A Administração Regional de Águas do Norte alerta para o risco de ocorrência de inundações na região do baixo Nante, na Zambézia, sobretudo no distrito da Maganja da Costa, bem como nalguns pontos do distrito de Angoche, em Nampula. A grande preocupação centra-se no período de Janeiro a Março de 2027.
Moçambique prepara-se para viver impactos opostos do mesmo fenómeno meteorológico, o el-nino, na época chuvosa que começa oficialmente a 1 de Outubro. Enquanto para o Sul prevê escassez de chuva, o Norte poderá registará chuva em abundância.
“Neste período de Outubro, Novembro e Dezembro estamos a falar de 50 a 80 milímetros, mas no primeiro trimestre de 2027 aí contamos com ciclones por isso esperamos uma precipitação de 120 a 200 milímetros por dia e é uma precipitação que tem trazido impactos extremamente altos. Estamos a falar a partir dos meses de Janeiro, Fevereiro e Março”, alertou Carlitos Omar, director-geral da Administração Regional das Águas do Norte, ARA-Norte.
A situação gera maior preocupação ainda porque as seis barragens da jurisdição da Administração Regional de Águas do Norte estão com um nível de encaixe, neste momento, acima de 90%. “É muita água que vamos começar agora a fazer algumas descargas controladas para algumas barragens para prepararmos a época chuvosa que já vai iniciar”, disse Omar em declarações aos jornalistas.
E há zonas onde espera-se maior impacto das inundações, devendo afectar mais de um milhão e seiscentas mil pessoas, pelo que nalguns casos haverá necessidade de retirada antecipada das pessoas para evitar danos maiores.
“Estamos com o INGD para fazermos um trabalho extremo e se for necessário usarmos as autoridades locais. As pessoas devem sair. Não Devem esperar para ver. Temos experiência não muito boas em que as comunidades dizem que a água é como visita, vem e vai, mas esta quando vem e vai faz destruições. Os sítios são os mesmos: baixo Nante, na Maganja da Costa, Aube, na província de Nampula, na província de Cabo Delgado, em Megaruma, aí o impacto maior tem sido o corte de estrada, na bacia de Montepuez também temos tido corte de estrada e algumas áreas inundadas. Então, são áreas tão específicas que conhecemos e mapeamos com sinal vermelho se a previsão se confirmar”, alertou Carlitos Omar.
O Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos mobiliza recursos para a construção de novas infra-estruturas de retenção de água, como represas e barragens para reduzir os impactos das chuvas. No Niassa, por exemplo, está em curso a construção de uma nova barragem de Locómuè, em Lichinga, para aumentar a capacidade da já existente.
Para melhor preparação e coordenação das acções relativas à época chuvosa 2026-2027, a ARA-Norte junta técnicos da instituição e empresas gestoras de barragens, num encontro de dois dias.