Primeira-Dama Gueta Chapo anuncia expansão da parceria que já concedeu 34 bolsas de especialização e reforça aposta na formação de profissionais de saúde, educação de raparigas e combate ao estigma da infertilidade
O reforço da capacidade do sistema nacional de saúde, a formação de médicos especialistas, a educação de raparigas em situação de vulnerabilidade e a transformação de mentalidades através da comunicação social voltaram a colocar Moçambique no centro das prioridades da Fundação Merck durante a 13.ª edição da Conferência Luminary África-Ásia 2026, um dos maiores fóruns internacionais dedicados à saúde, educação e desenvolvimento social.
Perante mais de quinze Primeiras-Damas africanas e asiáticas, representantes governamentais, especialistas internacionais e líderes da Fundação Merck, a Primeira-Dama da República de Moçambique e Embaixadora da iniciativa “Fundação Merck Mais do que uma Mãe”, Gueta Chapo, apresentou um balanço considerado encorajador da parceria entre o país e a instituição, ao mesmo tempo que anunciou uma ambiciosa meta: aumentar para 100 o número de bolsas de especialização destinadas a médicos moçambicanos nos próximos anos.
A aposta surge numa altura em que Moçambique continua a enfrentar desafios significativos na disponibilidade de profissionais especializados em diversas áreas críticas da medicina, realidade que condiciona o acesso da população a cuidados de saúde diferenciados.
No seu discurso, Gueta Chapo destacou que o fortalecimento da capacidade do sistema nacional de saúde representa um investimento estratégico para o presente e para o futuro do país.
Segundo afirmou, garantir profissionais qualificados significa assegurar cuidados de saúde de qualidade, acessíveis e equitativos para todos os cidadãos, reforçando simultaneamente a resiliência do sistema perante os desafios actuais e futuros.
A Primeira-Dama revelou que a Fundação Merck já concedeu 34 bolsas de estudo a profissionais moçambicanos em áreas consideradas prioritárias, entre elas Diabetes, Endocrinologia, Medicina de Urgência, Doenças Infecciosas, Oncologia, Radiologia e outras especialidades de elevada procura.
Na sua avaliação, este apoio está a contribuir directamente para transformar o sector público de saúde, reduzindo gradualmente a dependência de especialistas estrangeiros e criando capacidade técnica nacional.
“Consideramos esta uma grande oportunidade e permanecemos empenhados em expandir o programa, continuando a inscrever mais profissionais de saúde em diversas especialidades críticas e carentes”, afirmou.
A intenção de aumentar o número de bolsas resulta do Memorando de Entendimento assinado no ano passado entre Moçambique e a Fundação Merck, instrumento que estabelece uma parceria de longo prazo destinada a reforçar a formação de profissionais da saúde, jornalistas e outros actores sociais.
O objectivo é criar um modelo sustentável de desenvolvimento de capacidades, permitindo que o conhecimento adquirido pelos bolseiros seja posteriormente multiplicado dentro do próprio sistema nacional de saúde.
Mas a cooperação entre Moçambique e a Fundação Merck vai muito além da medicina.
Gueta Chapo destacou igualmente o programa “Educar Linda”, iniciativa que já assegura bolsas anuais para 40 raparigas moçambicanas talentosas, mas provenientes de famílias economicamente vulneráveis.
O compromisso é manter o financiamento até à conclusão dos seus estudos, criando condições para que estas jovens possam construir carreiras nas mais diversas áreas do conhecimento.
Para a Primeira-Dama, investir na educação das raparigas representa uma das formas mais eficazes de promover inclusão social, reduzir desigualdades e acelerar o desenvolvimento económico do país.
“O programa está a transformar vidas e a dar às nossas meninas a oportunidade de perseguirem os seus sonhos, seja como médicas, engenheiras ou líderes em qualquer área que escolherem”, sublinhou.
Outro eixo estratégico da parceria passa pela comunicação social e pela produção de conteúdos educativos destinados a provocar mudanças culturais nas comunidades.
Neste âmbito, Moçambique já desenvolve, em conjunto com a Fundação Merck, livros infantis e filmes de animação em língua portuguesa, além de promover formações anuais dirigidas a jornalistas especializados em saúde.
A iniciativa procura melhorar a qualidade da informação disponibilizada ao público e incentivar uma cobertura mediática baseada em evidências científicas.
Paralelamente, o país participa na oitava edição dos prémios anuais da Fundação Merck, que distinguem jornalistas, músicos, estudantes, cineastas, estilistas e novos talentos que abordam temas como infertilidade, violência baseada no género, casamento infantil, diabetes, hipertensão e promoção de estilos de vida saudáveis.
Segundo Gueta Chapo, todas estas iniciativas têm um propósito comum: combater preconceitos, aumentar a consciencialização social e construir comunidades mais saudáveis, inclusivas e informadas.
Do outro lado da parceria, a directora executiva da Fundação Merck, Rasha Kelej, apresentou números que demonstram a dimensão global do programa.
Segundo revelou, a organização já concedeu mais de 2.680 bolsas de formação a profissionais de saúde provenientes de 52 países, abrangendo 42 especialidades médicas críticas e deficitárias.
Para Rasha Kelej, os acontecimentos dos últimos anos, incluindo pandemias, surtos de Ebola e o aumento das doenças crónicas, demonstraram de forma inequívoca que investir na formação de recursos humanos em saúde é uma das decisões mais estratégicas que um país pode tomar.
Por isso, garantiu que a Fundação continuará a expandir os programas de formação em parceria com os governos africanos e asiáticos.
Uma das prioridades é a Oncologia.
Em parceria com o Centro Memorial Tata, na Índia, a Fundação Merck pretende ampliar significativamente o número de bolsas destinadas à formação de especialistas em tratamento do cancro, uma área altamente complexa e que exige preparação técnica especializada.
A responsável destacou ainda os investimentos em Diabetologia, Medicina Cardiovascular Preventiva, Nutrição, Obesidade, Fertilidade, Embriologia, Psicologia Clínica, Medicina Familiar, Doenças Infecciosas, Saúde da Mulher, Pediatria e Geriatria.
Segundo explicou, a estratégia consiste em permitir que cada país forme os seus próprios especialistas, evitando a dependência do exterior e aproximando os cuidados de saúde das populações.
No âmbito da campanha “Mais do que uma Mãe”, Rasha Kelej recordou que a Fundação já apoiou a formação dos primeiros especialistas em fertilidade em vários países africanos, possibilitando a criação dos primeiros centros locais de reprodução assistida e contribuindo para reduzir o estigma associado à infertilidade.
A responsável sublinhou ainda que o programa “Educar Linda” já financia anualmente mais de 1.500 bolsas para raparigas em vários países, defendendo que a educação feminina constitui um dos pilares essenciais para o desenvolvimento sustentável.
Ao encerrar a sessão, a CEO da Fundação Merck lançou um apelo às Primeiras-Damas participantes para identificarem as áreas médicas mais carenciadas nos seus países, de forma a permitir uma resposta mais ajustada às necessidades nacionais.
Para Moçambique, a expansão das bolsas, o reforço da formação especializada e o investimento contínuo na educação e na comunicação social representam uma oportunidade concreta para acelerar o desenvolvimento do capital humano, fortalecer o sistema nacional de saúde e promover mudanças sociais profundas.
Numa altura em que o país procura ampliar o acesso a serviços especializados e reduzir desigualdades, a parceria entre a Primeira-Dama Gueta Chapo e a Fundação Merck consolida-se como uma das mais abrangentes iniciativas internacionais de capacitação, apostando simultaneamente em médicos, jornalistas, estudantes e comunidades, numa estratégia que procura demonstrar que investir em conhecimento continua a ser uma das formas mais eficazes de transformar vidas.