Os utentes de transporte na cidade de Xai-Xai, província de Gaza, preparam-se para enfrentar um novo aumento no custo dos transportes semicolectivos de passageiros. A decisão, aprovada pela Assembleia Municipal, prevê uma subida de até cinco meticais por viagem, uma medida que está a gerar contestação entre os cidadãos, sobretudo numa altura marcada pelo agravamento do custo de vida.
Nas paragens e terminais, muitos cidadãos manifestam preocupação com o impacto da nova tarifa nos seus orçamentos familiares.
“Os cinco meticais que aumentaram no chapa são muito prejudiciais. Estou a ficar sufocada. Nós estamos a morrer pouco a pouco”, lamentou um passageiro.
A decisão surge após negociações entre o município e os operadores de transporte, que reivindicavam um aumento superior, entre 10 e 15 meticais, alegando o agravamento dos custos operacionais, sobretudo com combustíveis e manutenção das viaturas.
Segundo explicou uma representante do município, a impossibilidade de atribuir subsídios à maioria dos transportadores esteve na origem da revisão tarifária.
“Noventa por cento dos transportadores não têm licença, por isso não há como serem subsidiados. Quem pagava 20 meticais passará a pagar 25. Os que pagavam 17 passarão a pagar 20 meticais. Os estudantes que pagavam 10 passarão a pagar 15 meticais”, esclareceu Argentina Simbine, da Assembleia Municipal.
Apesar da aprovação do aumento, os transportadores consideram que a actualização está longe de compensar os encargos enfrentados diariamente.
“Pelo menos os 30 meticais valiam a pena. Iam compensar um pouco, apesar de a população reclamar”, afirmou Josué, um dos operadores.
Já a Associação dos Transportadores de Xai-Xai reconhece que os custos de exploração aumentaram significativamente.
“O transportador que gastava 2.500 meticais por dia agora passa a gastar 3.500. É uma subida muito acentuada”, explicou Alberto Langa, delegado dos transportadores de Xai-Xai.
Por sua vez, a oposição entende que a nova tabela deveria reflectir melhor as distâncias percorridas pelos passageiros, defendendo uma abordagem mais equilibrada na definição das tarifas.
Enquanto decorrem os debates, os utentes alertam para os efeitos da medida sobre trabalhadores, comerciantes, estudantes e famílias de baixos rendimentos.
“Esses cinco meticais pesam no bolso do cidadão no final do dia. Devia haver uma atenção especial para os estudantes e para a população em geral”, defendeu um passageiro.
Outro utente sublinhou as dificuldades enfrentadas pelas famílias com vários filhos em idade escolar.
“Quem tem três ou quatro educandos a estudar, com os salários que temos, sente muito este aumento. Torna-se bastante complicado”, afirmou.
Embora a nova tarifa ainda não tenha entrado em vigor, a medida já domina as conversas na capital provincial de Gaza. A data para o início da sua aplicação ainda não foi anunciada pelas autoridades municipais, mas a preocupação dos passageiros é cada vez mais evidente.
Tarifas dos “chapas” sobem para 25 meticais na cidade de Tete
Os passageiros que utilizam os transportes semi-colectivos na cidade de Tete vão passar a pagar mais pelas deslocações urbanas. A partir desta sexta-feira, a tarifa dos chapas sobe dos actuais 20 para 25 meticais, na sequência de uma deliberação aprovada pela Assembleia Municipal.
A revisão dos preços surge após várias reivindicações apresentadas pelos transportadores semi-colectivos, que há cerca de duas semanas chegaram a paralisar as actividades em protesto contra o aumento dos custos operacionais, que consideravam insustentáveis.
Segundo o presidente do Conselho Municipal de Tete, a proposta inicial apresentada pelos transportadores apontava para uma tarifa de 30 meticais, mas a Assembleia Municipal decidiu aprovar um valor intermédio.
“A proposta apresentada pela associação dos transportadores era de 30 meticais, mas o que passou na Assembleia é de 25 meticais”, explicou César de Carvalho.
A decisão foi recebida com satisfação pela Associação dos Transportadores de Tete, que considera o aumento um alívio para os operadores do sector.
“Hoje estamos satisfeitos porque fizemos consultas junto dos transportadores. Caso o combustível volte a subir, regressaremos à Assembleia para solicitar um novo agravamento”, afirmou o presidente da associação.
Entre os operadores, no entanto, persistem opiniões divergentes. Alguns entendem que a nova tarifa representa um compromisso aceitável face aos custos actuais.
“Para mim está razoável. Apesar de algumas rotas serem mais longas, os 25 meticais são aceitáveis”, considerou um transportador.
Outros mostram-se menos optimistas e receiam que o aumento afaste passageiros.
“Nem com a tarifa de 20 meticais é fácil conseguir passageiros. Com 25 meticais será ainda mais complicado”, lamentou outro operador.
Além da actualização tarifária, a Assembleia Municipal aprovou também o instrumento legal que viabiliza a criação da Empresa Municipal de Transportes de Tete, entidade que ficará responsável pela operação dos cinco autocarros recentemente entregues pelo Governo ao município.
Segundo o edil, os veículos deverão começar a circular brevemente nas rotas já definidas, oferecendo uma alternativa ao transporte semi-colectivo.
“O mais breve possível teremos os autocarros a circular nos itinerários já definidos. As tarifas serão de 20 meticais e haverá também tarifas bonificadas”, garantiu César de Carvalho.
As autoridades municipais acreditam que a entrada em funcionamento da Empresa Municipal de Transportes contribuirá para reduzir os constrangimentos no transporte de passageiros e aumentar a oferta de serviços de mobilidade urbana na cidade de Tete.
Enquanto isso, os passageiros preparam-se para enfrentar um novo aumento dos custos de transporte, numa altura em que o custo de vida continua a pressionar o orçamento de muitas famílias.