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Avaliação da Agenda 2025 coloca Moçambique entre cenários de baixo desenvolvimento 

O professor doutor Cardoso Muendane defendeu que Moçambique deve iniciar uma nova reflexão estratégica de longo prazo, com uma visão nacional assumida pelo Estado, após a avaliação da Agenda 2025, instrumento que orientou o pensamento sobre o desenvolvimento do país nos últimos 25 anos.

Falando na Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique, Muendane explicou que a análise foi realizada com base em dados estatísticos nacionais e internacionais, envolvendo ministérios, instituições públicas, Banco Mundial e outros parceiros de desenvolvimento.

Segundo o académico, a Agenda 2025, criada em 2000 por iniciativa do então Presidente Joaquim Chissano, não era um plano de governação, mas uma visão estratégica que apresentou cenários possíveis para o futuro do país.

“Não estamos a avaliar se a Agenda 2025 foi bem feita ou não, porque ela resultou de um consenso nacional. Também não estamos a avaliar se os governos cumpriram ou não a Agenda, porque ela não era uma orientação para ser cumprida. O que vamos verificar é a conformidade do caminho seguido pelo país em relação aos cenários definidos”, explicou.

A Agenda 2025 apresentou quatro cenários de desenvolvimento simbolizados por animais: Cabrito, considerado o pior cenário, associado à instabilidade social e retrocessos; Caranguejo, caracterizado por avanços e recuos; Cágado, representando um crescimento sustentado mas lento; e Abelha, o cenário mais optimista, baseado na estabilidade, democracia, transformação tecnológica e desenvolvimento inclusivo.

Na avaliação apresentada, Cardoso Muendane afirmou que nenhuma das áreas estratégicas analisadas atingiu os níveis correspondentes aos cenários Cágado ou Abelha. No geral, o desenvolvimento de Moçambique nos últimos 25 anos situa-se entre os cenários Cabrito e Caranguejo.

O capital humano foi apontado como a área com melhor desempenho, tendo alcançado o cenário Caranguejo, devido aos avanços registados na expansão da educação, melhoria gradual dos serviços de saúde e aumento do acesso a serviços básicos.

Contudo, persistem desafios relacionados com a qualidade do ensino, capacidade do sistema de saúde, empregabilidade juvenil e produtividade laboral.

No capital social, o investigador destacou progressos na inclusão social, participação comunitária e igualdade de género, mas apontou a continuidade das desigualdades territoriais, fragilidade económica nas zonas rurais e limitada mobilidade social, colocando esta área entre os cenários Cabrito e Caranguejo.

Na área económica, Muendane reconheceu avanços no crescimento económico e expansão de infra-estruturas, mas alertou para a fraca transformação produtiva, vulnerabilidade macroeconómica e limitada inclusão económica.

Segundo a avaliação, Moçambique passou de uma economia predominantemente agrícola para uma economia com maior peso da indústria extractiva, impulsionada pelos recursos minerais e gás natural. Entretanto, a indústria transformadora perdeu expressão, reduzindo a sua contribuição para o Produto Interno Bruto.

Sobre a governação, o académico apontou avanços na expansão institucional e modernização parcial da administração pública, mas destacou fragilidades no controlo da corrupção, eficácia do Estado, qualidade regulatória, justiça e confiança nas instituições.

A análise revelou ainda desafios relacionados com pobreza, desemprego e desigualdade. Muendane referiu que a incidência da pobreza voltou a aumentar nos últimos anos, passando de cerca de 48% para aproximadamente 65%, enquanto o desemprego registou uma subida significativa.

O professor destacou também mudanças demográficas profundas, explicando que a população moçambicana praticamente duplicou no período de 25 anos, passando de cerca de 18 milhões para 35 milhões de habitantes, facto que aumenta a pressão sobre sectores como educação, saúde, habitação, emprego e infra-estruturas.

Como recomendação, Cardoso Muendane defendeu que futuras visões de desenvolvimento devem ser lideradas pelo Estado e assumidas como instrumentos nacionais, evitando que sejam apenas iniciativas de grupos específicos sem ligação directa às políticas públicas.

“Precisamos definir que país queremos ser daqui a 40 ou 50 anos”, afirmou, defendendo uma reflexão nacional que inclua desafios como mudanças climáticas, desenvolvimento regional e redução das assimetrias entre províncias.

Para o académico, Moçambique deve construir uma visão de longo prazo capaz de orientar o desenvolvimento das próximas gerações e definir, de forma clara, o modelo de crescimento económico e social pretendido para cada região do país.

 

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