O País – A verdade como notícia

O presidente de Angola pede a libertação do presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, Domingos Pereira, que foi detido na sequência do golpe militar na Guiné-Bissau.

João Lourenço considerou o processo eleitoral na Guiné-Bissau um caso inédito na história dos processos eleitorais em África, pelo facto de os resultados eleitorais nunca terem sido tornados públicos.

O presidente angolano exigiu, por isso, a libertação sem imposição de nenhuma condição do presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, Domingos Simões Pereira e também do presidente deposto por um golpe de Estado no Níger, Mohamed Bazoum, detido desde 2023.  

Face aos recorrentes golpes de Estado no continente africano, Lourenço acredita na necessidade de se reforçarem medidas de desencorajamento e condenação destas práticas.

Também presidente em exercício da União Africana,no fim do seu mandato, João Lourenço destacou que se continua por alcançar o objetivo de se pôr fim aos conflitos armados no continente, o que obriga a continuar a envidar esforços para realizar o que chamou de sonho do silenciar das armas em África.

Pelo menos onze agentes da Polícia foram mortos em um grande ataque jihadista, no leste de Burkina Faso, no fim de semana, segundo confirmaram fontes de segurança  locais. 

Fontes de segurança disseram à AFP que “centenas de jihadistas” atacaram um destacamento da Polícia em Balga, localizada na província de Gourma, na Região Leste.

O ataque deixou sete policiais mortos no local, e outros quatro sucumbiram posteriormente aos ferimentos. O grupo JNIM (Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos), afiliado à Al-Qaeda, reivindicou a autoria do ataque no mesmo dia.

Em conformidade com uma nova directiva militar, as vítimas foram sepultadas no local, em Balga, em vez de serem transportadas para centros urbanos.

Após o ataque, as forças policiais retiraram-se da área para Diapangou.

A junta governante, liderada pelo capitão Ibrahim Traoré, que tomou o poder em um golpe de Estado em 2022, parou de fornecer relatos detalhados dos ataques e afirmou publicamente ter “reconquistado” quase três quartos do território nacional, segundo escreveu a African News.

Apesar das alegações da junta militar, Burkina Faso permanece mergulhada em um conflito devastador que começou em 2015. O país enfrenta ataques de grupos armados ligados tanto à Al-Qaeda quanto ao Estado Islâmico.

Segundo o grupo de monitoramento de conflitos ACLED, a violência já ceifou dezenas de milhares de vidas civis e militares, sendo que mais da metade dessas mortes ocorreram somente nos últimos três anos.

Chefes de Estado e de Governo reúnem-se, nesta quinta-feira, em Bruxelas. Foram convocados pelo presidente do Conselho Europeu depois das ameaças tarifárias de Donald Trump a oito países, seis dos quais fazem parte da União Europeia.

Os chefes de Estado e de Governo foram chamados a Bruxelas por António Costa. O presidente do Conselho Europeu quer ouvir opiniões sobre a forma de reagir caso a ameaça de Donald Trump de anexar a Gronelândia se concretize, segundo escreve a RTP Notícias.

A reunião acontece um dia depois de Trump anunciar um recuo na sua intenção de aplicar um novo pacote de tarifas comerciais a oito países europeus, seis dos quais membros da União Europeia, à luz de um possível acordo com a NATO sobre a Gronelândia.

Na sua rede social Truth, Donald Trump afirmou que tinha chegado a um acordo com o secretário-geral da NATO sobre um quadro de um  futuro acordo sobre a Gronelândia . Mas a informação foi desmentida pelo SG da NATO, que esclareceu que esse assunto não esteve em cima da mesa.

Espera-se também que, desta cimeira, saia uma declaração de unidade perante as ambições territoriais do presidente norte-americano, que, nas últimas semanas, se propôs adquirir, à força, a Gronelândia, território autónomo sob a soberania da Dinamarca.

Por outro lado, o Parlamento Europeu suspendeu, por tempo indefinido, os trabalhos sobre o acordo comercial entre a União e os Estados Unidos, na sequência das ameaças do presidente norte-americano sobre a Gronelândia.

No seu discurso no Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, Donald Trump afirmou que após 12 meses no poder, os EUA estão a viver uma reviravolta na sua economia, marcada pelo crescimento e por um maior investimento.

Donald Trump afirma que o país viveu uma reviravolta na sua economia como nunca antes vira “e como nenhum outro país alguma vez viu”. 

Recorrendo a números da economia norte-americana, o presidente dos Estados Unidos afirmou que “graças às suas políticas” está confiante de que a economia do país vai crescer ainda mais do que aquilo que foi previsto “pelo FMI em Abril”.

Trump gabou-se de que “a inflação foi derrotada” nos Estados Unidos. “Estamos a perder mais de um trilião por ano, e isso era um desperdício. Em um mês, reduzi o nosso défice comercial mensal em 77%, e tudo isso sem inflação, algo que as pessoas diziam ser impossível”, defendeu.

O sucesso das suas contas, considera, é uma boa notícia para todos os países, porque quando “a “América cresce, todo o mundo cresce”, defendendo ainda que a América é “o motor da economia global”. 

Donald Trump criticou ainda a Europa, considerando que “pode fazer muito mais” se se inspirar “no milagre americano”.

“Eu amo a Europa e quero que progrida”, disse, considerando porém, que o continente não está num bom caminho, segundo a sua análise.

“Francamente, certos locais na Europa já nem sequer são reconhecíveis. Podemos discutir sobre isso, mas não há discussão possível. Não quero insultar ninguém, mas podem fazer muito mais”, disse.

 

Operação militar Venezuela

No seu discurso, Trump não deixou de comentar a operação militar na Venezuela, para capturar Nicolás Maduro.

“A Venezuela era um país extraordinário, mas teve más políticas e agora ainda tem problemas mas estamos a ajudá-los […] vão fazer mais dinheiro do que alguma vez fizeram”, disse, referindo-se à venda de petróleo.

“Vai fazer mais dinheiro nos próximos seis meses do que aquilo que fez em anos”, atirou.

 

Dinamarca é “ingrata” 

O republicano não deixou de falar na Gronelândia, considerando que se não o fizesse muitos o criticariam por isso. Nesse âmbito, começou por afirmar ter “muito respeito pelo povo da Gronelândia e da Dinamarca”. Porém, defendeu que nenhuma nação, a não ser os EUA, têm capacidade de defender o território. 

Nessa senda, voltou à II Guerra Mundial para lembrar que os EUA tiveram que ajudar a Dinamarca militarmente para defender a Gronelândia. 

“Devolvemos a Gronelândia à Dinamarca. Quão estúpidos fomos?”, questionou, defendendo que “a ilha faz parte do norte da América. É território nosso”.

Treze alunos morreram esta segunda-feira, num grave acidente de viação,  na África do Sul. O autocarro escolar em que seguiam colidiu com um camião numa estrada próxima da cidade industrial de Vanderbijlpark, a cerca de 60 quilómetros de Joanesburgo.

De acordo com as autoridades da província de Gauteng, que consideraram o acidente como uma tragédia, onze crianças perderam a vida no local e outras duas no hospital devido à gravidade dos ferimentos, na sequência do embate entre o autocarro escolar e um camião, esta segunda-feira.

As vítimas frequentavam o ensino primário e secundário, mas as idades ainda não foram divulgadas.

As investigações preliminares apontam que o motorista do autocarro terá perdido o controlo da viatura durante uma manobra de ultrapassagem.

O embate foi violento. Imagens partilhadas nas redes sociais mostram o autocarro destruído à beira da estrada, enquanto pais e familiares, visivelmente abalados, aguardavam informações junto da polícia.

Através de um comunicado, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, lamentou o acidente e apelou ao reforço das medidas de segurança no transporte escolar, defendendo o respeito pelas regras de trânsito e a contratação de serviços adequados.

O caso volta a levantar preocupações sobre a segurança rodoviária na África do Sul. Só em 2025, mais de 11 mil pessoas morreram nas estradas sul-africanas.

O estilista italiano Valentino Garavani morreu hoje, aos 93 anos, em Roma. A informação foi confirmada pela Fundação Valentino Garavani e Giancarlo Giammetti, sócio e cofundador da maison. Segundo uma nota citada pela imprensa internacional, o criador morreu de forma tranquila, em sua residência, cercado por familiares e pessoas próximas.

A despedida pública será realizada em Roma. O funeral está marcado para sexta-feira, 23 de Janeiro, às 11h, na Basílica de Santa Maria dos Anjos e dos Mártires, na Piazza della Repubblica.

Nascido em Voghera, no norte da Itália, em 1932, Valentino construiu uma das trajectórias mais influentes da moda internacional. Ainda jovem, mudou-se para Paris, onde se formou nos ateliês de Jean Dessès e Guy Laroche.

De volta à Itália, abriu em 1958 seu primeiro ateliê em Roma, na Via Condotti. O reconhecimento veio em 1962, após um desfile no Palazzo Pitti, em Florença, que marcou sua consolidação no circuito da alta-costura.

Ao lado de Giancarlo Giammetti, Valentino transformou sua casa de moda em um império global, associado à elegância clássica, à alta-costura italiana e a uma clientela que incluiu estrelas de Hollywood e figuras da elite internacional. O logotipo em “V” e o estilo marcadamente feminino tornaram-se marcas registradas da grife.

Em 1998, Valentino e Giammetti venderam a marca ao grupo HdP, que posteriormente a repassou ao grupo Marzotto, em 2002. Mesmo após a venda, Valentino permaneceu como diretor artístico até 2007, quando se afastou definitivamente da criação.

A África do Sul declarou estado de calamidade pública devido às chuvas torrenciais e inundações que mataram pelo menos 30 pessoas no norte do país, danificaram milhares de casas e destruíram estradas e pontes.

A declaração foi feita pelo chefe do Centro Nacional de Gestão de Desastres e anunciada pelo governo. Ela permite que o governo nacional coordene a resposta ao desastre.

O impacto mais severo foi sentido nas províncias do norte de Limpopo e Mpumalanga, onde ocorreram as fatalidades. No entanto, o Ministério da Governança Cooperativa e Assuntos Tradicionais afirmou que pelo menos outras três províncias também foram afetadas pelo mau tempo.

Partes da África do Sul e dos países vizinhos, Moçambique e Zimbabwe, têm sofrido com fortes chuvas há semanas. Isso resultou em graves inundações no centro e sul de Moçambique e no norte da África do Sul. Mais de 100 pessoas morreram nesses três países desde o início das chuvas no final do ano passado.

As inundações no norte da África do Sul causaram o fechamento do Parque Nacional Kruger e a evacuação de centenas de turistas e funcionários de acampamentos alagados para outras partes do parque.

A primeira-ministra da província de Limpopo afirmou que o mau tempo causou cerca de 240 milhões de dólares em danos na sua província, com muitas casas e edifícios completamente destruídos.

O sul do Chile vive dias de tragédia com incêndios florestais de grandes proporções que já causaram, pelo menos, dezasseis mortos, deslocação de mais de 50 mil pessoas e  destruição de 250 infra-estruturas, entre sábado e domingo.

 A situação levou o governo chileno a decretar, este domingo, um estado de emergência nas zonas afectadas, uma medida que visa mobilizar todos os meios para responder à crise.

As chamas que estão a implantar dor, luto e lágrimas entre as vítimas, já mataram 16 pessoas, no fim-de-semana, obrigaram à fuga de mais de cinquenta mil pessoas nas regiões afectadas no sul do Chile. 

As autoridades apontam as temperaturas extremas, próximas dos 40 graus, e os ventos fortes como factores decisivos para a rápida propagação do fogo. 

O governo afirma que estas condições têm dificultado o trabalho dos bombeiros e equipas de protecção civil nas regiões em causa, com cerca de 8.500 hectares de floresta e áreas habitadas. 

Mais de 250  infra-estruturas foram consumidas pelas chamas e várias localidades continuam ameaçadas, o que levou as autoridades a emitir ordens de evacuação preventiva para proteger a população.

 O número de vítimas mortais pode ainda aumentar nas próximas horas, segundo as autoridades locais.

Nos últimos anos, o Chile tem sido atingido por incêndios florestais, sobretudo na região centro-sul, como a tragédia de Fevereiro de 2024, onde vários incêndios provocaram 138 mortos.

Mais de 11 milhões de portugueses votam este domingo para eleger o novo Presidente da República, após dez anos de mandato de Marcelo Rebelo de Sousa. A corrida presidencial deste ano conta com um número recorde de 11 candidatos.

O elevado número de concorrentes torna pouco provável que alguém alcance mais de 50% dos votos já na primeira volta. Os dois candidatos mais votados neste domingo avançarão para o segundo turno, marcado para 8 de fevereiro.

Entre os favoritos está André Ventura, líder do partido populista Chega. Nos últimos anos, o partido tornou-se a segunda maior força parlamentar, apenas seis anos após a sua fundação. Ventura tem colocado a chamada “imigração excessiva” no centro da sua campanha, afirmando que “Portugal é nosso”. Durante a campanha, o candidato espalhou outdoors pelo país com mensagens como “Isto não é Bangladesh” e “Os imigrantes não devem poder viver da assistência social”. Alguns desses cartazes foram posteriormente retirados por ordem de um tribunal, por conterem conteúdo discriminatório.

Apesar da visibilidade do tema da imigração, Portugal continua a depender de trabalhadores estrangeiros para suprir várias necessidades da economia, sobretudo na força de trabalho.

Outros candidatos de destaque incluem figuras dos dois principais partidos portugueses, que se alternam no poder há cerca de 50 anos: Luís Marques Mendes, do Partido Social Democrata (centro-direita), e António José Seguro, do Partido Socialista (centro-esquerda), que só recebeu apoio formal do seu partido mais tarde na campanha.

O contra-almirante reformado Henrique Gouveia e Melo também se apresenta como independente, sendo valorizado pelo público por ter coordenado a rápida implementação da vacinação contra a COVID-19. Gouveia e Melo conta com o apoio de várias personalidades de diferentes setores políticos. Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal, surge igualmente entre os candidatos fortes, segundo as sondagens.

Entre os 11 concorrentes, apenas uma mulher está na corrida: Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, que as sondagens indicam ter poucas hipóteses de chegar à segunda volta. Portugal ainda não elegeu uma mulher como chefe de Estado.

 

DESAFIOS PARA O PRÓXIMO PRESIDENTE

Portugal atravessou um período de instabilidade política significativa, com a realização de três eleições gerais em três anos, em maio de 2025. A estabilização do país será um dos principais desafios do próximo Presidente da República.

Embora Ventura tenha tentado transformar a imigração num tema central, os eleitores parecem mais preocupados com questões como a crise imobiliária, o futuro dos jovens e o elevado custo de vida.

Em Portugal, o presidente tem sobretudo um papel simbólico, sem funções executivas diretas. O chefe de Estado procura manter-se acima das disputas políticas, mediando conflitos e reduzindo tensões. Ainda assim, possui algumas ferramentas de influência, como o veto à legislação do parlamento — que pode ser revertido — e o chamado poder da “bomba atómica”, que lhe permite dissolver o parlamento e convocar eleições antecipadas.

 

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