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O presidente do partido Podemos condena a abordagem do deputado Ivandro Massingue aquando da visita de fiscalização ao Centro de Saúde de Zimpeto. Albino Forquilha diz que a actividade é digna, mas deve ser feita no espírito republicano. Já o partido emitiu um comunicado que considera intimidatória e restritiva a acção do gestor do Centro de Saúde de Zimpeto.

Na última segunda-feira, 5 de Janeiro, um grupo de deputados da bancada do Podemos, orientado pelo porta-voz do partido, dirigiu-se ao Centro de Saúde de Zimpeto, na Cidade Maputo, para uma actividade de fiscalização parlamentar da bancada. Ivandro Massingue, deputado e porta-voz da bancada, envolveu-se em disputa verbal e quase física, com o director daquela unidade sanitária, alegadamente por não ter havido comunicação prévia da sua presença na instituição. Facto negado pelo deputado.

“Como deputado, tenho legitimidade, tenho poder, tenho autoridade, tenho livre trânsito de entrar em qualquer instituição sem pedir autorização e sem informar. Não tenho obrigação de informar. Eu estou aqui para fiscalizar. Como é que vou avisar ao senhor uma fiscalização?”, questionou o deputado, assegurando que a sua primeira acção na instituição foi procurar identificar o responsável.

O gestor negou a circulação da equipa, por entender que não houve, nem identificação, nem comunicação, apesar de Ivandro Massingue defender o contrário.

“Por isso, quando cheguei aqui, fui e perguntei onde é a secretaria, pois agora iria à secretaria para pedir falar consigo. A primeira coisa que eu fiz quando cheguei aqui foi perguntar quem é o responsável.”

O Podemos pretendia verificar denúncias de mau atendimento no Centro de Saúde em alusão, mas o acto resvalou para medição de forças e de poderes, que levantou a seguinte questão: afinal, quais são os direitos e deveres que assistem a um Deputado.

O Regimento da Assembleia da República, instrumento que orienta a actividade dos deputados, no seu artigo 10, sobre Poderes do Deputado, diz:  

  1. d) requerer e obter do Governo ou das instituições públicas e privadas dados, informações e documentos necessários ao exercício do seu mandato;

É baseado neste e noutros artigos que o Podemos se dirigiu àquela instituição de saúde para fiscalizar.

Ora, porque o representante do povo tem, também, deveres, o mesmo instrumento obriga a:

  1. a) observar a Constituição e as leis; b) observar o Estatuto do Deputado; c) observar o decoro parlamentar; d) respeitar a dignidade da Assembleia da República e dos Deputados.

No geral, a Constituição da República confere à Assembleia da República o poder de fiscalizar toda a actividade do Governo e da Administração Pública, o que inclui, no caso em apreço, os hospitais públicos.

Ou seja, é legítima a presença de representantes do povo naquela instituição.

Diante do cenário, o partido Podemos posicionou-se, primeiro, através de uma nota partilhada pelo Presidente do Partido, Albino Forquilha, na qual ressalva a legitimidade da fiscalização parlamentar, porém condena o autoritarismo e confrontação que marcou a actividade.

“Reconhecemos que, neste episódio, a forma como a visita foi conduzida não esteve à altura dos padrões de comportamento que o partido exige dos seus representantes. Por isso, o PODEMOS apresenta um pedido de desculpas aos profissionais de saúde e à direcção da unidade, reafirmando o seu profundo respeito pelo trabalho difícil e essencial que desempenham diariamente em condições muitas vezes adversas.”

Forquilha prometeu ainda continuar com as acções, no entanto baseando-se na responsabilidade política, e não no populismo.

“Este episódio reforça, aliás, uma convicção central do PODEMOS de que fiscalizar não é encenar poder, mas sim exercer responsabilidade. A oposição que queremos construir não é feita de humilhações públicas nem de gestos performativos, mas de escrutínio sério, diálogo institucional e propostas que melhorem efectivamente o funcionamento dos serviços públicos.”

Por sua vez, o partido emitiu esta nota, condenando o que chamou de tentativa de coartar os direitos legais dos deputados.

“Durante a visita de trabalho, cujo objectivo foi aferir o funcionamento da unidade sanitária e a qualidade do atendimento prestado aos utentes, registou-se uma tentativa de impedir o livre exercício da função parlamentar. O PODEMOS repudia qualquer comportamento que limite ou dificulte a fiscalização das instituições públicas e apela às autoridades locais e centrais para o estrito respeito pelo Estatuto do deputado e pela legalidade institucional.”

Sobre a suposta falta de autorização para fiscalizar, o Podemos explica que já tinha comunicado, aquando de uma visita de cortesia ao Ministério da Saúde, sobre a realização de visitas-relâmpago a hospitais e centros de saúde e assegura continuidade das acções.

Com os ânimos controlados, o centro de saúde abriu-se e o Podemos ouviu as preocupações dos utentes.

O Presidente da República, Daniel Chapo, manifestou profundo pesar pelo  falecimento de Alfredo Gamito, ocorrido na noite de domingo,  vítima de doença prolongada, tendo, em mensagem,  destacado a “perda de um servidor público cuja acção marcou  decisivamente a Administração do Estado no período pós-guerra  civil”. 

Na sua mensagem de condolências, o Chefe do Estado sublinha  que Alfredo Gamito foi uma figura de referência no processo de reconstrução institucional do País, tendo dedicado grande parte  da sua vida ao serviço público, com elevado sentido de  responsabilidade, patriotismo e compromisso com o interesse  nacional. 

“O falecimento do compatriota Alfredo Gamito representa uma  perda significativa para Moçambique, particularmente no  domínio da Administração Pública e da governação  descentralizada, áreas às quais dedicou grande parte da sua  vida com sentido de missão, competência e elevado espírito  patriótico”, refere o Presidente da República. 

A mensagem presidencial prossegue recordando que, enquanto  Ministro da Administração Estatal, entre 1995 e 2000, Alfredo  Gamito liderou um vasto programa de reformas administrativas  orientadas para a modernização, descentralização e  profissionalização da Administração Pública, num contexto  particularmente exigente de consolidação da paz e  reconstrução nacional após a guerra civil. 

“O seu papel foi determinante no processo de municipalização  do País e na preparação das primeiras eleições autárquicas  realizadas em 1998, como parte do esforço de reconstrução do  Estado e de promoção da governação local democrática”,  sublinha. 

O Chefe do Estado evoca igualmente o percurso de Alfredo  Gamito como Vice-Ministro da Agricultura, Governador da  província de Nampula e Deputado da Assembleia da República, 

funções nas quais deu contributos relevantes para a formulação  de políticas públicas e para o fortalecimento das instituições  democráticas do País. 

“Alfredo Gamito destacou-se como um homem de diálogo, visão  estratégica e profundo conhecimento da máquina do Estado,  tendo defendido e acompanhado a aprovação da legislação  que instituiu as autarquias locais em Moçambique e viabilizou a  realização das primeiras eleições municipais”, acrescenta. 

Na parte final da mensagem, o Presidente da República  endereça sentidas condolências à família enlutada, aos amigos e  a todos quantos privaram com o malogrado, exprimindo  solidariedade neste momento de dor e luto. 

“Neste momento de profunda consternação, apresento, em  nome do Governo de Moçambique, do Povo moçambicano e  em meu próprio nome, as mais sentidas condolências à família  enlutada, rendendo justa homenagem ao legado de serviço e  dedicação de Alfredo Gamito à Nação”, conclui  Daniel Chapo.

O Presidente da República,  Daniel Chapo, após verificar que não contraria a Lei  Fundamental, promulgou e mandou publicar a Lei atinente ao  Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) para  o ano de 2026.

O PESOE 2026 orienta a alocação criteriosa e estratégica de  recursos públicos, com foco em infra-estruturas produtivas,  logísticas e sociais, destacando-se áreas como transportes,  digitalização, estradas, educação e saúde.

O Presidente da República, Daniel Chapo, felicitou o bispo da Beira, Dom António Constantino, pela sua nomeação para o cargo de arcebispo da nova Diocese de Caia, criada pelo Vaticano. Na ocasião, Chapo apelou à prudência nas estradas para evitar derramamento de sangue, e desejou um feliz Natal a todos os moçambicanos.

Daniel Chapo está na cidade da Beira, província de Sofala, para comemorar a festa do Natal junto da família e amigos e aproveitou a ocasião para se deslocar à Arquidiocese da Beira, onde foi recebido pelo arcebispo Dom Cláudio Dalla Zuanna, com um intuito claro: “Endereçamos os parabéns ao Dom António Constantino, que, como sabem muito bem, foi nomeado por Sua Santidade, Santo Padre, o Papa Leão XIV, para assumir o cargo do primeiro bispo da Diocese recentemente criada, que é a Diocese de Caia”.

Esta nomeação, de acordo com o Chefe do Estado moçambicano, é fruto do trabalho árduo desenvolvido pelo bispo Constantino, por isso a felicitação acontece na presença do arcebispo da Beira por ter sido quem preparou o processo.

“Não é uma tarefa fácil haver um reconhecimento de uma Diocese por parte do Vaticano e também haver este trabalho, sobretudo, da nomeação de um irmão nosso, um moçambicano, que nasceu aqui na Beira, cresceu aqui, conhece muito bem a província, tem domínio da população com quem vai trabalhar”, por isso, um motivo para, em nome do povo moçambicano, “vir pessoalmente, usando esta ocasião em que nos encontramos na Beira, para passar o Natal junto com a família, endereçar muitos parabéns, muitos sucessos”, disse.

E porque o Natal é uma celebração que deve ser comemorada por todos, tendo em consideração o seu significado, Daniel Chapo aproveitou a ocasião para desejar um Natal feliz a todos os moçambicanos, e que se passem num ambiente de muita paz.

“Como sabem, representa o Natal, o Nascimento de Cristo e queria também aproveitar esta ocasião para, mais uma vez, reiterar a necessidade do povo moçambicano manter a paz, manter a harmonia, manter a comunhão entre irmãos moçambicanos e, sobretudo, usarmos sempre que for necessário o diálogo como o caminho para podermos resolver qualquer desavença que possa haver, seja na família, no bairro, entre a comunidade, amigos, irmãos, para que a paz reine no seio das famílias moçambicanas, porque, como sabem muito bem, Jesus Cristo, ao partir, disse, ‘deixo-vos a minha paz e dou-vos a minha paz’, porque Ele representa a paz”, explicou.

Aliás, Daniel Chapo usou do facto de o Natal representar um momento de preservação da paz para apelar à manutenção da paz em todos os momentos da vida dos moçambicanos. “Seria muito bom que o homem, que foi feito a imagem e semelhança de Deus, fosse um homem de paz e este esforço que nós temos feito todos os dias, 24 ou 24 horas de segunda a segunda, trabalharmos para que haja paz plena em Moçambique”, até porque, como disse, não é possível desenvolver qualquer país ao nível do mundo sem paz e segurança.

Outrossim, Daniel Chapo apelou aos moçambicanos para que, durante estas festividades não haja excessos, o que pode provocar tristezas e luto no seio das famílias. “Lamentamos bastante os acidentes de viação que têm acontecido nas nossas estradas, também o luto nas famílias moçambicanas e não gostaríamos que isso acontecesse durante esta quadra festiva do Natal e do final do ano”.

Por isso, segundo Chapo, “queremos apelar para que as pessoas conduzam com prudência e que cada um que está a conduzir perceba que está a transportar vidas humanas, que é extremamente importante a prudência. Há muita chuva, um pouco por todo o país, o pavimento das nossas estradas chega a ser escorregadio e correr não é chegar. Então, temos de ter calma, conduzir com muita prudência, porque o mais importante é chegar”, apelou.

A terminar, Daniel Chapo enalteceu o trabalho que está a ser levado a cabo pela comunicação social moçambicana, por isso aproveitou para agradecer pelo excelente trabalho que faz, não só em comunicar, em informar, mas também formar a sociedade moçambicana.

“Uma comunicação social que faz o trabalho com muita responsabilidade, muita competência. E é esta competência e responsabilidade que levou o país a estar na situação em que se encontra hoje. Melhor do que aquele país que nós encontramos e que estava praticamente a arder”, afirmou.

Os presidentes dos Parlamentos dos membros da Assembleia Parlamentar da Comunidade dos Países de Língua portuguesa (AP-CPLP) condenaram, nesta terça-feira, o golpe de Estado ocorrido a 26 de Novembro findo, na República de Guiné-Bissau, e exigiram a reposição da ordem constitucional no país, para que o povo guineense prossiga livremente o seu caminho na edificação de uma sociedade democrática, de paz e justiça, em prol da prosperidade e bem-estar de todos.

Esta posição foi defendida durante uma conferência extraordinária dos presidentes dos parlamentos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em formato virtual, os quais exigiram, igualmente, a libertação imediata e incondicional de todas as pessoas detidas.

De acordo com o chefe do Grupo Nacional junto a AP-CPLP, Felix Avelino Sílvia, os presidentes dos parlamentos membros da AP-CPLP encorajaram, igualmente, as autoridades competentes a assegurar, com a maior brevidade e com plena transparência, a divulgação integral dos resultados eleitorais das eleições presidenciais e legislativas realizadas em 23 de Novembro de 2025 na República da Guiné-Bissau, bem como o reconhecimento do acto eleitoral, registando e valorizando o contributo da Missão de Observação Eleitoral da CPLP.

“Apoiar a decisão dos Chefes de Estado e de Governo da CPLP, de constituir uma Missão de Bons Ofícios de Alto-Nível, a ser enviada à Guiné-Bissau”, disse Sílvia, recordando que a CPLP acompanhou todo o processo eleitoral na Guiné-Bissau, antes, durante e depois da votação, “que decorreu de forma pacífica e ordeira, sem qualquer coação ou intimidação aos eleitores”.

Sílvia sublinhou que a AP-CPLP tem, entre seus objectivos primordiais, conforme o artigo 3º do seu Estatuto, “contribuir para a paz e para o fortalecimento da democracia e das suas instituições representativas” e “contribuir para a boa governação e para a consolidação do Estado de direito”.

A Conferência Extraordinária dos Presidentes dos países-membros da AP-CPLP foi presidida pela Presidente da Assembleia Parlamentar da CPLP e da Assembleia da República de Moçambique (AR), Margarida Adamugi Talapa.

 

1º VICE-PRESIDENTE DA AR CONFERENCIA COM ALTO-COMISSÁRIO DA ÍNDIA EM MOÇAMBIQUE

O 1º vice-presidente da Assembleia da República, Hélder Ernesto Injojo, recebeu nesta terça-feira, dia 23 de Dezembro, o alto-comissário da República da Índia acreditado em Moçambique, Robert Shetkintong, num encontro de cortesia que serviu para passarem em revista as relações de amizade e cooperação existentes entre os dois países e parlamentos.

No encontro, em que Injojo representou a Presidente do Parlamento, Margarida Adamugi Talapa, as partes manifestaram o desejo de incrementar a cooperação na área parlamentar, com enfoque para a formação de curta duração para os funcionários e agentes parlamentares.

O encontro serviu, igualmente, para que Robert Shetkintong apresentasse o convite do presidente do Parlamento Indiano à presidente da Assembleia da República de Moçambique para participar na 28ª Conferência dos Presidentes e Dirigentes dos Parlamentos da Commonwealth.

Para este evento, que terá lugar de 14 a 18 de Janeiro de 2026, na Índia, o Parlamento moçambicano será representado pelo 1º vice-presidente, Hélder Injojo, em representação da presidente da Assembleia da República, Margarida Talapa.

A bancada do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) desafia o Governo a adoptar acções enérgicas para combater o terrorismo em Cabo Delgado. 

Falando no encerramento da segunda sessão da Assembleia da República, o  chefe da bancada deste partido, Fernando Bismarque, disse que a intensificação dos ataques terroristas que antes estavam circunscritos na província de Cabo Delgado e que nos últimos tempos atingiram as províncias do Niassa e Nampula, continua a representar uma enorme ameaça à segurança do país.

No seu discurso, Bismarque disse que além de decapitação e sequestros, o terrorismo já provocou 100 mil deslocados,  na sua maioria idosos. Segundo disse, essa fuga massiva das populações, sobretudo para a província de Nampula, representa um desafio para as autoridades locais, principalmente em termos de alimentação, água, saneamento, integração das crianças na escola e assistência sanitária. 

Nesse sentido, o MDM entende que é urgente que as Forças de Defesa e Segurança (FDS), em conjugação de esforços com as forças do Ruanda, se desdobrem para resgatar a segurança e a soberania nacional em constante ameaça, porque só assim é que o país terá condições para atrair investimento externo ou tirar maior proveito das imensas riquezas que dispõe.

“A insegurança que afecta o nosso país faz parte do drama social que o povo enfrenta em Cabo Delgado e Nampula e os raptos na cidade de Maputo”, disse, recordando ainda que, relativamente ao terrorismo “parece-nos óbvio que a pobreza extrema fruto de anos de exclusão social, contribui para o recrutamento dos jovens para ingressar às fileiras inimigas com promessas de emprego”, anotou. 

Para Bismarque, persistem desafios no processo de reintegração social e assistência às famílias deslocadas em Cabo Delgado e Nampula.  Fernando Bismarque sublinhou que, sem uma correcta gestão no processo de reinserção social das vítimas do terrorismo, poderá gerar o sentimento de exclusão de parte significativa do povo moçambicano.

“Por isso, somos todos chamados a encontrar soluções para proteger grupos mais vulneráveis. É necessário restaurar o contrato social há muito rasgado, devolver a confiança perdida, de modo a evitar o desdobramento do terrorismo para as outras regiões do país.  

O Presidente da República diz que Moçambique se encontra, actualmente, num estado de confiança renovada, quando comparado com os primeiros meses do ano, apesar dos desafios sociais, económicos e de segurança que o país enfrenta.

Falando na Assembleia da República durante a apresentação do discurso sobre o Estado da Nação, o Chefe do Estado reconheceu que a situação do país é avaliada de forma diversa pelos diferentes sectores da sociedade. Segundo afirmou, “cada moçambicano fará a sua avaliação, cada deputado terá a sua leitura e cada analista fará o seu juízo”, sublinhando que essa pluralidade de opiniões é própria de uma democracia madura.

Daniel Chapo admitiu que a violência e a destruição de bens, incluindo viaturas e meios de subsistência de cidadãos, marcaram o quotidiano de muitos moçambicanos, o que influencia negativamente a perceção sobre o momento actual do país. Ainda assim, defendeu que, do ponto de vista do Governo, os avanços registados ao longo do ano permitem uma leitura positiva do rumo nacional.

“O Estado da Nação é de confiança renovada, rumo a um desenvolvimento sustentável e inclusivo”, declarou o Presidente, destacando o esforço do Executivo em garantir o funcionamento regular do Estado, o pagamento de salários e a criação de um ambiente favorável ao investimento nacional e internacional.

No encerramento da sua intervenção, Daniel Chapo aproveitou o momento solene para dirigir uma mensagem de boas festas aos deputados e às suas famílias, desejando um regresso seguro aos círculos eleitorais e votos de saúde, paz e união para todas as famílias moçambicanas.

O Presidente da República afirmou, hoje, que o primeiro ano de governação foi marcado “por um esforço profundo para reconstruir, dignificar os sectores sociais do país”. Daniel Chapo reconheceu os desafios persistentes, mas destacou os desafios alcançados nas áreas de Saúde, Educação e Desporto. 

Falando, nesta quinta-feira, sobre o estado geral da nação, o Chefe do Estado destacou que o sector da saúde fez avanços significativos, através da aprovação da primeira lei que estabelece o regime jurídico do Sistema Judicial de Saúde, que “uma interligação entre o sistema público e o sistema de protecção social de atendimento à população vulnerável”. 

Chapo falou ainda da valorização dos profissionais de Saúde, através de acções para melhorar as condições de trabalho, de equipamentos e materiais essenciais, destacando o pagamento das horas extraordinárias e a parceria com o Brasil para a construção de um instituto de Oncologia nacional e de um hospital materno-infantil, um investimento aproximado de 220 milhões de dólares norte americanos. 

“Estas infraestruturas também reduzirão drasticamente a necessidade de evacuação médica ao exterior e permitirão tratar casos complexos no nosso país, sem precisar de ir ao estrangeiro”, destacou. 

Em relação ao pagamento das horas extraordinárias aos profissionais de saúde,  Daniel Chapo avançou que a dívida já foi reduzida de forma significativa e ainda decorre o pagamento do valor remanescente. 

“Reafirmamos o compromisso de continuar a pagar de forma faseada e sustentável às nossas irmãs e aos nossos irmãos que trabalham para o nosso povo no sector da Saúde”, garantiu. 

Daniel Chapo avançou ainda que estão em curso diligências para a construção do centro cirúrgico de Maputo, que será um dos maiores centros cirúrgicos da região da África Austral e do continente, com financiamento da República Popular da China, cujas obras poderão iniciar-se em Abril de 2026.

Na área social, segundo avançou o Chefe do Estado, estão a ser pagos os subsídios aos idosos  de forma regular. “Em relação ao subsídio com os idosos, no âmbito do Programa de Segurança Social Básico,  da dívida de 4,1 bilhões de meticais, nós ficamos com o remanescente de 2,9 bilhões de meticais, porque o resto já foi pago”.

Na área da Educação, Daniel Chapo também destacou avanços que considera significativos, como a distribuição dos livros escolares em formato físico e digital, tanto na cidade quanto nos distritos. 

Avançou ainda que está a decorrer o pagamento das horas extraordinárias para os professores. 

O Chefe do Estado destacou também o emprego juvenil como o actual maior drama social, e explicou que decorrem acções para reverter o cenário.  

 

 

O Presidente da República, Daniel Chapo, anunciou a criação de uma nova arquitetura financeira pública destinada a impulsionar o crescimento económico, a industrialização e a inclusão financeira em Moçambique, destacando que o primeiro ano de governação foi dedicado a “lançar os alicerces de uma transformação estrutural profunda do país”.

Falando no Parlamento, o Chefe do Estado explicou que, ao nível da Presidência da República, foi criado o Gabinete Central de Reformas e Projectos Estratégicos, uma estrutura concebida para assegurar a coordenação, monitoria e acompanhamento permanente das reformas económicas e dos projectos estruturantes.

Segundo Daniel Chapo, o Governo está a preparar Moçambique para “uma década de crescimento, industrialização e modernização sem precedentes”, com destaque para a criação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique, que deverá entrar em funcionamento num prazo máximo de 12 meses. “Esta instituição preencherá uma lacuna histórica para dinamizar indústrias, transformar a agricultura, estimular novas cadeias de valor e construir infraestruturas para o povo moçambicano”, disse.

No domínio do financiamento local, o Presidente destacou o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FIDEL), dotado de 824,6 milhões de meticais, sublinhando que o único requisito para o acesso é a nacionalidade moçambicana.

“O único requisito para aceder ao FIDEL é ser moçambicano, independentemente da sua orientação política, religiosa, género ou origem étnica. E não existe qualquer taxa para concorrer ao fundo”, frisou, advertindo que qualquer tentativa de cobrança deve ser denunciada.

Face à elevada procura, o Governo decidiu duplicar o montante do FIDEL no próximo ano. Paralelamente, encontra-se em fase de operacionalização o Fundo de Garantia Mútua, que permitirá a partilha de riscos entre o Estado e as instituições financeiras, facilitando o acesso ao crédito para pequenas e médias empresas, jovens empreendedores e produtores locais.

O Chefe do Estado anunciou ainda a criação do Fundo de Recuperação Económica, com uma doptação inicial de 319 milhões de meticais, destinado a apoiar empresas afectadas por choques económicos, desastres naturais e episódios de violência.

No plano macroeconómico, Daniel Chapo destacou a aprovação do Plano de Recuperação e Crescimento Económico, avaliado em 2,75 mil milhões de dólares, bem como o lançamento de linhas de financiamento para o agronegócio e para a indústria transformadora.

Um dos marcos relevantes do período em análise foi a retirada de Moçambique da lista cinzenta do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI).

“Este marco assinala o reconhecimento internacional de que o país está a trilhar com seriedade e determinação o caminho da integridade financeira, da transparência e do cumprimento rigoroso das normas globais”, afirmou, felicitando o país pela conquista.

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