internamento, incluindo alimentação, assistência médica e acesso a actividades educativas, culturais e recreativas.

Letela  avançou ainda que, para além da lotação nas penitenciárias,   foram reportadas falhas na separação de reclusos, fraco recurso a penas alternativas à prisão e deficiências nos sistemas de segurança, agravadas pela falta de meios técnicos adequados.

Para contornar o assunto, a Procuradoria-Geral tem implementado algumas medidas como a aplicação de penas alternativas, como trabalho socialmente útil e também a tramitação de 1700 processos de liberdade condicional. 

Américo Letela garantiu que o Governo prevê a construção de novos estabelecimentos penitenciários como parte da solução, estando já em curso projectos nas províncias de Inhambane e Sofala.

No campo dos direitos humanos, Letela revelou  preocupações com violações em vários sectores da sociedade, especialmente nas áreas mineira e da construção civil, onde trabalhadores enfrentam condições precárias, jornadas ilegais e falta de equipamentos de protecção. Casos de assédio, discriminação e violência também foram registados.

“Pessoas com deficiência continuam a enfrentar dificuldades de acesso a transportes e edifícios públicos, evidenciando falhas na inclusão social”, sublinhou.

Como resposta, as autoridades apelam ao reforço da fiscalização, ao cumprimento rigoroso da lei e à promoção de uma cultura de respeito pela dignidade humana.

Ainda em 2025, o Presidente da República concedeu indulto a 751 reclusos condenados a penas inferiores a 12 anos, como medida de clemência. No entanto, a Procuradoria-Geral alerta que, “sem investimentos estruturais e reformas profundas, os actuais problemas poderão comprometer os objectivos de reabilitação e reintegração social dos reclusos”.

Alguns postos de venda de combustível, na Cidade de Maputo, já não impõem limites na quantidade a abastecer por viatura. Os automobilistas dizem que tal acção vai reduzir as enchentes constantes nas bombas.

Depois de um início de semana marcado por longas filas e forte agitação nos postos de abastecimento, a situação começou a apresentar sinais de melhoria nesta terça-feira, na Cidade de Maputo.

Em alguns pontos da cidade, os postos já deixaram de impor limites na quantidade de combustível a abastecer por viatura, uma medida que está a contribuir para aliviar a pressão.

Apesar de a procura continuar elevada, o cenário registado foi de menor congestionamento e maior fluidez no atendimento. Transportadores semicolectivos, entre os mais afectados pela crise, relatam alguma melhoria nas condições de abastecimento.

“Está mais ou menos, dá para ganhar um pouco de tempo, não é como nos outros dias. Antes estava mesmo mal, tentei abastecer e não consegui”, contou Amílcar Samson, transportador, descrevendo as dificuldades enfrentadas nos dias anteriores.

Uma das principais mudanças observadas foi o fim das restrições em alguns postos, permitindo o abastecimento completo dos veículos. Segundo os automobilistas, a limitação anterior obrigava a deslocações frequentes entre diferentes bombas, agravando as filas.

“Ontem estavam a limitar aqui mesmo. Hoje já consigo meter o combustível de que preciso quase diariamente”, acrescentou Amílcar Samson.

Rafael Guila, também transportador, confirmou a alteração: “Agora já não há limite. Pelo menos nesta bomba, aceitam ‘full tank’”, afirmou, destacando o impacto positivo da medida na redução do tempo de espera.

Ainda assim, nem todos os postos dispõem de combustível, o que mantém alguma incerteza entre os automobilistas. Em vários casos, condutores continuam a formar filas mesmo sem garantias de abastecimento.

“Cheguei cedo e fiquei à espera. Ouvi dizer que vinha o camião e decidi ficar. Quando chegou, fiquei satisfeito, já que estava aqui, não ia sair”, relatou Dionildo Spiratis.

Embora o nível de agitação tenha diminuído, a procura por combustível continua alta na cidade, e a normalização total do abastecimento ainda não foi alcançada. A evolução da situação nos próximos dias será determinante para perceber se o alívio registado se consolidará ou se persistirão constrangimentos no fornecimento.

O Serviço Nacional de Investigação Criminal deteve, nesta terça-feira, o proprietário do complexo residencial Kaya Kwanga, no âmbito de uma investigação por suspeita de branqueamento de capitais, falsificação de documentos e outros crimes associados. A operação resulta de diligências iniciadas na semana passada e já levou à detenção de quatro pessoas, no total.

Os suspeitos foram conduzidos algemados pelas autoridades, sob o olhar de trabalhadores do estabelecimento, alguns dos quais em lágrimas. A detenção ocorreu na sequência de novas buscas realizadas pelo SERNIC no complexo e em outros locais ligados aos investigados.

“A operação resulta de um trabalho de inteligência criminal prévio, por isso recaem fortes indícios de que os indivíduos fazem parte de uma rede criminosa dedicada a crimes como branqueamento de capitais, falsificação de documentos e tráfico nas suas diferentes classificações”, afirmou o porta-voz do SERNIC, Hilário Lole, na passada sexta-feira.

Segundo as autoridades, esta fase da operação sucede à apreensão, na última sexta-feira, de armas de fogo, munições e material informático no mesmo complexo. Na continuação das buscas, foram igualmente recolhidos documentos e equipamentos electrónicos no estabelecimento turístico e num escritório de uma empresa imobiliária associada aos gestores do Kaya Kwanga.

A investigação estendeu-se ainda a uma residência no bairro Costa do Sol, onde foi detido outro indivíduo igualmente ligado ao caso, elevando para quatro o número de detidos.

Embora não tenham sido divulgados mais detalhes nesta terça-feira, o SERNIC já havia indicado anteriormente que os materiais apreendidos seriam submetidos a perícia forense.

“A perícia irá trazer resultados que vão sustentar a prova indiciária sobre os crimes que recaem sobre estes indivíduos”, explicou o porta-voz na fase inicial da operação.

As detenções e buscas em curso poderão indicar, segundo as autoridades, a existência de elementos de prova suficientes para justificar a continuação da privação de liberdade dos suspeitos, enquanto prosseguem as investigações.

 

O projecto “MozBlue”, implementado pela Blue Forest com autorização do Governo moçambicano, uma iniciativa com uma visão de longo prazo de 60 anos, vai ajudar no reflorestamento dos mangais na província da Zambézia, apostando na criação de soluções económicas sustentáveis

Na costa da província da Zambézia, a luta diária pela sobrevivência tem colocado comunidades inteiras diante de uma escolha difícil: proteger os mangais ou garantir o sustento imediato. 

Para Manuel, jovem pai que vive numa zona costeira, o mangal sempre foi simultaneamente fonte de vida e de conflito. Cortar árvores para vender postes significa colocar comida na mesa, mas também enfraquecer a protecção natural contra ciclones e erosão. “Uma refeição hoje pode custar a segurança de amanhã”, afirma um líder comunitário, refletindo uma preocupação partilhada por muitas famílias.

“Não podemos pedir a pais como Manuel que escolham entre a sobrevivência da sua família e o ambiente”, resume um técnico do sector ambiental, sintetizando um dilema que marca a realidade local.

Durante anos, a degradação dos mangais foi atribuída às comunidades locais. No entanto, especialistas defendem que essa visão ignora factores estruturais mais profundos. 

“A conservação é impossível sem uma alternativa económica viável”, sublinham técnicos, apontando a pobreza como principal motor da exploração excessiva destes ecossistemas.

Moçambique possui uma das maiores extensões de mangal em África, com cerca de 2.700 quilómetros, desempenhando um papel crucial na protecção de aproximadamente 12 milhões de pessoas. Estes ecossistemas são essenciais tanto para a biodiversidade como para a economia, funcionando como berçários de espécies marinhas e como barreiras naturais contra tempestades. Ainda assim, o país continua a registar a perda anual de milhares de hectares.

Perante este cenário, novas abordagens começam a ganhar terreno. Uma das iniciativas em destaque é o projecto “MozBlue”, implementado pela Blue Forest com autorização do Governo moçambicano. 

Com uma visão de longo prazo de 60 anos, o programa procura ir além da reflorestação, apostando na criação de soluções económicas sustentáveis. “Não são programas de ajuda; são modelos de negócio concebidos para garantir que um mangal de pé vale mais do que um mangal derrubado”, explica um responsável do projecto.

Com o apoio da COAST Facility, financiada pelo Governo do Reino Unido, e da DAI Global UK, foram lançadas três cadeias de valor na Zambézia — região onde a pressão sobre os mangais é particularmente intensa.

A primeira aposta na apicultura sustentável, promovendo a produção de “mel azul”, um produto orgânico com elevado valor no mercado internacional. Ao transformar o mangal num activo económico, a iniciativa incentiva a sua preservação. “Proteger as árvores é proteger o nosso sustento”, afirma um apicultor envolvido no projecto.

A segunda vertente procura responder à procura de madeira e combustível, principal causa da desflorestação. O bambu surge como alternativa sustentável, de rápido crescimento e com múltiplas aplicações, desde construção até produção de briquetes. 

Já a terceira componente centra-se na aquacultura de caranguejo, um recurso de alto valor comercial. Em parceria com a Universidade Eduardo Mondlane, estão a ser desenvolvidas técnicas para a produção de larvas em cativeiro, garantindo maior sustentabilidade.

No total, a iniciativa abrange mais de 155 mil hectares de litoral, promovendo uma abordagem integrada que alia desenvolvimento económico e protecção ambiental. Para os promotores, o modelo demonstra que estas duas dimensões não são incompatíveis. Pelo contrário, podem reforçar-se mutuamente.

Ao colocar as comunidades no centro das soluções, Moçambique dá sinais de mudança na forma como encara a conservação dos seus recursos naturais. “O futuro das nossas comunidades depende daquilo que fizermos hoje com os nossos recursos naturais”, conclui um representante do projecto.

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