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Indústria extractiva perde fôlego e limita crescimento económico

Dados preliminares do Instituto Nacional de Estatística (INE), publicados recentemente, demonstram que a forte dependência no sector extractivo voltou a cobrar o seu preço à economia moçambicana no arranque de 2026. 

Entre Janeiro e Março deste ano, a produção mineira registou uma queda de 21,6%, comparativamente ao mesmo período do ano de 2025. Com a queda acentuada na produção mineira, o crescimento económico foi bastante afectado.

O que se verificou foi um autêntico contraste no primeiro trimestre. Enquanto o comércio e os serviços tentavam impulsionar a economia, a indústria extractiva, um dos motores de crescimento, sofreu uma contracção expressiva.

Trata-se de um cenário que traz à tona os apelos que têm sido feitos por vários quadrantes da sociedade sobre a necessidade da diversificação da economia nacional. Quando a indústria extractiva perde fôlego, o impacto é imediato.

Embora a mineração tenha registado uma queda, a economia não entrou em terreno negativo graças ao desempenho vigoroso do sector terciário. A hotelaria, a restauração e o comércio demonstraram uma vitalidade surpreendente. 

O declínio na indústria extractiva não é um evento isolado. Funciona como um alerta sobre a fragilidade de um modelo de desenvolvimento vulnerável às oscilações do mercado internacional de matérias-primas.

O consumo das famílias registou uma subida expressiva, indicando que o poder de compra, ou a disposição para gastar, se manteve firme neste início de ano. “O consumo final registou uma variação positiva de 12.9% no 1º trimestre”.

O aumento do consumo das famílias, o dinheiro que circula no dia-a-dia, na compra de bens e serviços, foi a boia de salvação que impediu a economia de afundar, isto é, de retrair, como aconteceu nos primeiros nove meses de 2025.

“Este desempenho foi influenciado pelo aumento do consumo privado, componente de maior peso na demanda interna e no PIB, que, no período em análise, registou variação positiva de 15.2%”, refere o relatório do INE.

Entretanto, o nível de investimento na economia registou uma redução significativa, o que sugere que as empresas e os investidores estão a adoptar uma postura de “espera”, evitando grandes gastos num momento de incerteza.

“A Formação Bruta de Capital registou uma variação de menos 39.1%. As exportações registaram um fraco desempenho ao se situar em menos 7.8% no período em análise”, indicam os dados do Instituto Nacional de Estatística.

Os dados do INE reforçam os alertas recentes do Fundo Monetário Internacional e do Standard Bank sobre as pressões fiscais significativas na economia, os desafios ligados às calamidades e os efeitos do conflito no Médio Oriente.

O cenário de recuperação lenta sugere uma abordagem coordenada entre o sector público e o privado para dinamizar a capacidade produtiva e mitigar riscos fiscais.

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