O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, defende mais financiamento para a adaptação às alterações climáticas e uma maior capacidade de resposta aos danos provocados pelo clima. Guterres quer que os países desenvolvidos cumpram os compromissos assumidos e reforcem o apoio aos países mais vulneráveis.
A posição foi defendida nesta terça-feira, em Nova Iorque, na abertura da 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, que reúne chefes de estado e de governo para discutir os principais desafios internacionais.
No seu discurso, Guterres colocou a questão climática como um desafio mais amplo e defendeu a necessidade de preservar os princípios que sustentam a Organização das Nações Unidas.
“Precisamos de justiça climática, com foco na adaptação e no financiamento. Os países desenvolvidos devem respeitar os seus compromissos. Devem triplicar o financiamento para a adaptação e fazer com que o Fundo de Perdas e Danos funcione em escala. Os fundos actualmente disponíveis no Fundo de Perdas e Danos são ridiculamente pequenos”, disse.
Guterres defendeu ainda que a paz, o desenvolvimento e os direitos humanos devem continuar a ser prioridade de todos, e que a carta das Nações Unidas deve continuar a ser a base da cooperação internacional.
“A Organização das Nações Unidas existe porque o poder requer regras e a humanidade precisa de um lugar onde o poder responda aos princípios. E a Carta das Nações Unidas não deixa espaço para uma leitura selectiva. A Carta criou uma organização baseada em três pilares: a paz, o desenvolvimento e os direitos humanos. E estes não são temas separados, são uma realidade interligada. Não há paz sem desenvolvimento, não há desenvolvimento sem paz, e não há paz nem desenvolvimento sem direitos humanos. Pretender que a paz pode ser separada da dignidade, das oportunidades e dos direitos humanos é uma ilusão inaceitável.”
O discurso teve, também, um significado particular para Guterres. É a sua última participação na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, enquanto secretário-geral do órgão, cargo que deixará no final deste ano.
Na despedida, garantiu que a saída do cargo não significará o fim do seu compromisso com os valores que defendeu durante o mandato.
“No dia 1 de Janeiro, quando eu já não for Secretário-Geral, tenham a certeza disso: onde quer que eu esteja, o que quer que eu faça, continuarei a defender a convicção de que a paz é possível, que a dignidade humana é universal, que o poder da lei não deve prevalecer sobre a lei do mais forte e que o nosso futuro comum vale a pena ser defendido. Continuarei a defender os valores da Carta das Nações Unidas e nunca, nunca vou desistir”, conclui António Guterres.
António Guterres termina o segundo mandato como secretário-geral das Nações Unidas a 31 de Dezembro de 2026.