Os antigos Presidentes da República Joaquim Chissano, Armando Guebuza e Filipe Nyusi consideram que o 7 de Setembro representa mais do que a conquista da Independência Nacional. Para os três estadistas, a data simboliza, também, a conquista do direito de os moçambicanos tomarem decisões sobre o seu próprio País, enquanto Estado soberano.
Os antigos Chefes de Estado falavam nesta segunda-feira, em Maputo, após assistirem às cerimónias centrais dos 52 anos do Dia da Vitória, realizadas na Praça dos Heróis Nacionais.
Para Armando Guebuza, antes da independência, Moçambique era dominado por estrangeiros, e os moçambicanos não tinham capacidade de tomar decisões de importância sobre o seu próprio País. Por isso, defende que a celebração do 7 de Setembro deve servir para reafirmar a determinação que esteve na base da Luta de Libertação Nacional.
“Este País era dominado por estrangeiros. E, neste País, nós, os nacionais, não tínhamos possibilidade de tomar qualquer decisão de importância. Por isso, este dia, ao celebrar, deve ser um momento em que procuramos reafirmar a nossa determinação de fazer aquilo que nos fez fazer este combate e ter as vitórias que nós tínhamos”, afirmou Guebuza.
Joaquim Chissano destacou, por seu turno, o papel desempenhado por diferentes forças na conquista da independência, salientando que a vitória resultou, não apenas da luta armada, mas também da acção política e diplomática.
Segundo Chissano, as conversações que culminaram na assinatura dos Acordos de Lusaka foram possíveis porque Portugal reconheceu a inutilidade da guerra colonial. O antigo Presidente sublinhou ainda o contributo dos povos da Guiné-Bissau e de Angola, bem como dos portugueses progressistas, na luta pela independência dos territórios africanos sob domínio colonial português.
“Nós tivemos as conversações em Lusaka porque os portugueses tinham compreendido que a guerra colonial era inútil. E foram os soldados portugueses com quem combatíamos que foram os primeiros a conhecer essa realidade”, explicou.
Chissano acrescentou que “não foi só a nossa luta”, destacando igualmente a participação dos povos da Guiné-Bissau e de Angola e dos portugueses progressistas, com quem, segundo disse, houve cooperação na luta política e diplomática.
Já Filipe Nyusi considera que, conquistada a independência e alcançada a soberania, cabe à actual geração, sobretudo à juventude, assumir a responsabilidade de conduzir o País para novos patamares de desenvolvimento.
O antigo Presidente destacou a necessidade de uma nova batalha, desta vez económica, defendendo que os jovens devem assumir um papel activo na construção do futuro do País.
“Agora, o Presidente definiu claramente que vamos para a batalha económica”, afirmou Nyusi, acrescentando que esta etapa deve ser acompanhada por outras conquistas, uma vez que “com guerra não se pode fazer muito” e “sem soberania também não se pode trabalhar mais”.
“Por isso, vamos estar numa fase em que todos nós, os jovens, trabalhando, vamos levar o nosso país para os patamares que pretendemos”, concluiu.
Além dos antigos Chefes de Estado, as cerimónias do Dia da Vitória contaram com a presença de dirigentes políticos, membros do corpo diplomático e outras individualidades.