Mais de 300 pessoas sequestradas em diferentes ataques foram resgatadas numa operação conjunta das forças de segurança nigerianas, numa das maiores acções recentes contra grupos criminosos e jihadistas no país.
A operação, que combinou informação de inteligência e intervenção militar, foi conduzida pelo Centro Nacional de Contraterrorismo, com a participação do Exército, da Polícia e do Departamento de Serviços de Segurança do Estado.
Segundo a Presidência da Nigéria, entre os resgatados estão 163 pessoas sequestradas em Fevereiro, durante um ataque à aldeia de Woro, no Estado de Kwara, e outras 145 raptadas no Estado do Níger.
As vítimas foram localizadas no Parque Nacional Florestal do Lago Kainji, numa operação que durou cerca de um dia. As autoridades ainda não esclareceram se houve detenções durante a intervenção.
Após o resgate, os sobreviventes foram encaminhados para uma base militar, onde recebem assistência médica antes de serem entregues às respectivas famílias.
O Presidente nigeriano, Bola Ahmed Tinubu, saudou a operação, considerando-a um sinal de melhoria na coordenação entre as diferentes instituições de segurança do país.
O rapto para obtenção de resgates continua a constituir um dos principais desafios de segurança na Nigéria, sobretudo em regiões rurais com fraca presença do Estado. A actividade envolve grupos criminosos, organizações jihadistas ligadas ao Boko Haram e outras milícias armadas.
Woro foi alvo, em Fevereiro, de um violento ataque atribuído a suspeitos jihadistas. Segundo relatos de residentes, os atacantes incendiaram casas, mataram mais de 165 pessoas e sequestraram dezenas de habitantes. Os números divulgados pelas autoridades foram, entretanto, inferiores aos avançados por moradores e órgãos de comunicação social.
Na altura, Tinubu classificou o ataque como “bestial” e ordenou o envio de tropas para a região, atribuindo a responsabilidade ao Boko Haram. Contudo, o termo é frequentemente utilizado de forma genérica para designar diferentes grupos jihadistas que actuam no país.
Meses antes do ataque, o Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (JNIM), ligado à Al-Qaeda, havia reivindicado o seu primeiro ataque em território nigeriano, no Estado de Kwara, nas proximidades de Woro.
A violência continua a preocupar as autoridades. Durante o último fim-de-semana, homens armados sequestraram pelo menos 52 pessoas, incluindo crianças, durante um ataque contra uma aldeia e uma base militar no Estado de Zamfara, no noroeste da Nigéria.