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Fórum Rússia-África reforça aposta de Moçambique na valorização dos recursos africanos

A defesa da soberania económica e da transformação dos recursos naturais em valor acrescentado para o desenvolvimento dos países africanos marcou a abertura, ontem, do Fórum Económico e Humanitário Rússia–África, em Moscovo, uma abordagem que converge com a agenda defendida pelo Presidente da República, Daniel Chapo, em diferentes fóruns internacionais.

O Chefe do Estado participa no encontro que reúne líderes africanos e representantes do sector empresarial, numa altura em que Moçambique procura aprofundar parcerias capazes de contribuir para a industrialização, valorização dos seus recursos e criação de oportunidades de emprego e desenvolvimento.

Na sessão de abertura, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, destacou o crescente peso de África na economia e na política mundial, considerando que o continente possui recursos naturais, potencial demográfico e uma posição estratégica nas principais rotas comerciais internacionais.

Putin defendeu que os países africanos devem ter maior capacidade para gerir os seus próprios recursos e destiná-los às suas prioridades de desenvolvimento, particularmente nos sectores da energia, indústria, transportes e logística. “Isso significa que a soberania tecnológica e a jurisdição são criticamente importantes”, afirmou, ao abordar também os desafios colocados pelas novas tecnologias.

O Presidente russo apontou igualmente a necessidade de aprofundar a cooperação económica com África, destacando sectores como energia, agricultura, indústria, mineração, transportes e tecnologias digitais. Segundo Putin, o volume do comércio entre a Rússia e África ultrapassou 27 mil milhões de dólares no último ano, contra 18 mil milhões em 2022.

Putin considerou ainda que a cooperação entre a Rússia e os países africanos deve abranger projectos de infra-estruturas energéticas e de transporte, agricultura, indústria e tecnologias modernas, incluindo as áreas digital e de telecomunicações. A Rússia, disse, está igualmente disposta a partilhar competências e conhecimentos tecnológicos com os países africanos.

A intervenção do Presidente em exercício da União Africana e do Burundi, Évariste Ndayishimiye, reforçou a necessidade de uma nova abordagem na utilização dos recursos do continente, defendendo que África deve deixar de ser apenas fornecedora de matérias-primas e passar a participar nas diferentes etapas da sua transformação.

“Nós não queremos ser simplesmente a fonte de recursos, nós gostaríamos de nos tornar actores activos e participar nos projectos de transformação e inovação”, afirmou Ndayishimiye, defendendo maior investimento no agronegócio, energia, infra-estruturas, transportes, ciência e tecnologia.

O Presidente em exercício da União Africana apelou igualmente à criação de condições para que os recursos sejam transformados nos próprios países africanos, permitindo gerar competências, empregos e valor acrescentado. “Nós não queremos exportar simplesmente os recursos naturais para depois importar os produtos feitos”, sublinhou.

Para Moçambique, estas prioridades encontram espaço na agenda do Presidente Daniel Chapo, que tem defendido a necessidade de transformar o potencial dos recursos naturais em benefícios concretos para os moçambicanos, através do aumento da capacidade produtiva, industrialização, transferência de tecnologia e criação de emprego. A participação do Chefe do Estado no Fórum Rússia–África insere-se, assim, nos esforços de identificação de novas parcerias para acelerar o desenvolvimento económico do país.

Neste contexto, a participação de Moçambique no fórum constitui também uma oportunidade para acompanhar propostas de cooperação em sectores estratégicos para o país, tendo em conta o potencial nacional nas áreas de energia, mineração, agricultura e infra-estruturas. 

O debate sobre a valorização local dos recursos coloca em evidência a importância de parcerias que contribuam para aumentar a capacidade produtiva e gerar benefícios económicos mais amplos.

A cooperação económica e humanitária Rússia–África surge, deste modo, como uma das plataformas para o aprofundamento das relações entre o continente e parceiros internacionais, com enfoque na concretização de projectos, transferência de competências e criação de condições para que os recursos africanos contribuam directamente para o desenvolvimento e o bem-estar das populações.

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