Dos 26 convocados dos Bafana Bafana para o Mundial dos Estados Unidos, México e Canadá, 19 actuam no campeonato sul-africano, o maior número entre as selecções africanas presentes no Mundial de 2026.
A divulgação das listas oficiais para o Mundial de 2026 mostra que várias selecções continuam a confiar nos seus campeonatos nacionais como principal fonte de recrutamento.
Entre as equipas africanas, a África do Sul destaca-se por apresentar o maior número de jogadores provenientes da liga doméstica, numa demonstração da crescente competitividade do futebol local.
Os Bafana Bafana convocaram 19 atletas que actuam na Premier Soccer League (PSL), principal competição sul-africana. A base da equipa é composta por jogadores do Mamelodi Sundowns e do Orlando Pirates, clubes que fornecem oito atletas cada à selecção orientada por Hugo Broos.
A forte presença de jogadores locais contrasta com a tendência observada em muitas selecções africanas, que dependem maioritariamente de futebolistas a actuar no estrangeiro. No caso sul-africano, apenas sete convocados jogam fora do País, distribuídos por campeonatos da Europa, Ásia e América.
O Egipto ocupa a segunda posição entre as selecções africanas que mais recorrem aos seus campeonatos nacionais, com 17 jogadores provenientes da liga local. A Tunísia surge em terceiro lugar, com sete atletas.
Já Argélia e Marrocos contam com apenas três jogadores dos respectivos campeonatos nacionais, enquanto o Gana apresenta apenas um representante da sua liga doméstica.
Especialistas associam esta realidade ao fortalecimento financeiro e organizacional de algumas ligas africanas. Na África do Sul e no Egipto, os clubes conseguem oferecer condições competitivas e reter parte significativa dos seus principais talentos, reduzindo a necessidade de transferências precoces para o exterior.
A aposta em jogadores locais não é exclusiva do continente africano. Entre as principais selecções europeias, Inglaterra, Espanha e Alemanha mantêm uma forte representação de atletas que actuam nos respectivos campeonatos nacionais.
A proximidade competitiva e o conhecimento mútuo entre os jogadores são frequentemente apontados como factores que favorecem a coesão das equipas.
No Médio Oriente, o Qatar volta a apostar quase exclusivamente em futebolistas da liga nacional, repetindo a estratégia utilizada nas últimas competições continentais. Na região da Concacaf, o México apresenta uma convocatória equilibrada, integrando vários jogadores provenientes da Liga MX.
Com o arranque do Mundial marcado para 11 de Junho, a competição servirá também para avaliar a eficácia dos diferentes modelos de construção das selecções nacionais.
Enquanto algumas equipas apostam em atletas dispersos pelos principais campeonatos do mundo, outras continuam a encontrar nas ligas locais a base para a sua identidade competitiva.