A segurança, o combate à corrupção e o envolvimento de todos os moçambicanos na produção são apontados como alguns dos principais caminhos para a conquista da almejada independência económica do País.
À margem das celebrações do 7 de Setembro, Dia dos Acordos de Lusaka, várias figuras do Estado comentaram a mensagem deixada pelo Presidente da República, que colocou a independência económica como uma das grandes metas da actual governação.
Para a presidente do Conselho Constitucional, Lúcia Ribeiro, o reforço da segurança, particularmente face à situação do terrorismo, pode contribuir para restaurar a confiança dos investidores e criar melhores condições para o crescimento económico.
A presidente diz, entretanto, olhar para o futuro com esperança.
Lúcia Ribeiro defende, igualmente, maior firmeza no combate à corrupção.
“A corrupção acaba assim. Quando houver cometimento e firmeza de denunciarmos a corrupção, quando houver firmeza e cometimento de não aceitarmos nem sermos corrompidos e também que os órgãos que julgam esses processos sejam céleres”, defendeu.
Para a presidente do Conselho Constitucional, a denúncia, a recusa em aceitar práticas corruptas e a celeridade na responsabilização dos envolvidos podem transmitir à sociedade uma mensagem clara sobre as consequências da corrupção.
A presidente da Assembleia da República, Margarida Talapa, considera que a conquista da independência económica deve ser uma responsabilidade colectiva.
Segundo Talapa, cada moçambicano é chamado a fazer a sua parte, unindo-se em torno das orientações definidas para o desenvolvimento do País e participando activamente no combate aos males que afectam a sociedade, com destaque para a corrupção.
“O mais importante é nos unirmos em volta deste discurso e cada um fazer a sua parte”, afirmou.
A primeira-ministra, Benvinda Levi, defende que a actual geração deve inspirar-se no espírito de sacrifício e resiliência dos combatentes que conduziram a luta pela libertação nacional.
Para Levi, a conquista da independência económica exige o mesmo nível de compromisso, num processo que passa pelo reforço da segurança e pelo cumprimento do papel das instituições responsáveis pela defesa da ordem e tranquilidade públicas.
“Nós nos inspiramos nos combatentes que conduziram a luta pela libertação nacional para, com o mesmo sacrifício, a mesma resiliência, conquistar a independência económica que é agora a mensagem-chave desta governação”, explicou.
A aposta na produção, sobretudo entre os jovens, foi outro dos aspectos destacados pelo ministro da agricultura, depois de acompanhar as cerimónias centrais do dia da vitória.
Roberto Albino apelou a uma maior participação da juventude nos sectores produtivos, com particular atenção para a agricultura e as pescas.
“Nós queremos os jovens engajados na produção. E no sector da agricultura e pesca é onde queremos mais jovens a produzir.”
O governante entende que o País precisa de jovens mais engajados na produção, como parte do esforço colectivo para alcançar a independência económica.
As intervenções convergem, assim, na ideia central de que a independência económica não será conquistada apenas através das decisões do Governo, mas dependerá da participação de cada cidadão, do reforço da segurança, do aumento da produção e de um combate firme à corrupção.
REACÇÕES DOS POLÍTICOS E DIPLOMATAS
A industrialização do País, a necessidade de ultrapassar os obstáculos ao desenvolvimento e o reforço da cooperação internacional marcaram as reflexões sobre os desafios e perspectivas de Moçambique entre políticos e diplomatas presentes nas cerimónias centrais do dia 7 de Setembro, nesta segunda-feira.
O secretário-geral da Frelimo, Chaquil Abbobacar, defendeu a aposta na industrialização como um dos caminhos para garantir que os recursos nacionais possam gerar benefícios mais amplos para os moçambicanos.
Para Abbobacar, o desafio passa por transformar os recursos existentes em riqueza e assegurar uma distribuição mais equitativa dos benefícios resultantes do crescimento económico.
“Temos de industrializar o nosso país para podermos garantir que os recursos que temos possam, efectivamente, beneficiar os moçambicanos e contribuir para uma distribuição mais equitativa da riqueza”, defendeu o secretário-geral da Frelimo.
Já o presidente do PODEMOS, Albino Forquilha, considera que, apesar dos progressos registados, persistem problemas estruturais que continuam a limitar o desenvolvimento do País.
Forquilha entende que Moçambique ainda tem um longo caminho a percorrer para transformar o seu potencial em desenvolvimento e melhorar as condições de vida da população.
“Há função pública monopolizada… Então, este tipo de problemas impedem o desenvolvimento do País, que era aquele que os moçambicanos tinham em manga quando pegaram as armas para lutar para libertar este país. Ainda há muito que se fazer”, afirmou o presidente do PODEMOS.
A visão sobre o futuro do País foi também partilhada por representantes do corpo diplomático acreditado em Moçambique.
O embaixador da Ucrânia, Rostyslav Tronenko, afirmou que o seu país está disponível para continuar a cooperar com Moçambique em áreas consideradas prioritárias para o desenvolvimento.
“Estamos prontos para apoiar Moçambique e continuar a trabalhar conjuntamente nas áreas que forem definidas como prioritárias para o desenvolvimento do País”, declarou.
Na mesma linha, o embaixador do Egipto, Mohamed Fargha, reafirmou a disponibilidade do seu país em reforçar a cooperação bilateral e apoiar Moçambique em diferentes sectores de interesse comum.
“O Egipto está disponível para continuar a cooperar com Moçambique e apoiar os esforços de desenvolvimento nas áreas consideradas prioritárias”, referiu o diplomata.
As declarações surgem num momento em que o País volta a discutir os caminhos para a consolidação da sua independência económica, num contexto marcado pela necessidade de aumentar a produção, industrializar a economia, combater os factores que travam o desenvolvimento e mobilizar parcerias para responder aos desafios nacionais.