O Conselho Municipal de Quelimane vai instalar dois centros de produção de biochar, um material rico em carbono obtido através da carbonização controlada de resíduos orgânicos. Financiada por fundos italianos, a iniciativa visa reduzir o corte indiscriminado do mangal e incentivar as comunidades a produzirem carvão recorrendo a tecnologias ambientalmente sustentáveis.
Os centros serão implantados nos bairros Cimento e Icidua, num investimento global de cerca de 1,5 milhão de meticais. Cada unidade será equipada com quatro fornos de produção, uma máquina briquetadeira e uma área destinada à secagem do carvão para consumo doméstico. A principal matéria-prima será a casca de coco, conhecida localmente por cafuro.
Para além da produção de carvão ecológico, a tecnologia permitirá igualmente a obtenção de fertilizante orgânico destinado ao apoio da actividade agrícola.
O presidente do Conselho Municipal de Quelimane, Manuel de Araújo, considera que a criação de alternativas sustentáveis poderá contribuir para reduzir a pressão sobre o mangal.
“Aquela alternativa poderá contribuir significativamente para reduzir o corte indiscriminado do mangal. Isso vai permitir o aumento da produção de camarão, caranguejo e outras espécies, porque o mangal constitui o habitat da vida marinha e garante o equilíbrio do ecossistema costeiro”, afirmou o edil durante a cerimónia de lançamento da primeira pedra das obras, realizada no viveiro municipal.
Por seu turno, o coordenador da Manitese, organização parceira do município na implementação do projecto, Francisco Chimote, destacou o impacto social da iniciativa.
“O que vamos construir na cidade permitirá tornar as comunidades mais sustentáveis, criando novas fontes de rendimento. Muitos dos beneficiários são actualmente catadores de resíduos e, numa fase posterior, iremos transferir-lhes a gestão das unidades de produção, permitindo-lhes explorar esta actividade e criar postos de trabalho”, explicou.
Relativamente ao centro que será construído no bairro Icidua, Francisco Chimote referiu que o objectivo passa por desencorajar o corte do mangal para a produção de carvão vegetal.
“A redução do corte do mangal permitirá a recuperação deste ecossistema e contribuirá para a preservação da vida marinha. Enquanto parceiros do município, acreditamos que este projecto representa um contributo importante para o desenvolvimento sustentável da cidade”, acrescentou.
Para a construção das duas infra-estruturas foram disponibilizados cerca de 718 mil meticais, provenientes de fundos italianos canalizados através da Manitese.
Paralelamente, o município está a reforçar a gestão dos resíduos sólidos urbanos. No âmbito da mesma parceria, serão instaladas 20 unidades de deposição de resíduos nas zonas de maior concentração populacional. Cada unidade será composta por quatro tambores, num projecto orçado em cerca de 200 mil dólares.