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Depois de receber do Governo cerca de 110 milhões de dólares para o Fundo Soberano, no dia 10 de Dezembro de 2025, o Banco de Moçambique, gestor operacional da entidade, depositou a prazo o valor em três bancos e ganhou juros.

Segundo as demonstrações financeiras do Fundo Soberano, a aplicação do valor nos bancos Bred Banque Populaire, The Toronto-Dominon Bank e Sumitomo Mitsui Trust Bank permitiu à entidade alcançar o seu primeiro lucro a 31 de Dezembro de 2025.

“O lucro registado no exercício findo em 31 de Dezembro de 2025 decorreu dos juros das aplicações em depósitos de muito curto prazo (overnight) efectuadas em três contrapartes no estrangeiro com início a 12 de Dezembro de 2025”, diz o documento.

O resultado líquido positivo (lucro) alcançado pelo Fundo Soberano foi de 210 589,11 dólares, que, somados ao capital inicial, totalizam cerca de 110,2 milhões de dólares de capitais próprios da entidade criada para acumular poupanças para futuras gerações.

O conteúdo que consta das demonstrações financeiras foi aprovado pelo governador do Banco de Moçambique, na qualidade de entidade máxima responsável pela gestão operacional do Fundo Soberano, conforme previsto na lei criada para o efeito.

Em referidos bancos, as taxas de juro mínima e máxima aplicadas nos depósitos a prazo em moedas estrangeiras (overnight) foram de 3,60% e 3,9% válidas para um período de um mês, referem as demonstrações financeiras do Fundo Soberano.

Para manter as contas bancárias no exterior, o Banco de Moçambique, na qualidade de gestor do Fundo Soberano, fez pagamentos de 1103,07 dólares norte-americanos referentes aos serviços no exercício económico de 2025.

O valor foi desembolsado a título de adiantamento e deverá ser cobrado pelo banco ao Fundo Soberano, que por sua vez deverá encaixar nas receitas da produção de gás nas áreas 1 e 4 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado. 

São objectivos do Fundo Soberano apoiar o desenvolvimento socioeconómico do País; acumular poupanças para as futuras gerações oriundas das receitas de gás e estabilizar o Orçamento do Estado em caso de volatilidade das receitas.

Para o exercício económico do ano de 2026, espera-se que sejam canalizados ao Fundo Soberano de Moçambique mais 30,7 milhões de dólares (40% da receita global), e as receitas de gás remanescentes, cerca de 46,1 milhões (60% da receita global), vão para a Conta Única do Tesouro (CUT).

“Assim, quaisquer cobranças adicionais realizadas ao longo do ano serão integralmente transferidas para a conta do Fundo Soberano de Moçambique”, prevê o Governo no Plano Económico e Social e Orçamento de Estado de 2026.

Devido ao decréscimo na estimativa de produção da concessionária para o ano de 2026, a parte das receitas do gás natural liquefeito direccionada à Conta Única do Tesouro vai reduzir de 47,1 milhões para 46,1 milhões de dólares.

O valor que vai para a CUT será direccionado à construção da ponte sobre o rio Save, urbanização e disponibilização de terra infra-estruturada, construção e apetrechamento do Hospital Distrital de Chibuto, entre outras finalidades.

De acordo com o Governo, o Fundo é um mecanismo para fomentar a diversificação económica e aumentar a resiliência do País face a choques internos e externos, contribuindo para o crescimento sustentável e inclusivo.

O Governo está a reforçar a implementação da agenda de transformação digital como parte de um esforço mais amplo de reorganização da prestação de serviços públicos, com foco na simplificação de processos administrativos, na integração institucional e na melhoria da relação entre o Estado, os cidadãos e as empresas. 

O Ministério das Comunicações e Transformação Digital realiza, nos dias 11 e 12 de Fevereiro, em Maputo, a Conferência Nacional sobre Transformação Digital. O encontro junta instituições públicas, sector privado, academia e parceiros de desenvolvimento para discutir prioridades técnicas, instrumentos de execução e modelos de cooperação no domínio da governação digital.

A estratégia em curso assenta numa arquitectura composta por cinco pilares considerados determinantes para a digitalização do Estado: a certificação digital, que assegura assinaturas electrónicas com validade jurídica; um sistema nacional de interoperabilidade, concebido para permitir a comunicação entre plataformas públicas e privadas; a identidade digital, que viabiliza a autenticação remota dos cidadãos; uma plataforma única de pagamentos, orientada para facilitar o acesso a serviços públicos e privados; e o reforço das infra-estruturas digitais, incluindo centros de dados e soluções de cloud.

Segundo o Ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, a transformação digital deve ser entendida como um processo transversal que impacta a forma como os serviços são planeados, geridos e disponibilizados. O governante sublinha que o objectivo passa por garantir que os cidadãos possam aceder aos serviços do Estado de forma simples, segura e eficiente, reduzindo deslocações e tempos de espera.

A consolidação desta agenda insere-se num quadro político mais amplo de modernização do Estado, alinhado com a orientação definida pelo Presidente da República, Daniel Chapo, que, no discurso de tomada de posse, defendeu um Estado mais funcional, transparente e centrado no cidadão, destacando a tecnologia como um dos instrumentos para melhorar a governação e a prestação de serviços públicos.

A conferência surge, assim, como um momento de coordenação técnica e estratégica, destinado a alinhar os diferentes actores envolvidos na execução da agenda digital, incluindo matérias como interoperabilidade de sistemas, governação electrónica, utilização de dados, segurança digital e capacitação institucional.

Num contexto de crescente exigência em relação à eficácia e previsibilidade da acção governativa, a transformação digital coloca desafios que vão além da tecnologia, exigindo articulação institucional, qualificação de recursos humanos e cooperação entre o sector público e privado. A forma como estes factores forem integrados será determinante para que a digitalização se traduza em melhorias concretas na prestação dos serviços públicos.o

Moçambique abriu, hoje, uma nova  etapa no seu processo de industrialização com a inauguração, pelo  Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, da Fábrica de  Processamento de Grafite da DH Grafite, no distrito de Nipepe,  província de Niassa, um investimento avaliado em cerca de 200  milhões de dólares norte-americanos que posiciona o país como  produtor e transformador de grafite com valor acrescentado à escala  mundial. 

A unidade é a primeira fábrica de processamento de grafite em Moçambique e, de acordo com o Chefe do Estado, uma das  melhores e maiores fábricas de grafite do mundo”, e destacou que o  empreendimento resulta de uma visão orientada para a 

transformação dos recursos naturais em desenvolvimento económico,  social, ambiental e humano. 

O Presidente da República saudou a DH Grafite e a comunidade  empresarial chinesa pela confiança demonstrada em Moçambique e  pela aposta na produção e transformação local dos recursos minerais. 

A inauguração ocorre num contexto nacional marcado por cheias e  inundações no sul do país, situação que, segundo o estadista  moçambicano, não compromete a agenda de desenvolvimento. 

“Mas há uma mensagem que precisamos de afirmar e reafirmar com  total clareza: mesmo em tempos difíceis, Moçambique não abdica do  seu futuro e o seu povo não para de trabalhar”, declarou, anunciando  igualmente o restabelecimento da circulação na Estrada Nacional  Número 1, no troço 3 de Fevereiro/Incoloane, na província de Maputo,  que estava cortada em resultado do galgamento das águas. 

O Presidente considerou que a entrada em funcionamento da  fábrica constitui “um verdadeiro acto de afirmação nacional e da  soberania económica de Moçambique”, ao permitir que o país deixe  de ser apenas exportador de matéria-prima bruta e passe a produzir,  transformar e exportar produtos com maior valor acrescentado. 

Implantada no povoado de Muichi, a unidade industrial integra as  fases de prospecção, extracção, processamento e comercialização  do grafite, beneficiando da proximidade às áreas de ocorrência do  minério, o que reduz custos logísticos e assegura maior  competitividade do produto final nos mercados nacional e  internacional. 

O investimento inclui infra-estruturas estruturantes com impacto  regional, nomeadamente a ponte sobre o rio Lúrio, uma estrada com  cerca de 110 quilómetros que liga Nipepe à província de Nampula e  uma linha eléctrica de aproximadamente 100 quilómetros, reforçando  a mobilidade, o fornecimento de energia e a integração económica. 

No plano social, o projecto emprega actualmente cerca de mil  trabalhadores efectivos e mais de 200 temporários e foi 

acompanhado por um processo de reassentamento que incluiu 125  casas, uma escola, um hospital, uma esquadra policial e uma nova  zona residencial moderna, garantindo que o desenvolvimento  industrial se traduza em progresso colectivo. 

Ao encerrar a cerimónia, o Presidente da República reiterou que  Moçambique aposta num investimento responsável, sustentável e  comprometido com o bem-estar das comunidades, apelando a mais  investidores nacionais e estrangeiros para apostarem na  industrialização do país, antes de declarar oficialmente inaugurada a  Fábrica de Processamento de Grafite de Nipepe. 

A recente aprovação de uma taxa de 10% sobre o valor bruto transferido pelas operadoras para as carteiras móveis tem gerado preocupações sobre a sustentabilidade dos agentes financeiros e os efeitos na inclusão financeira em Moçambique, alerta o economista Moisés Nhonombe.

Falando durante o programa O País Económico desta semana, Nhonombe explicou que, embora o Estado tenha o direito de tributar actividades económicas, a forma como a taxa foi implementada levanta sérias questões. “A taxa incide sobre o lucro bruto, e não sobre o lucro líquido, o que pode comprometer a viabilidade daqueles que intermediam serviços financeiros para a população não bancarizada, sobretudo em zonas rurais e periurbanas”, afirmou.

Segundo o economista, os agentes das carteiras móveis funcionam como interlocutores essenciais entre a tecnologia financeira e a população sem acesso ao sistema bancário formal.  Para este economista, “se o custo para os operadores for demasiado elevado, alguns podem desistir da actividade, reduzindo a oferta de serviços e retrocedendo na inclusão financeira, que é um dos principais objectivos desta política”.

Nhonombe destaca ainda que a taxa fixa de 10% aplicada aos agentes não considera a variação de volume de transacções nem os custos operacionais envolvidos. “Tributar o lucro bruto, sem levar em conta despesas e salários, pode sufocar os pequenos operadores, que constituem a maior parte do sector. Uma abordagem mais equilibrada seria a tributação progressiva, onde pequenos operadores ficariam isentos até determinado volume de transacções”, explicou.

Face a este cenário, o economista sugere que, por exemplo, não haja cobrança até certo valor de transacções mensais; acima desse limite, aplicar-se-ia uma taxa gradual. “Dessa forma, o Estado arrecada receitas, mas não compromete a sustentabilidade dos operadores nem a inclusão financeira da população”, acrescenta.

Dados do Banco de Moçambique indicam que cerca de 50% da população adulta ainda não possui conta bancária formal, tornando as carteiras móveis um instrumento vital para transferências, pagamentos digitais e recebimento de salários, especialmente em áreas remotas com mais de 11 milhões de clientes em todo o País.

Nhonombe alerta que políticas fiscais mal calibradas podem ter efeitos contraproducentes, como aumento de custos, desistência de operadores e regressão da população ao uso do dinheiro físico. “É preciso que a tributação seja balanceada, respeitando os custos dos agentes, de modo a que possam continuar a operar e contribuir para as receitas públicas de forma sustentável”, frisou.

Experiências internacionais demonstram que modelos de tributação flexíveis, como em Quénia e Tanzânia, permitem que pequenos operadores sejam isentos até determinado volume de transacções, garantindo crescimento do sector sem perda de arrecadação para o Estado.

Para o economista, o desafio de Moçambique é encontrar um modelo que maximize a arrecadação sem prejudicar o crescimento do sector financeiro nem limitar o acesso da população aos serviços. “A cobrança de impostos é legal, mas precisa de ser implementada de forma a não desestimular os operadores nem comprometer os avanços na inclusão financeira”, concluiu Nhonombe.

A Associação de Conteúdo Local de Moçambique (ACLM) manifestou satisfação pela retoma do projecto Mozambique LNG, considerando o rearranque da iniciativa um marco estratégico para o futuro económico, social e empresarial do País, num contexto em que a economia nacional procura recuperar-se de um período prolongado de instabilidade e desaceleração.

Num comunicado tornado público nesta semana, a ACLM mostra satisfação pelo esforço conjugado pelas duas partes,  o Governo da República de Moçambique e a multinacional TotalEnergies, pelo diálogo contínuo e pelas sinergias institucionais e técnicas que permitiram criar condições para o regresso de um dos maiores projectos de investimento alguma vez implementados no País.

De acordo com a associação, o relançamento do projecto constitui um sinal inequívoco de confiança no País  e nas suas instituições e no potencial da sua economia, reafirmando o sector de petróleo e gás como um dos principais pilares para o crescimento sustentável, a geração de receitas públicas e a dinamização do investimento privado.

A ACLM entende que este novo ciclo do Mozambique LNG deve ser encarado como uma oportunidade estratégica para aprofundar a política de conteúdo local, garantindo uma participação mais ampla e efectiva das micro, pequenas e médias empresas moçambicanas ao longo da cadeia de valor do projecto, desde a prestação de serviços até ao fornecimento de bens e soluções técnicas.

Segundo a organização, a integração das empresas nacionais não deve limitar-se a uma presença simbólica, mas sim traduzir-se em contratos efectivos, parcerias duradouras e programas estruturados de capacitação, capazes de fortalecer a competitividade do empresariado moçambicano e impulsionar a criação de emprego digno e sustentável para a mão-de-obra nacional.

“O sucesso do Mozambique LNG estará directamente ligado à sua capacidade de gerar valor partilhado”, refere a ACLM, sublinhando a necessidade de a TotalEnergies e os seus parceiros manterem uma postura de abertura, diálogo construtivo e sensibilidade para compreender os desafios reais enfrentados pelas empresas moçambicanas, particularmente no acesso a financiamento, certificações, tecnologia e padrões internacionais de qualidade.

A associação defende, por isso, a criação de mecanismos progressivos, inclusivos e realistas que permitam o enquadramento competitivo das empresas nacionais nas cadeias de fornecimento do projecto, bem como a promoção sistemática da transferência de conhecimento e tecnologia.

Para a ACLM, o Mozambique LNG tem potencial para afirmar-se como um símbolo de esperança, reconstrução e crescimento económico inclusivo, contribuindo para a revitalização do tecido empresarial, para a criação de oportunidades para a juventude moçambicana e para o reforço da confiança dos investidores nacionais e estrangeiros.

A organização considera ainda que a retoma do projecto deve estar alinhada com as prioridades nacionais de desenvolvimento, nomeadamente a diversificação da economia, a industrialização, o aumento da produção local e a redução da dependência de importações.

Neste contexto, a ACLM reafirma a sua total disponibilidade para colaborar com o Governo, os operadores e os demais parceiros do projecto na promoção e implementação de políticas de conteúdo local sustentáveis, transparentes e orientadas para resultados, que assegurem que os benefícios do Mozambique LNG se traduzam em ganhos concretos para os cidadãos e para a economia moçambicana.

O Presidente da República, Daniel Chapo, afirma que a retoma efectiva do projecto Mozambique LNG, na Área 1 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, representa um marco histórico para a economia nacional e para o sector energético africano.

O relançamento do empreendimento liderado pela TotalEnergies teve lugar nesta quinta-feira, em Cabo Delgado, e foi dirigido pelo Presidente da República, que classificou, na ocasião, o momento como “um dia de festa para Moçambique, para África e para o mundo”, sublinhando que o País volta a afirmar-se como um destino seguro para grandes investimentos internacionais.

Segundo o Chefe do Estado, a retoma do projecto simboliza a resiliência do povo moçambicano perante as adversidades que levaram à suspensão das actividades em Maio de 2021, na sequência da degradação da situação de segurança na província.

“Este momento histórico representa muito mais do que o reinício de obras. Representa a vitória, resiliência, coragem e determinação do povo moçambicano”, afirmou o Presidente, que mencionou igualmente as cheias e inundações que ocorrem no País, referindo que “temos a certeza de que a vida voltará à normalidade”, disse Daniel Chapo.

Com um investimento global avaliado em cerca de 15,4 mil milhões de dólares, o projecto terá capacidade anual de produção de aproximadamente 13,12 milhões de toneladas de gás natural liquefeito durante cerca de 25 anos, assente em duas unidades de liquefação em terra. O Chefe do Estado sublinhou que se trata de “um dos maiores projectos de GNL em África”, com potencial para posicionar Moçambique entre os principais fornecedores mundiais de gás natural.

O Presidente da República destacou ainda o gesto de solidariedade da TotalEnergies, que disponibilizou 200 milhões de meticais para apoiar as populações afectadas pelas cheias e inundações nas regiões Sul, Centro e Norte do País. “Quero agradecer à Total, através do seu CEO, Patrick Pouyanné, por esta oferta de 200 milhões de meticais ao povo moçambicano para assistirmos a nossa população”, declarou, frisando que a ajuda surge num momento particularmente sensível para o País.

Do ponto de vista económico, o Governo estima que, ao longo do seu ciclo de vida, o Mozambique LNG possa gerar receitas na ordem de 35 mil milhões de dólares norte-americanos para o Estado, provenientes de impostos, petróleo-lucro e outros instrumentos fiscais. O Presidente considera que estes recursos serão determinantes para financiar o desenvolvimento nacional e criar uma base sólida para investimentos em sectores prioritários como educação, saúde, infra-estruturas e protecção social.

“A retoma do projecto foi possível, graças aos esforços consistentes do Governo na resolução dos desafios de segurança, materializados, entre outros, através do Acordo sobre o Estatuto das Forças entre Moçambique e o Ruanda e do reforço progressivo das Forças de Defesa e Segurança. Reiteramos, perante a comunidade nacional e internacional, que o nosso País é capaz de superar desafios, restaurar a confiança dos investidores e criar condições para investimentos seguros, responsáveis e duradouros”, afirmou.

No plano social e laboral, prevê-se que, durante a fase de construção, sejam criados cerca de 17 mil postos de trabalho, com prioridade para a mão-de-obra moçambicana, particularmente para residentes de Cabo Delgado. Actualmente, mais de cinco mil trabalhadores já se encontram mobilizados, dos quais cerca de 80% são moçambicanos e mais de 40% oriundos da província. Para o Presidente, este dado traduz-se em benefícios económicos e sociais concretos para as comunidades locais.

Paralelamente, estima-se a alocação de cerca de 2,5 mil milhões de dólares para a contratação de bens e serviços a empresas moçambicanas, reforçando o conteúdo local e promovendo a transferência de competências. O Chefe do Estado defendeu a definição de uma estratégia clara para assegurar que entre 10% e 20% do capital de investimento do projecto seja contratado localmente, fortalecendo pequenas e médias empresas nacionais.

Na ocasião, o Chefe do Estado destacou os avanços no reassentamento das famílias da Península de Afungi, onde foram construídas casas modernizadas e uma vila equipada com centro de saúde, esquadra da polícia, salão comunitário e infra-estruturas recreativas.

Para o Governo, a retoma do Mozambique LNG “marca o início de uma nova fase para Cabo Delgado e para Moçambique: uma fase de estabilidade, confiança, crescimento inclusivo e oportunidades para todos os moçambicanos”, reiterando que o sucesso do projecto deve ser medido, não apenas pela sua dimensão económica, mas sobretudo pela capacidade de transformar os recursos naturais em melhorias concretas na vida da população.

O Banco de Moçambique (BdM) decidiu reduzir a taxa de juro de política monetária de 9,50% para 9,25%, numa decisão tomada pelo Comité de Política Monetária (CPMO), num contexto marcado por riscos inflacionários persistentes, desaceleração da actividade económica e impactos severos de choques climáticos sobre a economia nacional. O anúncio foi feito esta quarta-feira pelo governador do banco central, Rogério Zandamela.

Segundo o governador, a decisão resulta das actuais perspectivas de manutenção da inflação em níveis controlados, embora ainda envolta em riscos e incertezas, particularmente associados às recentes inundações que afectam cadeias logísticas, a oferta de bens essenciais e o ritmo de reposição da capacidade produtiva. “A redução da taxa é sustentada pelas perspectivas da inflação, não obstante a materialização de alguns riscos”, afirmou.

Zandamela explicou que, apesar da desaceleração observada em alguns segmentos, os preços de produtos alimentares, sobretudo frutas, vegetais e bens de origem agrícola, têm registado uma evolução favorável. Em Dezembro, a inflação aumentou face a Novembro, mas manteve-se em níveis considerados baixos, sobretudo no componente alimentar, apontado como motivo de “orgulho” para a política económica.

No entanto, o governador alertou que o ciclo de redução da taxa de juro iniciado em Janeiro de 2024 aproxima-se do seu limite.

 O Banco de Moçambique considera que o actual ambiente de risco e incerteza poderá condicionar novas descidas da taxa mínima nos próximos meses. “Estamos próximos do fim do ciclo de flexibilização da política monetária”, sublinhou.

No plano económico, Zandamela traçou um quadro de fragilidade da actividade produtiva. No terceiro trimestre de 2025, estima-se que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha contraído 1,3% em termos anuais, após uma queda de 1,7% no trimestre anterior. Mesmo numa análise trimestral, o PIB registou uma contracção de 0,9%, confirmando a tendência de desaceleração que o país vem observando desde 2024.

Para o médio prazo, o Banco de Moçambique antevê uma recuperação gradual da economia, ainda que a um ritmo mais lento, sobretudo devido aos choques climáticos recorrentes e às limitações estruturais persistentes. A exclusão da produção corrente de Gás Natural Liquefeito (GNL) revela um crescimento económico modesto, pressionado por factores internos e externos.

Um dos principais constrangimentos destacados pelo governador é o endividamento público interno, que continua a aumentar e a afectar o normal funcionamento dos mercados financeiros. A dívida pública interna, incluindo contratos de locação financeira e outras responsabilidades, situa-se em cerca de 485 mil milhões de meticais, representando um aumento significativo face a Dezembro de 2025.

O governador alertou ainda para os atrasos no pagamento da dívida pública pelo Estado, que têm contribuído para a fraca procura por títulos públicos e para a rigidez das taxas de juro no mercado monetário interbancário. Esta situação, segundo o banco central, agrava o ambiente de incerteza e limita a eficácia da transmissão da política monetária à economia real.

No contexto externo, Rogério Zandamela chamou atenção para o agravamento das tensões comerciais e geopolíticas, com destaque para decisões adoptadas pelos Estados Unidos, que podem influenciar negativamente os preços das mercadorias e dos alimentos nos mercados internacionais, com reflexos directos na inflação doméstica.

Perante este cenário, o Banco de Moçambique reafirma que a orientação da política monetária continuará dependente da avaliação contínua dos riscos subjacentes às projecções da inflação, tanto a nível interno como externo. 

A próxima reunião plenária do Comité de Política Monetária está agendada para o dia 30 de Março de 2025, altura em que poderão ser reavaliadas as condições macroeconómicas e monetárias do país.

O Banco de Moçambique divulga hoje as decisões do Comité de Política Monetária (CPMO), definindo as taxas de juro que orientarão a política económica do país no início deste ano. O anúncio será dirigido pelo governador Rogério Zandamela, marcando a primeira actualização oficial da instituição em 2026.

Actualmente, a taxa de referência MIMO está em 9,50%, o nível mais baixo desde 2015. Durante 2024 e 2025, o Banco de Moçambique promoveu cortes graduais, partindo de 16,50%, com o objectivo de estimular a economia e manter a inflação sob controle, que se manteve consistentemente em níveis de um dígito.

A redução da taxa de juro tem impacto directo nas famílias e empresas. Com crédito mais barato, consumidores podem financiar habitação, bens duradouros e consumo em geral, enquanto empresas, especialmente pequenas e médias, têm acesso facilitado a empréstimos. Em termos macroeconómicos, a política monetária mais acomodatícia tende a estimular investimentos e consumo, contribuindo para o crescimento do PIB.

Apesar do cenário positivo, o Banco alerta para riscos persistentes, como pressões inflacionárias, choques climáticos e desafios fiscais. O mercado acompanhará atentamente a comunicação de hoje, que definirá não apenas o custo do crédito, mas também a direção da economia moçambicana em 2026.

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) escreveu ao Ministro da Economia a contestar a decisão de centralização da importação de arroz e trigo ao Instituto de Cereais de Moçambique sem qualquer consulta, auscultação e diálogo com o sector privado. Alerta que a medida ameaça investimentos de mais de 500 milhões de dólares e 20 mil empregos, isto além de apontarem que a produção nacional é quase inexistente.

É mais um posicionamento crítico às recentes medidas que impõem restrições à importação de arroz e trigo, bem como à designação do Instituto de Cereais de Moçambique (ICM) como agente exclusivo para a sua importação. 

Neste ofício enviado ao Ministro da Economia, que a STV teve acesso, o sector privado começa por registar que medidas de elevado impacto económico, social e empresarial foram aprovadas sem consulta, auscultação ou diálogo com sector privado directamente afectado. Entende que este procedimento “contraria as boas práticas de governação económica, a previsibilidade regulatória e os princípios de concertação público-privada que têm norteado os esforços conjuntos para a melhoria do ambiente de negócios em Moçambique”. 

No documento, a CTA diz que os impactos, riscos e fragilidades associados à medida foram igualmente apresentados, num encontro, ao Secretário de Estado para o Comércio, António Grispos, que em resposta, esclareceu que “por razões de soberania, o Governo manterá a decisão de instituir um modelo de importador único, à semelhança do que ocorre no sector dos combustíveis”. 

Neste encontro, o gestor público garantiu que os investimentos já realizados, os contratos em vigor, as marcas, os centros de processamento, os armazéns, as cadeias de distribuição, os empregos e, em certa medida, os preços ao consumidor não serão afectados.

“Foi ainda esclarecido que, que, no modelo em preparação, os operadores actuais continuarão a indicar os fornecedores, as quantidades e as especificações técnicas dos produtos, competindo ao ICM proceder à importação em nome destes, mantendo-se igualmente sob responsabilidade das empresas o processo de desalfandegamento no porto, transporte para armazenamento, ensacamento e distribuição”, lê-se no documento da CTA.

Apesar destes esclarecimentos, o sector privado diz aguardar pela partilha do regulamento, condição essencial para uma avaliação objectiva do impacto real destas medidas. Mas não deixa de alertar a existência de riscos na cadeia de abastecimento e Segurança Alimentar, destacando a insuficiência estrutural da produção nacional de arroz, actualmente incapaz de satisfazer a procura interna.

“Uma substituição efectiva das importações exigiria cerca de 300.000 hectares aptos para a produção da cultura do arroz, sistemas de regadio adequados e aproximadamente 30 unidades industriais de processamento, com capacidade instalada de cerca de 1,5 milhões de toneladas, para suprir um consumo anual estimado em cerca de 700.000 toneladas… a produção nacional situa-se em torno de apenas 80.000 toneladas”, lê-se.

No caso do trigo, prevê-se um cenário mais crítico, até porque Moçambique é praticamente dependente da totalidade das importações, inexistindo produção nacional relevante. 

“Constitui um produto industrial tecnicamente complexo, dependente de matérias-primas com especificações rigorosas e limitações quanto às origens elegíveis… qualquer ruptura, atraso ou ineficiência na cadeia de importação representa um risco elevado e imediato para o abastecimento… com impactos directos no custo de vida das famílias e na estabilidade social”, frisa a CTA.

Os operadores, com investimentos estimados em mais de 500 milhões milhões de dólares norte-americanos, em infra-estruturas, sistemas logísticos, marcas, investigação e mecanismos de controlo de qualidade, dizem que as medidas em causa colocam em risco mais de 10.000 empregos directos e mais de 20.000 empregos indirectos nas cadeias de importação, transformação, logística e distribuição de arroz e trigo.

Nesta quarta-feira, o Ministério da Economia publicou um anúncio no qual refere que “o Instituto de Cereais de Moçambique na qualidade de entidade mandatada pelo Estado para gerir a importação de arroz e trigo, convida todos os importadores de arroz e trigo a manifestarem o seu interesse de importação e procederem ao pré-registo obrigatório”.

Diz o documento que mais parece uma resposta à carta da CTA e que no entanto acrescenta que “o pré-registo é condição essencial para aceder ao novo mecanismo de importação e ao fornecimento de arroz para o mercado nacional. Este procedimento visa garantir maior transparência e eficiência no abastecimento do país”.

Vale lembrar que o Artigo Primeiro do decreto está alinhado com o comunicado publicado esta quarta-feira, mas o Artigo 2 do Diploma Ministerial n.º 132/2025, que causa maior preocupação ao sector privado diz que “compete ao ICM, IP a disponibilização onerosa do arroz e trigo aos agentes económicos para a comercialização no mercado nacional”.

Pelo que há que esclarecer por parte do Ministério da Economia se solicitação do ICM visa atender ao Artigo Número 1 do Decreto 132/2025 para viabilizar o Artigo Número 2 do mesmo diploma, ou será ignorado o Artigo Segundo do Diploma Ministerial que é o que realmente suscita preocupação dos empresários.

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