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António do Rosário descredibiliza provas do Ministério Público

O antigo director de Inteligência Económica do Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE) que, esta quinta-feira continuou a responder às mais de duzentas perguntas do Ministério Público (MP), depois de confrontado com vários e-mails que constam dos autos e que supostamente terá trocado com os co-réus Ndambi Guebuza e Teófilo Nhangumele, questionou ao Tribunal a consistência das provas apresentadas pelo MP.

Do Rosário afirmou que nunca usou e-mails pessoais para tratar de assuntos do serviço e que nunca trocou e-mail com o co-réu Ndambi Guebuza.

“Gostaria de saber de onde retiraram esses e-mails. O Ministério Público disse que tirou do Mac de Armando Guebuza. Eu conheci Ndambi no Língamo. Confirmo o meu endereço electrónico, mas não usei esses e-mails para tratar de assuntos laborais do SISE”, desmentiu Do Rosário.

Confrontado pelo MP com outro e-mail que supostamente terá sido enviado pelo co-réu Teófilo Nhangumele para o seu endereço electrónico, Do Rosário reagiu mostrando-se agastado com o que via e ouvia.

“Isto me intriga, porque não tenho motivo. Nunca trocamos um e-mail pessoal. Eu nunca recebi isto, nunca encaminhei isto. Não enviei e não recebi estes e-mails que dizem que foram extraídos do computador do Armando”, contestou o réu.

Já que ainda eram vários os anexos que constam dos autos, a magistrada Ana Sheila Marrengula apresentou ao réu mais um e-mail. “Temos um e-mail que foi enviado no dia 6 de Janeiro de 2013 por Teófilo para Rosário, Cipriano e o mesmo e-mail foi encaminhado por si para Armando Ndambi Guebuza”, disse a magistrada e, antes que terminasse de falar, o réu interrompeu-a, dizendo que “eu não confirmo, não recebi este e-mail. É estranho que, no mesmo dia, por uma questão de segundo, eu tenha encaminhado três assuntos diferentes para a mesma pessoa. Eu nunca tratei desses assuntos por e-mails pessoais e já fiz referência a isso”.

Fez referência, mas, para o MP, ainda não há clareza no depoimento do réu sobre a recepção ou não dos e-mails que diz não reconhecê-los.

Ainda na sequência dos e-mails, o MP confrontou o réu com mais um que Jean Boustani terá enviado para António Carlos do Rosário, Henriques Matlaba e Piedade Macamo. Apesar de ter apreciado os documentos, o réu manteve a sua resposta.

“Como os meus e-mails foram encontrados no computador de Ndambi? Isso não faz sentido e é suspeito. Não é normal o que está a acontecer! Por que este e-mail tem cores diferentes? Isso não pode ser considerado prova. Estamos diante de uma farsa”, reivindicou o réu ao Tribunal e referiu que não vai mais continuar a ler e-mails que não são do seu endereço electrónico.

O Juiz Efigénio Baptista interrompeu o réu e apelou-lhe para manter a calma

“Não se pode dizer que o Ministério Público está a ser usado. E que o julgamento está a ser uma farsa. Se acha que não recebeu os e-mails, tudo bem. Se continuar com estas palavras, vai perder a oportunidade de se explicar e dar a sua versão dos factos. Hoje, o tribunal não vai tolerar o que aconteceu na terça-feira”, referindo-se ao comportamento desrespeitoso do antigo director da Inteligência Económica do SISE, que culminou com abertura de um processo-crime autónomo, após Do Rosário ter dito que “o tribunal está a perder tempo. O facto de ser juiz não lhe dá direito de faltar respeito às pessoas. Eu respeito e não destrato as pessoas. Se foi o melhor estudante de Direito, não venha aqui insultar as pessoas” e mais “não pode mentir descaradamente. Tenha vergonha”.

“O objectivo do Tribunal não é instaurar vários processos-crimes contra si”, esclareceu Efigénio Baptista ao réu.

Ainda no decurso do interrogatório, esta quinta-feira, Efigénio Baptista ordenou o réu a não questionar ao Ministério Público e afirmou que alguns dos e-mails, que o réu diz não reconhecer, foram confirmados pelos visados. Entretanto, a afirmação do juiz foi contestada pela defesa do réu, o advogado Alexandre Chivale, que solicita ao Tribunal a revisitar as actas dos co-réus que confirmaram a recepção dos e-mails em causa.

Na sequência, António Carlos do Rosário pediu que o Tribunal o confrontasse com os e-mails extraídos a partir dos seus dispositivos. Caso isso não seja feito, não vai mais colaborar com o Tribunal

“Eu não quero ver mais os e-mails que não reconheço. A Procuradoria apreendeu os meus dispositivos e na hora que me prenderam não tive tempo para ver. Peço que extraiam todos os e-mails do meu Iphone que, na altura, usava e lá eu vou responder”, afirmou o réu, acrescentando que “não faz sentido recorrer a um suposto computador de um lugar que nunca pus os pés”.

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