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O País – A verdade como notícia

Moçambique defendeu hoje, na Etiópia, durante o 12.º Fórum de Alto Nível de Tana sobre Segurança em África, o reforço da união entre os países africanos e da cooperação internacional no combate ao terrorismo, considerando que a segurança é uma condição indispensável para o desenvolvimento.

O Presidente da República, Daniel Chapo, chamou a atenção para a coincidência entre a descoberta de gás natural em Moçambique e o surgimento do terrorismo, defendendo a união dos países africanos para a protecção dos recursos naturais. “Na mesma altura em que descobrimos o gás, apareceu o terrorismo. É coincidência a mais”, afirmou o Chefe do Estado.

Chapo considera igualmente necessário repensar a arquitectura de segurança mundial, com maior participação de África nos debates permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas. “A ausência de África na mesa do debate permanente do Conselho de Segurança da ONU é um dos principais motivos que dificultam a solução dos conflitos internos”, declarou.

O estadista moçambicano defendeu ainda que a segurança deve constituir uma prioridade para os países africanos e para a comunidade internacional. “Não há nenhum país no mundo que se desenvolve sem ter a segurança acautelada”, sublinhou, apelando ao fortalecimento das organizações multilaterais, num contexto em que, segundo afirmou, o multilateralismo está a ser posto em causa.

Ao abordar a experiência de Moçambique no combate ao extremismo violento, Daniel Chapo destacou a cooperação com a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), o Ruanda e a Tanzânia. O Presidente considera que a união entre os povos constitui um dos caminhos para enfrentar o terrorismo em África e garantir a estabilidade necessária ao desenvolvimento.

O Tibete volta a estar no centro de uma tragédia natural. Depois das inundações históricas que atingiram a região há cerca de dois meses, provocando numerosas vítimas, desta vez, um sismo de magnitude 7,0 fez pelo menos 16 mortos e mais de 50 feridos. As equipas de resgate estão mobilizadas no terreno, numa corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes entre os escombros.

O Tibete volta a ser atingido por uma catástrofe natural, menos de dois meses depois das inundações históricas e dos deslizamentos de terras que devastaram a região fronteiriça entre a China e o Nepal, deixando centenas de mortos e milhares de desaparecidos. Desta vez, é um sismo de magnitude 7,0 que provoca destruição e morte.

Pelo menos 16 pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas, na sequência do abalo sísmico que atingiu o distrito de Baqing, no Tibete, na China.

As imagens mostram edifícios danificados, estruturas desabadas e equipas de emergência mobilizadas para procurar sobreviventes entre os escombros.

As autoridades intensificaram as operações de resgate, com mais de mil e seiscentos profissionais envolvidos nas ações de emergência. As equipas trabalham contra o tempo para localizar possíveis sobreviventes e prestar assistência às vítimas.

A região enfrenta agora mais uma emergência, num contexto em que algumas comunidades ainda procuram recuperar dos efeitos das recentes inundações.

As operações de socorro continuam, enquanto as autoridades avaliam a extensão dos estragos e procuram responder às necessidades das populações atingidas.

A mineradora Kenmare continua a negociar com o Governo moçambicano a renovação do Acordo de Implementação, que regula as condições de processamento e exportação dos minerais extraídos das areias pesadas de Moma, na província de Nampula. O acordo expirou em Dezembro de 2024 e, apesar de vários anos de negociações, as partes ainda não chegaram a consenso sobre os termos da sua extensão por mais 20 anos.

A dimensão do projecto ajuda a explicar a importância do processo. Kenmare está a executar um investimento de 341 milhões de dólares para modernizar a unidade de concentração húmida WCP A e preparar a transição das operações para a zona de Nataka. No final de 2025, mais de 80% desse montante já tinha sido aplicado, ficando cerca de 70 milhões de dólares previstos para o período entre 2026 e 2032. O projecto pretende assegurar a continuidade da produção de Moma nas próximas décadas. A modernização inclui equipamentos e infra-estruturas para manter a capacidade operacional da mina durante os próximos anos.

A empresa tem dois enquadramentos contratuais distintos com o Estado. O contrato de exploração mineira mantém-se válido até 2029, enquanto o Acordo de Implementação estabelece os direitos e benefícios aplicáveis ao processamento e à exportação. A Kenmare pediu a renovação deste último em Setembro de 2022, propondo uma extensão por mais duas décadas.

“Tomámos conhecimento de que o processo já estava concluído através de algumas reportagens e estamos apenas à espera de uma comunicação oficial por parte do Governo”, afirmou Gareth Clifton, director nacional da Kenmare em Moçambique.

A negociação atravessou a transição entre os governos de Filipe Nyusi e Daniel Chapo. A actual administração pretende rever as condições do acordo para aumentar os benefícios económicos para o país. Um dos principais pontos em discussão é a taxa de imposto sobre a produção, conhecida como royalty, cobrada sobre a actividade mineira.

Uma resolução interna aprovada pelo Conselho de Ministros em Julho de 2025 prevê elevar a taxa dos actuais 1% para 2,5% entre 2025 e 2027, aumentando-a para 3% no período de 2028 a 2030 e para 3,5% entre 2031 e 2044. A proposta representa um aumento gradual da receita directa do Estado associada à produção mineral, mas as condições definidas não foram acordadas com a empresa.

A posição da Kenmare, contudo, exige uma clarificação: a empresa propôs inicialmente elevar a taxa para 2,5% e, numa revisão apresentada em Abril de 2025, passou a admitir um aumento faseado de 2,5% até 3,5% ao longo dos 20 anos de extensão. A divergência está, por isso, também no calendário e nas condições em que o aumento seria aplicado, bem como nas restantes alterações fiscais e aduaneiras.

A mesma resolução prevê a retirada do estatuto de Zona Franca Industrial à área de operação da Kenmare e limita as isenções de direitos aduaneiros e do IVA na importação a determinados equipamentos, peças sobressalentes e acessórios. Para a empresa, estas mudanças podem afectar os custos e as condições de funcionamento do projecto. A Kenmare tem defendido que os termos finais devem resultar de um entendimento entre as partes.

Apesar das divergências, a empresa manifesta abertura à legislação que prevê o processamento local de 20% dos recursos minerais explorados no país. Actualmente, os produtos resultantes do processamento das areias pesadas de Moma são exportados, pelo que a aplicação da nova regra poderá exigir investimento adicional e a entrada de operadores capazes de transformar a matéria-prima em Moçambique.

“Agora, o país deve concentrar-se nos benefícios da matéria-prima e atrair investidores com experiência nessa área, para comprarem o que precisarem de empresas como a nossa e contribuírem para a economia moçambicana”, afirmou Clifton.

A intenção é aumentar o valor acrescentado gerado internamente, criando oportunidades para novas actividades industriais, emprego e fornecimento local de bens e serviços. A concretização da medida dependerá, porém, da capacidade de atrair investidores e de desenvolver condições para o processamento dos minerais.

A Câmara de Minas de Moçambique considera a decisão oportuna, mas alerta para os desafios da sua implementação. O sector defende que o país deve avaliar experiências internacionais e definir mecanismos que permitam aproveitar economicamente a parcela da produção destinada ao processamento local.

“Em algum momento temos de olhar para as experiências de outros países e perceber como têm gerido esta componente para gerar rendimento com os 20% que ficam para o país. Há casos, como o do Zimbabwe, em que, se o operador não tiver condições de transformar o produto, acaba por comprar o produto ao Estado”, afirmou Edson Matches, presidente do Conselho de Administração da Câmara de Minas de Moçambique.

Está patente ao público até 5 de Novembro, na Mediateca do BCI, em Maputo, a exposição individual “Versos d’Alma”, do artista plástico moçambicano Miqueias Rocha, conhecido no meio artístico por Das Rochas. 

A mostra reúne obras em aguarela sobre papel que traduzem memórias, emoções e experiências marcantes do autor, convidando o público a uma reflexão sensível sobre o quotidiano, a identidade e as referências culturais moçambicanas.

A cerimónia de abertura teve lugar na terça-feira, e contou com a presença de artistas, representantes do meio cultural e convidados, tendo sido marcada por intervenções que evidenciaram a dimensão estética e simbólica da exposição, bem como o percurso criativo do seu autor.

Na ocasião, a Coordenadora das Mediatecas do BCI, Telma Jorge, destacou a importância da iniciativa enquanto espaço de valorização da expressão artística nacional, sublinhando que as obras convidam o público a um exercício de memória e observação da realidade moçambicana. 

Reafirmou, igualmente, o compromisso do Banco com a promoção da cultura, particularmente no ano em que celebra três décadas de existência. Por sua vez, o curador Titos Pelembe realçou a riqueza temática e expressiva da exposição, identificando três dimensões fundamentais na produção artística apresentada: as memórias da infância, as dinâmicas da vida urbana e a exploração de símbolos de matriz africana, numa linguagem simultaneamente contemporânea e enraizada na identidade cultural. 

Destacou, ainda, a diversidade de abordagens e a importância do regresso do artista à apresentação pública dos seus trabalhos.

O autor Das Rochas descreveu a exposição como um momento de renascimento artístico, depois de um longo período afastado da pintura. Revelou que o nascimento das suas filhas constituiu um dos principais impulsos para retomar os pincéis e reencontrar uma paixão que o acompanha desde os tempos de formação. Para o artista, cada trabalho representa uma parte da sua própria história, traduzindo sentimentos e experiências que agora partilha com o público.

A exposição assinala, igualmente, um marco no percurso de Miqueias Rocha, que, apesar de já ter participado em diversas mostras colectivas, apresenta agora a sua primeira exposição individual.

Ao acolher “Versos d’Alma”, o BCI reafirma o seu papel enquanto parceiro da cultura e dos criadores nacionais, proporcionando espaços de encontro entre artistas e público e contribuindo para a divulgação do talento moçambicano, numa aposta contínua na valorização da identidade e do património cultural do País.

Os fazedores das artes e cultura na Zambézia defendem maior valorização das manifestações identitárias da província no Plano Estratégico da Cultura 2027–2036. A auscultação nacional, que decorre durante dois dias, procura recolher contribuições para um documento que deverá orientar as políticas culturais na próxima década.

 A cultura da Zambézia quer deixar de ser apenas uma expressão da identidade dos seus povos para assumir um papel mais expressivo na promoção do turismo, na criação de oportunidades económicas e na dinamização das indústrias culturais e criativas. 

É neste contexto que a província acolhe uma auscultação nacional no âmbito da elaboração do Plano Estratégico da Cultura 2027–2036, um processo que pretende reunir contribuições dos fazedores das artes e cultura para a definição das prioridades do sector nos próximos dez anos.

Num território marcado pela diversidade de manifestações culturais, pela riqueza gastronómica e pelo talento dos seus jovens, os participantes esperam que o documento final reflicta as particularidades da identidade zambeziana e reconheça a cultura como um recurso estratégico para o desenvolvimento social e económico.

A expectativa é que as propostas apresentadas não se limitem ao registo formal das manifestações culturais, mas contribuam para a criação de mecanismos de promoção, preservação, valorização e sustentabilidade das actividades artísticas e culturais.

A auscultação coloca, assim, uma questão central: como transformar a riqueza cultural da Zambézia num instrumento de desenvolvimento, capaz de gerar oportunidades para artistas, criadores, promotores de eventos, agentes turísticos e comunidades. 

“Não estamos nesta reunião como meros ouvintes, mas como actores importantes que possam contribuir para construção de um instrumento que possa nortear o sector da cultura”, disse Pio Matos, governador da Zambézia, lembrando aos fazedores das artes e cultura no sentido de partilharem propostas que reflitam a nossa realidade”. 

MUCAPATA E GALINHA À ZAMBEZIANA NA ESTRATÉGIA CULTURAL

Entre as propostas que se pretende ver reflectidas no Plano Estratégico da Cultura está a valorização da gastronomia zambeziana, com destaque para a mucapata e a galinha à zambeziana, pratos que constituem referências da identidade culinária da província.

Mais do que alimentos tradicionais, estas especialidades representam conhecimentos transmitidos entre gerações, práticas comunitárias e formas de expressão da identidade local. A sua valorização pode contribuir para promover a gastronomia como património cultural e como elemento de diferenciação turística.

“Precisamos que os nossos pratos, a nossa mucapata e o nosso caril de coco estejam também na componente de dinamização das indústrias culturais e criativas. Precisamos que festivais como Zalala constem neste plano estratégico, pois ao constar estaremos a dotar os fazedores das artes e culturas de capacidade de gerar renda, incrementando postos de trabalho e assim devolver a dignidade de vida aos nossos fazedores das artes e culturas” disse Ivan Bonde, director nacional das Artes e Cultura

A integração destas referências numa estratégia de promoção cultural poderá abrir espaço para iniciativas que aproximem a gastronomia das actividades turísticas, dos festivais, das feiras culturais e dos circuitos de comercialização de produtos locais.

A aposta na gastronomia constitui, deste modo, uma oportunidade para valorizar os conhecimentos tradicionais e, simultaneamente, criar condições para que cozinheiros, pequenos empreendedores, produtores e outros agentes económicos beneficiem da crescente procura por experiências culturais autênticas.

Para os fazedores das artes e cultura, a questão não se resume à inclusão dos nomes dos pratos tradicionais no documento. O desafio consiste em garantir que a sua valorização seja acompanhada por acções concretas de promoção e divulgação, capazes de projectar a identidade gastronómica da Zambézia para além das fronteiras provinciais.

NIKETCHE NA VALORIZAÇÃO DO PATRIMÓNIO

A proposta de valorização cultural abrange igualmente o Festival de Zalala e de Niketche, este último é dança tradicional praticada na Zona alta da Zambézia. As mulheres e os homens, colocam objectos de latas que criam sons que dão “gosto aos ouvidos”

O Festival de Zalala representa uma oportunidade para promover manifestações culturais, reunir diferentes expressões artísticas e aproximar a cultura das actividades turísticas e económicas. A sua valorização estratégica poderá contribuir para ampliar a visibilidade da província e criar novas oportunidades para artistas e agentes culturais.

A eventual valorização destas referências no âmbito da estratégia cultural poderá contribuir para reforçar a divulgação do património artístico e literário moçambicano, promovendo o diálogo entre a tradição e as expressões contemporâneas.

A intenção é que a cultura da Zambézia seja reconhecida na sua diversidade, incluindo a gastronomia, a literatura, a música, a dança, as festas tradicionais e outras manifestações que caracterizam a identidade dos seus povos.

FAZEDORES DAS ARTES QUEREM PARTICIPAR NAS DECISÕES

A auscultação nacional pretende colocar os fazedores das artes e cultura no centro do processo de elaboração do Plano Estratégico da Cultura 2027–2036.

A participação dos agentes culturais é considerada importante para que as prioridades definidas no documento correspondam às necessidades concretas de quem trabalha diariamente na criação, produção, divulgação e preservação das manifestações artísticas e culturais.

O desafio lançado aos participantes é o de assumirem um papel activo na discussão, apresentando propostas que possam contribuir para a construção de uma estratégia ajustada à realidade do país e às especificidades de cada província.

Na Zambézia, a expectativa é que a diversidade cultural e o potencial criativo dos jovens sejam reconhecidos como processos que podem contribuir para a dinamização das indústrias culturais e criativas.

Este sector pode abrir oportunidades de emprego e geração de rendimento, desde que existam condições para a formação artística, o acesso a financiamento, a circulação de obras, a promoção de eventos e a protecção dos direitos dos criadores.

DO DOCUMENTO À VALORIZAÇÃO EFECTIVA DA CULTURA

Durante dois dias, os actores das artes e cultura serão ouvidos, num processo destinado a recolher contribuições para a matriz do plano estratégico.

O resultado desta auscultação será particularmente importante para determinar em que medida as propostas apresentadas poderão influenciar as prioridades e as acções a desenvolver ao longo da próxima década.

Para Zambézia, a expectativa é que a sua identidade cultural encontre expressão efectiva no documento final, através de iniciativas que promovam as manifestações tradicionais, valorizem os criadores e reforcem a ligação entre cultura, turismo e desenvolvimento económico.

A elaboração do plano representa, assim, uma oportunidade para discutir não apenas a preservação das tradições, mas também a criação de condições para que a cultura continue viva, renove e produza benefícios para as comunidades.

Nova sondagem dá 45% a Flávio Bolsonaro e 44% a Lula da Silva. 2% dos eleitores estão indecisos e 9% não vão votar ou votarão em branco.

A poucos dias da segunda volta das presidenciais de domingo, no Brasil, os dois candidatos continuam em empate técnico. Uma nova sondagem, divulgada nesta quarta-feira, dá 45% das intenções de voto a Flávio Bolsonaro contra 44% para Lula da Silva.

A sondagem da Quaest, encomendada pela Globo e pelo jornal “O Globo”, mostra ainda que 2% dos eleitores estão ainda indecisos, enquanto 9% não tenciona ir votar ou irá votar em branco.

Para o director da Quaest e professor da Fundação Getúlio Vargas, Felipe Nunes, a sondagem mostra um cenário de disputa “muito acirrada”.

“O quadro quase não se alterou entre as duas rodadas. A distância de 2 pontos passou para 1 ponto, mas essa oscilação na margem de erro não nos permite tirar nenhuma conclusão sobre ‘virada’, ‘mudança’ ou ‘vantagem'”, escreveu na rede social X.

Em relação à anterior sondagem da Quaest, divulgada há uma semana, no dia 14, Flávio Bolsonaro perdeu um ponto (tinha 46%) e Lula manteve os 44%. A situação já era de empate técnico e assim se mantém.

Também a percentagem de votos nulos, brancos ou de abstenção, manteve-se nos 9%. Já o número de indecisos subiu (era de 1% na semana passada).

Na primeira volta, realizada em 04 de Outubro, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, uma vantagem de 2.224.965 votos, sendo que, desde a introdução do sistema de duas voltas nas presidenciais brasileiras, em 1989, nenhum candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar conseguiu vencer a eleição.

CONSULADO DO BRASIL EM LISBOA DEIXA ALERTA

O Consulado-geral do Brasil em Lisboa alertou esta semana para a possibilidade de os títulos eleitorais físicos poderem estar desatualizadas e pediu aos cidadãos brasileiros que confirmem os seus dados no ‘site’ do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“O consulado-geral do Brasil em Lisboa recomenda que os eleitores consultem o ‘site’ oficial do Tribunal Superior Eleitoral (www.tse.jus.br) para verificar os dados da sua inscrição eleitoral, especialmente a secção em que estão registados. As informações impressas nos títulos físicos podem estar desatualizadas e não corresponder aos dados atuais do cadastro eleitoral”, alertou a representação diplomática brasileira numa nota de imprensa enviada à Lusa.

Na mesma nota explicou que os títulos emitidos até 2006 que não tiveram movimentação foram excluídos do cadastro eleitoral. Por isso, mesmo que o eleitor ainda tenha o documento físico, ele pode não corresponder a uma inscrição eleitoral ativa, acrescentou.

“Já os títulos emitidos entre 2006 e 2017/2018 podem apresentar informações incorretas ou desatualizadas. A partir de 2017/2018, a Justiça Eleitoral deixou de emitir títulos no antigo modelo de papel-moeda”, referiu.

Assim, o consulado esclarece que os eleitores podem utilizar o e-Título – uma aplicação oficial da Justiça Eleitoral – ou emitir uma versão simplificada do título pelo ‘site’ do TSE, que pode ser impressa em papel.

“A consulta aos dados atualizados nos canais oficiais é fundamental para confirmar as informações eleitorais”, aconselhou.

Especificamente sobre Lisboa, o maior colégio eleitoral fora do Brasil, constituído 78.607 pessoas, o consulado alerta que, no e-Título, “aparece a indicação ‘Universidade de Lisboa – Reitoria – Direito – Letras’, todas juntas, sem distinção”.

O colectivo TP50 vai realizar, a 27 de Novembro, às 20h30, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, o concerto «É Tudo Bons Rapazes: um tributo ao Ghorwane», em homenagem a uma das bandas mais marcantes da música moçambicana. O espectáculo pretende celebrar o percurso artístico do grupo e valorizar o seu legado cultural, que se mantém relevante ao longo de mais de quatro décadas.

Mais do que um concerto, a iniciativa propõe um reencontro com a história, a sonoridade e a identidade dos Ghorwane, cuja obra continua a ocupar um lugar de destaque na música nacional.

Com esta homenagem, o TP50 pretende contribuir para a preservação do património musical moçambicano e destacar a importância da banda na compreensão das transformações culturais e sociais do Moçambique contemporâneo.

A proposta assume-se também como um gesto de reconhecimento artístico e de valorização da memória cultural do país, procurando transmitir às novas gerações o legado de uma banda cujas canções continuam a fazer parte da história musical nacional.

Fiel à sua abordagem multidisciplinar, o TP50 vai combinar a música com outras expressões artísticas, nomeadamente o teatro, a fotografia e a dança. O espectáculo pretende, assim, revisitar o universo dos Ghorwane através das suas canções, memórias, imagens e narrativas, ampliando as formas de celebrar o percurso do grupo.

A obra autobiográfica “O Farol da Minha Vida: Kopeny, Kopeny, Idhugo Onodhidjamula”, da autoria do antigo administrador e figura política moçambicana Cristóvão Cassamo, será apresentada ao público no dia 27 de Outubro, na cidade de Quelimane, província da Zambézia. O livro, publicado postumamente pela Gala-Gala Edições, reúne memórias pessoais, poesia e registos históricos do percurso do autor.

Com 196 páginas, a obra percorre diferentes etapas da vida de Cristóvão Cassamo, desde as origens dos seus antepassados e a infância na ilha de Idhugo, passando pela educação tradicional e pelos ritos de iniciação, até à vida afectiva e conjugal, retratada nos capítulos “O Amor de Cristóvão e Florência” e “Memorial Florência”.

O livro aborda igualmente a carreira profissional e política do autor, que exerceu funções de administrador distrital em Mopeia, Dondo, Inhassunge e Marracuene. O seu percurso é enquadrado numa resenha histórica dos períodos colonial, de transição e da independência nacional.

A obra inclui ainda «Fragmentos de Luzes ou Cadernos de Poemas da Minha Vida!», uma secção dedicada à criação poética de Cristóvão Cassamo, e termina com um caderno de fotografias.

Na nota introdutória, o autor explica que a publicação nasce do desejo de manifestar gratidão à família, à sua terra natal e aos homens que nela habitam. O título reflecte a ligação à ilha de Idhugo, apresentada como fonte de inspiração ao longo da sua vida.

“Kopeny, Kopeny” é uma expressão em echuabo utilizada para solicitar entrada no quintal ou na casa de alguém, enquanto “Onodidjamula” traduz a sensação de algo que serve de farol na vida de uma pessoa. Assim, segundo o autor, “Idhugo Onodidjamula” representa o reconhecimento da ilha como farol e fonte de inspiração.

O editor, Pedro Pereira Lopes, considera que o livro constitui uma viagem no tempo e no espaço, na qual o autor retrata a sua vida e a dos seus contemporâneos através da combinação entre prosa e poesia. Destaca ainda a linguagem simples e cuidada, que recria ambientes e cenários e convida à reflexão sobre a educação tradicional, o amor familiar e as exigências do serviço público.

Integrada na colecção “Individualidades e Espaços”, da Gala-Gala Edições, a obra será apresentada às 09h00, no Auditório da UniLicungo, em Quelimane. A cerimónia é de entrada livre e aberta ao público em geral.

Cristóvão Cassamo nasceu em 1940, na ilha de Idhugo, província da Zambézia, e morreu em 2020. Iniciou os estudos nas Missões Católicas e, durante o período colonial, trabalhou nas Obras Públicas, na Câmara Municipal de Nampula e nos Caminhos de Ferro de Moçambique.

Após a independência nacional, participou na consolidação do Estado moçambicano, tendo desempenhado funções de secretário de grupos dinamizadores. Entre 1978 e 1999, foi administrador dos distritos de Mopeia, Dondo, Inhassunge e Marracuene. Exerceu também funções de deputado da Assembleia Provincial e integrou comissões e brigadas eleitorais até 2017.

A Universidade Eduardo Mondlane atribuiu o nome de Manuela Soeiro, uma das maiores referências do teatro moçambicano, a uma sala de teatro da Escola de Comunicação e Artes. A homenagem reconhece o percurso de cinco décadas dedicadas às artes cénicas, à formação de actores e à promoção do teatro comunitário, num país onde a artista ajudou a afirmar o teatro como instrumento de educação, reflexão e diálogo social.

Aos 81 anos, Manuela Soeiro vê o seu nome associado a um espaço de formação de novas gerações de artistas, numa iniciativa que pretende preservar a memória de uma mulher que marcou profundamente a história cultural do país.

Atriz, dramaturga, encenadora e produtora cultural, Manuela Soeiro dedicou cerca de 50 anos da sua vida ao teatro moçambicano. Fundadora do grupo Mutumbela Gogo, a artista construiu um percurso marcado pela criação e encenação de peças, pela formação de actores e pela descentralização das artes cénicas, levando espectáculos a diferentes pontos do território nacional.

Mais do que reconhecer uma carreira artística, a Universidade Eduardo Mondlane (UEM) pretende transformar o legado da homenageada numa fonte de inspiração para os estudantes da Escola de Comunicação e Artes.

Para o reitor da UEM, Manuel Guilherme, atribuir o nome de Soeiro ao mini-teatro, “ mais do que uma homenagem, é um compromisso de não deixar o seu legado cair no esquecimento”.

Guilherme fala ainda do “compromisso de formar jovens que pensem, que criem e que questionem”, tal como sempre Manuela

 Soeiro fez.

A escolha do nome de Manuela Soeiro surge, assim, como uma forma de aproximar os estudantes da história do teatro nacional e de lhes mostrar o papel que as artes podem desempenhar na transformação da sociedade. Para os participantes na cerimónia, o percurso da artista demonstra que o teatro não se limita aos palcos, podendo também constituir uma ferramenta de intervenção comunitária e de promoção do diálogo entre diferentes grupos sociais.

Ao longo da sua carreira, Manuela Soeiro desenvolveu iniciativas de teatro comunitário, através das quais ajudou a formar grupos locais e a criar condições para que estes prosseguissem as suas actividades de forma autónoma. O trabalho permitiu levar o teatro para além dos principais centros urbanos e aproximar os espectáculos de comunidades com menor acesso a actividades culturais.

Dadivo José, actor e professor de teatro na ECA considera que a experiência de Manuela Soeiro representa uma referência importante para os estudantes da Escola de Comunicação e Artes, sobretudo pela capacidade de utilizar a expressão artística como meio de aproximação entre as comunidades.

“Já aqui temos a inspiração de que os nossos estudantes precisam para perceber que realmente o teatro é uma ferramenta de estabelecimento de diálogo comunitário”.

A homenagem reuniu personalidades ligadas às artes cénicas e familiares da artista, que destacaram o seu contributo para a formação de actores e para a consolidação do teatro como parte do património cultural moçambicano. Entre os aspectos recordados estiveram a paixão com que se dedicou à actividade artística e a influência que exerceu sobre diferentes gerações de profissionais.

Para os presentes, eternizar o nome de Manuela Soeiro numa sala de teatro de uma instituição de ensino superior representa também uma oportunidade para manter o seu percurso presente no quotidiano dos futuros artistas. A iniciativa procura, deste modo, fazer com que o legado da homenageada ultrapasse o reconhecimento público e continue a produzir efeitos na formação cultural e artística do país.

Visivelmente emocionada com a homenagem, Manuela Soeiro manifestou gratidão pelo reconhecimento, mas fez questão de partilhar o mérito com todos os que acreditaram na capacidade de Moçambique desenvolver um teatro próprio e relevante.

“Fico muito grata, mas quero que se saiba que esta homenagem é para todos aqueles que acreditam que Moçambique tem um teatro que está, de facto, a desenvolver. É de todos aqueles que acreditaram que Moçambique era, de facto, um país que podia ter futuro no teatro”, declarou a artista.

A declaração traduz a dimensão colectiva que Manuela Soeiro atribui ao percurso do teatro nacional, reconhecendo o papel dos artistas, dos grupos e de todos os que contribuíram para a sua evolução ao longo dos anos.

Com a atribuição do seu nome à sala de teatro da Escola de Comunicação e Artes, a Universidade Eduardo Mondlane presta homenagem a uma mulher que dedicou grande parte da vida à cultura e ajudou a abrir caminhos para novas gerações de actores e criadores. O desafio passa agora por fazer desse espaço não apenas um lugar de aprendizagem, mas também de continuidade de uma história construída com dedicação, criatividade e compromisso com o teatro moçambicano.

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