O Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, lançou, no sábado, o seu próprio partido político, denominado Kiray de Faye (Patriotas Republicanos), numa iniciativa que consolida a ruptura com o seu antigo aliado e ex-primeiro-ministro, Ousmane Sonko.
Os dois líderes chegaram ao poder em 2024 sob a bandeira do Pastef, mas divergências em torno de decisões políticas, nomeadamente sobre as negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI), agravaram o distanciamento entre ambos.
Nas últimas semanas, vários membros do Pastef abandonaram o partido para se juntarem ao novo projecto político de Faye. O movimento recebeu igualmente a adesão de dirigentes e militantes da oposição, oriundos da Aliança para a República.
A tensão entre os antigos aliados intensificou-se depois de Faye ter exonerado Sonko do cargo de primeiro-ministro no início deste ano. Apesar disso, o Pastef manteve a maioria parlamentar e Sonko foi eleito presidente da Assembleia Nacional. Em Maio, Ahmadou Al Aminou Lo assumiu o cargo de primeiro-ministro, num Governo constituído sem representantes do Pastef, após o partido recusar integrar o Executivo.
Durante a campanha eleitoral de 2024, Faye e Sonko prometeram criar emprego para os jovens, combater a corrupção e assegurar uma maior participação do Senegal nas receitas provenientes do petróleo, gás e recursos minerais. Contudo, a deterioração da situação financeira do país, agravada pela descoberta de empréstimos não declarados pela anterior administração, dificultou a concretização dessas promessas.
A criação do novo partido marca o início de um confronto político entre os dois antigos aliados, que deverá ganhar força nas eleições autárquicas de 2027 e culminar na disputa pela Presidência da República em 2029.