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O Senado do Congresso Nacional do Brasil aprovou, esta terça-feira, a autorização para a reestruturação de uma dívida de 143 milhões de dólares de Moçambique junto ao Estado brasileiro, num passo considerado determinante para o alívio da pressão financeira externa e para o reforço das relações económicas entre os dois países.

O Acordo insere-se no quadro da cooperação bilateral entre Moçambique e o Brasil, bem como dos esforços internacionais coordenados no âmbito do Clube de Paris e das instituições financeiras multilaterais, visando reforçar a sustentabilidade da dívida dos países em desenvolvimento. 

O reescalonamento da dívida consiste na renegociação dos prazos e condições  de pagamento, criando condições para que Moçambique cumpra as suas obrigações em períodos mais alargados e com prestações ajustadas à sua capacidade financeira. 

Segundo o comunicado do Ministério das Finanças, o acordo de reestruturação traz benefícios mútuos, de entre outros aspectos, prevê o pagamento de uma parcela no prazo de 60 dias após a assinatura do Acordo, seguindo-se o remanescente em dez prestações semestrais, a uma taxa de juro anual fixa de 3,625%, criando, deste modo, condições favoráveis para a gestão das finanças públicas e continuidade dos investimentos prioritários em Moçambique. 

“A aprovação, pelo Senado Brasileiro, da proposta de reestruturação da dívida, representa um passo importante no aprofundamento das relações de amizade, solidariedade e cooperação entre Moçambique e o Brasil, contribuindo para a estabilidade macroeconómica, о reforço da confiança dos parceiros internacionais e a promoção do desenvolvimento económico e social sustentável do país”. 

O antigo Presidente da República, Armando Guebuza, manifestou reservas em relação ao mais recente relatório do Banco Mundial que coloca Moçambique como o segundo país mais pobre do mundo, questionando os critérios e a interpretação dos dados apresentados.

Falando nesta terça-feira, à margem das celebrações do 7 de Abril, na Praça dos Heróis, Armando Guebuza relativizou as conclusões do documento e afirmou não haver razões para alarmismo.

“Quem é que disse que não somos pobres? Alguma vez o Banco Mundial disse que não somos pobres? Os relatórios sempre disseram que a pobreza é moçambicana e depois dizem que somos pobres. Nós aceitamos e propagamos”, declarou.

O antigo Chefe de Estado, que liderou o País durante uma década e manteve contacto directo com parceiros internacionais, incluindo o Banco Mundial, sugeriu que as conclusões devem ser analisadas com cautela, tendo em conta o histórico das avaliações feitas ao País.

Também a antiga Primeira-Dama, Maria da Luz Guebuza, levantou dúvidas sobre o retrato traçado pelo relatório, defendendo que Moçambique tem registado avanços em vários sectores, com destaque para o papel da mulher no desenvolvimento económico.

“A mulher moçambicana, em todos os cantos do País, acorda às três ou quatro da manhã para trabalhar no campo”, afirmou, acrescentando que a presença feminina nos mercados e na produção alimentar demonstra a sua contribuição decisiva para a economia nacional. “Nós vemos um número grande de mulheres que trabalham e alimentam o País, tanto nas cidades como no campo”, sublinhou.

Apesar das críticas, Maria da Luz reconheceu que os métodos de avaliação pertencem à instituição internacional. “Eles sabem como fazem as avaliações, não sei, é avaliação deles”, disse.

As declarações surgem num contexto em que o relatório do Banco Mundial reacende o debate sobre os níveis de pobreza no País e os desafios persistentes no desenvolvimento económico e social, mesmo perante sinais apontados por alguns sectores como indicadores de progresso.

A ministra das Finanças, Carla Louveira, afirma que o relatório do Banco Mundial que aponta o País como o segundo mais pobre do mundo foi produzido com base em dados de 2019 e limitou-se à análise da pobreza de consumo. A governante disse, nesta terça-feira, que o pagamento da dívida ao FMI foi feito com recurso a activos que o País possui no exterior.

O Governo prometeu, na semana passada, pronunciar-se sobre o relatório do Banco Mundial que indica o País como o segundo mais pobre do mundo, mas precisava primeiro de avaliar os critérios usados. Nesta terça-feira, a ministra das Finanças quebrou o silêncio.

Segundo explica Carla Louveira, o referido relatório foi produzido com base em dados de 2019 e limitou-se a interpretar a pobreza de consumo.

“Devemos ressaltar que as estatísticas utilizadas são informações colhidas em período de COVID-19, publicadas em 2022, num contexto em que, para além da pandemia, decorriam fenómenos associados aos conflitos em Cabo Delgado e aos impactos climáticos. E também foi uma análise concentrada na perspectiva da pobreza de consumo, que consiste em aferir se as famílias têm condições para arcar com a cesta básica”, explicou a ministra.

A governante afirma que o País está melhor do que muitos colocados à frente por aquele organismo internacional e critica o facto de a base temporal usada para avaliar Moçambique ser diferente da aplicada a outros países.

“Há necessidade de referir o ano de comparação que está a ser feito de Moçambique com outros países. Em muitos desses países, a análise comparativa foi feita com inquéritos recentes aos agregados familiares. Se estivéssemos a comparar com esses dados mais recentes, a fotografia do nosso país seria, obviamente, outra”, acrescentou.

Sobre o pagamento ao FMI, a ministra esclareceu que o Governo não recorreu ao Orçamento do Estado, tendo utilizado reservas externas.

“A importação vem das reservas internacionais líquidas que o nosso país tem disponíveis nas contas, nas principais praças financeiras internacionais. Foi feito com recurso a essas reservas, que ainda se mantêm em níveis significativos, correspondendo a cerca de quatro a cinco meses de importação. Esse uso terá um impacto ligeiro, sem necessidade de alterar o Orçamento do Estado”, explicou.

Relativamente ao alerta do banco central sobre a dívida pública, Carla Louveira avançou que o Governo já dispõe de uma estratégia para garantir a sustentabilidade.

“Existe uma estratégia aprovada no final do ano passado, a Estratégia de Gestão e Sustentabilidade da Dívida Pública 2025–2029, que visa assegurar a estabilidade da dívida. Há vários esforços em curso, incluindo a componente do FMI, e outros ainda em preparação, bem como medidas de médio e longo prazo para criar espaço fiscal e financiar o investimento”, referiu.

A ministra das Finanças falava nesta terça-feira, em Maputo, à margem da cerimónia de comemoração do Dia da Mulher Moçambicana.

O sector privado diz que o Governo agiu bem ao liquidar a dívida com o Fundo Monetário Internacional. Contudo, apela ao Executivo para que tenha o mesmo comprometimento no pagamento da dívida interna. A CTA desafia ainda o Governo a adoptar políticas que estimulem a produção nacional e o investimento privado, para a redução da pobreza.

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) reagiu, em comunicado, ao pagamento total da dívida de Moçambique, no valor de cerca de  700 milhões de dólares, junto do Fundo Monetário Internacional.

O sector privado diz que reconhece e valoriza o cumprimento das obrigações financeiras junto do FMI, por constituir um sinal relevante de responsabilidade macroeconómica e de reforço da credibilidade internacional do país. 

O pagamento contribui para consolidar a confiança dos parceiros externos e criar condições para o aprofundamento da cooperação económica e financeira. 

Entretanto, entende que deve haver também medidas orientadas para a liquidação de dívidas internas.   

“O desafio que se coloca é garantir que este esforço seja complementado por políticas que estimulem a produção nacional, o investimento privado e a competitividade da economia. Neste contexto, destaca-se igualmente a necessidade de o Governo conferir atenção às avultadas dívidas internas”, lê-se no comunicado.   

Através do mesmo comunicado, a CTA mostrou-se ainda preocupada com as conclusões do relatório do Banco Mundial, que colocam Moçambique numa posição crítica, dos mais pobres do mundo, e elenca medidas que considera importante implementar. 

“O reforço do ambiente de negócios, com maior estabilidade e previsibilidade regulatória; a facilitação do acesso ao financiamento e às divisas para o sector produtivo; a implementação de políticas fiscais equilibradas que estimulem o investimento; a promoção da produção nacional e das exportações; O investimento em infra-estruturas e no capital humano;  e o fortalecimento do diálogo público-privado como pilar da formulação de políticas eficazes”.

A CTA salienta que Moçambique possui um potencial económico significativo, cuja materialização depende da capacidade colectiva de alinhar políticas, mobilizar investimentos e fortalecer o papel do sector privado como motor do crescimento e da criação de emprego.

Cerca de 240 empresas suspenderam temporariamente as suas atividades na província de Gaza, no sul de Moçambique, devido às cheias que atingem a região desde o início do ano. A situação já afetou mais de 3.000 trabalhadores, de acordo com estimativas da Confederação das Associações Económicas de Moçambique.

Segundo uma fonte da CTA, este número pode ainda aumentar, uma vez que o levantamento dos prejuízos continua nos distritos afetados. Do total de trabalhadores impactados, cerca de 24% têm vínculos permanentes, enquanto os restantes são sazonais.

Os danos abrangem vários setores da economia, incluindo a agricultura, pequenos negócios e trabalhadores independentes. No entanto, a dimensão total das perdas ainda é difícil de calcular, já que muitas áreas agrícolas permanecem inundadas. A produção agrícola continua sob ameaça, especialmente porque a província ainda enfrenta a época chuvosa e novas inundações em diversos campos de cultivo.

De acordo com dados atualizados a 31 de março pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, a atual época chuvosa já provocou 309 mortes e afetou cerca de 1,06 milhões de pessoas em todo o país desde outubro.

Só as cheias de janeiro causaram pelo menos 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, atingindo mais de 715 mil pessoas. Nos últimos dias, algumas regiões do sul voltaram a registar novas inundações. Já o ciclone Gezani, que passou pela província de Inhambane a 13 e 14 de fevereiro, resultou em quatro mortes e afetou 9.040 pessoas.

No conjunto desta época chuvosa, foram parcialmente destruídas 24.229 casas, enquanto 11.996 ficaram totalmente destruídas e 209.219 foram inundadas. Além disso, 304 unidades de saúde, 109 locais de culto e 764 escolas sofreram danos.

As cheias também tiveram forte impacto no setor agrícola: cerca de 316.267 hectares de cultivo foram perdidos, afetando mais de 371 mil agricultores. Houve ainda a morte de 531.116 animais, incluindo bovinos, caprinos e aves.

Em termos de infraestruturas, registaram-se danos em 9.522 quilómetros de estradas, 51 pontes e 237 aquedutos em todo o país.

Dezoito anos após a sua criação, a Autogas continua a enfrentar dificuldades para firmar um contrato com o Governo para a alocação de gás natural veicular (GNV) destinado ao abastecimento do mercado, situação que contribui para o elevado custo do produto. O Executivo promete flexibilizar o vínculo, mas ainda não avançou prazos concretos.

Com cerca de 4.000 a 4.500 autocarros movidos a gás no país, a maioria concentrada na região da Grande Maputo, a Autogas pretende expandir a sua presença no mercado nacional, mas as dificuldades persistem. Desde a sua criação, a empresa tem vindo a adquirir gás junto de operadores privados, enfrentando constrangimentos para aceder directamente ao produto fornecido pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).

“Estamos há quase 10 a 15 anos a tentar assinar contrato de aquisição de gás com a empresa do Estado que comercializa este produto, neste caso a ENH, mas tem sido difícil. Não sabemos quais os constrangimentos, mas continuamos a crer que um dia vamos chegar a um consenso”, lamentou Octávio Mutemba, PCA da Autogas.

A ausência de um contrato oficial também dificulta o processo de expansão dos postos de abastecimento, actualmente limitados aos municípios de Maputo, Matola e Marracuene. “Os consumidores querem o gás disponível mais próximo e maior capacidade de abastecimento. Um posto de GNV custa aproximadamente 1 milhão de dólares. Para massificar o uso do gás, é preciso investir na expansão da rede de postos e na sua capacidade. Cada novo posto deve ser acompanhado por um aumento de consumidores um novo posto não garante automaticamente mais utilizadores. Além disso, a conversão de viaturas custa, em média, cerca de 1.000 dólares”, explicou o dirigente.

Em resposta às preocupações, o Governo prometeu intervir, sem indicar datas concretas. “A infraestrutura existente será aproveitada, e o gás veicular é bastante importante, podendo suprir as necessidades de consumo local. Esta alternativa contribui também para reduzir a dependência de combustível importado, incluindo a diminuição de custos associados. É uma solução que deve ser encarada com seriedade, pois precisamos de utilizar os recursos disponíveis no país”, afirmou Estevão Pale, Ministro dos Recursos Minerais e Energia.

O governante acrescentou que a redução do custo de conversão dos veículos depende da importação de equipamentos e acessórios, sendo necessário encontrar alternativas mais económicas e envolver novos parceiros que facilitem a transição para o uso generalizado do gás veicular.

Apesar das limitações, acredita-se que a Autogas está no caminho certo. Segundo o Ministério dos Transportes, estão previstos, ainda este ano, cerca de 100 novos autocarros a gás, o que deverá impulsionar a utilização do combustível e melhorar a situação do contrato. Depois de Maputo e Marracuene, a província de Gaza será a próxima a receber um posto de abastecimento de gás natural veicular.

Gás veicular apontado como alternativa aos combustíveis

Empresários, operadores de transporte e parceiros defendem que o país deve acelerar o processo de conversão e regulamentação do uso de gás veicular, de modo a facilitar a transição no mercado, numa altura em que a Agência Metropolitana de Transportes anuncia a chegada de 190 novos autocarros movidos a gás.

Num contexto em que o mundo enfrenta dificuldades no acesso aos combustíveis, devido às tensões no Médio Oriente, agentes económicos e autoridades do sector dos transportes apontam o gás como uma alternativa viável.

Aliado a este cenário, a região da Grande Maputo prepara-se para receber uma frota de mais de 190 autocarros movidos a gás, número que poderá aumentar até 2029.

“Para o quinquénio 2025-2029, está prevista a aquisição de 1.145 autocarros para o transporte público de passageiros ao nível do país, dos quais 190 unidades serão alocadas à Área Metropolitana de Maputo e a gás (GNV). O restante será distribuído para o resto do país, movido a combustíveis fósseis (diesel)”, anunciou Armando Bembele, em representação da Agência Metropolitana de Transportes.

Enquanto Maputo avança com a implementação, o Município da Manhiça manifesta interesse em adquirir autocarros movidos a gás, mas enfrenta limitações devido à inexistência de postos de abastecimento.

Reunidos em Maputo, os intervenientes da cadeia de valor dos transportes, com destaque para a Autogas, debateram, esta quinta-feira, soluções para dinamizar o mercado, considerado uma alternativa aos combustíveis fósseis.

A Autogas tem em carteira projectos de expansão de postos de abastecimento, sendo a província de Gaza apontada como o próximo destino, mas condiciona o avanço à existência de garantias e à harmonização do quadro legal.

“A Autogas tem em carteira projectos de expansão de postos de abastecimento, sendo a província de Gaza apontada como o próximo destino. Contudo, o avanço depende da existência de garantias e da harmonização do quadro legal, para que possamos dinamizar o mercado de forma sustentável”, explicou João Neves, Director-Geral da Autogas.

Para os parceiros da empresa, Moçambique reúne condições para se afirmar como alternativa energética, sobretudo face às tensões no Médio Oriente.

“Precisamos aumentar esta utilização do gás natural, especialmente pelo que está a acontecer à volta do mundo, com o aumento dos preços do petróleo e combustíveis líquidos. Por isso, é hora de utilizar o gás natural. A boa notícia é que, por exemplo, nós viemos do Egipto, onde temos grande experiência na utilização do gás natural nas viaturas e no sector dos transportes”, explicou um representante da TAQA Arabia.

O Governo, representado pelo MIREME, acompanhou o debate e manifestou abertura para apoiar o sector, destacando os progressos na construção de infra-estruturas de transporte de gás.

Sob o lema “Aproximando os intervenientes para a massificação do uso do gás natural”, o seminário anual serviu também para reforçar compromissos do sector com vista à expansão do uso desta fonte de energia no país

A Associação Moçambicana de Bancos anunciou uma nova redução da taxa de juro de referência para o crédito no País, fixando-a em 15,50% a partir do mês de Abril. O corte de 10 pontos base representa o terceiro ajustamento em baixa desde o início de 2026. 

Desde Janeiro de 2024, a taxa de referência tem vindo a recuar de forma consistente, depois de ter permanecido durante cerca de seis meses no pico de 24,1%, reflectindo um período anterior de forte aperto monetário para conter pressões inflacionárias.

Ao longo de 2026, o comportamento da taxa tem sido marcado por ajustamentos cautelosos. Em Janeiro, a prime rate foi fixada em 15,70%, mantendo-se em Fevereiro, apesar de alterações na taxa directora. Em Março, registou uma nova descida para 15,60%, seguindo-se, agora, o corte para 15,50% em Abril. 

Apesar desta tendência descendente na taxa de referência praticada pelos bancos comerciais, o banco central decidiu manter a taxa MIMO em 9,25% na última reunião do Comité de Política Monetária (CPMO). A decisão interrompeu um ciclo de cortes sucessivos iniciado em 2024 e reflecte uma postura mais prudente face ao agravamento dos riscos macroeconómicos.

O Banco de Moçambique justificou a decisão ao afirmar que “esta decisão decorre da materialização e do agravamento substancial de alguns riscos e incertezas associados às projecções da inflação, com destaque para a inclusão do conflito no Médio Oriente e os seus impactos na cadeia logística, bem como na oferta e nos preços dos produtos energéticos e alimentares, que influenciaram a revisão em alta das perspectivas da inflação”.

O banco central sublinha ainda que, “neste contexto, o CPMO interrompeu o ciclo de redução iniciado em Janeiro de 2024, condicionando as futuras decisões à evolução e materialização dos riscos e incertezas internos e externos. Os riscos e incertezas associados às projeções da inflação agravaram-se significativamente”.

Entre os principais factores de pressão externa, destaca-se a instabilidade no Médio Oriente, com impacto directo nas cadeias de abastecimento globais, sobretudo no sector energético. A volatilidade dos preços dos combustíveis e dos produtos alimentares continua a influenciar o custo de vida e a estrutura de preços na economia moçambicana.

A nível interno, persistem desafios associados às cheias e inundações registadas durante a época chuvosa, que afectam a produção agrícola e a logística de distribuição. Estes factores têm potencial para pressionar os preços dos bens essenciais, sobretudo nas zonas mais vulneráveis, contribuindo para a incerteza nas projecções de inflação.

Dados recentes indicam que a inflação anual atingiu 3,2% em Fevereiro de 2026, após 3% em Janeiro, apontando para uma tendência de ligeira aceleração no curto prazo. 

No plano financeiro, a redução da prime rate poderá traduzir-se num alívio gradual no custo do crédito, com impacto directo no financiamento das empresas e das famílias. Taxas mais baixas tendem a estimular o investimento privado, facilitar o acesso ao crédito e impulsionar o consumo, factores essenciais para a recuperação económica.

A petrolífera sul-africana Sasol anunciou um novo ciclo de investimento avaliado em 306,9 milhões de euros, destinado ao reforço das operações ligadas ao gás natural de Temane, na província de Inhambane. O montante será aplicado ao longo dos próximos três anos, num esforço que visa consolidar a capacidade operacional, aumentar a eficiência produtiva e assegurar a continuidade de um dos mais relevantes projectos energéticos do País.

A informação foi tornada pública pela embaixadora de Moçambique na África do Sul, Maria Gustava, durante a sexta Conferência de Investimentos da África do Sul, onde destacou o papel estratégico da iniciativa no fortalecimento das relações económicas bilaterais. Segundo a diplomata, o anúncio foi feito pelo director-executivo da Sasol, sublinhando que a empresa vai “investir, para os próximos três anos”, seis mil milhões de rands “na questão operacional”, o que “significa que Moçambique também vai beneficiar desta renovação”, uma vez que o país alberga reservas significativas de gás natural na região de Temane.

O projecto de Temane, localizado na região Sul, Localizado no distrito de Inhassoro, província de Inhambane, constitui um dos pilares da indústria de gás natural do país, sendo responsável por alimentar, não só o mercado interno, mas também exportações para a África do Sul, através de uma infra-estrutura de gasoduto que liga os campos de produção aos centros industriais sul-africanos. Este investimento surge numa fase em que a procura global por fontes de energia relativamente mais limpas, como o gás natural, continua a crescer, sobretudo num contexto de transição energética e de redução gradual da dependência de combustíveis mais poluentes.

O anúncio ocorre numa altura em que as reservas de gás de Pande e Temane estão cada vez mais próximas do fim, isto é, a previsão é de exploração até 2028. 

A situação poderá agravar a crise energética e ameaçar 700 mil empregos na África do Sul. Para evitar este cenário, a Sasol equaciona comprar gás de outros operadores.

Além do reforço operacional, o investimento deverá impulsionar a modernização de infra-estruturas críticas, incluindo sistemas de processamento, transporte e distribuição de gás, contribuindo para a estabilidade do fornecimento energético na região austral de África. 

Gustava sublinhou ainda que o impacto do investimento da Sasol não se limita ao sector energético, estendendo-se, também, às áreas de transportes e logística. “Temos a ligação do Porto de Maputo através das estradas e das linhas férreas, que também Moçambique vai beneficiar através destes investimentos que foram aqui anunciados na área dos transportes”, afirmou, destacando a interligação entre os diferentes sectores económicos e o efeito multiplicador destas iniciativas.

Com efeito, o corredor logístico de Maputo, que integra o porto, a rede ferroviária e as principais vias rodoviárias, desempenha um papel crucial no escoamento de recursos naturais e no fortalecimento do comércio regional. O reforço de investimentos nestas infra-estruturas poderá aumentar a competitividade de Moçambique como plataforma logística para países do interior da África Austral, como o Zimbabwe e a África do Sul.

Nos últimos vinte anos, a Sasol já investiu mais de quatro mil milhões de dólares em Moçambique, consolidando-se como um dos principais actores do sector energético nacional. A diplomata considerou que este percurso de investimento contínuo tem contribuído significativamente para o Produto Interno Bruto, geração de receitas fiscais e criação de empregos, tanto directos como indirectos.

A presidente da Sasol, Muriel Dube, reafirmou recentemente o compromisso da empresa com o País, ao declarar que “em Moçambique, continuamos comprometidos para o crescimento do nosso negócio e a contribuir significativamente para o desenvolvimento do País, como temos feito consistentemente nos últimos 20 anos”. A responsável destacou ainda que a petrolífera tem sido reconhecida como um dos três maiores contribuintes fiscais em Moçambique nos últimos cinco anos, evidenciando o peso da empresa nas finanças públicas nacionais.

Este novo pacote de investimento ocorre numa altura em que Moçambique procura consolidar a sua posição como um dos principais produtores de gás natural em África, ao lado de grandes projectos em curso na bacia do Rovuma, no Norte do País. Embora o foco actual esteja no Sul, com o projecto de Temane, há uma crescente articulação entre diferentes pólos energéticos, o que poderá, no futuro, permitir uma maior integração do sistema energético nacional.

Actualmente, o reforço de investimentos estrangeiros directos no sector energético é visto como um sinal positivo para a economia nacional, que continua a enfrentar desafios relacionados com a dívida pública, volatilidade cambial e necessidade de diversificação económica.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) confirma que as autoridades moçambicanas decidiram liquidar as suas obrigações junto da instituição financeira, no âmbito do PRGT, em linha com as opções disponíveis aos países membros, para gerir as suas obrigações. 

De acordo com uma fonte da instituição contactada pelo “O País”, o valor efectivamente pago é de SDR 514 040 000,00 (aproximadamente a 701 milhões de dólares norte americanos). 

Importa referir que neste momento Moçambique não tem um programa em curso com o FMI. 

O PRGT – Fundo para a Redução da Pobreza e o Crescimento –  é  principal instrumento do Fundo para fornecer financiamento em condições favoráveis ​​aos países de baixo rendimento.

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