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África do Sul acolhe Cimeira G20 pela primeira vez

É histórico. Decorre pela primeira vez em África a Cimeira dos G20. O evento arrancou hoje em Joanesburgo, na vizinha África do Sul, onde o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, fez um forte apelo à reforma da ordem económica global e à afirmação das prioridades do continente africano na agenda internacional. Os Estados Unidos da América fazem manchetes por boicotar a cimeira. 

Trata-se do maior fórum económico internacional que reúne países desenvolvidos e emergentes para discutir políticas económicas, financeiras e de desenvolvimento global. É  a primeira vez que o encontro acontece no continente Africano, desde a criação do fórum em 1999. 

Esta sexta-feira, vários líderes ou representantes dos 19 estados, mais a União Europeia e a União Africana, chegaram a Joanesburgo, maior cidade da África do Sul, para participar no encontro.

Na sua intervenção, o Presidente sul-Africano, Cyril Ramaphosa, começou por destacar o simbolismo da cimeira por acontecer em África, o berço da humanidade. “É uma honra e um privilégio recebê-los, como África do Sul, para esta primeira Cimeira de Líderes do G20, realizada em solo africano. Reunimo-nos aqui no berço da humanidade, em África, para afirmar a nossa humanidade comum”, disse.

Ramaphosa alertou aos presentes sobre os desafios que ameaçam a humanidade, desde as guerras às mudanças climáticas, da pobreza extrema à insegurança energética  e apontou que apenas uma acção coordenada poderá evitar que países vulneráveis fiquem para trás.

“As ameaças que a humanidade enfrenta, hoje,  incluindo as tensões geopolíticas, as crises globais, as pandemias, a insegurança energética e alimentar, a desigualdade, o desemprego, a pobreza extrema e os conflitos armados, prejudicam nosso futuro colectivo. É, portanto, essencial promover um progresso maior e mais rápido para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas até 2030”, alertou.

O Presidente sul africano pediu que instituições globais se tornem mais inclusivas e capazes de responder às necessidades dos países em desenvolvimento, e destacou as prioridades do bloco durante a liderança da África do Sul. 

“Primeiramente, focámos na acção para fortalecer a resiliência e a capacidade de resposta aos desastres. Concordamos que é essencial que a comunidade global, as instituições financeiras internacionais, os bancos de desenvolvimento e o sector privado aumentem o apoio e a escala das intervenções na fase pós-desastre. Em segundo lugar, concordámos que devemos agir para garantir a sustentabilidade da dívida nos países de baixa renda”, apelou.

Ramaphosa acrescentou ainda que “Devemos mobilizar o financiamento para uma transição energética justa, aumentando a qualidade e a quantidade dos fluxos de financiamento climático para os países em desenvolvimento. Em terceiro lugar, enfatizámos a importância de garantir o acesso a minerais críticos para o crescimento inclusivo e o desenvolvimento sustentável, por meio do benefício desses minerais nos próprios países de extracção”.

O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, falou das dívidas que sufocam os países mais pobres, limitando os investimentos, o desenvolvimento, clima, saúde e educação, e apontou que o G20 deve liderar medidas para o alívio da situação, reestruturação e criação de mecanismos de financiamento mais justos.

“Precisamos de acção económica. Os países em desenvolvimento, em particular em África, estão a enfrentar uma enorme tempestade: o espaço orçamental está a desaparecer, as dívidas estão a tornar-se insustentáveis e a arquitectura financeira global não os tem apoiado nem sequer representado adequadamente”, disse Guterres.

Entre várias figuras presentes, destaca-se a presença do presidente do Brasil, Lula da Silva, e do presidente da França, Emmanuel Macron.  Entretanto, a primeira cimeira do G20 em solo africano decorre sem a presença dos Estados Unidos da América, que boicotam o encontro.

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