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FAO apoia 5.640 famílias afectadas por conflitos e alterações climáticas em Moçambique

Foto: JN

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) prestou apoio, ao longo de um ano, a 5.640 famílias afectadas pelo conflito armado e pelos choques climáticos nas províncias de Cabo Delgado e Niassa, no norte de Moçambique.

Segundo um relatório da agência das Nações Unidas, o projecto foi executado entre Março de 2025 e Março de 2026 nos distritos de Mecúfi e Mueda, em Cabo Delgado, bem como em Cuamba, Marrupa e Mecanhelas, na província do Niassa. A iniciativa teve como principal objectivo reduzir os impactos dos conflitos e das alterações climáticas sobre as comunidades mais vulneráveis, promovendo a recuperação dos meios de subsistência agrícolas e reforçando a segurança alimentar e a capacidade de resiliência das populações.

No total, o programa beneficiou directamente 5.640 agregados familiares, dos quais 3.063 são chefiados por mulheres. O projecto contou com um financiamento de aproximadamente um milhão de dólares, equivalente a cerca de 866,5 mil euros, disponibilizado pelo Governo do Japão.

No âmbito desta acção, a FAO distribuiu mais de 103 toneladas de sementes de culturas alimentares, 132 quilogramas de sementes hortícolas, pesticidas destinados à conservação pós-colheita, enxadas, regadores e sacos para armazenamento a 5.500 famílias, com vista ao reforço da produção agrícola.

A organização criou ainda 28 campos de demonstração e ministrou formação em práticas de agricultura inteligente adaptadas às alterações climáticas a 1.710 agricultores, entre os quais 950 mulheres. Paralelamente, procedeu à distribuição de 280 cabras por 140 agregados familiares, forneceu seis bombas de água motorizadas a associações de agricultores para impulsionar a produção hortícola durante a época seca e entregou equipamento destinado à conservação de vacinas às autoridades provinciais da Agricultura e Pescas.

O programa contemplou igualmente a formação de 703 pessoas em matérias relacionadas com a prevenção e controlo da doença de Newcastle, tendo também apoiado a vacinação de milhares de animais.

De acordo com a FAO, estas intervenções permitiram que numerosas famílias retomassem a actividade agrícola. A organização destaca ainda a significativa redução da mortalidade de aves provocada pela doença de Newcastle, que passou de 85% para apenas 4%.

A agência das Nações Unidas considera que o projecto contribuiu para o reforço da segurança alimentar, para o aumento da capacidade dos agricultores enfrentarem os efeitos dos choques climáticos e para o fortalecimento dos sistemas locais de produção e multiplicação de sementes.

Desde Outubro de 2017, a província de Cabo Delgado, rica em reservas de gás natural, tem sido palco de uma rebelião armada, com ataques reivindicados por grupos associados ao Estado Islâmico. O conflito já provocou mais de 6.600 mortos, segundo dados de organizações internacionais.

Entretanto, a última época chuvosa em Moçambique, decorrida entre Outubro e Abril, causou 314 vítimas mortais, afectou mais de 1,078 milhões de pessoas e danificou quase 260 mil habitações, de acordo com informações anteriormente divulgadas pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD). Apenas as cheias registadas em Janeiro, consideradas das mais severas dos últimos anos em várias regiões do País, provocaram 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos.

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