O Presidente da República defendeu, esta terça-feira, que o sector privado deve assumir-se como o maior empregador em Moçambique, cabendo ao Estado o papel de regulador, facilitador do ambiente de negócios e promotor de políticas públicas que incentivem o investimento, a produção e a criação de riqueza.
Falando na abertura da XXI Conferência Anual do Sector Privado (CASP 2026), o Chefe do Estado afirmou que o Governo está empenhado em implementar reformas estruturais destinadas a tornar a administração pública mais eficiente, simplificar procedimentos, digitalizar os serviços do Estado e reforçar a confiança dos investidores.
“O nosso objectivo é ter um Estado onde o sector privado seja o maior empregador e não o próprio Estado”, declarou, sublinhando que a criação de emprego sustentável depende da capacidade das empresas de investir, inovar e expandir as suas actividades.
Segundo o Presidente da República, as reformas em curso visam criar um ambiente favorável ao investimento privado, através da estabilidade política, económica e social, da melhoria da previsibilidade jurídica e da redução da burocracia, factores considerados essenciais para aumentar a competitividade da economia nacional.
O estadista reiterou que o desenvolvimento económico não poderá ser alcançado apenas com base na exploração dos recursos naturais, defendendo uma economia assente na produção, transformação industrial e competitividade. Neste contexto, apelou ao fortalecimento das pequenas e médias empresas, ao aproveitamento do potencial agrícola, da economia azul, do turismo, da logística e da indústria transformadora.
O Presidente destacou igualmente que a confiança entre o Estado e o sector privado constitui um dos principais pilares para o crescimento económico, salientando que nenhuma economia prospera sem instituições credíveis e sem um empresariado forte.
No domínio da segurança, reafirmou o compromisso do Executivo no combate ao crime organizado, em particular aos raptos, considerando que a paz e a segurança continuam a ser condições indispensáveis para atrair investimento e estimular a actividade empresarial.
Durante a sua intervenção, o Chefe do Estado sublinhou ainda que o sector público deve limitar-se às funções de regulação, fiscalização e criação de um ambiente favorável aos negócios, advertindo que não deve haver sobreposição entre funções públicas e interesses privados.
“Não podemos ter pessoas que estão no sector público e no sector privado ao mesmo tempo. Ou joga ou apita”, afirmou, defendendo uma clara separação entre as responsabilidades do Estado e da iniciativa privada.
Dirigindo-se aos empresários, apelou ao investimento de longo prazo, à valorização da produção nacional, à formação dos trabalhadores, à inovação tecnológica e à conquista de novos mercados, reafirmando que o Governo continuará a ser parceiro do sector privado na transformação estrutural da economia.
Sob o lema “Produzir, Transformar e Competir”, a XXI Conferência Anual do Sector Privado reúne empresários, representantes do Governo, parceiros de cooperação e académicos para debater estratégias de desenvolvimento económico e reforçar o diálogo entre o Estado e o empresariado nacional.