O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou, este sábado, à comunidade internacional para reforçar o apoio à Síria, numa altura em que o país procura recuperar de mais de uma década de guerra civil.
A visita de Guterres a Damasco é a primeira de um secretário-geral da ONU à capital síria desde 2009 e ocorre numa fase considerada decisiva para a reconstrução do país, após o fim do conflito que culminou com a queda do Presidente Bashar al-Assad, em 2024.
À chegada, António Guterres reuniu-se com o Presidente interino, Ahmed al-Sharaa, nomeado em Janeiro de 2025 para liderar o processo de reconstrução do Estado e a dissolução das diferentes facções armadas. No encontro, o líder das Nações Unidas afirmou que a Síria atravessa “um momento crucial” no seu caminho para a estabilidade.
A guerra civil síria provocou centenas de milhares de mortos e forçou milhões de pessoas a abandonar as suas casas. Segundo estimativas internacionais, a reconstrução das infra-estruturas destruídas poderá custar cerca de 216 mil milhões de dólares norte-americanos.
Apesar de os Estados Unidos e a União Europeia terem levantado grande parte das sanções impostas durante o regime da família Assad, os efeitos dessas medidas continuam pouco visíveis no terreno. Ao mesmo tempo, a redução da ajuda humanitária internacional agravou as condições de vida da população.
De acordo com as Nações Unidas, cerca de 90 por cento dos sírios vivem actualmente em situação de pobreza.
Durante a sua deslocação, António Guterres deverá igualmente visitar a força das Nações Unidas destacada na fronteira entre a Síria e Israel. Embora Ahmed al-Sharaa tenha declarado que não pretende um confronto com Israel, as relações entre os dois países permanecem tensas.
Israel, que manifestou desconfiança em relação à nova liderança síria, assumiu o controlo da zona-tampão na fronteira e tem realizado centenas de ataques aéreos contra instalações militares sírias, além de incursões periódicas em aldeias próximas, confrontos que, por vezes, resultaram em violência contra residentes locais.