O País – A verdade como notícia

Seis membros da polícia e da guarda costeira italianas foram  julgados pelo naufrágio de 2023, no qual pelo menos 94 migrantes morreram e outros foram dados como desaparecidos.

Trinta e cinco crianças estavam entre os mortos quando o barco se chocou contra as rochas na costa da cidade turística de Steccato di Cutro, em Fevereiro de 2023.

Os réus são acusados ​​de homicídio culposo por não terem iniciado operações de resgate que poderiam ter evitado o naufrágio, apesar de terem conhecimento da presença da embarcação durante horas.

O barco superlotado havia partido da Turquia transportando pessoas do Afeganistão, Síria, Irã e Paquistão. Dezenas de corpos e os destroços do barco foram posteriormente encontrados na praia, naquele que foi o pior desastre na costa da Calábria em uma década.

Cerca de 80 pessoas sobreviveram, mas as autoridades dizem que muitas mais podem ter morrido. O acidente desencadeou duras críticas à postura intransigente da primeira-ministra italiana de extrema-direita, Giorgia Meloni, em relação aos migrantes que chegam de barco. 

O naufrágio ocorreu poucos dias após a aprovação no Parlamento italiano de polémicas novas regras sobre o resgate de migrantes propostas pela coalizão de governo liderada pela extrema direita, que exige que os navios humanitários realizem apenas um resgate por viagem ao mar.

 

Depois da África do Sul expulsar o mais alto diplomata de Israel em Pretória, Israel respondeu, declarando, nesta sexta-feira, o embaixador sul-africano, Shaun Edward Byneveldt, como persona non grata.

Israel anunciou, ontem, a expulsão do encarregado de negócios da embaixada da África do Sul em Telavive, em resposta a idêntica medida relativa ao representante israelita em Pretória, pelas autoridades sul-africanas.

“Na sequência dos ataques mentirosos da África do Sul contra Israel na cena internacional e da iniciativa unilateral e infundada tomada contra o encarregado de negócios de Israel na África do Sul (…) o mais alto representante diplomático da África do Sul (…) Shaun Edward Byneveldt, é declarado ‘persona non grata’ e deve abandonar Israel no prazo de 72 horas”, lê-se no texto publicado na rede social X, pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita.

Na nota da diplomacia israelita é adiantado que, oportunamente, serão consideradas “outras medidas adicionais”. 

Segundo a imprensa internacional, na manhã desta sexta-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros sul-africano anunciou ter ordenado a expulsão do encarregado de negócios da Embaixada de Israel na África do Sul, o mais alto diplomata em Pretória, também no prazo máximo de 72 horas.

O ministério “informou o Governo do Estado de Israel da sua decisão de declarar Ariel Seidman, encarregado de negócios da Embaixada de Israel, persona non grata”, segundo um comunicado citado por Lusa .

A decisão “surge na sequência de uma série de violações inaceitáveis das normas e costumes diplomáticos, que constituem uma violação directa da soberania da África do Sul”, prosseguiu o ministério.

“Estas violações incluem o uso reiterado das plataformas oficiais das redes sociais israelitas para lançar ataques insultuosos contra Sua Excelência o Presidente Cyril Ramaphosa, bem como a omissão deliberada de informar o ministério sobre alegadas visitas de altos responsáveis israelitas” ao país, acrescentou o comunicado da diplomacia sul-africana.

Nesse sentido, Seidman “é obrigado a abandonar a República no prazo de 72 horas”, indicou o ministério, que exortou ao Governo israelita a garantir, no futuro, que a sua diplomacia “dê provas do respeito devido à República” da África do Sul.

O líder da oposição na Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, já saiu da prisão depois de ter sido mantido preso por 66 dias pelos militares que assumiram o poder desde o golpe de Estado ocorrido a 26 de Novembro de 2025. As eleições presidenciais no país foram marcadas para 06 de Dezembro. 

Ao fim de 66 dias de cativeiro, Domingos Simões Pereira deixa a prisão da segunda esquadra, adjacente ao Ministério do Interior da Guiné-Bissau, para uma prisão domiciliária.

O líder do PAIGC, antigo primeiro-ministro e presidente do Parlamento da guineense dissolvido inconstitucionalmente, foi detido em Novembro do ano passado, na sequência do golpe de estado liderado pela junta militar que assumiu o poder do país. 

Apesar de não ter sido apresentada uma culpa formada, Simões Pereira foi mantido em prisão com uma limitação de contactos com o exterior, tendo sido, igualmente, detidos outros opositores políticos do então presidente do país, Umarro Sissoco Embaló.

Nos últimos dois meses no poder, liderados pelo presidente de transição, o general Horta Inta-a, os  militares alteraram a Constituição Guineense, atribuindo mais poderes à figura do Presidente da República, e marcaram novas eleições gerais para 06 de Dezembro.

Já Fernando Dias da Costa, que reclama ter sido o vencedor das eleições presidenciais de 23 de Novembro, regressou  à sua residência depois de ter recebido asilo político  na embaixada da Nigéria, segundo a imprensa internacional. 

A mediação do processo que culminou com a libertação de Domingos Simões Pereira foi mediada pelo Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye. 

Recorde-se que a  26 de Novembro de 2025, os militares tomaram o poder, depuseram o Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, e o processo eleitoral foi interrompido sem a divulgação dos resultados oficiais.

O governo militar de Burkina Faso dissolveu todos os partidos políticos, esta quinta-feira, cujas actividades estavam suspensas desde que Ibrahim Traoré  assumiu o poder em 2022.

O capitão Ibrahim Traoré assumiu o poder em um golpe de Estado em Setembro de 2022, após derrubar outra junta militar, e desde então tem silenciado drasticamente as vozes dissidentes.

Anteriormente, os partidos estavam proibidos de realizar reuniões públicas, mas ainda tinham permissão para funcionar internamente.

Em um comunicado da presidência, citado pela African News, o Governo acredita que a proliferação de partidos políticos levou a abusos, alimentou divisões entre os cidadãos e enfraqueceu o tecido social.

Um projecto de lei que dissolve os partidos políticos será agora enviado à Assembleia Legislativa de Transição o mais breve possível, afirmou o ministro da Administração Territorial, Emile Zerbo.

Os bens dos partidos dissolvidos serão transferidos para o Estado, acrescentou. A decisão visa preservar a unidade nacional, fortalecer a coerência da acção governamental e abrir caminho para a reforma da governança política.

A decisão eliminou gradualmente 100 partidos políticos, 15 dos quais têm representantes no parlamento. O golpe de Estado de Traoré em 2022 depôs Paul-Henri Damiba, que havia assumido o poder apenas nove meses antes.

Após se exilar no Togo, Damiba foi regularmente acusado pelos governantes militares de Burkina Faso de planear golpes de Estado e tentativas de assassinato – a mais recente no início deste mês.

Pelo menos 11 pessoas perderam a vida, esta quinta-feira, na sequência de uma colisão entre um táxi do tipo minibus e um camião, na África do Sul, informaram fontes governamentais e os serviços de emergência.

O sinistro ocorreu nas proximidades da cidade de Durban, na província de KwaZulu-Natal, no leste do país. De acordo com um comunicado do Departamento Provincial dos Transportes, citado por Siboniso Duma, entre as vítimas mortais encontra-se uma criança, embora os dados ainda sejam considerados preliminares.

Segundo testemunhos recolhidos no local, o acidente terá sido provocado por uma manobra de inversão de marcha efetuada pelo condutor do camião, que resultou numa colisão frontal com o táxi minibus.

O porta-voz do serviço privado de emergência ALS Paramedics, Garrith Jamieson, citado pela Lusa, confirmou a existência de 11 óbitos e referiu que várias pessoas ficaram gravemente feridas. Entre elas encontra-se o motorista do táxi, que ficou encarcerado nos destroços do veículo.

Este acidente ocorre poucos dias depois de outro episódio trágico registado perto de Joanesburgo, no passado dia 19 de janeiro, que resultou na morte de 14 crianças, após a colisão entre um autocarro escolar e um camião. Na ocasião, o condutor do autocarro foi detido e acusado de 14 crimes de homicídio, depois de as autoridades terem concluído que conduzia de forma imprudente ao ultrapassar uma fila de viaturas antes do embate. Inicialmente acusado de homicídio por negligência, o jovem de 22 anos viu as acusações agravadas para homicídio, segundo o Ministério Público.

Os táxis minibus constituem o principal meio de transporte público na África do Sul, sendo utilizados por cerca de 70 por cento dos passageiros que se deslocam diariamente para o trabalho. Muitos pais recorrem igualmente a estes transportes privados para levar os filhos à escola.

Nos últimos meses, vários acidentes envolvendo transporte escolar têm sido registados no país. Em outubro, 18 crianças ficaram gravemente feridas num acidente no leste da África do Sul, enquanto em setembro pelo menos cinco alunos morreram e outros oito ficaram feridos num incidente semelhante.

Este é mais um episódio de uma série de acidentes rodoviários fatais num país que dispõe de uma rede viária moderna, mas onde a sinistralidade continua elevada, sobretudo devido ao excesso de velocidade, condução perigosa e más condições mecânicas dos veículos.

 Uma das maiores tempestades de inverno dos últimos anos atinge os Estados Unidos e já deixou pelo menos 30 pessoas mortas. A situação, que afecta a rotina de milhões de americanos, deixou um milhão de consumidores sem energia eléctrica em diferentes regiões do país.

A nevasca avançou do Sul ao Nordeste dos Estados Unidos da América, matou 30 pessoas e atingiu cerca de dois terços do território americano, alcançando 17 estados, onde vivem mais de 200 milhões de pessoas.

Em uma faixa de aproximadamente 2.100 quilômetros, o acúmulo de neve ultrapassou 30 centímetros, chegando a 50 centímetros em algumas áreas.

O frio extremo e acidentes causados pelo mau tempo foram os principais factores das perdas humanas. 

 As temperaturas despencaram, com sensação térmica de até –31 °C, no período mais frio registrado desde Janeiro de 2014, afectando um milhão de consumidores de energia eléctrica em diferentes estados.

Os impactos foram registados igualmente,no transporte aéreo. Desde o domingo, cerca de 20 mil voos foram cancelados ou atrasados em todo o país. A neve que cobriu ruas e pontos turísticos, interrompeu linhas de autocarros e levou ao encerramento das escolas públicas, afectando cerca de 500 mil estudantes.

Segundo os meteorologistas, uma nova massa de ar ártico deve manter as temperaturas abaixo de zero nos próximos dias, sobretudo nas áreas já cobertas por neve e gelo.

Pelo menos dez pessoas morreram após uma intensa tempestade de inverno, que paralisou grande parte dos EUA. A tempestade obrigou também ao cancelamento de mais de 11 mil voos durante o fim-de-semana.

A tempestade de inverno paralisou quase todos os  Estados dos EUA com neve, gelo, granizo em alguns locais e frio. Uma situação que criou vários impactos.

O fenómeno causou a morte de pelo menos 10 pessoas  em diferentes estados. Durante o fim de semana, cerca de 11 400 voos foram cancelados em todo o país devido às condições meteorológicas, segundo um  site de rastreamento de voos  citado pela imprensa internacional.

Em vários estados o gelo e a neve provocaram também grandes interrupções no fornecimento de energia elétrica, pelo que mais de 860 mil pessoas encontram-se actualmente sem energia . 

Doze estados foram declarados estado de emergência pelo presidente dos EUA. Cerca de 185 milhões de pessoas estão sob avisos de mau tempo.

No Sudão, a guerra avança deixando marcas profundas e silenciosas. Desde Abril de 2023, mulheres e raparigas passaram a ser alvos directos de crimes sexuais usados como arma de guerra. O governo alerta para uma crise humanitária sem precedentes.

A denúncia vem da ministra dos Assuntos Sociais, Sulaima Ishaq al-Khalifa. A Ex-activista de direitos humanos e psicóloga, afirma que a violência sexual está a ser usada de forma sistemática, especialmente pelas Forças de Apoio Rápido, grupo paramilitar em confronto com o exército regular. 

“O que é ainda mais grave é que a violência sexual está a ser usada como arma de guerra. É sistemática, com padrões recorrentes dependendo da região”, disse.

Segundo Sulaima Ishaq al-Khalifa, os crimes seguem roteiros repetidos conforme a região.

“O mesmo tipo de ataque se repete em Jazeera e Cartum. Em Darfur, o ataque é acompanhado por limpeza étnica. Não há limite de idade: uma mulher de 85 anos pode ser estuprada, assim como um bebê de um ano”.

Além dos estupros, mulheres são submetidas à escravidão sexual, traficadas para países vizinhos e forçadas a casamentos impostos para encobrir os crimes.

Sulaima Ishaq afirma que, embora existam denúncias contra ambos lados do conflito, a violência praticada pelas Forças de Apoio Rápido ocorre de forma organizada. “Os agressores diziam às mulheres que elas eram seres inferiores, chegando ao ponto de chamá-las de escravas. Usar a violência sexual como arma de guerra equivale a prolongar o conflito indefinidamente”.

Em um contexto de colapso institucional e grave estigmatização social das vítimas, segundo a ministra, muitos crimes ficam impunes.

Centenas de manifestantes marcharam até o consulado americano em Joanesburgo, neste sábado, para protestar contra a intervenção dos EUA na Venezuela e a captura do ex-presidente, Nicolás Maduro. Os protestos foram liderados por membros do Partido Comunista Sul-Africano e de diversos sindicatos.

Centenas de manifestantes que marchavam até ao consulado americano em  Joanesburgo explicaram que o objectivo do acto é condenar formalmente a invasão militar dos EUA à República Bolivariana da Venezuela e exigir a libertação imediata do presidente Nicolás Maduro e da sua esposa Célia Flores.

O presidente Cyril Ramaphosa e seu partido, o Congresso Nacional Africano (ANC), também denunciaram as acções dos EUA e pediram a libertação imediata de Maduro.

A África do Sul tem mantido relações tensas com os EUA desde que o presidente Trump retornou ao poder. Ele acusou Pretória de permitir um genocídio contra a comunidade branca do país e boicotou a reunião do G20 em Joanesburgo, em Novembro.

No início deste mês, manifestantes realizaram um protesto semelhante em frente à Embaixada dos EUA em Pretória.

O presidente Venezuelano foi capturado no início de Janeiro corrente. 

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