O País – A verdade como notícia

PR apresenta à UE visão para tornar o País em referência energética da SADC

O Chefe do Estado destacou o avanço dos megaprojectos de gás na bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, incluindo iniciativas lideradas pela TotalEnergies, ENI e ExxonMobil, bem como o potencial das energias renováveis, com destaque para a Hidroeléctrica de Cahora Bassa e o projecto de Mphanda Nkuwa. Na ocasião, convidou

A Finlândia e Moçambique realizaram esta segunda-feira consultas políticas em Maputo, com foco no estado das relações bilaterais e em questões regionais e internacionais, num momento em que os dois países procuram redefinir as prioridades da cooperação após décadas centradas no desenvolvimento.

O encontro decorreu depois de, em 2024, os dois países terem assinalado o 50.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas. Segundo informação divulgada após as consultas, as delegações sublinharam a importância da cooperação em fóruns multilaterais e reiteraram o apoio a uma ordem internacional baseada em regras.

Durante a reunião foi também feito um balanço do programa de cooperação para o desenvolvimento da Finlândia em Moçambique relativo ao período 2021–2024. De acordo com os dados apresentados, mais de oito mil jovens tiveram acesso a serviços de planeamento familiar e saúde materna e neonatal, enquanto mais de 11 mil raparigas adolescentes e jovens mulheres beneficiaram de apoio e mentoria na área da saúde e direitos sexuais e reprodutivos.

No domínio da protecção social, cerca de 82 mil famílias vulneráveis foram alcançadas pelo sistema apoiado pela cooperação finlandesa. O apoio incluiu ainda a formação de mais de 290 organizações, com o objetivo de reforçar a participação de mulheres, jovens e pessoas com deficiência em processos de tomada de decisão, refere um comunicado de imprensa.

Na área da educação, o apoio da Finlândia incidiu no reforço da profissionalização docente. O projecto piloto Aprender+ permitiu formar mais de dois mil professores e cerca de 800 directores escolares e outros quadros do sector.

Com o término do programa bilateral de desenvolvimento em 2024, a cooperação entre os dois países está gradualmente a orientar-se para áreas económicas, incluindo investimento e parcerias com o setor privado.

Entre as iniciativas em curso está um projeto na área da cibersegurança entre o instituto finlandês HAUS e o Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC), destinado a apoiar a atualização da estratégia nacional de cibersegurança para o período 2026–2030. A Finlândia também colabora com o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) através do projeto FIMOZA, focado no reforço dos sistemas de alerta precoce e resposta a desastres naturais.

As consultas incluíram ainda uma análise da situação de segurança no norte de Moçambique. A Finlândia participa na missão de treino da União Europeia no país, conhecida como EUMAM Mozambique, onde ocupa de forma rotativa o cargo de vice-comandante.

Segundo as autoridades, empresas finlandesas demonstram interesse em sectores como digitalização, telecomunicações, energia, logística e meteorologia. A Finlândia prevê também participar no EU Global Gateway Business Forum, agendado para Junho em Maputo, iniciativa que pretende promover investimentos e parcerias económicas.

Além da cooperação bilateral, Helsínquia indicou que continuará a apoiar Moçambique através de organizações multilaterais, sociedade civil e assistência humanitária.

O Ruanda ameaça retirar as suas forças que combatem o terrosirmo em Cabo Delgado, caso não haja um financiamento adequado e previsível. Anunciou porta-voz do governo ruandês, quando se aproxima o fim do apoio financeiro da União Europeia à operação, previsto para Maio deste ano.

Está tremida a presença das forças ruandesas na província de Cabo Delgado.  Caso não seja garantido financiamento suficiente para sustentar a missão, Kigali pode retirar suas tropas desta província do norte do país.

Através da sua página na rede social X, a porta-voz do governo de Ruanda, Yolande Makolo afirmou que a continuidade do apoio militar ruandês depende de financiamento “adequado e previsível” e que o comando das Forças de Defesa de Ruanda poderá recomendar a retirada das tropas caso considere que o esforço militar no norte de Moçambique não está a ser devidamente apoiado.

“Caso o Comando da RDF avalie que o trabalho realizado pelas Forças de Segurança Ruandesas em Cabo Delgado não é valorizado, teria razão em aconselhar o governo a encerrar este acordo bilateral de contra-terrorismo e retirar-se”’, declarou.

O anúncio é feito numa altura em que se prevê o fim do financiamento da União Europeia à operação, em Maio, sem indicação clara de renovação.

Parte do financiamento internacional para esta missão tem sido assegurada através do European Peace Facility. Até ao momento, cerca de 20 milhões de euros foram disponibilizados para apoiar o destacamento ruandês.

No entanto, Kigali afirma que o governo ruandês já terá suportado despesas pelo menos dez vezes superiores. 

“O European Peace Facility financia parcialmente, e até agora cerca de 20 milhões de euros já foram desembolsados. O custo total para o Governo de Ruanda é pelo menos 10 vezes maior, além do sacrifício final da perda de vidas de soldados, tudo para estabilizar Cabo Delgado”.

Na sexta-feira, o governo moçambicano assegurou, sem detalhes, que estão a ser consideradas alternativas para garantir a continuidade dos esforços de estabilização em Cabo Delgado, caso o apoio internacional sofra alterações.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, está em Bruxelas, no Reino da Bélgica, para a visita oficial às instituições da União Europeia (UE), destinada a reforçar  a cooperação política, económica e de segurança entre  Moçambique e o bloco europeu, bem como a consolidar o apoio ao  combate ao terrorismo e ao desenvolvimento do país. 

Falando à imprensa por ocasião da chegada, no sábado, do Chefe  do Estado, a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria  dos Santos Lucas, explicou que a deslocação ocorre a convite do  Presidente do Conselho Europeu, António Costa, e inclui igualmente  contactos com o Governo belga. 

“Primeiro para agradecer esta oportunidade de partilhar com os  moçambicanos sobre a visita da sua Excelência Presidente Daniel  Francisco Chapo, aqui no Reino da Bélgica e também na sede das  instituições da União Europeia. Sua Excelência Presidente foi  convidado pelo Presidente do Conselho Europeu, António Costa, para  fazer uma visita à Bélgica, sobretudo nas instituições da União  Europeia, mas também pelo governo da Bélgica e a agenda é,  primeiro, bilateral”. 

Segundo a governante, a agenda da visita inclui um reconhecimento  do apoio prestado pela Bélgica a Moçambique, particularmente nos  sectores da saúde e da segurança. “Nós queremos agradecer o apoio  da Bélgica, sobretudo o apoio na área da saúde, mas também em  relação ao apoio deles a nível da União Europeia para a missão da  União Europeia no combate ao terrorismo”. 

A ministra sublinhou que a UE continua a ser o principal parceiro  internacional de Moçambique em diversas áreas estratégicas. “A  União Europeia é o maior parceiro de cooperação que nós temos,  tanto em termos de ajuda ao desenvolvimento, tanto em termos do  comércio e da assistência humanitária”. 

De acordo com Maria dos Santos Lucas, a parceria inclui também o  apoio europeu aos esforços de defesa e segurança do país,  particularmente na província de Cabo Delgado, lembrando que existe  uma missão da UE que apoia Moçambique nesse domínio, sobretudo  através da capacitação das forças nacionais para o combate ao  terrorismo naquela província. 

A ministra destacou igualmente o papel das instituições financeiras  europeias no financiamento de projectos no país. “Também com a  União Europeia, além das instituições como tal aqui, temos o Banco de  Investimento da União Europeia, que também investe em  Moçambique. Então, como disse, a União Europeia é o maior parceiro  até agora”. 

A visita marca ainda a primeira deslocação do Presidente Chapo às  instituições europeias desde que assumiu funções, tendo como  objectivo agradecer o apoio político e financeiro ao país.

Outro ponto central da agenda prende-se com a continuidade da  missão europeia de capacitação das Forças de Defesa e Segurança, cujo mandato expira em breve. “Então, é o sítio certo para a Sua  Excelência estar neste momento, sobretudo porque temos que pedir o  apoio da para a continuação da missão da União Europeia de  capacitação das nossas Forças de Defesa e Segurança no combate  ao terrorismo, porque vai até Junho, depois disso terá que ser  renovado. Mas temos toda a indicação do apoio para Moçambique  nesta área”. 

Durante a visita, Moçambique pretende ainda reforçar a cooperação  económica, atrair investimento privado europeu e mobilizar apoio  para a reconstrução após desastres naturais. 

“Há vários países no mundo, incluindo alguns Estados-membros da  União Europeia, que estão a retirar esta área de ajuda ao  desenvolvimento e estão a passar mais para o sector privado,  investimento, comércio, mas a União Europeia mantém-se como o  grande parceiro. Então, nós queríamos ver se continuávamos a ser o  país prioritário na lista das prioridades da União Europeia em relação à  ajuda ao desenvolvimento”. 

A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação afirmou que o  Governo moçambicano pretende reforçar a cooperação com o  sector privado europeu, com vista a atrair mais investimentos para  Moçambique. 

Outrossim, acrescentou que o Governo belga informou, esta semana,  que está a preparar um encontro com o sector privado do país,  também com interesse em investir em Moçambique, manifestando a  expectativa de que empresas da União Europeia, incluindo da  Bélgica, reforcem os seus investimentos em Moçambique. “Temos de  aumentar o comércio e os investimentos. Nós precisamos de  investimentos”. 

Maria dos Santos Lucas referiu igualmente a importância do apoio da  União Europeia na área da assistência humanitária, não apenas no  contexto das cheias, destacando que o bloco europeu esteve entre  os primeiros parceiros internacionais a responder após o alerta vermelho. A governante agradeceu esse apoio, mas sublinhou que  Moçambique necessita agora de suporte adicional para a fase de  reconstrução, considerada mais complexa.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, recebeu hoje, em audiência, a Comissão Nacional  dos Direitos Humanos (CNDH), encontro no qual a instituição  apresentou a sua avaliação sobre a evolução da situação dos direitos  humanos no país, os desafios decorrentes de conflitos sociais e  situações de emergência recentes, bem como a necessidade de  reforço institucional e financeiro da Comissão para cumprir os  mandatos que lhe foram atribuídos. 

Falando à imprensa no final da audiência, o presidente da CNDH,  Albachir Macassar, explicou que o encontro se enquadra no processo  de acompanhamento que o Presidente da República tem vindo a  realizar com diversas instituições públicas e organizações da  sociedade civil sobre a situação dos direitos humanos no país.

Durante o encontro, a Comissão apresentou a sua leitura sobre a  evolução da situação dos direitos humanos, particularmente tendo em  conta acontecimentos registados no ano passado e no início do  presente ano (manifestações violentas e calamidades naturais), que  colocaram novos desafios nesta área. 

Segundo Macassar, a actuação da Comissão neste contexto centrou se na sensibilização, promoção e acompanhamento de medidas  destinadas a garantir a protecção dos direitos dos cidadãos,  sobretudo em cenários marcados por conflitos sociais ou situações de  emergência. 

“E o papel que a Comissão teve neste momento foi, por um lado, de  sensibilização e promoção, e, por outro, de acompanhamento  daquilo que seriam as medidas a curto e longo prazos que podem ser  realizadas pelo Estado para garantir os direitos do cidadão em  situações principalmente como estas adversas, de conflitos sociais e  também de emergência, no caso deste ano”, acrescentou. 

A audiência serviu igualmente para apresentar ao Chefe do Estado as  preocupações da instituição relacionadas com o cumprimento das  suas atribuições e responsabilidades. 

“E também a Comissão apresentou aquilo que são as suas  preocupações em termos de trabalho, de uma forma geral, sobre  aquilo que é a própria tarefa fundamental do Estado, que o Estado  está a atribuir à Comissão”, referiu. 

Entre os pontos destacados esteve a ampliação dos mandatos  confiados à CNDH ao longo dos últimos anos, incluindo novas  responsabilidades na monitoria de instrumentos internacionais de  direitos humanos. 

“Falamos aqui, necessariamente, para além do mandato amplo que a  Comissão tem, desta recepção que a Comissão tem estado a ter de  novos mandatos. Há um mandato especial que foi atribuído à  Comissão em 2013, que é o mecanismo preventivo contra a tortura,  mas também, a bem pouco tempo, recebeu mais um mandato  especial que é o mandato como mecanismo de monitoria da 

implementação da Convenção sobre as Pessoas com Deficiência”,  explicou. 

Face a estas responsabilidades acrescidas, Macassar sublinhou a  necessidade de reforçar a capacidade institucional e financeira da  Comissão para garantir uma resposta adequada às suas funções. 

“São mandatos amplos, importantes, mas que é preciso, também,  para além de reforçar a parte institucional, reforçar o lado financeiro,  a robustez institucional da própria Comissão para que ela possa  responder melhor àquilo que seria o seu papel”, afirmou. 

No final, o presidente da CNDH considerou que o encontro decorreu  num ambiente de abertura e permitiu transmitir ao Chefe do Estado as  principais preocupações da instituição. 

“Portanto, esta foi a conversa que tivemos com Sua Excelência  Presidente da República. Foi muito bem conseguida, conseguimos  fazer chegar aquilo que são as nossas preocupações e Sua Excelência  Presidente da República recebeu também à altura destas  preocupações”, concluiu.

O Governo está ainda a finalizar o Plano de Reconstrução Pós-Cheias e a mobilizar apoios para o efeito. Neste momento, devido à catástrofe, há ainda mais de sete mil pessoas a viver nos centros de acomodação, segundo avançou a Primeira-Ministra. 

O executivo de Daniel Chapo esteve, nesta quarta-feira, na “Casa do Povo”, para responder às questões dos deputados. Na sua intervenção, Benvinda Levi destacou os danos causados pelas cheias e pelos ciclones que afectaram recentemente o país.

“As cheias e inundações registadas no presente ano, na região sul do país,  foram de grande magnitude tendo em conta que para além de terem  ocorridos em zonas habitualmente afectadas, atingiram outras regiões que  no passado nunca tinham sido atingidas por estes fenómenos”, vincou.

A Primeira-Ministra reclamou o facto de as pessoas continuarem a ignorar os avisos prévios emitidos pelas comunidades, o que culminou com a retirada compulsiva de cidadãos em zonas inundadas. 

Devido ao carácter cíclico dos eventos climáticos, o executivo de medidas e acções que concorram para fortalecimento do sistema de aviso prévio e reforço da capacidade  de prontidão e de resposta aos desastres naturais; reforço do mapeamento das zonas de risco de ocorrência das  calamidades e reassentamento das populações em zonas seguras; construção de infra-estruturas resilientes às mudanças climáticas; e a  reabilitação e construção de barragens, represas, diques, sistemas  de drenagem. 

Relativamente às infra-estruturas hidráulicas estratégicas, Benvinda Levi adiantou que o Governo tem vindo a “mobilizar investimentos do sector público e privado, assim como encorajar  o estabelecimento de parcerias público-privadas para assegurar a  construção, de, entre outras, das barragens de Moamba Major, no rio  Incomáti; Mapai, no rio Limpopo e Revúbuè, no rio Zambeze, bem como a  construção de sistemas de protecção e diques em Chókwè, Xai-Xai, Ilha  Josina Machel, Nova Mambone, Caia, Marromeu e Nante”.

A Primeira-Ministra esclareceu ainda que, em relação ao decreto de controlo de telecomunicações, o Governo tem como objectivo  principal reforçar a clareza procedimental, os critérios de actuação e as  garantias legais aplicáveis, introduzindo com ênfase o judiciário como o  legitimador das actuações do Instituto Nacional de Comunicação de  Moçambique (INCM), autoridade reguladora do sector. 

“Assim, o Decreto n.º 48/2025, de 16 de Dezembro, deve ser compreendido  no quadro mais amplo da consolidação da soberania digital do Estado e do  reforço da confiança no ecossistema das telecomunicações, estabelecendo  mecanismos técnicos e jurídicos que permitem prevenir e mitigar riscos  concretos, sem comprometer o objectivo estratégico de expansão da  conectividade e da inovação tecnológica no nosso país”, vincou.

O Ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, explicou hoje que o decreto que permite ao Governo bloquear as telecomunicações, caso se justifique, visa “proteger a sociedade em momentos críticos”, e não é um caso exclusivo de Moçambique. 

Américo Muchanga respondeu a pergunta da bancada Parlamentar do PODEMOS, que questionou ao executivo, “como o governo vai conciliar  a implementação do decreto que permite ao Governo fazer bloqueio das telecomunicações, caso se justifique, sem, no então, colocar em causa os Direitos Fundamentais de acesso à informação e liberdade de expressão.

O ministro começou por explicar que o decreto não “não vai restringir direitos”. Muchanga argumentou, no Parlamento, que as tecnologias são riscos e ameaças usadas de forma inadequada, e cita “incitação a violência e burlas” como exemplos claros de uma experiência que Moçambique viveu de uso inadequado das telecomunicações.

Apesar de o Conselho Central do PODEMOS ter decidido pela retirada da confiança política e consequente afastamento do deputado Fernando Jone  do cargo de segundo vice-presidente da Assembleia da República, alegadamente por questionar a discrepância financeira dos relatórios de gestão dos fundos recebidos pela bancada na “Casa do Povo”, este continua a exercer as funções.  

O “O Pais” ouviu o porta-voz da bancada do PODEMOS, que avançou que “o partido já submeteu uma petição à Comissão Permanente,  solicitando o afastamento do deputado do cargo, e aguarda o posicionamento deste grupo”.

Enquanto a Comissão Permanente não se decide, Jone continua a pertencer ao órgão e a exercer todo o poder que a posição lhe confere. 

Caso a comissão decida favoravelmente a decisão do partido, será indicado um outro deputado para ocupar o cargo, diga-se, um deputado que esteja “alinhado” com as  orientações políticas do partido. 

Recorde-se que no mesmo processo foi suspenso, por tempo indeterminado,  o membro co-fundador do PODEMOS, Hélder Mendonça,  que considerou a decisão intimidatória e ilegal, por entender que o órgão que tomou a decisão,  o conselho central, não tem competência para fazê-lo.

A Comissão do Plano e Orçamento (2ª Comissão) da Assembleia da República está satisfeita com a proposta de elaboração de um manual de fiscalização, considerando que o instrumento poderá fortalecer o seu trabalho, tornando o processo de fiscalização parlamentar mais organizado, profissional e transparente.

A satisfação foi expressa nesta terça-feira pela Vice-Presidente da 2ª Comissão, Cernilde Amélia Muchanga, durante um encontro de trabalho com o representante do Internacional IDEA em Moçambique, Elísio Muendane, sublinhando que, apesar de a 2ª Comissão já realizar actividades de fiscalização parlamentar, a existência de um documento orientador ajudará a melhorar a qualidade do trabalho desenvolvido.

A deputada sublinhou que a 2ª Comissão da Assembleia da República desempenha um papel relevante na análise de vários documentos fundamentais para o país, especialmente nas áreas de planificação e orçamentação.

A vice-presidente da Comissão do Plano e Orçamento agradeceu a disponibilidade dos parceiros em partilhar o conhecimento, destacando que a aprendizagem e a troca de experiências são importantes para o melhoramento do trabalho parlamentar.

Na ocasião, o representante do Internacional IDEA em Moçambique destacou que a sua organização continua a apoiar o fortalecimento da democracia no país, através de um programa financiado pela União Europeia, cuja implementação vai até 2027.

Muendane explicou que o programa de apoio à governação democrática tem como princípios pilares a reforma eleitoral, a observação eleitoral e o fortalecimento do parlamento, através de iniciativas de capacitação institucional.

O representante do Internacional IDEA em Moçambique acrescentou que o programa inclui acções de formação e de apoio técnico dirigido aos deputados e aos funcionários do parlamento, com o objectivo de reforçar as capacidades institucionais e melhorar o processo legislativo no País.

Muendane sublinhou ainda que a consolidação da democracia deve caminhar lado a lado com o desenvolvimento económico. Destacou a importância de instrumentos como a planificação e a orçamentação, considerando serem fundamentais para a promoção dos direitos sociais e económicos dos cidadãos e para o fortalecimento da governação democrática em Moçambique.

Os deputados da Assembleia da República são consensuais quanto à necessidade de actualização da Lei de Imprensa, considerando que a mesma se encontra desajustada à realidade actual, explicando que a legislação vigora há cerca de 35 anos, facto que a torna desajustada face às profundas mudanças e evoluções registadas no sector da Comunicação Social ao longo deste período.

A informação foi avançada pela Presidente da Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade (1ª Comissão), Ana Comoane, durante uma audição parlamentar realizada com a classe jornalística para se esclarecer a questão do regulador, sendo que as propostas apontam para a atribuição dessa competência ao Conselho Superior de Comunicação Social.

“Há consenso quanto à pertinência, importância e urgência dos três projectos de lei em análise para a revisão da legislação da Comunicação Social”, disse Comoane, sublinhando que “há necessidade de actualizá-la, mas também criar especificidades, daí que temos as duas leis de comunicação social e de radiodifusão”.

A deputada disse que se colocou ainda a questão sobre a possibilidade de o Conselho Superior de Comunicação Social exercer também funções regulatórias.

“Aparentemente, há dois posicionamentos, mas o que está aqui em causa é a interpretação do número 4 do artigo 50, que se pretende saber se este órgão pode ou não ter funções regulatórias, particularmente do ponto de vista da disciplina”, explicou a deputada.

A presidente da 1ª Comissão da Assembleia da República acrescentou que, durante os debates, ficaram evidentes alguns estudos comparativos que foram feitos, até pelos próprios profissionais e órgãos de comunicação social, que mostram que as entidades reguladoras são de supervisão, fiscalização e componente disciplinar.

“Agora compete aos deputados continuar a aprofundar e tomar uma posição. Todo o debate foi no sentido de interpretação, não se levantaram problemas relacionados com a inconstitucionalidade”, referiu Comoane, afirmando que dos encontros havidos com o grupo técnico composto por MISA-Moçambique, GABINFO, Sindicato de Jornalistas e Conselho Superior de Comunicação Social (CSCS) encontraram um “fogo cruzado”.

“Infelizmente, nem todos estamos consciencializados, porque nunca nos sentámos para dialogar; encontrávamo-nos apenas nos debates e cada um seguiu o seu próprio caminho. Era suposto que hoje viéssemos aqui já com um consenso alcançado, porque as leis precisam de ser aprovadas e não há outro caminho senão viabilizá-las”, vincou a deputada.

Por seu turno, a vice-presidente da Comissão dos Assuntos Sociais, do Género, Tecnologias e Comunicação Social (3.ª Comissão), Elcina Eugénio Marindze, defendeu que a responsabilidade não deve recair apenas sobre os deputados, uma vez que os profissionais da Comunicação Social foram chamados a contribuir para a definição de como a entidade reguladora deve ser integrada nos três instrumentos legais.

A deputada apelou ao avanço do processo, afirmando que a população aguarda uma resposta e que o sector da Comunicação Social está desajustado do contexto actual há mais de 20 anos.

A deputada Marindze acrescentou que o país ainda não está devidamente adaptado às exigências da globalização e da evolução tecnológica, defendendo a necessidade de avançar para um rumo que traga benefícios não apenas aos intervenientes no debate, mas sobretudo à população, que espera por uma resposta concreta.

Para o presidente do Conselho Superior da Comunicação Social (CSCS), Rogério Sitoe, o encontro foi extremamente produtivo, tendo em conta que um dos pontos em debate é a criação de um órgão regulador da Comunicação Social, uma matéria cujo consenso ainda não está totalmente fechado.

Segundo explicou, estão em discussão duas propostas legislativas, a Lei da Comunicação Social e a Lei da Radiodifusão que, uma vez aprovadas, necessitarão de uma entidade responsável pela sua supervisão.

“Por isso, a discussão centra-se em saber quem vai supervisionar estas leis, olhando sobretudo para os dispositivos constitucionais”, disse Sitoe, argumentando que, apesar de existirem diferentes interpretações sobre a Constituição da República, há entendimento quanto à necessidade de uma lei específica do Conselho Superior da Comunicação Social que facilite e regule as funções de supervisão e disciplina no sector, considerando que os subsídios apresentados durante o encontro serão devidamente analisados.

“Saio satisfeito, porque a forma como a Primeira Comissão orientou o encontro não foi para assumir uma posição ou outra, mas para procurar compreender e decidir, com melhor juízo, qual será a interpretação mais adequada aqui, na Casa Magna”, afirmou.

+ LIDAS

Siga nos