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Zimbabwe inaugura sua primeira usina de processamento de lítio

A primeira fábrica do Zimbabwe para processar lítio, um metal de energia limpa do qual o País é o maior produtor de África, está em funcionamento, um marco em seu crescente esforço para interromper a exportação em larga escala de sua riqueza mineral bruta.

Animado com esse desenvolvimento, o pequeno país do sul da África está determinado a ir muito mais longe em seu esforço para o processamento local de seus recursos, chegando a vislumbrar a produção própria de baterias recarregáveis ​​de lítio.

Faz parte de um esforço do país – e de outros no continente – para agregar valor internamente às matérias-primas, a fim de criar empregos e aumentar as receitas de exportação.

“Não toleraremos mais a exportação desenfreada de nossas riquezas”, disse o presidente Emmerson Mnangagwa nesta semana, na abertura de uma conferência sobre industrialização.

“Preferimos deixar nossos valiosos minerais no subsolo a exportá-los sem processá-los localmente. A era das relações de investimento ‘cavalo e cavaleiro’ acabou.”

Em Fevereiro, o Zimbabwe congelou as exportações de minerais brutos antes de uma proibição total em 2027, anunciando que exigiria “agregação de valor e beneficiamento no país”.

O foco estava nos concentrados brutos de lítio, ingrediente das baterias recarregáveis, cuja maior parte das centenas de milhares de toneladas de produção anual era enviada para a China, o maior fabricante mundial de veículos eléctricos.

A proibição fez com que as empresas de mineração se mobilizassem para construir fábricas de processamento de sulfato de lítio, um passo na cadeia de valor rumo a materiais de grau de bateria.

A primeira, e única até agora, foi instalada em Goromonzi, a cerca de 30 quilómetros (20 milhas) a leste de Harare, uma instalação de US$ 400 milhões construída pela Prospect Lithium Zimbabwe (PLZ), de propriedade chinesa, que entrou em operação plena em Maio.

Foi também uma estreia no continente, afirmou o ministro das Minas, Polite Kambamura, durante uma visita na semana passada.

“A construção da primeira fábrica de sulfato de lítio na África já ficou para trás, e isso foi feito no Zimbabwe”, disse ele aos jornalistas.

“Como governo, estamos muito felizes em testemunhar esse marco, especialmente porque continuamos a incentivar a agregação de valor e o beneficiamento local”, disse ele.

BATERIAS E MUITO MAIS

Kambamura afirmou que a PLZ também está quase concluindo uma planta para refinar carbonato de lítio, o próximo ponto na sequência de processamento.

Ele afirmou que se espera que mais fábricas de processamento de sulfato entrem em operação até a entrada em vigor da proibição das exportações de concentrado de lítio, em Janeiro de 2027.

“O próximo passo será trazer baterias de lítio para o Zimbabwe”, disse ele. “Só descansaremos depois de conseguirmos produzir baterias de lítio e painéis solares.”

A fabricação de baterias exige extensas cadeias de suprimentos industriais que permanecem concentradas na Ásia, com a África do Sul dominando o setor emergente no continente.

Além do foco no lítio, o governo do Zimbabwe incluiu outros 13 minerais – de cobalto a metais da platina e elementos de terras raras – em sua lista de minerais “críticos” que não poderão ser exportados em sua forma bruta a partir do início do próximo ano.

OURO

A nova política tem como objectivo garantir benefícios a longo prazo da riqueza natural do Zimbabwe, afirmou o porta-voz do governo, Nick Mangwana.

“Alguns desses minerais são finitos e as gerações futuras podem nunca os ver. Não queremos que elas herdem elefantes brancos”, disse ele à AFP.

A reforma abrangeu também o importante sector aurífero, com o governo anunciando em Maio que apenas cidadãos indígenas e empresas de propriedade local terão permissão para operar minas de pequena e média escala, que proporcionam sustento a milhares de pessoas.

“Esta política não é de exclusão, é de inclusão estruturada”, disse Payne Farai Kupfuwa, fundador da Young Miners Foundation, saudando a iniciativa.

O crescimento do setor de lítio desde o congelamento das exportações em fevereiro — com mais de US$ 1 bilhão em investimentos desde então — mostra que os limites às exportações de minerais brutos “atraem indústrias de agregação de valor, criam empregos, impulsionam a economia e garantem que mais lucros permaneçam no país”, disse à AFP o especialista em políticas públicas Tedious Ncube.

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