A Estação de Tratamento de Águas Residuais do Vale do Infulene enfrenta dificuldades para assegurar a sua sustentabilidade financeira. A infraestrutura custa à Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo cerca de 2,5 milhões de meticais por mês, valor superior às receitas que gera.
Perante o défice, a Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo está a procurar parceiros para garantir a continuidade do funcionamento da estação, cujo financiamento é actualmente assegurado através de fundos próprios da empresa.
“É um desafio, porque estamos numa situação deficitária. Ou seja, o que nós gastamos mensalmente para manter a estação é superior aos recursos ou às receitas que nós recebemos. Portanto, estamos a retirar fundos de outras actividades para garantir a sustentabilidade da estação”, explicou o presidente do Conselho de Administração da Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo, Borges Nogueira da Silva.
Segundo o responsável, a empresa está a desenvolver iniciativas para encontrar mecanismos que permitam tornar a infraestrutura financeiramente sustentável, incluindo através do envolvimento de parceiros de desenvolvimento.
“Não tenho aqui números, mas estamos a falar na ordem de 2,5 milhões de meticais”, disse Borges Nogueira da Silva, referindo-se aos custos mensais de funcionamento da estação.
Um dos potenciais parceiros é o Banco Africano de Desenvolvimento, que visitou a infraestrutura esta segunda-feira, num primeiro contacto tendo em vista uma possível cooperação.
Para o enviado residente do Banco Africano de Desenvolvimento em Moçambique, Rômulo Corrêa, a estação apresenta potencial para a implementação de uma economia circular, através do reaproveitamento dos resíduos tratados.
“É interessante e chama a atenção do BAD o potencial de implementar uma economia circular, de aproveitar aqueles dejectos que talvez antes não teriam um uso muito específico, para se fazer um uso mais apropriado, no sentido de apoiar a agricultura com fertilizantes ou mesmo com biogás e apoiar a transformação energética de Moçambique”, afirmou.
A aproximação ao Banco Africano de Desenvolvimento faz parte de uma estratégia mais ampla da Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo para mobilizar apoio técnico e financeiro junto de diferentes parceiros de desenvolvimento.
“Nós vamos continuar a conversar com o BAD e com as outras agências para ver se conseguimos mobilizar a assistência técnica para a Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem e, a partir dessa assistência técnica, podemos, através dessas agências de desenvolvimento, elaborar projectos”, explicou Borges Nogueira da Silva.
O presidente do Conselho de Administração da Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo considera que o desafio é maior num contexto marcado pelas alterações climáticas, defendendo a necessidade de encontrar soluções sustentáveis para o funcionamento da infraestrutura.
Para além da apresentação do projecto, a Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo e os potenciais parceiros deverão discutir oportunidades de cooperação e financiamento nas áreas do saneamento e da drenagem.