Moçambique alcançou um Março na conservação ambiental com a certificação internacional do projecto MozBlue, na província da Zambézia, que passa a ser reconhecido como o maior projecto registado de restauração de mangais em África.
A iniciativa é também a quarta em todo o mundo a cumprir os rigorosos critérios da metodologia Verra VCS VM0033, considerada uma das principais referências internacionais para a restauração de ecossistemas costeiros.
Desenvolvido pela Blue Forest em parceria com comunidades costeiras, o projecto abrange cerca de 155 mil hectares de mangais distribuídos ao longo de 750 quilómetros de litoral rico em biodiversidade, posicionando-se entre os maiores programas de restauração costeira a nível global.
A primeira fase do MozBlue, lançada em Novembro de 2024 em parceria com a empresa francesa Removall Carbon e a japonesa Sumitomo Corporation, prevê a recuperação de mais de cinco mil hectares de mangais. Até ao momento, foram restaurados aproximadamente dois mil hectares e plantados mais de 14 milhões de mangais.
Além da componente ambiental, o projecto tem produzido impactos socioeconómicos nas comunidades locais. Segundo os promotores, mais de 1.600 empregos sazonais foram criados, ao mesmo tempo que foram implementadas actividades geradoras de rendimento, como a apicultura, a instalação de moagens movidas a energia solar e a produção sustentável de sal.
A recuperação dos mangais contribui igualmente para a melhoria dos habitats de diversas espécies de peixes, aves e outros animais costeiros, reforçando ainda a protecção natural das comunidades contra tempestades, erosão costeira e outros efeitos das alterações climáticas.
“Após cinco anos de trabalho árduo, temos orgulho em ver Moçambique acolher um dos projectos de carbono azul mais rigorosos do mundo. O MozBlue demonstra que África pode liderar em projectos de carbono que conciliam excelência científica e impacto positivo nas comunidades”, afirmou Jorge Mafuca, director nacional da Blue Forest.
As estimativas indicam que o projecto poderá sequestrar cerca de 2,6 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) ao longo do período de crédito de 60 anos. As receitas provenientes da comercialização dos créditos de carbono deverão financiar iniciativas de desenvolvimento comunitário nas províncias da Zambézia e Sofala.
Entretanto, os responsáveis pelo projecto defendem que a expansão desta e de outras iniciativas semelhantes depende da conclusão do processo de regulamentação do mercado de carbono em Moçambique.
Segundo a Blue Forest, a aprovação do quadro regulatório permitirá eliminar incertezas relacionadas com questões fiscais e com as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC), criando um ambiente mais favorável para atrair investimentos e ampliar os benefícios económicos, sociais e ambientais para as comunidades costeiras mais vulneráveis aos impactos das alterações climáticas