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Ruanda ameaça retirar suas forças de Cabo Delegado

O Ruanda ameaça retirar as suas forças que combatem o terrosirmo em Cabo Delgado, caso não haja um financiamento adequado e previsível. Anunciou porta-voz do governo ruandês, quando se aproxima o fim do apoio financeiro da União Europeia à operação, previsto para Maio deste ano. Está tremida a presença das

O Presidente da República, Daniel  Chapo, está em Bruxelas, no Reino da Bélgica, para a visita oficial às instituições da União Europeia (UE), destinada a reforçar  a cooperação política, económica e de segurança entre  Moçambique e o bloco europeu, bem como a consolidar o apoio ao  combate ao terrorismo e ao desenvolvimento do país. 

Falando à imprensa por ocasião da chegada, no sábado, do Chefe  do Estado, a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria  dos Santos Lucas, explicou que a deslocação ocorre a convite do  Presidente do Conselho Europeu, António Costa, e inclui igualmente  contactos com o Governo belga. 

“Primeiro para agradecer esta oportunidade de partilhar com os  moçambicanos sobre a visita da sua Excelência Presidente Daniel  Francisco Chapo, aqui no Reino da Bélgica e também na sede das  instituições da União Europeia. Sua Excelência Presidente foi  convidado pelo Presidente do Conselho Europeu, António Costa, para  fazer uma visita à Bélgica, sobretudo nas instituições da União  Europeia, mas também pelo governo da Bélgica e a agenda é,  primeiro, bilateral”. 

Segundo a governante, a agenda da visita inclui um reconhecimento  do apoio prestado pela Bélgica a Moçambique, particularmente nos  sectores da saúde e da segurança. “Nós queremos agradecer o apoio  da Bélgica, sobretudo o apoio na área da saúde, mas também em  relação ao apoio deles a nível da União Europeia para a missão da  União Europeia no combate ao terrorismo”. 

A ministra sublinhou que a UE continua a ser o principal parceiro  internacional de Moçambique em diversas áreas estratégicas. “A  União Europeia é o maior parceiro de cooperação que nós temos,  tanto em termos de ajuda ao desenvolvimento, tanto em termos do  comércio e da assistência humanitária”. 

De acordo com Maria dos Santos Lucas, a parceria inclui também o  apoio europeu aos esforços de defesa e segurança do país,  particularmente na província de Cabo Delgado, lembrando que existe  uma missão da UE que apoia Moçambique nesse domínio, sobretudo  através da capacitação das forças nacionais para o combate ao  terrorismo naquela província. 

A ministra destacou igualmente o papel das instituições financeiras  europeias no financiamento de projectos no país. “Também com a  União Europeia, além das instituições como tal aqui, temos o Banco de  Investimento da União Europeia, que também investe em  Moçambique. Então, como disse, a União Europeia é o maior parceiro  até agora”. 

A visita marca ainda a primeira deslocação do Presidente Chapo às  instituições europeias desde que assumiu funções, tendo como  objectivo agradecer o apoio político e financeiro ao país.

Outro ponto central da agenda prende-se com a continuidade da  missão europeia de capacitação das Forças de Defesa e Segurança, cujo mandato expira em breve. “Então, é o sítio certo para a Sua  Excelência estar neste momento, sobretudo porque temos que pedir o  apoio da para a continuação da missão da União Europeia de  capacitação das nossas Forças de Defesa e Segurança no combate  ao terrorismo, porque vai até Junho, depois disso terá que ser  renovado. Mas temos toda a indicação do apoio para Moçambique  nesta área”. 

Durante a visita, Moçambique pretende ainda reforçar a cooperação  económica, atrair investimento privado europeu e mobilizar apoio  para a reconstrução após desastres naturais. 

“Há vários países no mundo, incluindo alguns Estados-membros da  União Europeia, que estão a retirar esta área de ajuda ao  desenvolvimento e estão a passar mais para o sector privado,  investimento, comércio, mas a União Europeia mantém-se como o  grande parceiro. Então, nós queríamos ver se continuávamos a ser o  país prioritário na lista das prioridades da União Europeia em relação à  ajuda ao desenvolvimento”. 

A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação afirmou que o  Governo moçambicano pretende reforçar a cooperação com o  sector privado europeu, com vista a atrair mais investimentos para  Moçambique. 

Outrossim, acrescentou que o Governo belga informou, esta semana,  que está a preparar um encontro com o sector privado do país,  também com interesse em investir em Moçambique, manifestando a  expectativa de que empresas da União Europeia, incluindo da  Bélgica, reforcem os seus investimentos em Moçambique. “Temos de  aumentar o comércio e os investimentos. Nós precisamos de  investimentos”. 

Maria dos Santos Lucas referiu igualmente a importância do apoio da  União Europeia na área da assistência humanitária, não apenas no  contexto das cheias, destacando que o bloco europeu esteve entre  os primeiros parceiros internacionais a responder após o alerta vermelho. A governante agradeceu esse apoio, mas sublinhou que  Moçambique necessita agora de suporte adicional para a fase de  reconstrução, considerada mais complexa.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, recebeu hoje, em audiência, a Comissão Nacional  dos Direitos Humanos (CNDH), encontro no qual a instituição  apresentou a sua avaliação sobre a evolução da situação dos direitos  humanos no país, os desafios decorrentes de conflitos sociais e  situações de emergência recentes, bem como a necessidade de  reforço institucional e financeiro da Comissão para cumprir os  mandatos que lhe foram atribuídos. 

Falando à imprensa no final da audiência, o presidente da CNDH,  Albachir Macassar, explicou que o encontro se enquadra no processo  de acompanhamento que o Presidente da República tem vindo a  realizar com diversas instituições públicas e organizações da  sociedade civil sobre a situação dos direitos humanos no país.

Durante o encontro, a Comissão apresentou a sua leitura sobre a  evolução da situação dos direitos humanos, particularmente tendo em  conta acontecimentos registados no ano passado e no início do  presente ano (manifestações violentas e calamidades naturais), que  colocaram novos desafios nesta área. 

Segundo Macassar, a actuação da Comissão neste contexto centrou se na sensibilização, promoção e acompanhamento de medidas  destinadas a garantir a protecção dos direitos dos cidadãos,  sobretudo em cenários marcados por conflitos sociais ou situações de  emergência. 

“E o papel que a Comissão teve neste momento foi, por um lado, de  sensibilização e promoção, e, por outro, de acompanhamento  daquilo que seriam as medidas a curto e longo prazos que podem ser  realizadas pelo Estado para garantir os direitos do cidadão em  situações principalmente como estas adversas, de conflitos sociais e  também de emergência, no caso deste ano”, acrescentou. 

A audiência serviu igualmente para apresentar ao Chefe do Estado as  preocupações da instituição relacionadas com o cumprimento das  suas atribuições e responsabilidades. 

“E também a Comissão apresentou aquilo que são as suas  preocupações em termos de trabalho, de uma forma geral, sobre  aquilo que é a própria tarefa fundamental do Estado, que o Estado  está a atribuir à Comissão”, referiu. 

Entre os pontos destacados esteve a ampliação dos mandatos  confiados à CNDH ao longo dos últimos anos, incluindo novas  responsabilidades na monitoria de instrumentos internacionais de  direitos humanos. 

“Falamos aqui, necessariamente, para além do mandato amplo que a  Comissão tem, desta recepção que a Comissão tem estado a ter de  novos mandatos. Há um mandato especial que foi atribuído à  Comissão em 2013, que é o mecanismo preventivo contra a tortura,  mas também, a bem pouco tempo, recebeu mais um mandato  especial que é o mandato como mecanismo de monitoria da 

implementação da Convenção sobre as Pessoas com Deficiência”,  explicou. 

Face a estas responsabilidades acrescidas, Macassar sublinhou a  necessidade de reforçar a capacidade institucional e financeira da  Comissão para garantir uma resposta adequada às suas funções. 

“São mandatos amplos, importantes, mas que é preciso, também,  para além de reforçar a parte institucional, reforçar o lado financeiro,  a robustez institucional da própria Comissão para que ela possa  responder melhor àquilo que seria o seu papel”, afirmou. 

No final, o presidente da CNDH considerou que o encontro decorreu  num ambiente de abertura e permitiu transmitir ao Chefe do Estado as  principais preocupações da instituição. 

“Portanto, esta foi a conversa que tivemos com Sua Excelência  Presidente da República. Foi muito bem conseguida, conseguimos  fazer chegar aquilo que são as nossas preocupações e Sua Excelência  Presidente da República recebeu também à altura destas  preocupações”, concluiu.

O Governo está ainda a finalizar o Plano de Reconstrução Pós-Cheias e a mobilizar apoios para o efeito. Neste momento, devido à catástrofe, há ainda mais de sete mil pessoas a viver nos centros de acomodação, segundo avançou a Primeira-Ministra. 

O executivo de Daniel Chapo esteve, nesta quarta-feira, na “Casa do Povo”, para responder às questões dos deputados. Na sua intervenção, Benvinda Levi destacou os danos causados pelas cheias e pelos ciclones que afectaram recentemente o país.

“As cheias e inundações registadas no presente ano, na região sul do país,  foram de grande magnitude tendo em conta que para além de terem  ocorridos em zonas habitualmente afectadas, atingiram outras regiões que  no passado nunca tinham sido atingidas por estes fenómenos”, vincou.

A Primeira-Ministra reclamou o facto de as pessoas continuarem a ignorar os avisos prévios emitidos pelas comunidades, o que culminou com a retirada compulsiva de cidadãos em zonas inundadas. 

Devido ao carácter cíclico dos eventos climáticos, o executivo de medidas e acções que concorram para fortalecimento do sistema de aviso prévio e reforço da capacidade  de prontidão e de resposta aos desastres naturais; reforço do mapeamento das zonas de risco de ocorrência das  calamidades e reassentamento das populações em zonas seguras; construção de infra-estruturas resilientes às mudanças climáticas; e a  reabilitação e construção de barragens, represas, diques, sistemas  de drenagem. 

Relativamente às infra-estruturas hidráulicas estratégicas, Benvinda Levi adiantou que o Governo tem vindo a “mobilizar investimentos do sector público e privado, assim como encorajar  o estabelecimento de parcerias público-privadas para assegurar a  construção, de, entre outras, das barragens de Moamba Major, no rio  Incomáti; Mapai, no rio Limpopo e Revúbuè, no rio Zambeze, bem como a  construção de sistemas de protecção e diques em Chókwè, Xai-Xai, Ilha  Josina Machel, Nova Mambone, Caia, Marromeu e Nante”.

A Primeira-Ministra esclareceu ainda que, em relação ao decreto de controlo de telecomunicações, o Governo tem como objectivo  principal reforçar a clareza procedimental, os critérios de actuação e as  garantias legais aplicáveis, introduzindo com ênfase o judiciário como o  legitimador das actuações do Instituto Nacional de Comunicação de  Moçambique (INCM), autoridade reguladora do sector. 

“Assim, o Decreto n.º 48/2025, de 16 de Dezembro, deve ser compreendido  no quadro mais amplo da consolidação da soberania digital do Estado e do  reforço da confiança no ecossistema das telecomunicações, estabelecendo  mecanismos técnicos e jurídicos que permitem prevenir e mitigar riscos  concretos, sem comprometer o objectivo estratégico de expansão da  conectividade e da inovação tecnológica no nosso país”, vincou.

O Ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, explicou hoje que o decreto que permite ao Governo bloquear as telecomunicações, caso se justifique, visa “proteger a sociedade em momentos críticos”, e não é um caso exclusivo de Moçambique. 

Américo Muchanga respondeu a pergunta da bancada Parlamentar do PODEMOS, que questionou ao executivo, “como o governo vai conciliar  a implementação do decreto que permite ao Governo fazer bloqueio das telecomunicações, caso se justifique, sem, no então, colocar em causa os Direitos Fundamentais de acesso à informação e liberdade de expressão.

O ministro começou por explicar que o decreto não “não vai restringir direitos”. Muchanga argumentou, no Parlamento, que as tecnologias são riscos e ameaças usadas de forma inadequada, e cita “incitação a violência e burlas” como exemplos claros de uma experiência que Moçambique viveu de uso inadequado das telecomunicações.

Apesar de o Conselho Central do PODEMOS ter decidido pela retirada da confiança política e consequente afastamento do deputado Fernando Jone  do cargo de segundo vice-presidente da Assembleia da República, alegadamente por questionar a discrepância financeira dos relatórios de gestão dos fundos recebidos pela bancada na “Casa do Povo”, este continua a exercer as funções.  

O “O Pais” ouviu o porta-voz da bancada do PODEMOS, que avançou que “o partido já submeteu uma petição à Comissão Permanente,  solicitando o afastamento do deputado do cargo, e aguarda o posicionamento deste grupo”.

Enquanto a Comissão Permanente não se decide, Jone continua a pertencer ao órgão e a exercer todo o poder que a posição lhe confere. 

Caso a comissão decida favoravelmente a decisão do partido, será indicado um outro deputado para ocupar o cargo, diga-se, um deputado que esteja “alinhado” com as  orientações políticas do partido. 

Recorde-se que no mesmo processo foi suspenso, por tempo indeterminado,  o membro co-fundador do PODEMOS, Hélder Mendonça,  que considerou a decisão intimidatória e ilegal, por entender que o órgão que tomou a decisão,  o conselho central, não tem competência para fazê-lo.

A Comissão do Plano e Orçamento (2ª Comissão) da Assembleia da República está satisfeita com a proposta de elaboração de um manual de fiscalização, considerando que o instrumento poderá fortalecer o seu trabalho, tornando o processo de fiscalização parlamentar mais organizado, profissional e transparente.

A satisfação foi expressa nesta terça-feira pela Vice-Presidente da 2ª Comissão, Cernilde Amélia Muchanga, durante um encontro de trabalho com o representante do Internacional IDEA em Moçambique, Elísio Muendane, sublinhando que, apesar de a 2ª Comissão já realizar actividades de fiscalização parlamentar, a existência de um documento orientador ajudará a melhorar a qualidade do trabalho desenvolvido.

A deputada sublinhou que a 2ª Comissão da Assembleia da República desempenha um papel relevante na análise de vários documentos fundamentais para o país, especialmente nas áreas de planificação e orçamentação.

A vice-presidente da Comissão do Plano e Orçamento agradeceu a disponibilidade dos parceiros em partilhar o conhecimento, destacando que a aprendizagem e a troca de experiências são importantes para o melhoramento do trabalho parlamentar.

Na ocasião, o representante do Internacional IDEA em Moçambique destacou que a sua organização continua a apoiar o fortalecimento da democracia no país, através de um programa financiado pela União Europeia, cuja implementação vai até 2027.

Muendane explicou que o programa de apoio à governação democrática tem como princípios pilares a reforma eleitoral, a observação eleitoral e o fortalecimento do parlamento, através de iniciativas de capacitação institucional.

O representante do Internacional IDEA em Moçambique acrescentou que o programa inclui acções de formação e de apoio técnico dirigido aos deputados e aos funcionários do parlamento, com o objectivo de reforçar as capacidades institucionais e melhorar o processo legislativo no País.

Muendane sublinhou ainda que a consolidação da democracia deve caminhar lado a lado com o desenvolvimento económico. Destacou a importância de instrumentos como a planificação e a orçamentação, considerando serem fundamentais para a promoção dos direitos sociais e económicos dos cidadãos e para o fortalecimento da governação democrática em Moçambique.

Os deputados da Assembleia da República são consensuais quanto à necessidade de actualização da Lei de Imprensa, considerando que a mesma se encontra desajustada à realidade actual, explicando que a legislação vigora há cerca de 35 anos, facto que a torna desajustada face às profundas mudanças e evoluções registadas no sector da Comunicação Social ao longo deste período.

A informação foi avançada pela Presidente da Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade (1ª Comissão), Ana Comoane, durante uma audição parlamentar realizada com a classe jornalística para se esclarecer a questão do regulador, sendo que as propostas apontam para a atribuição dessa competência ao Conselho Superior de Comunicação Social.

“Há consenso quanto à pertinência, importância e urgência dos três projectos de lei em análise para a revisão da legislação da Comunicação Social”, disse Comoane, sublinhando que “há necessidade de actualizá-la, mas também criar especificidades, daí que temos as duas leis de comunicação social e de radiodifusão”.

A deputada disse que se colocou ainda a questão sobre a possibilidade de o Conselho Superior de Comunicação Social exercer também funções regulatórias.

“Aparentemente, há dois posicionamentos, mas o que está aqui em causa é a interpretação do número 4 do artigo 50, que se pretende saber se este órgão pode ou não ter funções regulatórias, particularmente do ponto de vista da disciplina”, explicou a deputada.

A presidente da 1ª Comissão da Assembleia da República acrescentou que, durante os debates, ficaram evidentes alguns estudos comparativos que foram feitos, até pelos próprios profissionais e órgãos de comunicação social, que mostram que as entidades reguladoras são de supervisão, fiscalização e componente disciplinar.

“Agora compete aos deputados continuar a aprofundar e tomar uma posição. Todo o debate foi no sentido de interpretação, não se levantaram problemas relacionados com a inconstitucionalidade”, referiu Comoane, afirmando que dos encontros havidos com o grupo técnico composto por MISA-Moçambique, GABINFO, Sindicato de Jornalistas e Conselho Superior de Comunicação Social (CSCS) encontraram um “fogo cruzado”.

“Infelizmente, nem todos estamos consciencializados, porque nunca nos sentámos para dialogar; encontrávamo-nos apenas nos debates e cada um seguiu o seu próprio caminho. Era suposto que hoje viéssemos aqui já com um consenso alcançado, porque as leis precisam de ser aprovadas e não há outro caminho senão viabilizá-las”, vincou a deputada.

Por seu turno, a vice-presidente da Comissão dos Assuntos Sociais, do Género, Tecnologias e Comunicação Social (3.ª Comissão), Elcina Eugénio Marindze, defendeu que a responsabilidade não deve recair apenas sobre os deputados, uma vez que os profissionais da Comunicação Social foram chamados a contribuir para a definição de como a entidade reguladora deve ser integrada nos três instrumentos legais.

A deputada apelou ao avanço do processo, afirmando que a população aguarda uma resposta e que o sector da Comunicação Social está desajustado do contexto actual há mais de 20 anos.

A deputada Marindze acrescentou que o país ainda não está devidamente adaptado às exigências da globalização e da evolução tecnológica, defendendo a necessidade de avançar para um rumo que traga benefícios não apenas aos intervenientes no debate, mas sobretudo à população, que espera por uma resposta concreta.

Para o presidente do Conselho Superior da Comunicação Social (CSCS), Rogério Sitoe, o encontro foi extremamente produtivo, tendo em conta que um dos pontos em debate é a criação de um órgão regulador da Comunicação Social, uma matéria cujo consenso ainda não está totalmente fechado.

Segundo explicou, estão em discussão duas propostas legislativas, a Lei da Comunicação Social e a Lei da Radiodifusão que, uma vez aprovadas, necessitarão de uma entidade responsável pela sua supervisão.

“Por isso, a discussão centra-se em saber quem vai supervisionar estas leis, olhando sobretudo para os dispositivos constitucionais”, disse Sitoe, argumentando que, apesar de existirem diferentes interpretações sobre a Constituição da República, há entendimento quanto à necessidade de uma lei específica do Conselho Superior da Comunicação Social que facilite e regule as funções de supervisão e disciplina no sector, considerando que os subsídios apresentados durante o encontro serão devidamente analisados.

“Saio satisfeito, porque a forma como a Primeira Comissão orientou o encontro não foi para assumir uma posição ou outra, mas para procurar compreender e decidir, com melhor juízo, qual será a interpretação mais adequada aqui, na Casa Magna”, afirmou.

Cento e trinta desmobilizados da Renamo desvincularam-se dos Naparamas e entregaram-se à Polícia na Zambézia. Com a acção, pretendem ser integrados no DDR, algo visto pelo partido com estranheza.

Depois de tomar conhecimento que seus ex-guerrilheiros se entregaram à Polícia para fazer parte do DDR, após desvincularem-se do grupo Naparamas, o partido Renamo chamou a imprensa neste sábado para refutar a informação.

Na verdade, este é mais um capítulo da novela dos desentendimentos na Renamo. O partido distancia-se do grupo e diz ser obra de pessoas de má-fé. 

Embora o processo esteja a ser demorado, a Renamo assegura que as pensões no âmbito do DDR continuam a ser pagas aos ex-guerrilheiros. 

O partido liderado por Ossufo Momade desafia as autoridades moçambicanas a investigarem o caso dos referidos ex-guerrilheiros e a punir os infractores. 

O Presidente da República, Daniel Chapo, assegurou, esta sexta-feira, que o processo de Diálogo Nacional Inclusivo em Moçambique vai respeitar rigorosamente o prazo legal de dois anos, afastando receios de que a iniciativa possa provocar atrasos no calendário eleitoral.

Falando à imprensa após a primeira sessão de 2026 da concertação política, realizada no Gabinete da Presidência, o Chefe do Estado afirmou que o processo decorrerá dentro do período estabelecido na Lei do Compromisso Político para o Diálogo Nacional Inclusivo.

“Queríamos deixar claro e inequívoco que o prazo previsto na lei, que é de dois anos, não vai ser extravasado e, consequentemente, este calendário não vai afectar o calendário eleitoral”, declarou.

Segundo o Presidente, a principal prioridade do processo em 2026 será a revisão do pacote eleitoral, cujas propostas deverão ser submetidas à Assembleia da República de Moçambique até Dezembro deste ano.

De acordo com Chapo, o objectivo é garantir maior estabilidade democrática e transparência no sistema político moçambicano.

Durante o balanço das actividades realizadas em 2025, o estadista classificou os resultados como positivos, destacando o empenho dos partidos signatários do compromisso político. No entanto, reconheceu que as fortes chuvas registadas no último trimestre do ano passado e nos primeiros meses de 2026 condicionaram o ritmo dos trabalhos.

As intempéries dificultaram a deslocação das equipas responsáveis pelas consultas públicas, deixando ainda 33 distritos por abranger no processo de auscultação nacional.

“Ficou assente no relatório que há 33 distritos por completar e, porque este é um diálogo nacional inclusivo, não faria sentido que estes distritos ficassem de fora”, explicou.

Para ultrapassar o atraso, o Governo e os parceiros políticos decidiram mobilizar equipas em simultâneo para os distritos ainda por cobrir e para os postos administrativos, de forma a acelerar o processo sem ultrapassar o prazo legal.

Além da reforma eleitoral, os restantes pontos da agenda do diálogo deverão ser tratados no início de 2027. A previsão é que, entre Janeiro e Março desse ano, as propostas finais sejam encaminhadas para as instituições competentes.

Chapo apelou ainda à participação contínua de todos os sectores da sociedade, incluindo a diáspora, sublinhando que o sucesso do diálogo é fundamental para fortalecer as instituições do país e consolidar o Estado de direito.

Segundo o Presidente, o processo poderá reforçar a confiança dos cidadãos e dos parceiros nacionais e internacionais no sistema político moçambicano, contribuindo para o desenvolvimento do país.

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