A Universidade Púnguè, na província de Manica, distinguiu esta semana o músico e compositor moçambicano Célio Custódio Lopes Figueiredo, conhecido artisticamente por Célio Figueiredo, com o título de Doutor Honoris Causa em Artes e Humanidades.
A distinção reconhece o percurso artístico do músico de 64 anos e o contributo das suas obras para a promoção de valores como a paz, a unidade nacional, o amor ao próximo e a dignidade humana, transformando a sua produção musical num objecto de estudo e reflexão académica.
A justificação da atribuição do título foi apresentada pelo sociólogo Filimone Meigos, padrinho do homenageado na cerimónia, que destacou a dimensão social, filosófica e científica presente nas composições de Célio Figueiredo.
“Conceder o doutoramento honoris causa a Célio Figueiredo não é apenas distinguir um artista. É reconhecer que a canção, quando feita com esta exigência, é também uma forma de investigação e de serviço público, algo que qualquer universidade deve valorizar”, afirmou Filimone Meigos.
O académico considerou ainda que a obra do músico representa um encontro entre arte, ciência e filosofia, contribuindo para a compreensão da realidade social moçambicana.
Por sua vez, a reitora da Universidade Púnguè, Emília Nhalevilo, destacou o papel transformador da música produzida pelo artista ao longo de várias décadas.
“As suas composições ensinam-nos que a música não é apenas entretenimento. É memória, resiliência, resistência, educação e transformação. Num mundo marcado por desafios éticos, culturais e sociais cada vez mais complexos, figuras como Célio Figueiredo recordam-nos o valor da sensibilidade, da criatividade e do compromisso com a dignidade humana”, afirmou.
Visivelmente emocionado, Célio Figueiredo agradeceu a distinção e reafirmou o compromisso de continuar a utilizar a música como instrumento de promoção da paz e dos valores sociais.
O músico recordou que uma das suas primeiras composições de grande impacto surgiu na sequência do Acordo Geral de Paz de 1992, através da canção “Que a Paz Não Tenha Fim”, obra que lhe valeu reconhecimento nacional e uma distinção da Rádio Moçambique.
“Desde então fui escrevendo outras canções inspiradas na nossa sociedade, nos nossos valores e naquilo que considero importante para o nosso país. Continuo a acreditar que a música pode transmitir recomendações, opiniões e mensagens importantes para a sociedade”, afirmou o artista.
Esta foi a terceira cerimónia de atribuição de títulos honoríficos promovida pela Universidade Púnguè. Nas edições anteriores foram distinguidas personalidades de referência da sociedade moçambicana, entre as quais a antiga combatente da luta de libertação nacional, Marina Pachinuapa, e o antigo internacional moçambicano Chiquinho Conde.
Com esta distinção, a instituição de ensino superior reconhece o legado de Célio Figueiredo e a influência da sua obra na construção de uma sociedade mais consciente, inclusiva e comprometida com os valores humanos.