O Governo, através da MozParks, iniciou a construção da Vila de Pequenas e Médias Empresas no Parque Industrial de Topuito, distrito de Larde, na província de Nampula, com o objectivo de aproximar fornecedores nacionais da cadeia de valor da Kenmare e criar condições para que mais empresas locais passem a fornecer bens e serviços à indústria de areias pesadas.
A primeira pedra da infra-estrutura foi lançada nesta semana, dando início a um projecto que deverá ocupar uma área de 10 hectares e concentrar, numa primeira fase, cerca de 50 pequenas e médias empresas. A expectativa das autoridades é que a iniciativa contribua para reter no distrito uma parte maior do valor gerado pela actividade mineira e amplie as oportunidades de emprego e negócio para a população local.
“Esta vila de pequenas e médias empresas passará a garantir que os fornecedores da Kenmare sejam localizados no distrito de Larde, em Topuito, fazendo com que, ao produzir as referidas peças localmente, possam ser gerados empregos para a população local”, explicou Onório Manuel, director-geral da MozParks.
O projecto é uma iniciativa do Governo, financiada pelo Banco Mundial através do projecto de Ligações Económicas para a Diversificação, denominado Conecta Negócios. A implementação está a cargo da MozParks, em coordenação com a Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), e deverá decorrer ao longo de um ano.
A construção está orçada em 600 milhões de meticais e prevê, para além dos espaços destinados às empresas, a criação de infra-estruturas de apoio à actividade industrial e comercial. Entre elas estão armazéns e um centro de formação, concebidos para responder às necessidades dos fornecedores e preparar mão-de-obra para as oportunidades que deverão surgir com a expansão da cadeia de fornecimento local.
“Vamos ter armazéns para serem utilizados para vários fins, desde o armazenamento de peças e outros vários bens necessários para a produção da própria Kenmare, mas também para a própria economia local. Vamos ter também a construção de um centro de formação para garantir que o capital humano se prepare adequadamente para essas oportunidades”, avançou Onório Manuel.
Com a instalação das 50 empresas, as autoridades estimam que a vila possa contribuir para a criação de até 10 mil postos de trabalho, entre directos e indirectos. O número inclui empregos que poderão surgir nas próprias empresas instaladas no parque, bem como actividades de transporte, logística, manutenção, armazenamento, comércio e outros serviços associados à nova dinâmica económica.
Mais do que uma infra-estrutura de apoio à Kenmare, a vila é apresentada pelo Governo como parte de uma estratégia de desenvolvimento de fornecedores nacionais e de maior integração da actividade mineira na economia local. A intenção é criar condições para que a exploração de recursos naturais produza efeitos mais abrangentes sobre o tecido empresarial e o emprego.
O projecto está igualmente associado aos planos do Governo para aumentar a capacidade de processamento de recursos minerais dentro do País. Segundo o director-geral da MozParks, a nova fase exigirá investimentos adicionais em infra-estruturas básicas, nomeadamente estradas e energia, de modo a criar condições para o processamento local dos minérios.
“É por isso que uma das componentes é garantir que se construam estradas, que se traga uma quantidade de energia que seja, pelo menos, necessária para esta fase futura que vai seguir-se, de processamento de minérios”, afirmou o responsável.
A perspectiva é que o desenvolvimento de fornecedores e a criação de capacidade industrial em Topuito acompanhem a evolução da actividade mineira e contribuam para uma maior retenção de valor no País. Para as pequenas e médias empresas, a presença de um grande comprador como a Kenmare representa, por outro lado, uma oportunidade de acesso a um mercado regular, desde que consigam responder aos padrões técnicos e comerciais exigidos.
A Kenmare Resources opera em Topuito, através da sua unidade Moma Titanium Minerals Mine, dedicada à exploração de areias pesadas. A operação iniciou-se em 2007 e produz, entre outros minerais, ilmenite, zircão e rutilo, matérias-primas utilizadas em diferentes sectores industriais.
A empresa mantém uma forte orientação para o mercado externo, com a produção destinada à exportação. No ano passado, foram embarcadas cerca de 948 mil toneladas de produtos, entre ilmenite, zircão, rutilo e outros concentrados. Estes minerais são utilizados, entre outros sectores, nas indústrias aeronáutica, naval, de tintas e cerâmica.
É neste contexto que a Vila de Pequenas e Médias Empresas pretende transformar a presença da indústria extractiva numa plataforma de negócios para empresas moçambicanas. O desafio será garantir que as PME interessadas tenham acesso a financiamento, tecnologia, formação e capacidade de gestão suficientes para aproveitar as oportunidades criadas pela cadeia de valor mineira.
Para o Governo, o projecto representa uma aposta na diversificação económica e no conteúdo local. Para as empresas, constitui uma oportunidade de integração numa cadeia de valor de escala. E, para a população de Larde, a expectativa está sobretudo na transformação desta nova capacidade produtiva em emprego, rendimento e negócios sustentáveis.
O sucesso da iniciativa dependerá, contudo, da capacidade de transformar a infra-estrutura em actividade empresarial efectiva, garantindo que as empresas instaladas tenham mercado, financiamento, competências e condições adequadas para operar. A meta de 50 empresas e até 10 mil empregos coloca sobre o projecto a expectativa de produzir impactos que ultrapassem os limites do parque industrial e se façam sentir na economia de Larde e de toda a região Norte.