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O País – A verdade como notícia

Despiste seguido de embate contra um coqueiro e uma banca deixa ainda três feridos graves; autoridades apontam velocidade excessiva, fadiga e álcool como prováveis causas do sinistro.

O silêncio da madrugada deste domingo foi interrompido por um violento estrondo que acordou moradores da vila de Morrumbene, na província de Inhambane. O relógio marcava cerca das quatro horas quando um veículo ligeiro perdeu o controlo numa curva da Estrada Nacional Número Um (EN1), saiu da faixa de rodagem e protagonizou um dos mais graves acidentes registados recentemente naquele troço, provocando a morte de três pessoas e deixando outras três gravemente feridas.

Segundo relatos recolhidos no local, a viatura seguia em alta velocidade quando o condutor tentou evitar um veículo que circulava em sentido contrário. A manobra revelou-se insuficiente. Sem conseguir controlar a direcção, o automóvel despistou-se, derrubou um coqueiro e embateu com violência contra uma banca localizada à berma da estrada.

A força do impacto destruiu parcialmente a estrutura da banca e transformou a viatura numa massa de chapas retorcidas, cenário que mobilizou moradores e equipas de socorro nas primeiras horas da manhã.

O Director Clínico do Centro de Saúde de Morrumbene, Amilton Azevedo, confirmou que três ocupantes perderam a vida ainda no local do acidente, antes mesmo de qualquer assistência médica ser possível.

Os outros três sobreviventes sofreram ferimentos considerados graves e, após receberem os primeiros socorros, foram transferidos de urgência para o Hospital Rural de Chicuque, na cidade da Maxixe, onde continuam a receber cuidados médicos especializados.

Embora as circunstâncias exactas do acidente continuem por esclarecer, as primeiras indicações recolhidas pelas autoridades apontam para uma conjugação de factores frequentemente associados aos acidentes rodoviários mais graves no país. Entre eles estão o excesso de velocidade, a fadiga do condutor e a condução sob o efeito de bebidas alcoólicas.

Trata-se de um conjunto de comportamentos que continua a preocupar as autoridades de trânsito e os profissionais de saúde, sobretudo nas viagens nocturnas, período em que a redução da capacidade de reacção do condutor aumenta significativamente o risco de acidentes fatais.

O acidente volta também a chamar a atenção para a vulnerabilidade das infra-estruturas instaladas junto à Estrada Nacional Número Um. Neste caso, a violência do despiste levou o veículo a destruir uma banca construída à beira da via, evidenciando os riscos a que comerciantes e utentes estão diariamente expostos ao longo daquela que é a principal estrada do país.

A equipa de reportagem procurou obter um pronunciamento oficial da Polícia da República de Moçambique (PRM) no distrito de Morrumbene para esclarecer outros detalhes do sinistro e confirmar a identidade das vítimas. No entanto, o agente regulador de trânsito que se encontrava em serviço informou que o oficial autorizado a prestar declarações não estava disponível no momento da nossa deslocação.

Enquanto decorrem os procedimentos para o apuramento das circunstâncias do acidente, mais três famílias enfrentam o luto provocado por um sinistro que volta a colocar em evidência o elevado custo humano da sinistralidade rodoviária em Moçambique. Em poucos segundos, uma viagem terminou em tragédia, deixando vidas interrompidas, feridos em estado grave e um novo alerta sobre a necessidade de maior prudência nas estradas nacionais.

O guitarrista e compositor moçambicano Jimmy Dludlu vai assinalar os seus 40 anos de carreira com um concerto em formato inédito, distribuído por duas noites, nos dias 24 e 25 de Julho, no Onix Events, na Katembe, cidade de Maputo.

Promovido pela Top Produções, o espectáculo pretende celebrar quatro décadas de dedicação à música e homenagear um dos maiores embaixadores do afro-jazz africano. Natural do bairro de Chamanculo, em Maputo, Jimmy Dludlu construiu uma carreira de dimensão internacional, tornando-se uma das mais respeitadas referências da música contemporânea do continente.

Sob o conceito “Concerto 2 em 1”, cada noite terá identidade própria, reunindo diferentes formações musicais e convidados especiais de Moçambique e da África do Sul, numa celebração da diversidade cultural da região.

Na primeira noite, a 24 de Julho, Jimmy Dludlu sobe ao palco acompanhado pela banda moçambicana In The Groove, num espectáculo que destaca as suas raízes musicais e a ligação ao País. A apresentação será conduzida por Seth Swaze e contará ainda com as participações de Stewart Sukuma, Mingas, Banda Kakana, Pika Tembe, Onésia Muholove, Elcides Carlos, Prince Chone e do DJ Sérgio Butler.

Já no dia 25 de Julho, o músico será acompanhado pela banda sul-africana C Base Collective, reforçando a dimensão regional da celebração. A segunda noite será apresentada por Izidine Faquirá e terá como convidados a cantora sul-africana Judith Sephuma, Frank Paco, John Hassan, Válter Mabas, Xixel Langa, Gabriela, além dos DJs No Name e Serito.

Segundo a organização, o evento pretende afirmar-se como uma plataforma de valorização da música africana, promovendo o diálogo entre diferentes gerações, estilos e culturas, tendo o jazz como elemento de ligação entre tradição e inovação.

A expectativa é reunir centenas de amantes da música, profissionais das indústrias culturais e criativas, empresários, estudantes e público em geral, numa celebração que reconhece o contributo de Jimmy Dludlu para o desenvolvimento da música africana.

Com uma carreira iniciada ainda na adolescência, Jimmy Dludlu destacou-se como guitarrista, compositor e professor de música, colaborando com alguns dos mais prestigiados artistas africanos e da diáspora. Ao longo de quatro décadas lançou vários álbuns de sucesso, distinguidos em diferentes edições dos South African Music Awards (SAMA), consolidando uma discografia marcada pela fusão entre o jazz e as sonoridades africanas.

A Fundação Fernando Leite Couto inaugura, na próxima quarta-feira,, a exposição individual “Magnificência, Luz e Fusão”, do artista plástico moçambicano Ilídio Candja Candja. Com curadoria de Titos Pelembe e Yolanda Couto, a mostra reúne um conjunto de obras que exploram temas como memória, espiritualidade, identidade e reinvenção.

Reconhecido pela intensidade cromática e pela liberdade da sua linguagem plástica, Ilídio Candja Candja apresenta uma produção artística profundamente inspirada nas tradições africanas. As suas pinturas convocam mitologias, divindades ancestrais, símbolos e narrativas que atravessam gerações, estabelecendo um diálogo entre o património cultural moçambicano e as influências adquiridas ao longo da sua experiência na diáspora.

Segundo a organização, as obras expostas reflectem um percurso marcado pela expressividade das formas e por uma constante investigação sobre a relação entre o mundo visível e o invisível. A exposição propõe uma reflexão sobre pertença, deslocação e criação artística, cruzando memória e imaginação, tradição e contemporaneidade.

O título “Magnificência, Luz e Fusão” traduz o conceito central da mostra. A magnificência representa a força criadora da obra, a luz simboliza o conhecimento e a revelação, enquanto a fusão remete para o encontro entre diferentes culturas, geografias e identidades, preservando a singularidade de cada uma.

Com esta iniciativa, a Fundação Fernando Leite Couto reafirma o seu compromisso com a divulgação da arte contemporânea e com a valorização de artistas que contribuem para o enriquecimento do panorama cultural moçambicano.

Mais de duas décadas após a atribuição de licenças para exploração mineira em Massangena, no Sul de Moçambique, o Governo distrital ameaça avançar com a retirada de concessões que permanecem sem actividade produtiva. A medida visa travar a ocupação prolongada de áreas com potencial económico sem retorno visível para o Estado e para as comunidades locais.

 

Texto: Ângelo Tsane

Foto: O País 

 

O alerta foi lançado pelo administrador distrital, Sancho Humbana, que confirma a existência de 11 empresas registadas no cadastro mineiro para a exploração de diamantes e minerais associados. Destas, três detêm concessões activas e quatro encontram-se ainda na fase de pesquisa, sem passagem à exploração efectiva.

 

Apesar do interesse geológico identificado na região, o Governo esclarece que não há, até ao momento, exploração de diamantes em curso. Segundo o administrador, várias das actividades observadas no terreno se limitam a fases de prospecção e recolha de dados, frequentemente confundidas pelas comunidades com extracção mineira.

 

Entre os projectos em avaliação destaca-se o trabalho da empresa Torell, cujos resultados laboratoriais deverão ser determinantes para a eventual viabilidade de exploração futura na área. Até lá, o distrito continua sem benefícios económicos concretos provenientes do sector.

 

A demora na materialização dos investimentos é apontada como um dos principais bloqueios ao desenvolvimento local. Para as autoridades, a manutenção prolongada de concessões sem produção efectiva representa, não apenas perda de oportunidades económicas, mas também um travão à criação de emprego, sobretudo para jovens.

 

“As empresas não podem estar licenciadas durante tantos anos e continuarmos à espera que as máquinas comecem a trabalhar”, afirmou Sancho Humbana.

 

Com base nesta posição, o Governo distrital já admite avançar com processos de revogação de áreas consideradas improdutivas, abrindo espaço para novos operadores com capacidade comprovada de investimento e execução de projectos.

 

“A legislação é muito clara. Há áreas que já estão a ser encaminhadas para revogação e vamos continuar esse trabalho”, acrescentou o administrador.

 

As zonas com maior incidência de actividades de pesquisa concentram-se nos postos administrativos de Mavue, Muzamane, Xipilimo e Xigamane, regiões consideradas de elevado potencial mineiro, mas ainda sem exploração estruturada.

 

Sobre alegações de exploração ilegal de recursos, o administrador afastou a existência de mineração ilegal no distrito, defendendo que as comunidades locais têm desempenhado um papel activo na vigilância e denúncia de movimentos suspeitos.

 

“A nossa comunidade é a primeira linha de defesa. As pessoas estranhas que entram no distrito são rapidamente identificadas e denunciadas”, referiu.

 

Apesar das reservas geológicas, Massangena continua a enfrentar fragilidades estruturais, com destaque para as dificuldades de circulação na estrada que liga Mapai ao distrito, particularmente agravadas durante a época chuvosa — um factor que limita a atracção de investimento.

 

Com cerca de 22 mil habitantes, o distrito mantém a expectativa de que a exploração dos seus recursos naturais possa impulsionar a economia local. Porém, a mensagem das autoridades é cada vez mais firme: concessões sem actividade efectiva poderão deixar de permanecer nas mãos de quem apenas detém licenças sem produzir resultados.

A Fundação Fernando Leite Couto inaugura, esta terça-feira, a exposição “Dez Primaveras”, da artista equatoriana Sue Bejarano, uma instalação que convida o público a reflectir sobre os efeitos da poluição plástica nos ecossistemas e na vida humana.

A abertura da mostra será acompanhada por uma conversa sobre as consequências dos resíduos plásticos na natureza, que contará com a participação do ambientalista Isildo Nhantumbo.

Construída integralmente a partir de garrafas plásticas reutilizadas, a instalação apresenta 520 flores suspensas, cada uma representando uma semana de vida humana. A obra procura ilustrar a quantidade estimada de plástico que uma pessoa consome ao longo de dez anos, muitas vezes sem se aperceber.

As flores coloridas ocupam todo o espaço expositivo, do tecto ao chão, criando uma experiência visual imersiva. Contudo, a artista alerta para uma realidade preocupante: ao contrário das flores naturais, estas estruturas artificiais não se decompõem nem contribuem para a regeneração da natureza, permanecendo no ambiente durante décadas e fragmentando-se em microplásticos que regressam ao organismo humano através da água, dos alimentos e do ar.

Por meio desta criação, Sue Bejarano transforma materiais descartados em objectos artísticos carregados de significado, promovendo uma reflexão sobre os padrões de consumo, a responsabilidade ambiental e os impactos invisíveis da cultura do plástico.

A exposição chama ainda a atenção para os desafios enfrentados por muitas sociedades no tratamento dos resíduos sólidos, sobretudo em contextos onde os sistemas de reciclagem e as políticas ambientais continuam limitados.

Natural do Equador, Sue Bejarano desenvolve uma prática artística centrada em questões ambientais contemporâneas. Influenciada por experiências vividas em três continentes, a artista cria esculturas e instalações a partir de materiais descartados e elementos naturais. O seu trabalho já integrou exposições individuais e colectivas no Senegal e encontra-se representado em colecções privadas na Europa, África e América.

Actualmente residente em Maputo, Sue Bejarano prossegue a sua pesquisa artística a partir do seu estúdio na capital moçambicana.

A exposição “Dez Primaveras” surge como uma oportunidade para o público contactar com uma proposta que alia arte, consciência ecológica e experiência sensorial, reforçando o papel da criação artística na promoção do debate sobre os desafios ambientais do nosso tempo.

A cantora moçambicana Leia Nhambe lançou, nesta quinta-feira, o seu mais recente EP, intitulado “Timitsu ta Vula-Vula”, num evento que teve lugar no X-Hub, na cidade de Maputo.

A cerimónia contou com a presença de vários convidados, entre fãs, parceiros e figuras ligadas à cultura nacional, que se reuniram para celebrar mais uma etapa importante na carreira da artista.

Coube a artista moçambicana Xixel Langa abrir o evento esteve a cargo, que proporcionou, como sempre, uma actuação dinâmica e envolvente, criando um ambiente de entusiasmo e expectativa entre os presentes.

O momento mais aguardado da noite foi a apresentação de Leia Nhambe, que subiu ao palco para interpretar algumas das músicas que compõem o novo EP, bem como outros temas do seu repertório. 

Com uma performance marcada pela energia, talento e interação com o público, a cantora encerrou o espetáculo em grande estilo, recebendo aplausos calorosos dos participantes.

O lançamento de “Timitsu ta Vula-Vula” representa mais um marco na trajectória artística de Leia Nhambe e reforça o seu compromisso com a promoção da música moçambicana. 

O evento, que decorreu num ambiente de celebração e emoção, representa a valorização da cultura nacional, facto que se evidenciou com a reacção do público. 

A necessidade de mais investimento, novas parcerias e acesso a mercados internacionais dominou os debates da terceira edição do Fórum Cultural e Criativo Cultiv’arte, que reuniu em Maputo artistas, gestores culturais e representantes do Governo para discutir estratégias de fortalecimento das indústrias culturais e criativas no país.

Realizado ao longo de dois dias, o encontro serviu de plataforma para a partilha de experiências, apresentação de oportunidades de cooperação e reflexão sobre os principais desafios que continuam a limitar o desenvolvimento do sector cultural em Moçambique. Num contexto em que a cultura procura afirmar-se como um instrumento de desenvolvimento económico e social, os participantes defenderam a necessidade de criar condições para transformar o potencial criativo existente no país em oportunidades concretas de negócio, emprego e geração de rendimento.

O fórum reuniu profissionais de diferentes áreas das artes e da cultura, desde gestores de projectos culturais, produtores, artistas e empreendedores criativos até representantes de instituições nacionais e parceiros internacionais. Entre os temas que dominaram as discussões estiveram a capacitação dos agentes culturais, o acesso ao financiamento, a criação de redes de colaboração e a internacionalização dos projectos culturais moçambicanos.

Para o coordenador do Projecto Cultiv’arte, Mattieu Gardon, esta edição procurou responder às preocupações dos profissionais que já se encontram inseridos no sector e procuram consolidar as suas iniciativas num mercado cada vez mais competitivo.

“Esta terceira edição está mais focada no meu projecto. Já tenho uma actividade, já estou trabalhando, mas como posso crescer? Como posso criar novas parcerias, principalmente públicas ou privadas? Como vou desenvolver meu mercado? Como posso me internacionalizar?”, afirmou.

Segundo Gardon, um dos objectivos centrais do fórum foi aproximar os fazedores de cultura nacionais de experiências e oportunidades internacionais que lhes permitam expandir os seus horizontes profissionais e comerciais. Para isso, o evento contou com a participação de representantes de festivais internacionais, programas regionais de cooperação e instituições ligadas ao desenvolvimento das indústrias culturais e criativas.

“Teremos participantes estrangeiros, de festivais internacionais como o Bushfire, de outras áreas geográficas, como o projecto que temos no Oceano Índico, que traz oportunidades para moçambicanos, coisas pouco conhecidas. Também teremos um retorno da experiência continental, através do Instituto em Paris, que implementa grandes programas em outras regiões”, explicou.

O responsável considera que a criação de pontes entre os profissionais moçambicanos e os mercados externos pode representar uma oportunidade para aumentar a circulação de produtos culturais nacionais e abrir novas perspectivas para o sector.

“Nossa expectativa é que isso gere mais conexões. Os projectos que serão apresentados contam com a participação de profissionais do sector cultural e criativo nacional. Há também participantes que estão começando agora. Portanto, esse ecossistema deve favorecer ambos os lados”, acrescentou.

Além da internacionalização, o fortalecimento institucional foi apontado como um dos pilares fundamentais para o crescimento sustentável das indústrias culturais e criativas. A Secretária de Estado das Artes e Cultura, Matilde Muocha, destacou os resultados alcançados pelo projecto ao longo dos últimos anos e sublinhou a importância da capacitação dos diferentes intervenientes do sector.

“Este é um projecto que tem um pilar muito importante: o fortalecimento institucional, ou seja, o fortalecimento do sector cultural e criativo do Ministério. Isso significa o desenvolvimento de competências para que esse sector possa impulsionar melhor o sector público”, afirmou.

De acordo com Muocha, a iniciativa tem contribuído para o desenvolvimento de capacidades técnicas, para a promoção de espaços de diálogo e para a criação de instrumentos que possam apoiar a implementação de políticas públicas voltadas para o sector cultural.

“Um dos elementos é a formação de diferentes actores do sector para que possam desenvolver as suas capacidades. Outro aspecto é o desenvolvimento de políticas e instrumentos”, acrescentou.

Apesar dos avanços registados, os participantes reconheceram que a questão do financiamento continua a representar um dos maiores obstáculos ao crescimento das indústrias culturais e criativas. Muitos profissionais consideram que o talento e a criatividade existentes no país nem sempre encontram o suporte financeiro necessário para garantir a sustentabilidade dos projectos.

Para o assistente da iniciativa, Mélio Tinga, a consolidação do sector depende da existência de investimentos regulares e de longo prazo que permitam aos artistas desenvolver o seu trabalho com estabilidade.

“O sector artístico tem a sorte de contar com esse investimento e acredito que precisa de ainda mais investimentos, porque a própria arte, sem um investimento sério, sem um investimento regular e recorrente, acaba fracassando de alguma forma”, afirmou.

Tinga considera que programas de mobilidade, intercâmbios e fóruns de partilha de experiências desempenham um papel importante na valorização dos profissionais da cultura e na expansão das suas oportunidades de trabalho.

“Acho que o trabalho que a Cultiv’arte realiza em diferentes programas, em fóruns como este, em programas de mobilidade, por exemplo, que conectam artistas com outros espaços, com outras pessoas, é de grande valor, no sentido de ser uma ferramenta que permite expandir a sua rede de contactos e, a partir daí, podem surgir parcerias que tornem o seu trabalho ainda mais conhecido”, explicou.

Ao longo do encontro, os participantes defenderam igualmente a necessidade de encarar a cultura não apenas como uma expressão artística, mas também como um sector económico capaz de gerar riqueza, emprego e inclusão social. O entendimento partilhado foi de que o fortalecimento das indústrias culturais e criativas exige uma acção coordenada entre Governo, parceiros de cooperação, sector privado e profissionais da cultura.

A terceira edição do Fórum Cultural e Criativo Cultiv’arte terminou com o desafio de transformar as reflexões produzidas durante os dois dias em acções concretas que contribuam para a sustentabilidade do sector. 

O académico e escritor moçambicano Narciso Matos lançou, na quinta-feira, na cidade de Maputo, a sua mais recente obra literária, Kusheni, assinada sob o pseudónimo de Musumbuluku Nhuvu. O livro propõe uma viagem pelos últimos cinquenta anos da história de Moçambique, cruzando memória pessoal e história colectiva através da trajectória de uma família moçambicana.

Inspirada em factos e personagens reais, a obra acompanha o percurso de um jovem, da sua companheira e dos seus filhos, tendo como pano de fundo alguns dos principais acontecimentos que marcaram o País desde a Independência Nacional até aos nossos dias.

Durante a apresentação do livro, Narciso Matos afirmou que Kusheni resulta de um esforço de preservação da memória histórica e de valorização das identidades moçambicanas.

“Quando os colonizadores chegaram às nossas terras, tiraram-nos os nomes e, com eles, tiraram-nos o clã, a tribo e o grupo social. Depois disseram que nós não temos história. Musumbuluku procura negar essa falsidade. Procura dizer que temos, sim, um passado, temos um presente e desenhamos um futuro”, declarou.

Segundo o autor, a obra procura evitar que experiências, vivências e acontecimentos marcantes da história nacional caiam no esquecimento, preservando testemunhos para as gerações actuais e futuras.

Na ocasião, o académico, escritor e chanceler da Universidade Politécnica, Lourenço do Rosário, destacou a originalidade da narrativa, observando que Narciso Matos recorre ao personagem Musumbuluku Nhuvu para relatar a sua própria história na terceira pessoa.

Para Lourenço do Rosário, Kusheni ultrapassa a dimensão estritamente autobiográfica, constituindo igualmente o retrato de uma geração que viveu a transição para a Independência, participou na construção do Estado moçambicano e testemunhou profundas transformações sociais e políticas ao longo das últimas cinco décadas.

«A teoria literária consagra diferentes formas de um autor se apresentar como outro, seja através de pseudónimos ou heterónimos. Contudo, neste caso, Musumbuluku Nhuvu remete-nos para uma realidade associada às identidades construídas ao longo da história dos cidadãos moçambicanos nascidos no Estado colonial», referiu.

Kusheni é a quarta obra publicada por Musumbuluku Nhuvu, depois de Ndangu wa Txindi na Musumbuluku (2023), Mishu 1952–1975 (2024) e Matlavi (2025), consolidando um percurso literário marcado pela valorização da memória, da cultura e da identidade moçambicanas.

Através desta obra, Narciso Matos convida os leitores a revisitarem momentos marcantes da história recente de Moçambique, reflectindo sobre a construção da identidade nacional, os desafios enfrentados por diferentes gerações e a importância da preservação da memória colectiva.

 

As cantoras líricas Stella Mendonça e Sónia Mocumbi apresentam, esta noite, às 19h00, no Auditório MUSIARTE, em Maputo, o recital “Golden Opera Duets”, um espectáculo dedicado a algumas das mais emblemáticas obras da ópera e da música vocal erudita.

O concerto reúne composições de Wolfgang Amadeus Mozart, Gioachino Rossini, Gaetano Donizetti e Pauline Viardot, proporcionando ao público uma viagem musical marcada por momentos de grande expressividade artística, virtuosismo vocal e riqueza interpretativa.

O programa integra duetos, árias e peças de câmara que abordam temas universais como o amor, a amizade, o poder, o sacrifício e a redenção, evidenciando a profundidade dramática e a elegância características do repertório lírico europeu.

As intérpretes serão acompanhadas ao piano por Susana Swanenpool, considerada uma das mais destacadas referências musicais da África Austral. A participação da pianista confere maior dimensão artística ao espectáculo, que procura igualmente valorizar o crescimento da música clássica em Moçambique e destacar a importância da formação especializada no desenvolvimento de talentos nacionais.

O recital insere-se na programação cultural da Fundação MUSIARTE, instituição que se tem afirmado como uma referência na promoção da educação musical, da criação artística e da divulgação do património cultural internacional junto do público moçambicano.

Através desta iniciativa, a Fundação MUSIARTE reafirma o seu compromisso com a formação de jovens músicos, a criação de oportunidades de apresentação para artistas nacionais e o fortalecimento do diálogo cultural através da música.

Mais do que um concerto, “Golden Opera Duets” constitui uma celebração da excelência artística e da crescente afirmação da música erudita em Moçambique, proporcionando ao público uma oportunidade singular de apreciar um repertório de reconhecido valor histórico e cultural.

A Fundação MUSIARTE – Conservatório de Música e Arte Dramática dedica-se ao ensino, produção e difusão das artes, promovendo a excelência artística, a educação cultural e a formação de novas gerações de músicos e criadores em Moçambique.

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