Os Estados Unidos da América anunciaram que vão impedir que as Nações Unidas financiem a Missão de Apoio e Estabilização da União Africana na Somália (AUSSOM), numa decisão que poderá comprometer o futuro da força de paz destacada naquele país.
De acordo com uma nota diplomática enviada à União Africana e consultada pela Reuters, Washington manifestou a intenção de bloquear qualquer utilização de fundos das Nações Unidas para apoiar a missão.
No ano passado, o orçamento da AUSSOM ascendeu a cerca de 190 milhões de dólares norte-americanos. Contudo, o financiamento tem-se tornado cada vez mais difícil, originando um défice significativo de recursos.
Os Estados Unidos são um dos principais financiadores do Escritório de Apoio das Nações Unidas na Somália (UNSOS), cujo orçamento total deverá ultrapassar os 500 milhões de dólares este ano.
A missão da União Africana integra militares do Uganda, Quénia, Etiópia e de outros países africanos, estando destacada na Somália desde 2009 para apoiar o Governo Federal no combate à instabilidade e às ameaças à segurança.
A força depende em grande medida do apoio logístico das Nações Unidas, que asseguram serviços como transporte de tropas, assistência médica e logística operacional.
Na sequência da decisão norte-americana, a União Africana informou os membros do seu Conselho de Paz e Segurança, alertando que a posição de Washington poderá ter implicações significativas para a continuidade da missão.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem adoptado uma posição cada vez mais crítica em relação à Somália, responsabilizando o Governo somali pela presença de imigrantes daquele país em território norte-americano e impondo uma proibição de viagens aos cidadãos somalis.