A Fundação para a Competitividade Empresarial (FUNDEC) e a Embaixada dos Estados Unidos da América em Moçambique reforçaram, nesta quarta-feira, em Maputo, a cooperação institucional para apoiar o sector privado nacional, desenvolver métricas empresariais e atrair investimento norte-americano para sectores estratégicos da economia.
O compromisso foi assumido durante a visita de uma delegação da Embaixada dos Estados Unidos à sede da FUNDEC, em Maputo, onde foram apresentados os estudos da instituição, as perspectivas económicas para 2026 e as oportunidades de investimento existentes no País, com enfoque na diversificação económica.
“Apresentámos à delegação da Embaixada dos Estados Unidos as análises e perspectivas do ambiente económico e empresarial para 2026, mas, sobretudo, identificámos as oportunidades de negócio que Moçambique oferece. Queremos que empresários norte-americanos invistam em sectores estratégicos ligados à diversificação económica, porque o País precisa de ir além da indústria extractiva e apostar na indústria transformadora, no turismo, na agro-indústria e no agro-negócio”, disse Foia, após o encontro, que durou pouco mais de uma hora.
Foia explicou que um dos principais objectivos da FUNDEC é contribuir para alterar o perfil do investimento estrangeiro, tradicionalmente concentrado na indústria extractiva, promovendo investimentos capazes de gerar maior valor acrescentado, emprego e transformação económica.
Durante o encontro, a delegação norte-americana manifestou interesse em aprofundar a cooperação com a fundação, tanto na produção de informação económica baseada em evidência como na mobilização de empresários dos Estados Unidos para investir em Moçambique.
Segundo Foia, “a abertura demonstrada pela delegação norte-americana foi extremamente positiva. Ficaram entusiasmados com os estudos e actividades desenvolvidas pela FUNDEC e manifestaram disponibilidade para apoiar o nosso trabalho, mas também para mobilizar empresários norte-americanos a investir em Moçambique. Esse foi um dos principais resultados deste encontro.”
Outro entendimento alcançado entre as partes prende-se com o apoio ao desenvolvimento de instrumentos de avaliação da competitividade empresarial. Entre eles, destaca-se o futuro Índice de Melhoria do Ambiente de Negócios, uma iniciativa da FUNDEC destinada a medir a evolução do clima de investimento no País e a apoiar reformas económicas.
“Estamos a trabalhar num Índice de Melhoria do Ambiente de Negócios, que servirá como um verdadeiro barómetro para investidores nacionais e internacionais perceberem o estágio do clima de negócios em Moçambique e apoiar reformas assentes em evidência.”
Durante a reunião, foram igualmente abordadas as oportunidades proporcionadas pela Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA), as Perspectivas e Projecções Económicas de Moçambique para 2026 e o potencial impacto de novos investimentos internacionais, nomeadamente a esperada decisão da ExxonMobil sobre o projecto Coral Norte, na Bacia do Rovuma.
Para a FUNDEC, os grandes investimentos devem funcionar como catalisadores da industrialização e da criação de cadeias de valor no País, permitindo o surgimento de indústrias ligadas à transformação de recursos naturais e à produção de bens com maior valor acrescentado.
“Se conseguirmos atrair grandes investidores, como a ExxonMobil, criaremos também condições para trazer outras indústrias ligadas à cadeia de valor. Precisamos que as empresas venham processar as nossas matérias-primas em Moçambique, porque, caso contrário, continuaremos a exportar riqueza e a importar pobreza”, explicou Foia.
Os Estados Unidos são um dos principais parceiros económicos de Moçambique, apoiando o investimento, o comércio e o desenvolvimento do sector privado. Através do AGOA, empresas moçambicanas têm acesso preferencial ao mercado norte-americano. Em 2024, o comércio bilateral de bens e serviços atingiu 624,6 milhões de dólares, enquanto o comércio de mercadorias totalizou 295,9 milhões de dólares em 2025. Desde 2005, os dois países mantêm um Acordo Bilateral de Investimento (BIT), que tem reforçado a confiança dos investidores.
Além do comércio, os Estados Unidos apoiam áreas como agricultura, saúde, educação, energia e PME. Nas últimas décadas, mobilizaram milhares de milhões de dólares para programas de desenvolvimento em Moçambique, contribuindo para melhorar o ambiente de negócios, aumentar a produtividade e promover a criação de emprego.