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O País – A verdade como notícia

Selecção sub-20 falha conquista da Cosafa

A selecção nacional de futebol Sub-20 falhou, neste domingo, a conquista do Torneio Cosafa da categoria, após perder na final diante a África do Sul,

Selecção sub-20 falha conquista da Cosafa

A selecção nacional de futebol Sub-20 falhou, neste domingo, a conquista do Torneio Cosafa da categoria, após perder na final diante a África do Sul,

O piloto moçambicano Kayo Cêra, de 13 anos, conquistou, este sábado, a vitória na quarta prova do Campeonato de Karting CKA, na classe Júnior Max, disputada no Kartódromo do Automóvel & Touring Clube de Moçambique (ATCM).

A competir pela equipa NBC Team, Kayo Cêra terminou a prova em primeiro lugar, à frente de Enzo Machat, segundo classificado, e Macombe Munhepe, que completou o pódio na terceira posição.

O resultado representa a quarta vitória consecutiva de Kayo na classe Júnior Max, numa temporada que antecede um dos principais desafios internacionais do seu percurso: a participação na 24.ª edição da ROK Cup Superfinal, que terá lugar entre os dias 13 e 17 de Outubro de 2026, no circuito South Garda Karting, em Lonato, Itália.

De Moçambique para o palco internacional

No próximo mês de Outubro, Kayo Cêra voltará a representar Moçambique e o ATCM numa competição internacional que reúne pilotos provenientes de diferentes países e campeonatos nacionais da categoria ROK.

A participação acontece num momento de crescimento do percurso internacional do jovem piloto, que conta já com sete anos de experiência no karting e participações em competições na África do Sul e em Itália.

O percurso inclui ainda três pódios internacionais na África do Sul e dois pódios em Itália, bem como distinções e resultados obtidos em competições internacionais.

Entre os seus principais reconhecimentos encontram-se a Gold FIA Medal e a distinção de Best Mozambican Junior Driver.

Em 2025, Kayo Cêra alcançou ainda o 39.º lugar entre 83 pilotos na categoria Junior ROK.

A competição em Itália representa, por isso, mais uma etapa num projecto de desenvolvimento desportivo que tem como objectivo permitir ao jovem piloto competir regularmente em ambientes internacionais e continuar a evoluir no karting de alta competição.

“Quando corro fora de Moçambique, sei que levo comigo o nome do meu país. Quero dar o meu melhor, aprender com cada corrida e representar o nosso país da melhor forma possível.”

Uma trajectória construída com disciplina e foco

Para Kayo Cêra, a evolução no karting resulta de um processo que envolve treino, concentração, estudo, saber ouvir, alimentar-se bem e descansar, bem como da sua capacidade de aprender com a experiência a cada competição.

Aos 13 anos, o piloto moçambicano concilia a vida escolar com as exigências de uma carreira desportiva em desenvolvimento, numa modalidade em que a preparação começa antes de o piloto entrar na pista.

Como o próprio explica: “Ganhar é importante, mas sei que a vitória é consequência de todo o trabalho que a equipa faz antes da corrida, por isso, procuro treinar, estudar, descansar, ouvir a minha equipa e continuar a aprender.”

Dois desafios internacionais até ao final do ano

Nos dias 28 e 29 de Novembro de 2026, o piloto deverá participar no ROK Cup Festival, evento mundial da categoria ROK, que terá lugar no Franciacorta Karting Track, em Itália.

Será mais uma oportunidade para Kayo competir ao lado de pilotos internacionais e continuar a acumular experiência num dos ambientes mais exigentes do karting.

Entre Outubro e Novembro, o jovem piloto terá, assim, dois importantes momentos no calendário internacional, levando consigo o nome de Moçambique e do ATCM.

Nairobi, capital do Quénia, vai receber em 2029 os Mundiais de atletismo, a primeira edição da competição disputada no continente africano, seguindo-se a cidade alemã de Munique, em 2031, anunciou ontem a World Athletics.

A decisão foi tomada na 242.ª reunião do Conselho Mundial de Atletismo, a decorrer em Budapeste, capital da Hungria, após um processo de candidatura que contou com quatro propostas de “elevada qualidade”, revelou o presidente do organismo, Sebastian Coe, citado em comunicado.

“Nairobi e Munique apresentaram, em última análise, duas propostas convincentes. Oferecem oportunidades muito diferentes, mas igualmente entusiasmantes para a nossa modalidade”, sublinhou o dirigente.

A escolha de Nairobi marca a estreia do continente africano a receber o evento maior da modalidade. Entre outros, a capital queniana já acolhera os Mundiais de sub-18, em 2017, os Mundiais de sub-20, em 2021, e integra desde 2020 o circuito do World Athletics Continental Tour Gold através do Kip Keino Classic.

O palco da competição em 2029 será o Estádio Kasarani, que está a ser alvo de uma remodelação estrutural completa no âmbito dos preparativos para acolher a Taça das Nações Africanas (CAN) de futebol, em 2027.

O Quénia é a segunda Nação mais medalhada da história dos Mundiais de atletismo e concluiu a edição de Tóquio 2025 na segunda posição do quadro de medalhas, com sete títulos e 11 pódios no total.

“Era importante que o Campeonato Mundial de atletismo viesse para África quando tivéssemos o anfitrião certo, a candidatura certa e as circunstâncias certas. Nairobi demonstrou enfaticamente que este é o seu momento”, afirmou Sebastian Coe.

Dois anos mais tarde, em 2031, a competição regressa à Alemanha, 22 anos após ter passado por Berlim, em 2009.

O Estádio Olímpico de Munique voltará a ser o centro das atenções, depois de, em 2018, ter acolhido o Campeonato da Europa e, em 2022, os Europeus multidesportivos, cuja vertente de atletismo atraiu cerca de 267 mil espectadores.

Nos Mundiais de Tóquio, em 2025, a Alemanha arrecadou cinco medalhas, uma das quais de ouro, tendo terminado no terceiro lugar do quadro de medalhas nos Europeus de Birmingham.

“Sabemos que Munique tem capacidade para organizar grandes campeonatos, sabemos que a Alemanha tem um público para o atletismo e acreditamos que Munique 2031 tem todos os ingredientes para ser um espetacular Campeonato do Mundo de atletismo”, sustentou Coe.

Depois da passagem pela capital japonesa no ano passado, o evento agendado para Munique assinala também o regresso dos Mundiais a solo europeu.

A próxima edição da competição decorre em Pequim, de 10 a 19 de Setembro de 2027, mantendo-se o mês de Setembro como horizonte previsto para a realização das edições de Nairobi 2029 e Munique 2031.

A Federação Africana de Futebol (FMF) aceitou a transferência para a cidade de Maputo do jogo da primeira jornada de qualificação ao CAN 2027 entre Moçambique e Senegal. A partida, inicialmente marcada para Dakar, será disputada no Estádio Nacional do Zimpeto, no dia 25 de Setembro.

O adversário dos Mambas nesta partida, Senegal, não tem o estádio disponível para o jogo, que estava inicialmente marcado para ser disputado em Dakar.

“O jogo da 1.ª Jornada da Fase de Qualificação para a Taça Africana das Nações (Pamoja 2027), entre Senegal e Moçambique, inicialmente previsto para o dia 25 de Setembro de 2026, no Stade Abdoulaye Wade, em Dakar, será realizado no Estádio Nacional do Zimpeto, em Maputo. A alteração resulta de um pedido da Federação Senegalesa de Futebol, devido à indisponibilidade do Stade Abdoulaye Wade, que estará ocupado com jogos dos Jogos Olímpicos da região.”, lê-se no comunicado da Federação Moçambicana de Futebol.

Em termos práticos, o que houve foi uma permuta, e assim,  Senegal irá acolher a partida da 5.ª jornada em Dakar. A alteração apenas oferece oportunidade de Moçambique aproveitar a condição de anfitrião na primeira partida do grupo, e realizar dois jogos seguidos sem desgaste de viagem, porque segundo o comunicado…

“Mantém-se inalterado o jogo da 2.ª Jornada, com o Sudão, agendado para 29 de Setembro de 2026, às 15h00, no Estádio Nacional do Zimpeto.”

A FMF termina apelando a todos os moçambicanos a afluir ao estádio para apoiar os Mambas.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC) reivindicou, esta quarta-feira, ataques contra dois navios de guerra norte-americanos e oito petroleiros no Golfo Pérsico, alegando tratar-se de uma acção de retaliação contra ataques dos Estados Unidos a embarcações iranianas.

Num comunicado, a IRGC afirmou que a sua força naval atacou e causou “pesados danos” aos destróieres norte-americanos DDG-119 e DDG-53. A mesma fonte indicou que oito petroleiros foram igualmente atingidos.

A Guarda Revolucionária acrescentou que outras dez embarcações que tentavam atravessar uma zona de navegação restrita no Estreito de Ormuz, alegadamente com apoio e incentivo dos Estados Unidos, também foram alvo de ataques.

Fontes iranianas afirmaram ainda que as forças da IRGC atacaram uma base militar norte-americana localizada na Jordânia. Entretanto, foram registadas várias explosões durante a noite de terça-feira em zonas da ilha de Kharg, no sul do Irão, e na região de Jask.

Por seu lado, o Comando Central dos Estados Unidos informou que as forças norte-americanas destruíram cinco petroleiros iranianos, na sequência de um ataque iraniano contra um navio de guerra dos EUA.

Segundo as Forças Armadas norte-americanas, a Guarda Revolucionária lançou, por duas vezes, ataques com mísseis balísticos contra um navio de guerra da Marinha dos Estados Unidos nos últimos dois dias. O navio conseguiu escapar aos ataques e não houve registo de feridos entre a tripulação norte-americana.

Em resposta, as forças dos Estados Unidos destruíram quatro petroleiros alegadamente ligados à Guarda Revolucionária no Golfo de Omã e outro nas proximidades da ilha de Kharg.

A escalada ocorre numa zona estratégica para o transporte mundial de petróleo, aumentando os receios de uma deterioração do conflito e de possíveis perturbações na navegação comercial no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz.

O governador de Gaza anuncia o decurso de uma investigação que envolve funcionários da Direcção Provincial da Juventude e Desportos, dos serviços de Identificação Civil e professores, na sequência da desqualificação de atletas por falsificação de idades nos Jogos Desportivos Escolares 2026. O caso fez a província, que defendia o título conquistado em 2024, cair para a nona posição da classificação geral.

A província de Gaza, que chegou a Inhambane com o estatuto de campeã da última edição dos Jogos Desportivos Escolares, realizada em 2024, na província de Nampula, regressa a casa na nona posição da classificação geral, depois da desqualificação de vários atletas por falsificação de idades.

A situação manchou a participação da província na edição de 2026. Perante o caso, o governador de Gaza, Alfeu Cuna, anunciou a abertura de uma investigação para apurar as circunstâncias que permitiram a inscrição de atletas com idades alegadamente incompatíveis com os requisitos da competição.

“Gaza registou um total de oito do total de 31 casos no País. Queremos, desde já, anunciar que o caso já está em investigação no Serviço Nacional de Investigação Criminal e, após o fecho, vamos avançar para medidas mais sérias”, garantiu Cuna.

Entre os suspeitos de envolvimento no processo estão funcionários dos serviços de Identificação Civil, encarregados de educação, professores e funcionários da Direcção Provincial da Juventude e Desportos.

“Que há envolvimento de funcionários da Direcção Provincial de Identificação é um facto. Agora, queremos apurar o envolvimento de pais e encarregados, funcionários da Direcção e professores”, destacou.

Alfeu Cuna diz que a investigação deverá ser conduzida com celeridade, de modo a esclarecer responsabilidades e permitir a aplicação de uma penalização exemplar aos envolvidos.

Apesar do revés, a participação de Gaza ficou também marcada por resultados positivos em algumas modalidades.

“Destacamos, nas modalidades, em primeiro lugar, o voleibol feminino e, em terceiro lugar, o andebol masculino, sendo seis medalhas de ouro, cinco medalhas de prata e cinco de bronze. E, nas modalidades colectivas, tivemos 12 medalhas de ouro no voleibol e 12 medalhas de bronze no andebol”, avançou Lurdes Machava, directora provincial da Juventude e Desportos.

Na XVI edição dos Jogos Desportivos Escolares, a província fez-se representar por uma delegação composta por 128 estudantes-atletas e 15 técnicos, que competiram em oito modalidades.

Foi detectado o primeiro caso de falsificação de idades no XVI Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares, que decorre na província de Inhambane.A equipa masculina de voleibol de Gaza foi desqualificada da competição depois de terem sido identificados jogadores com idades falsificadas no jogo diante de Manica, que venceu a partida na secretaria.

A equipa masculina de voleibol de Gaza está fora do XVI Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares. A desqualificação acontece depois de terem sido detectadas irregularidades na idade de alguns jogadores da selecção provincial, durante o confronto com Manica.

Na sequência da irregularidade, Manica foi declarada vencedora da partida na secretaria, enquanto a equipa de Gaza foi afastada da competição.

Este é o primeiro caso de falsificação de idades detectado nesta edição dos Jogos Escolares, que decorrem na província de Inhambane.

A organização deverá continuar a verificar a documentação e a elegibilidade dos participantes ao longo da competição, de modo a garantir o cumprimento das regras estabelecidas.

O XVI Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares reúne delegações das províncias do país e decorre nas cidades de Inhambane e Maxixe.

São oito as modalidades em competição: atletismo, andebol, basquetebol, futebol de onze, ginástica, jogos tradicionais, voleibol de sala e xadrez.

A competição envolve mais de 1.400 estudantes-atletas. O festival arrancou a 29 de Agosto e termina a 6 de Setembro, mantendo em competição estudantes de todo o país durante mais de uma semana.

Enquanto as restantes modalidades prosseguem, o caso de Gaza passa a marcar esta edição dos Jogos Escolares como o primeiro episódio de desqualificação associado à falsificação de idades.

Cerca de 1.500 estudantes-atletas das 11 províncias do país estão em Inhambane para disputar a XVI edição do Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares. Entre a pressão por resultados, os sonhos de chegar aos grandes palcos e a procura de novos talentos, os jogos transformam Inhambane e Maxixe numa montra do futuro do desporto nacional. O Governo garante que há olheiros no terreno e revela que parte dos atletas para os Jogos da Região 5, marcados para Dezembro, em Moçambique, poderá sair desta competição.

Para alguns, é apenas mais uma bola que entra em campo, uma corrida contra o cronómetro ou uma disputa entre duas equipas. Para os cerca de 1.500 estudantes-atletas que chegaram a Inhambane provenientes das 11 províncias do país, porém, estes dias podem significar muito mais. Entre eles há quem queira regressar a casa com uma medalha, quem procure colocar a sua província no lugar mais alto do pódio e quem olhe para estes Jogos Escolares como o primeiro grande palco de um sonho que pode terminar, um dia, numa selecção nacional ou mesmo nos Jogos Olímpicos.

É esta mistura de competição, ambição e descoberta de talentos que movimenta a XVI edição do Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares. Este ano, a organização teve de montar a operação em duas cidades, Inhambane e Maxixe, onde estão distribuídas as seis modalidades em competição. A dimensão do evento impôs desafios que começaram muito antes de os atletas entrarem nos campos: foi necessário garantir alojamento, colchões, alimentação, transporte e condições para receber delegações provenientes de todo o país.

SAMARIA TOVELA: “A ALIMENTAÇÃO ESTÁ GARANTIDA”

Para a Ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, a realização da competição em duas cidades representa uma operação logística exigente, mas as condições essenciais para receber os estudantes estão asseguradas.

A governante reconhece que, no arranque do festival, ainda decorria o reforço de algumas condições nos centros de alojamento, incluindo a disponibilização de colchões, mas garante que os estudantes estão instalados e que a alimentação foi uma das prioridades da organização.

“Estamos todos organizados. Os nossos meninos estão nos nossos centros de internamento e também nas nossas instituições. Equipámos e ainda estamos a completar o que falta em termos de colchões”, explicou Samaria Tovela.

Para a ministra, entretanto, a organização material é apenas uma parte da dimensão dos Jogos Escolares. O encontro de estudantes provenientes de todas as províncias representa também uma oportunidade de convivência e fortalecimento da unidade nacional.

“Acima de tudo, é a alegria que as nossas crianças têm. Este é um momento-chave para elas, essa unidade nacional”, afirmou, acrescentando que a alimentação dos participantes “está toda garantida” e que houve um investimento significativo para assegurar refeições em horários adequados.

Resolvido o desafio de receber e acomodar cerca de 1.500 participantes, começa aquele que, para os estudantes, é o verdadeiro teste: o que acontece dentro do campo.

MADALENA MATOS: GAZA QUER DEIXAR O NOME NA HISTÓRIA

Madalena Matos chegou de Gaza para competir no andebol. Como muitos dos estudantes que participam nesta edição, carrega consigo mais do que a responsabilidade individual. Quando entra em campo, diz representar a família, aqueles que acompanham a competição e a própria província.

O andebol é a modalidade que escolheu e é através dela que pretende afirmar-se nesta edição dos Jogos Escolares.

“Estando aqui hoje, a minha função como atleta é porque eu quero mesmo poder orgulhar a minha família, orgulhar aqueles que nos assistem e deixar o nome de Gaza na história”, afirma.

A ambição de Madalena resume parte do ambiente vivido entre as delegações. Para estes jovens, vencer significa representar uma escola e uma província, mas a competição oferece também uma oportunidade rara de serem observados fora dos lugares onde habitualmente treinam.

E alguns sonhos já ultrapassaram as fronteiras provinciais e nacionais.

IVAN ANTÓNIO SONHA COM OS JOGOS OLÍMPICOS

Ivan António pratica atletismo e representa a província de Maputo. O seu horizonte, porém, está muito para além de Inhambane.

Tem como referência Lurdes Mutola, o maior nome do atletismo moçambicano, e não esconde o tamanho da ambição: quer chegar aos Jogos Olímpicos representando Moçambique.

“O meu sonho também é ser o próximo moçambicano a representar Moçambique nas Olimpíadas no atletismo”, afirma.

Para Ivan, os Jogos Escolares representam, por isso, uma etapa de um percurso que espera levar muito mais longe. E é precisamente nesta idade que muitos dos sonhos que mais tarde chegam ao desporto de alta competição começam a ganhar forma.

Mas enquanto uns encontram nos Jogos Escolares um palco para mostrar aquilo que sabem fazer, outros continuam do lado de fora.

TAEKWONDO TAMBÉM QUER ENTRAR NA FESTA

O Taekwondo não integra as seis modalidades em disputa nesta edição. Ainda assim, os seus praticantes acompanham a competição com uma reivindicação: querem que a modalidade passe a fazer parte dos Jogos Escolares.

Evaristo Mabote, treinador de Taekwondo em Inhambane, sustenta que a expansão da modalidade pelo país e a existência de estudantes que já a praticam justificam a sua integração.

“Esperamos que nas próximas edições o Taekwondo possa fazer parte dos Jogos Escolares, porque a nível nacional já se pratica Taekwondo. Basta ver que em todas as províncias e em vários distritos há praticantes”, defende.

Segundo Mabote, existem atletas em escolas públicas e privadas que conciliam os estudos com a prática da modalidade, razão pela qual considera haver uma base para levar o Taekwondo à maior competição nacional do desporto escolar.

“Esperamos que um dia o Taekwondo possa fazer parte deste leque de modalidades dos Jogos Escolares”, acrescenta.

Enquanto algumas modalidades procuram espaço para entrar, nas que já estão em competição começa outra corrida: encontrar quem pode chegar mais longe.

FÉLIX QUEHA: “TEMOS MUITOS JOGADORES BONS”

Félix Queha acompanhou o processo desde as fases anteriores até chegar à competição nacional. Treinador de futebol da selecção de Inhambane, diz ter identificado jogadores com qualidade desde a fase distrital, passando pela provincial, até ao festival.

“Tem bons talentos, tem muitos jogadores bons. Eu pude ver isso desde a fase distrital até à fase provincial e, até este momento, estamos a ter bons jogadores”, afirma.

Para o treinador, aquilo que está a acontecer dentro dos campos demonstra que existe matéria-prima que pode ser trabalhada para alimentar níveis superiores do futebol moçambicano.

Depois de acompanhar os jogos desta fase, Queha destaca a intensidade da disputa e acredita que os jovens encontrados nestas competições podem, com acompanhamento, chegar a patamares superiores.

A existência do talento, porém, levanta uma questão que acompanha quase todas as competições juvenis: o que acontece aos melhores depois de terminarem os Jogos Escolares?

Desta vez, o Governo diz que não quer deixar a resposta para depois.

 

CAIFADINE MANASSE: HÁ OLHEIROS À PROCURA DE TALENTOS

O Ministério da Juventude e Desportos garante que os Jogos Escolares não estão a ser acompanhados apenas como uma competição. Há olheiros, representantes das federações e técnicos do sector à procura de atletas que possam continuar o percurso para outros níveis.

Caifadine Manasse, Ministro da Juventude e Desportos, diz que esta competição tem sido historicamente um espaço de surgimento de novos talentos e defende a continuidade da aposta nos Jogos Escolares.

“Daqui sempre nascem vedetas e, para nós, é importante continuarmos a acarinhá-los, porque estes jogos juntam crianças de todo o país, unem as crianças, unem o país e aqui vamos forjar cada vez mais talentos para fazerem parte do desporto nacional, internacional e de alta competição”, afirma.

Mas, desta vez, a observação dos jovens tem um objectivo ainda mais imediato.

Moçambique deverá acolher, em Dezembro, os Jogos da Região 5 e o Ministério pretende aproveitar o festival para identificar potenciais atletas para a competição.

“Estamos aqui com olheiros, estamos em peso com toda a equipa do Ministério da Juventude e Desportos e das federações, porque vamos ter os Jogos da Região 5, em Dezembro, em Moçambique, e é daqui onde vamos tirar os talentos para estes jogos”, revelou Caifadine Manasse.

A afirmação aumenta o peso competitivo desta edição. Uma boa prestação pode significar mais do que uma medalha escolar: pode colocar um estudante no radar de quem decide os próximos passos da sua carreira.

Durante os próximos dias, atletas de seis modalidades vão competir entre Inhambane e Maxixe. Haverá vitórias, derrotas, medalhas e campeões. Mas o resultado mais importante desta XVI edição poderá não aparecer no quadro de classificações.

Estará no que acontecer aos jovens depois de regressarem às suas províncias.

Para Madalena, pode ser a oportunidade de deixar o nome de Gaza na história. Para Ivan, um passo num sonho que aponta aos Jogos Olímpicos. Para os treinadores, uma oportunidade de mostrar que há talento por lapidar. E para o Governo, uma montra onde já procura atletas para representar Moçambique.

Porque, para muitos dos 1.500 estudantes que hoje competem em Inhambane e Maxixe, a maior vitória poderá não ser aquilo que conquistarem nestes Jogos Escolares, mas o caminho que conseguirem abrir quando eles terminarem.

A antiga basquetebolista Clarisse Machanguana critica a gestão do basquetebol moçambicano e aponta a falta de investimento como uma das causas do fraco desenvolvimento da modalidade. A antiga internacional, que fez história como a primeira e única moçambicana a jogar na WNBA, diz que os interesses pessoais de alguns dirigentes comprometem os objectivos desportivos.

Clarisse Machanguana foi convidada da Grande Entrevista da Stv desta semana, onde, durante uma hora, revisitou o seu percurso desportivo e a experiência adquirida nas grandes ligas mundiais, com destaque para a WNBA.

Machanguana começou por criticar a situação actual do basquetebol, que, segundo afirma, tem sido condicionada pela existência de agendas pessoais de alguns dirigentes desportivos.

“O que a Federação faz e tem feito,  não está a resultar e que as pessoas que lá estão, infelizmente, têm agendas, que nem sempre a modalidade é prioridade e que às vezes comprometem o resultado da própria instituição.  Mas quem tem que exigir este resultado somos nós, os moçambicanos, mas não só quem está nas lideranças, mas também  os moçambicanos.”, critica Machanguana.

Para Clarisse, a sua candidatura à presidência da Federação Moçambicana de Basquetebol serviu de escola e permitiu-lhe perceber melhor os problemas que afectam a modalidade no país.

“Eu diria que o meu processo a essa candidatura foi uma das melhores escolas de aprendizagem do porquê as coisas não funcionam em Moçambique, porquê os nossos resultados vão abaixo daquilo que se pretende e porquê continuamos a repetir os mesmos erros. Foi esse o maior aprendizado e também reforçou a consciencialização minha de que não preciso de um título para fazer o bem, não preciso de um título para passar o meu conhecimento, não preciso de um título para contactar universidades ou equipas profissionais e para fazer com que um jovem que tem talento, que tem fome, que é disciplinado vá lá fora. Portanto, não preciso esperar que Moçambique acredite em mim para fazer ou que veja a necessidade de usar o meu “know-how” para passar para os jovens. Foi esse o aprendizado.”,   explica a antiga basquetebolista.

A antiga atleta e actual empreendedora social critica também o actual modelo de financiamento do desporto, defendendo maior investimento nas infra-estruturas e na formação de pessoas com capacidade para liderar.

“Sem infra-estruturas faz-se um desporto com muita deficiência, faz-se um desporto em que não se pode atingir o máximo nível porque faltam elementos importantes. Mas eu comecei a jogar basquete há, se calhar, 40 anos e as infra-estruturas já não eram boas. Esse não é o único cancro que impede que os resultados que tanto sonhamos sejam conquistados. Eu diria que é a liderança, é o modelo desse núcleo, desse processo. O investimento político teria, se calhar, de ser em estudar como são eleitas essas pessoas, qual é a finalidade das pessoas que lá vão e como é que se exige resultados, como é que se avalia os resultados e como é que se substitui imediatamente quem não está a produzir. Se o cancro está na liderança, tudo o resto que vem não fará sentido”, anota. 

Machanguana afastou-se do desporto para se dedicar a outras questões sociais, entre elas a problemática da qualidade da educação.

“Mas enquanto os alunos que saírem do ensino do liceu, do ensino secundário, não estarem à altura de produzir para uma sociedade melhor, significa que houve falhas no processo, seja de ensinamento, seja de falta de cadernos, seja de falta de práticas de ensino, qualquer que seja a natureza, a verdade é que o maior cancro está no que aprendemos, porque se não aprendemos, não somos capazes de ter as qualidades ideais para nós melhorarmos. A educação que bebemos e que se transforma naquilo que vemos em casa e que se transforma naquilo que queremos ser na sociedade e que parte de um primeiro professor, que se diz a palavra errada já me condiciona, tanto a educação, sem margem de dúvida.”, conclui. 

A antiga basquetebolista critica ainda o que considera ser um tratamento privilegiado ao futebol, em detrimento de outras modalidades, e defende maior equilíbrio na distribuição dos investimentos no desporto.

A Primeira-Dama da República, Gueta Selemane Chapo, felicitou as atletas moçambicanas Vanessa Muianga e Ana Paula Sinaportar pela qualificação para as meias-finais do Campeonato Continental de Voleibol de Praia – CAN 2026, da Confederação Africana de Voleibol (CAVB).

A qualificação, alcançada em Alexandria, coloca a dupla moçambicana entre as quatro melhores do continente africano e garante, igualmente, a presença de Moçambique no Campeonato do Mundo de Voleibol de Praia, a realizar-se no próximo ano, em Haia.

Numa mensagem de felicitação, Gueta Chapo enaltece a determinação, o espírito de sacrifício e a excelência demonstrados pelas duas atletas, considerando o feito um motivo de orgulho para todos os moçambicanos.

Para a Primeira-Dama, o desempenho de Vanessa Muianga e Ana Paula Sinaportar demonstra também a capacidade da juventude moçambicana de alcançar resultados de elevado nível no panorama desportivo internacional.

Gueta Chapo encorajou as atletas a prosseguirem firmes na competição, mantendo a determinação e a ambição na luta pelas medalhas, tendo desejado sucessos nas meias-finais e nos próximos desafios internacionais.

A Primeira-Dama considera, igualmente, que a conquista da dupla poderá servir de inspiração para outras jovens moçambicanas acreditarem no seu potencial, perseguirem os seus sonhos e contribuírem para o desenvolvimento e engrandecimento do desporto nacional.

 

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