O surto, que as autoridades descrevem como o de crescimento mais rápido na história do país, regista já 2.911 mortos.
Num momento de profunda preocupação face à progressão da epidemia, cinco sobreviventes do vírus do Ébola receberam alta hospitalar, em Béni, na região leste da República Democrática do Congo (RDC). Entre os recuperados, que receberam os certificados de cura após tratamento nas unidades dos Médicos Sem Fronteiras e do Hospital de Béni, encontra-se um profissional de saúde.
Ao abandonarem as unidades de tratamento, os sobreviventes manifestaram a sua gratidão às equipas médicas que os assistiram e deixaram um apelo aos seus compatriotas: que procurem tratamento imediato caso apresentem sintomas da doença.
Para as autoridades e profissionais de saúde que coordenam a resposta ao surto, a ocasião foi marcada por emoção. O chefe da coligação de resposta classificou o dia como “memorável” e um “motivo de orgulho” para os seus colaboradores. Contudo, o optimismo gerado pela alta dos cinco pacientes é ensombrado pela gravidade dos números globais.
No mesmo dia em que se celebrava a recuperação dos pacientes, as autoridades confirmaram que o surto no país africano ultrapassou a barreira dos 6.000 casos. De acordo com os registos oficiais, a epidemia, e de crescimento mais rápido na história da RDC provocou já 2.911 óbitos. Embora as autoridades considerem “encorajador” o facto de mais de 1.360 pessoas terem conseguido recuperar do vírus, a situação epidemiológica permanece crítica.
UM SURTO SEM CONTROLO
O cenário no leste do Congo é descrito como extremamente complexo. A propagação do vírus é alimentada por um contexto de grande instabilidade: a insegurança, o elevado número de deslocados, uma greve dos profissionais de saúde e os constantes movimentos populacionais dificultam o trabalho das equipas de terreno. A situação é particularmente alarmante nos campos de deslocados, onde as condições de vida são precárias.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu alertas preocupantes, indicando que o surto, agora descontrolado, segue uma trajectória que ameaça ultrapassar o impacto da epidemia de Ébola na África Ocidental, ocorrida entre 2014 e 2016 o surto mais mortífero alguma vez registado, que vitimou mais de 11.000 pessoas, sobretudo na Guiné, Libéria e Serra Leoa.
Embora a declaração oficial do surto tenha ocorrido em meados de Maio, as autoridades acreditam que o vírus circulava silenciosamente desde Fevereiro. A doença expandiu-se rapidamente, passando de três zonas de saúde para quase sessenta. A maior preocupação das autoridades reside no facto de a maioria dos casos e das mortes ocorrer fora da rede de contactos monitorizados, propagando-se de forma invisível no seio das comunidades.