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O País – A verdade como notícia

A Etiópia e a Eritreia romperam relações diplomáticas, na sequência do agravamento dos combates na região de Tigray, no norte da Etiópia, aumentando os receios de um novo conflito de grandes proporções naquela região.

O Governo etíope acusou a Eritreia de apoiar a Frente de Libertação do Povo Tigray (FLPT), que terá lançado ataques contra as regiões vizinhas de Afar e Amhara. Em resposta, Adis Abeba anunciou a expulsão de dez diplomatas eritreus e o encerramento da sua embaixada em Asmara.

A Eritreia, por sua vez, afirmou não ter tido “outra opção” senão adoptar medidas semelhantes e romper as relações diplomáticas com a Etiópia.

Os novos confrontos, retomados na semana passada, já terão provocado centenas de mortos e feridos, enquanto milhares de pessoas foram obrigadas a abandonar as suas zonas de residência. A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou ter tratado mais de 700 pessoas feridas em hospitais de diferentes pontos de Tigray.

A escalada militar está também a aumentar as tensões em toda a região. Etiópia e Eritreia travaram uma guerra fronteiriça entre 1998 e 2000, num conflito que provocou milhares de mortos. As relações entre os dois países começaram a melhorar em 2018, após a chegada de Abiy Ahmed ao cargo de primeiro-ministro da Etiópia.

Entretanto, uma explosão registada no quartel-general militar etíope, em Adis Abeba, aumentou os receios de que a violência possa alastrar para outras zonas do país, incluindo a capital. Até ao momento, não foram esclarecidas as causas da explosão nem o número de eventuais vítimas.

Na frente de combate, forças alinhadas com o Governo etíope afirmam ter retomado o controlo de várias cidades anteriormente ocupadas por combatentes tigrínios. Contudo, a confirmação independente das informações permanece difícil, devido às restrições de acesso à região e às interrupções nas comunicações.

 

Seis pessoas morreram na queda de um helicóptero no Zimbabwe, incluindo o magnata zimbabweano Wicknell Chivayo e a sua esposa, Lucy Muteke, segundo um porta-voz da família e as autoridades.

O acidente ocorreu na tarde de quarta-feira, numa fazenda na área rural de Marondera, na província de Mashonaland Leste, a pouco mais de 70 quilómetros da capital do Zimbabué, Harare.

“Sim, confirmamos que Wicknell Chivayo e sua esposa morreram nesta tragédia”, disse o porta-voz da família, Herbert Chivayo, no local do acidente, em declarações publicadas hoje pelo jornal The Herald.

O porta-voz da polícia, Paul Nyathi, também indicou, na noite de quarta-feira, que a aeronave “transportava seis ocupantes”, embora não tenha divulgado os nomes.

O porta-voz do governo, Nick Mangwana, confirmou que “ocorreu um acidente de helicóptero envolvendo um proeminente empresário, quatro passageiros e dois pilotos”, sem especificar as identidades.

“As informações atuais indicam que não houve sobreviventes neste acidente”, enfatizou Mangwana, endereçando condolências às famílias e amigos das vítimas.

Imagens de vídeo do local do acidente, transmitidas pela emissora pública ZBC, mostram pequenos pedaços da fuselagem espalhados em linha reta por quase 100 metros e a vegetação rasteira carbonizada pelas chamas.

Chivayo, de 43 anos, era um magnata conhecido pela proximidade com o presidente do Zimbabué, Emmerson Mnangagwa, e com o partido do governo União Nacional Africana do Zimbábue – Frente Patriótica (ZANU-PF).

Fundador da Intratrek Zimbabwe – empresa de engenharia e infraestrutura que opera no sector da energia e energias renováveis -, ficou conhecido pelas suas extravagantes demonstrações públicas de riqueza, que contrastavam fortemente com as dificuldades económicas de muitos dos seus compatriotas.

Chivayo frequentemente presenteava músicos, jornalistas, organizações desportivas e forças de segurança com presentes luxuosos.

Uma investigação dos media do Zimbabwe revelou que, entre 2024 e 2025, gastou mais de 9,3 milhões de dólares em carros de luxo e outros presentes.

O bilionário, que em 2004 foi condenado a três anos de prisão por lavagem de dinheiro, também tinha ligações com líderes africanos, como o presidente queniano, William Ruto, que em agosto o convidou para a cerimónia de noivado tradicional da filha, Charlene.

O novo ano lectivo 2026-2027 arrancou, na quinta-feira, no Mali, com mais de 2.400 escolas impossibilitadas de reabrir devido ao agravamento da insegurança e à presença crescente de grupos jihadistas em várias regiões do país.

O ano lectivo foi declarado pelo Presidente Assimi Goïta como o “Ano da Educação e da Cultura”, numa tentativa de colocar o sector da educação entre as prioridades nacionais. Contudo, milhares de crianças iniciam o período escolar sem acesso às salas de aula.

Dados do Ministério da Educação do Mali indicam que o número de escolas encerradas tem aumentado progressivamente nos últimos anos, à medida que a violência se alarga a diferentes zonas do território.

Os encerramentos afectam sobretudo comunidades já fragilizadas pelo conflito, pelos deslocamentos populacionais e pelas constantes perturbações provocadas pela insegurança. A situação reduz as oportunidades de milhares de crianças de prosseguirem a sua formação.

Apesar da prioridade atribuída pelo Governo à educação, a persistência da violência continua a dificultar a reabertura dos estabelecimentos de ensino nas zonas afectadas. Com o início do novo ano lectivo, o Mali enfrenta o desafio de garantir não apenas o regresso das crianças às salas de aula, mas também condições de segurança que permitam manter as escolas abertas de forma regular.

 

Três eurodeputados que estiveram em missão de apuramento dos factos no enclave espanhol de Ceuta, no Norte de África, consideram “grave” a situação humanitária vivida por milhares de migrantes retidos no território e alertam para a degradação das condições no local.

Dois meses depois da chegada em massa de dezenas de milhares de migrantes a Ceuta, três membros do Parlamento Europeu denunciaram, em Bruxelas, alegadas violações dos direitos humanos e defenderam uma solução para as pessoas que permanecem no território. A maioria dos cerca de 72 mil migrantes que chegaram ao enclave regressou a Marrocos poucos dias depois, mas estima-se que milhares tenham permanecido em Ceuta, incluindo menores.

Durante uma conferência de imprensa realizada após a missão de apuramento dos factos, a eurodeputada Estrella Galán, do partido A Esquerda, afirmou que Ceuta não pode transformar-se num espaço de redução de direitos nem num campo de refugiados a céu aberto. Segundo Galán, a resposta das autoridades não deve passar pela manutenção de milhares de pessoas em acampamentos de emergência improvisados. Por sua vez, o eurodeputado Jaume Asens, do Partido Verde, acusou as forças militares de alegados actos de tortura e de tratamento desumano contra migrantes. “Não são acontecimentos isolados. Existe um padrão”, afirmou Asens, acrescentando que algumas patrulhas realizariam rondas nocturnas e agrediriam migrantes.

 

O eurodeputado denunciou ainda alegados actos de humilhação, incluindo roubos, cortes de cabelo forçados e a obrigação de algumas pessoas se ajoelharem para beijar uma cruz cristã ou a bandeira espanhola. Asens considerou que as alegações são particularmente graves, acusando o Estado de actuar contra pessoas que deveriam estar sob sua protecção. As denúncias dos eurodeputados surgem na sequência de acusações semelhantes feitas pela Amnistia Internacional, que responsabilizou as forças de segurança espanholas por alegados actos de tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes contra migrantes retidos em Ceuta.

 

Perante as acusações, o Governo espanhol ordenou às Forças Armadas a abertura de uma investigação interna para identificar os responsáveis por eventuais abusos. Dados do Governo central espanhol apontam para a permanência de cerca de cinco mil pessoas em Ceuta, incluindo aproximadamente 1.200 menores. As autoridades locais, contudo, apresentam estimativas superiores. A chegada repentina de migrantes provocou uma forte pressão sobre os recursos de Ceuta, cidade com cerca de 84 mil habitantes, e gerou descontentamento entre parte da população. As autoridades locais afirmam ainda que o Governo central ignorou sinais de alerta que antecederam a entrada em massa de migrantes através da fronteira com Marrocos.

 

Centenas de pessoas tomaram as ruas da cidade sul-africana de Durban na quarta-feira em um novo protesto contra a imigração ilegal.

O grupo anti-imigrante March e March havia estabelecido a data 30 de setembro como um prazo não oficial para que imigrantes indocumentados deixassem o país. O movimento realizou manifestações em várias províncias.

A África do Sul enfrentou uma intensa campanha anti-imigração nos últimos meses, levando a episódios de violência contra cidadãos estrangeiros.

Vários imigrantes foram mortos, embora o número oficial de mortos permaneça contestado entre autoridades sul-africanas e estrangeiras.

Enquanto isso, mais de 200.000 pessoas fugiram do país, segundo uma contagem da AFP baseada em dados divulgados por governos africanos que repatriaram seus cidadãos.

Os organizadores dos protestos de quarta-feira também disseram que as marchas denunciaram a violência de gênero, após uma série de feminicídios chocar o país.

O antigo Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, anunciou a sua intenção de concorrer às eleições presidenciais marcadas para 6 de Dezembro, afirmando que pretende contribuir para o restabelecimento do Governo civil no país.

Em declarações à agência de notícias AFP, Sissoco Embaló confirmou que será candidato às presidenciais, meses depois de ter sido afastado do poder na sequência de um golpe de Estado, ocorrido no final de Novembro do ano passado.

O Exército assumiu o controlo do poder poucos dias depois das eleições presidenciais, suspendendo o processo eleitoral e afastando Embaló da Presidência. Na altura, alguns observadores levantaram suspeitas de que o próprio Presidente poderia ter estado envolvido na interrupção do processo eleitoral, numa altura em que enfrentava dificuldades no escrutínio. Estas alegações, contudo, não foram comprovadas.

A junta militar, liderada por um aliado próximo de Embaló, marcou novas eleições presidenciais e legislativas para 6 de Dezembro, com o objectivo declarado de restabelecer a ordem constitucional e o Governo civil. Questionado sobre um eventual regresso de Umaro Sissoco Embaló ao país, o líder da junta afirmou que qualquer cidadão guineense é livre de regressar, desde que não tenha questões pendentes com a Justiça.

Activistas guineenses anunciaram, entretanto, nas redes sociais, que estão a preparar o regresso de Embaló ao país no domingo, 4 de Outubro. Para o analista político Malam Cissé, citado pela AFP, não existe, do ponto de vista legal, qualquer impedimento ao regresso do antigo Presidente. “Legalmente, nada impede o regresso de Umaro Sissoco Embaló à Guiné-Bissau. Foi deposto do poder por um golpe de Estado”, afirmou Cissé, acrescentando que o antigo chefe de Estado “não assinou qualquer documento a renunciar ao poder”.

 

O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, anunciou, na terça-feira, novas medidas para combater a violência de género, na sequência de uma série de assassinatos de mulheres que provocou indignação em todo o país. Pelo menos 11 mulheres foram assassinadas em Ekurhuleni, a leste de Joanesburgo, desde meados de Julho. A descoberta dos corpos voltou a colocar em evidência os elevados níveis de violência contra as mulheres na África do Sul, sobretudo depois de o corpo da 11.ª vítima ter sido encontrado no domingo.

 

As autoridades mantêm a região em alerta máximo e investigam a possibilidade de os crimes estarem relacionados. Quatro pessoas encontram-se sob custódia policial. Num pronunciamento transmitido pela televisão, Ramaphosa reconheceu a indignação da população e afirmou que a resposta das autoridades deve ser reforçada. “A nação está furiosa. As mulheres da África do Sul estão furiosas. A sua raiva é justificada. Eu partilho dessa raiva”, declarou o Presidente.

 

Entre as medidas anunciadas está o reforço do combate ao abuso de álcool e a realização de uma auditoria nacional à segurança das mulheres, que deverá ser concluída no prazo de 60 dias. A auditoria deverá levar as autoridades locais a identificar zonas consideradas perigosas ou de elevado risco, incluindo locais com iluminação pública deficiente, edifícios abandonados e parques com níveis insuficientes de segurança.

Ramaphosa ordenou ainda à Polícia e à Procuradoria Nacional que, no prazo de 90 dias, revejam os casos não resolvidos relacionados com homicídios, tentativas de homicídio, violações e outros crimes de violência de género. O Presidente anunciou igualmente a criação de uma resposta de emergência multidisciplinar, a nível nacional, para investigar os assassinatos registados em Ekurhuleni.

Ramaphosa reconheceu que a proximidade entre os locais onde os corpos foram encontrados alimentou receios de que os crimes pudessem estar ligados a um único autor. Contudo, afirmou que, até ao momento, a Polícia não encontrou provas que estabeleçam essa ligação. “Havia, compreensivelmente, um receio generalizado de que a descoberta dessas mulheres em proximidade umas das outras pudesse indicar a acção de um único perpetrador”, afirmou.

O corpo mais recente foi encontrado no domingo, num campo aberto. No sábado, uma outra mulher, parcialmente despida, foi encontrada morta nas proximidades de um cemitério, no mesmo município. Muitas das vítimas tinham entre 20 e 30 anos. Algumas foram encontradas sem roupa e apresentavam sinais de agressão sexual.

 

GOVERNO ADMITE FALHAS

Apesar de a violência de género ter sido declarada uma calamidade nacional no ano passado, Ramaphosa reconheceu que as medidas adoptadas pelo Governo não foram suficientes para proteger as mulheres

“Precisamos de encarar uma verdade incómoda. O que fizemos não foi suficiente. Precisamos de fazer muito mais”, afirmou. As estatísticas oficiais de criminalidade indicam que a África do Sul registou 5.427 homicídios entre Abril e Julho. De acordo com a ONU Mulheres, agência das Nações Unidas para a igualdade de género e o empoderamento das mulheres, a África do Sul apresenta uma das taxas de feminicídio mais elevadas do mundo.

O rei de Marrocos nomeou, na terça-feira, Fátima Ezzahra El Mansouri, presidente da Câmara Municipal de Marraquexe, para o cargo de primeira-ministra, tornando-a a primeira mulher a assumir a chefia do Governo marroquino.

A nomeação ocorreu depois de o Partido da Autenticidade e Modernidade (PAM), de centro-direita, ter vencido as eleições legislativas realizadas na semana passada, conquistando 97 dos 395 lugares da Câmara dos Representantes, mais 31 do que o segundo partido mais votado. Segundo o Gabinete Real, o rei Mohammed VI incumbiu El Mansouri, de 50 anos e antiga ministra da Habitação, de formar o novo Governo.

 

Após a nomeação, a nova primeira-ministra considerou a decisão “verdadeiramente histórica”, destacando o facto de ser a primeira mulher a assumir a liderança do Governo de Marrocos.

“Pela primeira vez na história do nosso país, uma mulher assume a responsabilidade de liderar o Governo”, afirmou El Mansouri, acrescentando que a nomeação constitui motivo de orgulho para todas as mulheres marroquinas. Sem maioria absoluta no Parlamento, o PAM terá de estabelecer uma coligação com outros partidos para formar o Governo. Apesar disso, o rei mantém amplos poderes sobre as principais orientações políticas do país. “O trabalho começa hoje”, declarou El Mansouri, que anunciou consultas internas no partido antes de iniciar negociações com as restantes forças políticas.

El Mansouri aderiu ao PAM em 2008, ano da fundação do partido pelo actual conselheiro real Fouad Ali El Himma. Em 2009, tornou-se a primeira mulher a exercer o cargo de presidente da Câmara Municipal de Marraquexe. Perdeu o cargo seis anos depois, mas regressou à presidência do município em 2021.

 

DESEMPREGO E CUSTO DE VIDA ENTRE OS DESAFIOS

 

O novo Governo terá pela frente desafios relacionados com o desemprego, o custo de vida e as desigualdades sociais, que afectam particularmente a população jovem.

As eleições legislativas ocorreram poucas semanas depois de dezenas de milhares de migrantes, na sua maioria jovens marroquinos, terem entrado no enclave espanhol de Ceuta, numa crise que evidenciou as dificuldades socioeconómicas enfrentadas pela juventude.

O processo eleitoral decorreu também um ano depois de manifestações protagonizadas pela chamada Geração Z, que exigiu melhorias nos sectores da saúde e da educação. El Mansouri reconheceu que o novo Governo enfrentará grandes expectativas por parte da população, sobretudo dos jovens. “Estamos plenamente conscientes de que este período será significativo e marcado por grandes expectativas dos marroquinos, em particular dos jovens”, afirmou, prometendo apresentar “soluções concretas e realistas” para as preocupações dos cidadãos.

 

Durante a campanha, o PAM prometeu alcançar um crescimento económico médio anual de cinco por cento, manter a inflação nos dois por cento e criar pelo menos um milhão de novos empregos ao longo dos cinco anos de mandato. Nas eleições, o PAM foi seguido pelo Reagrupamento Nacional dos Independentes (RNI), que liderava a anterior coligação governamental e conquistou 66 lugares. O partido de direita Istiqlal ficou em terceiro lugar, com 65 lugares. Já o Partido da Justiça e Desenvolvimento (PJD), de oposição e de orientação islamista, conquistou 54 lugares, registando uma recuperação significativa face às eleições de 2021, quando obteve apenas 13 assentos.

O PJD centrou parte da sua campanha no combate à corrupção. O seu líder e antigo primeiro-ministro, Abdelilah Benkirane, classificou os resultados como uma “vitória”, mas afastou a possibilidade de integrar uma coligação liderada pelo PAM, partido que acusou de estar “manchado por fraudes”, sem apresentar detalhes sobre as alegações.

 

O capitão Ibrahim Traoré completa quatro anos no poder no Burkina Faso, período equivalente ao tempo em que Thomas Sankara liderou o país, entre 1983 e 1987. Ambos chegaram ao poder como jovens capitães do Exército, usando boinas vermelhas e defendendo a soberania nacional, o pan-africanismo e uma maior independência económica.

Sankara assumiu o poder em 1983 e lançou a chamada “revolução democrática e popular”, com uma agenda centrada na educação, no empoderamento das mulheres, na auto-suficiência e no incentivo à produção local.

Quatro décadas depois do seu assassinato, em 1987, Traoré apresenta-se como continuador do legado de Sankara, embora num contexto político, económico e de segurança significativamente diferente.

Sob a liderança de Traoré, o Governo nacionalizou minas de ouro, promoveu o desenvolvimento de indústrias locais e lançou o programa Faso Mebo, uma iniciativa de infra-estruturas destinada à construção de estradas e ao desenvolvimento urbano com recurso a meios e materiais locais.

A principal diferença entre os dois períodos, contudo, está no contexto de segurança. O Burkina Faso continua a enfrentar a acção de grupos jihadistas, que afectam extensas áreas do território e mantêm algumas cidades sob bloqueio.

No plano interno, Traoré adoptou igualmente uma linha política mais rígida. Jornalistas, magistrados e membros da sociedade civil foram recrutados à força e enviados para a linha da frente, enquanto as actividades da oposição política foram restringidas.

No plano externo, o Governo de Traoré afastou-se da antiga potência colonial, a França, e aprofundou as relações com a Rússia. O Burkina Faso reforçou ainda a cooperação com o Mali e o Níger, países com os quais criou uma nova estrutura de integração regional, a Confederação dos Estados do Sahel.

A trajectória de Ibrahim Traoré é, assim, marcada pela tentativa de recuperar princípios associados ao legado de Thomas Sankara, mas num país confrontado com uma grave crise de segurança e com profundas mudanças nas suas alianças políticas e estratégicas.

 

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