O protesto dos operadores de transporte semicolectivo de passageiros contra a nova tarifa de transporte interdistrital degenerou em bloqueio de vias no distrito de Manjacaze, província de Gaza, culminando com a detenção de quatro indivíduos apontados pelas autoridades como líderes do movimento.
A manifestação ocorreu poucos dias após a entrada em vigor da nova tabela de preços, com aumentos que, segundo os transportadores, não acompanham a escalada dos custos operacionais, sobretudo dos combustíveis.
Em Manjacaze, os manifestantes interromperam a circulação rodoviária, impedindo a passagem de viaturas e provocando constrangimentos a centenas de passageiros.
“A situação do combustível está muito mal. Nem conseguimos trabalhar. Não é fácil trabalhar e ainda há perspectivas de aumento dos preços dos combustíveis”, lamentou um dos transportadores envolvidos no protesto.
O bloqueio afectou o transporte de pessoas e mercadorias, deixando passageiros retidos ao longo da via, incluindo doentes e mulheres grávidas que necessitavam de deslocação urgente.
“Não sei como chegar a casa com o doente. A estrada está bloqueada, os transportes não estão a passar e não temos alternativa”, relatou um passageiro afectado.
A Associação dos Transportadores Rodoviários de Gaza (ASTROGAZA) distanciou-se da acção e condenou o bloqueio das estradas, considerando que a medida prejudicou a população e desrespeitou os mecanismos de diálogo existentes entre o sector e o Governo.
A porta-voz da associação, Apolinária Mondlane, afirmou que a organização tentou persuadir os manifestantes a desistirem da paralisação.
“Conversámos com eles para não bloquearem a estrada. Temos doentes, pessoas que precisam de assistência e até mulheres prestes a dar à luz, mas não quiseram ouvir-nos”, declarou.
A responsável apelou ainda aos transportadores para que evitem actos de violência e bloqueios, defendendo que eventuais preocupações relacionadas com os custos da actividade devem ser tratadas através dos canais institucionais.
Entretanto, a intervenção das autoridades resultou na detenção de quatro indivíduos suspeitos de liderarem a mobilização que culminou com o encerramento da estrada.
Os detidos negam qualquer participação na organização do protesto, alegando que apenas se encontravam no local quando a via já estava bloqueada.
Apesar disso, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) afirma possuir elementos que ligam os suspeitos à planificação e execução da acção.
O porta-voz do SERNIC em Gaza, Zaqueu Mucambe, explicou que os quatro cidadãos foram identificados através de um trabalho de investigação e captura realizado pelas autoridades.
“Há indicações de que estes indivíduos estiveram na linha da frente da criação dos bloqueios e cobravam valores monetários para permitir a passagem de outros transportadores”, afirmou.
Segundo o SERNIC, o grupo terá montado uma espécie de portagem ilegal ao longo da estrada que liga Xai-Xai aos distritos de Manjacaze e Chibuto, condicionando a circulação de viaturas mediante pagamento.
O incidente constitui o primeiro foco de contestação registado em Gaza desde a implementação da nova tabela de preços de transporte interdistrital e surge numa altura em que o sector continua a adaptar-se às recentes alterações aprovadas pelas autoridades.