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Revisão da descentralização reforça poderes do governador

O reforço dos poderes do governador, a cessação automática de funções de directores provinciais fora da função pública e a transferência da coordenação do Centro Operativo de Emergência Provincial marcam parte das mudanças nas propostas de revisão das leis de descentralização em Moçambique. As propostas de revisão da Lei n.º

O Presidente da República,  Daniel Chapo, efectua uma Visita de Estado de cinco dias à  República Popular da China, em  resposta ao convite formulado pelo seu homólogo, Xi Jinping. 

A visita do Chefe do Estado moçambicano insere-se no quadro  do aprofundamento e elevação da Parceria Estratégica Global  existente entre a República de Moçambique e a República  Popular da China, reflectindo a vontade comum de consolidar os  laços históricos de amizade, solidariedade e cooperação  mutuamente vantajosa entre os dois países.

Durante a visita, Moçambique propõe-se reforçar a cooperação  político-diplomática e económica com a China, bem como  aprofundar a concertação em matérias de interesse comum da  agenda internacional, com destaque para as questões do Sul  Global, a reforma das Nações Unidas e as mudanças climáticas. 

A deslocação do Presidente da República à China visa  igualmente consolidar e elevar a Parceria Estratégica Global, em  alinhamento com as prioridades definidas no Plano Quinquenal  do Governo (PQG) 2025–2029 e na Estratégia Nacional de  Desenvolvimento (ENDE) 2025–2044, instrumentos orientadores do  desenvolvimento económico e social do país. 

No plano económico, o Chefe do Estado irá mobilizar recursos  para o financiamento de projectos estruturantes de elevado  impacto social e económico, bem como impulsionar o  relançamento da economia nacional, com enfoque nos sectores  prioritários, nomeadamente infra-estruturas, mineração, energia e  agricultura. 

Acompanham o Presidente da República nesta missão  deputados da Assembleia da República, membros do Governo e  outros quadros do Estado moçambicano. 

Pelas 11h00 do dia 15 de Abril corrente, terá lugar, no Terminal  Presidencial (Base Aérea), o Grande Cerimonial, acto solene que  simboliza a despedida do Presidente da República no âmbito da  Visita de Estado à República Popular da China.

O presidente do partido ANAMOLA, Venâncio Mondlane, afirmou esta terça-feira que considera inconstitucionais as regalias atribuídas aos antigos Presidentes da República, defendendo que o tema deve ser reavaliado pelas instituições competentes. O político afirmou ainda que a recente liquidação da dívida de Moçambique ao Fundo Monetário Internacional (FMI) não é motivo para festejos, criticando o silêncio do Parlamento por não debater a matéria.

Falando em conferência de imprensa com jornalistas, em Maputo, esta terça-feira, Venâncio Mondlane revelou que o seu partido submeteu ofícios à Procuradoria-Geral da República e ao gabinete do Provedor de Justiça, solicitando esclarecimentos e intervenção sobre o regime actual das regalias.

Segundo Mondlane, há incoerências na gestão das prioridades do Estado, questionando o aumento de benefícios concedidos a antigos chefes de Estado enquanto outros sectores da função pública enfrentam dificuldades.

O líder partidário sustenta ainda que a situação pode configurar violação da Lei de Probidade Pública, defendendo maior fiscalização sobre a aplicação de fundos públicos e benefícios estatais.

No mesmo encontro com a imprensa, Venâncio Mondlane criticou o nível de pobreza no País, argumentando que Moçambique se encontra entre os países mais pobres do mundo, com base em dados oficiais que, segundo disse, reflectem fragilidades estruturais sobretudo nos sectores da educação e saúde.

O político acrescentou ainda que o Governo deveria rever prioridades fiscais, questionando a decisão de acelerar o pagamento da dívida com o Fundo Monetário Internacional, quando existem outras necessidades mais urgentes no país.
“Não é assim tão positivo, um assunto para tocar trombetas, pelo contrário, devíamos começar a chorar por esse efeito, porque está aqui uma dívida oculta que só daqui a um tempo vamos saber a gravidade”, disse Venâncio Mondlane.

Mondlane defendeu igualmente que a Assembleia da República de Moçambique deveria convocar uma sessão extraordinária para debater o impacto do pagamento da dívida ao FMI na estabilidade fiscal do País.

“A Assembleia da República teve este conhecimento? Avaliou isto? Admira-me que não esteja a criar nenhuma situação. Acho que era motivo para se solicitar uma sessão extraordinária de matéria urgente, segundo o regimento, exatamente para se debater a questão da dívida do FMI”, disse o ex-candidato presidencial.

Para Venâncio Mondlane, não era “urgente” pagar a dívida ao FMI por ser uma das que tem a menor taxa de juros, referindo que o país tem dívidas bilaterais elevadas cujo peso era necessário reduzir.

“Estamos sempre a falar da dívida externa, mas a pior dívida que o Governo tem é a dívida interna, a dívida que tem com as empresas que é grandíssima, a dívida do reembolso do IVA, com os fornecedores e empresas nacionais, com os bancos que já atingiu limite com a emissão de bilhetes e obrigações do tesouro”, disse ainda Mondlane.

Para o político, era altura de o Governo aliviar o endividamento junto dos bancos, para que estas instituições possam avançar com financiamentos a projetos de empreendedorismo juvenil.

As declarações surgem num momento de intensificação do debate político em torno da gestão das finanças públicas e da distribuição de recursos estatais.

A Assembleia da República aprovou, nesta terça-feira, a Proposta de Lei de Autorização Legislativa para o Governo estabelecer o regime jurídico relativo ao exercício da actividade comercial e da prestação de serviços mercantis. A aprovação deste documento foi mediante o processo de votação, em que dos 228 deputados presentes, 203 votaram a favor, 25 votaram contra, todos da Renamo, e não houve nenhuma abstenção.

O documento visa a criação de um quadro normativo que concorre para o ordenamento da actividade comercial e de prestação de serviços mercantis, no interesse da melhoria do ambiente de negócios, desenvolvimento sadio do segmento da actividade económica, que promova o exercício ordenado da actividade comercial, baseado nos princípios da legalidade, livre iniciativa económica, concorrência leal, protecção do consumidor, simplificação administrativa e proporcionalidade regulatória.

No uso da Autorização Legislativa concedida nos termos do artigo 1 da referida lei, o Governo pode, entre outros aspectos, classificar a rede comercial e da prestação de serviços mercantis, em função das suas dimensões; explicitar as diferentes actividades passíveis de serem realizadas pelos comerciantes; classificar as modalidades de exercício da actividade comercial; definir os requisitos de acesso, licenciamento e registo da actividade comercial interna e externa; e definir as modalidades de venda das diferentes actividades realizadas pelos comerciantes.

O Conselho de Ministros, proponente do documento, afirma que “o projecto de regime jurídico aplicável ao ordenamento da actividade comercial encontra fundamento no facto de os instrumentos jurídicos atinentes à actividade comercial e prestação de serviços mercantis que avultam no ordenamento jurídico pátrio regularem, tanto o exercício da actividade comercial, quanto o licenciamento da actividade comercial, não estabelecendo em que moldes e onde tal actividade ocorre”.

Ainda na sua fundamentação, o proponente acrescenta que o acima descrito equivale a dizer que não existe, no ordenamento jurídico pátrio, um quadro normativo que concorre para o ordenamento da actividade comercial, decorrendo, daí, um vazio quanto, entre outros, à classificação da rede comercial e da prestação de serviços mercantis em função das suas dimensões; as diferentes actividades realizadas pelos comerciantes; as modalidades de venda das diferentes actividades realizadas pelos comerciantes; e o quadro de garantias de bens e serviços  pós-venda.

“Concorre, igualmente, para o estabelecimento do regime jurídico aplicável ao  ordenamento da actividade comercial a polarização do sector por micro e pequeno comércio de carácter tradicional e maioritariamente informal que coexiste com grandes grupos comerciais, uma situação que torna premente a definição clara e inequívoca dos agentes de comércio, no interesse da melhoria do ambiente de negócios, desenvolvimento sadio do segmento da actividade económica, bem assim para a atracção de investimentos”, esclarece o Conselho de Ministros, na sua fundamentação.

Segundo a fundamentação, ainda, é chamada à colação a insuficiência no ordenamento jurídico nacional da implantação de estabelecimentos comerciais nas áreas urbanas, suburbanas e rurais, um fenómeno que impõe um quadro de correcção, pretende-se, com a presente proposta de regime jurídico, “regular o universo da actividade comercial e da prestação de serviços mercantis, tomando por base o actual quadro evolutivo da estrutura e da forma do sector, impulsionado pelas inovações tecnológicas e pelas mudanças competitivas”.

Por último, o Conselho de Ministros refere que a vontade nutrida pelo proponente de fazer aprovar um instrumento jurídico que materialmente configura uma espécie de lei-quadro da actividade comercial e prestação de serviços mercantis, bem como ver maximizada a competência constitucional atribuída ao Governo de promover e regulamentar a actividade económica e dos sectores sociais e acautelar a celeridade no respeitante a eventuais alterações ao diploma legal.

O documento foi objecto de análise na Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade (1ª Comissão) a qual considera que a Proposta de Lei de Autorização Legislativa atinente ao Regime Jurídico do Exercício da Actividade Comercial tem mérito, é oportuna e não enferma de nenhum vício de inconstitucionalidade e nem de ilegalidade.

AR aprova Proposta de Lei do Sistema Nacional de Pagamentos

A Assembleia da República aprovou, na generalidade e por consenso, a Proposta de Lei do Sistema Nacional de Pagamentos, um dispositivo que visa reforçar a capacidade de fiscalização e supervisão, garantindo a segurança, a eficiência e a integridade das operações financeiras no País.

Da autoria do Governo, a presente lei adopta como principais referências a lei modelo do Sistema Nacional de Pagamentos da Comunidade do Desenvolvimento da África Austral (SADC), os princípios para infra-estruturas de mercados financeiros, o Fundo Monetário Internacional (FMI), as referências normativas de âmbito regional e internacional que seguem as melhores práticas em matéria de sistemas de pagamento.

De acordo com o ministro da Economia, Basílio Muhate, das inovações da proposta de revisão da lei é ampliado o objectivo para abraçar a componente de fiscalização e supervisão que não estavam expressamente consagradas e define o Banco de Moçambique (BM) como autoridade do sistema nacional de pagamentos em linha com outros países da região e em harmonia com as boas práticas.

Ainda segundo Muhate, no documento em análise, é estabelecido um regime de protecção das contas domiciliadas no BM e consagrada uma disciplina específica sobre os acordos de garantia financeira, “o que tornará o sistema mais dinâmico e com protecção de liquidez, uma vez que permitirá uma execução célere das garantias pelos participantes num determinado sistema de pagamentos”.

Por sua vez, a Comissão dos Assuntos Constitucionais e Direitos Humanos e de Legalidade (1ª Comissão) considera que a Proposta de Lei do Sistema Nacional de Pagamentos é pertinente, na medida em que configura uma intervenção legítima do Estado, orientada pelo interesse colectivo, e mostra-se oportuna, tendo em conta a necessidade de conferir maior segurança ao Sistema Nacional de Pagamentos.

A presidente da 1ª Comissão, Ana Comoane, sublinhou que a proposta de lei em análise não enferma de nenhum vício de inconstitucionalidade nem de ilegalidade.

Por seu turno, a Comissão dos Assuntos Sociais, do Género, Tecnologias e Comunicação Social (3ª Comissão) defende que a presente proposta de lei é um instrumento legislativo essencial que visa facilitar as transacções monetárias no País e no estrangeiro.

“A proposta apresenta coerência estrutural e material, com o objectivo de modernizar e regulamentar os meios de pagamento, tendo mérito e atendendo às previsões constitucionais e regimentais”, disse a presidente da 3ª Comissão, Lucília Nota Hama.

O documento foi, igualmente, analisado pela Comissão de Plano e Orçamento (2ª Comissão), a qual considera que o mesmo constitui um instrumento essencial para a modernização do sistema financeiro, alinhando Moçambique com padrões internacionais.

Contudo, a vice-presidente da CPO, Cernilde Muchanga, alerta que, não obstante, a eficácia do documento dependerá da qualidade da regulamentação subsequente, do reforço institucional do regulador, da protecção efectiva dos consumidores e da capacidade de adaptação tecnológica.

A deputada explicou que a aprovação desta proposta de lei trará benefícios significativos para o sistema financeiro e para a economia nacional, designadamente, maior segurança, eficiência e melhoria da capacidade de supervisão e fiscalização, bem como a facilitação e maior transparência nas operações.

O Governo moçambicano esclareceu, nesta terça-feira, na conferência de imprensa que aconteceu após mais uma sessão do Conselho de Ministros, que a recente definição de regalias para antigos chefes do Estado, que está a gerar críticas na sociedade, visa garantir “dignidade” e “condições apropriadas” para o exercício das funções após a Presidência.

Os antigos Presidentes da República de Moçambique passam a ter direito, cada um, a 30 dias de férias pagas pelo Estado, gabinete de trabalho, pensão, vencimento e oito viaturas, entre outras regalias, conforme determinado pelo Governo.

Em causa está um decreto do Conselho de Ministros, que entrou em vigor a 27 de Março, regulamentando a prática que existia até agora sobre “deveres e direitos do Presidente da República após cessação de funções”, com base no que prevê a Constituição.

Questionado por jornalistas, no fim da 10ª Sessão do Conselho de Ministros, sobre as regalias criadas para os antigos Presidentes da República, Salim Valá foi um homem de poucas palavras.

“Aquilo que o Estado moçambicano fez foi estabelecer normas, aquilo que são as regalias que acha que merecem os dirigentes que cessaram funções e têm de manter a dignidade, porque foram Presidentes que dirigiram o País e tiveram um papel importante”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros.

Salim Valá explicou ainda que os referidos direitos são de lei. “Há direitos e regalias que são consagrados para esses dirigentes, e o que foi feito foi tentar regulamentar isso, e penso que esta discussão, este debate que existe é um debate que temos estado a acompanhar, mas todos os moçambicanos, acreditamos, querem que os seus dirigentes, actuais, os dirigentes do passado, tenham dignidade, funcionem com condições apropriadas”, explicou.

O regulamento, que entrou em vigor no fim de Março, prevê que “são deveres do Presidente da República após cessação de funções”, nomeadamente, “observar os elevados princípios contidos na Constituição da República e demais legislação”, “contribuir para o fortalecimento da cidadania”, bem como “projectar” Moçambique “dentro e fora através de acções de diplomacia e advocacia” e “participar nos órgãos de consulta do Presidente da República, para os quais tenha sido designado ou convidado”.

São direitos dos antigos Presidentes ter um gabinete de trabalho, “protecção e segurança especial” asseguradas pela Casa Militar, pensão de sobrevivência, vencimento “excepcional”, verba “para habitação”, transporte, assistência médica e medicamentosa, viagens e “pessoal técnico e de apoio”, suportados pelo Estado.

O regulamento prevê que o cônjuge e herdeiros sobreviventes dos antigos presidentes “têm direito a uma pensão de sobrevivência equivalente a 100% do seu vencimento ou pensão actualizados”.

“O Presidente da República após cessação de funções habita em residência própria”, lê-se, definindo ainda que tem também “direito a verba destinada à manutenção e apetrechamento da casa onde habita”, a qual “é atribuída uma vez em cada três anos e fixada no Orçamento do Estado”.

Também tem direito a meios de transporte, nomeadamente duas viaturas protocolares, duas viaturas de escolta, uma viatura de serviço afecta à residência, duas viaturas “de uso pessoal para cônjuge e filhos menores ou incapazes a cargo” e uma viatura de serviço afecta ao gabinete de trabalho, novas e renovadas a cada cinco anos.

“O Estado suporta as despesas com a assistência médica e medicamentosa do Presidente da República após cessação de funções, do seu cônjuge, filhos menores ou incapazes e ascendentes a seu cargo”, lê-se igualmente neste regulamento, que acrescenta que o Estado deve ainda garantir um seguro de saúde.

Além disso, tem também “direito a uma viagem anual de férias de 30 dias, com passagens aéreas em primeira classe”, podendo ser acompanhados por cônjuge e filhos menores ou incapazes.

Actualmente, Moçambique tem três antigos Presidentes, nomeadamente Joaquim Chissano, que esteve em funções de 1986 a 2005, Armando Guebuza, de 2005 a 2015, e Filipe Nyusi, de 2015 a 2025.

Governo redefine atribuições do Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável

No Conselho de Ministros desta terça-feira, o Executivo aprovou ainda a redefinição das atribuições do Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável.

“A redefinição das atribuições e competências do FNDS visa retirar as responsabilidades relativas ao desenvolvimento rural, que passaram para o Ministério da Planificação e Desenvolvimento, e redefinir a sua tutela sectorial, que passa a ser exercida pelo ministro que superintende a área do ambiente”, disse Valá.

Outros decretos apreciados e aprovados na 10ª sessão do Conselho de Ministros foram o que cria o Regulamento da Lei da Protecção e o Respeito dos Direitos e Liberdades Fundamentais da Pessoa com Deficiência, que tem como objectivo de estabelecer as condições para a promoção, protecção e efectivação dos direitos das pessoas com deficiência, em igualdade de oportunidades com as demais, promovendo a sua inclusão na vida política, económica, social, cultural e tecnológica; o que cria a Escola de Governação, que ajusta o regime legal dos Institutos de Formação em Administração Pública e Autárquica, e extingue os Institutos de Formação em Administração Pública e Autárquica da Matola, Beira e Lichinga e a Escola Nacional da Administração Pública; o que cria o Tribunal Judicial de Distrito na Ponta d’Ouro, no Distrito de Matutuine, Província de Maputo.

Ainda na mesma Sessão, o Conselho de Ministros apreciou as informações sobre a situação da Época Chuvosa e Ciclónica 2025/2026 e medidas de mitigação e respostas aos impactos das cheias, inundações e cólera; os efeitos da Guerra no Médio Oriente e da subida de preços do petróleo e seu impacto para a economia nacional; a situação dos Conflitos Colectivos de Trabalho ocorridos em 2025; e a situação Sanitária e Fitossanitária 2024/2025 e 2025/2026 e Plano de Vacinação Animal.

Sobre os impactos das cheias e inundações, o porta-voz do Governo assegurou que as famílias continuam a ter a assistência necessária.

As bancadas parlamentares manifestaram abertura e expectativa positiva em relação à proposta de descentralização defendida pelo Presidente da República, Daniel Chapo, considerando-a uma via viável para aliviar a pressão sobre o Orçamento do Estado e aproximar a governação dos cidadãos. A iniciativa surge num contexto de crescentes desafios fiscais, caracterizado por limitações de receitas e aumento das despesas públicas, o que tem impulsionado a busca de soluções estruturais mais sustentáveis.

A proposta centra-se na transferência gradual de competências e recursos para as províncias e autarquias, permitindo maior autonomia na tomada de decisões e na implementação de projectos de desenvolvimento local.

O objectivo é reduzir a sobrecarga do Governo central, acelerar a execução de políticas públicas e adequar as respostas às especificidades de cada região do País.

Para a bancada da Frelimo, a revisão do modelo vigente poderá trazer ganhos institucionais relevantes. Gildo Muaga destacou que as mudanças propostas “vão ter um melhor impacto no âmbito de clarificação das competências, no reforço do papel do governador provincial e bem como do secretário de Estado na província”.

O deputado reconheceu, contudo, que o actual modelo criou “duplicação de funções ao nível das províncias”, o que, “em algum momento, acarretou custos elevadíssimos para o funcionamento das províncias no seu todo”, defendendo que a revisão legislativa “vai trazer mais robustez no campo da legislação”.

Já a bancada do PODEMOS adopta uma posição crítica quanto à manutenção de algumas figuras administrativas. Ivandro Massingue afirmou que, “se verdadeiramente tem o objectivo de fazer aquilo que é a redução dos gastos no Orçamento do Estado, deveria propor a extinção da figura do secretário de Estado”, considerando tratar-se de “uma figura desnecessária”.

Segundo o deputado, “num passado bem recente, o governador de província conseguia muito bem representar os interesses do Estado e os interesses do poder da província”.

Na mesma linha, a Renamo entende que a proposta retoma princípios anteriormente defendidos pelo partido. Arnaldo Chalaua afirmou que “esta proposta é reparada com bons olhos, porque, de facto, o poder eleito é o governador”, recordando que a introdução da figura do secretário de Estado resultou de “uma contra-proposta” motivada por receios de perda de controlo político ao nível provincial.

Por seu turno, o MDM mostra-se disponível para um debate aprofundado na especialidade. Judite Macuácua afirmou que o partido está preparado para “entrar num debate franco”, sublinhando que “a descentralização no País é bem-vinda, há ganho”, sobretudo pela possibilidade de redução de despesas que poderão ser canalizadas para áreas anteriormente sacrificadas.

Apesar do consenso geral em torno da pertinência da descentralização, as bancadas alertam para a necessidade de reforçar os mecanismos de fiscalização e a capacidade institucional ao nível local.

O objectivo é garantir transparência, prevenir a má gestão e assegurar que os benefícios da reforma se traduzam em melhorias concretas na vida dos cidadãos.

A Associação Nacional dos Professores quer que a idade máxima dos dirigentes seja 70 anos e sugere que a sociedade civil passe também a fazer parte da Assembleia da República.  Já as associações de Restauração, Catering e Eventos querem mais estratégias de promoção da inclusão económica.  As ideias constam das contribuições ao Diálogo Nacional Inclusivo.  

A comissão técnica continua a receber contribuições no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo e, esta terça-feira,  foi a vez de quatro organizações da sociedade civil. 

A Associação Nacional dos Professores foi a primeira, que além de pedir que haja aumento do orçamento direcionado ao sector da Educação e mudanças curriculares, falou de mexidas em alguns órgãos de soberania. 

As associações Moçambicana de Catering e de Eventos falam de medidas para impulsionar o turismo e alavancar a economia. 

A Associação da Aliança Jovem para Escrita e Consciência também apresentou o seu contributo.  

O presidente da COTE realçou que todos devem estar envolvidos no Diálogo Nacional Inclusivo.  Edson Macuacua anunciou, na ocasião, o término das auscultação pública nas zonas rurais. 

O presidente da Frelimo, Daniel Chapo, desafiou os órgãos de governação descentralizada provincial a reforçarem a mobilização de recursos próprios para complementar as transferências do Estado. O apelo foi feito durante um encontro com dirigentes do partido, realizado na Maputo.

A reunião serviu para fazer o primeiro balanço do desempenho dos órgãos provinciais, pouco mais de um ano após o início do mandato, com foco no cumprimento das promessas eleitorais.

Apesar de reconhecer que o período foi marcado por adversidades como o terrorismo, manifestações violentas e desastres naturais — incluindo cheias e inundações —, Chapo considerou o desempenho global positivo.

Ainda assim, deixou recomendações claras quanto à necessidade de maior iniciativa por parte das estruturas provinciais. “É preciso que elevem a proactividade na busca de parcerias, numa perspectiva de mobilizar recursos que complementem as transferências do Governo Central para implantar e implementar os programas e planos de desenvolvimento socioeconómico nas províncias”, afirmou.

Chapo sublinhou a necessidade de reforçar a eficiência na gestão e a capacidade de resposta das instituições provinciais.

“O contexto foi difícil, mas os resultados mostram que há avanços. No entanto, é fundamental que os órgãos provinciais procurem soluções inovadoras para aumentar as receitas e reduzir a dependência do Orçamento do Estado”, destacou.

O líder da Frelimo destacou também a importância de um equilíbrio na alocação de recursos entre os Conselhos Executivos Provinciais e as Assembleias Provinciais, defendendo maior coordenação institucional para garantir eficácia na execução das políticas públicas.

Outro ponto central do discurso foi o alerta sobre os riscos do incumprimento das promessas eleitorais. Segundo Chapo, tal cenário pode comprometer a confiança da população.

“O incumprimento das promessas contidas no manifesto pode levantar desconfiança da população quanto à nossa vontade política de realmente resolver os problemas de desenvolvimento das nossas províncias”, advertiu.

O dirigente acrescentou ainda que falhar compromissos pode afectar a identidade política do partido. “Por outro lado, pode desvirtuar o sentido da palavra de ordem do nosso partido, segundo o qual a Frelimo, quando promete, cumpre”, reforçou.

Na ocasião, Daniel Chapo reconheceu o esforço dos dirigentes provinciais no combate ao terrorismo e na resposta a calamidades naturais, sublinhando a necessidade de continuidade no fortalecimento da capacidade institucional. O encontro contou também com a participação de membros do Conselho de Ministros, evidenciando a articulação entre o partido e o Governo no contexto da descentralização.

Quatro comissões de trabalho da Assembleia da República auscultaram, nesta segunda-feira, em conjunto, ao ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, no âmbito da análise das Propostas de Lei sobre Crimes e Segurança Cibernética.

Trata-se das Comissões dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade (1ª Comissão); dos Assuntos Sociais, do Género, Tecnologias e Comunicação Social (3ª Comissão); da Defesa, Segurança e Ordem Pública (6ª Comissão), e a das Relações Internacionais, Cooperação e Comunidades (7ª Comissão).

Na ocasião, o ministro das Comunicações e Transformação Digital defendeu a necessidade de uma actuação coordenada entre entidades públicas, privadas e forças de defesa e segurança para garantir a eficácia da segurança cibernética no país.

Na ocasião, o ministro Muchanga explicou aos deputados que a protecção do espaço digital depende cada vez mais da cooperação institucional, da partilha de informações sobre ameaças e do reforço das capacidades nacionais de prevenção e resposta a incidentes cibernéticos.

“Apesar das diferenças, a segurança cibernética nas entidades públicas, privadas e nas forças de defesa e segurança deve funcionar de forma complementar e coordenada”, disse o ministro, acrescentando que a protecção eficaz do espaço digital exige cooperação institucional, partilha de informação sobre ameaças e desenvolvimento de capacidades nacionais de prevenção e resposta.

Para o governante, a segurança cibernética apresenta características distintas consoante o tipo de instituição. Nas entidades públicas civis e nas organizações privadas, o foco principal está na protecção de sistemas de informação, dados institucionais, serviços digitais e operações contra ataques informáticos.

Muchanga explicou que no caso das Forças de Defesa e Segurança, como Forças Armadas, polícia e outras entidades responsáveis pela segurança nacional, a segurança cibernética assume uma dimensão mais ampla e estratégica.

“Neste domínio, a protecção do espaço digital está directamente ligada à soberania do Estado, à defesa nacional e à segurança pública”, explicou, frisando que “para estas instituições, a segurança cibernética envolve, não apenas a protecção de sistemas e informação, mas também a prevenção e resposta às ameaças que possam comprometer a estabilidade do Estado ou a integridade territorial.”

O governante sublinhou que o fortalecimento da segurança cibernética em Moçambique exige uma abordagem integrada, capaz de responder aos diferentes níveis de risco e às especificidades de cada sector.

“O reforço da segurança cibernética, no sector público e privado, constitui uma necessidade estratégica na crescente digitalização das actividades económicas, sociais e governamentais”, afirmou o governante para quem “à medida que os Estados, empresas e cidadãos passam a depender cada vez mais das tecnologias digitais para a prestação de serviços, comunicação e gestão de informação, aumentando também os riscos associados a ameaças de segurança cibernética.”

De acordo com o ministro, no sector público, muitos serviços essenciais como sistemas de registo civil, finanças públicas, saúde, energia, transportes e administração electrónica dependem de infra-estruturas digitais, alertando que a vulnerabilidade desses sistemas pode colocar em risco a continuidade de serviços fundamentais para a sociedade.

O governante explicou ainda que no sector privado, empresas de telecomunicações, bancos, plataformas digitais e fornecedores de serviços tecnológicos desempenham um papel central na economia digital.

“A protecção destas infra-estruturas é indispensável para garantir a estabilidade económica e a confiança dos utilizadores”, disse.

Segundo explica, a segurança cibernética contribui para a estabilidade das actividades económicas, para a protecção dos direitos dos cidadãos e para o desenvolvimento sustentável da economia digital.

O ministro afirmou, igualmente, que o reforço da segurança cibernética no sector público e privado deve ser entendido como uma prioridade estratégica para a protecção do espaço digital, a continuidade dos serviços essenciais e a promoção de um ambiente tecnológico seguro, resiliente e confiável.

O Presidente da Frelimo, Daniel Chapo, defendeu o fortalecimento da Organização da Mulher Moçambicana (OMM), apelando para um crescimento não apenas em número, mas também em consciência, para maior influência e capacidade de intervenção na sociedade.

Falando durante uma sessão do Conselho Nacional da OMM, Chapo destacou a necessidade de a organização assumir um papel mais activo na agenda nacional, com especial atenção à rapariga e à mulher jovem.

O dirigente sublinhou que a mulher moçambicana continua a desempenhar um papel central no desenvolvimento do país, sendo responsável por sustentar as famílias, educar e contribuir para a produção, apesar de ser mais afectada pela pobreza, desigualdades sociais e violência.

Segundo Daniel Chapo, o desafio passa por transformar o empoderamento feminino em acções concretas que tragam impactos reais na vida das mulheres, através de oportunidades económicas, apoio ao empreendedorismo e criação de mecanismos de inclusão.

“O país precisa de uma OMM criativa, inovadora e próxima das pessoas”, afirmou, defendendo uma organização capaz de mobilizar comunidades, criar soluções e fortalecer redes de apoio, tanto nas zonas urbanas como nas rurais.

O Presidente destacou ainda a importância de uma liderança transformadora dentro da OMM, afirmando que “a chefia impõe, enquanto a liderança inspira”, apelando à formação de líderes capazes de mobilizar e aproximar as comunidades.

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