O governador da província de Inhambane, Francisco Pagula, defende que parte das receitas do turismo permaneça nas comunidades para financiar água, saneamento e estradas. A proposta surge enquanto Inhambane procura atrair investimentos no golfe, apesar das limitações nos transportes.
Francisco Pagula considera que o crescimento do turismo deve beneficiar as populações das zonas de maior procura. Para o governador, a construção de hotéis e estâncias não garante, por si só, benefícios para as comunidades.
“Nós, como província, entendemos que é urgente que se possa introduzir a taxa turística”, afirmou Pagula, defendendo que as receitas sejam aplicadas nas necessidades locais.
O governante pretende que a população identifique obras financiadas pelo turismo, como sistemas de água, unidades sanitárias e estradas pavimentadas.
“É importante que um dia, como governo da província, possamos fazer a entrega de um sistema de abastecimento de água, de uma unidade sanitária, de uma estrada pavimentada, a dizer que isto é fruto da taxa do turista”, explicou.
A proposta ainda não foi aprovada. Pagula não avançou o valor da eventual taxa nem o calendário para a sua introdução. Defende que as receitas tenham impacto nas comunidades e incentivem a preservação dos recursos naturais.
Outra aposta do Governo de Inhambane é o turismo de golfe, visto como oportunidade para atrair visitantes com maior capacidade financeira e diversificar a oferta, actualmente marcada pelas praias e áreas de conservação.
Pagula revelou que existem processos de investimento em curso, ainda numa fase reservada, para instalar infra-estruturas destinadas à modalidade.
“Acreditamos que o golfe, se calhar, é o que faltava para incrementar o nosso estatuto mundial quando se fala de turismo ao nível da nossa província”, declarou.
O governante entende que o segmento poderá estimular empreendimentos, serviços especializados e emprego. Defende a formação de jovens para responder às oportunidades e garantir a participação da mão-de-obra local.
Não foram divulgados os valores dos investimentos, a localização dos empreendimentos ou os prazos de execução.
A ambição de tornar Inhambane uma província mais competitiva enfrenta constrangimentos nos transportes, sobretudo nas ligações aéreas entre Maputo, Vilankulo e a cidade de Inhambane.
Pagula reconheceu que alterações de voos e falta de articulação entre ligações internacionais e domésticas causam transtornos. Turistas de Joanesburgo chegam a permanecer dois dias em Maputo antes de seguirem para Vilankulo. Outros passageiros não conseguem chegar à cidade de Inhambane no mesmo dia.
Para o governador, estas dificuldades prejudicam a competitividade da província. Decorrem contactos com o Governo central para encontrar soluções, incluindo a requalificação do Aeroporto de Inhambane e a ampliação do Aeroporto de Vilankulo.
Embora considere que os aeroportos ainda respondem a parte da procura, Pagula entende que precisam de melhorias.
O Executivo provincial trabalha com pequenas empresas na possibilidade de estabelecer voos charter entre Vilankulo, Inhambane e o Parque Nacional de Zinave. A iniciativa visa facilitar a circulação entre a costa e as áreas de conservação do interior, cujo acesso terrestre continua difícil.
Nas estradas, Pagula manifestou preocupação com as paragens sucessivas de viaturas turísticas. Indicou que cerca de 70% dos visitantes do Sul de Moçambique chegam por via terrestre, provenientes da África do Sul.
O governador considera que turistas que cumpriram os procedimentos fronteiriços não deveriam ser sujeitos a verificações repetidas, salvo em caso de infracção rodoviária.
Como alternativa, revelou que foi submetida ao Governo central uma proposta para identificar viaturas turísticas que tenham cumprido as formalidades fronteiriças. A ideia é colocar um elemento no vidro, permitindo às autoridades reconhecer que os procedimentos de entrada já foram realizados.
“Para nós, não faz sentido que um turista deva ser parado na fronteira e depois deva ser parado em outros lugares até chegar ao destino”, afirmou.
Pagula esclareceu que a proposta não pretende impedir a fiscalização de infracções como excesso de velocidade ou condução sob efeito de álcool, mas reduzir procedimentos repetitivos que prejudiquem a experiência dos visitantes.
Além das infra-estruturas, o Governo provincial pretende melhorar os serviços. Uma das medidas é formar agentes da Polícia de Trânsito em inglês, para facilitar a comunicação com turistas. Para Pagula, o domínio da língua é necessário para reforçar a presença da província no mercado internacional.
Na vertente económica, o Executivo aposta na capacitação de pequenos produtores agrícolas e pecuários, para melhorar a produção e fornecer os estabelecimentos turísticos. O objectivo é integrar produtores locais nas cadeias de abastecimento e alargar os benefícios do turismo.
O governador defendeu a sensibilização das comunidades para a importância do acolhimento, recorrendo à expressão “turistificar as mentes” para descrever a necessidade de desenvolver uma cultura de hospitalidade. A forma como os turistas são recebidos pode influenciar a decisão de regressar.
As propostas surgem quando Vilankulo se prepara para acolher o Mozambique Tourism Summit, encontro que deverá reunir Governo, investidores e operadores para discutir oportunidades de investimento e o turismo nacional.