Chibuto lidera o registo de casos de uniões prematuras e violência contra crianças e menores na província de Gaza, com mais de dois mil casos registados desde o ano passado. As autoridades locais apontam práticas culturais e a persistência de mentalidades tradicionais como factores que contribuem para a manutenção do problema.
Os dados foram apresentados no Fórum Distrital sobre Violência Baseada no Género, pela administradora de Chibuto, Cacilda Banze, que considera preocupante o impacto das uniões prematuras e das gravidezes na vida das raparigas.
“Vivemos acima de 1.800 casos, que têm a ver com uniões prematuras e gravidezes precoces, em menores de 17 anos”, explicou Cacilda Banze.
A dirigente acrescentou que, somente em 2025, foram registados ” 2.500 casos de crianças que deram à luz nas maternidades” número que poderá ser superior devido aos partos que ocorrem fora das unidades sanitárias.
“Em 2025, tivemos acima de 2.500 casos de crianças que deram parto nas nossas maternidades. Não contamos aquelas crianças que dão parto nos lugares onde a saúde não chega”, disse.
Para Cacilda Banze, o problema está directamente ligado às condições sociais e culturais que ainda condicionam o futuro das raparigas, sobretudo nas comunidades rurais.
“Sem a mulher informada, nada podemos fazer”, defendeu a administradora, sublinhando a necessidade de reforçar o acompanhamento das famílias e das menores.
Uma das raparigas que participou no fórum aponta diferenças entre a realidade vivida nas zonas rurais e urbanas. Segundo ela, nas comunidades rurais, muitas meninas enfrentam maiores limitações para continuar os estudos.
“A diferença é que a mulher lá nas zonas rurais é impedida de ir à escola, enquanto, na zona urbana, elas são deixadas para ir à escola. Elas acabam tendo oportunidades”, relatou.
A jovem defende maior acompanhamento às famílias, sobretudo nas zonas rurais, onde algumas práticas culturais continuam a colocar as raparigas em situação de vulnerabilidade.
“Deve-se dar um acompanhamento, principalmente para os pais daquelas mulheres que se encontram nas zonas rurais”, apelou, considerando que ainda persistem “mentalidades arcaicas” que associam as raparigas ao trabalho doméstico e agrícola e desvalorizam a sua permanência na escola.
A violência baseada no género constitui igualmente uma preocupação para as autoridades. Em 2025, Chibuto registou cerca de 630 casos, enquanto, em 2026, foram notificados 460 casos nas unidades sanitárias do distrito.
Os dados indicam ainda que a violência física aumentou de 380 casos, em 2024, para 503 casos em 2025, com maior incidência em algumas unidades administrativas do distrito.