O País – A verdade como notícia

Pelo menos 38 mineiros morreram devido à explosão de uma mina  de gás  no estado de Plateau, no centro da Nigéria, segundo a AFP. 

Segundo fontes oficiais, o acidente ocorreu entre 7h30 e 8h da manhã, horário local, em uma mina subterrânea de chumbo no estado de Plateau, região central da Nigéria. Além de pelo menos 38 mortes, 27 pessoas ficaram feridas com gravidade variável. A causa inicial foi identificada como uma explosão de gás dentro da mina.

Ibrahim Dattijo Sani, um mineiro de uma mina próxima, disse à AFP que as vítimas estavam no subsolo da mina onde a explosão ocorreu. 

Um relatório de segurança confidencial, consultado pela AFP, atribuiu a morte dos mineiros ao “envenenamento por monóxido de carbono”.

Kampanin Zurak é um antigo assentamento mineiro no distrito de Wase. Idris disse à AFP que o local da explosão é operado pela Solid Unit Nigeria Limited.

O estado é uma região histórica de mineração, com sua capital, Jos, conhecida como a Cidade do Estanho. Mas as actividades de mineração diminuíram nos últimos anos.

Antes do acidente de 18 de fevereiro, a nação da África Ocidental já havia registrado inúmeros outros acidentes catastróficos relacionados a minas. Entre eles, um deslizamento de rochas causado por fortes chuvas prolongadas que atingiram uma mina ilegal no estado de Zamfara, no noroeste da Nigéria, em Setembro de 2025, matou pelo menos 18 pessoas.

Tropas federais etíopes e forças do Tigray realizam movimentações junto à fronteira interna e aumentam os receios de um retorno ao conflito militar que devastou o país entre 2020 e 2022. Uma escalada militar que deixa o norte da Etiópia em alerta máximo.

Diversas fontes diplomáticas da Etiópia confirmam que o exército federal está a posicionar unidades em diversos pontos próximos da região do Tigray. Do outro lado, as Forças de Defesa do Tigray também avançam para as zonas fronteiriças, avançam algumas agências internacionais.

Analistas alertam que esta movimentação militar é invulgar e pode anunciar uma nova escalada. Amdom Gebreselassie, presidente da Arena Tigray para a Democracia e Soberania, em Mekelle, confirmou à DW que o ambiente é tenso e que “a Frente de Libertação do Povo do Tigray (TPLF) está militarmente ativa na região.”

“As forças Shabia da Frente Popular de Libertação da Eritreia (EPLF) estão a infiltrar pessoal de inteligência em várias áreas; há muitos indivíduos uniformizados no terreno. As forças de defesa federais também estão estacionadas ali. Muitos estão totalmente mobilizados. Há risco de guerra e teme‑se o reinício do conflito”, conclui Gebreselassie, citado pela DW.

Entre 2020 e 2022, a região foi palco de uma guerra envolvendo tropas federais, milícias aliadas e o exército da Eritreia, causando centenas de milhares de mortos, segundo estimativas da União Africana (UA).

Apesar da assinatura de um acordo político, este nunca foi plenamente implementado e, em janeiro, novos confrontos levaram à suspensão temporária dos voos para a região.

Mustafa Abdu, especialista jurídico e analista político em Mekelle, recorda em entrevista à DW que os “fantasmas” do conflito continuam presentes em Tigray. “O povo de Tigray vive uma situação desesperada. A guerra atingiu-o profundamente, ainda não superou a dor. O facto de o conflito ter terminado com o Acordo de Pretória e agora estar prestes a recomeçar é desanimador. A situação em Tigray é extremamente difícil”, relata ao DW.

Face ao risco elevado de um regresso à guerra no norte da Etiópia, multiplicam‑se os apelos à comunidade internacional para pressionar por um diálogo imediato.

Amdom Gebreselassie reforça que o povo de Tigray não quer um novo conflito, “quer paz, mas as forças armadas chegaram a um ponto em que estão preparadas para uma guerra que ultrapassa as suas capacidades.”

O dirigente acrescenta ainda que a Frente de Libertação do Povo do Tigray (TPLF), a Shabia e a FANO, a milícia etnonacionalista da Amhara, anunciaram recentemente uma aliança militar para defender Tigray.

As relações entre a Etiópia e a Eritreia também se deterioraram. Adis Abeba acusa Asmara de fornecer armas a grupos armados do Tigray, algo que o Governo eritreu nega.

Na semana passada, o Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, apelou a medidas urgentes para evitar um novo conflito. Mustafa Abdu sublinha que a guerra ainda pode ser evitada, desde que o Acordo de Paz de Pretória seja plenamente respeitado.

 

A Polícia Britânica está a avaliar informações sobre os voos privados no aeroporto de Londres, após a divulgação dos arquivos do pedófilo Jeffrey Epstein, que traficava menores e jovens para fins de exploração sexual.

O caso Jeffrey Epstein voltou ao centro das atenções após a divulgação de milhares de páginas de documentos e novas revelações sobre o possível envolvimento de figuras públicas.

Para já, a  polícia britânica está a avaliar dados de voos privados no aeroporto de Londres relacionados ao caso.

Os ficheiros mostravam detalhes de como Epstein poderá ter utilizado o aeroporto de Stansted para trazer meninas da Letónia, Lituânia e Rússia.

Um porta-voz das forças de segurança de Essex, à qual Stansted pertence, indicou nesta quarta-feira que a avaliação dos dados está a ser realizada depois de o Departamento de Justiça dos EUA ter recentemente divulgado mais documentos sobre Epstein, que mostraram a extensão dos contactos do empresário com ricos e famosos.

Todos os aviões privados operam através de operadores independentes, que gerem os aspectos da aviação privada de acordo com os requisitos regulamentares,  partilhados pela  a polícia.

Está em curso a avaliação da informação recente para decidir se procede a uma investigação criminal.

Recorde-se que o caso Epstein começou em 2008, quando o empresário foi sentenciado a 13 meses de prisão após ser acusado de abusar sexualmente  uma rapariga de 14 anos em sua mansão. Outras vítimas foram identificadas, e fotos de adolescentes foram encontradas em sua casa. 

Mesmo condenado, Epstein conseguiu um acordo que o livrou da prisão perpétua e permitia que ele saísse para trabalhar seis dias por semana. Jeffrey Epstein foi encontrado morto na sua cela da prisão, no dia 10 de agosto de 2019.

Morreu, esta terça-feira, o líder dos direitos civis dos Estados Unidos, Jesse Jackson, aos 84 anos. Jackson foi um pastor baptista criado no sul segregado dos Estados Unidos, que se tornou próximo de Martin Luther King Jr.

Em vida, ele concorreu duas vezes à indicação presidencial democrata. Ao longo da vida, Jackson atuou em negociações diplomáticas, missões humanitárias e campanhas contra a discriminação racial, deixando um legado marcado pela defesa dos direitos civis nos Estados Unidos.

Jesse Jackson foi um proeminente activista dos direitos civis que concorreu duas vezes à nomeação do Partido Democrata para presidente, em 1984 e 1988.

Nascido no dia 8 de Outubro de 1941 em Greenville, Carolina do Sul, Jackson envolveu-se na política desde cedo.

Ele ganhou destaque na década de 1960 como líder da Conferência de Liderança Cristã do Sul, de Martin Luther King.

Jackson estava presente com King quando este foi assassinado em Memphis em 1968.

Ele lançou duas organizações de justiça social e ativismo: a Operation PUSH em 1971 e a National Rainbow Coalition doze anos depois.

O Conselho Nacional de Transição da Guiné Bissau, acusa o presidente angolano  de “hipocrisia” e “eleições fraudulentas”, depois de João Lourenço ter criticado o golpe militar na Guiné-Bissau.

O ambiente político entre Guiné-Bissau e vários parceiros internacionais agravou-se nos últimos dias. O Conselho Nacional de Transição, que governa a Guiné-Bissau desde o golpe militar de Novembro de 2025, reagiu com dureza às críticas feitas por chefes de Estado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Desta vez, o alvo foi o Presidente de Angola, acusado de incoerência e falta de autoridade moral.

A polémica começou após declarações de João Lourenço, no encerramento do seu mandato como presidente rotativo da União Africana, onde condenou o golpe militar em Bissau e defendeu que a legitimação de governos saídos de quartéis representa um retrocesso democrático.

Em resposta, o Conselho Nacional de Transição acusou o chefe de Estado angolano de ignorar alegados problemas internos e de tolerar processos eleitorais que classificou como “viciados”.

O tom crítico estende-se a outros membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, actualmente presidida por Timor-Leste. 

O governo timorense chegou a pedir desculpas depois de classificar a Guiné-Bissau como “Estado falhado”, expressão que provocou forte reacção das autoridades de transição.

O Conselho Nacional de Transição garante que vai continuar a responder às críticas e insiste que a soberania guineense não deve ser alvo de julgamentos públicos em instâncias internacionais.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, apelou para o fim da exploração dos recursos naturais africanos, durante a 39ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana.

Nesta cimeira, o político portugues afirmou que já basta “de exploração e pilhagem”, e reafirmou que África será uma prioridade até ao minuto final do seu mandato como secretário-geral, de acordo com a Lusa.

António Guterres apelou ainda à garantia de que os países africanos sejam os principais beneficiários dos seus próprios recursos minerais, por meio de cadeias de valor e manufatura justas e sustentáveis, sublinhando as recomendações do painel da ONU sobre Minerais Críticos para a Transição Energética.

No seu discurso, Guterres também deu destaque à acção climática, realçando a urgente necessidade de sistemas resilientes de água e saneamento, tendo em conta o aquecimento global. 

O secretário geral da ONU destacou o potencial de África como potência de energia limpa, tendo em conta que possui 60% da energia solar disponível a nível mundial. Apesar disto, o continente só recebe 2% do investimento mundial em energias limpas.

Em seguimento, Guterres pediu aos países desenvolvidos para triplicar o investimento na adaptação africana às alterações climáticas, relembrando que África será uma das regiões mais afectadas pelas mesmas, citando o aquecimento acelerado, secas, cheias, e níveis de calor fatais como exemplos de consequências que irão afectar África, mesmo tendo tido um dos menores contributos para o problema.

Numa declaração final, Guterres afirmou que é necessário incluir África na discussão das de decisões para o seu futuro, e que a ausência de representação africana permanente no conselho de segurança da ONU e “indefensável”, acrescentando que “estamos em 2026, não em 1946”; e defendeu a reforma de instituições globais para o efeito de resolver este problema.

Depois das reuniões de alto nível na Conferência de Segurança de Munique, Volodymyr Zelensky sublinhou que o foco mantém-se na defesa aérea, para protecção contra os mísseis balísticos russos. O Presidente da Ucrânia espera receber novo apoio militar dos aliados.

“Houve muitas reuniões e, o mais importante ainda, haverá um novo pacote de apoio à Ucrânia. A prioridade são os mísseis para  a defesa aérea, sobretudo, para nos protegermos das ameaças balísticas”, disse Zelensky, sublinhando que essa foi umas das questões levantadas em Munique. 

O presidente ucraniano disse esperar acordos que funcionem, visto que a defesa aérea é uma necessidade diária.

O Governo de Kinshasa na RDC concorda com a proposta de cessar-fogo baseada  no princípio de congelamento estrito e imediato das posições no conflito no leste do país. A informação foi divulgada, esta sexta-feira, pelas autoridades congolesas, na sequência da mediação angolana que apela ao fim do conflito a 18 de Fevereiro. 

O posicionamento da RDC surge depois da proposta feita por Angola ao governo congolês e ao grupo armado M23 para que as partes respeitem um cessar-fogo a partir de 18 de fevereiro próximo. 

A proposta do governo angolano, segue-se ao anúncio feito pelas Nações Unidas  sobre o envio das forças de manutenção da paz para o leste da RDC para fazer cumprir qualquer cessar-fogo. 

Apesar do governo de Kinshasa ter aceite a proposta angolana, sem avançar quaisquer datas,  o grupo armado M23 ainda não respondeu oficialmente.  

A República Democrática do Congo tem sido alvo do M23 desde o ressurgimento do grupo anti-governamental em 2021. 

De lá a esta parte os ataques se intensificaram e o movimento armado M23 tomou a capital provincial de Kivu Norte, Goma, em janeiro do ano de 2025, como parte de uma ofensiva relâmpago pelo leste do país que deixou milhares de mortos.

Recorde-se que os esforços de paz liderados pelo Qatar e pelos Estados Unidos já levaram à assinatura de dois acordos de paz. 

A República de Angola passou oficialmente, neste sábado, a presidência rotativa da União Africana (UA) à República do Burundi, no âmbito da 39.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo, realizada em Addis Abeba, capital da Etiópia.

O presidente angolano, João Lourenço, que liderou a organização continental ao longo dos últimos 12 meses, encerra um mandato marcado por diplomacia ativa e diálogo sobre paz, segurança e integração regional. A sua presidência destacou iniciativas em áreas como infraestruturas e cooperação económica, alinhadas com as agendas africanas de desenvolvimento de longo prazo.

O novo presidente em exercício da União Africana é o chefe de Estado do Burundi, Évariste Ndayishimiye, que assume o cargo num momento em que a organização enfrenta desafios continentais significativos, incluindo conflitos regionais, segurança alimentar, mudanças climáticas e pressões por reformas institucionais.

A cimeira deste ano, realizada sob o lema de garantir recursos hídricos sustentáveis e sistemas de saneamento eficazes para alcançar os objetivos da Agenda 2063, reúne líderes africanos para debater prioridades políticas, económicas e sociais, bem como estratégias de cooperação para o futuro do continente.

Moçambique também marcou presença nas sessões da cimeira, aproveitando o encontro de chefes de Estado para procurar apoio internacional à reconstrução após as recentes inundações e desastres naturais, reforçando a importância da solidariedade continental.

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