A Igreja Católica e o país começaram ontem com as exéquias de Dom Júlio Duarte Langa, cujos restos mortais vão a enterrar no dia oito no santuário de Chongoene, em Gaza. A primeira missa de corpo presente contou com a participação do Chefe de Estado na Sé Catedral em Maputo.
Fieis católicos em Maputo despediram-se na manhã desta quinta-feira do segundo Cardeal Católico do país e primeiro bispo moçambicano da Diocese de Xai-Xai, Dom Júlio Duarte Langa.
A missa de corpo presente decorreu na Sé Catedral de Maputo, Igreja local onde Dom Julho foi ordenado sacerdote em 1957.
Em 1978, foi enviado na qualidade de Bispo para a diocese de Xai-Xai, onde pastoreou a igreja por quase três décadas, descritos como anos de fidelidade a Deus.
“Talvez seja precisamente por essa fidelidade que Deus quis o tornar visível quando em 2015 o Papa Francisco o criou cardeal da Santa Igreja Romana. Muitos ficaram surpreendidos, mas o Papa conhecia bem o valor dos pastores que servem nas periferias, longe dos grandes centros, oferecendo silenciosamente toda a sua vida ao Evangelho.” Explicou Dom João Carlos Nunes, arcebispo de Maputo, exaltando que Moçambique também foi valorizado com o reconhecimento episcopal de Dom Júlio.
O título de cardeal atribuído em 2015 pelo papa Francisco, conferia ao epíscopo a possibilidade de participar da eleição de um sumo pontífice no conclave. Embora não o tenha feito na indicação do Leão XIV, o Vaticano diz que Júlio “sempre esteve no processo em oração.” Disse Dom Luiz, Núncio Apostólico de Moçambique.
A cerimónia contou com a presença do Chefe de Estado, que ao fim das exéquias, descreveu Dom Júlio como um homem de paz, diálogo e compromisso social.
“Neste momento, a coisa mais importante que nós temos que fazer como moçambicanos é continuar com o legado que ele deixou, o amor ao próximo, de humildade, de fé e, sobretudo, de paz.” Pediu Daniel Chapo
A missa contou com a participação outros titulares de órgãos de soberania, e membros de órgãos de governação descentralizada. A presidente da Assembleia da República Margarida Talapa destacou o seu papel na promoção da literacia, e apelou à juventude em particular a buscar inspiração.
Os restos mortais de Dom Júlio Duarte Langa vão enterrar em Gaza, no santuário de Chongoene, no próximo sábado, dia 8 do presente mês.
Chapo exorta moçambicanos a preservar legado Dom Júlio Langa
O Presidente da República, Daniel Chapo, apelou nesta quinta-feira aos moçambicanos para continuarem a cultivar os valores de amor ao próximo, humildade, fé, paz e reconciliação, princípios que, segundo afirmou, marcaram a vida e obra do Cardeal Dom Júlio Duarte Langa, durante as exéquias do segundo Cardeal de Moçambique, realizadas hoje na cidade de Maputo.
Falando após participar na cerimónia fúnebre, o Chefe do Estado disse que esteve presente em representação do povo moçambicano para prestar homenagem a uma figura religiosa que dedicou a sua vida ao serviço de Deus e da sociedade.
“Nós viemos aqui, em nome do povo moçambicano, para prestarmos a nossa homenagem ao Dom Júlio Langa”, afirmou o Presidente da República, destacando o papel do Cardeal na promoção da fé e da convivência harmoniosa entre os moçambicanos.
Segundo um comunicado da Presidência, o Daniel Chapo considerou que o principal tributo ao falecido líder religioso passa pela preservação do seu legado, assente no amor ao próximo, humildade, fé e busca permanente pela paz.
Além disso, destacou que Dom Júlio Langa foi um homem de fé e crente em Cristo, sublinhando que, neste momento, a principal responsabilidade dos moçambicanos é preservar o legado deixado pelo Cardeal, baseado no amor ao próximo, na humildade, na fé e na paz.
O estadista recordou que Dom Júlio Langa pautou a sua vida pelos ensinamentos cristãos, em particular pelo princípio do amor entre as pessoas, que orientou a sua missão pastoral e o relacionamento com
as comunidades.
“Como sabem muito bem, foi um homem que sempre cumpriu aquilo que Cristo disse quando partiu, de uma forma muito clara, que ‘amai- vos uns aos outros’”, referiu.
Segundo o Chefe do Estado, a trajectória do Cardeal esteve igualmente ligada à promoção da união entre os moçambicanos, num momento em que o país prossegue os esforços de construção da paz e reconciliação nacional.
“Dedicou toda a sua vida na pregação da palavra de Deus e também no amor ao próximo, a pregação da fé, e, sobretudo, aquilo que nós, neste momento, temos trabalhado como moçambicanos: a comunhão entre irmãos moçambicanos, a união, a paz, a reconciliação e, sobretudo, o amor ao próximo”, afirmou.
O Presidente da República defendeu que a melhor forma de honrar a memória do Cardeal Dom Júlio Langa é transformar os valores que marcaram a sua vida em práticas permanentes na sociedade moçambicana, para fortalecer a convivência pacífica entre cidadãos.
“Foram princípios que guiaram sua vida, e acho que a melhor forma de homenagearmos ao Dom Júlio Langa é, sem margem de dúvidas, continuarmos com esses princípios como irmãos moçambicanos, para que reine a paz em Moçambique, reine a reconciliação e continuemos a nos amar entre irmãos”, concluiu.
O Cardeal Dom Júlio Duarte Langa faleceu no passado dia 3 de Agosto, aos 98 anos de idade.